Ascendance of a Bookworm — Capítulo 111: CAPÍTULO 111 - 110

Ascendance of a Bookworm
Cap. 111
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Ascendance of a Bookworm

CAPÍTULO 111 - 110

Capítulo 111

3.287 palavras~14 min de leitura

Ascendance of a Bookworm – Capítulo 110

Lutz fugindo de casa

Três dias se passaram desde que acabei acamada, quando Tuuli entrou, correndo, para o quarto.

— Oh não, Myne! Lutz fugiu de casa e não vai voltar!

Pulei tão rápido que caí para a frente. — O que você quer dizer, Tuuli? O que aconteceu? Ele está bem? — Rapidamente fiz uma enxurrada de perguntas, com meu rosto firmemente colocado contra minha cama.

Tuuli estremeceu um pouco, provavelmente lamentando sua decisão de me contar. Ela acariciou meu cabelo com uma carranca preocupada. — Desculpe, Myne. Eu deveria ter esperado até sua febre baixar para te contar. Não se force, sua febre vai aumentar de novo.

— Diga-me, Tuuli.— Apertei a mão de Tuuli e implorei, repetidamente, que ela me dissesse, até que, eventualmente, ela soltou um suspiro derrotado.

— Deite-se, Myne. Vou buscar o Ralph. Tudo bem?

Acenei com a cabeça e Tuuli saiu do quarto, com um giro. Então ouvi seus passos desaparecerem, quando ela saiu e trancou a porta da frente, atrás dela. Apurei meus ouvidos, esperando que ela voltasse, com meu rosto ainda plantado contra a cama.

Após um longo período, em que esperei ansiosamente pelo retorno de Tuuli, ouvi passos ecoando, e, então, a porta da frente sendo destrancada e aberta.

— Ralph, o que aconteceu com Lutz?

Quando Ralph entrou com Tuuli e me viu, acamada, com febre, ele suspirou. — Eu tinha certeza que ele estava acampando aqui.

— Não acabei de te dizer? Myne já está na cama há três dias. De jeito nenhum ela poderia saber que Lutz fugiu de casa ontem,— disse Tuuli com um beicinho irritado.

Ralph se desculpou por duvidar dela e voltou para mim. — Ontem, Lutz começou a gritar com o papai assim que chegou em casa. Ele disse: “Por que você está ficando no meu caminho?” e “Eu aturei você por tanto tempo, mas não mais! Estou dando o fora daqui!” Então ele correu para fora, parecendo um doido varrido.

A explicação do Ralph foi tudo o que precisei para entender o que aconteceu. Benno definitivamente lhe disse por que ele não poderia levá-lo para a outra cidade. Isso era um alívio. Eu poderia adivinhar, então, que Benno estava cuidando de Lutz. No entanto, ele não seria capaz de adotá-lo imediatamente, mas ele provavelmente iria tratá-lo mais ou menos como um filho.

— Mamãe está triste, mas papai disse para não se incomodar, já que ele provavelmente vai voltar logo. Pensei que ele voltaria quando ficasse com fome, mas não voltou para o café da manhã ou almoço. Estou ficando preocupado. Você sabe onde ele está, Myne?— Perguntou Ralph, o que me fez sentir desconfortável. Se Benno estava olhando por cima dele, então ele deveria estar no trabalho. Como eles não sabiam onde ele estava?

— Você não sabe onde ele está? Ele não foi trabalhar?

— Bem, uh. Não sabemos onde ele trabalha, então.— Ralph evitou olhar para mim enquanto falava.

Por um segundo, eu não consegui compreender o que eu tinha ouvido. Cerca de dois meses e meio se passaram desde o nosso batismo, mas Lutz estava indo para a Companhia Gilberta desde muito antes de se tornar um aprendiz – quase um ano inteiro, até agora.

— Como você não sabe? É a Companhia Gilberta, lembra?

— Sabemos o nome porque ele foi à oficina do Sieg há um tempo. Mas nem mesmo Sieg sabe onde fica essa loja.

— Você está dizendo que nem saberia o nome se Lutz e eu não tivéssemos ido à oficina de Sieg? — Perguntei hesitantemente, mas Ralph desajeitadamente desviou o olhar, sem responder. Isso irritou Tuuli.

— Eu não posso acreditar em você! Ralph, você nem sabe onde seu irmãozinho trabalha? Você não fala sobre o trabalho em casa?

Os irmãos provavelmente não falavam tanto quanto as irmãs, mas, ainda assim, não falar com Lutz sobre trabalho era meio cruel. Eu não tinha certeza se eles simplesmente não se importavam ou se estavam teimosamente evitando o assunto, em protesto, mas ainda assim, saber tão pouco que não conseguiam nem encontrá-lo depois que ele fugiu de casa era realmente um problema.

Estendi a mão e apertei firmemente a camisa de Ralf. — Ralph. Pode não ser meu dever dizer isso, mas por favor, fale mais com Lutz.

— Lutz é quem não quer falar. E realmente, eu sou a vítima aqui. Lutz conseguiu o emprego que queria, embora todos fossem contra, e agora ele só faz o que quer, nos dias de folga, sem sequer ir à floresta. Qual é o problema dele? Ele pegou o caminho mais fácil!— Ralf arrancou minha mão com os olhos arregalados de raiva.

— Ei! Ralph! Não seja rude com Myne! Ela ainda está doente!

— S-Sinto muito.

Gritar também não me ajuda muito, pensei enquanto me preparava para apoiar Lutz. Eu estava ciente de quanto tempo eu estava tirando dele, afinal.

— Mas Lutz está trabalhando em seus dias de folga também. Você não sabe que quando Benno chama por ele ou eu o arrasto ao redor, ele é pago? Ele não está brincando nem nada.

Os olhos de Ralf se arregalaram, então ele lentamente balançou a cabeça. — Eu não sabia disso.

Houve alguns mal-entendidos desde que eles mal falavam, mas, finalmente, Ralf estava preocupado com Lutz. Não havia como confundir isso. E realmente, não era meu dever me envolver aqui. Ralph precisava falar com Lutz, não comigo.

Olhei para Tuuli. Ao visitar Corinna e ir às compras de roupas comigo, ela conheceu Benno e vários outros funcionários da Companhia Gilberta, antes. Provavelmente, seria melhor se Ralf fosse lá com ela em vez de invadir sozinho.

— Tuuli, você levaria Ralph para a Companhia Gilberta por mim? Você não precisa arrastar Lutz para casa se ele estiver bem, mas, por favor, verifique se ele está seguro.

— Definitivamente, também estou preocupada com Lutz. Vamos, Ralph. — Tuuli pegou a mão de Ralf e começou a sair da sala. Quando ele olhou para mim, com um olhar preocupado, tudo o que pude fazer foi dar um sorriso fraco.

Ralf sempre foi um irmão carinhoso, à sua maneira, e, apesar de pensar que Lutz estava apenas brincando, ele ainda estava preocupado com ele. No fundo, nem ele, nem Lutz estavam errados aqui, mas o relacionamento deles estava em frangalhos. Fechei os olhos, pensando que seria bom se, quando Ralph encontrasse Lutz, eles tivessem uma conversa decente, pela primeira vez em algum tempo.

O sol estava se pondo quando acordei. Ou, para ser mais precisa, fui acordada pela luz que vinha da janela batendo nos meus olhos. Tuuli já havia chegado em casa, a julgar pelos sons de alguém preparando o jantar na cozinha. Bebi um pouco de água do copo de madeira, próximo, para molhar a garganta, fazendo apenas barulho suficiente para Tuuli perceber que eu estava acordada e enfiar a cabeça dela pela porta.

— Você está acordada, Myne? Acha que vai conseguir comer? — Sentei-me com um aceno de cabeça e Tuuli me trouxe uma tigela de sopa e pão. Enquanto eu comia, ela me contou o que tinha acontecido na loja.

— Lutz estava na loja e fazendo seu trabalho normalmente. Ele parecia bem.

— Okay. Isso é um alívio.— Me senti imensamente feliz por sabermos onde ele estava, e o pior cenário dele se perder e se envolver em algo, foi evitado.

— Ralf tentou arrastar Lutz para casa após q vê-lo, mas Lutz disse a ele para não atrapalhar seu trabalho. Isso deixou Ralph realmente bravo, e após uma briga de gritos, ele simplesmente saiu correndo, gritando com Lutz que ele poderia fazer o que quisesse. E então. Seu pai está dizendo para não se preocupar com ele, já que ele está no trabalho.

Parecia que Tuuli tinha acabado de me explicar o exato momento em que a família de Lutz havia sido danificada, permanentemente, além do reparo. Senti meu coração palpitar.

— Eu sei que você está preocupada com ele, mas não vá vê-lo até que você esteja se sentindo melhor, ok?

— Tudo bem.

No dia seguinte, Gil veio me pegar, em vez de Lutz. Aparentemente, Lutz pediu-lhe para me acompanhar ao templo, em vez dele, por um tempo, embora eu não pudesse ir com ele de qualquer maneira, já que eu ainda estava muito doente para ir ao templo. Gil olhou para mim, com preocupação, enquanto eu permanecia na cama.

— Irmã Myne, sua febre ainda não baixou?

— Hum. Precisarei ter cuidado por um dia, mesmo que aconteça, então poderia voltar daqui a três dias? Gil ajoelhou-se na parte de trás da cama, pegou minha mão e aproximou o rosto dela, como se estivesse se preparando para beijá-la. Mas, em vez disso, ele pressionou a testa contra ela e cantou fluentemente uma oração.

— Que a Irmã Myne tenha a proteção divina de Heilschmerz, a Deusa da Cura.

— Obrigada. Que você também seja abençoado pelos deuses.

Gil saiu com relutância e voltou três dias depois, como havia prometido. Minha febre tinha acabado e meus pais disseram que eu podia ir, então fui ao templo, com ele. Foi estranho sair sem Lutz e eu não conseguia me livrar de um sentimento desconfortável. Após descer as escadas e sair do prédio, vi a mãe de Lutz, Karla, lavando roupas, perto do poço. Corri até ela.

— Sra. Karla, Lutz já voltou?

Ela balançou a cabeça em silêncio. Não havia vestígios de sua energia normal ou atitude amigável e arrogante. Ela parecia cansada até os ossos.

— Myne, você sabe como está Lutz?

— Ouvi um pouco de Ralph e Tuuli, mas é isso, já que estou doente, devido à febre, há dias. Eu estava pensando em ir à loja hoje e dar uma olhada nele.

— Okay. Você poderia me dizer se ele está bem?

Concordei, apesar de pensar que ela mesma deveria ir vê-lo, e deixei a praça com Gil.

— Gil, vamos parar na loja, ok? Eu quero ver Lutz.

— Se é isso que você quer, Irmã Myne, claro. Mas eu não sei por que aquela senhora está tão preocupada, as crianças não precisam de pais para sobreviver. Ninguém no orfanato tem pais, então sim.

— Verdade.— Algumas dessas crianças estavam morrendo, na primeira vez que as vi, mas eu não mencionei isso. Se os órfãos não tivessem a mentalidade de que as crianças não precisavam de pais para sobreviver, eles provavelmente desmoronariam.

Mark nos recebeu com um sorriso, quando chegamos à Companhia Gilberta. Lutz estava atrás dele, escrevendo algo em seu díptico.

— Bom dia, Myne. Sente-se melhor?

— Bom dia, Sr. Mark. Minha febre, finalmente, baixou. Não que isso importe agora. Eu quero falar sobre Lutz.

— Por favor, guarde essa conversa para o escritório. Os funcionários estão um pouco nervosos, devido aos parentes de Lutz causarem distúrbios nos últimos dias.— Mark me interrompeu com um sorriso gentil.

Parecia que Ralf não era o único que tinha vindo à loja e tentado arrastar Lutz para casa. Pessoas pobres, desgrenhadas, que vinham a uma loja chique, para nobres, e causavam uma comoção, a cada dia, dificilmente eram boas para sua imagem. Nesse ritmo, a posição de Lutz na loja pioraria a cada dia. Fechei a boca e assenti.

— Mestre Benno, Myne deseja conversar, então eu a trouxe aqui.

— Não me lembro de fazer do meu escritório uma sala de aconselhamento.

— Estou ciente. — Mark estava sorrindo, mas exalando uma aura que deixava claro que ele não aceitaria um não como resposta. Benno cedeu com um aceno de cabeça e um suspiro.

— Sinto muito, Sr. Benno. Podemos conversar lá fora, se quiser.

— Não, aqui está bem. Ontem à noite a mãe do Lutz veio até minha casa, no segundo andar, para exigir que eu devolva o Lutz, gritando sobre eu ser um sequestrador e tudo mais. Mark enlouqueceu e a mandou embora.

— Minhas desculpas, Mestre Benno.

Estremeci, ao pensar em Karla gritando com todo o seu tamanho e energia. Então, tremi de medo genuíno, com a descrição de Mark ter “surtado”. O que ele disse, para mandar Karla embora? Talvez ela parecesse exausta e morta por dentro, devido à raiva de Mark. Tenho a sensação de que seria melhor se eu nunca soubesse o que ele disse, e então me virei para Lutz.

— Como estão as coisas para você agora, Lutz? Você está morando com o Sr. Benno?

— O que quer dizer? Estou morando naquele sótão, onde estão todas as minhas coisas. Eu nem sabia que mamãe tinha vindo até esta manhã.

Mark aparentemente a mandou embora antes mesmo que ela pudesse ver Lutz. Foi por isso que ela me pediu para lhe dizer como ele estava. Honestamente, isso me fez sentir um pouco mal.

— Espere, espere. O quarto do sótão?

— Sim, é tudo o que tenho. Para onde mais eu iria?

Lutz disse que estava morando no sótão, o que o colocou no mesmo nível de um aprendiz-residente. Em outras palavras, apesar de ter dito que adotaria Lutz, Benno não o estava ajudando em nada.

— O que significa isso, Sr. Benno?! Você não ia adotar Lutz?!

— Mestre Benno, me adotando? Hãn? De onde isso está vindo?

A julgar pela confusão de Lutz, Benno não lhe disse nada. Olhei para Benno, e ele também olhou para mim, com olhos zangados.

— Sua idiota! — ele trovejou. — Você acha que eu poderia simplesmente adotá-lo, sem a permissão de seus pais?! Não! Este é o caminho que Lutz escolheu e ele está andando. E quantas vezes eu te disse para pensar antes de falar? Agora você contou a ele sobre a adoção em um momento em que seus pais não dão sua permissão!

Oh não! Coloquei a mão sobre a boca, mas era tarde demais. Os olhos de Lutz estavam cheios de escuridão. Ele, provavelmente, estava vivendo uma vida dura e solitária desde que fugiu de casa. Seus olhos estavam normalmente cheios de positividade otimista, mas, agora que ele havia encontrado um alvo para liberar sua frustração, ele parecia sombrio.

— Myne, você sabia sobre tudo isso?

— Eu disse a ela. Eu precisava de informações sobre sua vida doméstica e situação familiar.

— Mestre Benno.

A revelação de Benno fez os olhos de Lutz vacilarem. Ele olhou para mim como uma criança perdida, tentando encontrar seu lugar no mundo. — Mas, mas… Se você sabia, por que não me contou?

— Porque eu sabia que você fugiria de casa. Eu sabia que você ia virar as costas para sua família. Eu me importo muito com minha família e não queria fazer algo que destruísse a sua.

Não queria prejudicar a relação dele com a família. Mas, mesmo assim, se Benno lhe desse uma casa onde ele fosse bem-vindo, se ele o adotasse, então eu pensei que Lutz deveria fazer o que ele achasse melhor. Com a ajuda de Benno, ele não teria que sofrer o inferno de ser um aprendiz-residente, até atingir a idade adulta e se libertar da interferência de seus pais.

Mas, na realidade, Lutz fugiu de casa, não pôde ser adotado devido à necessidade de permissão dos pais e, em última análise, estava vivendo no sótão, como um aprendiz-residente normal. Apenas cinco dias se passaram e, no entanto, a escuridão nos olhos de Lutz mostrou o quão difícil era para uma criança viver sozinha.

— Você está dizendo que eu estava errado, Myne? Eu estava errado ao fugir de casa?

De acordo com Tuuli, Ralf havia dito: “Pare de ser egoísta e volte para casa”, “Pare de pensar apenas em si mesmo o tempo todo”, “Você é quem está causando problemas para a loja”, “Você já não está satisfeito?” e assim por diante. Se Lutz se desculpasse e fosse para casa, ele voltaria para a mesma situação em que estava antes. Sua família diria que eles estavam certos, que ele não poderia sobreviver como um escravo-residente. Eles diriam que ele era egoísta, no final. Ele provavelmente acabaria vivendo, enquanto reprimia todas as frustrações que tinha, pensando ser sua única escolha. Mas eu não queria ver Lutz assim, então rejeitei a ideia imediatamente.

— Eu não acho que você está errado, Lutz. Como poderia, se sei o quanto tem trabalhado e quanta frustração você tem entalada aí dentro?

— Ufa. — Lutz soltou um suspiro aliviado. Olhei em seus olhos verde-jade e peguei sua mão.

— Não importa o que aconteça, Lutz, estou do seu lado. Ainda estou aqui, agora, porque você disse que me aceitou como eu era naquela época.

No passado, eu também sentia que estava sozinha, sem aliados, a ponto de recuar para a minha bolha. Eu me sentia desconfortável todos os dias, sentindo que não tinha lugar no mundo, e finalmente fui salva por Lutz dizendo que ele estava bem comigo, sendo sua Myne. Queria que Lutz sentisse uma fração do alívio que senti naquele dia.

— Vou dizer a mesma coisa que você me disse. Lutz, você está bem do jeito que é. Eu te apoiarei em tudo. Assim como você me salvou, farei tudo o que puder para salvá-lo, então saiba que você sempre pode confiar em mim quando as coisas ficarem ruins.

Com lágrimas se formando em seus olhos, Lutz me abraçou com um sorriso trêmulo. — Haha! Não acho que haja alguém menos confiável que você, Myne. Você provavelmente desmoronaria no momento em que eu tentasse me apoiar em você,— disse Lutz chorando, enquanto, de fato, quase me esmagava com seu abraço.

Eu fiz beicinho, um pouco envergonhada, e dei um tapinha nas costas dele. — Serei capaz de ajudar um pouco. Que tal eu te dar um almoço no templo? Você não pode cozinhar comida no sótão, já que não tem uma cozinha, certo?

— Isso é apenas comer juntos, você não fará isso. — Ouvi Lutz fungar, ao meu lado, enquanto esfregava o nariz. Mas ainda assim, sua voz parecia muito mais brilhante do que era há um segundo. Eu sorri.

— Você não deveria estar dizendo “Eu te devo meus maiores agradecimentos, Irmã Myne”, agora?

Lutz gargalhou e levantou a cabeça, agora com um sorriso. Seu sorriso normal e otimista. Talvez eu o tivesse ajudado um pouco, afinal.

— Ei, vocês dois já terminaram? — Benno nos chamou com uma expressão incrivelmente exasperada e irritada, com a cabeça apoiada no queixo em uma postura clássica de tédio.

Inclinei a cabeça, enquanto ainda dava tapinhas nas costas de Lutz. — Quero dizer, pode ser que sim. Por quê?

— Volte ao trabalho já. Você está me distraindo.— Benno nos afastou e Lutz se separou apressadamente de mim, antes de sair da sala. Imaginei que também iria embora após um rápido adeus, mas Benno olhou para a porta e Lutz simplesmente saiu e continuou a falar.

— Myne, eu simpatizo com o desejo de melhorar a situação de Lutz o mais rápido possível, mas dada a forma como sua mãe estava agindo ontem, a conversa sobre adoção terá que esperar até que as coisas se acalmem.— A avaliação calma de Benno, da situação, me fez sentir como se estivesse engolindo uma pílula amarga. — Parece que ele vai viver assim por um tempo, e as coisas podem ficar bem, por enquanto, mas uma situação ruim de vida machuca o espírito. Não posso fazer nada agora, já que afetará a reputação da loja, se a família dele continuar gritando sobre sequestro e ser enganada. Se você está do lado de Lutz, faça o que puder, para ajudar.

— Certo.— Pensei que mesmo que Lutz fugisse, Benno o adotaria e ele poderia se concentrar no trabalho. Pensei que ele seria capaz de ir para outras cidades para ajudar a fazer oficinas de papel vegetal e, finalmente, realizar seu sonho. Nunca pensei que ele se tornaria um aprendiz-residente e sofreria mais do que já sofreu.

Assim como Benno disse, o espírito de Lutz estaria desgastado, se ele mantivesse esse estilo de vida áspero. Ele se batia, imaginando se tinha feito a coisa errada e, no final, poderia acabar odiando sua família. Certamente, havia algo que eu poderia fazer por ele, assim como ele me apoiou. Mas nada veio à mente e soltei um suspiro pesado.

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Fim da leitura

Capítulo 111 concluído

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