As Multiplas Faces de VictoriaVolume 1 – Capítulo 9 – Capítulo 9: Um Vestido Rosa-Bebê
Capítulo 12Depois que Nonna, o Mestre Clark e eu terminamos com sucesso a peça A Princesa Branca e o Lagarto Azul em randallês, pensei que encerraríamos o aprendizado de línguas através de teatros, mas então a Condessa Eva disse:
— Adoraria que meu marido visse a peça. Queremos assistir!
Isso era natural, então concordei. Então as criadas trouxeram algo em que eu não havia pensado. — Se Sua Senhoria vai assistir, precisamos de figurinos!
— É apenas uma peça para a nossa aula de línguas, vocês não precisam fazer tudo isso...
— Ah, não é problema nenhum! Nosso alfaiate já está animado com isso! As criadas estavam conversando com ele, e eles já desenharam figurinos para vocês três!
A família Anderson tinha seu próprio alfaiate particular, é claro.
Suponho que para uma família tão rica como a deles, fazer figurinos para as crianças não seja grande coisa, pensei.
Um tempo depois, um alfaiate entregou os figurinos para nós. O Mestre Clark usava um figurino de lagarto feito de tecido azul, junto com uma fantasia elegante digna de um príncipe. Nonna tinha um vestido preto de bruxa e um chapéu pontudo, e ainda lhe deram uma varinha fofinha.
— Nonna! Ah, minha bruxinha! Nunca vi uma bruxa mais fofa que você. Esse vestido preto realmente realça seus cabelos loiros.
— Vicky, posso ficar com isso?
— Você gostou do figurino de bruxa? Vou perguntar à Condessa Eva se posso comprá-lo para você. Deixe comigo!
— Yaaay! Obrigada!
Agora, tudo isso era muito bom. No entanto, como eu interpretava o papel da princesa, continuei insistindo que usaria um vestido meu, mas a Condessa Eva não quis ouvir. Ela disse que o alfaiate faria para mim um vestido de princesa fofinho, costurado com tecido rosa.
— Condessa Eva, sou apenas a tutora! Esse vestido parece mais caro que os outros dois figurinos juntos. Sinto-me tão culpada que simplesmente devo insistir em usar meu próprio vestido...
— Você trouxe tanta alegria à nossa casa monótona, Victoria. Não é problema nenhum, prometo. Fazer este único vestido para você é o mínimo que podemos fazer! Por favor, não se preocupe. Bem, então preciso ir para meu trabalho de caridade! — disse a Condessa Eva com um sorriso e saiu correndo para seu compromisso.
— O que vou fazer...? — ergui os braços em vão quando a Condessa Eva saiu, então abaixei a cabeça com decepção.
Uma semana depois...
— Victoria, seu vestido de princesa está pronto! — Uma das criadas segurou um vestido rosa-bebê tão fofinho que senti meu rosto se contrair.
Isso é algo que uma garota adolescente usaria! Bem, suponho que a princesa está na adolescência...
As criadas me entregaram o vestido orgulhosamente. Eu estava completamente sem saber o que dizer.
— Você vai experimentá-lo e mostrar para todos? Mal posso esperar! — disse a Condessa Eva com alegria. Nonna e o Mestre Clark olharam para mim com expectativa. Eu não podia dizer não.
Se eu pudesse desmaiar sob comando, desmaiaria agora…
Arrastei-me para outro quarto para me trocar, desejando fervorosamente que de alguma forma eu perdesse a consciência. Quando terminei, rangei os dentes e voltei para o meio de todos.
— Vicky, você está tão bonita!
— Você está linda, Srta. Sellars!
As crianças me cobriram de elogios. A Condessa Eva e as criadas pareciam radiantes. Senti um suor frio me cobrir, mas contanto que todos os outros estivessem felizes, suponho que estava tudo bem. Eu estava rangendo os dentes com tanta força enquanto sorria que minha boca começou a doer.
— Ah, eu sei! Vou chamar o Jeff! Podemos fazer a peça no dia de folga dele!
Nãooooo, Condessa Eva! Eu queria gritar, mas de alguma forma consegui me conter.
Eu sabia que se dissesse: "Por favor — não quero que o capitão me veja neste vestido rosa-bebê", a Condessa Eva apenas me olharia com confusão e diria: "Mas por quê?" E eu não seria capaz de responder a essa pergunta.
Então, em vez disso, rangei os dentes ainda mais forte e concordei.
A Condessa Eva enviou um criado ao capitão para perguntar quando era seu próximo dia de folga, e marcamos a data e fizemos planos. Ela era extremamente competente como condessa. Mas naquele momento, eu desprezava sua eficiência.
— Ah, estou tão ansiosa! E você, Victoria?
— Sim... Mal posso esperar…
Do nada, fui lembrada de uma missão que tivera vários anos atrás.
Eu estava trabalhando disfarçada como criada na casa de um aristocrata de alto escalão no reino de Hagl. Passei cinco meses lá, trocando comunicações com nosso informante. Minha colaboradora era uma mulher que vivia na mansão e era candidata a se tornar a segunda esposa do nobre.
Ela tinha apenas vinte e dois anos na época. Tinha um rosto de bebê que me lembrava uma boneca, e traços bonitos. E ela ficava maravilhosa de rosa.
Um dia, a mulher finalmente conseguiu produzir evidências das irregularidades do nobre. Decidi ajudá-la a escapar antes que o homem descobrisse. Esperei impacientemente pela mulher em nosso ponto de encontro, e ela apareceu em um vestido rosa-bebê.
— Quantas vezes eu te disse para não usar nada que chame atenção? Você vai ter que usar isso quando viajarmos pela passagem da montanha.
— Vou me trocar, então.
— Não pode. Se ele te encontrar, vai te matar.
— Tudo o que você faz é me dizer que não posso fazer isso, não posso fazer aquilo! Estou cansada disso!
— Fique quieta! Se alguém nos encontrar aqui, estamos perdidas!
A mulher usou aquele vestido rosa-bebê enquanto fugíamos, reclamando, chorando e me xingando o tempo todo. No meio do caminho, fiquei tão irritada que comprei para ela um vestido comum de plebeia, mas então ela disse: "Estou muito cansada. Não consigo dar mais um passo!" e se recusou a se mover. "Ele me ama. Ele não vai me matar mesmo se me encontrar. Estou te dizendo, está tudo bem!"
Suprimi a vontade de gritar com ela e a consolei gentilmente, encorajei-a e peguei sua mão enquanto continuávamos a fuga. Seguimos para a capital de Hagl. Quando tudo terminou e a entreguei ao meu supervisor, fiquei chocada ao descobrir que tinha quatro aftas surpreendentemente grandes na boca de tanto ranger os dentes durante todo o caminho.
Comparado com aquela missão, isso não é nada, eu disse a mim mesma na tentativa de levantar meu ânimo.
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No dia da peça, o capitão apareceu na mansão Anderson carregando um enorme buquê com várias variedades de flores brancas e rosas.
— Flores para a Princesa Branca — disse ele, estendendo o buquê.
— Isso é incrivelmente gentil de sua parte, Capitão... mas a peça é para as crianças. Sinto-me mal por aceitar.
— Trouxe guloseimas para elas, é claro.
— Bem, nesse caso, vou aceitar. Obrigada.
— Victoria, você fica maravilhosa em seus vestidos de sempre, mas fica ainda mais linda de rosa.
Queria jogar tudo em um recipiente chamado "resistência", bater a tampa e atirar o negócio inteiro no fogo para esquecer assim que a peça terminasse. Estava mortificada.
Eu estava usando um vestido rosa-bebê fofinho adornado com fitas e babados aos vinte e sete anos de idade. Como eu poderia viver com isso?
De qualquer forma, a performance adorável das crianças encantou os adultos. Fiquei particularmente surpresa ao ver o Sr. Bernard, que geralmente era bastante estoico, tirar os óculos e enxugar os olhos com um lenço. A peça não era triste, e certamente não havia nada que justificasse lágrimas. Me perguntei se eu choraria assistindo a uma produção assim quando chegasse à idade dele. Olhei para ele com carinho.
O Lorde Michael Anderson, pai do Mestre Clark, também parecia completamente satisfeito.
— Victoria, foi verdadeiramente magnífico! Sua performance superou todas as minhas expectativas. Ficaria muito feliz se você continuasse como tutora de Clark por muito tempo.
— Isso mesmo, Victoria! — acrescentou a Condessa Eva. — Estou radiante de orgulho por tê-la convidado para ser sua tutora.
— Adoro ter aulas com a Srta. Sellars! — exclamou o Mestre Clark.
Aceitei com gratidão os elogios da família Anderson. Tive que admitir que me pegava pensando em um currículo para nossas aulas enquanto limpava a casa do Sr. Bernard. Meu trabalho como tutora era tão agradável que eu não conseguia evitar.
O capitão estava prestes a oferecer seus pensamentos sobre a peça, mas eu lhe lancei um olhar feroz que dizia: "Por favor, não diga uma palavra!" e ele fechou a boca.
Obrigada por ser tão atencioso, Capitão!
Naquela noite, meus dentes do fundo doeram intensamente, e doía tanto mastigar que Nonna ficou preocupada comigo.
A Condessa Eva concordou em deixar Nonna ficar com o figurino, e Nonna apareceu na residência principal usando o vestido de bruxa e o chapéu pontudo, deixando a Condessa Yolana e Susan em alvoroço.
— Por que vocês não nos convidaram?! — a Condessa Yolana me confrontou.
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Como o quarteirão leste era onde os nobres viviam, Nonna não tinha oportunidades de interagir com as crianças da vizinhança.
Os filhos de nobres começavam sua educação bem cedo, e quando saíam, sempre tinham um criado os acompanhando. Eles não brincavam com plebeus.
Então Nonna não tinha amigas da mesma idade. Isso vinha me incomodando há algum tempo. Eu queria deixá-la brincar com outras garotinhas, mas não tive amizades comuns quando criança, então não sabia como fazer isso. Queria pedir conselhos a alguém, mas tanto a Condessa Yolana quanto a Condessa Eva eram nobres ricas. Pensei que a criada, Susan, pudesse ter algumas palavras de sabedoria, mas ela me disse que começara a trabalhar para a Condessa Yolana quando Susan tinha dez anos e nunca tivera a chance de brincar com outras garotas da mesma idade também.
— Hmm...
— O que foi, Vicky?
— Queria ajudar você a fazer amizade com outras garotinhas da sua idade, mas não sei como.
— Prefiro treinar. Gosto de treinar.
— Mas você treina o tempo todo.
— Mais. Quero treinar mais.
— Quer? Bem, vamos treinar hoje, então?
— Yaaay!
Já tínhamos essa conversa três vezes, mas eu estava preocupada em não estar fazendo o suficiente por ela.
Eu já a ensinara a cozinhar, costurar, conversar em língua estrangeira e subir em árvores. As outras habilidades que eu poderia ensinar, mas ainda não tinha ensinado, incluíam escrever e decodificar cifras, forjar documentos, fazer disfarces e arrombar fechaduras.
Não, não. Não posso ensinar essas coisas a ela. Se ela aprendesse essas habilidades, poderia ceder à tentação um dia e se envolver em algo ruim. Toda a sua vida…
Eu estava completamente perdida, então toda vez, apenas dizia: — Certo, que tal treinarmos hoje?
Hoje, fomos ao quintal de uma casa vazia ao lado. Eu estava demonstrando como usar um pedaço de pau para autodefesa.
— Tudo bem. Vou vir na sua direção devagar com o pau. Você desvia.
— Certo.
Nonna fez como eu disse e se agachou ligeiramente, com os pés afastados. Balancei lentamente o pau na direção dela. Fiz de cima para baixo, da esquerda para a direita. Cada vez, Nonna desviava com agilidade. Aumentei gradualmente a velocidade, e quando ela se sentiu confortável com isso, adicionei outros movimentos, como varrer o pau horizontalmente, diagonalmente, ou até mesmo um empurrão lento no final.
Em algum momento, Nonna ficou animada, e um leve sorriso apareceu em seu rosto enquanto ela desviava dos ataques. Nesse momento, ela executou suavemente uma cambalhota lenta para trás.
— Uau — não pude deixar de murmurar. Nonna completou outra cambalhota para trás perfeita e se agachou novamente, pronta para o próximo ataque. — Você é realmente talentosa, Nonna.
— Yaaay!
Alguém poderia dizer: "Você chama isso de talento?" mas era verdade; Nonna era fisicamente talentosa em comparação com outras crianças. Ela mostrava poucos sinais de cansaço mesmo após longas sessões de treinamento. Isso porque ela se movia sem desperdiçar esforço. Ela era naturalmente assiml.
Havia muitos candidatos quando comecei a treinar na academia da organização, mas muitos desistiram. Havia várias razões para isso, como ter muito medo ou não conseguir lidar com o treinamento rigoroso, mas a verdade inegável era que algumas crianças simplesmente não nasceram para isso. Essas crianças encontravam trabalho como criadas em famílias nobres. Embora esses tipos de trabalho não fossem de forma alguma livres de dificuldades, pelo menos permitiam que as crianças retornassem a uma vida um pouco normal.
— Tudo bem, agora é sua vez de me atacar com o pau.
— Entendi. Lá vou eu, Vicky!
— Pode vir.
Nonna balançou o pau em minha direção com toda a sua força e eu desviei por pouco. O sorriso de Nonna havia desaparecido. Ela devia ter achado frustrante não conseguir me tocar, não importa o que fizesse.
Já que estávamos nisso, decidi não me segurar. Era um bom exercício. Continuamos treinando até o anoitecer.
— Isso foi divertido!
— Sério? Que bom que você gostou.
Caminhamos de mãos dadas para casa. Senti como a mão de Nonna era pequena e macia enquanto andávamos.
— Posso te ensinar muitas coisas, Nonna.
— Sim!
— Que tal tomarmos um banho agora?
— Vamos tomar banho juntas!
— Certo. Vou lavar seu cabelo.
— Vou lavar o seu também!
— Obrigada.
Caminhamos para casa juntas, com os cabelos úmidos de suor. No caminho, encontramos a Condessa Yolana, que estava junto aos canteiros de flores.
— Nossa, vocês estão pingando! O que vocês estiveram fazendo? — exclamou ela com surpresa. Mas Nonna apenas riu e correu para a casa de hóspedes, gritando: — É segredo!
Ofereci um sorriso irônico e acenei antes de segui-la. Quando entrei, Nonna e eu nos olhamos e caímos na risada.
— O treino foi divertido — eu disse.
— Sim! Agora vamos nos preparar para o banho — respondeu Nonna.
Depois que tomamos banho e jantamos, deitei-me na cama com ela. Adormeci sentindo gratidão por este tempo maravilhoso juntas, desejando silenciosamente que esses dias pacíficos e felizes pudessem durar para sempre.
Traduzido por Moonlight Valley
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