Ascendance of a Bookworm — Capítulo 175: CAPÍTULO 175 - 174

Ascendance of a Bookworm
Cap. 175
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Ascendance of a Bookworm

CAPÍTULO 175 - 174

Capítulo 175

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Ascendance of a Bookworm – Capítulo 174

O que fazer com o Dirk

Se Dirk tivesse um caso grave de Consumação, sua vida estaria em perigo, a menos que ele tivesse acesso a uma ferramenta mágica, que poderia sugar a grande quantidade de mana dele. Eu precisava fazer o que pudesse para garantir a segurança dele, mesmo que só um pouquinho.

— Lutz, posso pedir que faça algo? Quero que você vá para a floresta e pegue algumas frutas Tau. Elas vão durar se você colocá-las na parte suja do chão, na área de armazenamento da oficina, certo? — Chamei Lutz, do ateliê para o segundo andar dos meus aposentos, depois sussurrei meu pedido para que Damuel não me ouvisse. Seria melhor se os nobres não aprendessem a respeito da fruta Tau.

Olhei na direção de Dirk, e Lutz deu um pequeno aceno de cabeça, antes de fugir imediatamente para a floresta, tendo extrapolado as circunstâncias apenas pelo meu pequeno gesto. Assim que ele voltasse, seríamos capazes de impedir Dirk de perder o controle de sua mana e morrer por causa dela.

— Irmã Myne, consegui permissão para uma reunião. — Fran voltou, com uma expressão exausta. Tanto Arno quanto o Sumo Sacerdote pareciam irritados por terem duas reuniões de emergência solicitadas em sequência, mas, assuntos urgentes eram assuntos urgentes. Eu precisava ver o Sumo Sacerdote, para saber se Dirk realmente tinha a Consumação, quanta mana ele tinha e o que precisávamos fazer com ele.

— Suponho que não devemos dar Dirk para Wilma ainda, já que o levaremos ao quarto do Sumo Sacerdote. Fran, você o carregaria?

Eu pretendia ir ao quarto do Sumo Sacerdote com Dirk, já que tudo girava em torno dele, mas Delia o abraçou de forma protetora e Fran balançou lentamente a cabeça.

— Irmã Myne, não podemos tirar um órfão pré-batismo do orfanato.

Meus aposentos contavam como parte do orfanato, já que estavam no mesmo prédio, mas, aparentemente, levá-lo ao quarto do Sumo Sacerdote não era bom. Eu tinha esquecido que não deveríamos tirá-los, já que estávamos levando as crianças, furtivamente, para a floresta, mas agora que pensei sobre isso, as crianças pré-batismo deveriam estar presas dentro do orfanato, para que os sacerdotes azuis não precisassem vê-los.

— Pensei que levar o Dirk seria importante para a discussão com o Sumo Sacerdote, mas, se você insiste…

Fui com Fran e Damuel para o quarto do Sumo Sacerdote, como sempre fazia. Uma vez dentro, o Sumo Sacerdote fez uma leve careta de aborrecimento e perguntou:

— O que é desta vez?

— O assunto que quero discutir é muito importante. É algo sobre o qual deveríamos falar aqui? — Eu disse, com uma voz baixa, apontando meus olhos para a sala escondida.

O Sumo Sacerdote ergueu uma sobrancelha e estendeu a ferramenta mágica de bloqueio de som. A agarrei com firmeza.

— Esta discussão é importante o suficiente para você realmente prestar atenção ao seu entorno e pensar?

— Sim. É sobre Dirk, o bebê de ontem. Acredito que ele tenha a Consumação.

Depois que expliquei como Dirk estava esta manhã, a testa do Sumo Sacerdote franziu com força e ele soltou um suspiro pesado.

— Eu diria que depende de quanta mana ele tem, mas, dados esses sintomas físicos, seria seguro dizer que ele tem uma quantidade considerável.

— Então ele tem a Consumação com certeza?

— De fato. — O Sumo Sacerdote me deu um aceno grave, antes de bater um dedo levemente contra sua têmpora. — Provavelmente seria sábio para ele assinar com um nobre o mais rápido possível.

— Um contrato?

— Ele não sobreviverá de outra forma.

Aumentei meu aperto na ferramenta mágica de bloqueio de som. Assinar um contrato significava vender sua vida a um nobre. Em troca de receber as ferramentas mágicas necessárias para sobreviver, você passaria toda a sua vida escravizado a eles, essencialmente se tornando um tanque de mana ambulante para o seu nobre drenar. Estremeci ao pensar em Dirk, um bebê tão jovem quanto meu irmãozinho, sofrendo um destino assim.

— Sumo Sacerdote, você não poderia torná-lo um sacerdote azul, que oferece mana como eu, ou, de outra forma, criar uma adoção com um nobre?

— Vai custar uma quantia significativa para criar o bebê como um padre azul. Quem vai pagar por isso?

Tendo me tornado uma donzela azul do santuário, eu sabia muito bem quanto dinheiro custava viver assim. Eu quase fiquei sem dinheiro me preparando para o inverno, apesar do ateliê da Myne me apoiar. Roupas, sapatos e praticamente todas as outras pequenas coisas eram caras.

— Você conseguiu cobrir suas despesas ganhando seu próprio dinheiro, — continuou o Sumo Sacerdote — Mas espera que um bebê órfão faça o mesmo?

— Não.

— Ou você está sugerindo que cobrirá ambas as suas despesas? Você pagaria tanto por um bebê que não tem relação de sangue com você? Isso é algo que sua família permitiria? Mesmo que sim, isso não seria a diretora do orfanato mostrando favoritismo a um único órfão?

Fiquei em silêncio. Eu nem tinha certeza se poderia pagar nossas despesas, para sempre, e era proibido no orfanato priorizar um órfão em detrimento dos outros. Eu queria ajudá-lo, mas não conseguia pensar no que fazer. Tudo o que eu podia fazer era ficar quieta.

O Sumo Sacerdote, vendo minha hesitação, suavizou sua expressão.

— Em relação a ter um nobre o adotando, todas as adoções precisam de autorização direta do Arquiduque. Não é possível para mim simplesmente arrumar uma adoção onde eu quiser. No seu caso, foi determinado que você e sua quantidade de mana, talento para ganhar dinheiro e sabedoria de outro mundo, sendo colocados aos cuidados de um nobre superior, seria o melhor para a cidade — disse ele, revelando indiretamente que havia muitas forças de apoio em jogo, quando ele estava arranjando para que eu fosse adotada por Karstedt. O Sumo Sacerdote claramente arriscou o pescoço e trabalhou duro por mim.

— Myne, estou certo em assumir que o bebê é um homem?

— Sim.

Oh, certo, nós não tínhamos verificado para ver o sexo do bebê, quando falei com o Sumo Sacerdote ontem. Ele deve ter determinado seu gênero por eu chamá-lo de “ele”.

— Isso tornará as coisas mais difíceis — ele disse com um movimento lento da cabeça. — Acredito que mencionei, antes, que é a mana da mãe que influencia a quantidade de mana que seus filhos têm. Um bebê do sexo feminino poderia ter um futuro sendo adotado, embora ela tivesse sido passada como uma criança natural, em vez de uma adotada, para que ela pudesse ser usada como um peão para o casamento político.

Mordi o lábio. Talvez fosse só porque eu tinha minhas memórias de viver como uma japonesa, mas eu considerava ser um peão, para o casamento político e ser escravizado, por meio de um contrato vitalício, como coisas não tão diferentes.

— Há uma pequena chance de que um nobre possa querer adotá-lo, dada a atual escassez de mana, mas não posso dizer nada, com certeza, até ter medido a quantidade de mana do bebê. Amanhã de manhã… Sim, no terceiro sino, amanhã, irei aos seus aposentos com uma ferramenta mágica para medir mana. Imagino que esteja tudo bem?

— Absolutamente. Estarei esperando. — eu disse, entregando ao Sumo Sacerdote a ferramenta mágica de bloqueio de som. Mas ele moveu isso de volta para mim. Inclinei a cabeça, em confusão, e a peguei, imaginando se ele havia esquecido de dizer algo.

— Myne, quem mais sabe que este bebê tem a Consumação?

Abaixei os olhos, em pensamento. Nenhum dos meus assistentes estava familiarizado com a Consumação. Fran me perguntou sobre os sintomas de Dirk, já que nem ele conseguiu reconhecê-los, à primeira vista. Lutz provavelmente poderia adivinhar, já que eu havia pedido a fruta Tau e depois gesticulei para Dirk, mas nenhum dos meusassistentessaberia o que isso significava.

— Acho que sou a única que entende firmemente que os sintomas de Dirk estão sendo causados por mana.

— Nesse caso, continue mantendo isso em segredo. Seja particularmente cuidadosa para que o Arcebispo não saiba disso.

— Entendido.

Eu teria que manter isso escondido de Delia, que Dirk tinha a Consumação. Se ela não soubesse sobre a Consumação, ela não poderia informar o Arcebispo sobre isso. Eu me senti um pouco triste por ter que esconder de Delia coisas sobre Dirk, apesar dela mostrar tanto amor, enquanto se esforçava para ser uma boa irmã mais velha.

No dia seguinte, no terceiro sino, o Sumo Sacerdote visitou meus aposentos com Arno.Havíamosterminado de alimentar Dirk e trocado a fralda com antecedência. Ele, muitas vezes, fez o seu negócio logo depois que colocamos sua nova fralda, mas não havia como ajudar isso.

Uma coisa interessante, porém, era que Dirk não chorava muito. Ele geralmente tinha um sorriso feliz no rosto, desde que sua fralda estivesse limpa e sua barriga estivesse cheia. Ele raramente era exigente, quando colocado na cama, e não exigia tanta manutenção quanto a maioria dos bebês, o que era muito apreciado por todos.

Aliás, nosso Kamil chorava muito mais do que Dirk. Ele era especialmente barulhento quando queria dormir, e não adormeceria a menos que mamãe o carregasse. Eu não podia dizer se esse contraste era devido à diferença de idade ou se era apenas devido às suas personalidades.

No momento, Dirk estava dormindo em cima de uma grande almofada, cheia de palha, no canto do meu quarto. Delia estava cuidando dele, sentada ao seu lado. A almofada era a cama de Dirk e poderia ser facilmente movida para o primeiro andar, quando Fran estivesse cuidando dele, depois para os quartos de Rosina e Delia, no segundo andar, quando fosse a vez delas.

Ouvi uma porta se abrir no primeiro andar, depois ouvi Fran dizer:

— Bom dia, Sumo Sacerdote.

— Onde está o bebê?

— No segundo andar. Por favor, siga-me.

Delia, percebendo pela voz de Fran, que o Sumo Sacerdote havia chegado, soltou seu sorriso feliz e se virou para olhar para a escada, com uma carranca dura. Para mim, o Sumo Sacerdote era alguém em quem eu podia confiar, para qualquer coisa e tudo, mas parecia que Delia o via como alguém que não era confiável.

— Eu agradeço muito por ter vindo até aqui.

— Myne, limpe a sala.

Arno colocou uma ferramenta mágica na mesa e cruzou os braços na frente do peito, antes de recuar. Era um diadema cravejado de pequenas pedras mágicas, como as dos instrumentos divinos.

— Por favor, saiam todos. — Esvaziei a sala, e Delia parecia inquieta, entre eu e Dirk, que ainda estava descansando, em sua almofada, enquanto caminhava lentamente pelas escadas.

Uma vez que todos se foram, o Sumo Sacerdote pegou a ferramenta mágica de bloqueio de som.

— Limpar a sala não é suficiente para impedir que nossas vozes sejam ouvidas lá embaixo — explicou ele.

Após pegar a ferramenta mágica de bloqueio de som, caminhei em direção a onde Dirk estava dormindo. O Sumo Sacerdote seguiu com a ferramenta mágica de medição de mana. Ele pressionou a pedra mágica contra a cabeça de Dirk, e o diadema encolheu, para se encaixar perfeitamente nele. A essa altura, algo tão pequeno não era suficiente para me surpreender nem um pouco.

— Ah, as pedras estão mudando de cor. — Eu sabia muito bem, de oferecer minha mana para os instrumentos divinos, que feystones mudavam de cor ao absorver mana. Aparentemente, era assim que as crianças nobres tinham sua mana medida quando nasciam.

Uma vez que a mudança de cor desacelerou, o Sumo Sacerdote removeu o diadema e contou o número de pedras que ficaram com cor diferente.

— Hum. Ele tem quase tanta mana quanto um nobre intermediário, no lado mais forte.

— Um nobre intermediário? Pensei que ele tivesse mais mana do que eu. — Myne viveu até os cinco anos com a Consumação, então Dirk já estar perto da morte, me fez pensar que ele tinha muito mais mana do que eu, mas, aparentemente, esse não era o caso.

— Um bebê tão governado por emoções, que é incapaz de controlar a mana e uma garotinha, com a mente de um adulto, são incomparáveis em força mental. Porém, o mais importante, você tem comprimido sua mana sem que ninguém tenha te ensinado, não?

O Sumo Sacerdote explicou que, à medida que se acostumava a controlar a mana, eles podiam comprimi-la e condensar mais mana em seu corpo. Ele podia estimar quanta mana Myne tinha a partir do fato de que era o suficiente para comê-la viva aos cinco anos. Dirk, provavelmente, tinha mais mana do que ela, quando nasceu, mas, então, acordei em sua mente e empurrei, com sucesso, o calor dentro de mim, o que abriu espaço para que mais mana se condensasse. Cada vez que a mana enchia e começava a se agitar, eu a comprimia ainda mais profundamente, dentro de mim, abrindo ainda mais espaço. Este processo se repetiu até que eu basicamente tinha uma quantidade estúpida de mana.

O Sumo Sacerdote continuou dizendo que eu tinha uma enorme quantidade comprimida dentro do meu pequeno corpo, tanto, que era difícil acreditar que eu pudesse contê-la. Compactar mana, assim, era aparentemente uma técnica que os nobres geralmente aprendiam na Academia Real, antes de chegar a puberdade.

— Isso não significa que todos os nobres poderiam ter mais mana se praticassem desde tenra idade?

— Não insinue que é tão simples, tola. Permitir que a mana preencha todo o seu corpo, antes de contê-la com pura força mental, é dançar com a morte, colocando-se à beira de ser comido vivo. Você tem experiência com isso, não?

— Sim, já aconteceu inúmeras vezes. — Era realmente difícil contar quantas vezes lutei com o calor, para empurrá-lo de volta para dentro do meu corpo. No final, eu tinha tanta mana porque, ao longo do ano e meio que se passou, entre começar a viver como Myne e entrar no templo, passei todos os dias à beira da morte.

— É difícil comprimir a mana sem ter uma mente forte o suficiente para forçá-la no lugar. Não faz mais sentido esperar até que as crianças cresçam e possam aprender os métodos adequados para isso? Todos os anos, há alunos que não conseguem controlar sua mana e, consequentemente, têm um encontro com a morte.

Encontros com a morte eram um assunto diário e normal para mim, mas as crianças nobres recebiam ferramentas mágicas, desde o nascimento, para protegê-las de tal perigo. Elas apenas derramavam sua mana nessas ferramentas até que pudessem ir para a Academia Real e aprender a controlá-la. Padres azuis não iam para a academia, portanto, nunca aprenderiam a controlar ou aumentar sua mana, o que significava que eles estavam para sempre presos, doando sua mana.

— Bem, seu caso é irrelevante aqui. Pode haver alguns que gostariam de adotar uma criança com Consumação, com tal abundância de mana, devido à escassez atual, mas já que estamos no processo de ocultar informações, para mantê-lo seguro, seria perigoso espalhar a notícia de que procuramos uma família para uma criança com Consumação.

Se uma adoção não fosse possível, pelo menos queria que Dirk assinasse com uma família que o tratasse bem. Olhei para o Sumo Sacerdote.

— Hum, Sumo Sacerdote, você poderia assinar um contrato com Dirk?

— Eu poderia, mas não vou. Eu não tenho absolutamente nenhuma necessidade da mana daquele bebê.

Descobriu-se que eram, em grande parte, nobres com problemas de falta de mana, que assinavam com crianças com Consumação. Eles eram impulsionados por sua falta de mana, para manter suas terras e usar suas preciosas ferramentas mágicas. Os contratos da consumação não eram algo que eles queriam tornar particularmente públicos, então, crianças bem-educadas recebiam cargos como servas ou futuras concubinas. Aquelas que eram mal criadas, muitas vezes, eram trancadas em adegas e tratadas como animais… O que explicava por que o mestre da guilda estava gastando tanto dinheiro para criar Freida como uma nobre.

Olhei para o chão, com tristeza, enquanto pensava no futuro de Dirk, o que fez o Sumo Sacerdote dar um suspiro exasperado.

— Se você está tão preocupada com ele, você pode assinar com ele, depois que Karstedt te adotar.

— Eu? — perguntei, piscando de surpresa. Eu nem tinha pensado em assinar com o Dirk, quando me tornasse nobre.

— Ao ser adotada, você terá a posição nobre necessária para formar tal contrato. Esconda a natureza de sua doença e o crie no orfanato até lá.

— Eu te agradeço muito.

Se eu assinasse com Dirk, ninguém seria capaz de reclamar que eu tê-lo criado corretamente era uma demonstração de favoritismo. Embora eu tivesse que ouvir o conselho do Sumo Sacerdote e de Karstedt, o último porque ele seria meu pai adotivo. Tudo o que eu tinha que fazer era esconder a Consumação de Dirk, até lá. Parecia que seu futuro seria mais brilhante do que eu pensava.

Enquanto eu me regozijava, o Sumo Sacerdote estreitou os olhos, como se estivesse olhando para mim.

— Myne, não é hora de se alegrar. O Arcebispo, sem dúvida, tentará explorar o bebê, se souber de sua Consumação. Você o desafia em todas as oportunidades, enquanto o bebê não tem vontade própria. Está claro com qual de vocês ele tentará armar as suas. Se você deseja protegê-lo, mantenha seu segredo seguro até o fim.

O Arcebispo gostaria de usar a mana de Dirk para suas próprias necessidades, e se o Arcebispo exigisse a custódia de Dirk, eu não teria meios de recusar.

— Você faria bem em sempre lembrar que sua posição no templo e seu futuro serão muito determinados se você pode ou não proteger esse bebê.

— Entendido.

Após me dizer que a mana de Dirk seria contida, por um tempo, graças à ferramenta de medição, que sugou sua mana, o Sumo Sacerdote pegou o diadema e saiu. Delia subiu correndo as escadas, um segundo depois.

— Irmã Myne, o que o Sumo Sacerdote disse?! Com o que Dirk está doente?

— Ele está bem — eu disse, com um movimento lento da cabeça. — O Sumo Sacerdote disse para continuar o criando, como temos feito.

— Eu entendo. Isso é um alívio. — Os ombros tensos de Delia se afrouxaram, quando ela abraçou Dirk, esfregando as bochechas contra as dele. A visão era um lembrete firme de que eu não podia deixar nenhum outro nobre adotar Dirk, nem assinar um contrato de submissão com ele.

— Irmã Myne, eu vim por Dirk — veio outra voz.

— Obrigada, Wilma.

Fran e Rosina iam fazer uma pausa à tarde e, como não podiam ficar tranquilos com Dirk por perto, o levávamos para o orfanato. Delia observou, com tristeza, enquanto Wilma pegava Dirk e saía para o orfanato com ele.

— Você pode acompanhá-lo ao orfanato, se quiser, Delia.

— Mas Fran e Rosina estão no intervalo, e Gil está no ateliê. Irmã Myne, você não teria assistentes na mão, se eu fosse, agora. — Delia me lançou um olhar afiado, sobre a própria ideia.

— Eu não me importo de ir com você.

— Irmã Myne, acho que mencionei que não queria ir para o orfanato — ela respondeu friamente.

— Suponho que sim — respondi casualmente enquanto me dirigia para minha mesa. Não seria ideal para mim vagar pelo lado de fora do meu quarto, enquanto Fran e Rosina estavam fazendo uma pausa, então decidi me concentrar em fazer um segundo livro ilustrado, em preto e branco, para Dirk. Ao contrário de Kamil, que acabara de nascer, Dirk já estava prestes a rolar na cama. Ele, certamente, tinha quase idade suficiente para ver corretamente os livros ilustrados em preto e branco.

— Irmã Myne, o que você acha que Dirk está fazendo agora?

— Cochilando, eu imagino.

Desenhei figuras compostas de círculos e triângulos, em papel branco, usando tinta. Tudo o que eu tinha que fazer, em seguida, era usar a cola de couro, que tínhamos secado durante o inverno, para colar o papel nas tábuas. Queria que Fran preparasse a cola para mim, quando ele acordasse. Papai poderia, então, abrir buracos nas tábuas e, após amarrá-las com uma corda grossa, o livro estaria pronto.

— Irmã Myne, você acha que Dirk está chorando, ou talvez se sentindo sozinho?

— Imagino que ele não esteja se sentindo sozinho, com todas as crianças ao redor. Embora possa ser muito barulhento para ele dormir.

— Mas Dirk precisa dormir!

— Levantar sua voz para mim não mudará nada. Não posso nem dizer, com certeza, se está barulhento lá — respondi, desinteressadamente, enquanto escrevia uma lista de afazeres no meu díptico.

Primeiro, eu precisava comprar vários tipos diferentes de cera, de uma oficina de cera. Os modelos de estêncil usados para impressão com mimeógrafo, geralmente, eram feitos com resina misturada na cera para ajudá-los a manter sua forma. Entretanto, meu plano era tentar fazer isso usando apenas cera, desta vez. Se funcionasse, tudo bem, mas quem saberia que problemas poderiam surgir?

— Irmã Myne, você não está preocupada com Dirk?

— Na verdade, não, já que Wilma está de olho nele.

Em seguida, eu queria falar com alguém de uma oficina de tinta, sobre como fazer tinta colorida. Nada no orfanato parecia ser um bom material para fazer pigmentos, então, talvez, uma oficina poderia nos ajudar com isso.

— Você não pode ter certeza disso. Puxa! Irmã Myne, está me ouvindo? — Delia explodiu de raiva, depois que continuei dando respostas sem coração.

Levantei os olhos do meu díptico dando um suspiro exagerado.

— Se você está tão preocupada com ele, vá e verifique por si mesma. Wilma adoraria ter você lá.

— Eu não quero ir para o orfanato. — Delia mordeu o lábio, de frustração. O conflito que ela estava tendo entre querer ir e não querer ir era claro em seu rosto.

— Muito bem. Você gostaria que eu fosse ver como ele está, então?

— Na-não é justo! — Delia agarrou minha manga.

Eu não pude deixar de rir. Eu só disse isso porque eu sabia que não seria “feminino” para mim, sair do meu quarto sem assistentes, e ela tinha pulado na isca como um tigre.

— Nesse caso, Delia, por que não vem comigo?

Os olhos azul-claros de Delia vacilaram e ela balançou o cabelo vermelho carmesim, enquanto lutava uma batalha interna. Quando ela olhou para cima, olhou para mim, com os olhos lacrimejantes e mordeu o lábio, mais uma vez.

— Eu não vou.

Dei de ombros e me virei para encarar minha mesa, não tendo razão para argumentar com sua decisão. Ela não disse nada depois disso. Tudo o que ela fez foi vagar sem rumo. Mas, de alguma forma, eu senti que Dirk era tão fofo que era apenas uma questão de tempo até Delia estar correndo para o orfanato.

Fim da leitura

Capítulo 175 concluído

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