Ascendance of a Bookworm — Capítulo 149: CAPÍTULO 149 - 148

Ascendance of a Bookworm
Cap. 149
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Ascendance of a Bookworm

CAPÍTULO 149 - 148

Capítulo 149

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Ascendance of a Bookworm – Capítulo 148

Desafio de Johann

Benno terminava a papelada enquanto eu conversava com Freida. Levaria vários dias para o registro ser processado, o que significava que nossos negócios na Guilda dos Comerciantes estavam concluídos.

— Adeus, Freida.

Dei adeus a Freida e fui até as escadas, mas o segundo andar tinha tanta gente que precisei que Benno me carregasse para não ser esmagada. No momento em que Benno deu seu primeiro passo, para começar a avançar, um grito alto ecoou no murmúrio da multidão.

— Esperem! Por favor, esperem! Garota da Companhia Gilberta!— gritou a pessoa. Benno e eu nos entreolhamos.

— Parece que Corinna tem alguns fãs malucos.

— Idiota. Você está em meus braços, ele definitivamente está falando com você. Ignorar coisas que você não gosta não vai mudar a realidade.

Mas, eu não quero falar com ninguém gritando em um lugar com tanta gente. Especialmente se ele está me chamando de “garota da Companhia Gilberta” quando nem sou filha de Benno.

— Eu não gosto realmente de como todo mundo está olhando para nós, então vamos lá fora. Ele vai nos seguir se for realmente importante — eu disse, apressando Benno, enquanto saíamos da Guilda.

Como esperado, a pessoa nos seguiu. Benno parou na praça central, do lado fora da guilda, e me colocou no chão. Me virei para ver um cara mais jovem, com cabelo laranja brilhante amarrado atrás da cabeça, sair da Guilda e começar a correr dessa maneira.

Ah, esse é o Johann.

Enquanto eu refletia sobre o fato de que eu sempre estava usando minhas roupas de aprendiz da Companhia Gilberta ao encomendar coisas de Johann, ele finalmente nos alcançou.

— Qual é o seu negócio? — perguntou Benno atrás de mim. Johann, que agora estava sem fôlego, ajoelhou-se diante de mim e da fonte, em meio à grande multidão de transeuntes que passavam pela praça central.

— Por favor, torne-se minha patrona!

Como é que é?!

Eu podia sentir a multidão olhando para nós com olhares afiados. Eu podia até ouvir alguns deles sussurrando sobre o que estava acontecendo, o que fez eu me sentir insuportavelmente estranha.

— Hum, Johann, tem muita gente aqui, então talvez devêssemos ir a sua oficina?

— Não, — respondeu Benno — se você tem algo para falar, você pode discutir isso na minha loja.

Benno rejeitou a ideia de irmos à oficina de Johann e, em vez disso, falou que deveríamos conversar na loja dele. Achei que seria melhor evitar ir lá, já que Johann estava me confundindo com a filha de Benno, mas ele não estava deixando isso voar.

— Será melhor para você e para mim se eu souber o que você está prestes a fazer a seguir. Fale comigo e com o Lutz lá.

— Okay. Nesse caso, Johann, você viria para a Companhia Gilberta comigo? — Perguntei e Johann se levantou, com um brilho no olhar.

—Sim, é claro. Que pai não se preocuparia em mandar a filha sozinha para uma oficina?

— Ele não é meu pai!

— Ela não é minha filha!

Benno e eu gritamos exatamente ao mesmo tempo. Quando a boca de Johann caiu e seus olhos se arregalaram, dei um passo firme para frente e olhei para ele.

— Eu sou Myne. Benno me ajuda muito, mas ele não é meu pai, e eu nem sou uma aprendiz da Companhia Gilberta.

— O quê? Mas você usa as roupas de aprendiz deles e tem um cartão de guilda. — Murmurando incrédulo, Johann empalideceu e começou a listar todas as razões pelas quais ele achava que éramos parentes.

— Myne é a capataz de sua própria oficina e eu sou seu guardião financeiro. Dada a sua idade, suponho que você queira falar sobre seu teste? É justo, então siga-me.

Benno falou com um suspiro resignado, me levantou e começou a andar. Esse era exatamente o tipo de coisa que fazia as pessoas pensarem que éramos parentes, mas ele odiava minha velocidade de caminhada, tão lenta que era quase parada. Ele andou inteiramente em seu próprio ritmo, forçando Johann a andar com vigor para acompanhá-lo e Lutz a começar a correr.

— Ei, esses dois não são realmente parentes? — Johann perguntou baixinho a Lutz, recusando-se a desistir do assunto.

—Eles não são. Mestre Benno é solteiro — respondeu Lutz, exasperado.

Benno ouviu a conversa sussurrada e olhou para Johann, que estremeceu de medo e se endireitou. Eu vi tudo, já que estava olhando por cima do ombro de Benno.

Quando entramos no escritório de Benno, Lutz seguiu Mark escada acima, para fazer chá. Johann, como um simples artesão em uma ferraria, provavelmente, nunca havia sido levado ao escritório de um grande dono de loja antes. Ele olhou em volta, timidamente, enquanto estava sentado na cadeira que lhe era oferecida. Era difícil pensar que ele era a mesma pessoa que gritou corajosamente “Por favor, torne-se minha patrona!” no meio de uma praça movimentada.

— Benno, qual era aquele teste que você estava falando? — Perguntei, enquanto me inclinava sobre a mesa, tendo subido na minha cadeira.

Os olhos de Benno se moveram para Johann.

—É com você, Johann. Você explica.

Johann estremeceu e endireitou as costas mais uma vez, quando foi recebido pelo olhar de Benno. Ele olhou entre mim e Benno várias vezes, enquanto procurava as palavras. Eventualmente, ele respirou fundo e começou.

— Quando um dapla da Guilda dos ferreiros atinge a maioridade, ele precisa passar por um teste para ser reconhecido como adulto.

Johann não parecia ser um orador muito habilidoso, pois falava em um tom calmo e deliberado enquanto procurava as palavras. O teste era conseguir que um dos clientes que reconheceram sua habilidade financiasse seus esforços como patrono; o patrono daria ao dapla uma tarefa que deveria ser concluída dentro de um ano. Alguns clientes pediriam armas e outros pediam itens do dia-a-dia.

Mais importante do que a tarefa em si, no entanto, era o patrono que encontraram. A satisfação deles com o produto finalizado era obviamente importante, mas o que realmente importava era garantir o suporte contínuo para o ateliê, no futuro. Se um ferreiro falhasse no teste, seu contrato de dapla seria anulado e sem efeito, o forçando a se tornar um dahua.

— Mas você é muito bom, Johann. Não será fácil para você encontrar um patrono? — Perguntei curiosa.

Johann baixou os olhos antes de balançar a cabeça, lentamente.

—Eu sempre sou tão exigente com detalhes que os clientes não gostam muito de mim.

Johann queria detalhes precisos sobre seus pedidos e fazia perguntas repetidamente, para descobrir esses detalhes, o que fazia os clientes concluírem que ele era tão inexperiente que não conseguia fazer nada sem uma tediosa explicação. De certa forma, não era errado concluir que uma marca de um artesão habilidoso era a capacidade de fazer o que um cliente queria com base apenas em instruções aproximadas, mas Johann tinha a habilidade de tornar instruções extremamente precisas em realidade e mais ou menos estava fazendo todos os pedidos precisos que sua oficina recebia sozinho.

Naturalmente, o capataz da oficina de Johann não queria deixá-lo ir, mas não havia nada que ele pudesse fazer se Johann não passasse no teste da Guilda dos Ferreiros.

—Sou o único dapla em toda a Guilda sem patrono. E estou chegando à maioridade no final do outono, então estou realmente quase sem tempo aqui.

Havia uma cerimônia de batismo no início de cada temporada e uma cerimônia de maioridade no final de cada temporada. Dado o quão tarde estávamos no outono, Johann realmente não tinha muito tempo para encontrar um patrono.

— Desculpe deixá-lo esperando, Mestre Benno.

Lutz e Mark desceram as escadas segurando chá. Mark distribuiu as xícaras antes de sair e Lutz foi atrás de Benno, que tomou um gole de chá antes de olhar para Johann.

— Myne pode ser uma capataz, mas ainda é uma criança. Tenho certeza de que seu chefe não é a favor disso. — disse Benno, fazendo Johann encolher um pouco.

— Ele não é, mas ela é a única cliente que traz plantas detalhadas para mim.

A maioria das pessoas se opunha a alguém menor de idade como eu ser um patrono, porque não havia muitas crianças com muito dinheiro para usar. Mas eu tinha um cartão de guilda, respeitava o talento de Johann e tinha um histórico de fazer grandes pedidos. Além disso, respondi alegremente às perguntas detalhadas de Johann, elogiei seu trabalho e pedia especificamente por ele.

Logo, ao solicitar seu trabalho várias vezes, eu me tornara qualificada para me tornar sua patrona. Mas, como eu era menor de idade, precisaria do consentimento de um dos pais ou responsável.

—Você é a única que poderia ser minha patrona agora. Meu capataz me expulsou da oficina e me disse que seria um tiro no escuro, mas eu tinha que tentar.

Parecia que ele havia presumido que a filha de uma grande loja estaria disposta a se tornar uma patrona, para se mostrar, enquanto realmente usava o dinheiro de seu pai. Além disso, Johann teria o prestígio de garantir a Companhia Gilberta como patrono.

— Acontece que vocês não são realmente parentes, no entanto. — Johann baixou os ombros.

Devido a Benno me carregar nas oficinas e na Guilda dos Comerciantes, e ainda mais eu ficar fazendo pedidos caros, enquanto usava roupas de aprendiz da Companhia Gilberta, parecia que todos tinham certeza de que eu era sua filha. O que me lembrou que Otto havia mencionado parecermos pai e filha, para todos ao nosso redor. Dada a diferença de idade, eu dificilmente poderia culpá-los.

Porém, para o solteiro Benno, isso não era nada além de frustrante. Ele me encarou com olhos duros.

— Claro que Myne não é minha filha. Eu não criaria uma idiota sem bom senso como ela. Minha filha teria, pelo menos, tanta noção quanto Corinna — disse Benno, que criou sua irmãzinha, depois que seus pais morreram, quando eram jovens.

Apertei meus lábios em um beicinho afiado e olhei para ele o mais forte que pude. Mas, infelizmente, Benno ficou mais irritado por ser tratado como meu pai do que eu por ser tratada como sua filha.

— Acho que isso significa que você não pode ser minha patrona, então. — Johann, percebendo a atmosfera tensa, começou a se levantar, com uma expressão derrotada.

Mas eu agarrei sua manga. Eu tinha algo que eu queria que ele fizesse, independentemente de todo esse negócio de teste de guilda. Ele precisando de um patrono era apenas uma conveniência adicional.

— Benno, Benno. Eheheh. Há algo que eu quero que Johann faça.

Sorri para Benno, enquanto ainda segurava a manga de Johann, e ele esfregou as têmporas enquanto soltava um suspiro, que me dizia que ele já tinha previsto isso.

— Tudo bem. Lhe darei minha permissão, como seu guardião, e serei o fiador.

Benno concedeu sua permissão, enquanto acenava com a mão, com desdém. O mais surpreso ao vê-lo conceder permissão tão casualmente foi, na verdade, Johann.

— Hum, se o patrono ficar sem dinheiro, o fiador terá que…

— Você acha que um comerciante não sabe o que significa ser um fiador? Não se preocupe, não preciso me preocupar com o fato de Myne ficar sem dinheiro. Ser o fiador dela pouco importa. — disse Benno com um encolher de ombros. Ele sabia que, mesmo que eu ficasse sem dinheiro, poderia recuperar tudo vendendo os livros que estávamos imprimindo agora, e minhas informações sobre as velas ajudariam a suavizar ainda mais as coisas.

— Você acabou de colocar as mãos em uma patrona que não vai ficar sem dinheiro, sabe.

Todo artesão queria um patrono rico, mais do que poderíamos pensar. As palavras de Benno fizeram Johann brilhar de alegria.

— Isso é incrível! Você realmente vai ser minha patrona, Myne? Ah, quero dizer. Senhorita Myne? — Johann vacilou enquanto refletia sobre como me chamar, ganhando um leve tapa de Benno.

— Ei, você não sabe que tem que respeitar seus patronos? Eu sei que ela é apenas uma garotinha em aparência e idade, mas ela está pagando para mantê-lo vivo. Chame-a de Senhora Myne se você sabe o que é bom para você.

— Desculpe. Senhora Myne, então.

Johann se corrigiu apressadamente.

Sorri e acenei com a mão, para dizer que ele não precisava se preocupar com isso. Longe de mim me importar com o como as pessoas me chamavam. Títulos não eram importantes para mim, mas a tarefa que eu estava prestes a dar a ele era.

— Ok, Johann. Acho que terei a lista e as plantas detalhadas, do que quero que você faça em sua oficina, até amanhã.

Se eu colocar tudo de mim nisso, eu provavelmente poderia até mesmo resolver o processo de produção e os detalhes mais sutis das plantas até o final de hoje. Cerrei os punhos, com determinação, enquanto Johann piscava surpreso.

— Huh? Lista? Tipo, várias coisas? Ma-Mas o teste deveria ser só uma única coisa.

— Bem, é uma coisa. Todos os tipos de letras de metal pertencem a um conjunto.

O alfabeto de trinta e cinco letras, deste mundo, tinha letras maiúsculas e minúsculas, assim como o inglês, mas eram semelhantes aos hiragana e katakana do japonês. Naturalmente, eu precisaria de tipos de letras para letras maiúsculas e minúsculas, afinal, os termos “maiúsculas” e “minúsculas” foram historicamente derivados de onde as caixas contendo esses tipos de letras eram organizadas nas gráficas. Cinquenta de cada vogal e vinte de cada consoante devem ser suficientes.

— Se vou ser sua patrona, quero que você faça tipos de letras de metal. Imagino que será uma tarefa bastante árdua, já que cada um é detalhado de forma única e há tantos, mas bem, é assim que é. Você se arrepende de me escolher como sua patrona?

Dei uma breve explicação sobre o que eram os tipos de letras, o que fez Johann piscar com os olhos arregalados de surpresa. Ele olhou para Benno e Lutz pedindo ajuda, e os dois então se entreolharam antes de trocarem leves acenos.

— Ouça com mais atenção o que as pessoas dizem. Eu disse que ela seria uma boa patrona porque ela não vai ficar sem dinheiro, certo? Você deveria ter pensado por que eu não disse mais nada — disse Benno.

— Se você acha que não consegue acompanhar a loucura de Myne, você deveria desistir agora e procurar outra pessoa. Ela é sempre assim — acrescentou Lutz.

Era difícil dizer se estavam lhe dando advertências ou palavras de apoio. De qualquer forma, Johann cerrou os punhos no colo e fechou os olhos com força. Após um momento de profunda reflexão, ele olhou para mim, os olhos cheios de determinação.

— Eu vou fazer. Por favor, torne-se minha patrona.

Acelerei as coisas e terminei as plantas e instruções detalhadas antes que o dia terminasse. Então os levei para a oficina de Johann na manhã seguinte. A julgar pelo quão surpreso ele pareceu quando cheguei, ele não deve ter esperado que eu concluísse os projetos tão rapidamente, mas eles o deixaram tão animado que eu tinha certeza de que ele ficaria bem.

—Parece que estamos um passo mais perto da impressão de tipos móveis, Lutz.

— Você com certeza parece estar se divertindo, Myne.

— Se conseguirmos superar esse desafio, a impressão de tipos móveis estará ao virar da página. Assim que Johann terminar os tipos de letras, modificarei uma prensa para fazer uma impressora real. Isso será na primavera, no entanto. Preciso passar o inverno ganhando muito dinheiro.

Fim da leitura

Capítulo 149 concluído

CAPÍTULO 149 - 148