Ascendance of a BookwormCAPÍTULO 116 - 115
Capítulo 116Ascendance of a Bookworm – Capítulo 115
Autoconsciência de um Assistente
— Gil, você sabe o que fazer!
— Sim!
Logo após o café da manhã, começamos a preparar a oficina. Hoje, estávamos indo para a floresta com Lutz, Gunther e Tuuli na liderança. Aparentemente, a floresta era totalmente diferente da cidade baixa. Aprenderíamos a fazer papel lá, depois faríamos na oficina.
Eu estava bem, fazendo isso só porque a Irmã Myne me pediu, mas as outras crianças não estavam muito felizes em ter trabalho extra. Kai, um garoto com quem eu costumava brincar no orfanato, antes de me tornar assistente da Irmã Myne, olhou para suas roupas e fez uma careta. Elas eram de segunda mão e todas remendadas, parecendo ainda piores que as vestes cinzentas que ele normalmente usava.
— Ei, Gil. De que adianta fazer papel? — Essa era uma pergunta para a qual eu realmente não tinha uma resposta. Olhei para Lutz, já que ele geralmente entendia melhor os planos da Irmã Myne. Ele notou meu olhar e começou a pensar. A vida no templo era tão diferente da vida na cidade, que explicar as coisas às vezes podia ser difícil.
— Vocês não entenderiam se eu dissesse que estamos vendendo o papel para a Companhia Gilberta, hein. Vejamos. Vai dar mais dinheiro à Myne, então. Ah, isso também não vai funcionar. Dinheiro não é uma coisa aqui. Certo. Basicamente, você terá mais comida para comer.
— Sério?!— Os olhos de Kai brilharam com alegria. A situação alimentar no orfanato havia melhorado um pouco graças à Irmã Myne, mas ainda não era suficiente. Mais comida faria qualquer um feliz aqui.
— Tudo bem, vamos lá. Vamos fazer este papel.
— É loucura, hein? Tudo o que tínhamos que fazer era seguir as instruções da Irmã Myne e agora podemos fazer nossa própria sopa. Não precisávamos ficar sentados esperando por mais presentes divinos.
Kai e os outros conversando, me lembraram de como o orfanato era há não muito tempo. Com mais e mais sacerdotes e donzelas azuis do santuário deixando o templo, mais e mais ex-assistentes voltaram ao orfanato. Havia mais sacerdotes cinzentos, mas menos comida. Todos recebiam menos dons divinos e todos estavam com fome o tempo todo. Nenhum novo sacerdote azul veio ao templo até a Irmã Myne, então ninguém foi levado como assistente e ninguém conseguiu mais comida.
— No início, pensei que uma donzela azul do santuário plebeia seria uma droga, mas apenas a Irmã Myne faria tudo isso, hein? Só ela nos diria que, se quisermos comer, devemos apenas fazer nossa própria comida.
Irmã Myne tinha ensinado a todos, no orfanato, como fazer sopa e nos comprou ingredientes para usar. Foi uma revolução que corrompeu a tradição do orfanato, de apenas esperar que a comida preparada chegasse.
— Você sabe, ela não está apenas enviando vocês para a floresta para ensiná-los a fazer papel. Ela está pensando que se vocês aprenderem um pouco sobre a comida que cresce na floresta, serão capazes de se salvar da fome se chegar a esse ponto,— explicou Lutz.
Os olhos de Kai se arregalaram, então ele sorriu um pouco. — Estou feliz que a Irmã Myne se tornou a diretora do orfanato. Nenhum outro manto azul tentaria melhorar as coisas para nós.
— Então é melhor você trabalhar duro e fazer um bom papel para ela.
— Sim.
Distribuímos facas, cestos e assim por diante para as crianças, ansiosas. Em seguida, pegamos os potes e vaporizadores necessários para fazer o papel lá. Era hora de ir para a floresta.
— Irmã Myne, eu vou aprender. Vou prestar atenção.
— Sim, Gil. Vá aprender a coletar e fazer papel direito. — disse Myne. Balancei a cabeça, com força, e então, vi que Lutz estava acenando com a mão para cima, dando instruções a todos, já que ele era o mais acostumado ao orfanato.
— Certifiquem-se de ficar perto do Sr. Gunther. Eles não vão deixar você sair do portão se estiver por conta própria.— Gunther era o pai da Irmã Myne e Tuuli era sua irmã mais velha. Ou assim eu ouvi, mas eu realmente não sabia o que essas palavras significavam. A Irmã Myne explicou que eles eram sua família, pessoas com quem ela morava, mas não era compreensível para mim. Eles provavelmente eram como seus assistentes, que ficavam com ela, quando ela estava na cidade baixa. Ou talvez eles fossem como os outros órfãos eram para mim, já que morávamos juntos.
Eu não entendia o que eram famílias, mas eu esperava que um dia ela pudesse confiar em mim, tanto quanto ela confiava neles.
Quando saímos do portão, o cenário mudou instantaneamente. Ao contrário do templo branco puro, a cidade baixa era marrom e absolutamente fedida. Eu estava feliz apenas por deixar o templo reprimido, mas alguns dos outros estavam amassando seus rostos. Gunther notou isso e deu de ombros.
— Este lugar não é como seu templo agradável e limpo, hein?
— É sujo, fedorento, barulhento, e tem muita gente. Além disso, é estranho que os edifícios não sejam brancos.— Um dos órfãos falou e os outros assentiram, enquanto olhavam ao redor. O orfanato parecia apertado de todos os sacerdotes cinzentos sendo enviados de volta, mas havia tantas pessoas na cidade que não havia muito mais espaço. Era tão barulhento aqui que era difícil acreditar o quão silenciosos eles foram instruídos a ser no templo. A primeira vez que saí do templo, fiquei tão animado com todas as pessoas e coisas para ver, que realmente me senti um pouco doente, depois.
— O que é isso? Eu nunca vi nenhuma dessas coisas antes.
— Todo mundo está usando todos os tipos de roupas diferentes. Aquilo ali é uma donzela azul do santuário? — Um órfão apontou para uma mulher vestindo roupas azuis, e imediatamente todos eles entraram na beira da estrada e se ajoelharam.
— Não, não! Não há donzelas azuis do santuário ou padres na cidade! Vocês não precisam se ajoelhar!
— S-Sério? — Meio ajoelhados, eles congelaram no lugar e observaram, nervosamente, a mulher, com medo de que fossem gritar com eles.
Me deu vontade de balançar minha cabeça. Irmã Myne e Lutz definitivamente sentiram o mesmo, quando Fran e eu visitamos a cidade pela primeira vez. Aqueles que haviam sido abrigados no templo se destacaram como uma espinha dolorosa na cidade. Eles claramente não estavam acostumados a nada e passavam todo o tempo olhando ao redor, o que era extremamente suspeito. Tentei ensinar-lhes o que pude, das minhas viagens para a cidade baixa.
— Apenas edifícios para nobres são puramente brancos. Em outras palavras, os edifícios plebeus têm muitas cores. Ao contrário do templo, não há regras para como tudo tem que parecer. Há muitas cores. Pessoas são, uh, ricas? Tipo, pessoas com muito dinheiro moram aqui, então tudo é bonito, mas quanto mais ao sul formos, mais sujo ficará. As pessoas lá embaixo estarão vestindo roupas como as nossas.
— Como você sabe de tudo isso, Gil? — perguntou uma criança, enquanto piscava confusa. Estufei meu peito com orgulho.
— Eu saio do templo o tempo todo, para acompanhar a Irmã Myne em seu trajeto.— No passado, eu acabava sendo enviado principalmente para a câmara de arrependimento pelos padres zeladores. Nunca recebi atenção por boas razões.
Mas, apesar do meu orgulho, Lutz deu um tapinha no meu ombro e me lembrou que estraguei tudo na cidade baixa muitas vezes. — Não toquem em nada que verem até que eu diga. A primeira vez que Gil foi à cidade, ele roubou algumas frutas, pensando ser um presente divino e levou um sermão aos berros. Ao contrário do templo, há punição física aqui. Não faça nada que deixe as pessoas com raiva de você. Eles vão gritar do nada e dar um soco na sua cara. Dói e é assustador.
Lutz, revelando meus erros do passado, fez as crianças rirem. Eles conversaram entre si, dizendo “Não toque em nada na cidade! Eles vão ficar bravos!”
Aff. Finalmente ganhei algum respeito, mas Lutz estragou tudo.
O cenário mudou um pouco, novamente, na praça central. As partes de madeira dos edifícios, que costumavam ser coloridas, ficaram marrons, e os próprios edifícios ficaram mais estreitos. As roupas que as pessoas usavam perderam a cor e se transformaram nas mesmas roupas esfarrapadas que usávamos. Até a atitude das pessoas mudou.
— Quantas vezes eu tenho que te ensinar esta lição?!— Um grito, diferente de qualquer coisa que você ouviria no templo, disparou pelo ar e um homem mais velho deu um soco em um jovem adulto, consertando algum prédio.
— Aaah! Punição física!
— Aah, aaah! Tuuli! É verdade que está tudo bem ser violento assim? — Uma donzela cinza do santuário apertou a manga de Tuuli, tremendo.
Tuuli deu um sorriso desconfortável. — Às vezes, algumas pessoas não aprendem a menos que gritem com elas. E você não precisa ter medo. Não vai acontecer com você se você não fizer nada para deixar as pessoas com raiva.
Quanto mais ao sul íamos, mais altas as vozes ficavam. Gritos ecoaram pelo ar e deram à cidade uma atmosfera assustadora, completamente diferente do ambiente silencioso do templo.
— Há pessoas ainda mais assustadoras nos becos, então não vá sozinho. Continue caminhando direto para o portão à frente,— disse Tuuli, enquanto apontava para um grande portão, do outro lado da rua.
Os órfãos não estavam apenas ouvindo Tuuli porque tinham medo da cidade. Ela era a professora deles, a que os ensinou a fazer sopa. Lutz e Tuuli tinham basicamente a mesma idade que eu, mas sabiam muitas coisas, podiam fazer muitas coisas e ajudavam muito a Irmã Myne. As únicas coisas que eu podia fazer, sem ajuda, eram limpá-la e acompanhá-la em seu trajeto. Todo o resto, eu estava no meio de aprender com Fran, então era difícil me chamar de muito útil.
Talvez, devido ao quão assustador era o sul da cidade, todos, subconscientemente, aceleraram, até chegarmos ao portão. Parecia o portão do templo, mas era ainda maior. Aparentemente, não havia mais cidade além do portão. Antes de passar, Gunther ergueu a mão e disse a todos para pararem.
— Vou me certificar de que eles saibam sobre nós. Ei, Otto! — Gunther desapareceu no portão e ficamos presos na frente dele. Olhos curiosos caíram sobre nós das outras pessoas esperando no portão. Para aqueles que nunca deixaram o templo, eles estavam em um mundo totalmente desconhecido. Toda a minha vida me disseram que eu nunca deveria deixar o templo, então estar do lado de fora fazia com que uma sensação de culpa se espalhasse pelo meu peito. As outras crianças pareciam se sentir da mesma maneira, a julgar por como pareciam cada vez mais desconfortáveis.
— Vocês não precisam se preocupar, pessoal. Papai está conosco — disse Tuuli, sorrindo gentilmente. Os guardas precisavam vigiar todos os dias para impedir que pessoas que eles não conheciam, entrassem e saíssem da cidade, aparentemente, então era o trabalho deles, nos examinar.
— Eles conhecem os rostos das crianças da cidade, mas não conhecem nenhum de vocês, desde que vocês nunca deixaram a cidade. Papai é um guarda aqui, então, quando ele disser quem é, eles nos deixarão passar.
— Parece que trazer Gunther foi a decisão certa. Eu nunca conseguiria que eles deixassem todos esses órfãos saírem,— disse Lutz enquanto observava Gunther falar com um guarda. Pisquei, surpreso.
— Há algumas coisas que você não pode fazer, Lutz?
— Sim, é claro. Há mais que não posso fazer, que coisas que posso.
Sempre pareceu que a Irmã Myne estava pedindo para Lutz fazer tudo, mas, mesmo ele, tinha algumas coisas que não podia fazer. Isso foi um grande alívio para mim, de alguma forma.
— Ah. Acho que se eu trabalhar duro, serei útil para a Irmã Myne, também, algum dia.
— É melhor mesmo. Não consigo ficar de olho na Myne quando ela está no templo, então sim.— Lutz sorriu.
Kai, que aparentemente estava ouvindo nossa conversa, piscou de surpresa e olhou para mim. — Você mudou. Não faz muito tempo que você odiava ter que servi-la. Tenho certeza de que você a chamou de pirralha plebeia.
— Sim, acho que sim.— Minha vida e o orfanato mudaram tanto, que parecia haver passado muito tempo, mas, na realidade, não fazia nem uma temporada desde que a Irmã Myne se juntou ao templo.
— Com certeza fiquei chocado quando Arno disse que você seria o novo criado da donzela azul do santuário, cara. Você está sempre preso nas câmaras de arrependimento e pensei que eu teria sido um assistente melhor que você.
Todos assentiram com Kai. Cada um deles queria se tornar o novo criado da donzela azul do santuário. Naturalmente, uma vez que se torna um assistente, você deixa o orfanato. Mas Arno tinha atirado em todos eles e afirmou que o Sumo Sacerdote tinha decidido sobre Gil. Na época, eu estava super animado para deixar o orfanato e obter uma posição mais alta que os padres zeladores, que sempre me colocavam na sala de arrependimento. Mas minha felicidade foi destruída em um instante.
— Ei, eu me lembro de como todos vocês riram de mim quando Arno disse que a nova donzela do santuário era uma plebeia, e que eu não sairia do orfanato, já que ela nem estava recebendo um quarto.
— Sim, eu me lembro disso. Eu estava tipo, qual é o ponto em servir alguém que nem sequer dá comida ou um quarto? Eu até disse que uma donzela azul do santuário plebeia era perfeita para você, e que eu estava feliz por não ter sido escolhido. Bons tempos.
Eles riram de mim, dizendo estarem dando a ela a pessoa mais inútil do orfanato, já que ela era uma plebeia, e essa frustração ficou comigo, quando conheci a Irmã Myne. Ela era mais baixa que eu, não agia nem falava como as outras donzelas azuis do santuário, e eu simplesmente surtei. Eu não podia acreditar que ela deveria ser minha mestra.
— Você continuou reclamando sobre ela não ser uma donzela azul do santuário normal, e agora, olhe para você.
— Sim, agora estou feliz por ela não ser uma donzela azul do santuário normal. Se eu trabalho duro, ela reconhece isso e me elogia.— Foi porque a Irmã Myne era uma plebeia, onde ser recompensada pelo trabalho era normal, que ela deu um tapinha na minha cabeça e me elogiou, apenas por limpar seus aposentos. Pensar nela me elogiando me fez feliz. Ela batia na minha cabeça, com a mãozinha, enquanto dizia: “Obrigado, Gil. Você trabalhou duro” ou algo semelhante. Sempre fazia um calor se espalhar pelo meu peito, que me fazia sorrir, sem perceber.
Ninguém tinha dado um tapinha na minha cabeça assim, depois que fui batizado e deixado o porão do orfanato. Não só isso, mas eu era, aparentemente, uma criança que veio para o orfanato, em vez de nascer lá, então as mulheres no porão, não me seguraram ou esfregaram minha cabeça muito, em comparação com as outras crianças.
— Vou aprender muitas coisas e ser útil para a Irmã Myne, assim como Lutz.
— Humm. Mas acho que aprendo mais rápido que você. E a irmã Myne vai receber mais assistentes porque ela tem tão poucos agora, sim?— disse Kai, e as crianças ao seu redor assentiram. Mas isso me pegou completamente desprevenido.
— Sim, sim. Irmã Myne aprecia o trabalho duro. Só temos que trabalhar duro para que ela nos aprecie também, não só ao Gil. Se trabalharmos mais que Gil, ela pode até substituí-lo por nós. Não que você esteja fazendo muito trabalho agora, Gil.
Foi só então que percebi. Irmã Myne era uma nova sacerdotisa azul, que acabara de se juntar ao templo, então ela só recebeu os assistentes do Sumo Sacerdote. Ela ainda não tinha escolhido nenhum dos seus. Era possível que ela começasse a escolher novos assistentes e substituísse os antigos, em breve. Essa percepção horrível fez meu coração começar a bater rápido.
Irmã Myne tem um coração cheio de compaixão, o suficiente para se importar com todas as crianças do orfanato. Ela nunca seria cruel com seus assistentes. E já que todos no orfanato sabem disso, não seria estranho que todos começassem a lutar para ser assistentes dela.
Crac. Há uma tonelada de pessoas no orfanato que são melhores que eu. Senti um suor frio escorrer pelas minhas costas. Havia muitos sacerdotes cinzentos com experiência e muitas donzelas cinzas do santuário, que poderiam ajudá-la com as coisas de meninas que eu nunca poderia. Fran era assistente do Sumo Sacerdote, então ele podia fazer tudo. Ele já estava fazendo a maior parte do trabalho sozinho. Delia é uma garota, e todas as donzelas azuis do santuário precisavam de uma assistente para cuidar delas. Sem mencionar que, como o Arcebispo ordenou que Delia fosse assistente da Irmã Myne, ela não seria capaz de substituí-la, agora que estava fazendo seu trabalho com seriedade.
Se eu não aprendesse a fazer muitas coisas, seria o assistente mais inútil que ela tinha. Mas como? Uma indescritível sensação de desconforto se espalhou pelo meu peito. Eu sabia, mais que ninguém, que eu tinha sido um pirralho real e que eu mal era capaz de ajudá-la em tudo.
— Nós podemos passar! — Gunther gritou e nos gesticulou para frente, então o grupo de órfãos começou a passar pelo portão.
Segui enquanto segurava minha garganta. Estava formigando tanto que parecia que eu não conseguia respirar. Eu tinha faltado às aulas por tanto tempo que todos podiam fazer mais que eu. Não sabia o quanto teria que me esforçar para compensar isso.
— Gil, você está horrível. Você está se sentindo doente ou algo assim?
— Lutz. Não sei se algum dia poderei ajudar Myne, não importa o quanto eu trabalhe. Ela pode me trocar por outra pessoa.— confessei minhas preocupações a Lutz, que piscou de surpresa.
— Não seja estúpido,— disse ele, balançando a cabeça e atravessando o portão.
Não entendi. O que ele quis dizer com isso? Estou sendo estúpido? O túnel escuro, do portão largo, parecia simbólico para o meu humor. As crianças estavam dizendo: “Isso me lembra o porão”. Sim, é assustador. “Tão escuro!” e suas vozes ecoaram surpreendentemente alto. Caminhei entre eles, sentindo-me impotente e desconfortável.
Quão duro devo trabalhar? É tarde demais para eu alcançar os outros?
Após passar pela sombra completa do túnel do portão e chegar ao outro lado, estávamos do lado de fora. Era tão brilhante que só de abrir os olhos doía. Quando a dor desapareceu, vi um cenário diferente de qualquer coisa que já tinha visto antes, se espalhando na minha frente. Eu só conhecia o céu cercado por paredes, então ver o vasto céu se expandindo infinitamente, me surpreendeu mais do que eu poderia dizer. As crianças ao meu redor devem ter se sentido da mesma forma, pois todos começaram a gritar de admiração.
— Wooow! Incrível! Olhe! O céu é tão largo! Não é um quadrado!
— É muito brilhante e o sol parece mais deslumbrante que o normal.
— O céu me faz pensar na Irmã Myne. Isso parece tão brilhante quanto a primeira vez que saí daquele porão.
Seus comentários me fizeram lembrar daquele dia em que a Irmã Myne limpou o orfanato e todos comeram comida com sorrisos no rosto. Esse foi o dia que fiquei muito feliz pela Irmã Myne ser minha mestra. Me senti orgulhoso de ser seu assistente.
— Lutz. Não quero deixar de ser assistente da Irmã Myne. Vou ser útil para ela.
— Você realmente não entende, não é?— Lutz olhou para mim, com os olhos de jade cheios de surpresa e exasperação. — Ouça. Foi você quem trouxe sopa para as crianças, todos os dias, depois que Myne soube disso, certo? Foi você quem liderou a limpeza, certo? Você já está sendo útil para Myne. Se você ainda está ansioso com isso, tente aprender a fazer mais. Myne não vai cortá-lo tão facilmente, se você está trabalhando duro para melhorar. Você pode começar aprendendo a fazer papel, aqui.
Aparentemente, ela logo precisaria muito de assistentes para gerenciar a oficina em seu lugar, pois ficaria mais ocupada. Lutz, sorrindo, disse que eu provavelmente ficaria mais confiante se eu começasse a gerenciar o ateliê, que era tão importante para Myne, e o orfanato. No segundo em que ele disse isso e me deu um objetivo claro, minha preocupação desapareceu.
— Gerenciando o ateliê, hein?
— A fabricação de papel do Ateliê da Myne, definitivamente, será vital para comprar a comida do orfanato, e será a fonte de renda mais importante de Myne. Faça um bom trabalho, Gil. Você é o assistente dela. — Lutz me deu um tapa nas costas e eu olhei para o céu. Parecia muito mais brilhante e azul que antes.
— Gil, Lutz, rápido! Vocês estão ficando para trás!— O grito de Tuuli me trouxe de volta à realidade e vi as crianças correndo em direção à floresta com gritos e sorrisos, cheias de emoção de finalmente serem livres.
— Vamos encontrar coisas para a Irmã Myne na floresta!
— Ei! Espere! Eu vou entrar primeiro. Sou o assistente da Irmã Myne!— Persegui eles, e as crianças fugiram gritando.
— Vocês estão todos ficando muito animados. Tem que guardar sua energia para o caminho de volta — avisou Gunther, com um sorriso.
Tuuli olhou para eles e sorriu feliz. — Essas crianças realmente amam Myne.
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