Ascendance of a Bookworm — Capítulo 123: CAPÍTULO 123 - 122

Ascendance of a Bookworm
Cap. 123
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Ascendance of a Bookworm

CAPÍTULO 123 - 122

Capítulo 123

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Ascendance of a Bookworm – Capítulo 122

Como administrar um restaurante

Quando expliquei a ideia por trás de um sistema “apenas clientes com apresentações”, Benno encolheu os ombros, sem se impressionar. Aparentemente, era mais do que comum negar às pessoas a entrada em lojas e restaurantes sem uma apresentação, ou com base em suas roupas.

— Os clientes que pagam e agem bem são coisas muito diferentes. Só porque um cliente paga bem, não significa que será um bom cliente. Na verdade, muitos deles ficam presunçosos e arrogantes, já que sabem que estão pagando bem. Você acha que quero isso?

Benno suspirou e coçou a cabeça, provavelmente imaginando a tonelada de clientes irritantes que ele tinha assim. Fui em frente e expliquei a diferença entre a minha ideia e as apresentações geralmente dadas nesta cidade.

— Um sistema “apenas clientes com apresentação” não para na introdução. Se um cliente apresentar alguém que rouba, não paga ou causa outros problemas, esse cliente será responsável por pagar e limpar a bagunça.

— Você quer que o cliente seja responsável?!— Benno bateu com o punho na mesa e disparou, os olhos arregalados, enquanto olhava para mim, em choque. Ele não deve ter esperado minha explicação.

— Sim. Os clientes terão muito menos probabilidade de causar problemas, uma vez que envolverão aqueles que os introduziram na bagunça. Aqueles que apresentam os outros serão muito cuidadosos sobre quem eles escolhem. Naturalmente, uma vez que os problemas resultantes da sua introdução voltarão a eles. Eles só apresentarão pessoas que podem ser confiáveis.

— Mas isso não será esperar muito dos clientes?

Benno sentou-se e esfregou as têmporas. Minha sugestão foi muito mais chocante para ele do que eu esperava. Era normal exigir apresentações, mas, claramente, aqueles que fizeram apresentações nunca foram responsabilizados por nada.

— Em última análise, você está priorizando a atmosfera da loja e evitando problemas, então o resultado final será a sensação de que os clientes regulares são importantes, enquanto desfrutam de refeições agradáveis e ininterruptas. Mas bem, vou deixar essa decisão com você, Benno.

Meu trabalho era dar conselhos, o trabalho de Benno era tomar decisões, com base nesses conselhos. Ele me fez uma pergunta sobre um problema e eu lhe dei uma solução potencial. Nada mais, nada menos. Minha vida como comerciante acabou antes mesmo de me tornar uma aprendiz. Não tinha noção se as minhas ideias se sustentariam nesta cidade.

— Direi, no entanto, que não acho que você terá problemas com a implementação de novos sistemas, desde que seja consistente com eles desde o início. Este é um restaurante onde os plebeus poderão comer alimentos adequados para nobres. É pioneiro e todos saberão. Você terá problemas se tentar introduzir algo novo depois que o restaurante já estiver aberto.

Benno franziu as sobrancelhas com mais força e olhou para o espaço vazio.

— Vou precisar resolver muitos detalhes se eu fizer isso.

— Hum. Você não pode apenas estabelecer algumas regras que, definitivamente, nunca devem ser quebradas, em seguida, fazer pequenas mudanças, dependendo de como as coisas se desenrolam? Este será um sistema totalmente novo, portanto, ser solto e flexível deve ser mais eficaz do que tentar obtê-lo perfeito desde o início. Provavelmente.

— Hummm.— Benno caiu em pensamentos, então olhei de volta para o meu díptico.

— Ok, já chega de falar apenas sobre o sistema de apresentação. Vamos pensar no que precisamos preparar para a abertura do restaurante.

— Do que você está falando? Acabamos de falar sobre isso.

Benno me deu um olhar intrigado. Verifiquei minha lista de coisas que não tinha certeza, depois olhei para Benno, enquanto fazia beicinho.

— Do que você está falando? A única coisa que terminamos de falar foi sobre a decoração de interiores. Você vai precisar de menus e sinos para cada mesa, não vai? Ambos precisam ser de altíssima qualidade, para combinar com a atmosfera do restaurante.

— Menus? Para quê? Os garçons podem dizer a eles o que temos.

Os restaurantes deste mundo faziam com que os servidores informassem os clientes sobre o cardápio. Isso era bom para restaurantes comuns, onde a coisa mais complexa a se perguntar era se você queria sua salsicha cozida ou fervida, e para casas nobres, já que os servidores precisavam apenas declarar o que os chefs já haviam feito. Mas em um restaurante como o nosso, onde pessoas diferentes escolheriam alimentos diferentes, de uma longa lista de coisas que nunca tinham ouvido falar antes, os cardápios eram necessários para manter tudo em ordem. O garçom não duraria sem eles.

— Se você escrever toda a comida e bebidas espirituosas disponíveis em um restaurante em cardápios e colocá-las em cada mesa, os clientes poderão saber o que você está servindo sem perguntar ao garçom sobre cada coisinha. Eles serão capazes de escolher o que quiserem no seu próprio ritmo, também. Não sei quantos garçons você pretende contratar, mas quanto menos tempo eles tiverem para gastar em cada mesa, melhor.

— E as pessoas que não sabem ler?

A careta de Benno me lembrou o quão baixa era a taxa de alfabetização aqui, mas esse não seria um problema.

— Os primeiros clientes do restaurante serão os donos de grandes lojas, certo? Lutz teve que aprender a ler, apenas para se tornar um comerciante aprendiz, então não posso imaginar que os grandes proprietários de lojas sejam analfabetos.

Sem mencionar que, os grandes proprietários de lojas estariam discutindo sobre negócios enquanto comem, o que significava que eles teriam criados com canetas e tábuas de prontidão. Seria seguro assumir que alguém envolvido nesta equação saberia ler. Eles não seriam capazes de fazer seu trabalho se não pudessem ler ou escrever contratos.

— Ah, e sobre os menus. Você quer que eu faça um pouco mais de papel grosso e coloque plantas dentro como fiz antes? Eu poderia fazer menus de papel para os pratos regulares e para os pratos sazonais. Acho que isso daria uma boa publicidade para o nosso papel vegetal.

Eu queria que os cardápios estivessem bem na moda. Não apenas bonito, mas bonito e adequado para um ambiente nobre. Me pergunto que planta seria boa para esta estação? Talvez eu devesse ir até o fim e tentar fazer papel colorido.

— Papel, sério? Você acha que os cardápios são tão importantes assim?

— Os cardápios são essenciais para os restaurantes! Oh, devo ir informar ao Ateliê da Myne? Minha assistente tem uma caligrafia tão linda que é como a própria arte. Impressionante, não acha? Eheheh…

— Eu não entendo do que você está falando ou por que é tão importante, mas tudo bem. Vou deixar isso com você.

Benno embalou a cabeça, em exaustão. Com um novo trabalho garantido, sorri e comecei a pensar em modelos de menu na minha cabeça.

— Você pode contar comigo! A propósito, o que vai fazer com os garçons? Os plebeus que você encontra na rua não terão a elegância que os nobres exigem de seus assistentes.

Havia uma grande diferença entre os garçons em restaurantes comuns e assistentes em mansões nobres. Eu sabia disso, especialmente bem, graças a Fran e meus outros assistentes me servindo comida. Eu não gostaria que Benno pensasse que Fran estava no mesmo nível de algum garçom da cidade inferior, que nem se importava em derramar bebidas ou deixar cair um pouco de comida. E parecia que não, já que ele olhou para mim com uma expressão um pouco lamentável.

— Você não pode lidar com isso de alguma forma?

— Você quer que eu treine garçons, em meus aposentos, também? Humm. Os chefs são uma coisa, mas acho que não vou ter permissão para trazer garçons para o meu quarto.

— Que tal deixar os sacerdotes trabalharem fora do templo?

— Almoçarei com o Sumo Sacerdote amanhã, então vou perguntar a ele. No entanto, não tenha muitas esperanças.

O Sumo Sacerdote havia dito, anteriormente, que apenas aqueles que não tinham ninguém para cuidar deles ou apresentá-los ao trabalho, se tornaram sacerdotes e donzelas de santuário. Na época, interpretei isso como “Eles podem ir lá fora se alguém começar a cuidar deles”, mas agora que eu sabia mais sobre a parte inferior e escura do templo e do orfanato, não conseguia entender suas palavras pelo sentido literal delas. Ele poderia permitir que eles trabalhassem fora, uma vez que o templo tinha uma superabundância de sacerdotes cinzentos e precisava de dinheiro, ou ele não poderia, por medo de quebrar a estrutura interna do templo. Estávamos em um meio-termo estranho.

— A propósito. Estava pensando em convidar o Sumo Sacerdote para a primeira rodada de visitas. O que você acha, Benno?

— Espere aí. Sumo Sacerdote? Acha que um nobre de verdade se daria ao trabalho de vir?

Parecia que um nobre visitando a loja de um plebeu era simplesmente inaceitável. Se quisessem ver um comerciante, geralmente os convocavam para sua casa no Bairro dos Nobres. O templo estava localizado entre o Bairro dos Nobres e a parte plebeia da cidade, portanto, tinha portões conectando os dois. Mas os padres azuis nunca entravam na cidade baixa, a menos que uma cerimônia o exigisse.

— O Sumo Sacerdote parece estar interessado na comida que eu inventei. Depende de como eu abordá-lo, mas eu não acho que ele vai recusar se eu perguntar,— eu disse, enquanto o Benno, fascinado, acariciou seu queixo e caiu em pensamentos.

— É por isso que acho que você deve convidar apenas pessoas em quem você realmente pode confiar, para a primeira rodada de visitantes. Você não acha que eles se sentirão super especiais por comer com um nobre?

— Eles com certeza vão.

— O restaurante italiano desenvolverá uma reputação incrível, logo de cara, se um nobre de verdade tiver comido lá.

Minhas palavras fizeram os olhos vermelhos-escuros de Benno brilharem, com a luz carnívora de um comerciante, que havia encontrado lucro.

— Não trate isso como o evento de teste de sabor de bolo de libra, onde convidamos um monte de pessoas. Convide um pequeno grupo de pessoas, aqueles em quem você pode confiar. Com o número de chefs que temos agora, você não será capaz de fazer toda essa quantidade de comida. A comida é cara o suficiente para que a base de clientes em potencial não seja muito grande. Por que não torná-lo um restaurante exclusivo, de alta classe, onde apenas os escolhidos podem entrar? Os poucos escolhidos, com muito dinheiro para despejar em nossas mãos?

— Isso funcionará se conseguirmos a ajuda do Sumo Sacerdote. Não estrague tudo, Myne.

Benno me deu um aperto de mão firme e sorrimos um para o outro, momento em que Rosina inclinou a cabeça elegantemente.

— Com licença, Irmã Myne. E a música? Quando os nobres comem, vários músicos são convocados, para que possam se revezar enquanto a refeição prossegue. Nenhuma música será tocada no restaurante?

Bem. Eu não tinha pensado em música. Olhei de volta para Benno, apenas para vê-lo levantar as mãos em rendição.

— Desculpe, mas eu não conheço nenhum músico bom o suficiente para tocar para nobres.

— Como você se sentiria tocando música no restaurante, Rosina?

— Estou disposta a fazer qualquer coisa, se isso significar passar mais tempo tocando música.

Rosina respondeu, com tanta rapidez e confiança, que percebi que, provavelmente, havia perguntado sobre música especificamente porque queria ser ela a tocá-la.

— Este será um restaurante, principalmente, na hora do almoço, certo? Se as pessoas pedirem música ao fazer reservas e pagarem uma taxa pelo serviço, bem. Posso te emprestar Rosina.

Eu não me importaria de emprestar Rosina, se houvesse clientes que quisessem música o suficiente para pagar uma taxa por isso. Ela poderia chegar a tempo, se ela fosse ao restaurante depois que o terceiro sino tocasse e nosso treino terminasse. Mas ela precisava aprender a fazer papelada também, e o Sumo Sacerdote se envolveria se ela saísse todos os dias.

— Ei, e a noite?

— O quê? Isso vai ser um não para mim, obviamente. Noite significa álcool e eu não vou jogar uma gracinha como Rosina em um covil de lobos bêbados. Se você quer música à noite, encontre um músico para você.

Garçonetes trabalhando em bares noturnos aqui, tendiam a ser prostitutas por fora, e apesar da natureza do restaurante italiano, provavelmente haveria alguns clientes que não aceitariam não como resposta. Eu não tinha nenhuma intenção de colocar Rosina em um ambiente como aquele.

O sexto sino tocou quando resolvemos os detalhes, sinalizando o fim do dia de trabalho. Benno me olhou enquanto escrevia um resumo do que havíamos discutido.

— É melhor você aprender muito com o Sumo Sacerdote amanhã.

— Você pode contar comigo!

— Ah, por que estou tão nervoso? — disse Benno, segurando o estômago, fingindo dor. Expendi minhas bochechas em um beicinho.

— Você sabe quem está nervoso? Eu, sobre como esse restaurante vai acabar. Seu lerdo.

O dia seguinte chegou, e era o dia do meu almoço com o Sumo Sacerdote. O tempo até o terceiro sino foi minha última oportunidade de treinar, e eu pratiquei com meu coração, enquanto Rosina olhava para mim com determinação de aço. Eu podia tocar o fespiel sem muito problema, mas sempre perdia meu lugar entre as cordas quando começava a cantar. Ficaria bem se tivesse cuidado com isso.

Depois do treino, era hora de ajudar o Sumo Sacerdote com sua papelada. Fran estava ocupado se preparando para o almoço e, assim, confiou ao Gil me levar lá. Pessoalmente, eu não estava extremamente preocupada, já que o Sumo Sacerdote era razoável e perdoaria alguns erros, mas Fran e Rosina estavam nervosos.

— Eles sempre acabam na mesma página quando os nobres estão envolvidos.

Depois do quarto sino, voltei para o meu quarto com Gil. Delia me limpou um pouco, então saí da sala, com Rosina carregando o grande fespiel e Fran segurando os utensílios e a caixa contendo o pequeno fespiel. Rosina havia sido convidada a tocar música durante o almoço e, em contraste com a forma como minhas mãos já tremiam de nervosismo, com a perspectiva de tocar a música que terminei de aprender dias atrás, ela parecia calma e composta.

— Você não está nervosa, Rosina?

— Estou nervosa. Há uma sensação inquietante mexendo no meu peito

Ela falou com um sorriso tão brilhante que tive dificuldade em acreditar nela. Mas o sorriso de Rosina era uma arma que ela empunhava, assim como as mulheres nobres. Era uma ferramenta para se proteger e não mostrar fraqueza aos outros.

— É quase impossível para eu dizer, mas suponho que você esteja forçando esse sorriso para esconder seu nervosismo?

— Sim. Um sorriso diz aos outros que você está no controle da situação.

Chegamos ao quarto do Sumo Sacerdote quando vários sacerdotes cinzentos estavam movendo móveis, em preparação para o almoço. Com seus movimentos treinados no canto dos meus olhos, cumprimentei o Sumo Sacerdote como uma nobre faria. Eu disse as palavras exatas que Fran havia enfiado na minha cabeça e fiz uma reverência do jeito que Rosina me treinou.

Fran e Rosina pensaram na saudação juntos. Começou com os nomes dos deuses e usou metáforas poéticas, para expressar como eu estava honrada em receber seu convite, por isso foi muito longo. Tive que dizer isso, enquanto me ajoelhava e cruzava os braços na frente do peito. Comportar-se graciosamente era puro sofrimento para alguém sem músculos como eu.

Lutz foi instruído a memorizar as saudações comigo e nem ele podia acreditar. Ele realmente começou a reclamar, dizendo que um simples “obrigado pelo convite” deveria ser suficiente. Ele estava memorizando as saudações comigo, já que estaria lidando com nobres como um dapla, mas o número de expressões difíceis e nomes de divindades difíceis de pronunciar estavam derrubando ele. Eu estava acostumada ao politeísmo, como uma pessoa japonesa, mas sempre que nobres saudações se envolviam, eu me via desejando que a religião aqui fosse monoteísta.

Mas ainda assim, nossa prática deu frutos. Consegui dar uma saudação duas vezes mais graciosa do que minhas saudações normais, sem nunca tropeçar ou esquecer o que dizer. Pisei na minha veste no final e lutei para me levantar, mas não caí. Com certeza eu melhorei.

— Bom o suficiente. Não perfeito, mas nada mal também. Vocês a treinaram bem. Agora, vamos ver se sua prática de fespiel foi tão bem.

Depois que o Sumo Sacerdote elogiou meus assistentes por seus esforços, seus lábios se curvaram em um leve sorriso ao ver o fespiel nas mãos de Fran.

Olhei para Rosina com um sorriso.

— Se melhorei, foi graças a minha esplêndida professora.

— Oh, retire esse pensamento. Você tem talento para música, Irmã Myne. Você aprendeu a escala musical em um piscar de olhos, e ler música vem mais naturalmente para você do que qualquer um que eu já vi. Os movimentos de seus dedos ainda são estranhos, mas a prática cuidará disso.

P-pare! Eu não tenho nenhum talento! É tudo o que sobrou da minha vida passada de prática de piano e aulas de música! Eu queria rastejar no chão e jurar que não merecia seu elogio, mas agora não era o momento para isso. Tentei sorrir para esconder minha ansiedade, como me ensinara momentos antes, mas pude sentir minha boca se contraindo.

— Fascinante. Você vai me mostrar os frutos dessa prática, enquanto o almoço está sendo preparado.

Sob as ordens do Sumo Sacerdote, um sacerdote cinza preparou uma cadeira para mim e me ajudou a sentar. Fran me entregou meu fespiel, sussurrando seu encorajamento enquanto o fazia.

Tudo o que eu precisava fazer era repetir o que eu havia praticado. A música não era tão difícil, já que foi a primeira. Eu ficaria bem se ficasse calma.

Após respirar fundo, olhei para cima e vi que Rosina estava tensa, como se estivesse nervosa. Ela se parecia com uma mãe vendo seu filho tocar no primeiro recital da escola.

Dedilhei as cordas do fespiel. A canção de prática curta que eu tinha aprendido era chamada “A Colheita de Outono.” A letra simplesmente consistia em listar nomes de alimentos e chamá-los de saborosos, e não era muito difícil se eu pudesse apenas manter meus dedos em movimento.

— Bênçãos da floresta, que são a colheita do outono.

Após terminar a música, sem cometer nenhum erro, soltei um suspiro de alívio.

— Nada mal.

— De fato. A Irmã Myne aprende rápido. Na verdade, Irmã Myne, por que não usar esta oportunidade para tocar a música que você compôs no outro dia?

— O quê? A música que compus?— Humm? Não me lembro de nada parecido!

— Acredito que foi assim.

Eu não tinha certeza se era porque eu era uma criança ou porque esse corpo foi construído para isso, mas essas orelhas eram melhores para captar som do que minhas orelhas de Urano. Eu não tinha afinação perfeita ou qualquer coisa, mas eu era muito boa. Era mais fácil converter meus pensamentos na escala musical do que nos meus dias de Urano. A dada altura, tentei tocar uma música aleatória de que me lembrava e, aparentemente, Rosina se lembrou disso na íntegra.

— Eu ainda não pensei em nenhuma letra para isso. Talvez da próxima vez.?

Naturalmente, traduzir as letras em inglês para uma música tema na língua deste mundo, era um pouco demais para pedir para eu fazer no local. Mas, depois que balancei a cabeça, o Sumo Sacerdote deu um leve sorriso com os olhos brilhando de curiosidade.

— Sim, tenha tudo pronto na próxima vez. Aqui está a próxima música para você aprender.

Não! Tornei as coisas mais difíceis para mim novamente. Chorei por dentro, enquanto pegava a nova partitura dele. Devido a isso, eu tinha que aprender uma nova música e pensar em letras para minha própria música.

— Agora, então, vamos comer.

Talheres de prata reluzentes foram colocados na mesa em frente ao Sumo Sacerdote. Fran havia alinhado meu próprio conjunto de louças e talheres, na minha frente. Era prática comum apenas que os servos tocassem os utensílios de mesa de seu mestre, com medo de serem roubados ou destruídos.

Os utensílios de mesa que eu estava usando, haviam sido deixados pela diretora do orfanato anterior, o que significava serem muito bons. Fran sugeriu que eu comprasse um novo conjunto, mas eu o recusei. Um conjunto que combinasse com o quarto seria muito caro. Eu disse a ele “Eu não sei que tipo de pessoa era a ex-diretora do orfanato, mas seus pecados não são os pecados de seus pertences” e peguei os talheres para mim.

Como eu tinha comido o equivalente ao que os nobres comiam na casa do mestre da guilda, a comida era entregue em pratos semelhantes, como eu esperava. Primeiro as bebidas foram servidas, depois os aperitivos, depois a sopa, depois os pratos principais, depois frutas e uma sobremesa, e depois a refeição terminava com chá.

No entanto, a quantidade e a qualidade dos alimentos estavam em outro nível. Eu sabia que era porque as sobras eram dadas aos criados, mas só o aperitivo tinha oito pratos, com diferentes tipos de comida. Um assistente traria comida para o prato do mestre, pouco a pouco, e se eu não me segurasse, ficaria mais do que cheia apenas com os aperitivos. Fran sabia bem o quanto eu podia comer e selecionava porções dos três tipos de alimentos que eu provavelmente apreciaria. Eu os comi, enquanto pensava em como Benno e eu poderíamos melhorar nossa própria comida.

Nossa comida tinha o mesmo sabor, mas parecia precisarmos trabalhar em nossa apresentação. Como cortávamos a comida, a colocávamos nos pratos e assim por diante. A culinária nobre tinha uma apresentação de alto nível. Mas a sopa era tão sem graça aqui quanto na casa do mestre da guilda. Se houve uma batalha que minha comida ganhou, foi com a sopa. Os pratos principais vieram em vários pratos. Havia muita carne, mas eu não conseguia ver nenhum peixe. Parecia que até mesmo os nobres não comiam muito peixe.

Enquanto comíamos, conversamos sobre minha prática de fespiel, perguntas que eu tinha sobre a papelada, o estado do orfanato e a posição do Ateliê da Myne. O Sumo Sacerdote, principalmente, apenas fez comentários sem compromisso, sobre as coisas que eu disse. Ele às vezes dizia coisas carregadas de eufemismos, mas eu nunca conseguia descobrir o que ele estava realmente tentando dizer. A conversa foi basicamente um ciclo de eu inclinando minha cabeça até que o Sumo Sacerdote suspirou, em derrota, e desistiu.

Parece que Fran e os outros sacerdotes cinzentos seriam ótimos garçons. Talvez eu devesse trabalhar mais para conseguir música para o restaurante. Eu não pude deixar de pensar assim enquanto ouvia Rosina tocar o fespiel e comíamos. Na minha época de Urano, todas as lojas que eu entrava tinham música tocando ao fundo, mas ouvir música não era tão fácil neste mundo. A essa altura, eu acabava sentimental toda vez que tinha a oportunidade de ouvir música.

— Você parece ter caído em pensamentos. Esse almoço foi uma boa referência para você? — perguntou o Sumo Sacerdote, enquanto tomava seu chá pós-refeição.

— Sim, muito. E, a propósito, antes de eu ir. Posso falar com você sobre uma coisa?

— Espere. As discussões com você devem ser deixadas para outro lugar.

O Sumo Sacerdote me interrompeu, então lentamente terminei o resto do meu chá, com aroma forte. Ele abriu a sala secreta e eu o segui para dentro. Agora eu estava acostumada a abrir espaço no banco para sentar, enquanto o Sumo Sacerdote trazia sua cadeira.

— Agora. O que foi desta vez?

Fim da leitura

Capítulo 123 concluído

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