As Multiplas Faces de Victoria — Capítulo 17: Volume 1 – Capítulo 13 – Capítulo 13: A Vida na Fazenda

As Multiplas Faces de Victoria
Cap. 17
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As Multiplas Faces de Victoria

Volume 1 – Capítulo 13 – Capítulo 13: A Vida na Fazenda

Capítulo 17

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Assim que a febre de Nonna baixou, comprei a menor carroça disponível.

Quando ela se recuperou completamente, agasalhei-a e a coloquei na carroça, viajando o máximo que podia enquanto ainda havia luz do dia. Ao passarmos pelo posto de fronteira em direção a Randall, Nonna mastigava frutas e petiscos despreocupadamente na plataforma de carga.

No momento, eu estava disfarçada como uma mulher de cabelo preto chamada Maria. Nonna era meu filho de cabelo preto chamado Lyle.

Peguei o nome Maria da minha pesquisa sobre a situação da verdadeira Victoria. Maria também era uma pessoa desaparecida. Ela entrou em Ashbury vinda de Randall há oito anos e nunca voltou. Ela era dois anos mais velha que eu na época, e não tinha filhos.

Como Maria tinha cabelo preto, eu não pensei originalmente que essa informação seria útil, então quando encontrei aquele cabelo preto longo na feira livre, fiquei radiante.

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Enquanto viajávamos por Randall, tentei explicar minha situação da maneira mais honesta possível para Nonna.

— Então você fugiu, Vicky?

— Sim. Meu antigo emprego não deixava ninguém sair. Foi por isso que precisei da peruca e tive que mudar de nome. E foi por isso que tivemos que nos mudar. Fugi do meu antigo emprego, então meus ex-colegas podem estar com raiva e vir atrás de mim. Sinto muito por não poder te dar uma vida pacífica e estável, Nonna.

— Tudo bem. Agora podemos ir a todo tipo de lugar juntas.

— ...Obrigada. Além disso, você vai me chamar de Maria a partir de agora em vez de Vicky?

Nonna ponderou sobre isso e então respondeu: — Posso te chamar de Mãe? Se eu te chamar por outro nome, posso esquecer e te chamar de Vicky sem querer.

Fiquei tão chocada e radiante ao ouvi-la dizer isso que a abracei e acenei com a cabeça repetidamente. Antes disso, eu simplesmente não conseguira criar coragem para perguntar se ela me chamaria de Mãe.

— Sim. Sim, claro que pode me chamar de Mãe! Muito obrigada.

— Hã? Por que você está chorando?

— Só porque sim.

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Naquele momento, estávamos vivendo em Randall em uma fazenda de ovelhas. Começamos a ficar lá no outono, o clima perfeito para castanhas assadas. Três meses haviam se passado desde então, e agora um vento frio soprava do norte enquanto o inverno se instalava.

Nosso aluguel não era muito alto, e era muito conveniente poder viver e trabalhar na mesma propriedade. O quarto de criado em que ficamos era bem aquecido e bastante limpo. Frequentemente ganhávamos carne de carneiro para comer.

Nosso quarto tinha um grande fogão a lenha que tinha uma chaminé e podia ser usado para cozinhar. A cama era cheia de palha e cheirava a sol. O edredom era luxuoso, feito de lã, e era quente e aconchegante.

A esposa do fazendeiro me ensinou como cuidar das ovelhas e como fiar e tingir a lã. — Você aprende rápido e trabalha duro — ela disse, elogiando-me.

— Obrigada — eu disse. — Gosto de trabalho que usa as mãos.

Nonna me ajudava durante o dia, dando água fresca às ovelhas e limpando o celeiro. Quando se cansava, brincava com os cordeiros. Toda noite, ela usava fio de lã para fazer uma versão de lã de renda de bilros. Ela juntava os muitos padrões que fazia para criar sousplats para o sofá e uma colcha de cama.

— Você acha que poderíamos vender isso, Mãe?

— Você quer vender?

— Sim. Quero ganhar dinheiro.

— Posso ganhar nosso dinheiro para nós.

— Mas quero vendê-los.

— Quer? Espero que seja vendido por um bom preço, então.

Mina, a esposa do fazendeiro, estava no final dos cinquenta anos. Ela percebera que estávamos passando por um momento difícil e nos ofereceu um emprego e um lugar para viver. Às vezes, ela dizia: — É uma pena que alguns homens sejam violentos com suas esposas. — Parecia que ela pensava que estávamos fugindo de um marido abusivo. — Quando a primavera chegar, vou te mostrar como tosquiar as ovelhas.

— Obrigada, Mina. Mas estamos planejando nos mudar novamente na primavera. Sinto muito por termos que ir embora tão cedo, depois de tudo o que a senhora nos ensinou.

— Oh? Sinto muito em ouvir isso. Vai ficar solitário por aqui.

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Eu adorava trabalhos detalhados, então comprei um pouco de lã de Mina e a fiei em fio. Usei sucos de plantas para tingir o fio e tricotei suéteres. Não tricotava desde que estava na academia, quando uma colega de quarto me ensinou. Mesmo que isso fosse há mais de uma década, meus dedos se lembravam.

— Mãe, esse padrão é tão bonito!

— Obrigada.

— É só isso que você diz, Mãe.

— Acho que é. Porque realmente quero dizer isso.

O suéter era azul-escuro com um padrão de floco de neve branco ao redor da gola e dos punhos. Pensei que era bastante fofo.

Antes que eu percebesse, tricotei dez suéteres em três meses.

A colcha que Nonna fez também estava pronta. Ela usou a lã para tecer a renda de bilros e, embora tivesse muitos espaços por onde o ar podia passar, era estranhamente macia e quente quando você a usava em volta dos ombros ou no colo.

— Vamos a uma cidade grande para vender? Tenho certeza de que sua colcha vai render um bom preço — eu disse.

— Podemos mesmo fazer isso?

— Além da peruca, podemos usar chapéus, e cobrirei minha boca com um lenço, então vai ficar tudo bem. Sou a única com quem você fala todos os dias. É importante que você interaja com outras crianças de vez em quando.

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E assim levei Nonna a uma cidade grande a cerca de duas horas de carroça. Fizemos muitas compras, e então procurei uma loja que pudesse aceitar meus suéteres. Entrei em uma loja que estocava itens do dia a dia, como suéteres, e comprei várias roupas novas para Nonna. Depois que paguei ao balconista, eu disse: — A senhora compra e vende suéteres feitos à mão aqui?

A mulher assentiu com um sorriso alegre. — Depende do suéter, suponho. A senhora tem algum com você?

— Sim. A senhora gostaria de dar uma olhada?

— Claro.

Coloquei os dez suéteres sobre o balcão, e a balconista comprou todos por um bom preço.

— Estes definitivamente vão vender. Se a senhora planejar tricotar mais, traria aqui para que eu possa colocá-los na loja? E a senhora me daria aquela colcha por oito pequenas moedas de prata?

— Sim! Eu vou! — Nonna exclamou antes que eu pudesse responder.

— Hmm? Espere, foi você que teceu isso?

— Sim, ela fez todos os padrões — eu disse. — Nós os juntamos.

— Você usou renda de bilros, não usou? É impressionante que você tenha feito uma colcha tão grande.

— Trabalhei muito! — O randallês de Nonna era tão bom quanto seu ashburiano.

No total, vendemos os dez suéteres por vinte e quatro moedas pequenas de prata e cinco moedas grandes de cobre. Fiquei surpresa que Nonna conseguiu ganhar oito moedas pequenas de prata por sua colcha. Parecia que Nonna havia ganhado outra carta para jogar, o que me encantou.

Depois, nós duas fomos a uma padaria de aparência elegante. Nonna sorriu enquanto me dizia o que queria.

— Quero um pedaço de bolo com um monte de chantilly!

Nós duas comemos nosso bolo, e ela perguntou: — Para onde vamos depois?

Eu sabia que ela estava ciente de que eu me sentia culpada por ter que me mudar tanto. Ela era uma garota inteligente. Às vezes, eu gostaria que ela reclamasse.

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Jeffrey estava conversando com o primeiro-ministro em seu escritório.

— Parece que Victoria era uma espiã de alto escalão de Hagl. Ela desertou, e foi por isso que enviaram os assassinos atrás dela.

— Uma espiã de alto escalão...

— Sim. Pelo que Sua Majestade está preocupado, Victoria era uma cidadã de Randall que foi morta por Hagl por razões desconhecidas.

Por quê? Jeffrey perguntou ao primeiro-ministro em silêncio.

— Se as pessoas de Hagl descobrirem que Victoria ainda está viva, vão continuar enviando assassinos para o nosso reino. Não queremos esse tipo de problema. Então estamos dizendo a Hagl, de forma indireta, que sabemos que eles estavam enviando assassinos para cá, para dar um aviso.

— ...

— Falei com a Terceira Ordem apenas para ter certeza, mas eles disseram que se precisarem de qualquer informação sobre Hagl, eles têm os quatro assassinos, então não estão interessados na mulher desaparecida.

O primeiro-ministro empurrou os óculos para cima do nariz.

— Oficialmente, nosso reino não sabe sua verdadeira identidade. Uma mulher de Randall foi morta por homens de Hagl e isso é tudo.

Depois de limpar a garganta, o primeiro-ministro disse a Jeffrey em um tom de voz estranhamente dramático: — Então? Você sabia da verdadeira identidade dela ou não?

— Eu tinha uma vaga ideia. Sinto muito por não ter lhe contado sobre isso.

— Deve ser minha idade, mas não ouvi direito. O que foi? Você não tinha ideia sobre sua verdadeira identidade?

— Não, não tinha provas, mas tinha uma vaga ideia.

O primeiro-ministro soltou um suspiro profundo. — Apenas diga que você não sabia. Há uma coisa chamada ser honesto demais às vezes, sabe.

Apesar disso, Jeffrey não retiraria sua declaração.

— Honestamente. Muito bem, então. Você deve ser punido. Aguarde sua sentença em casa. E está proibido de falar sobre o caso de Victoria novamente.

— Sim, senhor.

Jeffrey foi ao seu escritório para pegar suas coisas, com a cabeça cheia de pensamentos.

Victoria havia desaparecido pouco antes dos assassinos aparecerem. Ela pode não estar ciente de que sua localização havia sido descoberta por Hagl e que o esquadrão de assassinato estava atrás dela. Ela não teria deixado a Condessa Yolana lá em possível perigo se soubesse. Ela ainda devia estar escondida, sem saber que a versão oficial era que ela havia morrido. Ele simplesmente não conseguia se conformar com isso.

No dia seguinte, Jeffrey foi dispensado de seu cargo de capitão e transferido para uma função completamente diferente. Tornou-se o administrador de segurança do ducado onde ficava uma grande cidade portuária chamada Haydn. Haydn era o ponto que gerenciou as operações de exportação de madeira. Os jovens membros da Segunda Ordem se despediram dele com rostos tristes.

— Quero que todos continuem trabalhando duro.

Alguns deles derramaram uma lágrima quando Jeffrey disse isso a eles.

A transferência significava desaparecer do olho público na capital, então podia ser vista como uma rebaixamento. Mas Jeffrey pensou nisso como um castigo brando.

Não havia nada a ser feito sobre a transferência, e de fato, talvez ele devesse ter renunciado por conta própria. Afinal, sua intenção inicial tinha sido renunciar para poder viver com Victoria. E agora que Victoria havia ido embora, esses planos haviam mudado.

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Na propriedade Asher, Jeffrey curvou profundamente a cabeça para seu irmão mais velho.

— Sinto muito por tudo que acontec—

— Ah, não se preocupe com isso. Eu só cuido de tarefas diversas no castelo, então o que aconteceu com você não vai me afetar negativamente. Não se preocupe com isso e apenas faça o seu melhor no seu novo emprego com a consciência tranquila. Mais importante, você está bem? Você perdeu um pouco de peso.

— Estou bem.

— Entendo. Bem, o clima lá é temperado. Você deveria aproveitar a oportunidade para relaxar um pouco.

— Obrigado.

Edward observou seu irmão mais novo partir, sentindo-se muito pensativo.

A declaração oficial sobre este incidente foi: "Uma viajante de Randall foi morta por uma quadrilha de ladrões hagelianos dentro de nossas fronteiras. Os ladrões foram tratados pela guarda de um nobre. Foi extremamente problemático para nosso reino." Era bom que eles pudessem protestar e indicar que Hagl estava em dívida com eles por esta.

Mas como Victoria não foi encontrada, não há como contar a ela sobre os detalhes do acordo.

Edward não sabia o que fazer, mas convenceu-se de que tudo daria certo e parou de pensar sobre isso por enquanto. Ele tinha muitas coisas para fazer, afinal.

Um dos assassinos capturados era um informante. Havia apenas uma pessoa entre a Terceira Ordem além dele mesmo que sabia dessa informação. O assassino era o que servia como vigia e estava buscando asilo neste reino. Ele precisava considerar seu destino e encontrar o próximo informante.

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Jeffrey montou seu cavalo favorito até o escritório no ducado onde seria empregado.

— Bem-vindo ao nosso domínio, Diretor. Meu nome é Hamms, e tenho gerenciado o território até agora. Prazer em conhecê-lo.

Hamms era um homem no início dos cinquenta anos. Ele tinha cabelo curto castanho e um corpo tonificado. Seu sorriso era gentil, mas ele parecia o tipo de homem que você não queria irritar.

— O duque está esperando por você, Diretor.

— O quê?

Haydn era um porto muito importante, e o território havia sido reservado para ser assumido um dia pelo segundo príncipe quando ele se tornasse duque. No entanto, Cedric ainda era um príncipe. Então quem é o duque? Jeffrey se perguntou.

— Ei, Jeffrey! Meu irmão está realmente decepcionado por ter perdido você — ouviu uma voz alegre.

— Príncipe Cedric!

Um homem bonito e musculoso com cabelo loiro e olhos azuis caminhou lentamente para fora do escritório da administração.

— Não sou mais um príncipe. Decidi finalmente levar as coisas a sério, então vou trabalhar na administração deste território a partir de agora.

— Ah, entendo...

— Isso não pareceu muito entusiasmado! Ah, quase me esqueci; deixe-me apresentar minha noiva! Ei, Beatrice!

Jeffrey estreitou os olhos para a mulher, pensando: Ele está noivo de uma mulher diferente que tem o mesmo nome de sua última noiva?

Ele se lembrava de Beatrice sendo magra como um graveto, mas agora seu corpo era mais cheio, e suas bochechas brilhavam enquanto ela corria em direção a eles.

— Sr. Asher! Há quanto tempo.

— Você não está surpreso, Jeffrey? Quando ela soube que eu estava me mudando para o ducado, ela disse: "Ainda não tenho noivo, então me faça sua esposa!" Ela ficou tão mais forte agora; quase não a reconheci.

Ouvindo isso, Beatrice sorriu e continuou: — Ele rompeu nosso noivado porque eu era tão fraca e doentia. Fiquei arrasada e disse a mim mesma: "Vou ficar forte e saudável para poder mostrar a ele!" Trabalhei muito para poder rivalizar com a futura esposa de Cedric. Mas quando ouvi que ele não estava noivo e havia escolhido renunciar ao título, soube que tinha que fazer algo! Então decidi pedi-lo em casamento! Tee-hee!

Cedric olhou para Beatrice com adoração.

— Sabia que seria tolice dispensar uma mulher com tanta determinação! — Ele parecia verdadeiramente feliz. — Este território vê muitas pessoas entrando e saindo. Incluindo o festival de verão de Cadiz, há muitas coisas para ficar de olho. Até agora, Hamms fez um trabalho maravilhoso administrando as coisas, mas a partir de agora, vou trabalhar duro pela prosperidade e paz do domínio.

— Apoiarei o senhor com o melhor das minhas habilidades, Vossa Alteza.

Cedric e Hamms assentiam enquanto Jeffrey se curvava para eles.

Gerenciar um território com um alto fluxo de estrangeiros não será fácil. Não podemos baixar a guarda, ou mercadorias ilegais podem começar a circular. Gostaria de começar a me familiarizar com as coisas hoje, sob a orientação de Hamms.

Jeffrey olhou para o jovem casal apaixonado enquanto se endireitava, determinado a se concentrar em seu trabalho.

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As ovelhas davam à luz no início da primavera. Ovelhas que você nem sabia que estavam grávidas no início do inverno de repente ficavam com barrigas grandes quando a primavera se aproximava.

Nonna e eu estávamos ocupadas garantindo que as ovelhas mães fizessem bastante exercício. No inverno frio, as ovelhas grávidas não saíam do celeiro voluntariamente. Os cordeiros dentro delas ficavam grandes demais, os músculos das mães ficavam fracos, e isso tornava o parto mais perigoso.

— Venham aqui! Venham aqui! — Nonna ficou no extremo da fazenda e chamou as ovelhas. Eu andei atrás delas com um grande bastão e o balancei lentamente para guiá-las para longe, em direção a Nonna. Basicamente, eu era a vilã da situação.

As ovelhas mães se viraram e me olharam feio enquanto andavam lentamente.

— Vocês conseguem! Vão, façam bastante caminhada!

Nonna pulava e fazia cambalhotas tanto que pensei que ela provavelmente estava se exercitando mais do que as ovelhas.

Exercitamos as ovelhas grávidas por cerca de uma hora e depois as colocamos de volta no celeiro. Nonna abriu os dois braços e espantou as ovelhas mães, mas elas estavam felizes em voltar para dentro, então não precisaram de muito incentivo.

A esposa do fazendeiro veio e foi verificar cada uma. — Esta parece que vai dar à luz esta noite — ela disse.

Quando uma ovelha ia dar à luz, todos da fazenda esperavam no celeiro. Para partos difíceis, eles se revezavam para garantir que a mãe e o bebê sobrevivessem.

— Mãe, quero ver o cordeirinho nascer.

— Hmm, vai haver muito sangue, no entanto. Você não vai ficar com medo?

— Acho que não.

— Tudo bem, vamos perguntar a Mina. Você tem que prometer que não vai atrapalhar ninguém.

— Certo!

Mina nos deu permissão, então Nonna e eu fomos colocadas de plantão depois do jantar.

O celeiro tinha um fogão a carvão e uma chaminé, então não fazia tanto frio lá dentro. Colocamos nossas cadeiras perto do fogão. Tricotei à luz da lamparina a óleo, enquanto Nonna lia livros.

Verifiquei as ovelhas mães de vez em quando enquanto tricotava. Em determinado momento, a mãe começou a se levantar e andar de um lado para o outro.

— Nonna, acho que ela está prestes a ter o cordeirinho. Vá chamar a Mina.

— Certo.

Nonna vestiu o casaco e correu para fora do celeiro, depois voltou com Mina e seu marido. Depois de um longo período de balidos dolorosos, ficar de pé e sentar, a ovelha finalmente deu à luz um cordeiro. Mina limpou o bebê, que havia caído na palha, e seu marido o esfregou com um pano seco para massageá-lo.

Nonna observou o trabalho de parto doloroso da ovelha de perto. Seus olhos se arregalaram, e vi tensão em seus ombros. Quando o cordeiro finalmente baliu, levou mais de meia hora para ficar de pé, e então Nonna bateu palmas.

O cordeirinho pressionou o focinho contra a barriga de sua mãe, procurando leite. Assim que encontrou, começou a beber com avidez.

O momento em que uma nova vida vem ao mundo é muito precioso. Senti-me um pouco sobrecarregada, e disse silenciosamente à mãe: Obrigada pelo seu trabalho duro. Você fez um trabalho maravilhoso. Nonna observou o cordeirinho mamando em sua mãe com olhos brilhantes.

Agora que a família de ovelhas estava segura e acomodada, voltamos para nosso quarto.

— A ovelha mãe trabalhou muito, não foi? Mas devemos ir dormir agora. Não falta muito para o amanhecer — eu disse.

— Estou cansada.

— Vamos dormir juntas esta noite.

— Certo!

Deitamo-nos na cama cheia de palha e nos cobrimos com nosso edredom de lã.

— O cordeirinho era tão fofo.

— Era maior do que eu imaginava.

— A mamãe parecia estar com tanta dor.

— Sim, ela estava — eu disse.

Nonna ficou em silêncio então, e pensei que ela tivesse adormecido, mas ela ainda estava acordada. — Será que minha mãe que desapareceu também sentiu dor.

— Quando ela deu à luz você? Tenho certeza de que sim. Nenhum parto é indolor.

— Você acha que ela trabalhou tão duro para me dar à luz?

— O trabalho de parto humano pode levar ainda mais tempo.

— Uau.

Eu não tinha certeza do que dizer a ela, então decidi manter a simplicidade. — Sua mãe trabalhou muito para trazê-la a este mundo, Nonna.

— Sim.

— E você trabalhou muito para nascer.

Ela não respondeu. Desta vez, ela realmente estava dormindo. Acariciei seu cabelo loiro macio e puxei seu corpo pequeno para perto do meu. Ela era tão quente.

— Obrigada por ter nascido, Nonna. Fico muito feliz por ter te conhecido — sussurrei.

Eu ainda não pensava muito bem da mãe de Nonna, que a abandonara. Eu nem sabia como a mulher era, mas pela primeira vez, pensei: Obrigada por ter dado à luz Nonna.

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As ovelhas pareciam tão felizes enquanto comiam a grama macia da primavera. Um dia, quero ter minhas próprias ovelhas, pensei sonhadora.

Eu me estabeleceria em um lugar e criaria ovelhas, as tosquiaría, fiaria sua lã em fio, tingiria e tricotaria coisas para vender. Eu seria capaz de ter uma vida assim?

No final da primavera, Nonna e eu aprendemos a tosquiar as ovelhas. Usamos enormes tesouras para cortar cuidadosamente a lã sem ferir a pele delas. Elas pareciam muito menores sem a lã. Depois de tosquiadas, colocamos os coletes de pano que Mina fizera para elas para que não sentissem muito frio. Depois de ajudar com isso, nos despedimos da fazenda depois de viver lá por vários meses.

— Tchau! Tchau! — Nonna sorriu amplamente enquanto acenava para Mina. Eu acenei também, curvando a cabeça e agradecendo repetidamente.

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Desta vez, nos mudamos para a borda sul de Randall, para uma vila de pescadores perto de Ashbury. Eu estava trabalhando em um restaurante e pousada na cidade movimentada. Era um grande local de trabalho com muitos funcionários, e meu trabalho era limpar o lugar, mas ajudava no que podia quando faltava pessoal.

— Ter alguém tão enérgico como você é de grande ajuda.

— Obrigada, senhora. E obrigada por nos dar um quarto para ficar também.

— Claro. A propósito, Maria. Sobre aquele suéter que você me deu antes. Se eu pagar, você tricotaria um para meu marido também?

— Sim, adoraria.

— É tão elegante, e você vende mais barato do que nas lojas. Posso pedir outro também.

— Então a senhora quer dois suéteres? Vou tricotá-los o mais rápido possível.

— Ah, não há pressa! Só gostaria de poder usá-lo neste inverno.

— A senhora tem preferência de padrão?

— Deixo com você.

Fiquei feliz por ter a oportunidade de ganhar um pouco mais de dinheiro. Aliás, os Anderson, o Sr. Bernard e a Condessa Yolana tinham sido muito generosos com seus pagamentos. No momento, tudo o que eu conseguia fazer era ganhar o suficiente para comermos. Um dia, gostaria de agradecê-los e me desculpar com eles. Mas por enquanto, eu tinha que continuar trabalhando duro para sobreviver.

Até agora, Nonna não gostava de peixe, mas depois que nos mudamos para Alde, ela me disse que o peixe daqui era gostoso e o comeu com alegria. Isso era uma coisa boa.

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Nonna e eu estávamos limpando o lado de fora do restaurante um dia quando a mulher que administrava a padaria ao lado nos chamou. — Maria, vocês duas vão ao festival de verão em Cadiz?

— O quê? Cadiz? Isso é em outro reino, não é?

— Sim, mas só naquele dia, barcos partem daqui para Cadiz. Muitas pessoas vão ao festival, e há tantas lojas e coisas divertidas para fazer. E graças ao serviço de balsa temporário, podemos chegar a Ashbury facilmente sem ter que passar por um posto de fronteira. Você tem que mostrar documentos de identificação ao embarcar e ao chegar, no entanto.

— Entendo.

— Quero ir! Mãe, por favor! Quero ir ver o festival!

— Hmm... — respondi vagamente, então Nonna não insistiu mais no assunto na frente da mulher.

Tentei evitar discutir planos futuros ao falar com outras pessoas. No entanto, este era o festival de verão que o capitão e eu planejávamos visitar juntos.

Mas eu havia desaparecido sem uma palavra para ele. Seria egoísta demais da minha parte me perguntar se ele se lembrava de nossa promessa. Afinal, ele estava exausto tentando encontrar aquele prisioneiro fugitivo que eu ajudara a libertar na época. Ele provavelmente nem se lembrava disso.

Pensei que a conversa havia terminado, mas naquela noite, quando estávamos sozinhas na cama, Nonna me perguntou novamente.

— Mãe, quero muito ir ao festival.

— Certo. Vamos, então.

— Tem certeza? Você não vai ficar brava?

— Claro que não. Será minha primeira vez em um festival.

— Sério? Mesmo você sendo adulta?

— Sim. Agora vamos dormir. Temos que acordar cedo amanhã.

— Certo.

Naquela noite, tive dificuldade para dormir.

Faltavam três semanas para o festival de verão. Durava da tarde até a noite, e se houvesse tantas pessoas quanto ela dizia, certamente ninguém nos notaria se usássemos nossas perucas.

Eu não queria que ninguém nos descobrisse, mas ao mesmo tempo, rezava: Por favor, lembre-se da promessa que fizemos naquele dia e venha nos encontrar, mesmo que não pudéssemos voltar à nossa antiga vida se nos reuníssemos com o capitão agora.

Desde quando me tornei alguém que pensa em coisas tão irracionais?

Provavelmente estou apenas cansada. Tenho trabalhado tanto que meu cérebro não está funcionando direito, pensei e fechei os olhos.

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Quando eu estava na organização, recebia ordens, trabalhava e era elogiada, e estava contente com essa vida.

Mas agora que estava livre, era uma vida muito solitária e difícil. Desde que saímos da capital de Ashbury, havia uma parte de mim dentro que não parava de dizer: Estou sozinha, estou sozinha! repetidamente como uma criança mimada.

Será que esse sentimento iria embora se eu voltasse para a Força de Operações Especiais?

Mas eu nunca ouvira falar de ninguém que tivesse desertado da organização, e mais importante, nunca ouvira falar de ninguém que tivesse voltado. Ultimamente, porém, eu vinha tendo pensamentos tolos como Talvez eu possa simplesmente voltar e aceitar qualquer punição que eles derem. Até serei faxineira neste ponto. Se eu não tivesse Nonna comigo, provavelmente teria acabado voltando para Hagl com o rabo entre as pernas. Eu sabia agora que minha vida naquela época não fora feliz. Mas pensei várias vezes que poderia ser mais fácil do que estar tão triste e sozinha o tempo todo.

Nunca devo deixar Nonna chegar perto daquele lugar.

Meu cérebro não estava pensando muito claramente ultimamente, mas pelo menos eu sabia disso. Nonna era o que me mantinha firme.

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— Mãe, acorde. Mãe!

— Hmm? Mm? Dormi demais? Desculpe, vou preparar o café da manhã agora mesmo.

— O que há de errado?

— Hã?

— Seus olhos estão vermelhos.

Corri até o velho espelho embaçado que ficava no canto do quarto e vi meus olhos inchados e vermelhos de chorar e falta de sono.

— Não consegui dormir muito esta noite.

— Hã.

Preparei rapidamente alguns ovos fritos e aqueci a sopa de legumes que sobrou da noite anterior. Cortei algumas fatias de pão do dia anterior, e Nonna o aqueceu no fogão para mim, dizendo: — Quente! Quente!

— Agora, vamos ter um bom dia de trabalho hoje!

— Sim!

Dei a Nonna um beijo em sua bochecha macia, que tinha um leve cheiro de leite doce, e então fomos para o restaurante limpar a pousada.

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Trabalhávamos durante o dia e à noite eu tricotava. Ficava acordada até tarde até cair na cama de exaustão, dormia, e então acordava para fazer tudo de novo. O tempo voou, e antes que eu percebesse, era o dia do festival de verão em Cadiz.

Meu turno no restaurante terminou mais cedo hoje.

— Ninguém vai aparecer mesmo se mantivermos o lugar aberto — disse a gerente. — Todo mundo está embarcando na balsa para ir a Cadiz. Se vocês duas não se apressarem, não vão conseguir um bom lugar para ver as belas paisagens.

— A senhora tem razão.

Nonna ouviu a mulher com um rosto sério.

— Algumas centenas — não, talvez alguns milhares? — de pequenos barcos serão iluminados com velas e flutuarão no mar. Você tem que ver pelo menos uma vez na vida. É simplesmente lindo. Tenho certeza de que vocês vão voltar tarde, então podem folgar amanhã. Você não teve um único dia de folga desde que chegou aqui, Maria.

— Obrigada, vou aproveitar a oferta.

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Naquela noite, nós duas vestimos nossas perucas pretas e embarcamos no barco de pesca. O sol de verão ainda não havia se posto, e ainda estava claro lá fora. Paguei nossa passagem, e entramos no barco. Os pescadores locais queriam ganhar dinheiro, então puxaram seus barcos para o cais, pegaram pessoas de Randall e depois partiram. O barco era pequeno, com quatro pessoas remando e oito passageiros.

Todos estavam animados, mas eu estava nervosa.

O capitão virá? Ele se lembrará da promessa que fizemos?

Não. Desapareci sem lhe contar. Não deveria ter expectativas irracionais. Balancei a cabeça, tentando afastar esses pensamentos. Queria focar em Nonna se divertindo esta noite. Virei-me para ela com um sorriso.

— Você está animada para o festival?

— Sim! E você, Mãe?

— Sim, muito.

Chegamos ao porto de Cadiz em menos tempo do que eu esperava. Vários barcos grandes nos ultrapassaram no caminho, e já podíamos ver as luzes de inúmeras velas balançando ao longe.

Os remadores levaram nosso pequeno barco até a costa. Finalmente, chegamos ao porto, e Nonna e eu desembarcamos em Cadiz, Ashbury.

O porto em Cadiz era um lugar rochoso, e já havia inúmeras pessoas aqui. Todos estavam segurando um pequeno barco. Eles acendiam uma pequena vela e depois enviavam seu barco. Alguns sorriam enquanto os enviavam; outros choravam. Alguns oravam com os olhos fechados.

Mas todos pareciam estar tendo uma conversa com as almas de seus entes queridos falecidos, que só visitavam aqui quando as velas estavam queimando.

A área além do porto era arenosa e gramada. Havia fileiras de barracas simples vendendo carne grelhada, frutas, produtos assados doces, água de frutas, acessórios e brinquedos simples. Todos os tipos de coisas estavam à venda.

Nonna estava tão animada em explorar as barracas que teria se perdido na multidão se eu não estivesse segurando sua mão.

Senti-me estranhamente aliviada, pensando: Sim, não há como alguém nos notar nesta multidão, mas ao mesmo tempo, pensei: Qual é o sentido de me consolar com isso?

O espaço pequeno estava cheio de pessoas. Depois de muita deliberação, Nonna escolheu um pão frito e redondo polvilhado com bastante açúcar de beterraba.

— Mãe, isso é tão doce e gostoso! — ela disse, estendendo-o para mim.

Dei uma pequena mordida. — Hmm, é!

Nonna sorriu feliz. Ultimamente, ela havia perdido os dois dentes da frente, o que a fazia parecer um pouco boba quando sorria, mas era prova de que ela estava crescendo. Além disso, seu sorriso desdentado era bastante fofo.

— Olhe! — Nonna apontou, e vi que um grande grupo de pessoas estava enviando seus barcos para o mar agora, provavelmente porque a maré baixa estava prestes a atingir seu pico.

— Uau...

Nonna contemplou o mar com açúcar de beterraba na boca. Provavelmente havia perto de mil velas nos pequenos barcos balançando nas ondas, indo para o mar.

— Vamos enviar um barco, Nonna.

— Podemos?

— Claro.

Compramos dois dos minúsculos barcos de madeira e pedimos que acendessem as velas para nós. Protegemos as velas com as mãos para que não se apagassem, e então fomos para a costa rochosa.

— Cuidado onde pisa. Você vai se machucar se cair aqui.

— Certo!

As ondas lavavam nossos sapatos enquanto ficávamos com as outras pessoas. Colocamos os pequenos barcos na água e então os observamos flutuar para o mar.

Falei silenciosamente com meu barco enquanto ele se movia.

Papai, Mamãe, Emily. Sinto falta de vocês. Sinto tanto a falta de vocês. Tenho trabalhado tão duro por tanto tempo, mas estou um pouco cansada agora.

Senti um nó quente bem no fundo da garganta, e então as lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto. Mesmo com tantas pessoas ao redor, ajoelhei-me na costa e chorei enquanto observava meu barco partir.

— Sniff... Waaah...

Um número surpreendente de pessoas estava chorando.

Nonna deu tapinhas suaves em minhas costas com sua mão minúscula.

— Desculpe, Nonna. Vou parar de chorar agora.

— Você não precisa. Tudo bem você chorar também, Mãe.

Enxuguei meu rosto e respirei fundo algumas vezes. — Bem, vamos comprar algumas lembranças e depois ir para casa? — eu disse com um sorriso, mas então notei que Nonna estava olhando para algo atrás de mim com uma expressão atordoada no rosto.

Virei-me e vi o capitão parado ali.

— Jeff! — Nonna correu e jogou os braços em volta dele. — Jeff! Jeff! — Ela se agarrou a ele, e ele a levantou em seu braço esquerdo, então colocou o braço direito em volta dos meus ombros para me ajudar a levantar.

— Disse a mim mesmo que viria aqui todos os anos até te encontrar, mas certamente não esperava que acontecesse na primeira vez! — Sua voz era música para meus ouvidos, como sempre.

Eu sabia que deveria dizer algo — que deveria me desculpar, mas tudo o que consegui fazer foi chorar como uma criança.

O capitão se virou para um homem grande por perto e disse: — Com licença, mas preciso ir para casa hoje.

— Claro. Obrigado pelo seu trabalho. Foi muito mais fácil com você ajudando este ano, Diretor. Boa noite. — O homem nos viu partir com um olhar terno no rosto.

O capitão nos levou a uma pequena casa.

— Esta é minha casa.

— Esta é sua casa, Capitão?

— Não sou mais capitão. Sou o diretor de segurança deste ducado — ele disse e nos convidou a nos sentar no sofá. Uma governanta de meia-idade sorriu para nós, e ele disse a ela: — Posso cuidar daqui. Pode ir para casa hoje.

Nonna sentou-se no sofá, cochilando. Ela tivera tanta emoção hoje; devia estar exausta. Tirei sua peruca, e o capitão a pegou facilmente e a colocou na chaise longue próxima, colocando um fino cobertor de verão sobre ela.

Ele sentou-se bem ao meu lado e então me puxou contra seu peito largo, segurando-me com firmeza em seu abraço.

— Que bom que você está bem. Fiquei muito preocupado que algo tivesse acontecido com você.

— Sinto muito...

— Você não precisa se desculpar. Não quero que se desculpe. Eu nem sei por onde começar. Há tantas coisas que preciso te dizer.

Ele me segurou em seus braços enquanto explicava. Ele me contou como o esquadrão de assassinato de Hagl havia vindo, e que a versão oficial era que eu havia morrido no ataque. Todos os membros da elite do governo de Ashbury sabiam minha verdadeira identidade. A Condessa Yolana e os outros estavam completamente seguros.

— Quando soube que você era a melhor espiã deles, tudo fez sentido para mim.

Eu não conseguia nem olhar para o rosto dele.

— Mas você não precisa mais fugir. Victoria Sellars está morta. Você pode viver uma vida pacífica a partir de agora. E se você estiver preocupada em encontrar alguém que conhece, pode viver aqui em Cadiz. Muitos estrangeiros vêm e vão pelo porto, mas ninguém virá te procurar aqui. Esta é uma cidade de agricultura e pesca. Só os locais estão aqui, exceto durante o festival de verão. Viva aqui comigo. Vou para o trabalho a partir da minha casa aqui.

Decidi perguntar algo que estava me incomodando.

— Capitão...

— Por favor, me chame de Jeff.

— Jeff, por que você saiu dos cavaleiros e veio para cá? É minha culpa, não é?

— Não, não é sua culpa. Para ser honesto, eu tinha uma vaga ideia de que você tinha deixado uma organização, então era meu plano o tempo todo deixar os cavaleiros para poder estar com você. Mas então você desapareceu, então vim para cá trabalhar. Teria saído quer você tivesse ido ou não.

Eu não tinha certeza disso. Se ele nunca tivesse me conhecido... Meus pensamentos foram até lá, e então percebi algo. Ah, não! O barco!

— Espere! Vamos perder o barco para casa!

— Posso enviar uma mensagem para qualquer lugar que você queira contatar — disse o capitão. Quer dizer, Jeff. Ele não me soltaria. — Não quero ter mais arrependimentos. Depois que li aquela carta, fiquei com raiva de mim mesmo por não ter contado a você antes. Se você estiver preocupada em ficar aqui em Cadiz, podemos viver nas montanhas em algum lugar. Posso caçar nossa comida.

— ...

— Victoria, onde você esteve e o que tem feito todo esse tempo? Você esteve em perigo?

— Jeff, antes de te contar isso, preciso dizer outra coisa primeiro. — Sentei-me mais ereta e olhei diretamente em seus olhos. Meu corpo tremia de ansiedade em preparação para o que estava prestes a dizer.

— Entrei na academia aos oito anos e fui forçada a abandonar meu nome verdadeiro. Em vez disso, me deram o nome Chloe, que usei durante todo o meu tempo na organização. Embora ninguém tenha me chamado por ele nem uma vez em vinte anos, meu nome verdadeiro é Anna. Anna Dale. Esse nome é precioso para mim, porque minha mãe e meu pai me deram.

Então eu contei a ele tudo o que aconteceu. Contei como vivemos em uma fazenda em Randall e depois nos mudamos para a vila de pescadores.

Jeffrey ouviu em silêncio o tempo todo, ocasionalmente acariciando minhas costas ou afagando meu cabelo suavemente.

Quando terminei, ele soltou um suspiro. Algo parecia pesar sobre ele.

— O que há de errado? Há algum problema com o que eu disse? — perguntei.

— Não. Na verdade, também tenho um segredo. Acho que devo te contar porque pretendo viver com você para sempre.

Isso me deixou muito curiosa, já que ele já me contara sobre sua falecida noiva.

— Não é sobre minha noiva. É um segredo que meu irmão e eu compartilhamos. A razão pela qual ele está sempre preocupado comigo é por causa de nossa criação única.

— Tudo bem. Não preciso saber todo o seu passado.

— Não, um dia você vai se perguntar por que ele se preocupa tanto comigo.

Então Jeff me revelou seu segredo. Depois, cada vez que pensava sobre isso, meu coração doía tanto que pensei que fosse se partir em dois.

"Desde que me lembro, nosso pai vivia separado com outra família. Não é incomum que aristocratas tenham amantes. Mas quando a amante de meu pai lhe deu um filho, ele começou a nos abusar. Ele me socava repetidamente, mesmo eu sendo muito jovem."

A mãe de Jeff sofreu um colapso mental muito cedo e havia estado em um estado de flutuação entre a realidade e a alucinação.

Seu pai vinha uma ou duas vezes por semana para abusá-los pelos motivos mais mesquinhos. Era diferente cada vez. Eles nunca sabiam por que seriam atingidos. Às vezes, Edward tomava a surra no lugar de sua mãe ou de Jeff para tentar protegê-los.

"Acho que meu irmão escolheu o caminho de funcionário público por causa das terríveis cicatrizes deixadas pelo chicote. Os ferimentos estão todos em suas costas. Os cavaleiros se trocam juntos após o treino, então não havia como meu irmão esconder suas cicatrizes. E não podíamos escapar por causa de nossa mãe, que estava tendo problemas mentais. Meu irmão era apenas um funcionário público subalterno na época, e nossa mãe estava em estado terrível, então ele não achou que pudesse nos levar para algum lugar."

Lembrei-me de algo que aprendi na organização. Eventualmente, alguém que fora espancado continuamente se tornava incapaz de revidar ou fugir. A violência os dominava tanto mental quanto fisicamente. Talvez esse tivesse sido o caso de seu irmão e sua mãe.

Edward mergulhou nos estudos para escapar de sua dura realidade, enquanto Jeffrey se concentrava em sua esgrima. Depois de muitos anos, o jovem Jeffrey pensou: Talvez eu seja forte o suficiente para derrotar meu pai agora.

Um dia, seu pai estava prestes a tirar a camisa de Edward e chicoteá-lo como de costume, mas Jeffrey investiu contra ele.

"A determinação de alguém que luta pela vida é diferente de apenas sofrer. Eu já era maior que ele então. Derrotei meu pai rapidamente, peguei um castiçal próximo e disse ao meu irmão chocado: 'Sou o segundo filho. Vou fazer isso. Então você pode me remover do registro da família. Obrigado por tudo que você fez por mim.'"

"Ah, Jeff..."

Ele continuou falando com um olhar distante.

"Quando eu era jovem, todo o ressentimento que sentia quando ele me batia — todas as vezes que fiquei aterrorizado pensando: 'Ele pode me matar desta vez' — simplesmente explodiu. Eu estava mortalmente sério. Mas meu irmão me impediu e disse calmamente ao nosso pai: 'A partir de hoje, assumirei a posição de chefe da família Asher. Fornecerei a você e sua família o suficiente para viver sem desonra. É sua decisão. Você vai entregar a posição de chefe da casa para mim, ou vai nos deixar te matar? Você acha que suportamos todas essas surras sem um plano? Já providenciei um médico que atestará que sua causa de morte foi um ataque cardíaco, não importa qual seja a condição do seu corpo.'"

Na época, Edward tinha vinte anos, e Jeffrey tinha doze.

"Depois que nosso pai foi embora, chorei para meu irmão e disse: 'Porque eu não tive resolução suficiente, coloquei você e a Mãe na pior posição. Eu deveria ter feito isso antes. Por favor, me perdoe por ser tão covarde!' Desde então, meu irmão tem sido meu guardião e me protegeu, a mim e à minha mãe. Tornou-se um hábito tão forte que ele não consegue mais parar, o que pode ser um pouco problemático, mas nós dois vivemos protegendo um ao outro. Nosso pai nos abusou tão severamente que ele realmente poderia ter nos matado."

Envolvi meus braços em volta de Jeffrey e o abracei com força. Ele era tão grande que mal conseguia envolvê-lo, mas o abracei com todas as minhas forças.

— Não sei por que meu pai não se divorciou até eu começar a trabalhar no castelo. Aparentemente, o primeiro-ministro foi o casamenteiro entre meus pais, então meu pai hesitou em se divorciar com medo de ofendê-lo. Foi uma razão completamente ridícula. Ele nos usou para desabafar sua raiva.

Jeffrey me deu um sorriso dolorido e então disse: — Meu pai morreu há dois anos.

— ...

Mesmo que fosse apenas por oito anos, eu fora criada em um ambiente caloroso e amoroso. Mas Jeffrey nem isso tinha.

Assim como pensei quando estava na organização, todas as famílias felizes tinham as mesmas coisas em comum. Não importava se eram ricas ou pobres; todas as famílias felizes tinham ambientes amorosos.

Mas Lorde Edward e Jeffrey haviam vivido o inferno.

— Jeff, vou proteger você e Nonna com minha vida. Vamos fazer uma família feliz juntos.

Jeffrey sorriu ternamente para mim e disse: — Isso geralmente é algo que o homem diz. Pelo menos me deixe me exibir um pouco.

Então ele se ajoelhou na minha frente. — Anna. Case comigo.

Foi um pedido de casamento simples, mas pungente.

Sol: eh? Eh? EH?

Cara que capítulo, que cinema, que desenvolvimento e que emoção. No 12 eu já tava muito feliz do rumo que a história tinha tomado, mas nesse instante estou nas nuvens. Esse capítulo realmente me deu uma montanha russa de emoções. Vamos agora para o último do Volume, valeu gente até o próximo!

Moonlak: E O CINEMA VAI A LOUCURA?? GENTEEEE QUÊ??? Eu estou chocada, passada, embasbacada… Hoje não foi um dia muito bom, então ler isso agora me deixou muito feliz, e vai acabar logo no próximo… SOL, JÁ PODE COMEÇAR A TRADUZIR O VOLUME 2! ANDA, TRABALHA!!!

Traduzido por Moonlight Valley

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Fim da leitura

Capítulo 17 concluído

Volume 1 – Capítulo 13 – Capítulo 13: A Vida na Fazenda