Ascendance of a Bookworm — Capítulo 174: CAPÍTULO 174 - 173

Ascendance of a Bookworm
Cap. 174
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Ascendance of a Bookworm

CAPÍTULO 174 - 173

Capítulo 174

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Ascendance of a Bookworm – Capítulo 173

A criança abandonada.

Com todos os eventos comemorativos especiais no bairro encerrados, a vida cotidiana de todos voltou ao normal. Eu mesma voltaria ao templo a partir de hoje. Assim que Damuel e Fran vieram me buscar, fui, primeiro, até a Companhia Gilberta. Eu precisava agradecê-los pelo presente e informar Benno sobre o quão fofo Kamil era. Se o tempo permitisse, eu poderia falar também sobre o negócio de impressão.

— Ele realmente é super pequeno porque acabou de nascer. Ele fica todo vermelho quando chora, está todo enrugado, e é realmente super fofo. Eu nunca esperei que meu próprio irmãozinho fosse tão fofo. — Adorei, dizendo a Benno exatamente o que eu havia dito a Lutz, Fran e Damuel, no caminho para cá.

Benno estava fazendo uma careta e esfregando as têmporas.

— Já é o suficiente. Eu já ouvi o que parece ser uma vida inteira desse lixo de Otto. Fale sobre o negócio de impressão logo.

— O quê? Corinna deu à luz também? Eu não ouvi sobre isso! Quando isso aconteceu? — Exclamei, com os olhos arregalados.

Benno franziu as sobrancelhas.

— Eu não mencionei isso? Eu provavelmente esqueci, já que aconteceu enquanto você estava presa no templo. Otto está delirando sobre sua filha há tanto tempo, que imaginei que você teria ouvido sobre isso de seu pai, Lutz, ou talvez Leon — explicou Benno, enquanto seus olhos vermelho-escuros mudavam para Lutz, que ofereceu um encolher de ombros em resposta.

— Leon disse que não era nosso dever dar a notícia, em seu lugar, então decidi não mencionar isso.

— Sim, acho que é verdade. Me encontrei com Myne depois que o bebê nasceu, mas, bem, nunca houve um bom momento para falar sobre isso. Havia os tipos de metal acabados e, em seguida, a turnê do padre azul — Benno disse, com um olhar distante nos olhos. Ele estava bastante ocupado em ambas as ocasiões, e nenhuma delas, realmente, apresentava uma boa oportunidade para ele dizer que Corinna havia dado à luz.

— Acho que é melhor tarde do que nunca. O bebê nasceu no final do inverno. O nome dela é Renate e ela vai herdar a Companhia Gilberta. Seja legal com ela e tudo mais, — disse Benno, seu tom tão plano que não pude deixar de inclinar minha cabeça, em confusão. Ele era exatamente o oposto do papai, aqui.

— Você não parece muito animado com isso, Benno. Você realmente não queria um sucessor?

— Sim. Otto está animado o bastante por nós dois. Ele vai mimar a garota como uma completa idiota. Se eu não colocá-la na linha, a Companhia Gilberta desmoronará no dia em que eu sair — murmurou Benno, com um sorriso zombeteiro. Era fácil para mim imaginar que ele também a mimaria, mesmo enquanto alegava a estar colocando na linha.

— O que há com esse olhar?

— Oh, nada. Eu estava pensando que você vai mimá-la tanto quanto ele.

— Cuidado ein— disse Benno, com um olhar.

Mas eu apenas dei de ombros.

— Renate ficará bem com Corinna a criando. Ela vai crescer e se tornar uma mulher de negócios que mantém um olhar calmo e gentil em seu rosto, enquanto garante o máximo de lucro possível em qualquer situação.

Era fácil ser enganada pelo comportamento gentil de Corinna, mas pensando bem, houve muitas vezes em que ela me levou a dar informações valiosas sem que eu percebesse. Benno apontava quando eu estava sendo ingênua e deixava pistas para me ajudar a perceber quando eu estava sendo enganada, mas Corinna não fazia nada disso. Ela me secava com um sorriso desarmante. Quando se tratava de negócios, Freida estava adiantada ao ponto de ser meio desagradável, mas Corinna obtinha suas informações por meio de bate-papos casuais.

Em termos de negócios, ela é mais assustadora que Freida.

Honestamente, quando se tratava de comerciantes, Benno era definitivamente o mais suave de todos. O senso de responsabilidade parental que ele havia desenvolvido, ao me treinar como sua aprendiz, provavelmente, ainda permanecia no fundo de sua mente e o encorajava a ser mais gentil comigo.

— Fui eu quem criou Corinna, sabe?

— Então a Companhia Gilberta ainda estará segura por um longo tempo.

— Claro — respondeu Benno, com um aceno de cabeça, antes de ir direto ao assunto. — Mas, de qualquer forma, você disse que tinha algumas notícias sobre o negócio de impressão?

— O Sumo Sacerdote me disse para adiar a impressão do tipo móvel, por enquanto. Se avançarmos, acabaremos entrando em conflito com os que tem interessesadquiridosda nobreza. É uma luta que não temos chance de vencer.

— Os interessesadquiridossão nobres? Sim, o movimento vencedor aqui é não jogar.

Benno adorava provocar brigas com interesses adquiridos, mas, mesmo ele, não tinha intenção de enfrentar nobres. Sentindo-me aliviada, disse-lhe o que o Sumo Sacerdote me disse.

— A maioria das cópias de livros é, realmente, feita por nobres, então é importante que eu não tente fazer livros grossos e orientados para adultos, cheios de palavras. Mas o Sumo Sacerdote disse que eles não vão interferir enquanto eu continuar fazendo livros infantis, então, pelos próximos dois anos, vou colocar tudo em fazer livros ilustrados para crianças.

Benno me lançou um olhar.

— Colocando tudo em fazer isso? Tudo bem, preciso ouvir mais sobre isso.

Dei um grande aceno de cabeça e anunciei meus planos para o Ateliê da Myne.

— Para ser específica, estarei desenvolvendo tinta colorida para colorir as imagens. Em seguida, gostaria de desenvolver modelos de estênceis de cera, para melhorar ainda mais a impressão em estêncil. Nós realmente precisamos nos apressar se quisermos fazer isso a tempo.

— Isso será feito a tempo para quê? — perguntou Benno, confuso.

Orgulhosamente estufei meu peito.

— Preciso fazer livros para combinar com o crescimento do meu pequeno e fofo Kamil. Vou fazer tudo o que puder por ele, então gostaria que você me apresentasse a uma oficina de cera em breve.

— Você tem a permissão do Sumo Sacerdote para fazer isso? — Benno perguntou, com uma careta que estava absolutamente pingando de ceticismo. Mas eu nunca faria nenhuma loucura quando Benno e o Sumo Sacerdote estavam sempre gritando comigo para conseguir permissão para tudo e relatar cada detalhe.

— O Sumo Sacerdote disse que os livros ilustrados não entrariam em conflito com os interesses adquiridos, e foi ele quem me disse para adicionar cor aos meus livros ilustrados, em primeiro lugar. Ele disse: “A arte de Wilma é desperdiçada em preto e branco, os livros devem ter cor, blá blá blá…”

— Estou feliz, desde que você tenha permissão. Vou marcar uma reunião entre você e o capataz de uma oficina de cera.

E assim, quando meus negócios com Benno terminaram, deixei a Companhia Gilberta, tendo garantido uma futura viagem a uma oficina de cera.

— Bom dia. Eu voltei.

— Bem-vinda de volta, Irmã Myne.

Delia e Rosina me cumprimentaram em meus aposentos e me vestiram com minhas vestes azuis. Contei a elas sobre Kamil, enquanto esperava que terminassem.

— Outro dia, meu irmãozinho nasceu. O nome dele é Kamil. Ele é muito pequeno, enrugado, fica vermelho quando chora e, no geral, é muito fofo.

— Irmã Myne, ele não parece nada bonito quando você coloca as coisas assim, — respondeu Rosina, com uma risada. A vermelhidão enrugada de Kamil realmente era fofa, mas minhas palavras não pareciam estar fazendo justiça a ele.

— Você sabe, Irmã Myne, se seu irmãozinho é bonito ou não, não importa para nós. Por que nos contar sobre ele? — Delia perguntou.

— Quero que o maior número possível de pessoas saiba sobre ele. Quando ele nasceu, me disseram que era importante que as pessoas se lembrassem de seu nascimento.

Quando eu finalmente terminei todas as minhas narrativas sobre a fofura de Kamil da minha cabeça, era hora de começar a prática de fespiel do dia.

Após um curto período, o ensino de Rosina foi interrompido por uma batida na porta do primeiro andar. Um pouco mais tarde, Fran subiu as escadas.

— Perdoe minha interrupção, Irmã Myne. Wilma tem assuntos urgentes — disse ele, com um tom de preocupação em sua voz.

— Você pode deixá-la entrar — eu disse.

Negócios urgentes de Wilma significavam que algo tinha acontecido no orfanato. Pedi a Delia que guardasse o meu fespiel e me mudasse para a mesa, pronta para receber Wilma.

Ela subiu as escadas para o segundo andar carregando um bebê nos braços. Ele era um pouco maior que Kamil. Wilma e Fran olharam para mim em busca de ajuda.

— Wilma, de onde esse bebê pode ter vindo? — Perguntei. No mínimo, eu não tinha ouvido falar de nenhuma das donzelas cinzas do santuário engravidando no templo. Era, aparentemente, normal que assistentes de padres azuis fossem devolvidas ao orfanato após engravidar, então a única coisa que eu tinha certeza era que o bebê não havia nascido aqui.

— Foi abandonado. O guarda disse que o bebê ficou com ele…

De acordo com Wilma, um padre cinza estava de guarda no portão da cidade baixa, como de costume, quando, de repente, uma mulher solitária se aproximou, apressadamente, dele. Ela então entregou a ele um pequeno pacote, dizendo que era uma oferenda aos deuses. Não era particularmente raro que as pessoas trouxessem tais oferendas ou dessem doações, após serem ajudadas pelos deuses, então o guarda aceitou o pacote sem pensar muito.

— Quando o guarda desamarrou o pacote para ver o que havia sido oferecido, ele encontrou esse bebê dentro. — Era procedimento padrão para os guardas verificarem o que havia em uma oferta, antes de entregá-la aos sacerdotes azuis.

— Ela ofereceu seu filho aos deuses?

Quando os pais não podiam matar nem criar uma criança, eles não tinham escolha a não ser levá-los ao orfanato e confiar seu futuro aos deuses. O bebê era um pouco maior que Kamil e podia mover a cabeça, mas ainda era muito pequeno para andar. Não pude deixar de sentir raiva da mãe, que o havia abandonado.

— Como você é a diretora do orfanato, Irmã Myne, eu o trouxe aqui primeiro. O que devemos fazer?

A permissão da diretora do orfanato era necessária, antes que uma nova criança pudesse ser aceita no orfanato. Mas esta foi a primeira vez, desde que me tornei diretora do orfanato, que eu precisava lidar com isso, então eu não sabia quais passos eu precisava tomar.

— Receio que não tenha certeza do que fazer. Isso nunca aconteceu antes no meu tempo como diretora. Terei que consultar o Sumo Sacerdote mais uma vez. Fran, você poderia solicitar uma reunião de emergência?

— Como queira, — disse Fran. Eu podia imaginar que era sua primeira vez lidando com isso, também, e ele saiu apressadamente da sala com uma expressão perturbada. Enquanto isso, o bebê estava cochilando nos braços de Wilma, completamente inconsciente de nossas preocupações.

— O bebê certamente tem um sono profundo — eu disse. Sua forma pequena e adormecida me lembrou de Kamil, que trouxe um sorriso ao meu rosto.

Este bebê é fofo também, mas meu pequeno Kamil é muito, muito mais fofo. Sem sombra de dúvidas.

— Estamos bem, desde que ele permaneça dormindo, mas não sei o que fazer quando ele acordar. Não há mais nenhuma donzela cinzenta do santuário, aqui, que tenha dado à luz. O que devemos fazer sem ninguém para dar leite ao bebê? — perguntou Wilma.

No passado, um bebê levado ao templo poderia simplesmente ser levado para o orfanato, onde novas mães e as donzelas cinzentas do santuário, ainda grávidas, poderiam alimentá-los. Elas criariam o bebê como se fosse seu próprio filho. Mas, agora, as donzelas do santuário grávidas haviam desaparecido, e o conhecimento acumulado que compartilhavam naquele orfanato havia ido com elas.

As donzelas e aprendizesdo santuáriorestantes, eram todas meninas mais novas, que nunca haviam se envolvido em oferecer flores. Elas foram criadas em um orfanato, não tendo pais para contar sobre gravidez, parto e criação de filhos, então ninguém sabia o que fazer com um bebê.

— Você sabe como criar um bebê sem uma mãe, Irmã Myne?

— Eu li sobre o leite de cabra sendo usado por mães que não podiam produzir o seu próprio. Acredito que é melhor para eles do que leite de vaca. Levará tempo, mas devemos ser capazes de alimentar o bebê com colheres — expliquei.

Essa era toda a informação que eu havia aprendido de um livro de ficção, ambientado durante o meio de uma guerra, mas para Wilma, parecia que todo o seu mundo havia recebido luz. Seus olhos brilhavam de admiração e respeito.

— Muito obrigada, Irmã Myne. Vou preparar um pouco logo.

— Vamos precisar preparar fraldas e roupas de bebê também. — eu disse, lembrando do que precisávamos para Kamil, mas Wilma balançou a cabeça.

— Temos fralda suficiente, de quando costumávamos cuidar de bebês aqui. Podemos precisar preparar mais, em algum momento, mas ficaremos bem por enquanto.

— Entendo.

Quando Fran voltou, após falar com o Sumo Sacerdote, pedi que ele buscasse leite de cabra, momento em que o bebê acordou e começou a chorar e chupar seus dedos.

— Acredito que o bebê está com fome — eu disse.

Wilma começou a carregar pequenas colheres de leite para a boca do bebê. No início, balançou a cabeça, em protesto, ciente de que Wilma não era sua mãe, mas, eventualmente, a fome venceu e começou a beber o leite de cabra, pouco a pouco.

Todos suspiraram aliviados com a visão. No mínimo, conseguimos evitar que o bebê morresse de fome.

O terceiro sino tocou. O bebê se encolheu de surpresa com o som, mas continuou a beber o leite, tendo claramente priorizado a fome, em vez da surpresa.

— Fran, vamos ao Sumo Sacerdote. Sir Damuel, peço sua proteção.

Nós três caminhamos, apressadamente, para o quarto do Sumo Sacerdote. Meu desejo de ser uma boa irmã mais velha era forte em minha mente, graças ao nascimento de Kamil, e isso me fez querer preparar um espaço de vida para o bebê o mais rápido possível.

— Sumo Sacerdote, temos algo para discutir.

Encontrei-me com o Sumo Sacerdote e o informei sobre o bebê abandonado, depois perguntei a ele quais procedimentos eu precisaria seguir e de que maneiras deveria cuidar dele.

— Você não pode simplesmente fazer o que já foi feito antes?

— Estou discutindo isso com você porque não há mais donzelas cinza do santuário que deram à luz e criaram filhos no orfanato — eu disse, e o Sumo Sacerdote arregalou os olhos com a constatação.

— Então não há. Mas não adianta desejar o que já se foi. Suponho que sempre há amas de leite. Infelizmente, também não tenho experiência em criar filhos.

— Há amas de leite que podemos contratar? — Perguntei, meus olhos brilhando. Ter uma, facilitaria muito as coisas.

Mas, infelizmente, o Sumo Sacerdote lentamente balançou a cabeça.

— Só se pudermos encontrar uma excêntrica o suficiente para vir voluntariamente ao orfanato.

— Isso não será fácil.

O Sumo Sacerdote, provavelmente, falou da mentalidade de criar uma criança nobre. No entanto, era difícil imaginar alguém na cidade baixa indo voluntariamente para o orfanato, considerando o quão desprezado o lugar era. Mamãe poderia estar disposta a ajudar, mas isso teria que esperar até que ela ficasse saudável novamente. Eu não poderia pedir que ela viesse agora, quando estava muito fraca para ajudar com as tarefas.

Eu imediatamente concluí que seria impossível trazer uma ama de leite aqui. Por enquanto, eu teria que contar com meus assistentes para cuidar do bebê. Isso seria um grande fardo para todos, mas era nossa única escolha, se quiséssemos que o bebê vivesse.

— Como devemos chamá-lo? Não havia um nome em suas roupas ou no pano.

— Você pode dar o nome que quiser. Desde que não se sobreponha a nenhum outro nome de órfão, não importa.

— Entendido.

Nossa conversa acabou, voltei para o meu quarto imediatamente. O bebê estava de bom humor, tendo sido alimentado e trocado, com uma nova fralda, por Wilma. De acordo com ela, era de fato um menino.

— Teremos que nos revezar para cuidar dele. Wilma entraria em colapso se tivesse que cuidar dele sozinha.

Isso provavelmente não era um problema, quando havia várias mães e mulheres grávidas no porão, mas nenhuma das donzelas cinzas do santuário, havia lidado com bebês antes. Elas não sabiam como lidar com um, nem tinham alguém que pudessem pedir conselhos. Eu não podia pedir à Wilma para cuidar do bebê sozinha, quando não havia mais ninguém em quem ela pudesse confiar para ajudar. Qualquer um que tentasse isso, acabaria sobrecarregado e exausto.

— Ele também precisará ser alimentado durante a noite. Precisaremos de pelo menos uma pessoa para ficar acordada à noite e uma pessoa para acordar cedo, para que os demais possam dormir.

Decidimos que Wilma o vigiaria no orfanato durante o dia, enquanto o resto dos meus assistentes o vigiariam, coletivamente, no meu quarto, durante a noite. Rosina já estava acostumada a ficar acordada até tarde, então ela ficaria acordada até mais tarde, para cuidar dele, enquanto Fran ia para a cama cedo, para acordar mais cedo, também. Assim que Delia acordasse, ela o vigiaria até que Wilma chegasse.

— Puxa! Por que tenho que cuidar dele? — Delia reclamou. Ouvir minhas ordens, como sua mestra, era uma coisa, mas para ela, cuidar de um bebê abandonado, todos os dias, era outra coisa. Entendi como ela se sentia, mas o bebê morreria se não cuidássemos dele.

Olhei cuidadosamente para Delia. Há algo que eu possa dizer aqui que a convença? Eu precisava de algo que fizesse Delia querer cuidar do bebê.

Pensei por um momento, então percebi: Delia parecia invejosa quando disse que não sabia como era uma família. Ela, sem dúvida, tinha um forte apego à ideia de ter uma família.

— Acredito que é seu dever cuidar dele, Delia. Afinal, você é a irmã mais velha dele.

— O quê? Irmã mais velha? — Delia respondeu, olhando entre eu e o bebê com uma expressão estupefata.

— Você é muito jovem para ser a mãe dele, Delia. Então, o que mais você seria além da irmã mais velha? Por favor, cuide dele como se fosse um membro da família. Ele é sua família agora.

— Minha família? — ela repetiu, como se ainda processasse o que as palavras significavam, enquanto olhava para o bebê.

— Me tornei uma irmã mais velha no outro dia, e agora você também é uma irmã mais velha, Delia. Vamos competir para ver quem pode ser a melhor irmã mais velha?

— Eu obviamente vou ganhar! — Delia declarou, estufando o peito e dando-lhe uma batida de confiança. Ela provavelmente dedicaria tudo para cuidar dele, agora, como uma boa irmã mais velha deveria. No fundo, Delia era uma pessoa direta e uma trabalhadora que não hesitava em se dedicar às coisas.

Meus outros assistentes observaram o súbito entusiasmo de Delia com claro divertimento. Mas, se eu colocasse uma jovem como Delia para criar o bebê, o fardo sobre Fran e Rosina definitivamente seria diminuído.

— Primeiro, vamos decidir um nome. Não pode ser um que alguém no orfanato já tenha, mas, além disso, depende de nós. Alguém tem algum pedido?

— Eu quero que ele tenha um nome como o meu. Como a família faria — Delia disse, enquanto olhava ansiosamente para o bebê nos braços de Wilma.

Espero que isso a torne mais apegada a ele, pensei, enquanto pensava em um nome que soasse como “Delia”.

— Um nome como “Delia”, e quanto a “Deita” ou “Dirk”?

— Deita, Dirk. Acho que gosto de “Dirk”! — Delia disse, seu rosto irradiando uma aprovação flagrante. — Dirk, sou eu, sua irmã mais velha — continuou ela, estendendo a mão em direção a Dirk. Ele deu um sorriso torto enquanto ela acariciava sua cabeça.

— Você viu isso, Irmã Myne?! Ele sorriu!

— Uau, Delia. Kamil só chora, comigo. — eu disse, um pouco desapontada por Delia já estar provando ser uma irmã mais velha mais entrosada do que eu.

Resolvi cuidar de Kamil o máximo que pudesse, uma vez que estava em casa, para aumentar meu próprio lugar como irmã mais velha, mas mamãe e Tuuli estavam fazendo tanto sozinhas, que quase não havia mais nada para mim. Não ajudou eu não ter conseguido entender como trocar fraldas. Sempre que eu tentava, Kamil começava a fazer xixi, por algum motivo, fazendo bagunça em todos os lugares.

— Oh, uma criança abandonada foi dada ao orfanato? Deve ser difícil, sem uma mulher para cuidar dele — disse mamãe, enquanto dava leite a Kamil.

— Então, mamãe, você acha que há algo que eu possa fazer?

— Bem, cochilar durante o dia tornará as refeições noturnas muito mais fáceis. Por que você não tenta garantir que todos que cuidam do bebê tenham o máximo de tempo possível para dormir?

Seu conselho veio de um lugar de muita experiência, então dei um grande aceno de cabeça.

— Ok, vou aprender a trocar as fraldas de Kamil e Dirk, para que você e todos os outros possam tirar mais sonecas.

— Por favor, faça isso. Mas não tenho grandes esperanças — disse mamãe, com um sorriso.

Quando fui ao templo, no dia seguinte, Fran e Rosina pareciam exaustos.

Era realmente difícil para eles mudarem seus padrões normais de sono, para dar o leite de cabra ao Dirk durante a noite. Eles precisariam cochilar durante o dia, sem dúvida.

— Fran, Rosina, por favor, cochilem por cerca de um sino após tomar o café da manhã. Use esse tempo para descansar, pois vocês terão que acordar durante a noite.

— Como quiser. Obrigado, — responderam Fran e Rosina, parecendo aliviados.

Era um trabalho difícil para as mães cuidarem de seus próprios filhos, então cuidar do bebê de outra pessoa, que apareceu no orfanato do nada, deve ser especialmente difícil.

— Mais importante, Irmã Myne, há algo errado com Dirk — Delia disse, ansiosa, enquanto olhava para o bebê. Ele estava dormindo profundamente, embora eu não pudesse ver nada de errado com ele.

— Aconteceu de manhã. Dirk começou a chorar, mas como o leite ainda não estava pronto, o deixamos continuar chorando. Então, ele teve uma febre, e suas bochechas começaram a borbulhar. Ele se acalmou assim que lhe demos leite, mas não temos ideia do que aconteceu — disse Fran, que, aparentemente, também tinha visto.

Mas as bochechas de Dirk pareciam normais para mim. Inclinei minha cabeça, confusa.

— Acho que precisaremos adiar o leite e deixá-lo chorar um pouco mais. Precisarei ver isso por mim mesma, antes de poder dizer qualquer coisa. É uma pena que não haja ninguém aqui que possa nos dizer se isso é normal para bebês.

Todos assistimos enquanto Dirk começava a chorar de fome. Em pouco tempo, o choro se tornou gritos agudos, e ele realmente teve uma febre do nada.

— Viu, Irmã Myne? Ele está queimando.

Toquei em Dirk e senti um choque, que parecia inteiramente como eletricidade estática, antes de, aparentemente, ser empurrada para longe de sua pele. O choro de Dirk se intensificou.

— Irmã Myne, suas bochechas começaram a ficar irregulares novamente.

— Delia, dê-lhe leite imediatamente.

— Entendido. Aqui está você, Dirk — disse Delia, enquanto segurava uma colher pequena na frente de sua boca.

Dirk parou de chorar no segundo em que o leite estava em sua boca, e, em vez disso, se concentrou em bebericá-lo. Suas bochechas voltaram ao normal e sua febre baixou em um piscar de olhos. Nada aconteceu quando toquei nele agora.

— Fran, peça ao Sumo Sacerdote outra reunião. De preferência, o mais rápido possível. — Eu disse com uma voz aguda. Ele saiu de uma vez, e Delia me deu um olhar ansioso.

— Irmã Myne, você sabe o que está acontecendo?

— Não posso dizer com certeza, e não quero preocupá-la dando um palpite errado — respondi, com um aceno de cabeça, abaixando os olhos.

Eu teria gostado que meu palpite estivesse errado, mas provavelmente não estava. Dirk tinha a Consumação. E, além disso, ele tinha mana suficiente para matá-lo quando bebê.

Delia, cujos olhos tinham vacilado de inquietação, quando eu disse que não podia responder sua pergunta, deu a Dirk um aperto protetor.

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Fim da leitura

Capítulo 174 concluído

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