Ascendance of a Bookworm — Capítulo 150: CAPÍTULO 150 - 149

Ascendance of a Bookworm
Cap. 150
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Ascendance of a Bookworm

CAPÍTULO 150 - 149

Capítulo 150

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Ascendance of a Bookworm – Capítulo 149

A Guilda da Tinta e o Início do Inverno

Quando o outono chegou ao fim, terminamos de imprimir nosso segundo lote de bíblias infantis. Deixei de lado os vinte que íamos usar como livros de estudo e vendi os outros quarenta para Benno, ganhando seis grandes ouros. Após meses me arrastando pela linha da pobreza, de repente, fiquei rica.

Pouco tempo depois, Fran e Rosina vieram à minha casa, para conversar, com minha família, sobre minha saúde, para o inverno que se aproximava e, nos dias seguintes, usei o dinheiro ganho com os livros ilustrados para completar ainda mais meus preparativos para o inverno. E com isso, eu, minha família e o orfanato, terminamos nossos respectivos preparativos de inverno, assim que o tempo esfriou o suficiente para parecer que poderia nevar a qualquer momento.

Lutz me deu um relatório enquanto voltávamos do templo para casa.

—Myne, Mestre Benno disse que o chefe da Guilda das Tintas e o capataz da oficina de tintas vieram vê-lo esta manhã.

— Acho que eles notaram a nova tinta que estamos usando?

Como previsto, pessoas ricas com ligações com nobres começaram a comprar as bíblias infantis da Companhia Gilberta. Você poderia dizer com um único olhar que a tinta usada não era tinta normal. Havia uma grande diferença entre a tinta de noz tingida de azul e a tinta preta sólida, feita de fuligem e óleo.

Naturalmente, a Guilda das Tintas percebeu isso imediatamente e começou a procurar quem havia feito isso, mas ninguém na guilda sabia de nada. Ninguém, exceto o capataz da oficina de tintas que eu havia visitado.

— Disseram que uma garota da Companhia Gilberta sabia fazer um tipo diferente de tinta.

Essa revelação enviou o chefe da Guilda das Tintas e o capataz em questão diretamente para a Companhia Gilberta, especificamente para perguntar a Benno se ele pretendia fazer outra Guilda das Tintas para sua nova tinta.

A Companhia Gilberta tinha um precedente para fazer novas guildas. Eles lutaram contra a Guilda dos Pergaminhos para fazer a Guilda do Papel Vegetal e suas oficinas que a acompanhavam, que agora estavam enchendo o mercado com papel vegetal um pouco mais barato que pergaminho. Embora houvesse um acordo de que o pergaminho ainda seria usado para contratos oficiais, o papel vegetal estava vendendo muito mais que ele, graças ao fato de poder ser produzido em massa; só fazia sentido que aqueles com interesse em tinta estivessem em guarda depois que Benno começou a usar tinta diferente naquele papel vegetal para vender livros.

— Mestre Benno quer que você vá à loja amanhã. Ele tem algo para falar com você.

— Ok.

Essa era uma situação normal para mim, e, no dia seguinte, Lutz e eu fomos primeiro à Companhia Gilberta, antes de irmos ao templo.

— Bom dia, Benno.

— Aí está você, Myne. Estou feliz que você veio.

Benno fez um gesto para que eu me sentasse à mesa, enquanto Lutz subia as escadas dos fundos. Como dapla, Lutz praticava como fazer e servir chá aos visitantes.

Sentei-me após despedir-me de Lutz, momento em que Benno largou a caneta e foi até a mesa. Ele se sentou na minha frente e começou imediatamente.

— Como eu esperava, a Guilda das Tintas veio. Você disse querer ensiná-los a fazer a tinta e depois deixá-los fazer tudo, certo?

— Sim. Se você continuar expandindo seus negócios para tantos campos diferentes, acabará com mais inimigos, e fazer tinta realmente não tem nada a ver com a principal linha de trabalho da Companhia Gilberta. Contanto que eles deixem o Ateliê da Myne continuar fazendo sua própria tinta, não me importo de vender o processo de produção e deixá-los cuidar do resto.

A produção em massa de tinta seria importante para espalhar a impressão em todo o mundo, mas tentar gerenciar ambos os processos por conta própria, pode acabar sendo demais para lidar. Fazia mais sentido para mim, deixar outras pessoas assumirem esses trabalhos, sempre que possível.

— Quanto dinheiro você está pensando?

— Humm, tanto quanto estou dando ao templo, então. Que tal dez por cento dos lucros?

Minha sugestão fez Benno balançar a cabeça com uma careta.

—Você está precificando muito baixo.

— Mas os lucros aumentarão à medida que a tinta se espalhar, e eu quero que eles vendam a tinta por um preço baixo, assim como o papel vegetal está sendo vendido por um preço baixo.

Meu processo de pensamento foi baseado inteiramente em espalhar o produto o mais longe possível, mas Benno descartou a ideia com um aceno de mão.

— Pelo menos aumente para trinta por cento nos primeiros dez anos. Então você pode reduzir para vinte por cento nos dez anos seguintes, depois dez por cento pelo resto do tempo. Isso é justo para o que você está trazendo para a mesa. Você não deveria vender novas tecnologias tão rapidamente.

— Okay. Vou deixar as porcentagens para você.

Sem dúvida, Benno estava indo com trinta por cento em vez de algo muito mais alto, para me acomodar. Eu sabia que ele tinha meus melhores interesses em mente, então me senti confortável deixando tudo isso para ele.

— Aqui está o chá. — Lutz desceu as escadas, parecendo tenso, enquanto colocava as xícaras na nossa frente.

Benno pegou sua xícara, examinando seu conteúdo com um olhar penetrante, antes de tomar um gole.

—Ainda não chegou lá.

— Definitivamente não é ótimo, mas ele está melhorando. Lutz, você quer que Fran te ajude um pouco? Ele é um bom professor. Tanto Gil quanto Delia são muito melhores em fazer chá agora.

— Isso soa bem. Hahahah.

Lutz estava trabalhando duro sob a supervisão de Mark, mas seu chá ainda não era bom o suficiente para servir a outros visitantes. Por enquanto, ele estava praticando comigo.

— Isso deixa a magia do contrato.

— Você acha que devemos usá-lo?

A magia de contrato era cara o suficiente para ser usada geralmente apenas quando nobres estavam envolvidos. Benno havia assinado contratos de magia comigo duas vezes antes, mas nas duas vezes ele estava pensando a longo prazo e preparando as bases para me proteger dos nobres. Mas, desta vez, estávamos apenas lidando com a Guilda das Tintas, que até onde eu sabia não tinha nenhum nobre nela.

— O acordo que estamos fazendo durará muito tempo e envolverá muito dinheiro. Vale a pena, já que, pessoalmente, não confio no chefe da Guilda das Tintas. Podemos muito bem jogar pela segurança, com a magia de contrato, este será um contrato com a própria Guilda das Tintas, não com ele.

— Um contrato com a Guilda das Tintas?

Parecia que os grupos também eram vistos como entidades legais separadas neste mundo. Inclinei a cabeça, em pensamento, e Benno deu um aceno lento.

— Sim. Será importante para garantir que o contrato permaneça em vigor, mesmo quando o chefe eventualmente mudar.

Parecia haver muitos casos históricos, onde as pessoas que assumiram posições de poder decidiram não honrar os contratos que seu antecessor havia assinado. Já havia acontecido vezes suficientes para que o sistema judiciário aqui desenvolvesse o conceito de pessoa jurídica.

— Vamos vender o processo de produção de tinta para a guilda. Eles vão permitir que o Ateliê da Myne continue fazendo sua própria tinta. Faremos com que eles precifiquem a tinta para que ela se espalhe junto com o papel vegetal. Recebemos trinta por cento de seus lucros com a tinta. Esse valor mudará a cada dez anos. Parece bom?

— Certifique-se de dizer a eles que a tinta não é boa para usar em pergaminho, pois não é bem absorvida.

Após confirmar os detalhes com Benno e Lutz, Mark bateu e entrou.

— Mestre Benno, dois visitantes da Guilda das Tintas estão aqui.

— Deixe-os entrar assim que eu tocar a campainha.

— Como quiser.

Mark saiu da sala.

Benno imediatamente se levantou e me colocou no chão da minha cadeira com uma expressão sombria. Ele então apontou o queixo para Lutz, que respondeu com um aceno silencioso antes de abrir a porta para a escada interna.

—Myne, vou negociar com a Guilda das Tintas. Você não quer que eles a vejam. Fique com Corinna, e enviarei o contrato mágico para você assinar, assim que estiver tudo escrito.

—Por que dar tantas voltas para me esconder?

Achei que seria muito estranho assinar um contrato com uma das partes ausente. Pisquei surpresa, e após olhar para onde os visitantes provavelmente estavam esperando na outra sala, Benno explicou em uma voz baixa e sombria.

— O capataz da oficina pode estar bem, mas o chefe da guilda tem conexões com mercadores dos nobres e não ouço muitas coisas boas sobre ele. Há muitos rumores ruins. Será melhor não deixar que ele a veja.

— Okay. Vou confiar em você com isso.

Fiquei muito curiosa com esse homem da Guilda das Tintas, mas fui em frente e subi as escadas até o quarto de Corinna, com Lutz. Uma vez lá, ele imediatamente se virou para descer as escadas, já que era seu trabalho entregar o papel do contrato mágico.

— Lutz, depois me diga como é o chefe da Guilda das Tintas, ok?

— Sim, claro.

Após me despedir de Lutz, me virei para Corinna.

— Desculpe por isso, Corinna. Eu simplesmente entrei do nada.

— Tudo bem, Myne. Vamos aproveitar esta oportunidade para fazer a costura temporária de suas vestes.

— Okay. Desculpe por lhe dar um trabalho tão grande, que precisa ser feito tão rapidamente.

Corinna me guiou para a sala com uma expressão gentil. No caminho, vimos Otto no corredor, que nos recebeu com um aceno amigável. Ele deve ter faltado ao trabalho hoje, assim como papai.

— Puxa, Myne. Eu não posso acreditar que você faria Corinna trabalhar duro para um nobre superior quando ela está grávida.

— Otto, quantas vezes eu já disse para você não meter o nariz no meu trabalho?

— Só estou preocupado com você, Corinna.

Otto não recuou, mesmo após receber um olhar duro de Corinna. Eles estavam tão amorosos como sempre.

Observei Corinna chutar Otto para fora da sala, como se fosse uma criança petulante, imaginando se suas dores de cabeça regulares estavam realmente sendo causadas por Otto e não por sua gravidez.

— Estou preocupada com você também, Corinna. Otto está exagerando ultimamente? Ele e papai são famosos no portão por serem loucos apaixonados. Ele está tão animado com seu primeiro bebê que está causando problemas?

— Meus deuses, é isso que as pessoas dizem sobre ele? Imagino que sua mãe sofra tanto quanto eu. — Corinna riu e trouxe um tecido azul, que começou a espalhar em cima de uma grande mesa.

— Você acha que vai conseguir terminar as vestes cerimoniais? Você realmente não teve tempo suficiente.

— Certamente será apertado. A oficina está muito ocupada. Mas ainda é raro conseguirmos trabalho de nobres superiores, então nossas costureiras estão dando tudo de si. Afinal, cobramos bastante deles.

Parecia que, ao tingir o pano do meu primeiro conjunto de vestes, eles também tingiram um pano extra da mesma cor para usar em outro pedido feito por outra pessoa. Eles estavam usando aquele pano extra agora e, aparentemente, todos na oficina estavam trabalhando a toda velocidade no bordado.

— Ainda precisamos fazer a primeira prova para esse outro pedido, o que nos dá bastante tempo para tingir o tecido novo antes do prazo. Mas nos disseram para terminar essas vestes o mais rápido possível e, embora não tenhamos tempo de usar um pano diferente, para sua primeira prova, não posso imaginar que você tenha crescido o suficiente para que as medidas sejam muito diferentes da última vez.

Enquanto ela falava, Corinna colocou o pano azul em mim, com agulhas de fixação enfiadas nele. Era difícil para ela fazer isso, com sua barriga grande, e parecia que tudo o que ela fazia era uma luta para ela.

— Me desculpe, Myne. Vou ter que chamar uma empregada para ajudar. Isso é um pouco demais para eu fazer sozinha.

— Sua barriga está realmente grande agora. Está quase na hora?

— Sim, me disseram para esperar por volta do meio do inverno. O bebê é bastante enérgico, está sempre chutando lá dentro. Talvez seja um menino? — Corinna esfregou sua grande barriga, enquanto tocava uma campainha para chamar uma empregada.

Mas foi Otto quem entrou, dizendo “Você chamou?” e olhou ansioso para ajudar. Eu não pude deixar de rir da expressão exasperada de Corinna.

— Sabe, agora que Myne roubou Benno de nós, acho que é hora de desistir e aceitar minha nova vida trabalhando na Companhia Gilberta.

— Hum, Otto. O que você quer dizer com “eu roubei Benno de você”?

Não tenho nem força no braço para pegar Benno, muito menos levá-lo a qualquer lugar.

— Significa o que significa. Como seu guardião financeiro, Benno planeja continuar expandindo seus negócios. É por isso que ele está no meio de enfiar na minha cabeça o como a Companhia Gilberta trabalha — Otto disse, com um pequeno encolher de ombros, enquanto começava a ajudar Corinna. Na verdade, ele estava fazendo um bom trabalho, um sinal de que estava trabalhando duro para aprender.

— Otto, você parece tão à vontade aqui que quase esqueci que você é um soldado. Nesse ritmo, pode não demorar muito para você abrir sua própria loja com Corinna, hein?

— Bem, serão alguns anos no mínimo. Trabalharei duro por Corinna e pelo bem de nosso bebê.

— Sim sim, querido. Trabalhe com suas mãos, não com sua boca.

Corinna terminou a costura temporária enquanto dava instruções a Otto. O comprimento estava bom, então decidimos usar as mesmas medidas da última vez. Ela então expulsou Otto novamente e arrumou meu cabelo, que tinha ficado desgrenhado, por causa da costura temporária.

Enquanto eu estava colocando minha camada superior de roupas de volta, uma batida soou mais longe na casa, seguida por Mark se anunciando. Podíamos ouvir os passos de alguém andando para deixar Mark entrar. Eu rapidamente terminei de me vestir e balancei a cabeça, quando Mark bateu na porta da sala.

— Por favor, entre.

— Com licença, Corinna. — Mark entrou com uma folha de papel de contrato e Lutz o seguiu com um pote de tinta. Ele estendeu o contrato mágico na mesa redonda e confirmou cada ponto comigo. Era exatamente o que eu havia discutido com Benno, e os números a nosso favor mostravam que Benno havia vencido as negociações.

Houve apenas um ponto que eu não reconheci. Uma linha informando: “O conteúdo deste contrato será registrado nos regulamentos da Guilda das Tintas.”

—Mark, o que essa parte sobre os regulamentos da Guilda das Tintas significa?

— Os regulamentos da guilda devem ser mantidos por todas as oficinas pertencentes a uma guilda. Em suma, o conteúdo do contrato registrado nos regulamentos da Guilda das Tintas significa que eles também serão aplicados às Guildas das Tintas e oficinas de tintas de outras cidades.

O contrato mágico em si era apenas magicamente obrigatório em Ehrenfest, mas os regulamentos da guilda foram mantidos em todas as cidades. Como tal, embora houvesse várias Guildas de Tinta diferentes, todas seguiam os mesmos regulamentos, embora houvesse pequenas variações nas regras dependendo da cidade e da oficina em questão. Do jeito que eu vi, os regulamentos das guildas eram muito parecidos com as leis federais que existiam em cima das leis regionais.

— Mas como as Guildas das Tintas de outras cidades saberão aplicar essas regras? Existe alguma linha de comunicação entre eles?

— Eles estão comprando o processo de produção dessa tinta justamente porque será lucrativo para eles. É natural que esta Guilda das Tintas envie uma mensagem para seus companheiros da Guilda das Tintas nas cidades vizinhas. Eles irão alterar sua cópia dos regulamentos após aprender o processo de produção.

Concordei com a explicação de Mark e peguei a tinta. O contrato já tinha os nomes de Benno e da Guilda das Tintas escritos nele, mas não o nome do próprio chefe da guilda. Escrevi meu nome o mais próximo possível do final.

— Então, Lutz. Que tipo de pessoa era o chefe da Guilda das Tintas?

— Ele tinha um olhar desagradável em seus olhos. Ele estava procurando por você.

— Quê?

Lutz cerrou os punhos e explicou, falando baixinho. — Ele disse ao Mestre Benno que sabia que uma garota havia falado sobre a tinta nova na oficina. Ele disse “Deixe-me vê-la se ela estiver aqui.” Acho que o Mestre Benno estava certo em esconder você. Ele parecia ser muito pior do que o mestre da guilda.

Se Lutz estava dizendo que aquele homem era muito pior que o mestre da guilda, ele devia ser muito ruim. Lutz e Benno estando ambos de guarda ao seu redor, era um sinal de que eu deveria estar de guarda também.

— Mas enfim, Myne. Estenda a mão — disse Lutz, preparando a faca.

Estremeci, lembrando que a magia de contrato precisava de sangue, e então estendi minha mão. Uma dor aguda e repentina atravessou a ponta do meu dedo e o sangue escorreu. Eu o pressionei contra o contrato que então explodiu em uma chama dourada, queimando o papel e selando o acordo. Parecia tão mágico quanto sempre.

— Myne, — disse Mark — por favor, espere aqui em silêncio até que o Mestre Benno chame você.

— Eu sei, Mark.

Com o contrato assinado, passei o tempo conversando com Corinna sobre seu bebê e ignorando o choro de Otto por não poder ajudá-la no trabalho durante o inverno.

Já era hora do almoço quando Benno subiu correndo as escadas com um olhar furioso.

— Myne, mandei Mark levar Lutz para casa e chamar seu pai e sua irmã para virem te buscar. Nem pense em sair até que eles estejam aqui!

— O quê? Aconteceu alguma coisa?! — Levantei-me e corri para Benno, que olhava pela janela com a testa profundamente franzida.

— Mandei Lutz levar um recado para a Guilda dos Comerciantes e, no caminho, alguns homens o atacaram. Eles começaram a fazer perguntas sobre “a garota da Companhia Gilberta”. Disse que ele deve saber sobre você, já que ele é um dapla e trouxe o contrato.

— Isso deve significar que eles são… — Eu parei, e Benno deu um aceno deliberado.

— Eles devem ser da Guilda das Tintas, mas não consigo entender por que eles começaram a procurar informações após assinar o contrato.

Fazia sentido que eles quisessem reunir informações de antemão para ajudar a obter melhores condições para si mesmos ou algo nesse sentido, mas o contrato já estava assinado. Eles haviam encurralado Lutz e, embora isso obviamente nos colocasse em guarda, não sabíamos por quê. E não havia medo maior do que o medo do desconhecido.

— Pode haver algo acontecendo nos bastidores aqui. Mantenha seus olhos e ouvidos bem abertos lá fora.

— Certo.

— Myne, estamos aqui.

— Pai! Tuuli!

Ambos tinham acabado de sair do trabalho e, a julgar pela respiração pesada, deviam ter vindo para cá a toda velocidade.

— Minhas desculpas por chamar vocês — disse Benno para papai, levantando-se de seu assento.

— Não, eu aprecio você se esforçar para proteger minha filha. Se importa se eu perguntar o que diabos está acontecendo?

— A Guilda das Tintas definitivamente está de olho nela, mas não sei quem está puxando as cordas — explicou Benno.

— O fato deles estarem procurando informações depois que o contrato foi assinado é estranho, e eles irem atrás de Lutz simplesmente não faz sentido.

Eu podia ver os olhos do meu pai endurecerem. Tuuli, parecendo nervosa, me deu um abraço apertado.

— Acredito que Myne estará mais segura se você a enviar para o templo agora — continuou Benno.

— Vou deixar a decisão para você e sua esposa, mas eles não poderão fazer nada com ela se ela estiver no templo. Isso também nos dará tempo para procurar informações nós mesmos.

— Certo.

Papai deu um aceno grave, depois me pegou, com a testa profundamente franzida.

— O que acha? Você quer ir ao templo? Ou você quer ir para casa?

Sinceramente, queria que o papai me levasse para casa, para não me sentir só. Mas isso tornaria provável que essas pessoas fossem atrás do Lutz e da minha família.

— Eu não quero ir embora tão cedo, mas não quero que mais nada aconteça com você ou Lutz. Eu vou para o templo. A neve vai começar em breve, de qualquer maneira.

Coloquei um rosto corajoso, mas a ideia de viver no templo me deixou indescritivelmente nervosa. Apertei a camisa do papai com força.

E assim meu inverno no templo começou.

Fim da leitura

Capítulo 150 concluído

CAPÍTULO 150 - 149