Amor Invisível Sob o Céu NoturnoAmor Invisível Sob a Noite de Muitas Cores – Capítulo 4 – Capítulo 4: Kaikyokan
Capítulo 17♪
“Já decidi meu emprego e estou pensando em voltar para casa. Você não gostaria de vir comigo, Koharu?”
Eu sempre quis visitar o lugar onde Kakeru-kun nasceu e cresceu.
Queria conhecer de perto o Estreito de Kanmon, conhecido por suas fortes correntes.
Então, é claro, fiquei radiante quando Kakeru-kun me convidou para voltar à sua cidade natal.
Meu coração e meu corpo praticamente saltaram de alegria.
Mas não era só alegria que eu sentia.
Eu também estava preocupada se conseguiria lidar com a viagem.
Eu não gosto de aviões.
O simples tremor de um elevador antigo me assusta tanto que, se for um avião, sinto que vou gritar de medo.
Quando fui internada no hospital em Hokkaido, eu estava tão doente que não me preocupei com isso.
Mas quando recebi alta e chegou a hora de voltar para casa de avião, eu chorei.
Depois, eu teria que viajar de trem-bala, mas também havia problemas com o trem-bala. Eu não conseguia usar o banheiro.
A ideia de uma viagem de duas horas entre Tóquio e Niigata não me incomodava.
Mas, de Tóquio até um lugar chamado Kokura, em Kitakyushu, são cerca de quatro horas e meia.
Eu me perguntava se conseguiria ficar bem.
No entanto, se eu continuar pensando assim, nunca conseguirei viajar, e é algo que eventualmente terei que superar, então reuni coragem.
Pensei que de alguma forma conseguiria lidar com essa longa viagem.
Sim.
Mas esse não é o motivo da minha inquietação.
O que mais me preocupa é encontrar a mãe do Kakeru-kun.
É isso que está me deixando nervosa.
As palavras dos meus parentes ecoam na minha mente.
As palavras do meu pai apertam meu peito novamente.
Será que vou ficar bem sendo eu mesma?
Será que vai ficar tudo bem eu não enxergar?
Tenho medo de ser rejeitada.
É o que eu penso.
O Kakeru-kun fala que tudo vai ficar bem, e se ele diz isso, acho que deve ser verdade.
E se eles me perdoassem?
O que eu faria se eles me perdoassem?
Isso também me assusta.
Se fosse só um namoro, tudo bem.
Mas e se formos além?
Ultimamente, tenho me preocupado com isso... As palavras dos meus parentes e do meu pai não param de ecoar na minha cabeça.
E se o Kakeru-kun arrumar um emprego, eu me formar na universidade e nosso relacionamento evoluir?
Tenho certeza de que o Kakeru-kun está pensando no nosso futuro juntos.
É óbvio.
Ele se esforçou muito para conseguir um emprego, vai me apresentar à mãe dele e até disse que quer conhecer o meu pai.
Mas...
Mesmo assim...
Desde aquele dia, não consigo parar de pensar...
Será que é certo eu ficar com o Kakeru-kun?
Meu corpo é fraco e eu não enxergo bem. Não consigo nem desviar de crianças correndo. Sou lenta com as tarefas domésticas e minhas habilidades culinárias são limitadas.
Se acabarmos morando juntos, tenho certeza de que será difícil.
Provavelmente acabarei dependendo dele mais do que deveria.
E isso... não arruinaria a vida do Kakeru-kun?
Essa preocupação ocupa minha mente o tempo todo.
Não é egoísmo da minha parte querer ficar com ele?
Será que é realmente certo ser eu?
Se eu me sinto assim, teria sido melhor não ter começado a namorar com ele?
Mesmo doente, Kakeru-kun continuou acreditando em mim, e um milagre aconteceu.
E agora, depois desse milagre, estou pensando nessas coisas.
Como sou injusta.
É o que eu penso.
Não consigo evitar pensar nisso.
"Koharu? Você deveria acordar. Estamos quase chegando em Kokura."
Ouvi a voz de Kakeru-kun. Era uma voz gentil. Eu estava no trem-bala, pensando em coisas desagradáveis enquanto cochilava, e acabei adormecendo.
"Desculpe. Eu cochilei ."
"Cochilou, é? Você estava dormindo profundamente."
Ouvi Kakeru-kun rir. Quando estou preocupada, sinto que ele, ciente disso, tenta ser mais alegre comigo. Ele é tão gentil.
"Talvez eu não consiga dormir à noite."
Fiquei pensando se Kakeru-kun havia ficado entediado.
Senti uma pontada de culpa no peito.
"Não se preocupe. Eu também dormi."
Sua voz calorosa ecoou em meus ouvidos.
Há algum tempo, eu sentia uma sensação quente na minha mão direita.
Quando apertei a mão dele, percebi que o calor vinha da mão de Kakeru-kun.
Ah.
O calor que eu sentia na minha mão se espalhou por toda a minha mente. Eu me senti tão feliz.
As preocupações que eu tinha há pouco desapareceram.
Afinal, eu sempre… sempre, sempre quero estar com o Kakeru-kun.
Não consigo parar de pensar nessas coisas.
Que egoísmo o meu.
Da Estação Kokura, pegamos um trem local em direção a Shimonoseki.
Era um trem barulhento e balançante, com o clássico som de "gatangoton", que realmente dava a sensação de estar sendo sacudido. Foi divertido. Quando chegamos à Estação Shimonoseki, Kakeru-kun recebeu uma mensagem no LINE da mãe dele.
{"Parece que vou ter que ficar e fazer hora extra. Você pode passar um tempo em algum lugar?"}
{"Muito obrigada por tirar um tempo da sua agenda lotada."}
"O que você gostaria de fazer?"
"Eu gostaria de ir perto do Estreito de Kanmon, como você mencionou."
"Certo", disse Kakeru-kun, pegando minha mão. Então, nós dois pegamos um ônibus.
O ônibus estava vazio, então pudemos sentar juntos.
A princípio, passamos por uma fileira de prédios baixos e, de repente, a paisagem se abriu e o mar apareceu.
Kakeru-kun me descreveu tudo. O ônibus em que estávamos era azul, e eu podia imaginá-lo navegando pelo mar azul sob o céu azul.
Descemos em um ponto de ônibus chamado Kaikyokan Mae.
“O que é Kaikyokan?”
Segundo Kakeru-kun, é um aquário.
“Mas antes disso, vamos atravessar a rua, então segure minha mão com firmeza.”
“Você já está me tratando como uma criança.”
“Isso te incomoda?”
“Não me incomoda…”
Enquanto atravessávamos a faixa de pedestres, Kakeru-kun continuou explicando o cenário.
Um pouco mais adiante fica o Estreito de Kanmon. Ao lado do estreito, se você olhar para a esquerda, fica o Mercado Karato; Bem em frente fica o aquário, e à direita dele, um pequeno parque de diversões com uma roda-gigante. Toda essa área é um ponto turístico popular.
Havia um café do outro lado da rua, em frente ao parque de diversões, e compramos café para viagem.
“Koharu, o que você quer?”
“Vocês têm chá com leite?”
“Sim, temos”, respondeu o atendente.
Kakeru-kun pediu um chá com leite gelado para mim e o segurou.
Então, encontramos um lugar para sentar atrás do parque de diversões e nos acomodamos.
Dizem que dali se tem uma vista panorâmica do Estreito de Kanmon. Ao contrário do aroma típico de Tsukishima, aqui o cheiro do mar é intenso. O vento sopra forte.
Como estávamos atrás do parque de diversões, podíamos ouvir o som das montanhas-russas.
Também podíamos ouvir os gritos de alegria das pessoas que estavam nos brinquedos.
“Tem mar ali na nossa frente?”
“Você consegue ver?”
“Não, não consigo ver.”
Kakeru-kun riu quando eu disse isso, como se achasse que era uma piada.
“Como sempre, gostaria que você me descrevesse.”
Como de costume, Kakeru-kun descreveu meus arredores com uma voz gentil.
O azul. O mar, o céu, a cidade na costa oposta e as montanhas — tudo um mundo azul. A luz do sol reflete na superfície da água como um espelho. Um mundo tão brilhante que chega a cegar. O mar flui da direita para a esquerda e, em meio a essa paisagem que parece congelada no tempo, o mar é a única coisa que se move. Foi isso que Kakeru-kun me explicou.
[Del: KKKKKKKK, ah não cara, o autor tá muito de sacanagem, não é possível. Mas deveras bonito, realmente.]
Fechei os olhos e imaginei.
Senti como se estivesse me fundindo com a paisagem. Era como se eu estivesse me juntando ao mundo azul brilhante. Sussurrei o quão agradável era a sensação.
“Você gosta?”
“É um lugar bonito.” A brisa salgada e úmida era bastante agradável.
"Dá para nadar no mar à nossa frente?"
"Não, não dá. Se fizermos isso, provavelmente vamos nos afogar."
Kakeru-kun acrescentou que provavelmente não duraríamos dez segundos.
"E qual a velocidade da correnteza?"
"Hum..."
Kakeru-kun pensou por um instante.
"É como os pêssegos do Momotaro flutuando rapidamente?"
"Como assim?"
"Bem, eu sempre achei que pêssegos que vêm de longe e chegam a um lugar onde você pode pegá-los devem se mover muito rápido. A vovó que foi pegá-los, será que ela estava em perigo?"
Uma risada espontânea escapou de mim. Era tão surreal que eu ri bastante.
"É tão rápido quanto a correnteza de um rio estreito."
"Sim, era isso que eu queria dizer."
"É tão rápido assim?" Perguntei, virando-me para olhar para frente.
Um apito alto de trem podia ser ouvido à distância. Parecia que um grande navio cargueiro estava passando à nossa frente.
"Pensando bem, comprei um sanduíche antes de entrar no trem-bala. Você não quer comer?"
"Eu aceito. Estou morrendo de fome."
"Talvez eu devesse ter te acordado no trem-bala."
"Não, não tem problema. Eu acabei dormindo mesmo."
"Você está cansada?"
"Eu estava dormindo, então estou bem. Na verdade, estou mais preocupado se vou conseguir dormir esta noite."
"Desculpe por ter te feito vir para a casa dos meus pais."
"Por que você está se desculpando?"
"É que, por ser um ambiente novo, achei que você talvez não se sentisse confortável na casa dos meus pais."
"Não tem problema."
No entanto, acrescentei…
“Eu só gostaria de uma explicação detalhada sobre o vestiário e o banheiro.”
Era algo que eu precisava pedir com certeza.
Não era algo para se envergonhar; era uma necessidade urgente.
Na verdade, embora eu estivesse um pouco envergonhada, não era algo que me preocupasse.
Então Kakeru-kun disse…
“Isso mesmo, se você fechar os olhos para tomar banho ou usar o banheiro, seria útil se eu explicasse em detalhes onde tudo fica.”
Foi isso que ele me disse. Fiquei muito feliz por ele querer entender cada detalhe e acabei segurando as roupas de Kakeru-kun.
“Ah, e sobre o banho, minha mãe disse que quer tomar com você.”
“Vou recusar!”
Recusei imediatamente. Era um obstáculo muito grande.
“Minha mãe”, disse Kakeru-kun com uma voz gentil. “Quando eu disse que te levaria, ela achou que era algum tipo de cumprimento obrigatório ou algo assim.”
“Só queria dizer que estamos namorando”, disse Kakeru-kun.
Ao ouvir isso, fiquei sem palavras.
Como eu deveria responder?
Naquele momento, uma forte brisa marítima soprou e meu cabelo balançou.
Rapidamente o prendi.
Quando o vento acalmou, eu disse…
“Quando eu terminar a faculdade, seria legal poder te visitar de novo.”
Desviei da pergunta com essa resposta. Doeu no meu coração.
Na verdade, eu queria perguntar: “Tudo bem se for eu?”
Eu queria falar sobre minhas preocupações e ouvir a opinião dele.
Pensar que perguntar poderia arruinar nosso relacionamento, mesmo na pior das hipóteses, me assustava, e eu não consegui.
De repente, ouvi alguns alegres gritos e aclamações seguido do som de um forte respingo de água.
“Que barulho é esse?”
“Ah, parece que está tendo um show de golfinhos no aquário.”
“Golfinhos?”
“Você quer ir? Minha mãe parece que vai demorar um pouco.”
Fiquei surpresa com a naturalidade com que Kakeru-kun disse isso.
Às vezes, acho que Kakeru-kun se esquece de que eu não enxergo.
Quando ele me trata assim, sinto que não há mais ninguém para mim.
Agora, pensando nisso, meu coração dói. Estou feliz, mas ao mesmo tempo, me sinto magoada.
“Me convidar para o aquário é muito gentil da sua parte, Kakeru-kun.”
“É que você sempre diz que quer ver fogos de artifício, tocar piano, andar de jet ski e se divertir mesmo sem enxergar.”
“Sinto que estou em apuros…”
Sinto lá no fundo que não há mais ninguém para mim além de Kakeru-kun. Quando me dei conta disso, não soube o que fazer.
"O que foi?"
"Estou feliz, e é por isso que estou em apuros."
"Você não está se forçando? Você não está realmente interessada no aquário?" A voz gentil de Kakeru-kun era irresistível.
"Vamos ao aquário, pode ser?"
Era minha primeira visita ao aquário em quase dez anos.
Mostramos meu cartão de deficiente na recepção e, quando eu disse: "É um bom desconto", Kakeru-kun pareceu hesitar. A hesitação em sua fala era porque ele estava se preocupando comigo. Embora eu achasse que ele não precisava se preocupar com isso, também apreciei o fato de Kakeru-kun ter pensado nesses detalhes. Então, eu disse a ele que não precisava se preocupar com isso no futuro.
O aquário era fresco e climatizado.
Enquanto caminhávamos pela passarela inclinada, comecei a ouvir o som da água.
Parecia que a água estava circulando.
Quando toquei em um vidro, dava para perceber que a água estava fria.
"Você não está com frio?"
"Estou bem. Que tipo de aquário é este?"
"É um aquário que reúne peixes do Estreito de Kanmon. Há peixes como pargos, cavalas, raias e muitos outros cujos nomes eu não sei."
E assim, Kakeru-kun me explicou cada um dos tanques.
"Ali está um peixe grande", "Parece que tem um tubarão grande", "Ah, está escrito aqui que é um seriola", e assim por diante. Ele se esforçou para explicar tudo em detalhes.
"A propósito..."
"Sim?"
"Há etiquetas nos tanques que indicam a melhor forma de consumir cada tipo de peixe."
[Del: Brutal.]
"Sério?"
"Sim, sério. O seriola é melhor consumido como sashimi."
“Isso parece uma história inventada por você, Kakeru-kun.”
Os aquários começaram a se parecer com os de um restaurante sofisticado.
“Nossa, tem um baiacu bem na frente! Em Shimonoseki, conhecida como a cidade do baiacu, o aquário também é dedicado a eles.”
“Ele infla debaixo d’água?”
“Baiacus só inflam quando estão em perigo.”
“Ah, é mesmo?”
“Só alguém como você inflaria um baiacu sem motivo, Koharu.”
“Como assim ‘sem motivo’?” perguntei, inflando as bochechas.
“Ah, eu adoraria guardar essa carinha!” O obturador da câmera clicou.
“Ya~” Ao ouvir isso, Kakeru-kun comentou…
“Talvez no futuro existam tecnologias que permitam que pessoas cegas vejam fotos ou vídeos. —É por isso que quero tirar muitas fotos, é por isso.”
Ele disse isso.
Se eu não tomasse cuidado, as lágrimas começariam a cair.
Embora aquelas palavras, cheias de preocupação, fossem muito gentis, Kakeru-kun naturalmente presumia que ficaríamos juntos no futuro. Isso me deixou imensamente feliz.
Meu coração estava tão cheio que senti vontade de chorar.
Alheio aos meus sentimentos, Kakeru-kun disse...
"Você já comeu baiacu?"
Kakeru-kun disse algo tão casual.
"Comer baiacu em um aquário? Que pergunta inusitada."
"Bem, é verdade que normalmente não se pergunta isso se você já comeu cordeiro em um zoológico."
"Você sempre faz essas piadas."
Enquanto ríamos e mudávamos de assunto, Kakeru-kun disse: "Ah, águas-vivas!"
"As águas-vivas brilham em azul no tanque escuro. São bem fantasmagóricas, não são?"
“As luzes dos prédios de Tsukishima…” A menção às águas-vivas me fez lembrar do nosso caminho habitual. “Quando as luzes dos prédios de Tsukishima se refletem na superfície da água, Kakeru-kun, você disse que parecia uma água-viva.”
“Eu disse isso?”
“Sim, você disse~”
“Como é essa sensação?”
“Flutuar devagar, sem esforço, balançando.”
“É reconfortante de alguma forma”, disse Kakeru-kun.
“Seria bom viver assim, devagar.”
“Você estava pensando nisso?”
“Huh? Isso é errado?”
“É tão típico de você.”
Apoiei minha cabeça no ombro de Kakeru-kun.
“Que bom que você está gostando.”
“Ah, desculpe. Sou só eu…”
“Não, não é nada disso. Estou gostando também, então divirta-se o quanto quiser.”
“Então vou me divertir hoje como se fosse durar uma vida inteira.”
“Você me deixa sem palavras com essa determinação.”
Rimos juntos novamente. Kakeru-kun disse: “Vamos?” e pegou minha mão.
“Ah, tem um peixe-lua à direita.”
Kakeru-kun disse que o peixe-lua era maior do que eu imaginava. “Na verdade, ele é enorme! Tem três metros de comprimento?” A reação de Kakeru-kun também foi impressionante. Embora sejam frequentemente vistos como muito magros, ele explicou que, na verdade, são mais robustos do que parecem. Ele disse que havia um peixe-lua no aquário.
Imaginei o peixe-lua nadando lentamente em minha mente. “Dizem que o peixe-lua faz parte da família dos baiacus. Como eles costumam se esfregar no aquário e podem se machucar, há uma camada de vinil colada na parte interna. É um animal muito delicado.”
“Acho que ouvi dizer que ele morre se for deixado sozinho. Isso é verdade?”
“Não, isso parece ser um boato. A história correta é que o peixe pode morrer devido ao estresse de perder um parceiro. Na verdade, eles podem viver muito bem mesmo sozinhos.”
“Você é surpreendentemente bem informado sobre coisas inesperadas.”
“É mesmo?”
“…Não sei, mas existe alguma explicação para isso?”
“Hã? Como você sabe?”
“É porque você disse isso num tom bem monótono.”
“Você descobriu~?” Kakeru-kun provocou. Não consegui resistir e o empurrei de brincadeira.
Não sei porquê, mas saber que o peixe-lua, que estava sozinho no lago, conseguiu viver bravamente por conta própria, me trouxe um certo alívio. Se houvesse um animal que morresse de choque por perder seu parceiro, eu me sentiria um pouco culpada. Acho que é porque, subconscientemente, sinto que não vou viver tanto quanto Kakeru-kun.
"Fico feliz em saber que o peixe-lua pode viver uma vida longa."
Dizendo isso, Kakeru-kun me abraçou.
Surpresa, só consegui dizer: "Hã? Huh?"
"Está tudo bem, Koharu. Dizem que se você rir, até as coisas ruins desaparecem."
Foi assim que ele disse.
"Vamos tocar nas estrelas-do-mar ali. Vamos para a esquerda."
Então fomos para uma área onde podíamos tocar nas estrelas-do-mar.
As estrelas-do-mar eram mais ásperas e grosseiras do que eu esperava, e tinham formato de estrela.
Graças ao Kakeru-kun, pude aprender sobre essas coisas.
Eu disse "obrigada" várias vezes.
Depois de tocar nas estrelas-do-mar, fomos ao show dos golfinhos. Os golfinhos emitiam sons agudos e estridentes. Também aprendi sobre essas coisas graças ao Kakeru-kun.
Depois de aproveitarmos o aquário por um tempo, recebemos uma mensagem da mãe do Kakeru-kun.
♪
A mãe do Kakeru-kun, Kyoko-san, era uma pessoa muito enérgica.
Na verdade, assim que ouvi a voz do Kakeru-kun dizendo "Chegamos!", ela me abraçou imediatamente e disse: "Ah, você é a Koharu-chan! Já ouvi falar tanto de você~! Nossa, você é realmente linda, parece uma boneca~!"
Não tive tempo de responder, e a mãe do Kakeru-kun me deu um abraço unilateral.
"Mãe? A Koharu está desconfortável."
"Ah, me desculpe~. É que é a primeira vez que você traz uma garota, Kakeru, então estou muito feliz."
"É a sua primeira vez?"
Quando perguntado, Kakeru-kun disse...
“Mãe, não precisa falar coisas desnecessárias!” E ele elevou a voz apressadamente.
‘É a primeira vez’, isso me deixou um pouco feliz.
Depois, entramos no carro da mãe dele e fomos para a casa do Kakeru-kun.
A casa do Kakeru-kun é um apartamento de três quartos, com dois quartos perto da entrada e uma sala de estar nos fundos. Ao lado da sala de estar fica um quarto em estilo japonês. Eles me explicaram detalhadamente o closet e o banheiro. Fiquei aliviada com o design simples.
Quando me sentei à mesa na sala de estar, a mãe dele me perguntou: “Advinha o que vamos jantar hoje?”
“Que pedido absurdo…?” Kakeru suspirou exasperado.
“Não estou perguntando para você, Kakeru~. Estou perguntando para a Koharu-chan~”
“Para mim?”
“Sim. Tente adivinhar.”
“Hum… Vai ser curry com arroz?”
“Oh~, Koharu-chan, você é mesmo uma boa menina~”
Ela me abraçou de novo. Talvez a mãe de Kakeru-kun me veja como um travesseiro abraçável.
“Mãe, você está abraçando ela demais. E o que você quer dizer com ela ser uma boa menina?” disse Kakeru.
“Bem, ela evitou pratos caros como sushi ou sukiyaki, e também evitou pratos complicados. Ela escolheu curry! É a resposta perfeita! A personificação da feminilidade!”
Mesmo tendo respondido apenas com o prato favorito do Kakeru-kun, acabei sendo vista como uma pessoa muito atenciosa. Me senti um pouco culpada.
“Espere um minuto, mãe, a Koharu está desconfortável.”
“É só uma brincadeira. Desculpe, Koharu-chan.”
Ao receber o pedido de desculpas da mãe dele, fiz um gesto indicando que não havia problema.
“Hoje, vou preparar ‘kawara soba’, um prato típico de Shimonoseki.”
Kawara soba?
Enquanto eu me perguntava o que era, a mãe dele começou a prepará-lo.
O som da comida cozinhando começou, e o cheiro de óleo, junto com um aroma levemente adocicado, se espalhou.
É um prato regional de Toyoura, localizado na cidade de Shimonoseki, na província de Yamaguchi.
“Que tipo de prato é esse?”
Kakeru-kun me explicou que eram macarrões de chá verde sendo preparados na chapa. Esses macarrões são grelhados em uma telha, e tiras de ovo, carne refogada e alga marinha picada são adicionadas. Depois, são servidos com um caldo quente e adocicado. Também é possível variar o sabor adicionando fatias de limão ou raiz-forte.
“Antigamente, toda família tinha pelo menos uma telha em casa”, continuou Kakeru-kun. “A condutividade térmica é perfeita.”
Fiquei surpresa ao saber da existência desse prato. "Então, eles usaram uma telha do telhado para cozinhar? O que fizeram com os vazamentos de água da chuva?"
[Del: Apesar de sim, inicialmente terem sido usado telhas de barro/argila (kawara) para cozinhar em contexto em que não havia utensílios de cozinha (soldados em guerra por exemplo), hoje é um utensílio específico em formato semelhante a telha, distribuindo e mantendo o calor muito bem para poder cozinhar. Acabou por virar tradição.]
Pensei que, se usaram uma telha, poderia haver vazamentos na casa. Talvez tenham comprado telhas extras para isso.
Enquanto pensava nisso, ouvi risadas.
"É uma brincadeira do Kakeru~", disse a mãe dele.
"Eh? Hã?"
"Desculpe, desculpe", disse Kakeru-kun.
Hmm.
"Sirva-se ao meio-dia. Os hashis estão ao seu alcance."
"Obrigada."
Então, decidi experimentar e disse "itadakimasu" enquanto juntava as mãos.
E então ouvi a voz da mãe dele:
"Ei, Koharu-chan?"
"Sim?"
"Você não vai prender o cabelo?"
"Ah, é mesmo!"
“Você tem um elástico de cabelo ou algo assim?”
“Desculpe, não tinha pensado nisso.”
“Está bom assim, Koharu-chan?”
“Obrigada?”
A mãe do Kakeru-kun me deu um elástico de cabelo. Prendi meu cabelo em um rabo de cavalo na nuca.
“Isso mesmo, ou você pode colocar o cabelo na boca”, disse Kakeru-kun.
“Como está? Está bem preso?”
Quando perguntei para o Kakeru-kun, ele disse: “Está perfeito!” Então, eu disse “itadakimasu” novamente enquanto juntava as mãos.
Peguei o macarrão com os hashis e dei uma mordida.
“Está delicioso.”
O aroma do macarrão fritando no óleo se mistura com um suave perfume de chá verde. A doçura do ovo fatiado finamente e do caldo, um pouco mais adocicado que o tsuyu, se combinam com o óleo do macarrão, criando um sabor umami. O frescor do limão faz com que seja fácil comer cada vez mais.
"É ótimo que o tsuyu de limão doce seja tão bom~"
"Fico feliz que você tenha gostado. Espero que os ingredientes também possam ser encontrados em Tóquio", comentou Kakeru-kun.
"Eles não vendem macarrão para kawara soba em Tóquio?", perguntou a mãe dele.
“"Não, parece que não! Ah!"”, respondemos nós dois.
Kakeru-kun me serviu mais comida, dizendo: "Coma o quanto quiser."
"Kakeru-kun, você parece uma vovó do interior."
"Quem é a vovó?"
Kakeru-kun respondeu rapidamente. Ele estava especialmente espirituoso hoje, e eu percebi que ele estava feliz em casa.
"Ei, Koharu-chan. Esta é uma pergunta repentina, mas você tem certeza de que está bem com o Kakeru?"
Diante da pergunta inesperada, Kakeru-kun exclamou: "Ei, mãe!" Fiquei sem saber o que responder.
Na verdade, eu queria perguntar se era realmente normal ele estar comigo por causa de como eu sou, mas...
"Não, não é isso. Eu me sinto muito sortuda por estar com ele."
Não consegui articular mais do que algumas palavras vagas.
"O sorriso da Koharu-chan é muito reconfortante~. Toda casa deveria ter pelo menos uma~"
"Como assim?" perguntou Kakeru.
"É como uma máquina de limpeza da alma. Você não sabia?" comentou a mãe dele enquanto conversavam entre si.
A mãe de Kakeru-kun não parava de me chamar de "fofa" e "adorável".
Senti-me muito corada e um pouco desconfortável.
Depois do jantar, todos foram tomar banho.
Quando a mãe dele me perguntou se eu queria tomar banho com ela, recusei educadamente.
“Koharu-chan, você gostaria de usar hidratante?”
“Ah, posso usar?”
“Use bastante! Pode usar o quanto quiser”, disse a mãe dele.
“Um pouquinho já basta.”
A mãe dele era muito atenciosa comigo.
Kakeru-kun também, já que se ofereceu para secar meu cabelo com o secador, tentando cuidar de mim de todas as maneiras possíveis. “Tudo bem”, eu disse. “Não, eu seco sozinha”, ele insistiu. Eu não conseguia tirar o secador de Kakeru-kun, parecia que não tinha como me livrar dele.
Foi nesse momento que…
“Então, vocês dois vão dormir no quarto japonês hoje à noite.”
Disse a mãe dele.
“Sério?”
A voz de Kakeru-kun soou. Senti como se pudesse ouvir o som da sua garganta engolindo em seco.
Na verdade, eu nunca tinha dormido com Kakeru-kun antes.
Essa era a primeira vez que passávamos a noite juntos.
Pensei que talvez... quando me formasse na universidade e me tornasse mais independente, algo assim pudesse acontecer. Mas fazia anos que eu não via meu próprio corpo nu, então estava um pouco nervosa. Estava tão preocupada que nem queria que a mãe do Kakeru-kun me visse. Muito menos o próprio Kakeru-kun. Além disso, só de pensar nisso, ficava tão envergonhada que sentia como se meu rosto fosse ferver.
"É constrangedor, não é?", perguntei a Kakeru-kun.
"Ah, sim", ele respondeu.
Pensei que ele responderia com alguma piada, mas fiquei curiosa para saber qual seria a expressão dele naquele momento.
"Você não vai me atacar, vai?"
Tentei fazer uma piada para fazê-lo rir, mas ele respondeu muito sério:
"Vou fazer essas coisas direito."
Senti-me ainda mais envergonhada.
"Koharu-chan, você pode beber álcool?"
Quando tentei responder à mãe dele, Kakeru-kun respondeu primeiro: "A Koharu ainda não bebeu álcool."
"Então beba você", disse a mãe dele.
Então continuamos conversando na sala de estar. A mãe de Kakeru-kun me contou histórias sobre a infância dele. Ele estava bebendo, ou melhor, a mãe dele estava dando bebidas para ele, e a voz dele começou a ficar incoerente.
"Koharu, mesmo sem maquiagem você é fofa~" Com essa frase, eu soube que ele estava bêbado.
"Kakeru-kun, você está bem? Você não está bêbado?"
"Não estou bêbado."
"Sua voz está estranha."
"Ah~, a Koharu de pijama você é tão fofa. Você fica adorável sentada como uma irmã mais velha na almofada."
"Você está completamente bêbado, que ridículo, Kakeru", disse a mãe dele. "Deixe a Koharu-chan comigo, vá dormir."
"Estou bem."
"Eu consigo me virar, então vá descansar. Muito obrigada por hoje."
"Hmm?" disse Kakeru-kun. "Se Koharu diz, eu obedeço." O som de roupas farfalhando pôde ser ouvido quando Kakeru-kun se levantou.
O som de portas de correr abrindo e fechando com força pôde ser ouvido.
O som de Kakeru-kun se deitando na cama continuou.
"Desculpe. O Kakeru já passou da hora."
"Você também me ajudou muito hoje."
"Não se preocupe. Use isso."
Usar isso?
Não consegui conter o riso.
Não imaginava que me daria tão bem com a mãe dele em apenas um dia.
Enquanto pensava em como era fácil conversar com ela, ouvi uma voz calma dizer: "Posso te perguntar algo sério?"
“Ei, Koharu-chan, você tem certeza de que não tem problema que seja o Kakeru?”
Claro que não tem problema em ser o Kakeru-kun.
Mas será que não tem problema eu ser eu mesma? Será que não tem problema eu ser um eu tão incompleto?
Essas dúvidas me atormentavam. Seria deslealdade com a mãe dela continuar escondendo meus sentimentos e sorrindo para disfarçá-los?
“Pelo contrário.”
Decidi e abri a boca.
“Não tem problema se for eu?”
Então, a mãe dela respondeu no mesmo tom leve de antes.
“Está tudo bem, está tudo bem. Se fosse você, Koharu-chan, acho que seria demais para o Kakeru.”
“Mas eu não enxergo e tenho doenças crônicas...”
“Todo mundo fica doente eventualmente. Então não se preocupe.”
“Além disso, eu não sou boa em tarefas domésticas. Não sou boa nem em estender roupa.”
“Não estamos mais na época em que as mulheres tinham que fazer tudo. Deixe o Kakeru fazer.”
“E eu cozinho muito mal também… Mal aprendi a fazer curry ultimamente.”
“Dizem que curry é fácil de fazer, mas quando você tenta, é um saco! É incrível que você consiga fazer curry, Koharu-chan!”
“Não gosto de ter meu próprio corpo sem nada, então também me sinto desconfortável quando as pessoas me veem nua.”
“Isso é melhor do que ter uma moral rígida demais! É mais fofo assim!” Parecia que meus sentimentos não estavam sendo compreendidos.
“Mas minha mãe sempre esteve ao meu lado, e acho que já causei muito incômodo para ela. Ela cozinhou para mim todos os dias até hoje, me acompanhou a lugares desconhecidos e foi a muitos hospitais. Toda vez que eu ficava doente, ela se preocupava. É assim que eu sou. Por isso, me pergunto se é certo eu ser assim. Acho que provavelmente vou causar mais problemas para o Kakeru-kun do que imagino. Como o Kakeru-kun é tão gentil, acho que ele vai me ajudar bastante. Mas também acho que isso será difícil para ele.”
O que a mãe dele vai pensar quando ouvir isso?
Acho que ninguém consegue reagir bem a uma conversa tão séria vinda da namorada do filho.
Como eu não conseguia ver a expressão dela, me senti insegura. Por isso, tentei falar o mais alegremente possível.
“Ei, posso te perguntar uma coisa, Koharu-chan?”
“Ah, s-sim.”
“Como você consegue falar de coisas tão difíceis com um sorriso tão grande?” Nesse momento, percebi que os cantos dos meus lábios estavam curvados para cima.
Eu estava tentando não parecer muito séria.
Não é que eu esteja triste. Estou apenas preocupada com Kakeru-kun.
Percebi que estava sorrindo porque queria transmitir isso.
“Desculpe. Imagino que seja difícil responder.”
Foi o que a mãe dele disse, mas eu continuei...
"Quando eu estava me sentindo mal por causa da minha doença, vi a minha mãe chorando. O pai também estava chorando. ‘Ah, eu não sou a única passando por isso’, pensei. Então decidi sorrir. Se eu sorrir, talvez eles pensem: ‘Bem, a Koharu também parece estar bem.’”
─────Foi nisso que comecei a pensar.
Enquanto eu dizia isso, ouvi...
"Koharu-chan..." E perguntei...
"O que foi?"
"Vou fazer um carinho na sua cabeça."
"Ah, sim."
"Isso não te incomoda?"
"Estou bem."
"Você é uma boa menina."
A mãe dele acariciou minha cabeça e me chamou de boa menina.
Sinto um leve formigamento e um cheiro que me lembra o Kakeru-kun.
Meu coração acelerado começa a se acalmar.
"Escute, Koharu-chan", disse a mãe do Kakeru-kun.
"Você não precisa se forçar."
"Não, não é como se eu estivesse me forçando."
"Parece que você estava preocupada com isso. O Kakeru provavelmente nem percebeu."
"Não, não é problema do Kakeru-kun. É problema meu."
"Duvidar se você é boa o suficiente é doloroso, eu acho."
"Doloroso...?"
"Sim. Seria doloroso para mim. Acho que é normal se sentir assim. É difícil se preocupar com isso quando você está no auge da felicidade. Você não vai encontrar respostas."
Mas…
A mãe do Kakeru-kun continuou…
“Para mim, você é perfeita do jeito que é.” Essa frase me deu um nó na garganta.
Será que eu sou mesmo suficiente?
Eu não esperava que me dissessem algo assim. Involuntariamente, senti um calor no peito.
“Mas… eu…” Isso é ruim.
Sinto que vou chorar.
“Desculpe. Eu não queria te fazer chorar.”
A mãe dele acariciava minha cabeça delicadamente.
“Mas…”
“Eu estou bem.”
“Quero que você se acalme.”
“Estou bem.”
Senti minhas bochechas corarem.
Quando enxuguei as lágrimas, a mãe dele me ofereceu um lenço.
Tentei conter o choro.
“Você se sente mais calma?”
“Sim. Sinto muito."
"Sabe..."
A mãe de Kakeru-kun falou em voz calma. "Hah~, percebo que o Kakeru realmente escolheu uma pessoa maravilhosa. Você é alegre, fofa e parece ter uma grande força interior. Como sempre quis uma filha, pensei que gostaria que alguém como você fosse minha filha."
Eu não aguentava mais.
Involuntariamente, eu disse...
"Está tudo bem ser assim?" E comecei a chorar.
Que pessoa gentil.
"Para alguém como eu..."
As palavras que saíram da minha boca foram recebidas com um reconfortante "não, não é assim."
“No que me diz respeito, está tudo bem ser você, Koharu-chan. Tenho certeza de que o Kakeru também te ama de todo o coração.”
“Eu vou causar preocupação a vocês.”
“Sim. E se vocês dois se casarem, serei sua segunda mãe, Koharu-chan. Digo isso de coração aberto; espero que você queira uma mãe como eu.”
As lágrimas continuavam a cair. Meus olhos ardiam e as lágrimas jorravam sem parar. Eu não conseguia dar conta dos lenços de papel e minhas mãos estavam encharcadas de lágrimas. Meu corpo tremia da barriga para baixo e comecei a soluçar.
Eu sabia que estava chorando demais.
Faz muito tempo que não chorava assim.
“Obrigada.”
Enquanto eu dizia isso, a mãe de Kakeru-kun respondeu…
“Espero que continuemos nos dando bem no futuro.”
A mãe dele me abraçou com os dois braços, apertando-me ternamente.
Eu não sei o que era. Eu não sei o que era...
No fundo, eu me senti feliz por ser ela.
À meia-noite, eu acordei.
Depois de chorar tanto, me acalmei e me deitei ao lado de Kakeru-kun.
Quando acordei, percebi de repente que ele não estava por perto. Mesmo quando toquei no futon, ele não estava lá.
Fiquei pensando onde ele tinha ido e decidi ir até a sala de estar.
Então, ouvi Kakeru-kun e sua mãe conversando. Eu não tinha certeza de onde estava, mas parecia que eles estavam em um cômodo diferente perto da entrada.
"Você comprou alianças de noivado?"
Senti que era uma conversa que eu não deveria ouvir.
Pensei que era melhor não ouvir escondido e decidi voltar para o quarto de estilo japonês.
Foi então...
"Alianças? Sim, eu comprei."
A voz de Kakeru-kun me assustou. Fiquei ali parada, congelada, atônita. "Deixa eu ver um pouquinho", disse a mãe dela, seguida de uma gargalhada alta.
"Ei! A Koharu vai acordar!"
"Você comprou coisas de grife? Vai se endividar. Você tinha dinheiro para isso?"
"Você é tão irritante! Bem, eu trabalhava meio período."
Quando eu e o Kakeru-kun medimos os tamanhos dos anéis, pensei que um dia poderíamos trocar alianças iguais. Mas não era isso. Era algo muito mais maravilhoso do que eu imaginava. Eu também me perguntava por que ele tinha começado a trabalhar meio período. Finalmente entendi como tudo se encaixava. Eu não conseguia acreditar que... era para comprar um anel para mim. Mesmo tendo chorado tanto antes, meus olhos se encheram de lágrimas novamente. Eu não queria que eles me vissem chorar, então voltei para o futon. Senti que, sendo tão amada por ambos, eu não sabia o que poderia retribuir. Mesmo que passasse a vida inteira expressando meu amor por Kakeru-kun, sinto que nunca poderei retribuir da mesma forma.
─────Esforce-se e sorria.
De repente, me lembrei das palavras da minha avó. É isso mesmo.
Com certeza, só posso dar o meu melhor pelos outros e continuar sorrindo.
Então, não há outra opção.
É isso. Esqueci de programar o alarme para hoje de manhã.
Resmungando para mim mesma, procurei meu smartphone na bolsa.
Ao encontrá-lo e deslizar o dedo na tela, senti uma textura áspera na ponta dos dedos.
Fiquei curiosa e acariciei o smartphone.
Era uma rachadura na tela.
A rachadura que apareceu quando deixei meu smartphone cair na casa da minha avó.
Acariciei a rachadura, sentindo uma pontada no peito.
"Não posso evitar crianças."
"Deve ser difícil para mim criar filhos."
"Provavelmente não poderei ter filhos, mesmo se me casar."
“Já que não posso ajudar nas tarefas domésticas, o casamento também parece complicado.”
As palavras daquele dia voltaram à minha mente.
“Mas é a verdade, e não posso negar.”
As palavras do meu pai também voltam à minha mente.
Sinto como se mãos invisíveis estivessem apertando minha garganta.
Sinto também como se meu coração estivesse sendo agarrado e esmagado.
É doloroso, triste.
Estas são lágrimas diferentes das lágrimas de felicidade. Lágrimas frias brotam nos meus olhos.
Apesar de todo o amor que recebo...
Por que me deixo influenciar por essas palavras?
Por que estou confusa?
Preciso seguir em frente.
Me motivei assim.
Continue!
Com a mão direita cerrada, dei um tapinha na minha coxa para me encorajar.
Continue! Vá em frente! Dei tapinhas repetidos na minha coxa.
Continue, Koharu!
Traduzido por Moonlight Valley
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