As Multiplas Faces de VictoriaVolume 1 – Capítulo 6 – Capítulo 6: Dias Pacíficos
Capítulo 9Não recebi nenhuma palavra da família real, embora tenha certeza de que seria difícil para eles admitirem que o segundo príncipe levou uma surra de uma plebeia. O príncipe havia começado tudo, mas ainda assim fiquei feliz por ele estar dizendo a todos que havia caído. O mais importante para mim naquele momento era a paz.
Em meio a tudo isso, meu trabalho como assistente do Sr. Bernard foi interrompido abruptamente. Um dia, ele estava tentando pegar um livro na prateleira mais alta da biblioteca e caiu da escada, quebrando o braço direito. Felizmente, a Condessa Eva estava lá na hora, então ela conseguiu ajudá-lo imediatamente.
— Sinto muito, Victoria, mas o Tio ficará na minha casa até se recuperar completamente. Até lá, por que você não vem dar aulas para meu filho? Pagarei a você o mesmo salário que meu tio lhe dá.
Por que eu daria aulas para o filho de um nobre? pensei, mas então a Condessa Eva explicou:
— Meu filho, Clark, tem doze anos e precisa melhorar seus estudos de línguas estrangeiras. Ele tem um tutor, é claro, mas simplesmente não vejo resultados. Já que você sabe quatro línguas, adoraria pedir sua ajuda. O que você acha? Meu marido tem dito que deveríamos arranjar um novo tutor para Clark. Seria apenas até o Tio se recuperar.
— Mas sou uma plebeia, e não sou professora. Além disso, tenho Nonna para cuidar.
— Meu marido diz que se você é habilidosa o suficiente para ser assistente de um historiador, então é mais do que capaz de dar aulas para Clark. E você pode trazer Nonna junto. Seu ashburiano é perfeito; você não tem nada com que se preocupar.
— Posso pensar sobre isso?
— Claro. Espero ter boas notícias!
Decidi perguntar a Nonna primeiro, e ela respondeu imediatamente.
— Tudo bem para mim, contanto que eu possa ficar com você, Vicky.
— Mas estou preocupada com você. Você estaria com um garoto nobre.
— Está tudo bem.
— Tem certeza? Prometa que vai me contar se se sentir desconfortável ou com medo, certo?
— Claro.
Já que Nonna estava de acordo, fui até a propriedade da Condessa Eva para aceitar.
Fui primeiro cumprimentar o Sr. Bernard e descobri que ele estava muito abatido. A dor e a realidade de seu declínio físico por ter caído da escada estavam cobrando um preço mental dele.
— Sinto muito que isso tenha acontecido tão de repente, Victoria. Por favor, diga que vai voltar como minha assistente depois que eu me recuperar.
— Claro que sim, Sr. Bernard. Mas primeiro, o senhor precisa se concentrar em melhorar!
Vê-lo tão deprimido fez meu coração doer. Eu nunca conheci meus avós, e nunca diria isso em voz alta, mas o Sr. Bernard havia se tornado algo como um avô para mim.
O Mestre Clark era um garoto ruivo e sardento, de constituição esbelta. Quando a Condessa Eva me disse que ele tinha doze anos, esperava que ele fosse mais bagunceiro, mas ele era muito quieto e bem-comportado. Seus olhos verdes estavam cheios de nervosismo enquanto ele cumprimentava a mim e a Nonna educadamente.
— Boa tarde. Sou Clark Anderson.
— Olá. Sou Victoria Sellars, e esta é Nonna. Nós duas estaremos vindo aqui com frequência por um tempo. Prazer em conhecê-lo.
— Sou Nonna. — Nonna fez uma reverência ao Mestre Clark.
Quando ouvi que ele era filho único, pensei que pudesse ser difícil, mas ele parecia muito doce.
— A Condessa Eva me pediu para trabalhar com você em suas habilidades em hageliano e randallês.
— A senhora fala ambas as línguas, Srta. Sellars?
— Sim, falo. Gosto de aprender idiomas no meu tempo livre. Não tenho problemas para manter conversas cotidianas nos idiomas que estudei.
— Não sou bom em línguas estrangeiras. Meu pai é o ministro das relações exteriores, então ele diz que preciso aprender hageliano e randallês, mas simplesmente não consigo pegar o jeito. Também não sou bom em exercícios. Na verdade, não sou bom em nada.
Aparentemente, ele era bastante carente de autoconfiança.
— Gostaria de ver como eram suas aulas antes disso. Você se importaria de me mostrar seus cadernos?
O Mestre Clark pegou seus cadernos da escrivaninha e os trouxe para mim. O caderno estava cheio de uma caligrafia muito caprichada. Era evidente que ele era um garoto esforçado que praticava seu vocabulário com afinco. No entanto, quando olhei para o conteúdo de suas lições, soltei um suspiro interior.
Em primeiro lugar, seu instrutor anterior havia tentado ensinar gramática logo de cara. Ensinar línguas através do uso de literatura clássica enquanto explicava a gramática ao mesmo tempo podia parecer eficiente, mas esse método ignorava as dificuldades de cada aluno. Também não deixava espaço para erros. As pessoas aprendem línguas muito mais rápido e prazerosamente quando podem experimentar novas estruturas gramaticais sem medo de errar. Afinal, os erros sempre podem ser corrigidos.
— Vamos começar com meu método de ensino, certo? Que tipo de coisa você gosta, Mestre Clark?
— O que eu gosto?
— Sim. Por exemplo, eu gosto de cozinhar e me exercitar.
O Mestre Clark ponderou sobre isso.
Enquanto isso, perguntei a Nonna: — Do que você gosta, Nonna?
— Livros. E treinar! — ela respondeu.
— Treinar? — perguntou o Mestre Clark com uma expressão confusa.
— Eu subo em muros altos. E em árvores. E giro no ar! — Nonna se gabou orgulhosamente. Não pude deixar de soltar uma risada seca.
— Sério? Você poderia me mostrar? — perguntou o Mestre Clark.
— Claro!
Nonna olhou para mim. Quando acenei, ela saltou do chão, correu alguns passos e executou seu mortal para frente. Sua forma era perfeita, mas isso me lembrou que eu precisava dizer a ela para usar calças em vez de saia na próxima vez que quisesse se exibir na frente dos outros.
— Uau, você é muito boa para uma garota!
— Sou boa porque sou uma garota! Tenho que saber ser forte e fugir sozinha caso um adulto mau me ataque! Saber fazer isso é útil por muitas razões... É o que minha professora de autodefesa diz.
— Hmm... — Os olhos do Mestre Clark, que antes estavam sem vida, agora brilhavam com curiosidade. Tudo bem. Ele está fisgado.
— Bem, no que você está interessado, Mestre Clark?
— Quero treinar como a Nonna!
Imaginei que ele diria isso. Teria que tomar cuidado para que ele não se machucasse, mas aprender palavras enquanto se exercita era realmente bom para a retenção.
— Muito bem. Vamos começar com seu randallês. Pode ser confuso fazer dois idiomas ao mesmo tempo.
Fiquei feliz que Nonna estivesse aqui para participar conosco.
— Primeiro, começaremos com exercícios básicos. Darei instruções em ashburiano e depois em randallês. Você pode memorizá-las de ouvido. Se aprender a soletrar essas frases depois do treino, lembrá-las será moleza.
— Certo!
— Levante os braços.
< Luvicte thos brass >
Seguia as instruções em ashburiano com a mesma frase em randallês dessa forma, então levantava meus braços. Foi assim que aprendi idiomas. Não tinha certeza se o Mestre Clark se adaptaria a esse estilo de aprendizado, mas só havia uma maneira de descobrir.
No meio da aula, o Mestre Clark emprestou a Nonna um par de shorts, junto com um cordão para servir como cinto.
Colocamos muitas almofadas no chão para minimizar os ferimentos. Não tem como eu deixar a senhora da casa ver isso! pensei, mas felizmente, a Condessa Eva era uma mulher ocupada.
Quando o Mestre Clark aprendeu sete palavras dessa maneira, lembrou-se perfeitamente de como soletrá-las. E surpreendentemente, Nonna também.
Como Nonna ainda estava aprendendo a ler e escrever ashburiano aos poucos, fiquei preocupada que estudar outro idioma tão cedo a confundisse, mas ela disse que ficaria bem. Sua resiliência vinha me surpreendendo ultimamente.
O Mestre Clark parecia estar se divertindo muito enquanto escrevia em seu caderno, enxugando o suor da testa. Quando memorizou todas as palavras que cobrimos no dia, seu rosto brilhou de alegria.
— Professora! Nunca me diverti tanto em uma aula de línguas antes!
— Fico feliz em ouvir isso. Vamos trabalhar com o mesmo afinco na nossa próxima aula. No entanto, não quero preocupar sua mãe, então não vamos fazer mortais.
— Não vou contar à minha mãe! Então por favor, me deixe fazê-las!
Acho que qualquer criança gostaria de aprender a fazer um mortal depois de ver outra pessoa fazendo. Além disso, eu estaria aqui para apoiá-lo... Talvez fosse bom para o menino ter pelo menos uma coisa em que se sentisse confiante, já que ele parecia tão delicado tanto emocional quanto fisicamente.
Foi assim que meu trabalho muito agradável começou.
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Jantávamos em casa toda noite.
Nonna dizia que toda a comida que eu fazia era deliciosa. Ouvi dizer que há muitas crianças que não gostam de vegetais, mas ela os comia todos com alegria.
— Nonna, qual é o seu prato favorito que eu cozinho para você?
— Cordeiro assado.
— Qual é o segundo?
— A sopa com feijão, legumes e carne. Também gosto muito.
— Bem, que tal fazermos juntas esta noite?
— Claro!
Estar na cozinha juntas era divertido. Entreguei a Nonna o pequeno avental que fiz para ela e amarrei as fitas para ela. Coloquei um avental combinando feito do mesmo tecido, e começamos a lavar os legumes. Nonna era muito meticulosa quando se tratava desse tipo de trabalho.
Descasquei os legumes com uma faca. Ela os picou com muito cuidado com outra faca.
— Agora coloque os legumes na panela.
— Certo. Quero muitos feijões.
— Tudo bem. Você adora feijão, não adora?
Como Nonna amava tanto feijão, eu sempre tinha feijão seco em mãos. Deixava uma pequena porção de molho todos os dias para reidratá-los e usá-los no jantar daquela noite.
Acendi a lenha, coloquei a panela no fogão e então coloquei uma frigideira ao lado da panela.
— Vamos colocar bacon na sopa esta noite.
— Adoro bacon! Quero cortá-lo.
— Certo.
A concentração séria que Nonna demonstrava enquanto cortava o bacon era adorável. Eu me sentia sentimental, imaginando se minha mãe havia tentado me ensinar a cozinhar dessa maneira. Morar com Nonna frequentemente me fazia pensar sobre como minha falecida mãe se sentia. Quando Nonna se machucava, mesmo que fosse apenas um pequeno arranhão, eu sempre desejava ter sido eu a me machucar em seu lugar. Quando Nonna estava feliz e sorria, eu me pegava querendo que ela sorrisse assim novamente.
Estar com Nonna me permitia reviver minha infância vicariamente. Eu cresci longe da minha mãe, então isso me fazia sentir como se estivesse com ela novamente. Era uma sensação incrivelmente reconfortante.
— Por que você está sorrindo, Vicky?
— Hmm? Porque estou me divertindo. Sempre me divirto quando estou com você, Nonna.
— Ah.
— E você?
— Também estou me divertindo!
Ah, que bom que acolhi essa garota, pensei.
Um sorriso estava colado no meu rosto enquanto eu refogava o bacon e depois cozinhava os feijões na gordura do bacon. Depois disso, escorri o excesso de gordura da panela para uma tigela.
— O que você vai fazer com isso?
— Essa gordura é realmente deliciosa quando usada em refogados.
— Ah!
Naquela noite, comemos pão junto com uma sopa cheia de ingredientes. Era uma refeição simples, mas deliciosa.
No dia seguinte, Nonna se gabou para o Mestre Clark durante um intervalo da aula.
— Eu cozinhei ontem. Sopa gostosa.
— Uau, você fez comida, Nonna?
— Sim! A Vicky me ensinou!
— Posso provar sua comida algum dia?
— Claro. Você gosta de feijão?
— Feijão...? Na verdade não...
— Então não pode comer. Só cozinho para quem gosta de feijão.
— Vou aprender a gostar! Por favor, me deixe provar!
Ri com essa troca inocente entre o garoto e a garotinha. Por quanto tempo mais as conversas deles seriam assim? Em apenas três anos, o Mestre Clark não seria mais um garoto, mas um jovem homem. Suponho que só temos até então, pensei, sentindo um pouco de nostalgia sobre isso.
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Era o meu primeiro dia livre desde que comecei a ensinar o senhor Clark.
Eu dava aulas para ele durante a semana e tinha os fins de semana livres. Nonna e eu limpamos a casa e lavamos a roupa.
— Por que não bordamos um pouco? Posso te ensinar — ofereci, mas então de repente houve uma batida na porta.
— Sim, quem é?
— Sou eu, Clark Anderson.
Surpresa, corri para abrir a porta, e de fato, vi o Mestre Clark parado ali.
— Mestre Clark! O que aconteceu?
— Só queria ver a senhora hoje, Srta. Sellars.
— Nossa. Bem, entre.
Ele olhou ao redor do quarto com curiosidade, mas parecia bastante tímido.
— Gostaria de um chá?
— Sim, por favor.
Nonna foi preparar as xícaras enquanto eu fervia a água. Cortei algumas fatias do bolo de nozes com figos secos que fizera no dia anterior e servi uma para ele. O Mestre Clark se remexeu nervosamente, mas assim que deu uma mordida no bolo, seu rosto inteiro se iluminou de surpresa. — Mmm! — ele disse.
— Gostou? — perguntei.
— Sim, muito! De qual padaria é?
— A Vicky fez.
— Isso mesmo. Nonna me ajudou a assar ontem.
— Uau... — O Mestre Clark soltou um ruído adorável de admiração, mas então percebeu o que acabara de fazer e ficou vermelho como um tomate.
— Tem muito mais de onde veio isso — garanti a ele. — Coma com calma.
— Obrigado. A senhora realmente consegue fazer qualquer coisa, não consegue, Srta. Sellars?
— Ah, isso não é verdade.
— Mas é! O Tio-avô Bernard sempre se gaba da senhora. Ele diz que, além de falar quatro línguas, a senhora também é boa em cozinhar, limpar e organizar documentos. Não só isso, mas também é muito atlética!
Nonna brilhou de orgulho, como se dissesse: "Isso mesmo!"
— Cresci precisando ser independente — expliquei. — Fui separada dos meus pais aos oito anos, e tinha que fazer tudo o que me mandavam. Também tive que aprender línguas, mas acabei gostando muito.
— A senhora achava aprender línguas divertido?
— Isso mesmo. Não viajei tanto assim. Na verdade, me mudar para este reino foi a primeira viagem que fiz! Então, antes disso, eu só lia livros sobre outras terras. Meu local de trabalho tinha muitos livros, mas todos em línguas estrangeiras. No começo, eu não sabia o que diziam, então só ficava olhando as ilustrações. Mas eventualmente me cansei disso, então comecei a estudar para poder lê-los.
— Um lugar com muitos livros... A senhora trabalhava na casa de um nobre?
— Sim, isso mesmo.
O Mestre Clark terminou de comer sua segunda porção de bolo. — Acho que foi meio egoísta da minha parte reclamar de não ser bom nos estudos — ele disse, parecendo um pouco abatido. — Vou me esforçar muito. Suas aulas são muito divertidas, então acho que vou conseguir aprender muitas palavras novas.
— Nossa, que maravilha! Vamos todos dar o nosso melhor, certo? — eu disse.
Nonna de repente exclamou: — Quero estudar hoje também! — e olhou para mim com olhos brilhando. Os olhos do Mestre Clark também brilhavam. Como eu poderia dizer não a essas crianças quando estavam tão ansiosas?
— Tudo bem. Que tal estudarmos algo hoje que não dá para aprender na propriedade?
— Subir em árvores!
— Nonna, acho que o Mestre Clark—
— Quero fazer isso! Por favor, me ensine a subir em árvores!
— Ha-ha-ha. Tudo bem. Vamos fazer isso, então.
Depois que Nonna e eu trocamos de roupa, nós três caminhamos um pouco até o lugar onde eu havia lutado com o segundo príncipe. Havia muitas árvores grandes lá, então era o lugar perfeito para praticar escalada.
— Vamos usar esta árvore. A primeira coisa que você precisa fazer antes de subir em uma árvore é ter certeza de que ela não está morta. Se você tentar subir em uma árvore seca sem folhas, seus galhos podem quebrar de repente, mesmo que sejam grossos, e você pode se machucar gravemente. No pior dos casos, pode até morrer ao bater a cabeça no chão quando cair. Você pode ter certeza de que uma árvore está viva se suas folhas estiverem verdes. No inverno, quebrar um de seus galhos é outra forma de verificar; o interior estará verde. Evite subir em árvores se seus galhos quebrarem facilmente.
— Tudo bem — disse o Mestre Clark.
— Agora, vou subir na árvore primeiro para demonstrar. Preste muita atenção em quais galhos eu escolho e como seleciono meus apoios.
Tirei meus sapatos e senti os olhares respeitosos das crianças sobre mim enquanto escalava a árvore de meias.
Subi bem alto, então inverti o processo para descer. Incapaz de se conter, Nonna chutou os sapatos e subiu na árvore com perícia. Ela foi até o ponto que eu havia alcançado, sentou-se em um galho e acenou para nós.
— Certo, agora é minha vez! — disse o Mestre Clark. Ele chutou os sapatos exatamente como Nonna, então lutou para subir na árvore. Levou muito mais tempo que Nonna para alcançar o mesmo galho, mas quando se sentou nele, parecia muito satisfeito.
— Galho.
< Goolha. >
Enunciei a palavra em ambas as línguas claramente, e os dois repetiram depois de mim.
— Subir.
< Sepur. >
— Eu subi em uma árvore.
< Umi supi in una arvorec. >
— Eu desci de um galho alto.
< Umi duski do un altho goolha. >
Suas duas vozes estavam sincronizadas enquanto repetiam depois de mim.
— Eu subi em uma árvore alta, depois desci.
< Umi supi in una arvorec, depo duski. .>
— Excelente trabalho, vocês dois! Tudo bem, Nonna. Desça primeiro.
Descer de uma árvore era mais perigoso do que subir. Nonna desceu em segurança, e então subi até onde o Mestre Clark estava. Amarrei uma corda em volta dele para apoiá-lo. Enrolei-a sob suas axilas duas vezes e a prendi com firmeza, então segurei a ponta enquanto ambos descíamos juntos. No caminho para baixo, ouvi a voz familiar do capitão exclamar: — Oh, meu Deus! — à distância. Aparentemente, ele estava nos observando.
Quando o Mestre Clark e eu estávamos em segurança no chão, o capitão se aproximou.
— Isso foi incrível, Clark!
— Tio Jeff! Olá. Acabei de subir em uma árvore pela primeira vez!
— Você gostou?
— Sim!
O capitão olhou para mim com diversão, e de repente me senti muito sem graça. Tinha certeza de que ele estava atônito com o quanto eu era moleca, e também com o fato de eu ter feito o único filho e herdeiro da Casa Anderson subir em uma árvore. E para completar, agora eu estava pensando na vez em que o capitão me abraçou.
— Sinto muito por ensinar algo ao seu sobrinho sem permissão.
— Não, tudo bem. Esta é a primeira vez que vejo Clark tão feliz e despreocupado. Sempre achei que não era bom para ele ser tão quieto e reservado o tempo todo. Sinto muito por ele ter vindo no seu dia de folga.
— Não se desculpe. Eu me diverti.
Enquanto nós dois conversávamos, as crianças corriam pelo quintal gritando: < Goolha! > < Sepur! > < Altho! > e assim por diante, em randallês, enquanto brincavam de pega-pega. Pareciam estar se divertindo tanto. Os dois brincaram assim por mais de uma hora antes de se cansarem.
— Provavelmente devo levar Clark para casa — disse o capitão. — A senhora gostaria de sair para jantar comigo mais tarde?
— Obrigada. Mas o senhor não me levou para jantar recentemente?
— Na verdade, venho lutando contra a vontade de perguntar há um tempo — ele disse gentilmente, desviando o olhar. — É um lugar casual, então não precisa se arrumar.
— Certo.
A maneira tímida como o capitão falou o fez parecer um grande e desajeitado urso prateado.
O Mestre Clark pareceu decepcionado, mas se animou quando eu disse: — Volte para brincar novamente em breve, certo? — e ele assentiu feliz repetidamente antes de voltar para casa com o capitão.
— Nonna, vamos sair para jantar com o capitão novamente esta noite.
— Vamos nos arrumar, Vicky?
— Talvez um pouco. Ele disse que não é um lugar chique.
— Existem restaurantes onde você não precisa se arrumar?
— Isso mesmo. Será uma boa experiência para você, Nonna.
— Sim!
Coloquei um vestido verde-brilhante e troquei Nonna para um vestido azul-marinho. Amarramos nossas fitas cor de vinho combinando no cabelo e sorrimos uma para a outra.
— Estou animada, Nonna.
— Sim! E me diverti subindo em árvores com o Mestre Clark hoje! Aprendi a dizer "Eu subi em uma árvore alta" em randallês!
— Isso é incrível. Você é boa em aprender línguas, Nonna!
— Ebaa!
Nonna correu até mim e lançou seus braços ao meu redor. Eu me inclinei e a abracei, inspirando profundamente seu cheirinho doce. Ela tem um cheiro que só uma criança pequena teria; era um cheiro que eu adorava e me fazia me sentir em paz.
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Naquela noite, o capitão nos levou a um restaurante popular entre os plebeus chamado Casa da Andorinha.
Eu certamente estou passando muito tempo com o capitão ultimamente, pensei.
Todos os assentos da Casa da Andorinha eram salas semi-privadas, com paredes separando cada uma, exceto pelos assentos voltados para a rua. Olhei ao redor e vi que a maioria dos outros clientes eram casais. Me perguntei se estava tudo bem termos trazido uma criança.
— Este é um lugar agradável. Aposto que foi difícil conseguir uma reserva.
— Pedi a um subordinado meu que me indicasse um bom restaurante para levar uma senhora.
— Nossa, o senhor teve todo esse trabalho por mim? Obrigada.
Não conseguia acreditar que ele havia perguntado isso ao subordinado. Ele devia realmente não se importar com o que as pessoas diziam sobre ele.
Depois de um tempo, cada um de nós recebeu seu pedido em um grande prato quadrado. O prato principal era carne de veado estufada com vegetais coloridos. Estava tão lindamente arrumado no prato que parecia quase uma pintura. Era até guarnecido com pequenas flores.
— Uau! — exclamou Nonna de alegria. Não só era bonito de se ver, como também era delicioso.
— Está absolutamente delicioso, Capitão.
— Está mesmo, não está? — O capitão tinha um apetite saudável e limpou o prato. Ele conversava com sua voz atraente enquanto comíamos.
— Falei com o príncipe. Ele insistiu que quebrou as costelas em uma queda. Então acho que você não tem com o que se preocupar. Afinal, ele veio na sua direção com uma faca. Não importa como você olhe para a situação, ele estava errado.
— Parece que o senhor tem muito trabalho com ele, Capitão — eu disse, e ele me deu uma risada constrangida.
Depois da refeição, bebemos um pouco de vinho e comemos a sobremesa: algumas fatias de figo em calda arranjadas para parecer uma flor. Decidi trazer à tona algo que vinha ponderando há algum tempo.
— Capitão?
— Sim?
— Que tipo de pessoa é o príncipe? O senhor não precisa falar sobre ele se não quiser, é claro. Não sou muito forte, então usei toda a minha força para de alguma forma afastá-lo, mas se ele tivesse se aproximado de outra pessoa assim, sua vida poderia ter estado em perigo. Não consigo acreditar que alguém de sua posição faria uma coisa dessas.
Os olhos do capitão caíram sobre seu prato.
— É verdade. Ele poderia ter perdido a vida. Deveria dizer a ele que ele teve sorte de ter enfrentado você. Ele não tinha segundas intenções, no entanto. Ele é o segundo filho, e foi criado com muito cuidado. Treina com a espada desde a infância, e acho que ele é bastante habilidoso para alguém de sua posição. Ele pode ser imprudente às vezes, então isso sempre foi uma preocupação, mas todos que o servem o adoram.
— Entendo.
O capitão olhou para mim com preocupação. — Por que você pergunta?
— Estou preocupada que o príncipe mude de ideia. Se ele contar às pessoas que fui eu quem o machuquei, isso pode me colocar em uma posição difícil.
— Ele não vai. Ele pode ser um pouco excêntrico e causar problemas às vezes, mas ele nunca faria algo tão covarde — respondeu o capitão com firmeza.
Bem, se ele insistia, então suponho que não havia nada com que me preocupar. E eu sabia que ficaria tudo bem agora mesmo se investigassem meu passado, então pude relaxar um pouco.
— Entendo. Que alívio. Bem, devemos encerrar a noite? Nonna parece cansada.
Nonna estava bocejando enquanto conversávamos. Ela havia corrido e brincado com o Mestre Clark por muito tempo hoje.
— Você está cansada, Nonna? — perguntou o capitão.
— Um pouco.
— Ah, claro. Sinto muito em me despedir, mas vamos levá-la para casa cedo esta noite.
Fomos para casa na confortável carruagem da família Asher.
— O jantar estava delicioso, não estava, Nonna?
— Sim! Mas gosto mais da sua comida, Vicky.
Honestamente, eu simplesmente amo tanto minha filha! O capitão também estava sorrindo para Nonna.
De qualquer forma, eu havia perguntado a ele sobre o príncipe por uma razão específica.
Se a família real estivesse de olho em mim, talvez valesse a pena considerar usar o segundo príncipe como uma das minhas cartas. Usá-la seria uma faca de dois gumes, mas era melhor ter uma opção arriscada do que nenhuma.
Se a organização me rastreasse, havia a possibilidade de exigirem minha extradição. Eu realmente acreditava que havia trabalhado o suficiente para pagar o valor que investiram em mim, mas eles poderiam pensar o contrário.
Se eu tentasse me aproximar da família real antes disso, no entanto, talvez pudesse evitar a extradição. Mas enquanto eu conspirava, uma pergunta veio a mim: O que você está segurando com tanta força que iria a tais extremidades?
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O capitão apareceu em nossa casa às oito da noite seguinte. Ele disse que estava no meio de um turno.
— O senhor ainda tem que trabalhar depois disso? Isso deve ser difícil.
— Há algo que preciso lhe contar sobre como o primeiro príncipe mandou segui-la, e sobre o incidente com o segundo príncipe também. A verdade é que tudo isso aconteceu porque forcei você a vir comigo ao baile. Coloquei você em uma posição terrível, e realmente sinto muito por isso. Só queria dizer isso. Sei que aparecer aqui sem avisar é muito rude, mas precisei lhe contar isso o mais rápido possível.
Ele é uma pessoa tão boa, pensei. E aqui estava eu escondendo uma montanha de coisas dele.
— Capitão, fui eu quem concordou em ir com o senhor. E fui eu quem apontou o ladrão. Não há absolutamente nenhuma razão para o senhor se sentir responsável por isso. Foi minha decisão, e aceitarei as consequências. Não acho que seja culpa do senhor, e não estou culpando o senhor. Então, por favor, não se preocupe.
Ele mordeu o lábio e me encarou.
— O que foi? — perguntei.
— Você é uma pessoa tão forte.
— Ouço isso com frequência — eu disse com uma risada. O capitão pegou meu rosto em ambas as mãos, gentilmente como se estivesse segurando algo frágil. Entrei em pânico um pouco, pensando: Eu disse algo nesta conversa que provocou isso?
Eu podia sentir o calor de seu corpo através de seu toque. Não pude deixar de pensar em como seria bom tê-lo por perto para me aquecer quando eu sentisse frio no inverno.
Seu aroma masculino natural e o leve perfume de sua colônia amadeirada me envolveram. Ele cheirava incrivelmente bem. Fiquei parada e o deixei fazer o que quisesse comigo.
Ele me segurou assim por um tempo, então soltou.
— Quando estou com você... eu simplesmente me sinto tão relaxado — murmurou ele, como se estivesse falando sozinho, e então saiu abruptamente sem sequer dizer uma palavra.
Qual é, pelo menos diga boa noite!
Só agora eu entendia por que a organização nos fizera abandonar nossos nomes reais — eles queriam nos impedir de nos tornarmos como eu estava ultimamente.
Oficialmente, os agentes precisavam abandonar seus nomes reais para facilitar o corte de laços com as pessoas que conheciam durante as missões e esquecê-las mais facilmente.
Mesmo que eu entendesse isso, e mesmo que pensasse, Devo sair daqui e cortar todos os laços, não conseguia fugir deste lugar. Se eu tivesse conhecido essas pessoas com meu nome verdadeiro, teria sido ainda mais difícil.
Pensei nas pessoas com quem trabalhei na organização, e naquelas que se alistariam no futuro.
Ninguém entrava à força. Ninguém trabalhava contra sua vontade. Eu tinha certeza de que havia alguns que se sentiam em conflito com seus trabalhos, mas todos estavam na organização porque queriam estar lá.
Então por que eu me sentia como se estivesse traindo os membros das operações especiais de Hagl e os futuros candidatos ao obter felicidade mundana?
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— Victoria, fiquei chocada ao saber esta manhã que Clark visitou sua casa em seu dia de folga. Sinto muito por isso — a Condessa Eva franziu a testa e se desculpou.
— Condessa Eva, tanto Nonna quanto eu ficamos felizes em vê-lo. Gostaríamos que ele viesse novamente algum dia, então, por favor, não ralhe com o Mestre Clark.
Quando o Mestre Clark ouviu isso, seu rosto se iluminou.
— Nós nos divertimos muito, não foi? — eu disse.
— Sim, nos divertimos! — respondeu o Mestre Clark.
— Bem, se você diz — acrescentou a Condessa Eva. — Sempre me preocupei que ele fosse introvertido demais para um menino. Quando meu marido e eu ouvimos que ele estava saindo da casca ultimamente, ficamos tão perplexos!
— Quer o Mestre Clark seja quieto ou ativo, ele é um garoto adorável.
— Nossa! Obrigada. — A Condessa Eva sorriu e passou para o próximo assunto. Eu ouvia e assentia quando apropriado. O Mestre Clark estava me olhando com adoração, mas fingi não notar.
Naquele dia, decidi conduzir minhas aulas no formato de uma peça de teatro.
Iríamos apresentar uma peça baseada em um dos contos de fadas deste reino, A Princesa Branca e o Lagarto Azul.
Na história, uma princesa de cabelos brancos se perde em uma floresta e encontra um lagarto azul preso em uma teia de aranha. O lagarto pode falar a língua humana e implora a ajuda da garota para derrotar uma bruxa malvada. A princesa resgata o lagarto da teia e se une a ele para derrubar a bruxa. Isso quebra a maldição que a bruxa havia colocado no lagarto azul quando ele tentou derrotá-la sozinho, e ele se transforma em um belo jovem. A história termina com o jovem pedindo a princesa de cabelos brancos em casamento.
— Tudo bem, quem quer interpretar o lagarto azul?
— Eu!
— Certo, o Mestre Clark será o lagarto azul. Quem quer interpretar a princesa?
— ...
— Hmm? Você não quer fazer isso, Nonna?
— Quero interpretar a bruxa. Você interpreta a princesa, Vicky.
— Mas a bruxa morre no final. Não chore, certo?
— Não vou.
— Certo, acho que terei que interpretar a princesa, então. Que pena... Eu realmente queria ver Nonna interpretando a princesa.
Depois disso, meu estômago quase se partiu de tanto rir.
Embora normalmente impassível, Nonna mergulhou em seu papel de bruxa malvada, imitando minha voz perfeitamente.
Hmm, ela só tem seis anos, mas tem talento para atuação, pensei, impressionada.
Tudo na performance de Nonna era adorável, desde a hostilidade que ela mostrou ao lagarto azul, até a maneira como aterrorizava a princesa enquanto dizia: "Vou pegar você, sua pirralha!"
Mesmo que as crianças estivessem um pouco nervosas porque precisavam dizer suas falas primeiro em ashburiano e depois em randallês, gostei de ouvir tanto a voz adorável e aguda de Nonna quanto a voz clara e infantil do Mestre Clark. Repetimos as falas várias vezes até que eles pegassem o jeito.
< Vuks es casertia comisuki, Priss? >
(Você se casaria comigo, Princesa?)
— Preste atenção na pronúncia do 'r' quando você diz 'casaria'. Tente torná-los um pouco mais claros, assim: < Casertia >. Sim, sim, isso mesmo!
Fiz o Mestre Clark praticar sua pronúncia da frase casaria em randallês várias vezes, só para perceber que seu rosto, orelhas e pescoço estavam vermelhos como fogo.
Uh-oh, eu errei. Aqui estava eu, uma plebeia mais velha e sua professora, pedindo ao meu jovem aluno aristocrático que dissesse "Casaria"! Isso poderia constituir assédio.
— Desculpe, me empolguei. Não deveria ter feito você pedir sua velha professora em casamento várias vezes.
— Não foi nada! A senhora não é nada velha, Srta. Sellars! E a senhora é muito linda!
Por alguma razão, Nonna fulminou o Mestre Clark com o olhar quando ele disse isso. De repente, ela se colocou entre nós e estendeu as mãos, gritando: — Não! A Vicky é minha!
Eu caí na gargalhada. Ela disse que eu era dela! Eu já havia imaginado que ouvir essa garotinha adorável dizer isso sobre mim me faria tão feliz? Não, certamente não!
— Srta. Sellars?
O sorriso de lado no meu rosto provavelmente parecia suspeito, e agora o Mestre Clark parecia preocupado.
— Desculpe. Fiquei simplesmente encantada ao ouvir Nonna dizer isso. Tudo bem, vamos voltar para quando eles se encontram pela primeira vez na floresta. Vou dizer todas as minhas falas em ashburiano, mas quero que vocês digam as suas em randallês!
Nossa apresentação de A Princesa Branca e o Lagarto Azul em randallês foi incrível.
Como professora, fiquei satisfeita que as coisas tivessem corrido tão bem. E mesmo que eles tenham cometido alguns erros, eram tão adoráveis que foi gratificante da mesma forma. Foi tão divertido, na verdade, que quase me senti culpada por estar sendo paga para fazer isso.
Ninguém passou pela sala enquanto praticávamos, mas quando fizemos uma pausa, a Condessa Eva e algumas criadas entraram.
— Parecia que vocês estavam se divertindo tanto que não pude deixar de ver o que estava acontecendo.
— Por favor, pare, Mãe. Prometo que estou estudando.
— Desculpe pela confusão, Condessa Eva — eu disse.
— Não, não foi nada. Só queria ver como era a aula! Os criados ficaram todos surpresos. Nunca ouviram Clark parecer tão feliz!
— Você nos mostraria, Mestre Clark?
— O quê? De jeito nenhum!
Eu estava dividida entre os dois lados e sem palavras, mas então Nonna se manifestou e começou a dizer as falas da bruxa em randallês.
< Suni lagortho atrevis! >
(Seu lagarto atrevido!)
— Nossa! Você é tão jovem, mas sua pronúncia é fantástica! Você começou a aprender randallês junto com Clark, certo? Estou impressionada!
Nonna ficou radiante ao ouvir os elogios da Condessa Eva, e o Mestre Clark fez um biquinho.
— Nonna, diga sua fala de novo. Então eu digo a minha — ele insistiu.
— Certo.
< Suni lagortho atrevis! >
< Umika protegur tha Priss! Umika nem devac vuks a machur! >
(Vou proteger a princesa! Não vou deixar você machucá-la!)
A Condessa Eva e as três criadas pularam e começaram a aplaudir.
— Clark, Nonna, foi maravilhoso! Sua pronúncia estava impecável! Diga, Victoria. O que você acha de continuar com as aulas dele mesmo depois que o Tio se recuperar? Se você conseguiu fazer Clark mostrar tanto entusiasmo tão rapidamente, você definitivamente tem talento para ensinar!
— Podemos, Srta. Sellars? Quero que a senhora seja minha professora para sempre!
— Bem, terei que consultar o Sr. Bernard primeiro...
Eu gostava tanto de dar aulas para Clark que não queria parar, mas devia ao Sr. Bernard, já que ele me contratou primeiro. Não podia dizer sim sem a permissão dele.
Felizmente, o Sr. Bernard concordou imediatamente.
Quando ele se recuperasse completamente, eu trabalharia como sua assistente seis dias por semana, com horas reduzidas nos dias em que desse aulas para o Mestre Clark.
— Tem certeza de que não será muito trabalho?
— Não é problema nenhum, Condessa Eva. Na verdade, é uma grande ajuda para mim, já que Nonna pode participar das aulas.
Fiquei radiante que ela estava construindo uma boa base para seu futuro. E ensinar línguas para eles era muito divertido para mim.
🃁 🂡 🂱 🃑
Naquela noite, o capitão visitou minha casa novamente.
Não tínhamos combinado de nos encontrar, então me perguntei o que o trouxe aqui. Ele me disse que o mistério por trás do ataque no baile foi resolvido de uma forma surpreendente.
— Só conseguimos prender o homem graças a você ter me alertado, então pensei em lhe contar o resultado — disse o capitão.
O homem na festa cometeu o crime por ressentimento de o marquês ter agredido sexualmente sua irmã. Ele usou quase todo o seu dinheiro para que uma organização criminosa o colocasse como criado no castelo, e passou um ano planejando sua vingança.
— Quando informamos o marquês sobre isso, ele disse: "Não me lembro de ter feito nada disso. Certamente, o homem só está com raiva por eu ter demitido uma criada com má atitude." Mas o homem confessou tudo. Até agora, ele permanecera em silêncio por preocupação com a honra de sua irmã.
— Agressão sexual...
— Segundo o perpetrador, o marquês nunca demonstrou interesse em sua irmã até que soube de seu noivado. Foi quando ele a atacou, e ela acabou rompendo o noivado. Ela ficou tão chocada com a agressão e com o coração partido pelo fim do noivado que adoeceu. Agora ela está confinada em casa.
— Isso é terrível! O marquês será levado à justiça?
— A versão oficial é que ele está sendo responsabilizado por causar a confusão no baile. Ele foi forçado a se aposentar e abdicar de seu título para seu filho. Ele também ocupava um cargo no Ministério das Finanças, mas Sua Majestade decidiu que seu filho não o herdará.
Bem, é assim que as coisas são.
— E o homem?
— Ele foi encontrado com uma faca envenenada nos terrenos do castelo real e tentou matar um marquês. Isso é crime capital.
— Entendo. Suponho que seja assim em todos os países, não é? A vida de um plebeu vale muito menos que a vida de um nobre.
O ar ficou solene, e o capitão se despediu de mim.
Naquela noite, passei muito tempo sozinha, pensando profundamente.
Traduzido por Moonlight Valley
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