Ascendance of a Bookworm — Capítulo 142: CAPÍTULO 142 - 141

Ascendance of a Bookworm
Cap. 142
0%
Ascendance of a Bookworm

CAPÍTULO 142 - 141

Capítulo 142

4.094 palavras~18 min de leitura

Ascendance of a Bookworm – Capítulo 141

O Ritual de Cura

— Myne, terminaremos o ritual enquanto a poção estiver em vigor.

Assim que terminou de repreender Shikicoza, o Sumo Sacerdote afastou sua capa, tocou sua luva direita e transformou a pedra em uma criatura parecida com um leão branco. Os cavaleiros se levantaram e começaram a invocar suas próprias criaturas para cavalgar.

— Venha aqui. — O Sumo Sacerdote estendeu a mão. Caminhei até ele o mais graciosamente que pude, depois estendi minhas próprias mãos. Ele me levantou e, desta vez, peguei as rédeas do leão, para não perder o equilíbrio. Após pular agilmente atrás de mim, o Sumo Sacerdote levantou a mão. — Partir!

Ele agarrou as rédeas e a escultura de leão branco começou a se mover novamente, como se tivesse ganhado vida. Ele estendeu suas asas ao longe e se jogou no ar, indo em direção às ruínas de onde o trombe gigante acabara de se enfurecer. O trombe de um segundo atrás havia sugado a mana que precisava do meu sangue, em vez de sugar da terra ao redor, então tudo bem. Mas o trombe gigante havia deixado uma enorme cratera onde estava, e se eu não realizasse o Ritual de Cura para encher o chão de mana, nem mesmo a grama cresceria na cratera.

— Sinto que te prejudiquei. — O Sumo Sacerdote falou comigo com uma voz baixa, por trás, talvez porque agora que estávamos no ar, ele não precisava se preocupar com outras pessoas o ouvindo. — Eu não pretendia que você se machucasse, e não pretendia expô-la a tal malícia. E, finalmente, eu não tinha a intenção de colocá-la em tal estado que uma poção seria necessária apenas para lhe dar força temporária, suficiente, para realizar o ritual. Foi meu erro, tolo, nunca esperar que a Ordem dos Cavaleiros fosse contra minhas ordens.

Seu tom estava pingando de frustração e remorso. Os guardas eram para garantir que tudo tivesse corrido bem, e de fato, fizeram o oposto, e ele estava se arrependendo de atribuí-los a mim. Mas ele não foi responsável por Shikicoza enlouquecer, isso ocorreu pelos rumores maliciosos espalhados a meu respeito, ou mesmo minha pobre saúde, afetada pela Consumação.

— Não é sua culpa, Sumo Sacerdote.

— É. Todos os assuntos relacionados a você são de minha responsabilidade — disse ele, a voz firme. Já que o templo não poderia funcionar sem mim, plebeia ou não, ele considerava parte de seu trabalho, como Sumo Sacerdote, facilitar minha assimilação ao templo. Ele era, de fato, o tipo de perfeccionista que não podia confiar no trabalho de outras pessoas e, acabava tornando a vida mais difícil para si mesmo, ao tentar fazer tudo sozinho.

— A poção está funcionando, Myne?

— Sim.

— Bom, então. Sei muito bem que o ritual vai colocar um grande fardo em você. Mas é vital que mostremos à Ordem dos Cavaleiros que você é capaz de desempenhar suas funções como aprendiz de donzela do santuário. Vou te proteger. Mostre-lhes que você está apta a usar as vestes azuis. Enfie na goela deles que você é essencial tanto para o templo quanto para a Ordem dos Cavaleiros, os protetores das terras. Se a Ordem dos Cavaleiros reconhecer sua importância, você terá mais ferramentas para se proteger.

O Sumo Sacerdote me protegeu, afirmando que eu não era uma plebeia normal, eu era uma aprendiz de donzela azul do santuário. Eu precisava fazer meu trabalho bem o suficiente para que eles aceitassem que eu era digna da posição.

— Estou nervosa com isso, no entanto. É a primeira vez que faço o ritual. Não sei se consigo fazer direito.— Eu sabia que tinha que fazer isso, mas estava com medo de não conseguir. Era a primeira vez que realizaria um ritual.

No entanto, o Sumo Sacerdote surpreendeu minhas preocupações com uma risada curta.

— Haha. Você não tem nada com que se preocupar. Vou preparar o palco, de tal forma, que a Ordem dos Cavaleiros não terá escolha a não ser aceitá-la.

— O quê?

— Eu só luto batalhas que sei que posso vencer.— Sua voz fria enviou arrepios pela minha espinha. Parecia que sua raiva por seu plano ter sido jogado fora de ordem não havia desaparecido.

— Hum, Damuel foi muito gentil comigo, e ele tentou me salvar. Ele até gritou com Shikicoza por minha causa, então, por favor, não descarregue tudo nele.

O trombe gigante havia deixado uma grande circunferência de terra exposta em seu rastro, o que fazia parecer que alguém havia colocado um enorme prato marrom em cima da floresta.

— Parece haver espaço suficiente para fundar uma aldeia agrícola aqui, quando as plantas estiverem crescendo novamente.

— Uma aldeia agrícola aqui dificultaria bastante para os sacerdotes e nobres que vão para a Oração da Primavera e para o Festival da Colheita. A terra perderá sua força, mais uma vez, sem a Oração da Primavera, — acrescentou o Sumo Sacerdote. Certamente, seria difícil para os sacerdotes e nobres ir até o fundo da floresta para realizar o ritual, sem mencionar os habitantes da aldeia, que podem querer ir à cidade.

O leão-alado desceu ao centro da cratera, e o Sumo Sacerdote me escoltou até o chão. A Ordem dos Cavaleiros aterrissou um por um, seus animais voltando para suas luvas, quando atingiram o chão.

Quando todos os cavaleiros foram alinhados, eles tiraram seus capacetes e se ajoelharam. Parecia que assistir ao ritual com capacetes era desrespeitoso aos deuses. O Sumo Sacerdote tirou o capacete também, o colocando aos seus pés. O chão abaixo de nós, não era o tipo de terra negra que vemos na floresta. Era terra marrom-avermelhada e seca, como você pode encontrar no campo de esportes de uma escola.

— Sumo Sacerdote, o cajado. — Arno estendeu um cajado um pouco maior do que um homem adulto, que o Sumo Sacerdote pegou.

Esse era um instrumento divino, o símbolo da Deusa da Água Flutrane, e era necessário para este ritual. O cajado era feito de ouro e a ponta continha uma grande pedra mágica, verde-clara e do tamanho da palma da mão de um adulto, brilhando à luz do sol. A alça estava pontilhada de pedras mágicas alinhadas, uma ao lado da outra, e a maioria era colorida. De relance, pude ver que estava carregada com muita mana.

— Shikicoza, — o Sumo Sacerdote chamou o cavaleiro. Shikicoza correu até ele, sua armadura tilintando, enquanto caminhava rápido. O Sumo Sacerdote o encarou e estendeu o cajado divino. — Você realizará o ritual.

Shikicoza piscou confuso. O Sumo Sacerdote olhou para ele friamente, depois deu um suspiro exagerado. — Você abandonou seus deveres, não foi? Você deve ter bastante mana sobrando. Meu plano inicial era iniciar o ritual sozinho para mostrar como é feito, mas devido à sua tolice, me dando trabalho extra, não tenho mana de sobra.

Isso é uma mentira! Você definitivamente tem toneladas de mana de sobra! A poção de sabor insondável que ele havia inventado era tão eficaz quanto se poderia esperar pelo quão fortemente ele sacrificou o sabor. Não havia como ele não ter mana sobrando após beber.

— Certamente você é capaz disso. Mostre à Myne o poder de um verdadeiro nobre. — O Sumo Sacerdote, basicamente, forçou o cajado divino nas mãos de Shikicoza. Ele foi claramente pego desprevenido por esse desenvolvimento inesperado, mas, no momento em que ele me notou olhando para ele, ele olhou para mim e endireitou as costas.

— Ó Deusa da Água Flutrane, portadora de cura e mudança. Oh, doze deusas que servem ao seu lado. — Shikicoza começou a cantar a oração em voz alta e clara. A grande pedra no cajado começou a brilhar, e o chão ao redor de Shikicoza começou a escurecer com a ponta do cajado no centro. Não muito tempo depois que o chão escureceu, brotos verdes frescos começaram a aparecer.

Não pude deixar de soltar um entusiasmado “Uau!”. Eu nunca pensei que apenas segurar o instrumento divino e cantar uma oração memorizada traria uma mudança tão palpável para a terra. Era como um experimento científico que eu tinha visto em um vídeo educacional nos meus tempos de Urano.

A terra mudou a cor enquanto foi enchida com a mana, plantas floresceram pouco a pouco. Mas o círculo crescente parou quando atingiu um raio de cerca de dez metros.

— Continue. A cratera está longe de estar cheia. — O Sumo Sacerdote bateu em Shikicoza, quando ele tentou parar, recusando-se a permitir que ele soltasse o cajado, que continuou a drenar sua mana, enquanto ele o segurava. A cabeça de Shikicoza estava ficando pesada por causa de toda a mana que havia sido drenada dele, e logo ele caiu de joelhos.

— Wow. Apesar de toda a sua arrogância, isso foi o melhor que pôde fazer. Vejo que a Ordem dos Cavaleiros realmente teve que raspar o fundo do barril para preencher suas fileiras. — Sem sequer olhar para Shikicoza, o Sumo Sacerdote agarrou o cajado oscilante antes dele cair. Ele então me chamou, enquanto o segurava. — Você é a única que sobrou, Myne. É hora de fazer seu trabalho.

Plantei meus pés afastados para me estabilizar e agarrei o cajado, que era tão grande que cairia se eu relaxasse meu aperto por um momento. Shikicoza havia dado uma demonstração ao vivo do que fazer, o que aliviou meus medos de estragar tudo.

O Sumo Sacerdote estava basicamente me dizendo para me exibir, então acho que devo derramar o máximo de mana que puder? Apertei firmemente o cajado e abaixei os olhos, respirando profundamente. Tirei a tampa da caixa, que normalmente mantinha bem fechada, para conter minha mana, permitindo que ficasse livre, dentro do meu corpo. Eu podia sentir a mana transbordando em direção ao cajado, em busca de uma saída.

— Ó Deusa da Água Flutrane, portadora de cura e mudança. Oh, doze deusas que servem ao seu lado. Por favor, ouça minha oração e me empreste sua força divina. Conceda-me o poder de curar sua irmã, a Deusa da Terra Geduldh, que foi ferida por aqueles que servem o mal.

A pedra mágica verde embutida no cajado brilhava intensamente. Minha mana girou ao meu redor, levantando um redemoinho de vento, comigo em seu centro. O vento levantou meu cabelo e minhas vestes tremulavam.

— Rezo para que a música sagrada seja concedida, lançando ondulações da mais alta ordem. Que eu possa ser preenchida com a cor real para o contentamento do meu próprio coração. — Minha mana explodiu no cajado, penetrando na terra através da pedra mágica do cajado. O círculo de terra escura disparou para fora, com vegetação fresca brotando e florescendo diante dos meus olhos.

— Você pode parar. Isso é mais do que suficiente.— A pedido do Sumo Sacerdote, parei o fluxo de mana e o tranquei de volta na caixa. O cajado imediatamente parou de brilhar. Antes que eu percebesse, toda a cratera estava coberta de grama, que alcançava meus tornozelos.

— Isso é tudo o que preciso fazer, Sumo Sacerdote?

— Sim, a terra agora está cheia de mana. Na verdade, você foi longe demais. — Essa última parte foi um murmúrio baixo, tão baixo que quase não ouvi. Inclinei minha cabeça em confusão, mas o Sumo Sacerdote apenas balançou a cabeça e se virou para encarar a Ordem dos Cavaleiros. Me virei também e vi que todos os cavaleiros estavam atordoados, seus rostos pintados com total descrença. Todos eles tinham olhos arregalados, e muitas de suas mandíbulas realmente caíram.

Hum, o quê? Por que estão me olhando assim? Fui um pouco intensa, já que o Sumo Sacerdote me disse para me exibir, mas… Talvez eu tenha ido longe demais? Seus olhares boquiabertos me fizeram sentir tão desconfortável que me escondi atrás do Sumo Sacerdote, inquieta. Mas ele pisou na minha frente e limpou a garganta.

— Esta é a aprendiz de donzela do santuário aceita pelo templo e pelo Arquiduque. Há alguém aqui que se oponha a essa decisão?

Os cavaleiros voltaram a seus sentidos e todos baixaram os olhos, mantendo seu silêncio. Todos ficaram em formação com os olhos no chão. Provavelmente era assim que eles expressaram sua falta de objeções. Enquanto eu piscava de surpresa, o Sumo Sacerdote assentiu.

— Sem objeções, então. Bom. — Só quando o Sumo Sacerdote deu um “hum” desdenhoso, os cavaleiros olharam para cima. Mas suas expressões de surpresa já haviam desaparecido, substituídas pelos olhos afiados de predadores que haviam encontrado suas presas.

— Quê?! — Eles pareciam tão assustadores que tive que engolir um grito real. Congelei sob o peso de tantos olhares famintos. Parecia haverem concluído que eu era presa para caçar e devorar. Assim que baixasse a guarda, eles morderiam. Eu era um rato sendo perseguido por cobras famintas.

Com as pernas trêmulas, dei um passo furtivo para o lado para me esconder completamente atrás das costas do Sumo Sacerdote.

— Esqueci de mencionar, — continuou o Sumo Sacerdote, — mas a aprendiz está sob minha custódia. Acredito que entendam o significado disso. — Suas palavras acalmaram seus olhares carnívoros de uma vez. Isso foi um alívio, mas de todos nós, eu era a única que realmente não entendia o significado disso.

— Bom. Agora, vamos voltar. — Todos imediatamente começaram a se preparar para sair, enquanto eu, sozinha, piscava, em confusão. Arno pegou o instrumento divino do Sumo Sacerdote enquanto Fran se certificava de que eu estava bem. Os cavaleiros colocaram seus capacetes de volta, chamaram seus animais e se prepararam para cavalgar.

— Venha aqui, Myne. — O Sumo Sacerdote, parado ao lado do caído Shikicoza com Karstedt, me chamou. Segurei o desejo de correr e, em vez disso, caminhei até eles graciosamente. — Myne, você exige alguma forma de pedido de desculpas pelo que aconteceu? — O Sumo Sacerdote baixou apenas os olhos para olhar para Shikicoza. Ele estava perguntando isso, já que eu era a vítima, mas sua expressão deixou claro que ele queria que eu respondesse que não, que eu não tinha nenhuma exigência. Mas bem, eu com certeza tinha.

— Eu tenho. — No momento em que eu disse isso, as sobrancelhas do Sumo Sacerdote franziram com força e ele olhou para mim. Mais uma vez, pude ouvir sua mensagem silenciosa, clara e direta, mas optei por ignorá-la. — Peço novas vestes cerimoniais.

Meu pedido deve ter saído de uma direção inesperada, já que olharam para mim com surpresa escrita em seus rostos. Estendi os braços para poderem ver minhas vestes com mais clareza. Havia buracos escancarados que permitiam que você visse através das minhas mangas, enquanto tremiam na brisa.

— Por favor, peça uma veste de substituição exatamente como esta. Era nova e feita apenas para esta ocasião, por isso foi muito cara. Uma plebeia como eu, não tem dinheiro para preparar vários pares de vestes cerimoniais seguidos.

— Entendo. Elas certamente estão bem danificadas. — Karstedt imediatamente me entendeu, com um sorriso irônico, mas o Sumo Sacerdote parecia desconfiado, como se algo em minhas palavras o deixasse mais alerta.

— Por que você esclareceu que elas deveriam ser exatamente como suas vestes existentes?

— Essas vestes foram feitas sob medida, com instruções específicas. Pedi-lhes que fizessem com que eu pudesse continuar a usá-las à medida que envelhecia, mas elas acabaram destruídas antes mesmo que eu pudesse realizar meu primeiro ritual. É uma verdadeira vergonha.— Eu exagerei o peso da minha situação, e Karstedt gargalhou.

— Vejo que até as mulheres jovens amam roupas, — disse ele alegremente. — Muito bem, vou pedir novas vestes para você. — Karstedt prometeu me encomendar novas vestes como punição pelos erros dele, de Shikicoza e de Damuel. Isso era tudo o que eu queria.

— Eu sou extremamente grata. Recomendo que você peça as novas vestes na Companhia Gilberta. Como não posso participar de rituais sem as vestes cerimoniais, peço que você os faça trabalhar a uma velocidade conveniente para terminar antes do inverno.

— Inverno? Por que? — Karstedt ergueu uma sobrancelha, e o Sumo Sacerdote esfregou suas têmporas.

— Os rituais para oferecer mana são realizados no inverno. Os sacerdotes azuis e o Arcebispo certamente serão sarcásticos se ela não tiver vestes cerimoniais para os rituais, dizendo que os plebeus não podem nem mesmo preparar vestes para si mesmos, entre outras coisas. Embora ela não terá as vestes por culpa própria, — explicou o Sumo Sacerdote, e eu balancei a cabeça solenemente. Eu queria “balançar o barco” o mínimo possível. A Ordem dos Cavaleiros podia não se importar que minhas vestes estejam cheias de buracos na próxima vez que um trombe aparecer, mas eu precisava de vestes adequadas para os rituais de inverno.

— Entendido. Cuidarei de suas vestes para você. Mais alguma coisa?

— Novas vestes cerimoniais são tudo o que preciso. Qualquer coisa além disso pode ser feita segundo as normas da Ordem dos Cavaleiros. Eu não gostaria de ganhar mais ira do que já ganhei.

— Hum. Uma decisão sábia, de fato. Cuidarei internamente do resto, então — disse Karstedt com um aceno satisfeito. Ajoelhei-me e abaixei a cabeça em agradecimento.

— Puxa! Por que há todos esses buracos grandes? As vestes foram recém feitas!

— Fran, o que diabos aconteceu com a Irmã Myne?!

Quando voltei para o templo, Delia soltou um grito ao ver minhas vestes esfarrapadas e Rosina cambaleou para trás com a mão sobre a boca.

— Muitas coisas aconteceram, mas devido ao envolvimento da situação com a Ordem dos Cavaleiros, não posso falar sobre isso. — Fran se esquivou de suas perguntas sem revelar nada.

Troquei-me com pressa para que Lutz não visse minhas vestes bagunçadas, mas parecia que ele sabia que eu estava em perigo. Ele veio ao templo não muito depois que voltei, e no segundo em que ele me viu, correu até mim e disse: — Myne! Estou feliz que você está bem! —Ele imediatamente verificou a parte de trás da minha mão e certificou-se de que eu não tinha febre ou quaisquer outras feridas. De alguma forma, ele sabia um pouco ou tudo o que tinha acontecido comigo.

— Lutz, por que você sabe tanto?

— Do nada, de repente, ouvi você gritando por ajuda. Você disse “Lutz, me ajude!” e tipo, uma visão do que estava acontecendo com você apareceu na minha cabeça. Eu queria ir ajudar, mas não tinha ideia de onde você estava. Eu estava certo de que enlouqueci.

Além disso, aparentemente, o vídeo mental em que ele me viu sendo enredada pelo trombe terminou com o Sumo Sacerdote transformando sua flecha preta em um bastão brilhante e curando minha ferida na mão. Ele passou as últimas horas preocupado, sem saber se eu tinha sido resgatada ou não.

— Desculpe por te assustar, Lutz.

— Ei, você é a única que estava em uma situação assustadora, não eu. Mas, de qualquer forma, o que foi isso?

Concluí imediatamente que a luz azul que vi na hora, era responsável pelo que Lutz experimentou. Olhei para a minha mão, embora já tivesse devolvido o anel ao Sumo Sacerdote, e olhei para ele enquanto pensamentos de tudo o que havia acontecido hoje passavam pela minha cabeça.

— Estou feliz que você esteja segura, Myne. — Lutz me abraçou com força, colocando a boca ao lado do meu ouvido, enquanto falava. Sua preocupação por mim era sincera, irrestrita por pensamentos de posição, regras ou mana. Seu calor finalmente me fez quebrar e largar a atuação de menina durona. Eu sabia que ele estaria lá para mim, assim como eu estaria lá para ele, e às vezes, você só precisava de apoio assim.

— A sociedade nobre é realmente assustadora, — murmurei, agarrando-me firmemente a Lutz.

Naturalmente, acabei acamada após ajudar a Ordem dos Cavaleiros. Eu estava na cama há dias, mas isso era normal para esta temporada, então minha família não disse nada sobre isso. Eu só queria que o Sumo Sacerdote não fosse tão obcecado em chamar isso de sua responsabilidade, mesmo que realmente não fosse.

Era muito próximo ao final do outono quando pude me mover novamente, e finalmente estava ficando frio o suficiente para que usar o rio para fazer papel fosse impossível.

— Teremos que passar pela Companhia Gilberta no caminho de volta, — eu disse, quando chegamos ao templo. Fran estava esperando no portão.

— Irmã Myne, o Sumo Sacerdote convocou você para discutir um assunto urgente. Ele disse para vir para o quarto dele assim que você chegasse, independentemente de sua prática de Fespiel.

Após vestir minhas vestes azuis no meu quarto, fui para o quarto do Sumo Sacerdote. Hoje, de todos os dias, eu gostaria de praticar o Fespiel. Apesar de andar arrastando os pés, inevitavelmente cheguei ao meu destino.

— Aí está você, Myne. Suponho que Fran transmitiu minha mensagem? Siga-me. — O Sumo Sacerdote caminhou até a sala escondida, sua expressão um pouco mais dura do que o normal. Ele definitivamente estaria me dando um sermão. Pressionei a mão contra o estômago enquanto entrava na sala escondida, pela porta que ele abria.

— Dê-me todos os documentos, — disse o Sumo Sacerdote com a mão estendida, assim que comecei a empurrar os documentos para o lado do banco, como de costume. Eu reuni todos eles e os entreguei ao Sumo Sacerdote. Ele os colocou em sua mesa e trouxe sua cadeira, como sempre. Mas eu podia ver um laço de ouro decorativo com uma pedra preciosa vermelha embutida nele, além de uma garrafa pequena o suficiente para ser escondida na palma de uma mão.

— Beba isso, Myne. — O Sumo Sacerdote abriu a mão e estendeu a garrafa para mim. O vidro era um pouco grosso, mas não tão opaco que eu não pudesse ver o líquido vermelho se movendo dentro dele.

— O que é isso?

— Uma poção que eu mesmo inventei. Isso melhorará o fluxo de mana dentro de você, o que será importante para esta ferramenta mágica. Engula-o, não importa o quão repulsivo o sabor possa ser.

Ele enfiou a garrafa no meu rosto, seu tom deixando claro que ele não aceitaria não como resposta. Isso realmente me fez não querer beber a poção. Eu não tinha esquecido o quão horrível era o sabor de sua última poção. Seus olhos se estreitaram quando vacilei, e seus lábios se curvaram em um leve sorriso.

— Você prefere que eu segure seu nariz e force a descer pela sua garganta?

Ele estava sério. O Sumo Sacerdote era o tipo de pessoa que faria isso em um piscar de olhos, se achasse necessário.

Balancei a cabeça com força e tirei a garrafa dele, timidamente trazendo-a à minha boca, enquanto temia o sabor que ela poderia ter desta vez. Não cheirava tão estranho, pelo menos. Mas ir devagar só me faria sofrer mais com o sabor. Inspirei e engoli tudo de uma vez.

— Hum?— Não tinha um gosto ruim. Verdade seja dita, na realidade, era um pouco doce e saboroso.

— Sumo Sacerdote, o gosto era bom para mim. Era doce e saboroso. Eu realmente gostaria que você fizesse aquela poção de rejuvenescimento ficar tão gostosa. — Entreguei-lhe a garrafa vazia enquanto pensava em como a última tinha sido cruelmente ruim, mas ele apenas arregalou os olhos, de surpresa.

— Tinha um gosto doce para você?

— Sim. Não era para ter?

— Bem. Isso não é importante agora. Coloque isso e certifique-se de que a gema entre em contato com sua testa. O Sumo Sacerdote segurava o laço dourado com uma pedra preciosa vermelha. Sabendo que não adiantava discutir, peguei e coloquei a pedra preciosa em contato com a minha testa. Assim como o anel mágico, ela encolheu de tamanho e se encaixou perfeitamente na minha cabeça, como um diadema.

— Sumo Sacerdote, você disse que isso era uma ferramenta mágica, certo?

— Sim. Perguntei ao Arquiduque se eu poderia pegá-la emprestada, e finalmente chegou.

— Hum, o que isso f— Mmm? O-o quê? — De repente, fui atingida por uma forte sensação de sonolência. Minha cabeça girou e minhas pálpebras começaram a cair por conta própria. — O-O quê? Por quê? Tanto sono.

— Deite-se de lado e deixe-se dormir. Não há necessidade de você resistir. — Eu só podia ouvir fracamente o Sumo Sacerdote. Eu estava ouvindo suas palavras muito bem, mas minha mente estava tão enevoada que estava demorando muito para entender o que ele estava dizendo. Como ele disse que eu não precisava resistir, decidi confiar meu corpo à sonolência e assumir minha postura normal de sono. Tirei meu enfeite de cabelo, tirei meus sapatos e deitei no banco. Uma vez que eu estava deitada, imediatamente senti minha consciência cair no abismo escuro.

— Boa. Noite. — Usei minhas últimas forças para espremer um boa noite. Eu podia sentir o Sumo Sacerdote escovando minha franja. Ele devia estar perto de mim, enquanto sua voz ecoava como se sua boca estivesse bem ao meu lado.

— Esta é uma ferramenta mágica que vasculha as memórias de testemunhas e suspeitos de crimes, para garantir que eles não estejam dizendo mentiras. Está reservado para crimes graves que exijam que o próprio Arquiduque intervenha, e vou usá-lo para ver por mim mesmo este mundo de sonhos que você fala.

Imagem 1
Fim da leitura

Capítulo 142 concluído

CAPÍTULO 142 - 141