Ascendance of a Bookworm — Capítulo 113: CAPÍTULO 113 - 112

Ascendance of a Bookworm
Cap. 113
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Ascendance of a Bookworm

CAPÍTULO 113 - 112

Capítulo 113

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Ascendance of a Bookworm – Capítulo 112

Encontro de Família no Templo

A data da reunião chegou após três dias de ansiosa espera. Fui apressadamente ao templo, vesti minhas vestes azuis e fui para o escritório do Sumo Sacerdote. Lutz, que estava hospedado em um dos meus aposentos, estava vestindo suas roupas de aprendiz. Ele ficou comigo, em vez do orfanato, sob as instruções do Sumo Sacerdote, a fim de evitar que os verdadeiros órfãos desenvolvessem uma esperança inútil.

— Cara, estou nervosa.

— Isso ficou muito grande, por uma simples discussão de família.

Quando Lutz e eu chegamos ao quarto do Sumo Sacerdote, a notícia da chegada de Benno e Mark já havia sido entregue e um sacerdote cinza estava guiando os dois para lá.

Os pais de Lutz chegaram assim que Benno estava terminando a saudação, longa e prolixa, necessária, pela presença de um nobre. Assim como eu tinha ouvido, o pai de Lutz tinha a estrutura muscular de quem trabalhava em construção, embora ele não fosse particularmente grande. Sua pele estava profundamente bronzeada e ele tinha a aparência de alguém que trabalhava duro lá fora. Ele tinha sobrancelhas profundamente franzidas e olhos jade, afiados, que refletiam bem sua personalidade obstinada, enquanto seu cabelo loiro, quase branco, o fazia parecer um pouco velho.

O pai de Lutz olhou para ele, deu uma bufada e, em seguida, se apresentou brevemente ao Sumo Sacerdote. Karla o seguiu até os assentos oferecidos a eles e se sacudiu de medo ao ver Mark e Benno sentados no lado oposto.

Sério, Mark, o que você fez? O que foi que você disse? Você já a ameaçou?

Quando todos estavam reunidos no escritório do Sumo Sacerdote, o som alto do terceiro sino tocou, acima de nós. O Sumo Sacerdote estava ao meu lado. Quando ele declarou sua saudação, olhei para a pequena ferramenta mágica em minha mão. Era uma ferramenta mágica de bloqueio de som, feita para evitar espionagem. Ao segurá-la, apenas uma pessoa específica poderia me ouvir, e o Sumo Sacerdote a estava usando hoje, de tal forma, que só ele poderia me ouvir, se eu tentasse falar. Em suma, ele estava me dizendo para calar a boca e não interferir. Quando eu protestei, para que eu pudesse ajudar Lutz, ele tinha dito isso:

— O que eu preciso deixar claro aqui, são os pensamentos e sentimentos das partes envolvidas. Uma terceira parte, como você, só complicará a situação, ao se envolver. Especialmente, porque você é tendenciosa a favor de Lutz e, portanto, não neutra. Você vai atrapalhar.

Ele era tão franco que eu queria contar uma piada sobre onde todos os seus eufemismos e distanciamento haviam ido. A condição para eu participar da reunião era utilizar a ferramenta mágica, então tudo o que eu podia fazer era sentar na minha cadeira, como uma boneca. Frustrantemente, Benno e Mark concordaram com o Sumo Sacerdote.

A mesa estava no centro da sala e nossas cadeiras foram colocadas de cada lado dela. O Sumo Sacerdote e eu sentamos no lado mais distante da sala, Lutz sentou-se em frente a nós, seus pais sentaram-se à esquerda, e Benno e Mark sentaram-se à direita. Após terminar as simples saudações e apresentações, o Sumo Sacerdote explicou a posição de Lutz e seu pedido. Ele conversou diretamente com Lutz e, assim, falou de coisas que nem eu tinha ouvido falar.

— E essa é a posição de Lutz. É verdade, Lutz? — O Sumo Sacerdote olhou para Lutz, que assentiu enquanto olhava, constrangido, com a presença de seus pais. Gritei internamente meu apoio por ele. Ele cerrou um punho trêmulo e abriu a boca.

— Não importa o quanto eu trabalhe, eles não me aceitam. Papai luta contra cada um dos meus sonhos e…

— NÃO SEJA UM BEBÊ! — O pai de Lutz, Deid, cerrou o punho e gritou para Lutz. Seu grito foi tão alto, que eu realmente pulei na minha cadeira. Ele provavelmente estava acostumado a gritar instruções para seus colegas de trabalho. Sua voz, berrante, parecia alta o suficiente para ecoar por todo o Bairro dos Nobres, para não falar da sala, solitária, do Sumo Sacerdote. Senti meu coração apertar de medo.

Ele é tão assustador! Meus Deuses! Meu coração não aguenta isso!

E parecia que eu não era a única que se sentia assim. Todos ficaram tensos e olharam para Deid. Benno frequentemente trovejava para mim, mas seu volume e peso não podiam se comparar à voz de um trabalhador, gritando lá fora o tempo todo.

— Você trabalha duro? Nós não aceitamos você? Que tal você parar de ser um bebê. — Ele trabalhou os ombros e se inclinou para a frente, em direção a Lutz, olhando para ele com tanta força que eu podia sentir a pressão daqui. Sua voz era alta e profunda, mesmo quando ele não estava gritando, tanto que era assustador ouvir, mesmo estando ao lado.

Lutz empalideceu, após terem gritado com ele, na frente de todos, e como eu estava sentada na frente dele, pude dizer que ele estava rangendo os dentes, com força, para conter as lágrimas. Mordi o lábio com frustração, incapaz de falar com ele, não importa o quanto eu quisesse. O Sumo Sacerdote se levantou de seu assento ao meu lado. Ele falou com uma voz calma, que carregava por toda a sala, apesar de seu baixo volume, contrastando com a voz berrante de Deid.

— Deid, o que exatamente você quer dizer com “não seja um bebê”? Por favor, explique.

— Quê? O que você não entende? Lutz está sendo um bebê, não está? — Deid cruzou os braços e balançou a cabeça, sem entender a pergunta do Sumo Sacerdote. Sua careta implicava que ele esperava que sua declaração terminasse naquele momento e ali, sem que ninguém a questionasse.

— Lutz se sente frustrado por seu trabalho duro não estar sendo reconhecido e você considera isso uma atitude de bebê. Mas não entendo como exatamente isso é ser um bebê, pois tenho pouca relação com os artesãos e com os caminhos da cidade baixa. Por favor, explique para que eu possa entender.

— Ah, sim, você não entenderia. AH. Meio difícil de explicar.

Ele poderia ter ignorado Lutz, dizendo que ele já deveria entender o que ele queria dizer, mas isso não funcionaria com o Sumo Sacerdote. Deid acariciou o queixo e procurou uma resposta, provavelmente não acostumado a dizer mais que algumas palavras, em sua linha de trabalho.

— Ele conseguiu um emprego, que dissemos para ele não conseguir. Claro que ele vai ter de trabalhar duro. Nem mesmo uma temporada se passou desde seu batismo, o que há para aceitar? Foi o estúpido do meu filho que escolheu um trabalho que não o ajudaria. Ele sabia no que estava se metendo. Ele sabia que teria que trabalhar tanto que cuspiria sangue e talvez nunca chegasse ao trabalho em tempo integral. Então, eu estou dizendo, por que ele está reclamando sobre isso agora? Isso faz sentido?

— Sim, isso é muito mais claro. Desse ponto de vista, ele certamente está sendo imaturo. Lutz, você também entende?

Lutz cerrou os dentes com frustração e baixou os olhos. Por outro lado, Deid parecia um pouco aliviado, por sua posição ter sido compreendida. Esta reunião foi forçada a acontecer, inteiramente, graças à posição do Sumo Sacerdote, como um nobre, mas agora que as pessoas estavam falando, eu sabia que Deid tinha, indiscutivelmente, uma razoável posição de sua própria situação. Isso não era algo que eu poderia ter aprendido, apenas falando com Lutz.

— Lutz, você tem uma refutação? Ou aceitará a posição de Deid como justificada? — O Sumo Sacerdote insistiu, silenciosamente, com Lutz. Ele levantou lentamente a cabeça, para olhar para os pais.

— Não estou dizendo que você tem que apreciar o quanto estou trabalhando duro. Pelo menos. Mas, no mínimo, você não pode aceitar que eu vou ser um comerciante?!

—Tenho certeza de que já disse para fazer o que quisesse. — Deid franziu as sobrancelhas, como se não entendesse o que Lutz estava dizendo. Ele coçou a cabeça, depois levantou o queixo e olhou para Lutz. Não parecia que ele ainda se opunha a Lutz ser um comerciante.

— Fazer o que eu quero. Hãn? Espere, isso significa?— Lutz balançou a cabeça, em confusão, e Karla explicou o que ele queria dizer com um suspiro.

— Seu pai está dizendo que aceita seu trabalho, à sua maneira.

— Espere, mãe?! Se você sabe, me diga!

— Como eu poderia saber? Esta é a primeira vez que o ouço dizer isso,— disse Karla com um encolher de ombros. Parecia que sua família tinha problemas de comunicação não apenas entre irmãos, mas também entre marido e mulher.

— Como eu vou saber disso se você não disser? — disse Lutz, pendurando a cabeça, fracamente. E eu concordei com ele. Mas, pensando nisso, Lutz também não falava muito sobre sua posição em casa, então talvez eles realmente fossem apenas uma família de pessoas que mantinham seus pensamentos em segredo.

— Deid, posso assumir que você não se opõe a Lutz trabalhando como comerciante? — perguntou o Sumo Sacerdote. Deid assentiu, parecendo que não queria ter que explicar tudo o que disse.

— Acho que os comerciantes são escória e não sei por que ele quer ser um, voluntariamente, mas ele é um homem e escolheu essa linha de trabalho por conta própria. Ele pode usar suas entranhas para seguir seu sonho, custe o que custar, mesmo que isso signifique ser um aprendiz-residente. Mas choramingar e fugir para o orfanato? É patético. — disse ele, com escárnio, depois cruzou os braços e recostou-se para sinalizar que havia dito tudo o que tinha a dizer.

Por instinto, gritei: — Não, isso é errado! Isso tudo aconteceu por minha causa! Lutz não está tentando fugir! — Mas ninguém me ouviu. Ninguém olhou na minha direção. Virei-me para olhar para o Sumo Sacerdote, já que ele, pelo menos, deveria ter me ouvido, apenas para descobrir que ele não estava nem tocando a ferramenta mágica pendurada em seu pulso em uma corrente. Desde o início, ele não tinha a intenção de ouvir uma palavra do que eu dissesse. Entendi.

— Pai, não, tudo isso sobre o orfanato era apenas M.— Lutz começou a dizer a mesma coisa que eu pretendia, então rapidamente fechou a boca. Ele apertou os lábios, depois ergueu a cabeça e olhou para Deid. — Então, por que você não me deixa ir para outras cidades, a trabalho?!

Lutz finalmente trouxe à tona a principal razão pela qual ele havia fugido de casa: seus pais não permitiram que ele deixasse a cidade. Isso era insuportável para Lutz, já que ele se tornou um comerciante, especificamente, para deixar a cidade, mas mesmo assim, ele foi mais uma vez abatido com uma única frase.

— Você saberia se pensasse nisso por um segundo! — gritou Deid, mas Lutz havia fugido de casa precisamente porque não entendia.

O Sumo Sacerdote balançou a cabeça com um suspiro e falou mais uma vez. — Mas ele não entende, então, por favor, explique-se.

— De novo? — Deid, parecendo exausto, deu um tapa na testa. Então, após murmurar que ele era ruim nesses tipos de coisas, falou, enquanto franzia as sobrancelhas. — Você se tornar um comerciante e deixar a cidade são duas coisas diferentes. É perigoso fora daquelas paredes. Há bandidos e feras ferozes. Não é lugar para levar crianças.

— Isso mesmo! É muito perigoso lá fora.

A explicação de Deid e Karla me deixou boquiaberta. Eu só tinha ido para a floresta perto da cidade, então eu realmente não sabia disso, mas era, aparentemente, muito perigoso fora da cidade. Era normal que as crianças saíssem dos portões, para coletar na floresta. Fomos tão casualmente, que poderia muito bem ter sido parte da cidade, então eu nunca pensei que o exterior fosse tão perigoso que os pais não quisessem que seus filhos saíssem da cidade.

Sem mencionar que os menestréis e comerciantes que viajavam eram tão comuns, que até Lutz podia encontrá-los regularmente. As pousadas no leste estavam cheias de viajantes indo e vindo. Isso me levou a associar as dificuldades de viajar puramente com a distância a pé ou o inconveniente de cavalos e carruagens. Não ajudou que eu tivesse visto, com frequência, Benno, o adulto mais próximo de mim que não era meu pai, partindo para outras cidades para montar oficinas e lidar com outros negócios. Nunca senti que o exterior fosse tão perigoso.

Eu ainda não entendo muito bem este mundo. Cerca de dois anos se passaram desde que cheguei aqui, mas eu ainda era tão ignorante quanto poderia ser. Enquanto eu suspirava, pesadamente, o Sumo Sacerdote piscou uma vez, em confusão.

— Não vou dizer que não há perigo algum, mas Benno estaria indo para uma cidade a apenas meio-dia de carruagem do portão leste. Caminhar seria uma coisa, mas não vejo necessidade de me preocupar com uma viagem de carruagem tão curta.

— Ele não precisa ir. — afirmou Deid categoricamente.

Lutz corou de raiva e olhou para ele. — Estou te dizendo, faz parte do meu trabalho!

— Acalme-se, Lutz. Deid, o que quer dizer com isso? — O Sumo Sacerdote parou Lutz com um gesto e pediu a Deid uma explicação. A essa altura, Deid, naturalmente, esperava isso, e olhou para Benno e Mark sem parar.

— Esse cara disse que quer levar Lutz para que ele possa ajudar a fazer uma oficina.

— E?

— Por que ele está querendo um dahua e um aprendiz para aprender esse tipo de coisa? Não é necessário.

Um aprendiz de dahua era o equivalente prático de um estágio de três anos no Japão. O foco seria ensinar-lhes os fundamentos, o trabalho manual simples e afins. Pode-se enviar um dahua para outra cidade, para trabalhar em uma loja recém-inaugurada, mas eles não estariam envolvidos na criação de uma nova loja ou de uma oficina.

Eu sabia que o sonho de Lutz era ir para outras cidades, então, eu estava feliz por ele estar realizando isso, mas de uma perspectiva normal, realmente não era o trabalho de um dahua fazer esse tipo de coisa. Era o trabalho de um dapla, ou de um sucessor. Não era algo que Lutz precisava fazer sozinho. A posição de Deid, de que não era necessário que ele se arriscasse saindo da cidade para trabalhar fora de seu contrato, fazia todo o sentido.

O Sumo Sacerdote e eu olhamos para Benno, simultaneamente. Ele suspirou e olhou para Deid. — Como eu disse no outro dia, após pensar nas habilidades de Lutz e nos meus planos futuros de abrir lojas, concluo que gostaria de criar Lutz como meu sucessor. Mostrar a ele a criação de oficinas em outra cidade é uma parte disso e também é por isso que eu gostaria de adotá-lo.

— Arg, nem pense nisso.— Deid derrubou a sugestão de Benno no local. Ele então olhou em volta para todos e murmurou: — Isso também precisa de uma explicação?

O Sumo Sacerdote confirmou que realmente precisava de uma, apoiado por um aceno de cabeça de Benno, que disse: — Eu gostaria de ouvir seu raciocínio. Se me perdoar a grosseria, não ajudará a carreira do Lutz, devido à sua falta de envolvimento nos negócios. Eu adotar Lutz será bom não apenas para o meu negócio, mas também para o futuro dele.

As palavras de Benno fizeram Deid abaixar os olhos brevemente. Ele então lançou um olhar direto para Benno. — Você não tem filhos, certo?

— Sim, e é por isso que estou considerando Lutz como um potencial sucessor. — Benno franziu a testa, não entendendo o que ele não ter filhos tinha a ver com nada. Ele não teria motivos para adotar Lutz se já tivesse filhos.

— Não foi isso que eu quis dizer,— disse Deid, dando um suspiro pesado. — Você está certo de que eu não posso ajudar Lutz e sou grato por você pensar bem dele.— Seus olhos vacilaram enquanto ele procurava por palavras, até que finalmente ele olhou para trás e para frente entre Lutz e Benno. — Você é bom em administrar um negócio e aposto que é um comerciante qualificado. Você tem até o coração para perdoar todos os problemas que Lutz lhe deu. Mas você não seria um bom pai.

Ele não estava insultando Benno ou caluniando seu nome. Mas ainda assim, ele o estava rejeitando. Por alguma razão, ele pensou que não seria um bom pai.

— Por favor, explique por que você acha que ele não seria um bom pai. Benno tem uma má reputação ou algo assim? — perguntou o Sumo Sacerdote, para o qual Deid assentiu.

— Isso seria mais fácil se ele tivesse.— disse ele, depois olhou para Benno de frente. — Não importa o quão bom em seu trabalho você seja, você está tentando adotar uma criança, não por causa dela, mas por seus negócios. Ninguém assim seria um bom pai. Os pais não podem pensar em tudo como vantagens e desvantagens. Estou errado?

Benno arregalou os olhos, de surpresa, depois deu um sorriso amargo. — Entendo. Tem razão. Estou, certamente, priorizando os lucros dos negócios, acima de tudo.

Benno estava considerando adotar Lutz porque seria a coisa mais benéfica para ele e seu negócio. Naturalmente, a personalidade e outras qualidades de Lutz ajudaram, mas quando se tratava de um sucessor para seu negócio, os lucros futuros importavam, acima de tudo. Isso era normal para um comerciante, mas seria difícil para Benno protestar contra um pai que encontrasse falhas nele.

— Entendo por que você rejeitou a adoção. No entanto, levo muito a sério o futuro potencial de Lutz. Você acharia um contrato dapla mais agradável que uma adoção?

Se dahuas eram como funcionários de meio-período, então daplas eram como gerentes que poderiam, eventualmente, ser confiáveis com a operação de um negócio. A segurança, o pagamento e o trabalho oferecidos pelo empregador mudavam drasticamente.

— Acho que é muito cedo para isso.

— Muito cedo? — Desta vez, Deid nem sequer tentou esconder seu aborrecimento com a pergunta do Sumo Sacerdote. Ele deu de ombros com uma careta e explicou. — Normalmente, os daplas são assinados depois que você assiste ao trabalho como um dahua por alguns anos. Não passou nem uma única temporada desde o batismo de Lutz,— disse ele, ganhando uma sobrancelha levantada de Benno.

— Não faz muito tempo desde o batismo dele, mas tenho feito negócios com Lutz por um ano inteiro.

— Isso é um fato?

— Sim. Imagino que esteja ciente do fardo financeiro que um empregador carrega ao contratar um aprendiz. Quando conheci Lutz, não tinha intenção de contratá-lo. Com isso em mente, como um teste para avaliar suas habilidades, dei a ele uma tarefa para completar o que a maioria acharia impossível. No entanto, ele conseguiu notas excelentes, muito além do que eu esperava.

— Oh? — Deid estava ouvindo como se nunca tivesse ouvido nada disso. Se eu me lembrasse corretamente, na época, Deid havia dito a Lutz para apenas se tornar um artesão de fabricação de papel em vez de um comerciante. Talvez ele não tenha perguntado a Lutz por que ele estava fazendo papel. Talvez Lutz não tenha contado a ele.

— Lutz demonstrou ter a determinação e a resistência necessárias para superar as desvantagens que sua falta de educação comercial lhe deram. Quero garantir o emprego dele antes de outra loja, e quanto mais cedo começar a criá-lo para ser meu sucessor, melhor. Eu valorizo sua ética de trabalho, mas ele tem um longo caminho a percorrer.

— Tudo bem então.— Deid assentiu e depois, após olhar para o Sumo Sacerdote que estava começando a se levantar, explicou o que ele queria dizer. — Não importa o quanto eu queira ajudá-lo, eu não sei nada sobre ser um comerciante. Se você está pensando que quer confiar todo um negócio a ele, esse contrato lhe fará muito bem.

— Nesse caso,— disse Mark, com um sorriso — sugiro que preenchamos imediatamente a papelada na Guilda dos Comerciantes.

Deid fez uma careta, parecendo completamente descontente. — Vocês comerciantes e seus…

— Pai. — Um sussurro vazou da boca de Lutz. Seu pai cortar no meio o insulto, era a cereja em cima do bolo, que mostrou a Lutz o quanto ele o amava. Lágrimas escorriam de seus olhos verde-jade, que se pareciam com os de Deid.

Karla também estava soluçando baixinho e Deid parecia extremamente desconfortável, preso, entre eles. Ele desviou os olhos deles e coçou a cabeça. Sua expressão deixou claro que ele estava finalmente sentindo o constrangimento de dizer tudo o que normalmente deixava por dizer.

— Lutz! Peça desculpas! — gritou Deid, do nada. Era difícil dizer, por sua pele bronzeada, mas suas bochechas pareciam um pouco vermelhas.

— Deid, você deve explicar, se quiser que ele entenda,— apontou o Sumo Sacerdote, com um suspiro.

Deid fez uma careta, vacilou por um segundo e gritou com Lutz. — Você enlouqueceu, com seus mal-entendidos, envolveu tanta gente, nesta bagunça. Peça desculpas, com tudo o que você fez!

As palavras de Deid enfiaram uma lança no meu peito. Lutz não tinha envolvido tantas pessoas, eu tinha.

— Sinto muito! — Lutz e eu nos desculpamos juntos, embora ninguém pudesse ouvir minhas desculpas. Os pais de Lutz estavam olhando para Lutz, mas o Sumo Sacerdote, Benno e Mark estavam todos olhando diretamente para mim.

— Vamos-lá. Vamos para casa, seu pirralho.

Lutz correu para Deid, que lhe deu um golpe sólido na cabeça. Apesar de enxugar as lágrimas, com um grunhido de dor, Lutz parecia muito feliz, enquanto estava ao lado de seu pai.

— Acho que eu deveria dizer algo também. Arg. Acho que não estava sendo claro o suficiente. Você nos ajudou. Obrigado.— Parecendo um pouco envergonhado, Deid agradeceu ao Sumo Sacerdote, antes de se virar e sair da sala. Karla pegou a mão de Lutz e eles saíram juntos.

— Mestre Benno, vamos para a Guilda dos Comerciantes.

— Sumo Sacerdote, eu realmente agradeço, com toda a sinceridade, por hoje. Parece que tudo foi resolvido pacificamente.— Após dar um longo obrigado, Benno saiu da sala. Ele provavelmente estava perseguindo Lutz e seus pais, para que eles pudessem assinar o contrato dapla, na Guilda dos Comerciantes.

No momento em que Benno e Mark saíram da sala, deixando apenas o Sumo Sacerdote e eu para trás, alguns sacerdotes cinzentos entraram para limpar as cadeiras e tal.

— Tome cuidado para ouvir todos os lados de uma história antes de tomar uma decisão. A verdade sempre será distorcida se você ouvir apenas o que uma pessoa tem a dizer.

— Entendido,— eu disse com uma voz inaudível, com um aceno de cabeça, depois do qual o Sumo Sacerdote agarrou a ferramenta mágica acorrentada ao pulso.

— Felizmente, parece que a família deles vai ficar bem.

Pisquei de surpresa, com suas palavras repentinas, e olhei para o Sumo Sacerdote. Ao ver minha confusão, seu rosto, sem emoção e sem expressão, se contorceu em uma leve careta.

— Você mesma não disse isso? Sua resolução ideal seria resolver o problema e devolver Lutz de volta para sua família,— disse ele, lembrando-me da expressão feliz e chorosa de Lutz. O pensamento de Lutz, que estava frustrado com seus problemas familiares há quase um ano, chorando, lágrimas felizes, enquanto voltava para casa com Deid e Karla, também fez meus olhos lacrimejarem.

— Hum, é perfeito. Realmente é.— As coisas ficaram distorcidas porque nenhum deles realmente conversou um com o outro, mas eles ainda tinham amor um pelo outro. Fiquei feliz que Lutz consertou as coisas com a família.

— Myne, pare de chorar. As pessoas podem não entender e pensar que sou eu que estou fazendo você chorar. — O Sumo Sacerdote, tendo notado os sacerdotes cinzentos olhando para nós, fez uma careta muito mais clara, desta vez.

— Está tudo bem, são lágrimas de felicidade.

— Meus Deuses, Myne.

Tentei enxugar minhas lágrimas, com minha túnica azul, mas o Sumo Sacerdote me agarrou e me disse para não enxugar meu rosto com minhas roupas. Mas eu não tinha um lenço, e Fran, que provavelmente tinha, parecia ocupado.

Ao me ver, seguindo Fran com meus olhos, o Sumo Sacerdote me emprestou seu próprio lenço, com uma expressão muito infeliz. Seu nome estava bordado nele, e, pela primeira vez, eu aprendi que o nome do Sumo Sacerdote era Ferdinando.

Fim da leitura

Capítulo 113 concluído

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