Ascendance of a Bookworm — Capítulo 119: CAPÍTULO 119 - 118

Ascendance of a Bookworm
Cap. 119
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Ascendance of a Bookworm

CAPÍTULO 119 - 118

Capítulo 119

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Ascendance of a Bookworm – Capítulo 118

Uma Wilma, por favor.

— Eheheh, heheheheeeh. Bom dia, Lutz. Vamos parar na loja, antes do templo, hoje!

Quando Lutz veio me buscar, eu o cumprimentei enquanto cantarolava. Lutz deu um passo rápido para trás, como se tivesse visto algo horrível, depois olhou para mamãe em busca de uma explicação.

— Myne, vou explicar para Lutz. Apresse-se e prepare suas coisas — disse mamãe, enquanto esfregava as têmporas, então fui para o quarto.

Quais eram alguns bons livros para bebês? Pensando nos best-sellers, eu tinha certeza de que havia um em que era apenas uma série de páginas alternando entre alguém escondendo o rosto e mostrando o rosto. Um jogo de “esconde-esconde”, mas em forma de livro de imagens.

Mas eu não sabia qual era o equivalente a esconde-esconde neste mundo. Eu poderia supôr que o processo de esconder o rosto, em seguida, mostrando, era universal, mas eu não sabia o que eles diziam ao bebê. Talvez eu pudesse perguntar a alguém e eles saberiam o que eu quero dizer. Aah. Acho que será melhor transformar uma das histórias da mamãe em um livro ilustrado. Parece que vai ser o melhor.

— Sinto muito, Lutz. Ela ficou um pouco animada demais por se tornar uma irmã mais velha, então talvez ela não devesse sair hoje?

— Não, ela vai ficar assim quando o bebê nascer, de qualquer maneira. Ela puxou seu marido, Sra. Effa.

— Você está certo. Gunther ficou igualmente animado.— Mamãe balançou a cabeça com exasperação, mas seu sorriso ainda era feliz.

— Ok, estou pronta. Tchau, mãe. Eu voltarei. Não se esforce quando estiver se sentindo mal. Vou trabalhar duro e ganhar muito dinheiro para que você possa ir com calma.

— Myne, seu pai disse exatamente a mesma coisa, esta manhã.

Saí de casa, enquanto mamãe ria de mim. Primeiro, fomos para a Companhia Gilberta. Eu precisava relatar que eu estava me tornando uma irmã mais velha e ao longo do caminho encomendar karuta para o orfanato. Falei longamente com Lutz sobre livros ilustrados, enquanto caminhávamos.

— Tuuli vai fazer roupas e fraldas para o bebê, então eu vou fazer (livros ilustrados).

— O que é isso?

— Livros com ilustrações que são fáceis de ler, para as crianças,— expliquei enquanto estufava meu peito com orgulho, o que levou Lutz a suspirar e balançar a cabeça.

— Vamos lá, uma criança que acabou de nascer não saberá ler.

— Ler em voz alta para as crianças é importante! Vou ler muitos livros para ele. Provavelmente, precisaremos fazer papel grosso primeiro. Mas já que bebês gostam de colocar todo tipo de coisa na boca, acho que tábuas finas serão melhores que papel. Ou talvez pudéssemos fazer um livro de pano? Oh, mas eu nunca vi (senti) isso aqui antes. E não poderei ajudar em nada com livros de pano. Lutz, o que devo fazer?— Eu olhei para Lutz, mas ele estava evitando o contato visual, seu olhar vacilando.

— Quero dizer, uuh.

— Ficarei triste se não puder ajudar a fazer um livro de ilustrações. Mas livros de papel rasgarão facilmente ou talvez até sejam mastigados, e só de pensar em tinta na boca de um bebê é… aaah! É muito perigoso!

Eu embalei minha cabeça, imaginando um bebê com tinta na boca e papel mastigado em todos os lugares.

Lutz suspirou de exasperação e bateu com a mão no meu ombro.

— Acalme-se, Myne. Vai ser na próxima primavera, que ele vai nascer, certo? Não vai acontecer amanhã.

— Mas eu quero fazer muitos protótipos e melhorar, melhorar e melhorar, até ter algo perfeito!

— Você enlouquecer nunca acaba bem. Você vai acabar desmaiando. Fique calma e escute o que as pessoas falam para você.

Chegamos na Companhia Gilberta, com Lutz me dando avisos. Mark estava dentro da loja, como sempre, trabalhando rapidamente.

— Mark, Benno está? Quero ir à oficina de carpintaria de Sieg novamente para pedir mais tábuas de madeira para conjuntos de karuta.

— Eu cuido disso. Você certamente parece satisfeita hoje, Myne.

No momento em que Mark disse isso, enquanto saía do quadro de pedidos de suprimentos, meu entusiasmo subiu tão alto que pude senti-lo.

— Eheheh. Adivinha, Mark? Eu vou ser uma irmã mais velha! Estarei muito ocupada fazendo livros, karuta, bloquinhos de construção e todos os tipos de coisas, em preparação.

— Ah, um livro para um bebê, hein? Enquanto você estiver aqui, você pode querer informar o mestre sobre isso.

Mark nos levou ao escritório com um sorriso e eu imediatamente corri até Benno.

— Bom dia, Benno. Eu vou ser uma irmã mais velha quando a primavera chegar. Então, vou fazer um (livro ilustrado) para o bebê!

— Ham? O que é isso?

— Um livro para crianças!

— Um livro para crianças, hein? Mas as crianças não sabem ler.

Benno disse a mesma coisa que Lutz. Livros ilustrados eram perfeitos para construir laços entre pais e filhos. Apenas olhar para as ilustrações era divertido, por conta própria, e eles ajudavam as crianças a se acostumar com letras desde tenra idade. Por que ninguém apreciou sua glória?

— Ler em voz alta para as crianças é importante. Isso os ajudará a aprender letras desde tenra idade.

— Hmm. Um desses pode ser um bom presente para Corinna. Mas quem vai desenhar a arte?

— Eu, é claro! Cheia de amor!— Ia ser um presente para o meu irmãozinho ou irmã. Claro que eu faria isso sozinha.

— Não. Use o artista da última vez. Caso contrário, você vai mexer com o gosto das crianças em arte. Elas podem nunca se recuperar.

— Tão maldoso!

— A verdade dói. Você deveria me agradecer por te avisar.

Benno me forçou a prometer usar a mesma artista que da última vez, Wilma. Eu me dirigi para o templo fazendo beicinho, como se meu amor, como uma irmã mais velha, tivesse sido rejeitado.

— Ei, Myne. Se vai fazer muitos livros ilustrados, de agora em diante, talvez devesse contratar aquela artista em tempo integral ou algo assim? Suponho que um livro ilustrado não será suficiente para você.

— Definitivamente não será.— Se eu fosse acabar recebendo a ajuda de Wilma para um número incontável de livros ilustrados, seria sábio torná-la minha assistente.

— Bom dia, Fran. Adivinhe só? Eu vou ser uma…

— Cuidado com a língua, Myne. E isso pode esperar. Meu relatório vem primeiro.

Lutz me interrompeu, apontando que eu estava falando muito casualmente, depois explicou a Fran por que eu estava animada e o avisou que eu poderia entrar em colapso a qualquer momento.

— Acho que ela não vai se acalmar até ficar com febre pelo menos uma vez. Você pode simplesmente deixá-la em paz e esperar que isso aconteça.

— Entendido. Vou protegê-la, com cautela. No entanto, Irmã Myne, por favor, tome cuidado para não informar Delia sobre o bebê. O Arcebispo ainda não se moveu, mas certamente continua a reunir informações sobre você. A julgar pela sua empolgação, acredito que a gravidez e o bebê se tornarão pontos fracos significativos para ele explorar.

O aviso de Fran fez meu rosto empalidecer. Se algo acontecesse com a mamãe ou seu bebê, agora, eu não tinha confiança de que poderia segurar minha mana.

— Não deve haver problema em discutir seus novos produtos ou o Ateliê da Myne, mas seu irmãozinho não deve ser mencionado. No templo, o nascimento de recém-nascidos não é uma ocasião alegre.

Senti minha empolgação despencar, enquanto pensava no que acontecia com as donzelas cinzentas do santuário, que ofereciam flores e que acabavam grávidas. Fran, tentando me animar um pouco, mudou de assunto.

— Você está planejando fazer muitos livros, certamente. Talvez agora seja a hora de pedir por Wilma?

— Você está certo. Eu gostaria de fazer de Wilma minha assistente, se possível, mas não tenho certeza de como fazer isso.

Fran pensou e sugeriu que primeiro pedíssemos a permissão do Sumo Sacerdote. Escrevi uma carta informando que eu tinha um pedido. Em seguida, pedi ao Fran para entregá-la e obter uma data para uma reunião. No quarto sino, depois que o trabalho foi feito, o Sumo Sacerdote leu a carta, em seguida, olhou para mim.

— Myne, qual é o seu pedido? Tenho tempo para responder se for uma questão menor.

— Sumo Sacerdote, por favor, me dê Wilma! — Fiz o pedido o mais curto que pude, o que, por algum motivo, fez o Sumo Sacerdote esfregar suas têmporas.

— Eu não entendo o que você está dizendo. Seja mais clara.

— Por favor, me dê Wilma, a garota com o sorriso de uma santa, um talento para a pintura e uma profunda compaixão pelos outros.

Tentei explicar quem Wilma era da melhor maneira possível, mas o Sumo Sacerdote apenas olhou para Fran, com total perplexidade. Fran pareceu entender o que ele queria, apenas de relance, e começou sua explicação imediatamente.

— Ela gostaria de permissão para fazer de Wilma sua assistente. Wilma é uma donzela cinzenta do santuário, especializada em pintura, que já serviu como assistente de Christine.

— Ah, ela serviu aquela donzela do santuário, amante da arte. Acredito que um especialista em música será mais proveitoso para a educação de Myne do que uma artista. Havia uma donzela cinzenta do santuário, talentosa em música, não havia? Em vez disso, a selecione.

— Rosina é a musicista, eu acredito.

Antes que eu percebesse, a conversa mudou de Wilma se tornando minha assistente, para Rosina. Eu interrompi apressadamente, antes que fosse tarde demais.

— Sumo Sacerdote, preciso da ajuda de Wilma, não de Rosina. Como eu poderia fazer (livros ilustrados) com música?

— O que é isso?

Quantas vezes me fizeram essa pergunta em um dia? Eu teria pensado que os livros ilustrados, para crianças, pelo menos existiriam em um lugar com nobres, proprietários de livros, mas o Sumo Sacerdote estava franzindo a testa, com força suficiente para gravar rugas nele.

— São livros para crianças, com ilustrações neles. Certamente os nobres têm livros assim.

— Com livros tão caros quanto eles são, não faria nenhum sentido fazê-los para crianças, que pudessem maltratá-los. Os livros são para aprender, e eles só precisam apresentar suas informações de forma clara e concisa.

Parecia que os livros destinados às crianças, simplesmente, não existiam. Como o papel era caro e cada livro tinha que ser escrito à mão do zero, cada página estava repleta de letras. Deixando de lado as cartas e mapas necessários para o ensino, nenhum livro era construído em torno de ilustrações.

Balancei a cabeça, agora entendendo por que os livros ilustrados não existiam aqui, e por algum motivo, o Sumo Sacerdote também assentiu em compreensão.

— Entendo que você deseja que um artista crie livros com ilustrações. Mas o que você precisa é educação e enriquecimento. Faça de Rosina e Wilma suas assistentes, não apenas uma.

— Quê? Eu não conseguiria contratar dois novos assistentes ao mesmo tempo, isso seria um desperdício. Sem mencionar que eu nem tenho um instrumento, muito menos a oportunidade de tocar um. Eu não tenho fundos para comprar um instrumento caro e não sinto a necessidade de música estar envolvida na minha educação religiosa.

— Entendo. Você certamente não pode praticar música sem um instrumento.

Fui em frente e balancei a cabeça com o Sumo Sacerdote, mas não tinha muito interesse em música, de qualquer maneira. Eu gostava de ouvi-la, mas nunca quis tocar nenhuma eu mesma, e, mesmo que fosse uma habilidade adorável, eu preferiria gastar meu tempo lendo, que praticando para aprender um instrumento.

Expressei minha necessidade de um artista e obtive aprovação para fazer de Wilma minha assistente, então foi isso. Comecei a sair do quarto do Sumo Sacerdote, com satisfação.

— Agora, Fran. Vamos ao orfanato esta tarde para ver o que Wilma pensa de tudo isso.

— O que Wilma acha? Você não está fazendo dela sua assistente?

Fran piscou, confuso, com a minha declaração.

— Ela pode não querer me servir porque eu sou uma plebeia.

Todos os meus assistentes foram ordenados a me servir e nenhum deles queria. Nem Fran, nem Gil, nem Delia. Não faz muito tempo que Gil estava dizendo na minha cara que não queria servir a um plebeu.

As coisas estavam indo tão bem agora, que eu não queria arruinar o humor de todos ao receber alguém que ficaria infeliz por me servir o tempo todo. Wilma poderia continuar fazendo a arte para mim, mesmo que ela não quisesse ser minha assistente, embora eu acabasse constantemente nervosa com alguém a roubando de mim.

— Irmã Myne, você queria falar comigo? — Wilma, que normalmente discutia como os órfãos estavam e o que o orfanato precisava com um sorriso calmo no rosto, olhou para Fran e para mim, ansiosamente.

— Wilma, você consideraria ser minha assistente? Isto não é uma ordem, mas uma pergunta. Você pode dizer não, se quiser.

Os olhos de Wilma vacilaram, nervosamente, então ela suspirou e baixou os olhos.

— Eu realmente aprecio a oferta, mas seria sábio perguntar a Rosina.

Wilma olhou para Fran, depois desviou o olhar com uma expressão perturbada. Ela franziu a testa um pouco, depois abriu lentamente a boca, como se realmente não quisesse dizer o que estava prestes a dizer.

— No passado, eu fui… Uma vez fui enganada por um padre azul e levada a uma oferenda de flores. Minha mestra Christine notou minha ausência e chegou a tempo de me resgatar, mas, desde então, tenho estado inquieta com os homens. Obedecerei se me ordenar ser sua assistente, mas, se valoriza meus desejos, eu gostaria de ficar no edifício das meninas do orfanato. Há apenas crianças e meninas aqui.

No Bairro dos Nobres, as salas dos assistentes eram separadas por gênero e localizadas completamente separadas da sala do seu mestre. Mas, nas câmaras do diretor do orfanato, eles eram separados apenas pelo andar e as meninas, lá em cima, tinham que passar pelo primeiro andar para sair. Visitantes como Lutz e Benno frequentemente chegavam ao segundo andar, sem mencionar Fran e outros sacerdotes cinzentos. Estava longe de ser um ambiente sem homens. Eu entendi a posição de Wilma, mas havia algo que eu não entendi.

— Não há uma chance de você ser selecionada para oferecer flores se ficar no orfanato?

— Não há um padre azul cujos olhos cairiam sobre uma garota tão simples quanto eu.

Embora Wilma provavelmente tenha mantido seu cabelo amarrado com força, para impedi-la de se destacar, seu cabelo era de uma cor laranja que era perceptível, não importaria o que ela fizesse, e qualquer coisa que pudesse ser considerada simples, sobre ela, servia apenas para fazê-la parecer mais casta. Definitivamente, haveria pelo menos alguns sacerdotes azuis cujos olhos cairiam sobre ela.

— Nesse caso, Wilma, pedirei ao Sumo Sacerdote que permita que você me sirva apenas como assistente, permitindo que você fique no orfanato. Pretendo fazer muitos livros para crianças, que contenham arte, então precisarei de sua ajuda, não importa o que aconteça.

— Acredito que seria mais simples apenas me dar uma ordem.

— Não quero forçá-la a trabalhar em um ambiente que a fará infeliz.

Eu, pessoalmente, não gostava de pessoas me dando ordens, e desde que os assistentes se mudavam para os aposentos de seus mestres, suas vidas inteiras se tornavam seu trabalho. Ela ficaria consumida pela ansiedade, se se sentisse horrível a cada hora, de cada dia, enquanto trabalhava.

— Se eu não precisar deixar o orfanato, então eu adoraria ajudar você, Irmã Myne. — Wilma falou com um sorriso tímido.

Me animei, me preparando para convencer o Sumo Sacerdote a qualquer custo, para que eu pudesse proteger o sorriso de Wilma, mas Fran falou antes mesmo de chegar a esse ponto.

— Irmã Myne, os assistentes sempre se mudam para os aposentos de seu mestre. Ela não pode ficar no orfanato. Como você pretende argumentar para convencer o Sumo Sacerdote?

Olhei entre Wilma e algumas crianças, nervosas, observando de alguma distância.

— Não há muitas donzelas cinzentas do santuário para cuidar das crianças agora. Não é incomum que as crianças peguem febres repentinas, à noite e, como diretora do orfanato, gostaria que minha assistente ficasse de olho nelas. Como isso soa?

— Vejo que você não veio aqui sem pensar nas coisas primeiro. Acho isso um pouco tranquilizante.

Foi muito rude da parte dele dizer isso, mas, pelo menos, Fran não estava apenas sendo teimoso. O Sumo Sacerdote entenderia se eu tivesse razão para me apoiar.

— Você acha que ele me permitiria deixar Wilma no orfanato como minha assistente?

— Fazer isso seria sem precedentes, mas dado o estado atual do orfanato e a situação de Wilma, acredito que o Sumo Sacerdote poderia permitir, se contasse todos os detalhes.

Com a aprovação de Fran, escrevi uma carta pedindo uma reunião com o Sumo Sacerdote. Ele enviou uma resposta dizendo que discutiríamos as coisas no meu quarto, já que ele também queria ouvir os pensamentos de Fran.

Durante os cinco dias que antecederam a reunião, trabalhei com todo o vigor que tinha. Eu estava fazendo o Gil fazer o papel grosso que seria necessário para livros ilustrados no Ateliê da Myne, com a promessa de que eu iria comprá-los através de Lutz, uma vez que estivesse pronto. Ao mesmo tempo, eu estava contando as histórias da mamãe no orfanato para que eu pudesse ver quais eram bem recebidas pelas crianças e o que daria bons Livros ilustrados.

Mas as crianças acabaram perguntando o que as palavras significavam com tanta frequência, que nunca puderam apreciar a história, e Wilma me disse que não seria capaz de desenhar arte para elas, já que ela não sabia como era a vida na cidade. Havia uma lacuna maior no entendimento cultural entre aqueles no templo e os plebeus, que eu esperava.

Além disso, aqueles no templo não tinham compreensão inata do antropomorfismo, animais agindo e falando como pessoas, então nem mesmo histórias como Os Três Porquinhos ou Momotaro passaram bem com eles. Só perguntavam como os animais podiam falar. Parecia que nem mesmo as histórias próprias para crianças japonesas, passariam bem como livros ilustrados. Apesar de tudo o que Benno disse, eu ainda pensei que seria melhor se eu desenhasse o primeiro livro de ilustrações para o meu irmãozinho.

Em outras notícias, Hugo e Ella aprenderam quase todas as receitas para o restaurante italiano, então trouxemos um novo chef. Um homem, da mesma idade que Hugo, estava sendo bombardeado sobre a comida, enquanto gritava exclamações chocadas, assim como seu antecessor. Ella, que o estava ajudando, disse a ele para não se preocupar e que ele se acostumaria com isso em breve, sua expressão deixando claro que ela estava relembrando o quão longe ela havia chegado.

Finalmente, chegou o dia da reunião. A reunião era no quinto sino à tarde, então eu não consegui ir para a sala dos livros, como de costume. Fiquei em meus aposentos enquanto aprendia a receber o Sumo Sacerdote em meu quarto e qual era seu tipo preferido de chá. Eventualmente, algum tempo antes da reunião, um sino soou, informando que um visitante estava do lado de fora da porta.

— Esse seria um dos assistentes do Sumo Sacerdote,— disse Fran enquanto se levantava e se dirigia para o primeiro andar.

Eu mesma não podia dizer a diferença, mas sons e maneiras aparentemente diferentes de tocar a campainha, significavam coisas diferentes. Talvez o Sumo Sacerdote estivesse tão ocupado que teve que mudar a hora da reunião.

— Eu trouxe um presente do Sumo Sacerdote. Onde devo colocá-lo? — disse o servo, que soava como Arno.

— Para o segundo andar— respondeu Delia. — Nossa senhora vai recebê-lo imediatamente.

Ao ouvir a conversa deles, apressei o sorriso digno de um nobre no meu rosto.

— Por favor, me desculpe, Irmã Myne.— Com Arno na liderança, um grupo de sacerdotes cinzentos trouxe grandes caixas, sob as instruções de Delia e Fran. Arno franziu os olhos nostalgicamente e olhou ao redor do meu quarto.

— Vejo que você deixou o quarto inalterado, Irmã Myne.

— O quê?

— Oh, nada. Três grandes caixas, duas pequenas caixas. Isso é tudo.

— Por favor, diga ao Sumo Sacerdote que eu lhe agradeço muito. — Falei com Arno, com um sorriso e um aceno de cabeça.

Os sacerdotes cinzentos se alinharam e saíram da sala, mais uma vez, Arno na liderança. Fran os observou ir, fechou a porta da frente atrás deles, depois subiu apressadamente de volta ao segundo andar.

— Vamos abri-los imediatamente. O Sumo Sacerdote estará aqui em breve. Delia, vá ao ateliê e convoque Gil.

— Entendido. Nossa! Por que ele teve que entregar os presentes tão logo antes da reunião?!

Delia fugiu e Fran começou a abrir as caixas, apressadamente. Delia rapidamente voltou com Gil e começou a ajudar Fran. Dentro de uma grande caixa, havia um conjunto de roupas de cama. As outras duas caixas continham, cada uma, um instrumento, um com tamanho adulto e outro com tamanho para uma criança. As caixas menores possuíam diversas ferramentas para manutenção dos instrumentos. Parecia que o Sumo Sacerdote pretendia me educar a qualquer custo.

Uau! Eu recusei porque eu não tenho um instrumento, então ele me deu dois instrumentos. Que visão para se ver.

— Então, Fran. Você ouviu alguma coisa do Sumo Sacerdote sobre todos esses presentes?

A grande quantidade de presentes me fez sentir mais em conflito do que satisfeita. Especialmente o conjunto de roupa de cama. Ninguém nunca tinha me dado um de presente antes e meio que pareceu um pouco demais.

Fran também parecia em conflito.

— Ele ficou furioso quando você desmaiou na câmara de arrependimento, questionando por que você não tinha uma cama preparada, apesar de sua tendência a desmaiar de fraqueza, mas eu ainda não esperava que ele enviasse a roupa de cama em sua totalidade.

Eu também pensei que precisaria de pelo menos um colchão no templo, desde que desmaiava com tanta frequência, mas não esperava que o Sumo Sacerdote me desse um. Subi na cama que Gil e Delia haviam preparado, pressionando o colchão para ver como parecia. A roupa de cama que o Sumo Sacerdote havia preparado, não era um colchão de palha, como eu estava acostumada, mas um colchão de alta qualidade, como o que usei na casa de Freida. Os lençóis lisos e sedosos pareciam agradáveis ao toque e estavam cobertos com bordados elegantes. O pano e o bordado sozinhos custariam um preço enorme. Fiquei tonta só de pensar no quão caro deve ter sido.

— Fran, é comum que os nobres enviem esse tipo de presentes uns aos outros? Ou agora tenho uma dívida com ele que precisarei pagar mais tarde? E se ele pedir o pagamento e eu não puder pagar?

— Eu acredito que este é o seu pedido de desculpas, por enviá-la para a câmara de arrependimento e levá-la ao colapso, devido aos seus problemas de saúde. Você deve ficar bem, simplesmente, expressando sua gratidão.

— Minha gratidão. Como devo agradecer aos deuses desta vez?

Se eu tivesse que aprender mais um novo nome de deus, apenas para expressar meus agradecimentos, eu perderia a cabeça. Fran sufocou uma risada com a mão na boca.

— Desta vez, por favor, agradeça ao Sumo Sacerdote, não aos deuses.

Após encontrar um lugar para colocar as ferramentas e os instrumentos, ofereci as caixas de madeira e o pano dentro deles aos meus assistentes, como era costume. O quinto sino tocou não muito depois, e o Sumo Sacerdote veio imediatamente com Arno. Eu o recebi e o cumprimentei como Fran havia me ensinado.

— Você vacilou enquanto falava, mas, pelo menos, você aprendeu o que dizer,— comentou o Sumo Sacerdote. A falta de qualquer repreensão severa, significava que talvez eu soasse mais como uma garota nobre agora.

— Sumo Sacerdote, agradeço muito pela cama confortável que você me presenteou.

Agradeci a ele depois que chegamos ao segundo andar e, por algum motivo, ele embalou a cabeça.

— Eu fiz alguma coisa errada? Acabei de te agradecer, não foi?

— De fato, mas não havia necessidade de você declarar o conteúdo do presente. No futuro, seja vaga ao agradecer. “Eu aprecio o presente maravilhoso, você concedeu meu desejo”, e assim por diante.

Certo. Não diga o conteúdo dos presentes, repeti por dentro, momento em que o Sumo Sacerdote fez uma careta e baixou a voz.

— Além disso, não diga a ninguém que eu te presenteei com roupas de cama. Em circunstâncias normais, um homem só vai dar roupa de cama para sua família, sua noiva, ou… sua concubina. Declarar isso em público convidará a mal-entendidos impensáveis.

— Quê?! Por que você faria algo tão facilmente mal interpretado?

O Sumo Sacerdote não parecia o tipo de pessoa que faria algo tão impensado. Afinal, ele não era eu. Eu não entendi por que ele correria o risco de fazer algo que poderia ser mal interpretado assim.

— Você é a culpada aqui. Apesar de ter desmaiado no templo várias vezes, antes, devido à sua saúde precária, você se recusou a preparar a cama para si mesma. Eu mal podia acreditar nos meus olhos quando vi Fran descansar seu corpo inconsciente nas tábuas da cama vazia. Se eu não tivesse feito nada, imagino que você nunca teria preparado sua própria cama— disse ele com um olhar.

Evitei o contato visual, já que só pensava em arrumar a roupa de cama no exato momento em que precisava, e imediatamente depois, esquecia.

— Aah. Sinto muito.

O Sumo Sacerdote deu uma tosse falsa e olhou para a mesa. Lembrei-me de que não havia oferecido um assento a ele e assim o fiz, de uma vez. Como nosso visitante desta vez era o Sumo Sacerdote, Fran preparou o chá, em vez de Delia. Apesar de usar a mesma água e o mesmo chá, o chá que Fran fazia sempre parecia ter um gosto tão diferente. Delia observou Fran cuidadosamente, para que ela pudesse aprender com seus movimentos fluidos e quase bonitos.

— Aah, faz tanto tempo desde que tomei seu chá, Fran. Cheira tão esplêndido como sempre.— A expressão do Sumo Sacerdote suavizou, enquanto ele apreciava seu chá, o que fez Fran sorrir um pouco. Gil trouxe uma bandeja que Delia pegou e colocou na mesa.

— Sumo Sacerdote, você gostaria de biscoitos com seu chá? Eles são menos doces que o normal, para se adequar ao paladar de um homem.

Após comer um biscoito, os olhos do Sumo Sacerdote se arregalaram. O fato dele imediatamente pegar outro, significava que ele provavelmente gostou deles.

— Myne, onde você conseguiu isso?

— No momento, eles estão sendo feitos exclusivamente na minha cozinha. Pretendo servir esses biscoitos no meu restaurante italiano, com chá e com a opção de comprar biscoitos individuais, para levar para casa.

No momento em que eu disse isso, o Sumo Sacerdote começou a esfregar sua têmpora, como se tentasse entender as implicações do que eu acabara de dizer.

— Você tem as mãos não apenas no papel e no Limxam, mas também na cozinha?

— Sim. Há planos para realizar uma sessão de teste de sabor antes do restaurante abrir na íntegra. Por favor, venha se tiver tempo. Será um restaurante que oferece comida própria para a nobreza. Fran já nos garantiu a qualidade, mas eu gostaria de comer a comida de um verdadeiro nobre pelo menos uma vez.

Eu praticamente gritei “Por favor, me convide para uma refeição!” no estilo rotunda de um nobre, e o Sumo Sacerdote era experiente o suficiente na leitura entrelinhas que ele pegou em minhas intenções. Ele baixou os olhos em derrota e prometeu me convidar para almoçar em um futuro próximo. Acenei com meu punho em baixo da mesa. Esse era um dos itens da lista de problemas a resolver do Benno. Enquanto almoçava com o Sumo Sacerdote, eu verificaria, minuciosamente, o conteúdo da refeição, como era o sabor e como era o serviço.

O Sumo Sacerdote saltou direto ao ponto da reunião, após ter experimentado o chá e os biscoitos.

— Então, você deseja discutir sobre Wilma?

— Você permitiria que Wilma ficasse no orfanato, mesmo após se tornar minha assistente?

O Sumo Sacerdote franziu a testa em confusão. Os assistentes, como seu nome implicava, eram esperados para atender ao seu mestre. Todos aqueles, no orfanato, desejavam sair, e era inédito que um órfão desejasse ficar lá, se tivesse a oportunidade de escapar.

— Não há ninguém lá para cuidar das crianças pré-batismo, então eu gostaria de usar minha autoridade como diretora do orfanato e deixar Wilma lá, para que ela possa cuidar delas. A própria Wilma também deseja isso.

— Sumo Sacerdote, — acrescentou Fran — Eu apoio seu pedido. As crianças estão com problemas de saúde e frequentemente têm ataques no meio da noite. Wilma e a Irmã Myne estão muito preocupadas com elas.

O complemento de Fran fez o Sumo Sacerdote acariciar seu queixo em pensamento.

— Wilma ficar no orfanato será mais uma razão para tornar Rosina sua assistente também. Eu já preparei os instrumentos. Isso deve resolver suas queixas.

Ele olhou para mim, mas eu ainda não concordei.

— Por que é tão importante para mim, aprender a tocar um instrumento? Precisarei tocar música em cerimônias religiosas?

— Não será nada importante no templo. Há muitos sacerdotes azuis que não apreciam as artes — disse o Sumo Sacerdote, enquanto pegava uma pequena ferramenta mágica e a colocava na mesa. Era a ferramenta mágica contra espionagem. Estendi a mão e a apertei na minha mão, enquanto o Sumo Sacerdote fazia o mesmo com a outra metade.

— Seu futuro, inevitavelmente, estará entrelaçado com o da nobreza. É melhor você se preparar agora para entrar na sociedade nobre.

— Mas não tenho intenção de deixar minha família.

Portanto, apenas se deslocando para o templo, em vez de se mover completamente para cá. No entanto, apesar de saber que eu havia deixado minha mana entrar em fúria para proteger minha família, o Sumo Sacerdote estava confiante o suficiente para dizer que eu inevitavelmente entraria na sociedade nobre.

— Você pode não saber disso, mas apenas casais com quantidades semelhantes de mana podem ter filhos. Você tem mana suficiente para oferecer, confortavelmente, dez pequenas pedras mágicas, durante uma oferenda, e você pode entrar no meu quarto escondido. Em outras palavras, você só poderá ter filhos com um nobre. Seria extremamente difícil para você se casar na cidade baixa.

Falando nisso, Delia mencionou algo sobre quantidades equivalentes de mana sendo necessárias para um casal no passado. Eu realmente não tinha pensado nisso, já que estava tão brava com a crueldade dos sacerdotes azuis, mas a mesma regra se aplicava a mim. Apesar disso, achei difícil me importar.

— Eu nunca tive esperança de me casar, então não acho que isso seja um problema significativo.

— Espere. Por que você diz isso?

— Como você sabe, Sumo Sacerdote, eu sou muito fraca. Nenhum homem iria querer se casar com uma garota que mal consegue se mover e fica doente o tempo todo. Eu seria apenas um peso morto, para ele.

O primeiro requisito para ser uma boa esposa, em nossa parte pobre da cidade, era ser saudável. Uma personalidade agradável e um espírito de trabalho vinham depois. A beleza de alguém dependia de sua capacidade de costura e tal, mas eu estava fora de questão, antes que chegasse a isso. Não que isso importasse para mim. Afinal, amor e romance dificilmente faziam parte da minha vida, mesmo nos meus dias de Urano. Eu ficaria bem aqui, com uma vida de fazer e ler livros.

— Os plebeus e os nobres são fundamentalmente diferentes. A mana de uma criança é amplamente influenciada por sua mãe. Você tem tanta mana, que é difícil acreditar que você é uma criança com consumação, nascida por acaso. Devido à redução da quantidade de nobres, quando você atingir a maioridade, nobres com mana igualmente significativa se reunirão ao seu redor. Você só foi ignorada até agora porque você é tão fraca que pode morrer a qualquer momento, o que seria um desperdício de todo o dinheiro gasto para criá-la. Você não será capaz de escapar das famílias de todos os sacerdotes azuis aqui.

Eu não tinha pensado que eu estava sendo vista dessa maneira. Havia cerca de dez padres azuis aqui, e quem sabia até onde suas famílias se estendiam. Seria impossível negar todos os seus avanços, com minha fraca posição. Um arrepio correu pela minha espinha. Eu não tinha pensado no meu futuro dessa perspectiva. Benno havia dito que eu provavelmente seria expulsa em cinco anos, uma vez que o número de nobres começasse a aumentar novamente, então eu sempre pensei que deixaria o templo quando chegasse a hora. Eu teria ficado bem, estendendo minha vida com os taus. Eu nunca pensei que os nobres estariam atrás de mim, como uma mãe conveniente para seus filhos.

— Nobres inferiores não terão mana suficiente. Você provavelmente será usada como uma ferramenta para formar conexões com arquinobres. Se você acaba como uma prisioneira mantida viva para fazer filhos ou como uma esposa, com uma posição respeitável dentro da família, depende inteiramente de você poder se comportar como uma nobre. A educação é vital se você pretende se proteger.

— Entendido. Farei de Rosina minha assistente e aprenderei o melhor que puder.

O Sumo Sacerdote respondeu com um firme “Bom” e colocou sua ferramenta mágica na mesa. Isso sinalizou o fim dessa conversa. Abaixei minha ferramenta mágica também e sorri para o Sumo Sacerdote.

— Enquanto você está aqui, poderia me mostrar o que você quer dizer? Gostaria de saber que grau de habilidade artística se espera de um nobre.

Apontei para o instrumento e pedi que ele o tocasse. Ele suspirou enquanto guardava as ferramentas mágicas.

— Fran, traga-me o fespiel.

Os dois instrumentos que ele me presenteou eram aparentemente chamados de fespiel. O maior era para adultos e o menor era para crianças, como esperado. Era como uma combinação de alaúde e harpa, mais parecida com uma bandurra. Seu corpo tinha a forma de uma pera cortada ao meio, com a metade de trás se curvando um pouco. A parte da frente tinha um buraco de som como uma guitarra, que era tão ornamental quanto funcional. O de tamanho adulto tinha linhas retas o decorando, enquanto o de tamanho infantil tinha um padrão de videiras crescentes.

De relance, eles pareciam ter cerca de cinquenta a sessenta cordas amarradas neles. Os pinos do instrumento, em que todas as cordas estavam enroladas, eram feitos de algo como marfim, dando mais cor ao instrumento de madeira. A cabeça era adornada por uma escultura da cabeça de um cavalo, o que me fez querer brincar sobre ser um morin khuur (um violino cabeça de cavalo mongol), mas essa referência era muito obscura. Não que eles iriam entender o que eu queria dizer, neste mundo, de qualquer maneira.

O Sumo Sacerdote ajustou um pouco sua postura, juntou as pernas e descansou o fespiel entre as coxas. Ele apoiou o pescoço do instrumento com a mão esquerda e puxou uma corda com o dedo médio. O ar tremia e a música, que lembrava uma guitarra, reverberava pela sala. Ele roçou os dedos da mão direita nas cordas, como se alguém pudesse tocar uma harpa, derretendo o ar com notas altas e claras.

O instrumento, aparentemente, já havia sido afinado, então o Sumo Sacerdote baixou os olhos ao fespiel, em sua posição. Sua mão direita tocava as notas principais, enquanto sua mão esquerda trazia as notas baixas que serviam como baixo. Seus dedos mais longos dançaram, iniciando uma música que eu nunca tinha ouvido antes. Era minha primeira vez ouvindo o instrumento sendo tocado e eu nunca tinha ouvido a música antes, mas pude dizer, imediatamente, que o Sumo Sacerdote era um músico experiente.

Ele era bom. Os menestréis, vagando ao redor do portão leste, não podiam nem se comparar.

Aliás, eu não gostava muito de menestréis. A música realmente não ressoava comigo e sempre foi difícil entender o que eles estavam cantando. Era como assistir a uma peça de fantasia quando criança e não pegar nada.

— O vasto céu azul.— O Sumo Sacerdote começou a cantar com a música. Era uma canção sobre o cultivo de plantas e elogiando a bênção do sol, e a letra prontamente trouxe imagens de uma paisagem animada de verão. Eu sempre pensei que ele tinha uma voz profunda, que carregava bem, mas quando ele começou a cantar, tornou-se quase assustadoramente bonita. Talvez isso fosse normal para músicas que você nunca tinha ouvido antes, mas eu me vi absorvida por isso e completamente focada em ouvir a letra. Quando o acorde final foi atingido, não pude deixar de soltar um suspiro, estupefata. O Sumo Sacerdote entregou o fespiel a Fran.

— Isso deve bastar. O que você achou, Myne?

— Acho que nenhuma garota te rejeitaria se você cantasse uma canção de amor para elas.

— O que há de errado com você?

O Sumo Sacerdote olhou para mim, o que me fez perceber que eu tinha dito, acidentalmente, o que estava pensando, sem filtro. Eu apressadamente coloquei a mão sobre a boca e tentei me recuperar.

— Era uma música tão bonita que me vi absorvida por ela. Mas eu não acho que serei capaz de tocar em um nível tão alto.

— A educação não é realizada da noite para o dia. Você precisará praticar diariamente. Experimente.

Eu naturalmente não tinha como escapar do estudioso Sumo Sacerdote e assim, uma lição de música começou do nada.

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Fim da leitura

Capítulo 119 concluído

CAPÍTULO 119 - 118