As Multiplas Faces de Victoria — Capítulo 10: Volume 1 – Capítulo 7 – Capítulo 7: Nonna Sozinha em Casa

As Multiplas Faces de Victoria
Cap. 10
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As Multiplas Faces de Victoria

Volume 1 – Capítulo 7 – Capítulo 7: Nonna Sozinha em Casa

Capítulo 10

4.226 palavras~18 min de leitura

Um dia, enquanto Nonna e eu estávamos de mãos dadas no caminho de volta do trabalho, pedi a ela que ficasse sozinha em casa durante a noite. Sem surpresa, uma expressão ansiosa apareceu em seu rosto.

— Vicky, eu realmente tenho que ficar sozinha em casa?

— Sim. Desta vez, absolutamente não posso te levar comigo. Não vou abrir mão disso. Mas voltarei para casa o mais rápido que puder.

Eu nunca havia deixado Nonna sozinha em casa antes. Mas, como eu disse, não podia levá-la comigo desta vez.

— Pense em ficar em casa como uma tarefa muito importante que você tem que fazer, Nonna. Vou ter que deixar você sozinha em casa todas as noites por um tempo. Voltarei assim que possível. Confie em mim. Se houver algum problema, você pode pedir ajuda na residência principal.

Ela não respondeu.

— Se você realmente acha que não consegue, posso pedir a alguém na residência principal que cuide de você enquanto estou fora. O que você prefere?

— ...Vou esperar por você em casa.

— Isso é de grande ajuda, Nonna. Obrigada.

Pedi desculpas internamente, mas não disse em voz alta. Se eu me desculpasse, Nonna sentiria que não poderia falar nada. E eu queria que ela se sentisse livre para expressar seus sentimentos, que eram importantes para mim.

Quando chegamos em casa, decidi sair imediatamente. Não importa o que ela me perguntasse, eu me recusava a entrar em detalhes sobre o que estava fazendo. Só disse que tinha um recado importante para resolver.

— Vou tentar voltar em cerca de três horas. No pior dos casos, pode ser quatro. Se você quiser comer comigo…

— Eu quero jantar com você.

— Eu sei. Quero jantar com você também. É por isso que vou me apressar para voltar!

Eu não queria que Nonna ficasse sozinha em casa por muito tempo, então aluguei um cavalo por duas semanas. Agora podia usá-lo sempre que tivesse algum lugar para onde ir. Se gostasse, poderia até comprá-lo. O cavalo tinha que ser devolvido à loja de aluguel todos os dias, no entanto. Dessa forma, eu não teria que explicar à Condessa Yolana o que estava fazendo com ele.

— Senhorita, a senhora tem experiência com cavalos?

— Claro.

— Certifique-se de deixá-lo descansar de vez em quando.

— Não se preocupe, vou tratá-lo bem. Só vou visitar minha mãe doente e volto.

Em seguida, me disfarcei como uma mulher ruiva e visitei um pub no final de um beco sinuoso.

— Você é o Hector?

— Quem quer saber?

— Meu nome é Kate. Ouvi dizer que você pode fornecer certos serviços mediante pagamento.

— Isso depende do serviço e de quanto você está pagando.

Eu disse a ele que precisava de ajuda para fugir com um amante.

— Estou apaixonada por um homem casado. Estamos pensando em fugir juntos, mas a esposa dele o espera na saída do local de trabalho todos os dias. Estremeço só de pensar no que ela fará se descobrir. Quero ajudar meu amante a escapar durante o dia para que sua esposa não descubra.

Hector franziu a testa. — Apenas diga ao seu homem que não está se sentindo bem e vá para casa mais cedo.

— Embora estejamos em departamentos diferentes, meu amante, sua esposa e eu trabalhamos no mesmo lugar. Ela descobrirá que fugimos juntos imediatamente.

— Ahh, agora entendo seu problema. Onde você trabalha?

— No castelo.

— No castelo? Bem, isso vai aumentar um pouco o preço.

— Em quanto?

Paguei a ele o valor que ele pediu na hora.

— Este é todo o dinheiro que tenho. Tem certeza de que pode fazer isso?

— Só tenho que tirá-lo do castelo, certo? Moleza.

— Queremos deixar a capital, então o senhor poderia levá-lo até os portões?

— Claro. Encontre-me aqui amanhã. Não, depois de amanhã. Vamos discutir os detalhes então.

— Entendo. Obrigada.

De lá, corri para o calabouço do castelo. Mostrei ao guarda alguns documentos de identificação que forjei para "Kate" e disse: — Meu namorado é o homem que foi pego no baile com uma faca. Vim visitá-lo.

Implorei por uma visitação com lágrimas nos olhos.

— Ah, você quer dizer o Carl? Desculpe, senhorita, mas vou ter que revistá-la.

— Entendo. Pode fazer.

Mesmo estando preparada para isso, ser revistada era muito desagradável. O guarda, um homem na casa dos quarenta, não apenas verificou meus bolsos; ele enfiou a mão em minhas roupas íntimas para revistar também. A maneira como os outros guardas sorriam enquanto assistiam ao processo me encheu de raiva, mas era assim que todas as mulheres eram tratadas em todos os países ao solicitar uma visitação com alguém aguardando execução.

O guarda me acompanhou até a última cela, que era construída inteiramente de pedra.

— Ei! Sua namorada está aqui! — chamou o guarda, e o homem que estava deitado no simples catre sentou-se.

Este foi o primeiro obstáculo.

Em comparação com isso, a revista do guarda não foi nada. Dei ao homem um olhar intenso que dizia: "Apenas vá com a minha onda." Por favor, que ele entenda a mensagem!

O homem olhou para meu rosto, então curvou profundamente a cabeça para o guarda. — Obrigado.

— Ouvi dizer que meu namorado será executado em breve. Guarda, o senhor não nos daria um tempo sozinhos?

— Claro. Não vejo por que não. A visitação é limitada a uma hora. Voltarei para buscá-la quando o tempo acabar.

— Obrigada!

Estávamos no final da fileira de celas. A cela do homem era feita inteiramente de pedra grossa e resistente. Sua pesada porta de ferro era presa com um enorme cadeado. E o guarda me revistara minuciosamente.

Talvez por todas essas razões, o guarda se sentiu seguro o suficiente para concordar rapidamente, e ele se afastou.

No momento em que ele se foi, o homem sussurrou: — Quem é você?

Tudo o que eu disse foi: — Quero ajudá-lo, então finja que sou sua namorada. Por enquanto, preciso que você fique quieto.

Olhei pela janela gradeada do calabouço e agucei os ouvidos. Eu podia ouvir o barulho das botas blindadas dos soldados. Passei a hora inteira ouvindo, contando e memorizando os intervalos em que eles patrulhavam.

Confirmei que a fechadura da porta gradeada era fácil de destrancar, então abri e fechei a porta rapidamente.

Vendo isso, o homem ficou atordoado. Eu disse: — Nem pense em escapar por esta porta. Os soldados vão te ver e te matar imediatamente.

Agradeci aos guardas e saí do castelo. Montei no cavalo e o devolvi à loja de aluguel.

Agora preciso me apressar para casa. Comprei rapidamente pão, carne e fruta no mercado e voltei correndo para a casa de hóspedes.

— Estou de volta!

— Bem-vinda de volta!

Coloquei as compras na mesa e abracei Nonna imediatamente.

— Obrigada por cuidar da casa enquanto eu estava fora, Nonna.

— Fiquei bem sozinha. Vicky, você está suando?

— Sim. Estava tão ansiosa para te ver que corri todo o caminho para casa!

Os olhos de Nonna se estreitaram como se estivesse olhando para algo muito brilhante.

— Vicky, você não precisa correr. Vou estar aqui esperando por você.

— Ah, certo. Obrigada. Você é uma boa garota, Nonna. E você é muito forte.

Comemos um jantar simples, mas delicioso, naquela noite.

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Era o segundo dia de Nonna sozinha em casa.

Naquela noite, fui visitar o homem na prisão novamente. Quando o guarda saiu e ficamos sozinhos, comecei imediatamente a serrar as barras da janela. Como era tão alta, precisei subir em seus ombros para alcançá-la antes de trabalhar. Cobri a lâmina da serra com couro grosso para abafar o som enquanto trabalhava. Isso tornava mais difícil, mas se eu não fizesse isso, o som de raspagem se destacaria e ecoaria por todo o calabouço.

Eu estava usando uma ferramenta chamada serra de arame, projetada especificamente para cortar metal. Você a usava colocando os dedos nas alças em ambas as extremidades. Escondi-a em um local secreto para trazê-la para cá, junto com minhas ferramentas de arrombamento.

Quando considerei a duração das horas de visitação e a frequência das patrulhas do lado de fora, percebi que só poderia serrar uma barra por dia, no máximo. Realisticamente, só conseguiria cortar o topo ou a parte inferior de uma única barra por dia.

Havia cinco barras no total. Pensei em descobrir a data e hora exatas da execução, mas isso levaria mais tempo e, como os servos do castelo geralmente eram muito observadores e sérios em seu trabalho, poderia suscitar suspeitas desnecessárias.

Enquanto usava a serra de arame, perguntei ao homem onde sua irmã estava.

— Ela está em casa. Estou muito preocupado se ela consegue comer sem mim. Ela não consegue mais sair em público. Ela tem uma doença mental.

Entendo. Tudo o que eu podia fazer era esperar que sua irmã estivesse viva e bem.

Enfiei pequenos pedaços de couro preto nas barras de ferro cortadas para mantê-las no lugar. À primeira vista, ninguém nunca imaginaria que elas haviam sido cortadas.

— Por que você está ajudando um completo estranho? Minha irmã pediu que você fizesse isso? — o homem perguntou repetidamente. Eu estava disfarçada no momento, e como estava escuro lá fora na noite do baile, quando o nocauteei, ele não me reconheceu.

— Estou fazendo isso por mim mesma. Não se preocupe com isso — foi tudo o que eu disse. Quanto menos o homem soubesse, melhor.

Saí do calabouço um pouco mais cedo e tranquei a porta atrás de mim. — Obrigada. Voltarei amanhã — chamei para os guardas.

— Então terei que revistá-la novamente amanhã — disse o guarda. Os outros guardas riram de maneira obscena. Podem rir à vontade.

Quando saí do castelo, fui a uma loja que vendia carroças.

Comprei uma carroça e atrelhei meu cavalo a ela. O cavalo que aluguei não só era bem-comportado, mas também inteligente. Ele era muito obediente e puxava a carroça bem para mim.

Montei no cavalo até o portão externo do quarteirão sul em busca de uma casa de fazenda.

— Com licença! Boa tarde! — levantei a voz, e uma mulher rechonchuda veio me cumprimentar. — Pagarei pelo seu incômodo, mas a senhora poderia cuidar da minha carroça por alguns dias? Voltarei com o cavalo mais tarde. Incluirei um extra para cobrir o custo de cuidar do cavalo, e posso pagar adiantado.

— Por que a senhora precisa deixar a carroça aqui? — perguntou a esposa do fazendeiro, parecendo desconfiada.

— Meu irmão quer se casar, mas nosso pai não aprova sua noiva. Ele espera deixar a capital para impedir nosso pai de forçá-lo a voltar para casa. Eles planejam viajar uma longa distância para evitar serem pegos. Pensei que pelo menos poderia dar a eles uma carroça como presente de casamento.

Depois que expliquei isso com lágrimas falsas, a esposa assentiu. — Tudo bem, entendo. Vou cuidar disso. Vou garantir que o cavalo seja cuidado. Não se preocupe.

— Muito obrigada! Meu irmão deve chegar em alguns dias. A noiva do meu irmão virá primeiro, porém, então, por favor, deixe-a esperar no celeiro pelo meu irmão.

— Sem problemas. Sinto muito que seu pai esteja sendo tão teimoso.

— Obrigada, senhora! Serei grata a você pelo resto da vida!

— Ora, não é nada demais.

Montei de volta na cidade, devolvi o cavalo e me apressei para casa.

— Estou de volta!

— Bem-vinda de volta, Vicky!

— Vamos jantar? Vamos usar o que temos nos armários.

Nonna parecia aliviada por eu estar em casa.

Naquela noite, esperei Nonna adormecer profundamente e saí de casa. Corri o mais rápido que pude. Visitei a casa que o homem me dissera e bati na porta.

Ouvi a voz assustada de uma jovem do lado de dentro. — Quem é? O que você quer a esta hora?

— Shh. Estou aqui com uma mensagem do seu irmão mais velho.

Que bom que a irmã dele ainda está viva.

Ela abriu a porta, e eu lhe dei sua mensagem e expliquei o que estava fazendo ali. Pedi que ela repetisse para ter certeza de que havia entendido.

— Entendeu? Não conte a ninguém o que está escrito naquele pedaço de papel.

— Claro. Mas qual é o seu nome?

— Kate.

— Kate, por que você está fazendo tudo isso por nós? Maria e as outras pediram que você fizesse isso?

— Quem é Maria?

— O marquês fez a mesma coisa com elas antes. Ouvi depois que ele também agrediu Maria, Luna e Eliza. Então você não tem nada a ver com elas?

— Não, não tenho.

Ela olhou com desconfiança.

— Tudo isso será em vão se você não construir sua resistência. Sei que você não quer sair em público, mas precisa conseguir comida e comer alguma coisa. Você tem dinheiro?

— Sim — ela disse, com os olhos se desviando. Isso significava que não tinha.

— Não é muito, mas use-o para comprar comida em algum lugar. Quero que você coma, durma e comece a movimentar seu corpo adequadamente. Entendeu? Não podemos deixar você atrasar seu irmão e fazer com que sejam pegos.

A irmã assentiu. Saí de sua casa e corri de volta para a minha. Eu precisava forjar rapidamente documentos de identificação para ela e seu irmão.

No terceiro dia, destranquei a porta quando o guarda saiu, então entrei e subi nos ombros do homem. Concentrei-me em serrar as barras de ferro. Continuei assim por mais alguns dias.

Quando restavam apenas duas barras para cortar, visitei Hector novamente.

— Gostaria de confirmar o dia e a hora. Quero que seja feito neste dia, neste horário — eu disse.

— Você quer decidir um dia já? Bem, isso será uma taxa extra.

— O quê?! Você continua aumentando o preço para mim! Bem, tanto faz. Mas este é todo o dinheiro que me resta!

— Claro, é suficiente. Enviarei alguém para buscar seu namorado em três dias nesse horário, e então eles o levarão ao portão do quarteirão sul, certo?

— Sim, é isso mesmo.

Eu estava serrando a última barra.

Meus braços tremiam devido ao esforço de trabalhar em uma posição tão desconfortável por vários dias. Ignorei seus gritos de dor e continuei cortando. O homem falou comigo enquanto eu estava sentada em seus ombros.

— Ei, Kate. Por que você está me ajudando? Minha irmã está realmente segura?

— Sua irmã está segura. Como eu disse, estou ajudando você por mim mesma. Não vou te contar mais nada. Certo, todas estão cortadas. Agora posso ir para casa. Me deixe descer.

Eu tinha ficado muito mais rápida em serrar as barras de ferro.

A única coisa que restava fazer era escapar.

No início da minha próxima visita, removi os pedaços de couro e retirei as barras. Ajudei o homem a passar pela janela, então pulei pela janela e escapei também. A janela era longa horizontalmente, mas curta verticalmente. Fiquei feliz que o homem tivesse perdido peso durante seu encarceramento.

Peguei uma sacola de roupas extras que havia escondido nos arbustos antes, e nós dois nos trocamos. Sorrimos e conversamos enquanto passeávamos perto dos soldados em patrulha e embarcamos na carroça de um mercador que estava esperando no estacionamento.

Dentro da carroça estavam caixas vazias destinadas a uniformes de soldados e criadas. Cada um de nós se escondeu dentro de uma das caixas.

O cocheiro, que havia sido enviado por Hector, parecia pensar que estava apenas ajudando em uma fuga de amantes. Ele conversou casualmente com o porteiro quando passamos pelo portão da cidade, como se tudo estivesse perfeitamente normal.

Mais de uma hora havia se passado desde o início da minha visita. A essa altura, a fuga da prisão provavelmente já havia sido descoberta, mas a carroça do mercador já havia chegado ao portão externo do quarteirão sul da capital.

Descemos, e eu levei o homem até a casa de fazenda onde meu cavalo e minha carroça estavam esperando.

— Fale com a esposa do fazendeiro ali. E não se esqueça de fingir que sua irmã é sua noiva. Ela deve estar esperando dentro do celeiro.

— Muito obrigado por tudo. Nunca esquecerei sua bondade!

— Não, você deve me esquecer. Aqui está algum dinheiro para sua hospedagem ao longo do caminho e para sua nova vida. Guarde em lugares diferentes em pequenas quantidades em caso de roubo, para que não seja roubado tudo de uma vez.

— Kate...

— Não chore. Vá em frente. Aproveite sua vida. E cuide bem daquele cavalo.

Empurrei o homem para a frente e o observei partir. Observei de longe enquanto o irmão e a irmã, agora vestidos como camponeses, conduziam a carroça para fora do portão externo.

Os dez dias de Nonna sozinha em casa finalmente terminaram.

— Apeguei-me ao cavalo, e quero comprá-lo — eu disse ao dono da loja de aluguel e preenchi a papelada para comprá-lo.

Fui fazer compras, então me apressei para casa.

— Estou de volta!

— Vicky! Estou com fome!

— Eu também! Comprei carne no caminho para casa. Que tal grelhá-la com manteiga?

— Yay! Carne!

Fiquei feliz que tudo tivesse corrido bem e que tudo tivesse acabado.

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Eu estava organizando material de alguns livros hagelianos antigos que recebi do Sr. Bernard.

— Vicky, fiz chá!

— Obrigada. Vamos fazer uma pausa.

Aqueles irmãos tinham novos nomes e identidades graças aos documentos de identificação que forjei para eles. Eu os instruí a viajar na carroça durante o dia e ficar em estalagens durante a noite, seguindo em direção à fronteira. O que acontecesse depois disso não era da minha conta, e eu não tinha desejo de me envolver mais.

Eu estava com muito sono. Tinha ficado acordada até tarde fazendo os documentos de identificação, então só dormira uma ou duas horas por noite.

Ouvi Nonna tagarelando sobre algo e cochilei na chaise longue. Quando acordei algum tempo depois, tinha um cobertor sobre mim.

Enquanto isso, os guardas do castelo estavam perplexos.

Por vários dias, uma mulher magra de cabelos ruivos vinha visitar o homem que estava programado para ser executado. Ela pedia a um guarda para ficar a sós com seu namorado cada vez que vinha, e saía enxugando as lágrimas depois que a hora da visitação terminava.

Como o homem seria executado em breve, ela tinha que visitá-lo do lado de fora de sua cela trancada, o que significava que os guardas só a viam quando ela chegava e partia. A cela de seu namorado ficava em um beco sem saída, então não havia razão para eles se preocuparem com o homem escapando, já que ele teria que passar bem na frente deles. Além disso, havia soldados patrulhando o perímetro do calabouço.

No dia anterior, no entanto, a mulher não voltou depois que o tempo de visitação acabou, então um guarda foi verificar... e descobriu que ela e o prisioneiro haviam desaparecido. A porta da cela ainda estava trancada com segurança, mas todas as barras das janelas haviam sido serradas.

Houve um alvoroço, e os portões do castelo foram selados. Os guardas revistaram cada canto dos terrenos do castelo, mas não os encontraram. Depois disso, a Segunda Ordem dos cavaleiros e a força de segurança expandiram a busca para incluir toda a capital. Até agora, no entanto, ninguém havia avistado o criminoso fugitivo e a mulher ruiva.

🃁 🂡 🂱 🃑

Uma noite, duas semanas após a fuga da prisão, o capitão apareceu na minha casa e disse: — Comprei alguns doces em uma padaria famosa.

Fiz chá, e nós três comemos o bolo que ele comprou. Havia uma generosa camada de castanhas cobertas com calda sobre o glacê. O bolo era tão decadente e delicioso que não pude deixar de sorrir. Nonna estava prestes a lamber o glacê do prato, mas eu a repreendi. Ela olhou para mim com surpresa.

— Faça isso depois de levar o prato para a cozinha, longe das visitas — eu disse com um rosto sério, e o capitão e a Nonna caíram na risada.

— Hmm, estava delicioso! Você parece cansado, Jeff — disse Nonna.

— Estava muito bom, não estava? E estou cansado. O homem do baile escapou da prisão. Aparentemente, ele teve ajuda também.

— O quê...?

— O castelo está em alvoroço total por causa de um prisioneiro que escapou do calabouço do castelo. É um grande escândalo. Os cavaleiros e eu estamos vasculhando a cidade em busca dele há duas semanas. — O cansaço estava estampado em seu rosto.

— Posso ver o quanto o senhor está exausto. Então, o que aconteceu com o homem?

— Ele deve estar escondido em algum lugar. Verificamos a casa de sua irmã, mas ela havia sumido. Ela deixou um bilhete dizendo: "Entrei em um convento longe daqui e rezarei por meu irmão, que foi chamado ao céu."

— Entendo — eu disse, tomando um gole de chá.

Nonna não estava nem um pouco interessada em nossa conversa. Ela terminou de comer seu bolo e levou o prato para a cozinha, então começou a ler um livro no sofá. E não se esqueceu de lamber o prato antes de colocá-lo na pia.

Fiz outra xícara de chá para o capitão e para mim.

— A maioria das pessoas acha que o fugitivo será capturado eventualmente. Enviamos informações por mensageiros expressos para todos os quatro portões da capital. Mesmo se eles tivessem ido direto da prisão para um portão, não teriam chegado a tempo.

— Entendo.

Tomei outro gole do chá quente e comi minha última mordida de bolo.

— Se ele fosse se esconder na capital, provavelmente seria nas favelas, mas como o homem era um amador, ele provavelmente será capturado mais cedo ou mais tarde por algum informante de olho na recompensa. Sinto pena dele considerando o que aconteceu com sua irmã, mas... é assim que as coisas são, suponho.

— Certo.

O capitão ficou sombrio, e parecia que ele estava prestes a ir embora. Senti-me tão mal que inadvertidamente estendi a mão e coloquei-a suavemente em seu braço enquanto falava. — Capitão, o senhor poderia tirar alguns dias de folga e ir conosco a Cadiz? Não precisa ser agora. Ouvi dizer que eles flutuam pequenos barcos de madeira no mar com velas durante o solstício de verão.

Seu rosto suavizou um pouco. — Estou surpreso que você saiba disso. Sim, é triste que as almas daqueles que partiram retornarão a este mundo enquanto as velas queimam.

— Elas só vêm para uma pequena visita, não vêm? Quero que as almas da minha família visitem. Há tantas coisas que quero dizer a elas.

Ele segurou suavemente minha cabeça contra seu peito. — Vamos algum dia. Vamos flutuar barcos de madeira no mar à noite. É uma promessa. Não importa o que aconteça, tirarei tempo suficiente para que possamos fazer isso.

O capitão se animou um pouco e foi para casa.

Verifiquei se Nonna ainda estava lendo, então enfiei minha peruca vermelha, que estava em um pequeno saco de pano, em uma almofada e costurei cuidadosamente.

Sinto muito, pedi desculpas internamente a todas as pessoas que estavam procurando seriamente pelo fugitivo, incluindo o capitão. Não pediria perdão. Tinha certeza de que um dia seria punida por isso de alguma forma.

🃁 🂡 🂱 🃑

Um irmão e uma irmã na casa dos vinte anos chegaram a uma cidade na fronteira sul de Ashbury.

Os dois se davam muito bem enquanto trabalhavam juntos e viviam modestamente. Eles disseram aos aldeões que se mudaram após a morte de seus pais, e que vinham de uma cidade longe ao leste. O prefeito ofereceu a eles uma casa vazia para morar.

O irmão e a irmã trabalhavam juntos nas terras agrícolas abandonadas. Os outros aldeões eram muito amigáveis e os tratavam com gentileza.

Uma noite, enquanto estavam na cozinha, a irmã disse ao irmão mais velho: — Viver assim é um sonho. Sabe, eu estava tão arrasada por você ter recebido a pena de morte por tentar me vingar que estava pensando em tirar minha própria vida.

— Sinto muito por ter te preocupado.

— Tudo bem. Assim como Kate disse, é melhor trabalhar duro para ser feliz do que se vingar.

A irmã pegou seus documentos de identificação na gaveta e os colocou sobre a mesa. Eles os examinaram atentamente.

Os documentos eram indistinguíveis dos originais. O toque do papel, o padrão de fundo intricado, as letras impressas — tudo era perfeito.

— Parecem completamente autênticos — disse o irmão mais velho.

— Me pergunto se ela costumava trabalhar no escritório onde os documentos de identificação são feitos ou algo assim.

— Não faço ideia — ele disse.

— Dói meu coração que não tenhamos conseguido agradecê-la.

— Ela disse que isso causaria problemas para ela se tentássemos contatá-la, então não há nada que possamos fazer sobre isso. Mas eu gostaria de ter podido agradecê-la também.

— Tudo o que ela disse foi: "Estou fazendo isso por mim mesma", mas o que isso poderia significar? E então ela disse: "Vocês dois viverem uma vida feliz já será agradecimento suficiente para mim."

Nenhum dos irmãos tinha ideia de por que a mulher ruiva os ajudara. Eles ainda tinham um terço do dinheiro que ela lhes dera para começar sua nova vida.

A irmã era profundamente grata por seu irmão não ter sido executado e por ele não ter se tornado um assassino.

🃁 🂡 🂱 🃑

Depois que Nonna foi para a cama, poli cuidadosamente meus sapatos. A serra de arame estava cuidadosamente guardada dentro do salto de um dos sapatos. Seus dentes haviam embotado consideravelmente. Deveria afiá-la? Bem, duvidava que precisasse cortar barras de ferro novamente.

Depois de polir meticulosamente os sapatos, coloquei-os de volta no sapateiro perto da entrada. Eu também tinha um pequeno conjunto de ferramentas de arrombamento escondido nas solas. Mas agora as solas estavam seladas com cola. Minhas ferramentas de arrombamento estavam guardadas em outro lugar.

Se alguém descobrisse o que eu fiz, provavelmente me chamaria de hipócrita. E eu estava preparada para enfrentar essa crítica, não importa quão dura fosse.

Traduzido por Moonlight Valley

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Fim da leitura

Capítulo 10 concluído

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