Ascendance of a BookwormCAPÍTULO 166 - 165
Capítulo 166Ascendance of a Bookworm – Capítulo 165
Conversando com o Sumo Sacerdote e Voltando para Casa
Enfrentar tanto um sermão do Sumo Sacerdote quanto finalmente voltar para casa, era como experimentar o céu e o inferno ao mesmo tempo. Por um lado, eu não podia mais esperar que papai e Tuuli viessem me buscar, nesta tarde, mas, por outro lado, só de pensar no sermão do Sumo Sacerdote, meu estômago começou a girar.
— Siga-me, Myne.
— Okay.
Quando cheguei ao quarto do Sumo Sacerdote, com Fran e Damuel, o Sumo Sacerdote, imediatamente, me levou para o quarto escondido, que poderia muito bem ser chamado de sala de sermões, agora, assim como a carta havia dito que ele faria.
Sentei-me no banco de sempre. O Sumo Sacerdote pegou uma caneta e uma tábua de madeira, que estavam descansando em sua mesa, pousou uma garrafa de tinta e depois, olhou para mim, com as pernas cruzadas, em uma perfeita posição de interrogatório.
— Eu não a chamei aqui para um sermão. Acho que disse que tinha coisas que queria te perguntar. Primeiro, gostaria de saber os detalhes da impressora que você está tentando fazer.
Aparentemente, ele fez uma lista de todas as coisas que não tinha sido capaz de me perguntar ao visitar o ateliê da Myne, e, agora que estávamos sozinhos, ele fez perguntas e mais perguntas sobre quantos livros a impressora poderia fazer e quão rápido ela poderia fazer isso. No entanto, eu não tinha respostas claras para nenhuma de suas perguntas.
— Ainda não terminei a prensa de impressão e precisarei de muito mais tipos de letras metálicas, antes de imprimir livros compostos de nada além de texto. Sem mencionar que não podemos imprimir nada sem primeiro fazer a tinta e o papel em nosso próprio ateliê. É impossível saber com que rapidez e quanto poderemos imprimir, após terminar apenas uma única impressora.
— Entendo — respondeu o Sumo Sacerdote, antes de olhar de volta para apranchaem suas mãos. — Nesse caso, gostaria de discutir seu impacto na história. Quando a impressão começar, o que acontecerá com aqueles que estão copiando livros à mão? Em seu mundo, o que aconteceu com aqueles que ganhavam a vida copiando livros?
— Algumas pessoas continuaram como um passatempo, mas em termos de emprego, as ondas de automação as esmagaram cada vez mais, ao longo do tempo. Na verdade, foi um processo lento, e elas desapareceram inteiramente ao longo de cerca de dois séculos. Naturalmente, isso não aconteceu dentro de uma ou duas décadas.
O Sumo Sacerdote franziu a testa enquanto coçava a prancha.
—Você disse que no seu mundo, todos os cidadãos do seu país frequentavam escolas, e que era normal que todos soubessem ler, mas não imagino que fosse sempre assim. O que mudou em sua sociedade, como resultado da proliferação de livros e do aumento da taxa de alfabetização?
— Tudo mudou. Mas as especificidades variaram por país e por cultura. Não acho que os detalhes significarão muito para um mundo totalmente diferente.
— O que mudou, por exemplo? — perguntou o Sumo Sacerdote, e pensei na história que me lembrava dos meus dias de Urano. Muita coisa veio à mente, mas eu não tinha certeza se o Sumo Sacerdote entenderia, já que ele não tinha o conhecimento de fundo que eu tinha.
— Há muitos exemplos de plebeus da classe trabalhadora derrubando a classe dominante e iniciando um governo pelo povo, através do compartilhamento de informações e do ensino mútuo. Por outro lado, havia também manipuladores imprimindo e distribuindo informações selecionadas à mão, para influenciar a população de uma forma ou de outra. Sei que os plebeus que aprendem a ler, mudam significativamente os meios pelos quais as informações são comunicadas, mas não sei quem pode explorar isso e como.
— Portanto, o impacto será tão grande que é impossível dizer o que pode acontecer, em parte, devido a influências externas. Muito preocupante de fato. — Murmurou o Sumo Sacerdote, enquanto continuava a rabiscar em sua tábua.
— Ao contrário do meu mundo, este mundo não pode sobreviver sem manejadores de mana, certo? É difícil dizer se a população adotará os mesmos cursos de ação, mesmo depois que a taxa de alfabetização aumentar e os livros se espalharem. Na verdade, você poderia usar livros para espalhar o conhecimento de quanto os nobres fazem pelos plebeus. Embora isso tenha o efeito oposto, se os nobres e sacerdotes não estiverem levando suas funções a sério.
— O que você quer dizer? — perguntou o Sumo Sacerdote, com um olhar confuso.
Dei de ombros.
— As pessoas da cidade baixa realmente não sabem o que os nobres estão fazendo. Somente aqueles em cidades agrícolas, onde a Oração da Primavera é realizada, veem os nobres e padres azuis apoiando diretamente seus meios de subsistência, enchendo cálices com mana. É por isso que sua fé é tão forte, e por isso eles estão muito mais dispostos a orar aos deuses do que aqueles na cidade baixa. É o que eu acho, de qualquer maneira.
— Eu nunca sequer considerei a fé dos moradores da cidade baixa, nem considerei informá-los do que nós, nobres, fazemos. Acho sua perspectiva fascinante, você vê as coisas de ângulos que nunca veríamos.
Não só eu era de nascimento comum, aqui, eu ainda me lembrava firmemente do meu tempo vivido como Urano, na Terra. O Sumo Sacerdote parecia estar interessado na perspectiva que o outro mundo me deu, literalmente e figurativamente.
—Hmm. Nesse caso. Tomarei minha decisão com base no que tenho certeza agora. Myne, não comece a imprimir ainda.
— O quê? Por quê?
— Seria possível manter o controle da população, não importa como eles respondam, através do poder da mana. Mas, sem dúvida, haverá nobres que expressarão sua oposição à impressão.
De acordo com o Sumo Sacerdote, aqueles que copiavam livros à mão, ganhavam uma renda grande e estável. Por essa razão, a maioria daqueles que copiavam livros à mão eram sacerdotes, donzelas de santuários e estudantes da Academia Real, de famílias pobres. Ele disse que se eu começasse a inundar o mercado com livros impressos apenas de texto, eu ganharia a ira de quase todos os nobres inferiores da região.
— Então você está dizendo que os que tem interesses adquiridos, são nobres? — Isso foi em um nível totalmente diferente dos interesses adquiridos com os quais entramos em conflito antes, e honestamente, era aterrorizante.
Enquanto tremia de medo, o Sumo Sacerdote assentiu.
— Até agora, você só imprimiu livros ilustrados para crianças, e acredito que você disse estar restrita por sua necessidade de imprimir com modelos de papel. Por essas razões, imaginei que o impacto sobre os nobres e sacerdotes seria limitado o suficiente para que não houvesse razão para atrasar seus esforços. No entanto, o que acontecerá quando a impressora estiver completa?
Decidi adquirir tipos de letras de metal para contornar a dificuldade e o tédio de cortar cada letra de um estêncil à mão. Quanto mais fácil fosse imprimir livros compostos inteiramente de texto, melhor. E essa foi a linha exata de pensamento que levou os trabalhos daqueles que copiavam livros à mão a serem roubados na Terra.
— Quanto tempo você quer que eu adie a impressão? — Perguntei, querendo saber quanto tempo eu teria que suportar a dor de ter uma prensa de impressão na mão, mas não ser capaz de usá-la.
Seus olhos dourados se concentraram em mim.
— Até que você seja adotada por Karstedt.
— O quê?
— Um plebeu interferindo em assuntos nobres, seria esmagado em um piscar de olhos. Mas, se você fosse filha de um nobre superior, realizando negócios aprovados pelo Arquiduque, não seria tão fácil, para eles, esmagarem você e sua operação de impressão.
Uma garota solitária e plebeia, provavelmente, seria como uma formiga para eles, facilmente pisada. Mas eu teria a posição e meu nome como a filha adotiva de um nobre superior e com a autorização direta do Arquiduque. Minha impressão transformar-se-ia em um negócio do governo. Os nobres inferiores, que estavam ganhando dinheiro paralelamente, não estariam em posição de agir contra mim. Em outras palavras, de acordo com o Sumo Sacerdote, eu gostaria de envolver nobres inferiores no negócio de impressão. Ninguém poderia nos parar se começássemos a imprimir por todo o ducado de uma vez. A escala da discussão ficou tão grande, que não pude deixar de engolir em seco.
Porém, eu poderia suportar esperar dois anos inteiros para começar a imprimir, agora que teríamos uma impressora pronta para usar? Fazia apenas dois anos e meio desde que comecei a viver como Myne. Eu poderia sobreviver gastando tanto tempo fazendo nada além de imprimir livros ilustrados para crianças?
Como se lesse os pensamentos em minha cabeça, o Sumo Sacerdote me olhou diretamente nos olhos, seus lábios se curvando em um sorriso.
— Bem, então, Myne. O que acha de se tornar a filha adotiva de Karstedt agora? Você pode começar a fazer seus livros imediatamente.
Ele estava me tentando, e, por um momento, meu coração vacilou. Mas realmente foi por apenas um momento, e, um segundo depois, balancei minha cabeça.
— Não. Eu posso finalmente ir para casa. Não vou virar as costas para eles, agora.
— Você detesta a ideia de se tornar filha adotiva de Karstedt tanto assim?
— De jeito nenhum. Acho que o Senhor Karstedt é um homem maravilhoso. Ele é corajoso e bem confiável, para não mencionar de alta posição social. Não consigo imaginar um pai adotivo melhor para ter.
Mas, ainda assim, eu queria estar com a minha família. Eu só tinha mais dois anos para passar com eles, e eu não queria fazer esse tempo mais curto do que já era.
— Suponho que você sentiria falta de sua família, após ficar longe deles por tanto tempo. Hum. Dê outro pensamento a isso depois de voltar para casa e desfrutar de seu calor e carinho. Talvez você descubra que mudou de ideia — disse o Sumo Sacerdote, com um leve sorriso, vitorioso. Foi um sorriso que deixou claro que ele esperava que meu amor por livros me dominasse, até que finalmente concordasse em ser adotada, antes de fazer dez anos.
Fechei minhas mãos em punhos, no meu colo, e olhei de volta, em seus olhos.
— Minha resposta não mudará. Ficarei com minha família o máximo que puder. Foi você quem me mostrou o quão horrível eu era, quando priorizei os livros acima de tudo, e o quanto eu preciso valorizar a nova família que me foi dada.
Sua ferramenta mágica jogou o passado na minha cara da maneira mais realista possível, gravando em meu coração que, uma vez perdida, a família nunca poderia retornar. Eu não era a mesma pessoa que era, quando sacrifiquei tudo pelos meus livros.
Minha resposta fez a expressão do Sumo Sacerdote se transformar em algo um pouco mais melancólico.
— É uma resolução tão forte que não vai quebrar logo, eu imagino. Muito bem. Aproveite seus dois anos da minúscula quantidade de impressão de livros para crianças.
—Vou tentar.
— Myne, estamos aqui para te pegar — declarou papai.
— Você terminou sua conversa com o Sumo Sacerdote? — perguntou Tuuli.
Ao sair do quarto do Sumo Sacerdote e retornar aos meus aposentos, encontrei papai e Tuuli parados no corredor do primeiro andar, já esperando por mim.
— Pai, Tuuli!
No segundo em que os vi, o nó no meu estômago, que estava pesando desde a minha conversa com o Sumo Sacerdote, se desfez e o peso foi instantaneamente liberado. Corri para o papai e pulei em seus braços, deixando Fran e Damuel parados na porta.
— Lá vai você! Upaaa! — Papai esperava por isso e me pegou, me levantando no alto. Após um giro, ele me colocou no chão e bagunçou meu cabelo com sua mão grande, continuando até que estivesse em todo o lugar, como sempre.
— Nossa, Myne. Seu cabelo está todo bagunçado, agora — disse Tuuli, com um sorriso, tendo assistido a tudo. Ela pegou meu enfeite de cabelo e penteou meu cabelo com os dedos. Agarrei o enfeite de cabelo com força e apreciei a sensação de Tuuli arrumando meu cabelo.
— Um segundo, voltarei depois de me trocar — eu disse, com uma voz satisfeita, enquanto corria para o segundo andar, onde Delia começou a me ajudar. Tirei minhas vestes azuis, minha camisa com mangas grandes e fofas, que a maioria das meninas ricas usaria, e empurrei meus braços pelas mangas do meu uniforme de aprendiz da Companhia Gilberta, pela primeira vez em tempos. Parecia um pouco mais apertado em mim do que da última vez que o usei, embora talvez fosse apenas minha imaginação.
Quando eu tinha me escondido para o inverno, estava frio o suficiente para que eu tivesse que usar um casaco grosso, apenas para sobreviver lá fora, mas agora que eu estava indo para casa, estava quente o suficiente para que eu não precisasse de um casaco.
— Então, Irmã Myne. As famílias são tão boas assim? — Delia inclinou a cabeça, em confusão, enquanto abotoava minha blusa. — Não importa o quão fielmente a sirvamos, Irmã Myne, você sempre vai embora. Sua família é muito melhor do que nós?
— Eu não odiei meu tempo aqui durante o inverno. Todos vocês me serviram bem, e me diverti muito. Mas senti falta da minha família, e quero estar com eles, se puder. — Eu sabia que Delia e os outros estavam me servindo da melhor maneira possível, mas eu ainda queria estar com minha família. Eu ainda queria ir para casa. — Sinto muito, Delia.
— Você não precisa se desculpar, Irmã Myne. É que… Eu realmente não entendo. O que é uma família, afinal? — perguntou Delia, piscando os olhos azul-claros, mais por curiosidade por minha escolha do que por reprovação por eu abandoná-los. Ela havia sido criada no orfanato, sem ter certeza de como eram seus pais, e como ela até evitava os órfãos com quem havia sido criada, ela não tinha nada nem perto de se parecer com uma família.
— Hum. Eu acho que difere, dependendo da pessoa, mas suponho que minha família seja um lar para mim?
— Seu lar?
— Sim. O lugar onde posso relaxar mais do que em qualquer outro lugar — respondi e, ao ouvir isso, Delia lançou um olhar invejoso em direção à escada.
— Isso definitivamente soa bem.
Assim que terminei de me trocar, comecei a pegar todas as coisas que estava levando para casa comigo. Rosina, vendo isso, me avisou que eu estava carente de graça e que eu precisava ter mais cuidado para me mover com elegância.
— Seus talentos como um musicista de Fespiel cresceram muito durante o inverno, e você se carrega muito mais graciosamente do que antes. Mas você é facilmente influenciada por seus arredores, então, por favor, lembre-se do que aprendeu, mesmo depois de voltar para casa.
Rosina, agindo inteiramente como o Sumo Sacerdote, começou a me dar uma sincera lista de avisos para ter em mente, depois de voltar para casa. Havia tantos avisos que eu gostaria que ela os anotasse. Eu não tinha certeza se seria capaz de me lembrar da metade, muito menos de todos eles. Ela estava exagerando. Não era como se nunca mais nos víssemos.
— Rosina, lembre-se de que voltarei amanhã. Isso não pode esperar até lá?
— Ah, sim. Você voltará amanhã. — Rosina colocou a mão sobre a boca, como se tivesse esquecido completamente disso, e depois deu um sorriso leve e melancólico. — Parecia que você nunca mais voltaria aqui. Talvez porque eu nunca mais tenha visto a Irmã Christine, depois que ela voltou para casa, — explicou ela, com uma expressão tão trágica que, se ela fosse uma estátua, poderia ser colocada bem no meio da capela. As feridas deixadas por sua ex-mestra, eram mais profundas do que eu pensava.
— Rosina, voltarei ao templo logo.
— Naturalmente! Estarei esperando.
Não havia muito que eu precisasse trazer de volta, para casa, comigo. Eu não precisava de roupas ou sapatos chiques, e minha família tinha suas próprias necessidades diárias. Tudo o que eu realmente precisava levar de volta, era a cesta que eu tinha trazido comigo.
Desci as escadas com minha cesta. Delia e Rosina me seguiram. Elas estavam me vendo sair pela porta.
— Pai, Tuuli, estou pronta.
Todos os meus assistentes estavam reunidos no primeiro andar. Gil tinha acabado de voltar correndo do ateliê, após ser informado, e Fran estava vestido como se estivesse me levando para casa.
— Tudo bem, hora de ir. Pessoal, obrigado por cuidarem da Myne o inverno todo. Isso significou muito — disse papai.
— Não precisa nos agradecer, senhor. Somos os assistentes dela, você sabe. É o que fazemos — respondeu Gil, com um sorriso. Sorri um pouco com o tom dele, que era uma mistura de educação e casualidade, enquanto olhava para todos.
— Bem, então. Confio meus aposentos a vocês na minha ausência.
Todos os meus assistentes se ajoelharam e cruzaram os braços na frente de seus peitos.
— Esperamos seu retorno em segurança.
Como meu guarda-costas, Damuel teve que me acompanhar no caminho de casa, e Fran se juntou a nós para ensinar o caminho a Damuel, já que essa era a primeira vez dele. Nos encontramos com Lutz na frente do ateliê e fomos para casa juntos.
Ao passar pelo portão do templo, vi a estrada de pedra pavimentada, agora livre de neve, e andei sobre ela com forte nostalgia. Fazia muito tempo que eu não andava pela cidade com meus próprios pés, e hoje eu estava andando de mãos dadas com Lutz e Tuuli. Eu não podia dar as mãos assim enquanto estava dentro do templo. Suas mãos estavam quentes e me animaram. Papai estava nos seguindo, conversando com Damuel e Fran sobre a segurança da cidade e os perigos que eu enfrentava.
— Faz muito tempo desde que eu tive que andar no seu ritmo, Myne — disse Lutz.
— Hum, Myne. Você, hum, ficou mais lenta ao caminhar durante o inverno? — perguntou Tuuli.
— Espere, o quê?! Estou andando mais devagar?!
Nem Fran, nem Damuel me apressaram, enquanto estávamos no templo, e quando o tempo era essencial, um deles apenas me carregava. Era possível que, com ninguém tentando me apressar, eu tivesse retornado ao ritmo mais lento, com o qual estava mais confortável.
— Quão rápido eu costumava andar? Tão rápido? — Tentei o meu melhor para mover minhas pernas com mais força, mas Lutz apenas riu e balançou a cabeça.
— Desista, Myne. Não precisa se esforçar agora. Apenas relaxe e aproveite a caminhada para casa, sim?
Olhei em volta, enquanto caminhava lentamente, e logo vi a Companhia Gilberta. De repente, lembrei-me de que o Sumo Sacerdote havia me dito para adiar a impressão por um tempo.
— Acho que precisamos falar com Benno amanhã.
— Aconteceu alguma coisa?
— O Sumo Sacerdote me disse para não imprimir, por enquanto. Acho que devo contar a ele sobre isso. — eu disse, com um encolher de ombros.
Tuuli olhou para mim, seus olhos azuis arregalados de surpresa.
— Wow, o quê? Mas por quê? Você realmente não queria começar a imprimir?
— Tem a ver com nobres.
— Oh. Isso é uma pena. — Tuuli usou a mão livre para dar um tapinha na minha cabeça. Fechei os olhos e sorri, enquanto desfrutava da sensação.
— Ele não me disse que eu nunca poderia fazer isso. Só preciso esperar dois anos. Vou ficar bem.
E eu fiz a escolha certa. Uma impressora não me daria tapinhas na cabeça ou tentaria me animar, quando estava triste assim.
— Tudo bem. Virei amanhã, ao segundo sino, para levá-la ao templo. Tome cuidado para não sair antes disso — disse Damuel, com uma expressão rígida, quando chegamos ao poço da praça. Parecia que, mesmo em casa, eu não teria permissão para sair sem um guarda-costas.
— Entendido, Sir Damuel. Fran, imagino que a viagem de ida e volta será cansativa, mas obrigada.
— Não é nada. Por favor, aproveite seu tempo com sua família esta noite. Estarei esperando seu retorno amanhã. — disse Fran, enquanto cruzava os braços na frente do peito.
— Obrigada, Fran, Sir Damuel. Vejo vocês amanhã.
Fran e Damuel se viraram e saíram da praça. Acenei para Lutz, me despedindo, e comecei a subir as escadas para nossa casa, no quinto andar. Porém, antes que eu percebesse, eu estava ofegante.
— Você consegue, Myne. Só mais um pouquinho.
O fato de eu não conseguir chegar em casa sem o incentivo de papai e Tuuli, mostrou quanta resistência eu havia perdido durante o inverno. Eu já era fraca como estava, e, realmente, preferia não perder a pouca força que consegui acumular.
— Estou em casa, mãe.
Eu abri a porta da minha casa pela primeira vez, no que parecia ser uma eternidade, e fui imediatamente atingida pelo aroma de vegetais cozidos. Mamãe já estava arrumando a mesa, provavelmente, nos ouvindo falar, enquanto subíamos as escadas. Comecei a sorrir, enquanto inalava o aroma nostálgico da comida da minha mãe.
— Bem-vinda ao lar, Myne. — Mamãe, segurando sua barriga grande, olhou para cima, depois de colocar um prato. Seu sorriso encheu meu coração de tanta felicidade e nostalgia, que enterrou toda a tristeza que havia acumulado dentro de mim.
— Faz tanto tempo desde que saí. Estou morrendo de fome.
— Largue suas coisas e me ajude a arrumar a mesa, então.
— Okaaay.
Abaixei minha cesta e lavei as mãos, depois comecei a colocar a mesa com Tuuli. Era meio divertido, já que fazia tanto tempo que eu não fazia nenhum trabalho.
— Então, mamãe. Está quase na hora? — Perguntei, olhando para sua barriga maciça. Ela deu um tapinha com um sorriso amoroso.
— Pode acontecer a qualquer momento. Talvez o bebê estivesse esperando você chegar em casa, Myne.
Se tivesse sido, nada me faria mais feliz. Dei um tapinha na barriga da mamãe e disse:
— Sua irmã mais velha está em casa agora. — Senti um chute, inteiramente como se o bebê estivesse me respondendo. — Wow! O bebê chutou. Parecia que estava falando comigo! — Eu disse, enviando uma risada através da minha família.
Comi a comida da mamãe, tomei banho com Tuuli, enquanto brincava, entrei na cama, que era tão estreita que bateria em Tuuli, se tentasse rolar, e fui dormir com minha família.
Quando amanheceu, mamãe estava gemendo de dores de parto.
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