Amor Invisível Sob o Céu NoturnoAmor Invisível Sob a Noite de Muitas Cores – Capítulo 5 – Capítulo 5: Ponte Flutuante na Galáxia
Capítulo 18♪
Depois de voltar de Shimonoseki para Tóquio, comecei a pensar no que deveria fazer.
Para evitar mais influências, decidi que precisava aprender a fazer tudo sozinha, então comecei a pedir para minha mãe me ensinar ainda mais.
Em setembro, com as provas do meio do semestre na universidade, Kakeru-kun começou a passar todos os dias na universidade trabalhando em sua tese.
Estávamos sentados em um banco na área gramada da universidade. O sol estava forte e seu calor era perceptível mesmo com o ar-condicionado ligado.
“Eu gostaria de morar sozinha algum dia.”
Kakeru-kun fez um som de surpresa.
“Por que você está dizendo isso de repente?”
“Não é nada. Mas se eu morasse sozinha, teria que fazer tudo sozinha, não é?”
“É verdade.”
“Quero experimentar esse tipo de ambiente pelo menos uma vez.” Apertando minha mão com firmeza, Kakeru-kun disse: “Eu te apoiarei, então não se preocupe tanto.”
“Não é justo.”
“Por quê?”
“Porque quando chegar a hora de eu sair da de casa, a mãe vai reclamar. Ela vai dizer que ainda é muito cedo.”
Dei uma risadinha ao dizer isso.
“Sua mãe diria mesmo uma coisa dessas?”
“Bem, talvez eu esteja imaginando coisas, mas ela também pode me dizer para me esforçar mais.”
Definitivamente, ainda existem muitas coisas que eu não consigo fazer sozinha, e é isso que me deixa insegura.
É por isso que quero chegar ao ponto de conseguir fazer tudo sozinha, até mesmo morar sozinha. “Talvez eu devesse pedir permissão para a mãe.”
“Morar sozinha, hein...?” disse Kakeru-kun. “Eu te apoiarei.”
“Obrigada.”
“Também seria legal se eu pudesse cumprimentar seu pai algum dia.”
“Você vai pedir a mão da filha dele em casamento?” Eu sorri timidamente, e Kakeru-kun brincou: “Você gostaria que eu pedisse?” A verdade é que sim, eu adoraria.
Kakeru-kun apertou minha mão e disse: “Vou tentar.”
♪
Quando perguntei à mãe sobre Kakeru-kun se encontrar com o pai, descobri que ela já havia insinuado várias vezes que o pai talvez quisesse conhecer o namorado da filha. Mas meu pai sempre parecia evitar o assunto de alguma forma.
Então, decidi que conversaria com ele quando chegasse em casa.
No entanto, não tive a chance de falar com ele, e quando me dei conta, já era outubro.
Numa manhã de domingo, o pai estava em casa, o que era incomum. Estávamos todos sentados à mesa.
O tilintar dos talheres, o cheiro de tamagoyaki, o aroma da sopa de missô e o som da água quente sendo despejada na chaleira. Havia algo no ar, um tempo que fluía lentamente.
Eu adorava manhãs de domingo como essa.
Meu pai não é muito de falar, então não conversou muito. Não era muito diferente de quando eu estava sozinha com a mãe; geralmente, minha mãe e eu éramos as que conversávamos. Mas quando papai estava por perto, sempre havia um noticiário na TV, o que definitivamente fazia sua presença ser sentida.
“Você quer mais?” perguntou mamãe.
Pai apenas respondeu com um “Hum”.
“Pai, você poderia conhecer meu namorado?”
Essas palavras não saíam da minha boca.
As palavras frias do papai da última vez ainda estavam presas na minha garganta. Eu sentia que ele poderia facilmente dizer algo como: “Por que você precisa de um namorado?” Mas...
Decidi tentar.
“Pai...”
“O que foi?”
“Aprendi a lavar roupa sozinha.”
“Entendo.”
“E também sei cozinhar agora, tipo curry, por exemplo.”
Papai respondeu novamente com um “Entendo”.
Não consegui decifrar sua reação, e isso me deixou com medo de falar.
Mas finalmente, com um ímpeto de coragem, soltei tudo.
“Pai, eu tenho um namorado.”
Eu esperava que ele respondesse com um simples “Entendo” como antes, mas não respondeu.
Ele permaneceu em silêncio.
Fiquei imaginando qual seria a expressão no rosto dele.
Eu não conseguia vê-lo, e isso me assustou um pouco, com medo de que ele estivesse bravo.
Então, minha mãe veio em meu socorro.
“Por que você está surpreso? A Koharu já tem idade suficiente, é normal ela ter um namorado.”
“Não estou surpreso! Eu só... me engasguei um pouco.”
Pai respondeu, e eu ouvi um som como se ele estivesse bebendo.
“O nome do meu namorado é Kakeru Sorano. Estamos juntos há mais de dois anos. Você poderia conhecê-lo algum dia?”
Minhas mãos tremiam. Escondi-as debaixo da mesa, esperando que ele não percebesse. “Por que eu deveria?” Ele deu uma risadinha, e por um instante pensei que ele fosse recusar.
Mas decidi insistir um pouco mais.
“Porque eu quero te mostrar ele, pai!”
“Me mostrar, Koharu?”
Meu pai pareceu perplexo. Justo quando eu pensei que não ia conseguir, mãe interveio.
“Ah, qual é, querido, é uma boa ideia.”
“Fica quieta.”
“Ah, você está com medo, não é? Está com medo de que levem sua amada Koharu embora~” Mãe provocou.
“Koharu raramente insiste tanto em alguma coisa, então você deveria ouvi-la.”
Talvez por causa dessas palavras, meu pai soltou um longo suspiro.
“Tudo bem. Mas só com uma condição.”
♪
“A condição para seu pai me encontrar é que façamos isso ‘a sós’, certo?” Kakeru-kun disse isso para confirmar, e minha mãe respondeu: “Isso mesmo.”
“Sinto muito que você não pode conhecê-lo antes, mas a única data disponível é em novembro.”
Meu pai escolheu uma data um mês depois do meu pedido. Além disso, o encontro seria às 20h, bem tarde. Pensei que ele tivesse se esforçado para ajustar sua agenda.
“Não, agradeço por ele ter me dado esse tempo. Mas para onde vamos?”
Eu estava em um táxi com Kakeru-kun e a mãe. Ela, Kakeru-kun e eu estávamos no banco de trás, nessa ordem. O táxi virava para a direita e para a esquerda. A cada curva, meu corpo se aproximava de Kakeru-kun, e ele se aproximava de mim. Meu lado direito estava quente por causa da temperatura do corpo dele.
“Meu marido disse que queria que você o encontrasse no café do saguão do hotel, então eu disse: ‘Já que você finalmente vai conhecer o namorado da Koharu, pelo menos o alimente!’ E pedi a ele para fazer uma reserva em um restaurante recomendado. Então, reservei um que eu gosto.”
A voz satisfeita da mãe podia ser ouvida. “Então, no fim das contas, vou jantar sozinho com o seu pai, certo?” disse Kakeru-kun com um tom resignado.
“Não se preocupe. Tenho certeza de que o restaurante que minha mãe recomendou será delicioso.”
“Espero que o sabor não seja afetado pelo nervosismo...”
“Anime-se!”
Mãe, rindo, disse: “Isso mesmo, Kakeru-kun, anime-se!”
Eu podia imaginar a mãe erguendo o punho em apoio.
Eu também levantei minha mão esquerda e gritei: “Anime-se!”
“Vocês dois são tão animadas...”
A voz de Kakeru-kun estava ficando cada vez mais fraca.
“Você está com tanto medo do meu pai assim?”
“Ele me assusta~ Mesmo tendo nos cruzado no hospital em Hokkaido, ele parece realmente intimidador!”
“Ah, é mesmo?”
“Sim! Eu pensei que ele fosse um ator de filmes adultos!”
“Sério?” A risada da mamãe podia ser ouvida; ela parecia divertida.
Para mim, papai não parece intimidador. Mas talvez para o Kakeru-kun, ele seja mesmo como um rei demônio.
“E se ele dissesse: ‘Não vou te dar a Koharu!’?”
“Não acho que a situação escalaria assim de repente.”
“E se ele dissesse: ‘Se você quer a Koharu, vai ter que me derrotar!’?”
“Seu pai é um rei demônio?”
“E se ele dissesse: ‘Eu sou o pai da Koharu... parabéns por passar nos meus testes’?”
“Como assim, um cenário em que somos camaradas?”
Minha mãe caiu na gargalhada, dizendo: “Kakeru-kun, que ideia engraçada!” A risada do taxista também podia ser ouvida. Eu ri também, achando tudo hilário.
“Bem, se você se sentir desconfortável, pode pedir alguma bebida alcoólica”, disse mamãe. “Talvez eu devesse tomar algo para acalmar meus nervos”, comentou Kakeru-kun.
Quando minha mãe estava prestes a dizer algo como “Eu não quis dizer isso…”, a voz do taxista soou:
“Chegamos.”
Ao sair do táxi com Kakeru-kun, notei que minha mãe também havia saído e parecia estar pedindo ao motorista que esperasse um instante.
A primeira reação de Kakeru-kun ao sair do táxi foi de surpresa.
“Aqui?!”
“O que foi?”
Perguntei rapidamente, e ele respondeu:
“Há uma mansão realmente impressionante aqui. Estamos no lugar certo? Parece o tipo de lugar onde um senhor feudal ou algo assim moraria.”
“Não é nada demais.”
O jeito exagerado com que Kakeru-kun disse isso me fez rir.
“Não estou exagerando! Só tem prédios de escritórios por aqui, então achei que fosse um restaurante dentro de um deles. Mas acontece que, escondida entre os prédios, tem uma mansão enorme que parece saída de um filme.”
De acordo com a descrição de Kakeru-kun, a mansão parece ter um grande terreno cercado por uma cerca, com telhados de telha e pinheiros despontando por cima dela. Também parece haver um portão típico de casa japonesa, coberto de trepadeiras.
“Mãe, estamos no lugar certo?”
Kakeru-kun perguntou timidamente, e a mãe respondeu…
“Sim, é aqui. Reservei um jantar kaiseki delicioso, então aproveite.”
A mãe certamente estava fazendo um sinal de positivo e sorrindo com entusiasmo.
“Um restaurante de luxo… um restaurante verdadeiramente luxuoso…”
“Por que você está falando com sotaque de Kansai?”
Kakeru se refere à mãe de Koharu dessa forma porque conquistou a confiança dela. É um jantar tradicional japonês com vários pratos. Dá-se grande importância aos ingredientes sazonais e à apresentação. Cada prato é um exercício sofisticado de equilíbrio entre sabor, textura e cor. Cada detalhe é meticulosamente pensado, até mesmo a louça em que cada prato é servido.
“Bom, divirta-se.”
Sorri para o Kakeru-kun e ele disse: “Bem, farei o meu melhor.”
Continuei acenando em despedida até que minha mãe disse que o Kakeru-kun já tinha entrado no restaurante.
Então, voltamos para o táxi que nos trouxe e fomos para o apartamento.
Ela e eu voltamos para a sala de estar.
“Você acha que o Sorano-kun vai se sair bem?”
“Acho que, se for o Kakeru-kun, ele vai ficar bem.”
“Bem, não adianta ficar nervosa. Que tal prepararmos o jantar?” Estávamos conversando enquanto íamos para a cozinha. Na cozinha, eu estava lavando a alface e perguntei à mamãe: “Você pode lavar isso?” Naquele momento, Kakeru-kun provavelmente estava dizendo algo como ‘Me dê sua filha!’ ou algo parecido.
Fiquei pensando se eu conseguiria dizer isso. Para a mãe dele.
“O que foi? Você está viajando na maionese.”
Minha mãe fechou a torneira com força. O som da água corrente parou abruptamente.
Eu conseguia ouvir o som dela cortando os alimentos com a faca. A verdade é que ela é mais habilidosa na cozinha, e dá para perceber que ela é mais rápida quando está no comando.
De repente, me lembrei das palavras da mamãe:
“Não se preocupe tanto, eu estarei com você o tempo todo.”
E se o Kakeru-kun e o pai se darem bem?
E se, no futuro, decidirmos morar juntos?
Estou com muito medo de que a minha mãe me diga que ainda não é possível. Embora eu saiba que é ingrato pensar assim depois de tudo que ela me fez e ajudou, não consigo evitar o medo de que ela pense que eu não consigo ser independente.
“Já que você pode atrapalhar o Sorano-kun, eu vou com você.”
Se ela pensar assim, talvez eu não consiga me esforçar mais.
Mesmo que o Kakeru-kun tenha tido coragem, eu não consigo dizer nada para a minha mãe.
“A comida está pronta! Vamos colocar na mesa.”
“Sim.”
“Então, você pode colocar os hashis, Koharu?” Eu quero ser capaz de fazer tudo sozinha.
Mas eu sei muito bem o quão difícil é.
Eu sempre dependo da mamãe, e ela só me deixa fazer coisas simples.
Estou com muito medo de que ela diga que é muito difícil.
Depois de colocar a comida na mesa, nos sentamos. E bem na hora em que íamos dizer “itadakimasu” e dar as mãos, mãe disse...
“Ah, sim. Vamos prender seu cabelo, Koharu.” Ela disse isso, e eu ouvi o barulho da cadeira da mamãe arrastando.
“Obrigada.”
Como ela estava atrás de mim, entreguei a ela o elástico de cabelo que eu tinha no braço.
“Nossa, você tem um elástico de cabelo aí.”
“Sim. A mãe do Kakeru-kun que me deu.”
“Ah, que legal.”
Com isso, a mãe prendeu meu cabelo.
Pensando bem, ela sempre fazia isso antes das refeições. Na casa do Kakeru-kun, eu esqueci de prender o cabelo, e eles me perguntaram: “Você não vai prender?” Talvez faça sentido.
Afinal, minha mãe sempre fazia isso.
Não sei por quê, mas senti meu peito ficar muito gelado.
Uma sensação próxima ao desespero me invadiu, e me perguntei se eu estava bem assim. Talvez eu precise mudar, tanto por Kakeru-kun quanto por mim mesma.
“Ei, mãe.”
Virei-me para minha mãe novamente, que estava sentada à minha frente.
Mesmo sem poder vê-la, imaginei para onde ela estaria olhando.
Afinal, somos mãe e filha.
Ela provavelmente pensou que estávamos nos encarando.
Determinada, me virei para minha mãe e disse...
“Preciso falar com você sobre algo importante.”
*
Enquanto caminhávamos pelo corredor de madeira, a sensação de estar no lugar errado era avassaladora.
Ugh… Inacreditável…
Apesar desses pensamentos, fiquei muito nervoso só de pensar em encarar o pai de Koharu.
Se ele aceitasse nosso relacionamento e causasse uma boa impressão, seria um grande passo.
Enquanto eu pensava nisso, uma garçonete vestida com um quimono nos conduziu até a porta do quarto, dizendo: “Este é o quarto de Kikyo.”
“Poderiam esperar um momento?”
A garçonete pareceu confusa, mas não era hora de me preocupar com isso. Agora eu tinha que encará-lo. Como nos jogos, onde é recomendado curar completamente antes de enfrentar o chefe final, respirei fundo várias vezes para me acalmar.
Então, entrei na sala do chefão final. “Com licença.”
Senti uma tensão no ar. No centro da sala de tatame havia uma mesa, e em frente à entrada, do outro lado da mesa, estava o tokonoma. No lugar de honra, estava o pai de Koharu. A tensão no ar era causada pela atmosfera intimidadora que ele exalava.
“É você, Sorano-kun?”
Que assustador~
O pai de Koharu é realmente assustador… Por que ele está usando óculos escuros mesmo sendo noite…?
Ele era um homem alto, com rugas profundas no rosto que pareciam refletir sua experiência. Usava um terno impecavelmente cortado e o cabelo penteado para trás. Junto com os óculos escuros, sua aparência lembrava a de um ator de cinema.
“O-Obrigado por reservar um tempo para me ver.”
Eu estava tão nervoso que gaguejei. Se Koharu estivesse ao meu lado, estaria rindo. Não, ela não deveria rir. “Bem, sente-se”, disse o pai de Koharu. Sentei-me em seiza à sua frente e fiz uma reverência profunda.
“Sou Kakeru Sorano e estou namorando a Koharu-san.”
“Sou Soichiro Fuyutsuki. Obrigado por se dar bem com a minha filha.”
Ele disse isso brevemente e então olhou para o cardápio.
E então…
“...”
“...”
Eu não sabia o que dizer.
Sobre a mesa havia um pedaço de papel com a inscrição “Cardápio do Dia”, com uma lista de ingredientes como isekiishi, nama uni… parecia mais uma lista de ingredientes do que um cardápio de pratos. Eu não tinha certeza de que tipo de comida era.
Por que tanto silêncio? Eu já havia lhe dito que estava namorando sua filha. Isso significava que a missão de hoje estava completa? Tudo o que restava era comer em silêncio os pratos com os ingredientes? Seria algum tipo de avaliação gastronômica ou algo assim?
Não, não. Lembre-se, Kakeru Sorano! O propósito de hoje!
Então, tomei coragem e falei com o pai dele.
“Este é o cardápio de bebidas?”
“Sim. É o cardápio de bebidas. Você bebe álcool?”
“Ah, sim. Com moderação.”
Ele me entregou o cardápio e disse...
“Peça o que quiser.”
“Pai, o senhor gostaria de beber alguma coisa?”
“Pai?”
Quando me dei conta do meu erro, já era tarde demais, e ele me olhou com desdém.
“Desculpe.”
“Tudo bem.”
“O que vai escolher, Fuyutsuki-san?”
“Bem, os aperitivos podem vir primeiro, então eu decido depois.”
“Entendido!”
E assim a conversa terminou.
Uau~, estou suando de nervosismo~.
Da janela do quarto, eu podia ver o jardim. As árvores iluminadas estavam com cores de outono, e o lago refletia as árvores como um espelho. Senti que criar um jardim como aquele numa cidade tão moderna era um luxo extremo. No lago, as carpas koi nadavam lentamente.
Por algum motivo, embora a paisagem fosse de tirar o fôlego, a expressão “um peixe no cepo” me veio à mente. Era assim que me sentia naquele momento.
Enquanto pensava nisso, a garçonete entrou várias vezes e começou a servir os pratos.
“Esta é a entrada: isekiishi, romã, nama uni...”
Ela explicou cada prato para nós, um por um. Embora eu entendesse os ingredientes, não sabia que tipo de pratos eram. Cinco pratinhos foram colocados à minha frente. Então, a garçonete saiu.
Hã? É só isso?
Será que a quantidade e a exclusividade da comida são inversamente proporcionais? Só vou comer cinco garfadas desses pratos luxuosos hoje? Inacreditável. Olhando o cardápio do dia, vi que depois dessa entrada chamada “sente”, havia uma longa lista de pratos: entradas, sopas, sashimi, ensopados, assados... parecia que ainda havia muitos outros pratos por vir. Talvez eles servissem cada prato assim que terminássemos o anterior?
A atenção aos detalhes é incrível, não é? Me surpreendi.
“Não sejam tímidos, comam.”
Com isso, juntei as mãos e disse “itadakimasu”.
Cada um dos pratos que comia eram os mais deliciosos que já provei. É definitivamente um restaurante de luxo. Talvez seja a qualidade dos ingredientes, o tempero, ou talvez ambos sejam excepcionais, mas estava realmente delicioso, algo que eu nunca havia experimentado antes.
O pai de Koharu, com sua expressão impassível, comia em silêncio, sem demonstrar nenhuma emoção.
“Está bom?”
Ele me olhou com uma expressão que parecia mais ameaçadora.
“Sim. Muito obrigado! Nunca provei uma comida tão deliciosa!”
Isso era completamente sincero. Era realmente a comida mais deliciosa que eu já havia comido.
Então, ele disse suavemente...
“Isso é autêntico.”
“..........”
“..........”
Por algum motivo, houve silêncio. Eu não sabia o que dizer, então apenas respondi: “Sim, é verdade.”
Olhei para o céu, pensando em Koharu e na minha mãe.
Como se fosse uma revelação, lembrei-me das palavras da minha mãe: “Se você se sentir desconfortável, pode pedir um pouco de álcool.”
“Fuyutsuki-san, posso pedir um pouco de álcool?”
“Fique à vontade.”
“Saquê não combina com comida japonesa?” Como ele não respondeu, decidi pedir saquê à garçonete.
“Por favor, um saquê.”
A garçonete perguntou...
“Quantas taças o senhor gostaria?”
“Quantas?”
Olhando para o pai da Koharu, ele respondeu: “Duas, por favor.”
E ele continuou comendo em silêncio.
Sim, eu me sentia como se estivesse comendo sozinho.
No entanto, quando o álcool chegou, a situação mudou um pouco.
“Primeiro, vamos fazer um brinde!”
Ele bebeu o saquê que eu servi e seu rosto rapidamente começou a corar.
Então, ele começou a conversar comigo.
“Será que já nos encontramos antes, Sorano-kun?”
“Ah, sim. Nossos caminhos se cruzaram uma vez no hospital em Hokkaido.”
“É verdade. Sinto muito que você tenha vindo até Hokkaido.”
“Não, não é nada. É natural.”
“Aproveite uma refeição deliciosa hoje como uma espécie de compensação.”
Ele desfiou o pargo cozido, mergulhou pedaços generosos do peixe no caldo e comeu.
Em seguida, tomou outro gole de saquê. Eu também provei o peixe e achei que era o ensopado de peixe mais delicioso que já havia provado.
“Está bom?”
“Sim, está delicioso!”
“Vamos lá, Sorano-kun, coma carne também, carne.”
É isso que chamam de refeição completa? Depois de comer uma grande variedade de pratos pequenos, sashimi, ensopado de peixe e mais, quando o prato de carne chegou, eu já estava satisfeito. Além disso, parecia que ainda haveria opções de arroz, como mini tempurá don, mini sashimi don e, por fim, uma sobremesa. Eu me perguntei se a intenção era nos engordar para que pudessem nos comer mais tarde, já que havia tanta comida. No entanto, surpreendentemente, o bife à minha frente, transbordando suco quando mordi, parecia que eu poderia comê-lo infinitamente, como uma bebida. Especialmente com sal e wasabi, o wagyu estava requintado, inundando meu cérebro com a sensação de ‘delicioso’, enquanto o aroma picante do wasabi invadia meu nariz. Eu queria comer esse bife amanhã e depois de amanhã também.
“Em que tipo de empresa você conseguiu um emprego, Sorano-kun?”
“Ah, sim. Em uma empresa de logística...”
Ao falar sobre a empresa para a qual trabalhava...
“Logística é o ponto forte de uma empresa. É bom aprender em um lugar assim. Eu também faço negócios com essa empresa.”
“Hã? Sério?”
“É uma empresa com boa reputação.”
“Nossa, que interessante.”
“Bem, no geral, você também parece ser uma boa pessoa.”
Então, ele riu.
Ei! Ele está rindo! Pensei enquanto o observava. Se fôssemos usar o estilo dos filmes do VCinema, parecia que ele estava se divertindo armando uma cilada para uma organização rival.
Nossa, que sorriso intenso!
“Não ria tanto, pai!”
O clima melhorou e parecia que estávamos nos aproximando.
No entanto, ele não suportou a palavra “pai” e, em voz alta, disse...
“Não preciso ser chamado de ‘pai’ por você!”
Me arrependi de ter dito isso... e ao mesmo tempo, pensei: Nossa... ele realmente disse isso, como uma frase clássica de pai para filho.
Incrível!
À primeira vista, ele estava claramente bêbado e com o rosto vermelho.
Ele se levantou, cambaleando, e apontou para mim.
“Escute com atenção, Sorano-kun!”
“S-Sim!”
“Eu te concedo, digamos, até um milhão de passos para aceitar o relacionamento! Mas você não está pensando em casamento, está?!”
“Errado! Estou definitivamente pensando nisso!”
“Sério?!” exclamou o pai da Koharu.
“Não estou brincando!”
“Por que com a Koharu?!”
“Porque ela é incrivelmente maravilhosa!” Frustrado, ele elevou a voz.
“De qualquer forma! De qualquer forma, o dia em que eu aceitar esse pedido de casamento não vai chegar!”
Nesse momento, a garçonete entrou na sala dizendo: “Aqui está a comida~” Ao ver o pai da Koharu parado ali, ela se surpreendeu e ele sentou-se novamente em silêncio, parecendo desconfortável e envergonhado. A cena me lembrou de quando um funcionário entra no meio de um karaokê. Deve ser bastante constrangedor passar por uma situação dessas em um restaurante chique…
O pai de Koharu, envergonhado, deitou-se sobre a mesa e adormeceu.
Acordou várias vezes para ir ao banheiro, mas dormiu por pelo menos uma hora.
No meio desse tempo, a garçonete entrou para recolher os pratos. Pedi desculpas e ela disse que não havia problema e que eu podia ficar o tempo que quisesse.
“Hã...? Eu dormi?”
“Ah, você acordou agora. A refeição terminou.”
“Eu fiz alguma coisa inapropriada enquanto dormia?”
“Alguma coisa inapropriada?” continuei. “Não é nada demais, mas você vomitou consideravelmente no banheiro.”
“S-Sério?”
“Você também dormiu no corredor quando não estávamos olhando.”
“Eh...?”
“E o pior foi que você tentou pular no lago de carpas no pátio central para cozinhar os peixes. Levamos um tempão para te impedir.” Ao ouvir isso, ele agarrou a cabeça e permaneceu em silêncio.
“É verdade?” Parecia incrédulo.
“Por que eu mentiria?” Apertou a toalha úmida na testa.
“Não há motivo para você cuidar de mim assim, Sorano-kun.”
“Bem…” Decidi ser honesto.
“É porque gosto da Koharu-san. Também tenho interesse em te agradar; pelo menos há um pouco de estratégia envolvida.”
O pai de Koharu se ajeitou e sentou-se em posição de lótus. Afrouxou a gravata e desabotoou a camisa.
“Entendo”, disse com profunda reflexão na voz.
Então continuou: “Então você realmente gosta da Koharu.”
“Sim. Bem…”
“Você realmente gosta da Koharu?” Apesar de ainda estar bêbado, seu olhar era penetrante.
“Sim. Eu amo a Koharu-san.”
“Ela não pode ver.”
Por um instante, não entendi o que ele estava dizendo.
Senti como se só pudesse responder com um simples “sim” ao que parecia uma afirmação óbvia.
Mas então repensei. Decidi interpretar isso como um teste à minha determinação.
“Eu sei. Já me acostumei.”
“Não seria melhor escolher uma mulher saudável?”
“Você diz a mesma coisa que a Koharu. Ela me disse a mesma coisa três anos atrás.”
“Então, o que eu quero dizer é...” Ele tossiu.
Enquanto lhe oferecia uma xícara de chá frio, ele a engoliu de uma vez.
“Tá bom, tá bom. Eu sou o pai dela”, disse ele com um resmungo. “É mais difícil do que você pensa. A gente nunca sabe quando a doença pode reaparecer. Também não temos como saber quando ou que tipo de doença pode ter. Isso significa que corre mais risco do que os outros.”
O pai de Koharu suspirou. Aquele suspiro me irritou. Pensei que ele estivesse cansado de ouvir apenas coisas negativas.
“Qual o problema? A Koharu tem muitas qualidades. Ela sempre sorri, ri de piadas, não desiste do que não consegue fazer e se esforça para superar suas dificuldades. Não fale mal dela! Ela é sua própria filha!”
Fiquei um pouco irritado.
“Desculpe, me empolguei um pouco.”
Ele me olhou, com os olhos arregalados.
“Então você realmente consegue ficar com raiva pela Koharu.”
Ele murmurou: “...Eu não conseguiria fazer isso.”
“Eu… eu fui salvo pela Koharu. Eu sempre ficava observando os outros e não fazia nada, mas com ela, aos poucos, eu mudei para melhor. Quando você encontra alguém assim, não tem como não sentir que é o destino. É por isso que eu gosto da Koharu.”
Com isso, ele riu. “Hahaha! —Destino…?” murmurou ele. “É. Agora que penso nisso, quando conheci a Haruka, também pensei isso.”
Presumi que Haruka se referia à mãe da Koharu.
Ele, sorrindo satisfeito, com os olhos semicerrados, continuou…
“Bem, se é a escolha da Koharu, só posso apoiá-la.”
Então, disse que queria outra bebida.
“Você não deveria beber mais…”
“Você não entende o significado de um brinde entre homens?”
Ele serviu saquê da garrafa restante na mesa em dois copos pequenos.
“Faça a Koharu feliz!”
Disse ele, dando um gole em seu copo.
♪
Comecei a conversar com a minha mãe sobre isso, mas fiquei sem palavras por um tempo.
Não sabia o que dizer e, como não conseguia ver sua reação, me senti pressionada a falar logo.
“Koharu? O que houve?”
A voz preocupada da minha mãe me fez falar tudo de uma vez. “Eu…”
Então, aos poucos, comecei a dizer em voz alta as palavras que vinha pensando.
“Quero me casar com o Kakeru-kun um dia.”
Ao ouvir isso, minha mãe exclamou alegremente: “Oh, que maravilha! Eu já imaginava isso. Então não tenho nada contra. Na verdade, estou muito feliz por você.”
Percebi que minha mãe também estava feliz com Kakeru-kun, e isso me deixou muito feliz, saber que minha escolha foi aceita tão facilmente.
Senti um calor no peito ao perceber o quanto mamãe confiava em mim.
Justo quando eu estava pensando em como Kakeru-kun foi aprovado...
“Se você começar a morar com o Sorano-kun, terei que dar um jeito de morar com você também.”
Então ela acrescentou...
“Perguntei a ele recentemente se ele queria morar neste apartamento, mas parece pequeno. Talvez devêssemos procurar um lugar maior.”
Mamãe disse isso com uma voz carinhosa e satisfeita.
Como esperado, ela sempre diz coisas assim.
Toquei no elástico de cabelo que ela havia amarrado em mim. A mãe sempre pensa em mim e se certifica de que eu não tenha dificuldades, que eu não caia.
Mas...
Acho que isso não é suficiente.
“Mãe...”
Decidi falar com firmeza.
“Quero tentar morar sozinha.”
Não obtive resposta dela. “Mesmo que você tenha me ajudado muito e feito tanto por mim, ainda há muitas coisas que não consigo fazer sozinha, mas preciso ser capaz de fazê-las por conta própria algum dia.”
Então, continuei...
“É por isso que quero seu apoio.”
Pareceu haver uma pequena pausa.
Ouvi minha mãe dizer “Koharu...” em voz baixa.
Percebi que minhas palavras não estavam totalmente claras.
Era estranho, mas as palavras que eu tentava dizer se dissolveram na minha boca como açúcar.
Provavelmente estou com medo.
Provavelmente também estou com medo de me tornar independente dos meus pais.
Mas...
“Eu também...”
Achei que deveria dizer isso, então continuei. “Quero poder cuidar de uma criança quando tiver uma, e também quero poder fazer todos os trabalhos domésticos. Quero poder pegar uma criança quando ela correr, e quero poder me voluntariar para ajudar em reuniões de família e fazer o que for preciso.”
Depois de dizer isso, hesitei por um momento.
Tinha medo de que ela me dissesse que era impossível e que eu deveria desistir, ou que me dissesse que eles cuidariam de tudo.
O medo de enfrentar isso, de ela me dizer que eu não conseguiria fazer nada sozinha, me aterrorizava.
Por isso, deixei escapar: “Desculpe.”
Ah, esse “desculpe” provavelmente era minha verdadeira intenção para com a minha mãe.
“Eu sei que você me ajudou muito, e pode parecer triste que agora eu queira tentar sozinha, mas, se possível, quero tentar viver sem depender da sua ajuda, mãe.”
Depois de dizer isso, minha mãe não disse nada, apenas pegou minha mão. Ela cobriu minha mão com a dela, colocando a palma sobre a minha e acariciando o dorso da minha mão com o polegar. Ouvi o som do seu nariz fungando enquanto ela segurava as lágrimas. Embora eu não pudesse ver, tinha certeza de que seus olhos estavam vermelhos. Senti lágrimas se acumulando nos meus também.
“Mãe, deve ter sido difícil para você. Eu te causei tanto trabalho. Vou me esforçar ao máximo.”
Ao que minha mãe respondeu com um “não” e então disse em um tom gentil…
“Eu não acho que tenha sido difícil.”
E eu disse…
“Mas eu te causei tanto trabalho.”
“Não foi tão ruim assim. Você é uma das que precisam de menos cuidados.”
Ela me disse enquanto eu sentia meus olhos se encherem de lágrimas.
Preciso de menos cuidados?
Isso não é verdade.
Não existe uma única criança que tenha precisado de tantos cuidados quanto eu.
“Fiquei doente tantas vezes, perdi a visão, e você me ajudou com tudo, não é?”
“Mesmo assim, nunca, nem uma vez, achei que você fosse um incômodo, ou um fardo.”
“Mas! Você me acompanhou em tantas consultas médicas! Aprendi Braille graças à sua ajuda, e foi você quem me ensinou a usar o leitor de tela do smartphone, desde o básico! Deve ter sido muito difícil para você...”
Mamãe respondeu novamente:
“Não.”
E então ela disse...
“Nunca, nem uma vez, achei que fosse difícil.”
Com sua voz leve e gentil, como sempre, ela me ofereceu palavras carinhosas.
Mamãe me abraçou forte.
“Nunca achei que você fosse um incômodo.”
“Você estava pensando nisso, Koharu?” Ela sussurrou essas palavras perto do meu ouvido, enquanto acariciava minhas costas suavemente, como se estivesse me consolando. “A felicidade de ter um filho é incomparável. Acordar de manhã, preparar o café da manhã, comer juntos, dizer adeus quando você sai. Ouvir sobre o seu dia quando você chega em casa. Esses momentos me fizeram tão alegre. O tempo com você é um tesouro para mim. Então, por favor, não diga que foi um incômodo.”
Ao ouvir essas palavras... ao ouvir algo assim, não consegui conter as lágrimas.
Eu te causei tanto trabalho!
Mesmo assim, você me abraça e diz palavras tão gentis.
Talvez, no fundo, eu sempre me sentisse em dívida com a mamãe e quisesse ouvir essas palavras dela.
Senti uma pontada no peito e um som estranho escapou da minha garganta. As lágrimas não paravam de cair e, por mais que eu tentasse enxugá-las com as costas da mão, não conseguia impedi-las.
“Ser sua mãe me fez mais feliz do que você pode imaginar, Koharu.”
Então, a minha mamãe continuou...
“Se você quiser se esforçar mais, é claro que eu vou te apoiar.”
Ela disse isso enquanto me segurava pelos ombros.
As lágrimas continuavam caindo e era difícil falar.
“Mas, mãe, você disse ‘nós moramos juntas’, não disse...?”
“Que bobagem a sua.”
A mãe acariciou minha cabeça.
“Não estou dizendo isso porque não confio em você. Estou dizendo isso porque me importo com você.”
Mãe!
Eu não aguentava mais. Chorei muito no colo da minha mãe.
“Se for você, tenho certeza de que conseguirá, Koharu. É por isso que você precisa se esforçar tanto.”
Enquanto acariciava minha cabeça, ela continuou...
“Mas, Koharu...”
“Sim?”
“Na verdade, eu me sentirei um pouco solitária.”
Então, com a voz trêmula, ela disse...
“Eu acho que você consegue, mas você sempre pode contar comigo.”
E assim, ela me deu seu apoio.
Vou me esforçar ao máximo.
Vou aprender a fazer tudo e me tornar uma adulta admirável.
Um dia, mesmo que eu não possa enxergar, farei as pessoas dizerem que eu posso fazer qualquer coisa.
Mas hoje, pelo menos hoje, vou deixar minha mãe me mimar.
Era o que eu pensava.
♪
Depois do jantar com a mãe, recebi uma mensagem do Kakeru-kun.
Ele disse que ele e o pai estavam saindo do restaurante e perguntou se eu podia buscá-los. Mãe e eu pegamos um táxi para buscá-los e, quando chegamos, meu pai e Kakeru-kun estavam de braços dados. A mãe, rindo, me contou a situação.
“Sorano-kun, vamos para Ginza! Vou te ensinar a se divertir como um adulto!”
“É, é. Você sabe que não aguenta muito bem bebida, e quando vai a esses lugares, dorme rapidinho.”
“Não é verdade! Eu costumava conseguir beber um galão inteiro de saquê!”
“É, é. Isso foi em outra vida, quando você provavelmente era mais resistente ao álcool.”
Ouvi minha mãe repreendendo papai gentilmente.
“Koharu, desculpe a demora.”
“Desculpe. Não foi difícil com o pai?”
“De jeito nenhum. Eu é que deveria me desculpar por deixá-lo beber tanto.”
A voz gentil de Kakeru-kun ecoou.
“Querido, vamos entrar no táxi.” Ouvi a voz da minha mãe, um pouco exasperada.
“Ei! Não deite no banco de trás do táxi!”
A voz da minha mãe estava ficando cada vez mais irritada.
“Acho que ele não vai conseguir entrar no táxi”, disse Kakeru-kun.
Nesse momento, a voz da minha mãe se aproximou.
“Desculpe, meu marido deitou no banco de trás do táxi e dormiu. Vou chamar outro táxi agora mesmo.”
“Não, não se preocupe. Podemos ir andando até o condomínio e assim podemos dar nosso passeio noturno de sempre”, respondeu Kakeru-kun.
A mãe me perguntou se eu concordava, e eu disse que sim, claro.
“Então tomem cuidado na volta.”
Mamãe entrou no táxi e voltou para o apartamento.
Kakeru-kun e eu decidimos voltar a pé juntos.
O restaurante onde Kakeru-kun e papai jantaram ficava em Shintomicho. Caminhamos pelo calçadão à beira do Rio Sumida e atravessamos a Ponte Tsukuda. Kakeru-kun sugeriu que fizéssemos nosso caminho de sempre para casa.
A noite de novembro estava fresca, e a brisa do mar trazia um leve aroma de inverno. Aquele cheiro gelado, como gelo, que arde um pouco no nariz, anunciava a chegada do inverno.
“As pétalas das cerejeiras já caíram bastante, então tome cuidado para não escorregar”, disse Kakeru-kun enquanto me guiava pelo caminho mais fácil.
“Nossa, as cerejeiras ao longo do caminho estão com folhas amarelas e carmesim! Já é outono~” Embora ele não diga isso explicitamente, ele me faz observar a paisagem.
Graças a isso, consigo me imaginar caminhando por uma trilha vibrante, repleta de folhas de outono.
Em minha mente, tenho a superfície escura do Rio Sumida à minha direita e, à minha frente, uma fileira de cerejeiras cujas folhas adquiriram cores outonais. Os postes de luz iluminam as folhas coloridas e, à minha direita, está Kakeru-kun.
Kakeru-kun, como sinal de respeito ao pai, decidiu usar um terno.
“Eu também gosto de flores de cerejeira.”
A voz de Kakeru-kun assumiu um tom levemente provocador.
“Nem pense em dizer que quer plantar cerejeiras com seus amigos algum dia, Koharu.”
“Eh? Por quê?”
“Porque da última vez você disse: ‘Vamos soltar fogos de artifício’. Da próxima vez você poderia dizer algo como: ‘Vamos plantar cerejeiras!’”
[Del: Tá, eu peguei essa, eles vão plantar uma bela Sakura, se me permite dizer.]
Quando ela disse isso, eu não consegui conter o riso e respondi: “Não vou dizer isso~” eu sempre amei cerejeiras desde pequena.
“Eu acho que as cerejeiras são árvores que acompanham alguém.”
“Nossa.”
“As cerejeiras florescem em todo o seu esplendor para celebrar a chegada da primavera. No verão, suas folhas crescem fortes para suportar o calor, no outono elas ficam coloridas e embelezam a estação mais tranquila, e no inverno, eu sinto que elas suportam o frio rigoroso ao nosso lado. É uma árvore que está em todo lugar.”
Olhei para o céu. Com meus olhos que não podem ver, imaginei as cerejeiras. Diante de mim se desdobrava a paisagem de flores de cerejeira em todas as estações.
“É por isso que eu amo tanto as cerejeiras.”
“Especialmente porque Tóquio é uma cidade com muitas cerejeiras.” Kakeru-kun disse, parando de repente. “Nas margens do rio, na primavera, Tóquio fica completamente coberta de flores de cerejeira.”
Kakeru-kun parecia estar pensando em algo.
“Acompanhar alguém, estar sempre ao seu lado, parece simples, mas não é.”
É algo que você não consegue fazer sem ter consciência disso e sem se esforçar para alcançar.
Foi o que eu disse.
Talvez o que Kakeru-kun estivesse tentando dizer é que ele tem consciência de estar ao meu lado.
Eu sempre contei com o apoio dele.
Percebi isso quando pensei conscientemente sobre o assunto.
Entendo. O Kakeru-kun é como uma cerejeira para mim.
Uma cerejeira que me acompanha através das estações. A imagem de uma cerejeira em plena floração surgiu em minha mente.
Agarrei-me ao braço esquerdo de Kakeru-kun, sobre o qual eu apoiava minha mão direita. Talvez por eu o ter abraçado de repente, Kakeru-kun se surpreendeu e exclamou: “Oh!” A noite estava silenciosa.
Ouvia-se apenas o som ocasional de um carro, e nenhum outro ruído.
Nesta cidade, sempre repleta de sons, o silêncio era tão profundo que parecia que estávamos num mundo só nosso.
“Ei, Koharu. Vamos parar um instante.”
De repente, Kakeru-kun parou.
“O que foi?”
“É incrível. Hoje, como as luzes dos prédios e condomínios estão apagadas, não há aquela camada transparente no céu noturno. Dá para ver as estrelas.”
...?? Uma camada? Transparente?
“O que é isso de uma camada transparente?”, perguntei Kakeru-kun.
“Eu sabia que ia te fazer rir.”
Então ele explicou sobre a “camada transparente”.
“Quando se olha para o céu noturno em Tóquio, é como se as luzes da cidade criassem uma espécie de camada de claridade que impede de ver as estrelas. É como se a noite não me deixasse ver; é assim que eu me sinto olhando para o céu noturno.” Foi o que ele me disse.
“Mas, se você for em um momento assim, haverá uma hora em que as estrelas poderão brilhar de verdade.”
“Ei, Kakeru-kun.”
“O que foi?”
“Sobre o que você conversou com o pai?”
Kakeru-kun pareceu pensar em como responder quando disse: “Hum...”
“Pedi para a mãe me deixar morar sozinha porque quero me casar com você no futuro.”
Será que me precipitei um pouco? Sorri ao dizer isso.
“Não, isso me deixa muito feliz”, ele respondeu.
“Eu pedi para o seu pai me deixar casar com você.”
“Sério? De verdade?”
“Sim.”
“E o que o pai disse?”
“No fim, ele me deu a aprovação dele.”
“Entendo. Meu pai aprovou… A mãe também me disse para dar o meu melhor.”
“Ah, que ótimo!”
“Mas, pensando bem, Kakeru-kun, não estamos fazendo as coisas ao contrário?”
“Hã?”
“Não, não é um ‘hã?’”
“Não deveríamos contar para os nossos pais depois de ficarmos noivos? …Por favor, faça o pedido formal algum dia.”
Eu não queria ter que dizer isso, mas eu disse: “Vamos lá.”
Então Kakeru-kun parou e disse...
“Não algum dia, mas agora.”
[Del: :D Vai mlk.]
Meu coração quase saltou do peito.
Agora?
“Koharu, você está pronta?”
“Huh? Agora?”
“Sim, agora.”
A voz dele era suave. Minha voz favorita.
“Preciso de um tempinho para me preparar mentalmente…”
Kakeru-kun me pegou pelos ombros e parou na minha frente.
“Você consegue imaginar?”
“Sim.”
Kakeru-kun, como sempre, expande meu mundo.
Mesmo que eu não possa mais ver, ele está ao meu lado, agindo como meus olhos e me mostrando qualquer mundo.
Fechei os olhos e imaginei.
“A noite já caiu. Estamos na Ponte Tsukuda. Não há mais ninguém na ponte além de nós. O céu está cheio de estrelas e lua cheia, e no Rio Sumida, abaixo, as estrelas se refletem, fazendo a ponte parecer flutuar na galáxia. Estamos bem no topo dessa ponte flutuante na galáxia, e eu me ajoelho diante de você.”
Com isso, Kakeru-kun pegou minha mão.
Era como se estivéssemos no meio da galáxia, e Kakeru-kun segurava minha mão como um príncipe.
“Vou tirar algo do meu bolso e colocar no seu dedo.”
De repente, senti uma sensação fria no meu dedo anelar.
“É um anel?” Toquei meu dedo anelar para conferir.
Então, um “Huh?” escapou dos meus lábios.
“O que foi?”
“Não, é só que tem uma pedra preciosa enorme...”
“Sim, agora você tem um anel com um diamante enorme de dez quilates no seu dedo anelar esquerdo.”
“Dez quilates é um pouco exagerado.”
Não consegui conter o riso. Embora dez quilates seja um pouco exagerado, definitivamente havia uma pedra preciosa grande o suficiente para eu senti-la ao tocá-la. Fiquei imaginando como ele tinha conseguido. Só de pensar que era para mim, me senti emocionada.
“Use sua imaginação. O diamante no seu dedo reflete a luz da galáxia e brilha.”
Estendi minha mão esquerda à minha frente e tentei imaginar. No meu dedo anelar, havia um anel com um diamante que refletia a galáxia como um caleidoscópio.
“Nossa, que lindo.” Mesmo sem vê-lo, naquele momento, eu sabia que o anel emanava um brilho incomparável.
“Eu sempre o tenho carregado comigo quando estava com você para poder te pedir em casamento a qualquer momento, Koharu.”
Não pude evitar dizer: “Eu não sabia disso.” Meus olhos se encheram de lágrimas e meu coração transbordou de emoção.
“Koharu.”
“Sim?”
Kakeru-kun me disse isso como se fosse um príncipe se dirigindo à sua princesa.
“Você quer se casar comigo?” Foi assim que ele disse.
Claro, eu não tinha motivos para recusar.
No entanto, não consegui dar uma resposta sincera de imediato.
“Tem certeza de que está tudo bem comigo?”
“Eu te amo, Koharu.”
“Eu não consigo ver.”
“E daí?”
“Eu fico com ciúmes facilmente.”
“Qual o problema? É adorável.”
“E além disso, você é mais ingênuo do que eu pensava.”
“Isso é um problema…”
Então, Kakeru-kun disse: “Acho que prometi que diria isso com toda a sinceridade.”
Ele disse isso de forma suave e clara, sua voz soando quase cristalina.
“Admiro o quanto você se esforça e como sempre sorri.”
“E há tantas outras coisas”, continuou ele.
“A maneira como você é gentil com os outros. Sua voz. Sua ternura. Apesar de tudo isso, você é muito trabalhadora. Nunca se esquece de demonstrar gratidão. Você é atenciosa. Tem força interior. Compartilhamos o mesmo senso de humor. Você se importa comigo. É isso que eu gosto em você, Koharu.”
Ele disse isso e acrescentou em tom de brincadeira: “Ah, já mencionei onze coisas, não é?”
Então ele disse…
“Quando estou com você, me sinto motivado a me esforçar mais e a continuar sorrindo.”
E continuou…
“Todas essas coisas são o que eu gosto em você, Koharu.”
Senti como se meu coração estivesse sendo abraçado.
Era uma sensação tão profunda de felicidade que brotava do fundo do meu ser.
Por isso…
“Kakeru-kun.”
“Sim?”
“Me abrace.”
Eu não queria apenas um abraço de coração, mas também de corpo.
Kakeru-kun me abraçou forte contra o seu corpo. Eu queria me fundir com ele e nos fundir juntos. A felicidade que transbordava de suas mãos preencheu meu coração. Lágrimas começaram a escorrer, como se a felicidade que transbordava do meu coração estivesse descendo pelas minhas bochechas.
“Obrigada. Foi o melhor pedido de casamento.”
Obrigada por essa felicidade. Obrigada por me conhecer.
Eu estava repleta desses sentimentos.
“Prometa-me uma coisa.”
“O quê?”
“Não importa o quão irritante ou difícil possa ser, por favor, não pare de me amar nem por um instante. Quero que você sempre, sempre me ame.”
Caso contrário, eu não conseguirei continuar sendo eu mesma.
Era um desejo genuíno, sem dúvida.
“Koharu?”
Kakeru-kun falou em voz baixa.
“É algo muito simples.”
Ele disse isso.
“Então, você pode ficar tranquila.”
Ele me abraçou forte novamente.
Enquanto eu repetia “É uma promessa, é uma promessa”, chorei.
No meio da galáxia de estrelas, eu me derreti no calor de Kakeru-kun.
Traduzido por Moonlight Valley
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