Ascendance of a BookwormCAPÍTULO 124 - 123
Capítulo 124Ascendance of a Bookworm – Capítulo 123
O significado de Sair
— Há mais sacerdotes cinzentos do que há trabalho agora, e eu posso ter uma solução para isso. Você deixaria sacerdotes cinzentos trabalharem como garçons em um restaurante construído para servir comida de inspiração nobre para plebeus ricos?— Perguntei.
Minha pergunta não pareceu surpreender o Sumo Sacerdote. Ele deve ter se lembrado do que conversamos em meus aposentos.
— Imagino que você queira que os sacerdotes cinzentos, que trabalharam como assistentes, sejam seus garçons.
— Padres cinzentos com experiência como assistentes seriam melhores, já que são especialmente treinados e educados, mas até Gil faz um trabalho decente servindo comida. Acho que qualquer padre cinza aqui poderia ser um ótimo garçom após um pouco de treinamento.
Ter um padre cinza com experiência como assistente seria de grande ajuda, mas nem todos precisavam ter experiência. Aqueles criados no orfanato, eram, quase sempre, educados e obedientes, provavelmente devido a seguir o exemplo dado por assistentes e padres azuis, sendo ensinados que a violência estava errada e vivendo uma vida de servidão, trancados desde o nascimento. Não seria muito difícil treiná-los em garçons se pelo menos um deles tivesse experiência para se inspirar.
— Se treiná-los em garçons levaria tão pouco tempo, por que não treinar plebeus da cidade baixa?
— Se alguém viveu ou não uma vida perto de nobres faz uma grande diferença aqui.
Benno não estaria preocupado em treinar garçons se fosse tão fácil. A maioria das garçonetes nos restaurantes da cidade baixa eram prostitutas. E embora os aprendizes de chefs trabalhassem como garçons, quando as coisas ficavam agitadas, servir era entendido como um trabalho de baixa dificuldade, que não exigia muito. Se Benno começasse a contratar assistentes, quase todos os seus candidatos seriam mulheres humildes, atingidas pela pobreza, sem dúvida. Isso prejudicaria a atmosfera elegante do restaurante. Assim como Lutz havia se esforçado para desenvolver melhores maneiras, cada garçonete teria que ser educada do zero para mudar completamente seu comportamento e maneira de falar.
— Benno possui uma loja de alta classe, não é? Eu pensaria que seus trabalhadores lá seriam suficientes.
Dos servos de Benno, o Sumo Sacerdote estava familiarizado principalmente com Mark. Mas Mark estava em um nível mais alto do que a maioria dos outros na Companhia Gilberta. E embora os outros funcionários fossem bem-educados, graças ao treinamento de Mark, usá-los não era uma opção aqui. Os dahuas que trabalhavam na loja de Benno eram principalmente filhos de comerciantes que queriam estabelecer conexões com a Companhia Gilberta. Sua descrição de trabalho envolvia roupas e papelada, não servir comida. Eles recusariam com obstinação se tentássemos fazê-los trabalhar como garçons.
— É claro que os sacerdotes cinzentos com experiência como assistentes seriam excelentes servidores, mas seriam autorizados a trabalhar sem supervisão? Quem você proporia para ser seu guardião? Além disso, apenas alguns poucos ganhos de renda fora do templo levariam à desigualdade financeira, mesmo dentro do orfanato. Você pensou sobre isso?
Benno poderia servir como o guardião de pelo menos um deles, mas eu não sabia sobre todos eles ao mesmo tempo. Eu também não tinha pensado na desigualdade financeira que ocorreria no orfanato.
— Eu não posso responder a essas perguntas imediatamente.
— Imagino que sim. Esses não são problemas simples,— disse o Sumo Sacerdote com um tom, que deixou claro que isso era algo em que ele havia pensado há muito tempo. Os problemas não eram simples, mas eu sabia que ele nunca daria sua permissão se eu não desse respostas a ele.
— Eu não esperava obter sua permissão imediatamente. Eu só queria ouvir seus pensamentos. E, nesse sentido, posso perguntar o que você acha de sacerdotes cinzentos trabalhando fora do templo?
O Sumo Sacerdote baixou o olhar em pensamento, enquanto batia um dedo na testa.
— Hum. Bem, acredito que será difícil para eles. Como qualquer um poderia dizer de olhar para você, a cultura do mundo exterior difere muito do templo. Você acha que os sacerdotes cinzentos poderiam se ajustar tão rapidamente à cidade baixa após viverem suas vidas inteiras aqui?
Pensando na primeira vez que levei Fran e Gil para fora do templo, lentamente balancei a cabeça.
— Acho que eles se dariam bem dentro do restaurante, mas fora isso…
Quando se tratava de servir clientes ricos em um restaurante projetado para parecer uma mansão nobre, os sacerdotes cinzentos precisariam apenas agir como normalmente faziam. Mesmo quando se tratava de lidar com dinheiro, sua experiência com o Ateliê da Myne provavelmente os ajudaria a lidar com as transações muito bem. Mas no segundo em que eles saíssem do restaurante, sua experiência de vida no templo começaria a trabalhar contra eles, em grande parte.
— Além disso, o que você fará se os sacerdotes cinzentos começarem a desejar uma vida lá fora depois que se acostumarem a ela? Você será capaz de fornecer esse estilo de vida para eles?
— Isso seria difícil, eu acho. Sou muito jovem para ser a tutora deles e mesmo que eu perguntasse ao Benno, ele só seria capaz de dar o que ele daria a um aprendiz residente. Viver sozinho seria insuportavelmente duro para alguém que cresceu com tudo o que está sendo dado a eles na forma de dons divinos.
Não havia realmente um grande problema alimentar no orfanato neste momento. Todos faziam suas tarefas e tinham comida suficiente esperando por eles no final do dia. Mas fora do templo, eles precisariam fazer suas próprias refeições ou comer fora, e eu duvidava que os sacerdotes, acostumados a comer alimentos cozidos para nobres, se sentissem satisfeitos com as refeições da cidade baixa. Sem mencionar que eu tinha um pouco de medo de enviar os sacerdotes por conta própria, quando eles ainda lutavam para entender o conceito de dinheiro e como usá-lo. Imagino que não demoraria muito para algum bandido os enganar e roubar tudo o que tinham.
— Por fim, e este é o fator mais importante para mim, o que a população pensará dos órfãos sendo contratados? Você acha que eles serão aceitos, ou rejeitados?
— Mais ainda o último.
A julgar pela forma como meus pais reagiram a mim ao entrar no templo, era difícil imaginar as pessoas tendo uma boa impressão de órfãos ou do templo. Sua habilidade como garçons seria, sem dúvida, apreciada, mas o preconceito que enfrentariam provavelmente seria áspero.
— Além disso, não é possível que a diferença de posição entre aqueles que trabalham fora e os outros sacerdotes cinzentos leve alguns, a achar desconfortável ficar no orfanato? Acredito que a fricção que aquele garoto teve com sua família começou depois que ele mudou de local de trabalho, não?
Trabalho diferente significava pagamento diferente. O templo manteve a igualdade entre os sacerdotes cinzentos, e trazer a desigualdade para o orfanato faria com que seu modo de vida desmoronasse. As coisas poderiam ficar ainda piores do que com a família do Lutz. E como diretora do orfanato, eu precisaria resolver esse caos.
Isso soa assustador. Seria impossível prever o caos resultante de uma mudança repentina. Dizer que eu seria responsável por algo que eu não podia prever, era honestamente aterrorizante. O olhar afiado do Sumo Sacerdote se suavizou, como se ele tivesse visto através de mim e soubesse o quão assustada eu estava.
— Acredito não haver nenhum problema com eles trabalhando no Ateliê da Myne. Como você disse, eles estão ganhando dinheiro e as condições do orfanato melhoraram muito. Ouvi dizer que as crianças estão muito mais animadas do que antes, graças às suas viagens à floresta e às visitas de comerciantes como Benno. Mas há uma diferença significativa entre eles trabalhando dentro do templo, nas regras do templo, enquanto fazem contato com o mundo exterior, e trabalhando no mundo exterior sob as regras do exterior.
Balancei a cabeça, e a expressão do Sumo Sacerdote mostrou que ele estava um pouco aliviado que entendi.
— Sem mencionar que, mesmo que Benno pudesse ser seu guardião, ainda não conheço Benno muito bem. Não posso tomar uma decisão clara sobre se ele é mais confiável do que um nobre inferior comprando sacerdotes cinzentos como servos. Também não sei se um restaurante seria um lugar adequado para os sacerdotes trabalharem.
— Se você viesse ao restaurante durante o teste inicial, você poderia ver com seus próprios olhos que tipo de lugar é. — sugeri ao Sumo Sacerdote com um sorriso. Ele balançou a cabeça com um olhar exasperado.
— Eu não sei o que você está planejando, mas está escrito em seu rosto que você tem más intenções. Aprenda a esconder melhor suas emoções. Mas, de qualquer forma, estou permitindo que os comerciantes entrem no templo a caminho do Ateliê da Myne e posso permitir que você expanda os trabalhos feitos por sacerdotes cinzentos, mas, como está, não permitirei que eles trabalhem do lado de fora.
Eu esperava sua rejeição, então não me senti muito desapontada. Em vez disso, eu sabia que tinha que continuar mudando as coisas aqui pouco a pouco até que o Sumo Sacerdote mudasse de ideia.
— Entendido. Vou trabalhar duro para garantir que você conheça bem o Benno quando o restaurante ficar pronto. E por mim, quero dizer Benno.
— Você não vai trabalhar duro nisso sozinha?
— Talvez um pouco, mas há uma montanha de coisas que precisam mais da minha atenção, então.
O Sumo Sacerdote deu uma risada curta.
— Aprender a se comportar como um nobre, certamente, vem em primeiro lugar— disse ele.
Desculpe, mas estou priorizando os livros ilustrados para o meu irmãozinho que vai nascer.
— E é por isso que ele não deixa os sacerdotes trabalharem fora do templo.
No dia seguinte ao meu almoço com o Sumo Sacerdote, dei um relatório ao Benno na loja dele, como sempre fiz. Contei a ele o que notei durante minha refeição com um nobre, depois expliquei por que ele não deixava os sacerdotes trabalharem lá fora.
— Imagino. — Benno murmurou, tendo, aparentemente, esperado por isso. — Mas ei, já que podemos entrar no ateliê, que tal você incluir o treinamento de garçons em suas tarefas de ateliê?
— Hum, isso pode ser uma coisa boa de se fazer durante o inverno, quando não podemos fazer papel. Mas isso atrapalharia o trabalho de inverno.
O inverno era uma estação que exigia uma quantidade significativa de lenha e comida. Como não podíamos nos reunir muito na floresta, precisaríamos comprar a maior parte. O trabalho manual de inverno era valioso, já que ambos podiam matar o tempo e ganhar dinheiro, enquanto estavam trancados pela neve.
— Que tipo de trabalho manual?
— Eu estava planejando fazer uma variedade de brinquedos. Eu gostaria de encomendar um monte de placas de uma oficina de carpintaria, mas todos os que você conhece estão ocupados com os pedidos para o restaurante, certo? Você poderia me apresentar a outra oficina?
Não queria atrasar ainda mais a inauguração do restaurante. Poderia ter sido normal neste mundo, mas para mim, parecia estar entrando em colapso. Benno fez uma careta quando sugeri que ele me apresentasse a outra oficina, mas eu não queria que minha própria ordem fosse adiada por meses. Eu queria dar o meu pedido para uma oficina que iria fazê-lo com certeza.
— Preciso que seja entregue antes do inverno começar. Se for tão difícil para você me apresentar a uma oficina da sua rede de associados, posso encontrar outra pessoa para fazer isso.
— Essa “outra pessoa” seria Freida, certo? Sem chance. — Eu tinha certeza de que Freida conheceria oficinas que Benno não conhecia, mas ele rejeitou minha ideia antes mesmo de eu dizer o nome dela.
— Tudo bem, tudo bem. Vou falar com o capataz da oficina a que vou, sobre apresentá-la a alguém.
— Nesse caso, vamos a uma oficina de tinta primeiro. Quero tinta. Ou melhor, as tábuas serão inúteis sem tinta.
Enfatizei minha necessidade de tinta até que Benno coçou a cabeça e se levantou, parecendo irritado. Ele então me pegou e saiu de seu escritório.
— Mark, vou às oficinas de tinta e carpintaria com Myne. Lutz, venha conosco.
— Entendido, Mestre Benno.
Quando chegamos à loja de tintas, eu viajando nos braços de Benno, verifiquei os preços das garrafas de tinta, alinhadas em uma prateleira, e senti minha cabeça girar de quão caras elas eram.
— Você tem alguma outra tinta?
— Isso é tudo o que vendemos aqui. Se você realmente quer saber sobre tinta, tente ir diretamente à oficina.
Enquanto eu abaixava a cabeça em decepção, Benno pediu a localização da oficina de tinta e lá fomos para o beco do artesão. O cheiro agudo de vários produtos químicos perfurou meu nariz quando chegamos. Benno me colocou no chão e eu mesma entrei na oficina.
— Não é sempre que os próprios clientes vêm aqui. Qual é o seu negócio?
Somente pessoas ricas, que sabiam ler e escrever, precisavam de tinta, então sempre pediam o que queriam nas lojas sem se preocupar em lidar com a oficina. Nenhum deles queria visitar uma loja com um cheiro tão forte. O capataz, cujo rosto e roupas estavam pontilhados de manchas de tinta preta, estreitou os olhos e olhou para nós com desconfiança. Ele parecia um pouco tenso, talvez porque seu trabalho envolvesse extração precisa de pigmentos e mistura cuidadosa.
— Hum, eu gostaria de saber que tipo de tinta você faz aqui.
A testa franzida do capataz conseguiu franzir ainda mais enquanto olhava para mim.
— Como você faz sua tinta?— Perguntei.
— Desculpe, mas isso é um segredo comercial — ele bufou, claramente sem intenção de responder. Continuei apressadamente, já que parecia que ele estava prestes a terminar a conversa.
— Não quero saber o método, só quero saber que tipo de tinta é. Se é tinta (galha de ferro) ou se é tinta pegajosa (óleo preto)? Isso é tudo que quero saber.
— Huh? Do que você está falando?
O capataz não me entendeu de jeito nenhum, já que eu não sabia os nomes das variedades de tinta deste mundo. Tentei desesperadamente pensar em maneiras de descrever os tipos de tinta que eu conhecia.
— Humm, quantos tipos diferentes de tinta você faz aqui?
— Tinta é tinta. Isso é tudo o que há.— O capataz balançou a cabeça como se eu tivesse feito a pergunta mais idiota do mundo.
— Ok, vou descrever diferentes maneiras de fazer tinta e você pode me dizer qual soa familiar para você.
Ele fechou os olhos, com aborrecimento, para pensar sobre isso, depois assentiu. Imaginei que eles provavelmente estavam fazendo tinta de ferro, então descrevi como fazer isso da forma mais simples que pude.
— Colha corantes naturais de seivas de plantas, fermente, misture (íons férricos). Quero dizer, sais de ferro, então pegue a fibra vegetal.
— É isso aí! Como você sabe disso?
O capataz engasgou e deixou cair sua expressão irritada, para se inclinar para a minha frente. Sua repentina intensidade me fez me esconder atrás de Benno.
— Eu não sei o que dizer a você, exceto que aprendi sobre isso porque estava interessada. Você não faz nenhum outro tipo de tinta, não é?
— Existem outros tipos de tinta?
A julgar pelo olhar penetrante em seus olhos, era provável que ele realmente só soubesse sobre tinta de seiva de ferro. Abaixei os ombros e balancei a cabeça, incapaz de esconder minha decepção.
— Não importa, está tudo bem. Seria melhor comprar tinta em uma loja do que encomendá-la aqui, certo?
O capataz cruzou os braços, pensou em algo e assentiu.
— Sim. Se você está apenas comprando, a loja é o melhor lugar para ir. Garota, qual é o seu nome?
— Sou Benno da Companhia Gilberta, seu guardião. Traga qualquer pergunta para mim. Mais tarde.
Benno colocou a mão na minha boca para me impedir de responder, depois me levantou e se virou.
Eu podia ver o capataz olhando diretamente para nós enquanto Benno se afastava.
— A Companhia Gilberta, hein? Muito bem.
Assim que saímos da oficina, Benno virou o humor.
— O que você estava pensando lá dentro?!
— Quê? Eu estava apenas vendo que tipo de tinta eles faziam.
— Você não poderia ser um pouco mais sutil? Na verdade, provavelmente não, eu acho.
Pensei estar apenas tendo uma discussão pacífica com a oficina de tinta, mas para Benno, aparentemente, parecia que eu estava começando uma briga ou algo assim. Mas o que mais eu poderia ter feito? Eu não sabia que tipo de tinta eles faziam. Era difícil pensar que eles me entenderiam se eu dissesse tinta indiana ou tinta de impressão, ou qualquer coisa assim.
— Adivinhei no segundo em que ele disse que eles só fazem um tipo de tinta, mas parece que eles estão fazendo tinta de (galha de ferro). Que pena.
A tinta de galha de ferro era o tipo de tinta comumente usado em Roma, Europa medieval e assim por diante antes da invenção da tinta moderna. Foi amplamente utilizado graças à sua durabilidade, resistência à água e processo de fabricação simples. Um fator importante foi que, ao contrário da tinta da Índia, ela grudava no pergaminho e não desapareceria se você esfregasse ou lavasse. Mas, uma vez que incluísse componentes ácidos, a tinta seca começaria a corroer a superfície de escrita. O papel vegetal se decompunha mais rápido do que o pergaminho, e, às vezes, o papel acabava coberto de buracos ao final de uma década.
Isso seria um problema para um livro ilustrado que eu pretendia fazer para uma criança que ainda nem tinha nascido. O papel trombe, resistente ao fogo, provavelmente resistiria à corrosão, mas isso teria um custo tão grande que realmente não valia a pena considerar.
— Talvez eu deva fazer a tinta sozinha?
Tinta de galha de ferro pode funcionar se eu usar algo para neutralizar a acidez, mas isso seria brigar com aqueles com interesses adquiridos novamente. Seria melhor para mim apenas desenvolver um tipo inteiramente diferente de tinta.
— Huh? Você vai começar uma briga com a Guilda das Tintas de frente?
— Por que você parece tão animado, Benno? Não estou tentando começar nenhuma briga. Eu teria deixado as coisas acabarem aqui se eu pudesse comprar o tipo de tinta que quero, e agora estou me sentindo irritada por eu ter que fazer isso sozinha. Eu não gosto de conflitos.
Benno bufou entediado com meus protestos e começou a andar. Comecei a pensar em voz alta enquanto sacudia em seus braços. — A tinta (da Índia) pode ser boa para o papel vegetal. Mas eu gostaria de algo mais pegajoso para xilogravuras. Espera aí. Acho que vi xilogravuras antigas (chinesas) em um (museu) uma vez, então talvez a tinta (da Índia) funcione? Ou devo ir até o fim e fazer (tinta a óleo)? (Giz de cera) mancha quando você os esfrega, então eu não acho que eles seriam muito bons para xilogravuras ou livros ilustrados.
Eu havia feito tinta de galha de ferro, tinta a óleo e giz de cera com minha mãe nos meus dias de Urano, mas todos eles usavam ingredientes que compramos em uma loja. Seria muito mais difícil conseguir os equipamentos e materiais que precisávamos aqui. Tenho certeza que endurecemos os lápis de cera nos estojos de batom. Eu gostaria de um recipiente hermético para a tinta, mas o que eu poderia usar para isso?
— Uh. Lutz. O que diabos Myne está dizendo?
— Ela está apenas dizendo o que está pensando. Você pode simplesmente ignorá-la. Ela ficará presa assim até encontrar uma resposta.
Não importa o método que eu escolhesse, obter os pigmentos seria difícil. Eu provavelmente teria que recolher fuligem novamente, assim como eu tinha que fazer para as canetas de fuligem. Mas ao contrário de antes, eu poderia comprar cola e cera de pele de animal. Era muito mais fácil conseguir materiais agora do que quando eu nem tinha dinheiro para comprar um único prego. Fazer tinta agora seria muito, muito mais fácil do que teria sido naquela época.
— Ei, Lutz. Suponho que não entenderá o que preciso a não ser que comecemos a fazer protótipos como fizemos com o jornal, certo?
Inclinei-me sobre o ombro de Benno para falar com Lutz e ele deu de ombros.
— Tomou sua decisão, então? Que tipo de tinta você vai fazer?
— Todo tipo que possa ser bom com xilogravuras. Farei meus livros ilustrados com a tinta que funcionar melhor.
Minha resposta fez Lutz balançar a cabeça com exasperação.
— Você ainda não desistiu de livros ilustrados?
— Eles serão meu primeiro presente para o bebê como sua irmã mais velha. Como eu poderia desistir deles?
— Imagino. As coisas estavam finalmente se acalmando no Ateliê da Myne, mas acho que voltamos a estar ocupados.
Lutz parecia exasperado, mas ao mesmo tempo estava sorrindo com entusiasmo ansioso.
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