Ascendance of a BookwormCAPÍTULO 184 - 183
Capítulo 184Ascendance of a Bookworm – Capítulo 183
O Talismã Negro
— Aprendiz! — Damuel, com uma expressão de pânico em seu rosto, tirou sua varinha brilhante e ficou entre o conde e eu. Enquanto ele protegia meu lado direito com uma luz vermelha, continuei despejando mana na pedra do Arcebispo, cujo rosto se contorcia, com segurança presunçosa em sua própria vitória.
— Você está perdendo o seu tempo — disse ele, soltando uma risada.
Mas, um segundo depois, a feystone preta emitiu um som estridente, e uma lasca de luz amarela começou a brilhar através dela. Uma rachadura percorreu a superfície lisa da feystone, depois outra.
— O quê? — o Arcebispo murmurou, em choque. Eu o ignorei, olhando atentamente para a feystone, enquanto continuava a despejar mana nela. A feystone preta estava ficando amarela diante dos meus olhos.
— O que está acontecendo?
O preto desbotou, e, por um breve momento, foi combinado com o amarelo dentro da feystone, fazendo ela parecer dourada. Um brilho deslumbrante surgiu através das muitas rachaduras finas, e então a feystone começou a desmoronar como areia. O Arcebispo observou a poeira dourada deslizar por seus dedos, seus lábios tremendo e seus olhos mais largos do que nunca, lutando para acreditar no que acabara de testemunhar. Enquanto isso, continuei o intimidando com mana.
— Myne, o que diabos é vo… Argg! — O Arcebispo olhou para mim, com olhos vermelhos, então, imediatamente, agarrou seu peito e começou a tossir sangue, quando minha intimidação o atingiu de frente. Comecei a acumular mais mana, mas depois ouvi Damuel grunhir de dor.
Me virei para ele e vi que ele estava ajoelhado no chão, tendo sido atingido com força por uma das bolas de mana de Bindewald. Ele deve ter perdido até mesmo a força para agarrar sua varinha brilhante, quando ela caiu de sua mão e desapareceu no ar. Damuel lentamente se inclinou para a frente, como se o estivesse seguindo para baixo, depois desabou no chão.
— Sir Damuel?! — Corri até ele. Sua respiração estava irregular e ele ficou inconsciente. Nem mesmo gritar seu nome o acordou, tudo o que ele fez foi gemer.
— Haha. Que tipo de cavaleiro patético não consegue resistir a um ataque de mana desse tamanho? — o sapo zombou, soltando um bufo.
Damuel estava indefeso, já que estava inconsciente. Olhei em volta, em busca de ajuda, e vi que dos três soldados da Consumação, ao lado do Arcebispo, apenas um ainda estava de pé, e mesmo ele mal estava de pé. Mas esse terceiro homem foi rapidamente cuidado, quando papai agarrou sua cabeça e a bateu no chão, como se estivesse enterrando uma bola de basquete, e seus olhos rolaram de volta em sua cabeça, quando ele caiu inconsciente. Papai, então, correu para mim, protegendo seu braço esquerdo caído.
— Myne!
— Papai…
Fran havia se ferido durante a luta e estava com falta de ar, caído contra a porta que levava ao Portão dos Nobres. O Arcebispo estava ajoelhado no chão e tossindo mais sangue, enquanto suas sacerdotisas cinzentas acompanhantes se moviam, nervosamente, e Delia estava abraçando o flácido Dirk, congelada no lugar. Os únicos que ainda estavam em grande parte ilesos éramos o conde e eu.
De repente, no meio de todo o caos, a porta do quarto do Sumo Sacerdote se abriu. Saiu dali o Sumo Sacerdote, apesar do fato de terem dito que ele estava ausente. Seus olhos se arregalaram ao ver o desastre na área do corredor.
— O que diabos aconteceu aqui?! — Qualquer um teria ficado surpreso ao sair de seu quarto e encontrar um monte de pessoas feridas, espalhadas no chão, algumas delas parecendo cadáveres. Mas, a maior pergunta que eu tinha era por que ele não havia nos notado antes, com todo o barulho que estávamos fazendo do lado de fora de sua porta. Essa foi a coisa mais confusa sobre toda a situação.
— Sumo Sacerdote, tenho certeza de que Arno disse que você estava ausente! Por que você está aqui?! — exigiu o Arcebispo, sua voz quase um grito. O Sumo Sacerdote olhou para ele, completamente inabalável.
— Eu acredito que isso deveria ser autoevidente: Eu disse a Arno para informar a todos os visitantes que eu estava ausente. Já que eu não estava no meu quarto, isso não era mentira. — Isso, sem dúvida, significava que ele estava escondido em seu quarto escondido. Estava completamente selado do lado de fora da sala, usando mana, o que explicava por que ele não tinha nos ouvido.
O Sumo Sacerdote examinou o corredor, observando tudo o que viu. Ele estreitou os olhos um pouco, quando encontrei seu olhar, então me escondi atrás do papai. Provavelmente era óbvio que eu havia deixado minha mana correr solta.
Enquanto engoli em seco, tremendo de medo de ser amarrada a uma cadeira e receber um sermão sobre os terrores da pele fervente, o Sumo Sacerdote esfregou sua têmpora e se virou para o Arcebispo.
— Chega de falar de mim, Arcebispo. Gostaria que explicasse o que aconteceu aqui. Parece que temos um visitante que eu nunca vi antes, e tenho que perguntar exatamente quem ele é.
O Arcebispo não fez nenhuma tentativa de responder à pergunta do Sumo Sacerdote e, em vez disso, apenas apertou os lábios e olhou para ele. A varinha brilhante já havia desaparecido da mão de Bindewald, e ele olhou para o Sumo Sacerdote com a expressão arrogante de um nobre.
— Há alguma necessidade de eu dar meu nome a um sacerdote? Estou aqui com a devida autorização.
— Eu gostaria de ver sua autorização.
— E por que eu perderia meu tempo lidando com pessoas como um mero Sumo Sacerdote?
Pensei que o Sumo Sacerdote era um nobre de posição bastante alta, devido às suas relações com a Ordem dos Cavaleiros, mas Bindewald era de outro ducado e o via como apenas outro sacerdote do templo, Sumo Sacerdote ou não. Sua arrogância estava saindo com força total e, aparentemente influenciado por isso, o Arcebispo recuperou sua própria confiança. Presunçoso, ele se levantou e limpou o sangue de sua boca, seu rosto se contorcendo cada vez que tossia.
— Sumo Sacerdote, este é um nobre de Ahrensbach. Não me diga que você pretende causar um incidente diplomático enquanto o Arquiduque está fora.
— Acredito que foi você quem causou um incidente diplomático. O Arquiduque está ausente para a Conferência dos Arquiduques, o que significa que ele não está disponível para assinar nenhuma licença para nobres de fora, — respondeu, friamente, o Sumo Sacerdote.
O Arcebispo vacilou e olhou em volta. Quando seus olhos caíram em mim, seus lábios se curvaram em um sorriso desagradável.
— E-Ele recebeu a permissão com muita antecedência. Portanto, este incidente não é minha responsabilidade. Myne foi quem perturbou a paz do templo e atacou um nobre. Se alguém é responsável por isso, é ela. Prendam-na, imediatamente, sob a acusação de desafiar a nobreza. — O Arcebispo apontou um dedo odioso para mim, enquanto tentava mudar a culpa, depois tossiu mais sangue. Ele olhou entre a mão e o respingo de sangue no chão.
— A-apenas olhe para isso. Ela me atacou não uma vez, mas duas. Isso não é algo que ela faria sem malícia. Ela deve assumir total responsabilidade por isso. — ele rosnou, cuspe voando para fora de sua boca.
Bindewald, concordando com a cabeça, apoiou o Arcebispo.
— De fato, e ela me atacou também. Uma mera plebeia vestida de vestes azuis, além de sua posição, lançou mana em mim, um nobre. Mais do que todos, esta criança merece mais punição. — Bindewald apontou para mim, também, depois soltou sua risada presunçosa e nojenta. Era a mesma lógica nobre que Shikicoza havia usado: nenhum plebeu deveria desafiar um nobre.
— Agora, então, Sumo Sacerdote, capture Myne. Certifique-se de que ela não possa usar sua mana — exigiu o Arcebispo.
O Sumo Sacerdote deu um suspiro antes de caminhar em minha direção. Papai apertou minha mão com força, enquanto o observávamos se aproximar, lentamente, e eu apertei suas costas.
— Vejo que você deixou sua mana furiosa novamente, Myne.
— Houveram circunstâncias atenuantes.
— É o que parece — o Sumo Sacerdote murmurou, enquanto olhava para mim, seus olhos tristes e cheios de simpatia. Mais do que tudo, isso mostrou que ele não seria capaz de me proteger.
— Sumo Sacerdote, serei punida por isso?
— Afinal, você atacou o Arcebispo e um nobre de fora. Imagino que você, sua família e todos os seus assistentes serão executados.
— Sinto muito, papai — Eu disse, enquanto olhava para ele.
Papai soltou uma risada curta.
— Eu estava preparado para morrer quando você se juntou ao templo, e estou preparado para morrer agora. Não se preocupe. — Mas não pude deixar de entrar em pânico.
— Se ao menos eu tivesse atacado com minha mana e matado o Arcebispo e aquele sapo, antes que o Sumo Sacerdote saísse. Isso teria me livrado de todas as evidências, — eu disse brincando, com um encolher de ombros.
O Sumo Sacerdote assentiu, um breve lampejo de dor em seu rosto.
— Infelizmente, já que você é incompetente e incapaz de terminar o trabalho corretamente, agora é tarde demais para você esconder evidências.
O Sumo Sacerdote era o mais confiável de todos os nobres que eu conhecia, e mesmo ele, disse que não poderia me salvar. Era difícil pensar em qualquer outra pessoa que pudesse ajudar.
— No final, o talismã do irmão Sylvester não ajudou em nada. Acho que você nunca pode confiar em um homem que diz que vai te ajudar. — Suspirei, enquanto puxava o colar, com o amuleto pendurado, de trás das minhas vestes. Ainda havia um fogo dourado balançando dentro da pedra negra, mas isso era tudo. Assim como Bindewald e o Arcebispo disseram, eu seria executada por desafiar nobres como uma mera plebeia.
Irmão Sylvester, seu mentiroso, pensei comigo mesma, enquanto olhava para o colar.
O Sumo Sacerdote se abaixou para olhar para ele. Ele olhou para a pedra por um longo segundo, depois arregalou os olhos, em descrença.
— Myne, onde você conseguiu isso?
— O Irmão Sylvester me deu como agradecimento por deixá-lo ir em uma viagem de caça, divertida, na floresta da cidade baixa. Ele disse que é um talismã.
— Entendo. É um talismã e tanto, devo dizer. Isso tornará as coisas muito mais fáceis, — disse o Sumo Sacerdote, seu rosto inexpressivo agora substituído por um leve sorriso. Aparentemente, o talismã era tão poderoso que o Sumo Sacerdote estava confiante de que seria capaz de lidar com o Arcebispo e Bindewald juntos.
Sinto muito por duvidar de você e chamá-lo de mentiroso, Irmão Sylvester.
Enquanto agradecia internamente aSylvester, o Sumo Sacerdote lentamente olhou entre eu e papai.
— No entanto, só será útil se você estiver preparada para fortalecer sua determinação.
Olhei para ele. Se houvesse uma maneira de salvar minha família, assistentes, e todos aqueles que me apoiaram até agora, então eu estava disposta a fazer o que fosse preciso.
— Fortalecer minha determinação para o quê?
— Ser adotada.
— Pelo Senhor Karstedt? Se sim, eu já…
Antes que eu pudesse terminar minha frase, o Sumo Sacerdote balançou a cabeça, para me interromper.
— Não Karstedt. Sylvester.
Meu futuro pai adotivo não seria o confiável Karstedt, mas o imprevisívelSylvester, o homem-criança? O pensamento era tão surpreendente que tudo o que eu podia fazer era olhar para o Sumo Sacerdote, meus olhos arregalados e mandíbula caída. Por um segundo, pensei que ele estava brincando, mas seus olhos dourados estavam mortalmente sérios.
A filha adotiva deSylvester? Ele era o tipo de pessoa que começou a cutucar minha bochecha, em nosso primeiro encontro, e exigiu que eu chilreasse “puhi”, mas eu o conheci o suficiente para saber que ele não era uma pessoa ruim. Sem mencionar queSylvesterme deu esse talismã porque queria me proteger. Se ele pudesse salvar minha família e meus assistentes, eu não me importaria de me tornar sua filha adotiva.
— Estou pronta. Se isso significa salvar a todos, farei isso imediatamente.
— Myne! — Papai gritou, com os olhos arregalados, mas eu apenas balancei a cabeça.
— Desculpe, papai, mas eu quero proteger todo mundo. Espero que possa me perdoar.
— Isso é tudo o que eu precisava ouvir, — disse o Sumo Sacerdote, deixando cair um anel com uma pedra amarela, entalhada, na palma da minha mão. A pedra era muito maior e mais transparente do que a feystone do anel de evidências que acabei de quebrar. Eu podia dizer de relance que tinha uma qualidade muito maior.
— Myne, reze ao Vento para se proteger. Ore para proteger aqueles com que você se importa da minha mana.
— Da sua mana, Sumo Sacerdote? — Perguntei, enquanto olhava para cima, e ele me deu um sorriso maligno como nunca o tinha visto fazer antes.
— Sim. Se aquela porta estiver aberta e a mana se espalhar por toda parte, será uma dor consertar tudo. Faça um escudo de vento ao redor da porta, para impedir que isso aconteça. Agora temos a justiça do nosso lado, Myne. É melhor usarmos esta oportunidade para eliminar aqueles que se opõem a nós.
Aparentemente, o Sumo Sacerdote estava extremamente frustrado com a situação em que o Arcebispo e o sapo o colocaram. Eu não sabia exatamente o que havia colocado justiça do nosso lado, mas, de qualquer forma, ele virou as costas para mim, com um sorriso divertido no rosto, antes de caminhar em direção aos dois.
— Sumo Sacerdote, você selou a mana de Myne? — O Arcebispo perguntou, enquanto olhava para mim.
— Eu dei a ela uma ferramenta mágica — o Sumo Sacerdote respondeu, suavemente. A ferramenta mágica que ele me deu foi para empunhar mana, não selá-la, mas o Arcebispo interpretou essa resposta da maneira que mais o favoreceu. A tensão de seu corpo, que foi intimidado, se esvaiu e ele deu um sorriso arrogante.
— Muito bom. Acredito que é melhor confiarmos essa criminosa perigosa a Ahrensbach e permitir que eles a removam deste ducado.
O Sumo Sacerdote convocou sua varinha, com um sorriso malicioso, como se zombasse do Arcebispo por agir com seu eu arrogante habitual. Ele então apontou sua varinha para ele. Era uma ameaça clara.
— O-o que você está?…
O Sumo Sacerdote cantou algo, enquanto balançava a varinha, o que fez raios de luz saírem de sua ponta e envolverem o Arcebispo. Ele caiu no chão, como uma boneca sem vida, depois começou a ranger os dentes.
— Sumo Sacerdote! O que significa isso?!
— Seria inconveniente para você morrer aqui. Isso é tudo.
— Morrer? — respondeu o Arcebispo, atordoado com a súbita palavra violenta. O Sumo Sacerdote virou as costas para ele e encarou Bindewald, que estava apontando para a varinha brilhante do Sumo Sacerdote com claro pânico nos olhos.
— Por que um mero sacerdote tem uma dessas?!
— Porque eu sou um nobre que se formou na Academia Real, é claro.
Aparentemente, a varinha brilhante era a prova de ter se formado na Academia. Algo que não se esperava ver na mão de um padre, que havia sido criado no templo. Não era algo que nobres de outros ducados saberiam, mas o Sumo Sacerdote não havia sido criado no templo. Ele era um nobre de posição alta o suficiente para que, quando fora do templo, o comandante da Ordem dos Cavaleiros dobrasse os joelhos para ele.
— Devemos duelar, Conde Bindewald?
— Por que você sabe meu nome?
— Como eu poderia esquecer o nome do nobre estranho que tentou entrar na cidade sem a permissão do Arquiduque, apenas para ser parado pela Ordem dos Cavaleiros? — O Sumo Sacerdote sabia tudo sobre o incidente, incluindo o nome e as circunstâncias de Bindewald. Como sempre, não pude deixar de ficar impressionada com sua diligência. Era bom tê-lo como aliado.
— Você pode pensar que estará seguro, enquanto puder escapar deste ducado, mas agora temos a justiça do nosso lado. Não vou deixar você escapar tão facilmente.
— Justiça, você diz?
Eu podia sentir o Sumo Sacerdote derramando sua mana em sua varinha. Bindewald também deve ter sentido, já que ele parou de olhar e apressadamente preparou a sua.
O Sumo Sacerdote estava derramando uma quantidade tão imensa de mana em sua varinha, que eu não pude deixar de ofegar. Isso diminuiu a ninharia de mana que o sapo estava usando antes.
— Papai, apresse-se e leve Sir Damuel até a porta onde Fran está! — Eu gritei, depois corri para Fran. Ele estremeceu e tentou se levantar, quando me aproximei. — Não se mexa, apenas fique quieto! — Eu não tinha sido capaz de dizer de longe, mas Fran estava coberto de pequenos cortes e hematomas. — Sinto muito. Você está bem?
— Eu sou o único que deveria pedir desculpas, eu mal pude ajudá-la. — Não havia como um padre cinza, destreinado em batalha e ensinado desde o nascimento que a violência estava errada, estar acostumado a situações como esta. Foi minha culpa por envolvê-lo nisso.
— Não seja tão duro consigo mesmo. Conseguiu alguns cortes sem se meter no meu caminho. Você tem bons olhos. Com algum treinamento adequado, você seria um bom lutador — papai assegurou a Fran, enquanto carregava Damuel até a porta.
Dei um passo à frente, de forma protetora, para que todos ficassem atrás de mim, depois comecei a orar enquanto derramava mana no meu anel. — Ó Deusa do Vento Schutzaria, protetora de todos. Oh, doze deusas que servem ao seu lado… — imaginei um escudo cercando a nós e à porta, enquanto continuava. — Por favor, ouça minha oração e me empreste sua força divina. Conceda-me seu escudo de vento, para que eu possa soprar aqueles que pretendem causar dano.
Com um som agudo e metálico, um escudo de vento apareceu no ar.
— Myne… — Papai murmurou, nunca me tendo visto usar magia antes. Eu mantive minhas costas para ele e continuei despejando mana no escudo de vento.
Eu os protegerei, não importa o que aconteça!
O Sumo Sacerdote e Bindewald ainda estavam apenas despejando mana em suas varinhas, sem disparar nenhum tiro, mas isso, por si só, era suficiente para fazer com que faíscas voassem no ar ao redor deles. Uma atingiu o escudo de vento e explodiu.
— Está tudo bem. Vou proteger todos vocês.
Sua mana transbordante estava, de fato, intimidando tudo ao seu redor, e, sem proteção, o Arcebispo e seus assistentes estavam no chão, tremendo, enquanto faíscas voavam ao redor deles. No meio de tudo isso, Delia começou, freneticamente, a olhar em volta, em busca de segurança, segurando Dirk, firmemente, em seus braços. Ao ver meu escudo de vento, ela se levantou com as pernas oscilantes.
— Por favor, Irmã Myne! Socorro! Por favor, salve Dirk! — ela gritou, em desespero. Mas eu tinha minhas mãos completamente cheias, derramando mana na pedra do meu anel para manter o escudo do vento e conter a imensa quantidade de mana irradiada do Sumo Sacerdote e Bindewald. Proteger papai, Fran e o inconsciente Damuel eram minhas prioridades. Eu não tinha como ir ajudar Delia e Dirk.
— Entre no escudo você mesma se quiser estar segura. Não posso me mover.
Delia se inclinou para frente, para proteger Dirk das faíscas voadoras, esquivando-se desesperadamente das ondas intimidantes, enquanto se aproximava. Seus passos eram pesados como se ela estivesse sendo empurrada em direção ao chão.
— Irmã Myne, você vai ajudar Delia? — Fran perguntou reprovadoramente.
Balancei a cabeça.
— Não tenho como me mover para ajudá-la. Mas se ela quiser entrar no escudo sozinha, ela é livre para fazer isso.
— Mas… — Fran continuou antes de se calar, insatisfeito.
Abaixei os olhos. Eu podia entender sua desaprovação, e me lembrei que ele havia me dito para afastar Delia completamente, mas não achei certo deixá-los enfrentar a mana lá fora com risco de morrerem. Dirk, em particular, já estava à beira da morte, tendo sido forçado a um contrato e depois tendo a mana drenada. Ele não teve culpa aqui.
Uma vez que expliquei isso a Fran, ele engoliu sua reprovação, mas ainda havia um olhar dolorido em seu rosto. Tudo o que ele fez foi sussurrar:
— Por favor, não deixe que ela te explore.
Delia avançou para o escudo, depois desabou, exausta. Mas nem isso era o suficiente para ela deixar Dirk cair. Enquanto ela se sentava com ele em seus braços, ela olhou para mim, seus cabelos carmesins tremulando atrás dela.
— Muito obrigado, Irmã Myne.
— Delia, vou permitir que você entre no escudo porque não desejo que nenhum de vocês morra. Mas isso não significa que esqueci o que você fez. Por favor, esteja ciente disso.
— Claro.
As assistentes do Arcebispo viram isso e pareciam pensar que, mesmo que eu não as perdoasse, eu pelo menos pouparia suas vidas. — Irmã Myne, podemos entrar também? — elas disseram, cada uma se aproximando e querendo entrar no escudo também.
— Se conseguirem entrar, então certamente.
— Nós agradecemos.
Mas, das três que tentaram entrar no escudo de vento, apenas uma foi bem sucedida. As outras duas foram sopradas pelo vento.
— Wow?!
— Não!
Delia e a donzela do santuário dentro do escudo piscaram enquanto observavam as outras duas serem levadas pelo vento.
— Mas por quê?
— Aqueles com má intenção não podem passar pelo escudo.
Não era minha culpa que elas tivessem sido arremessadas. O escudo, fundamentalmente, não permitiria a passagem de ninguém que quisesse prejudicar aqueles dentro dele. Aquelas duas donzelas do santuário tinham a intenção de me prejudicar, por bater no Arcebispo com mana; Papai, por bater em sua companheira donzela do santuário Jenni; ou Delia e Dirk, possivelmente, por entrarem no escudo primeiro. Eu não era santa o suficiente para tentar salvar as pessoas que queriam me machucar ou machucar aqueles perto de mim, nem tive tempo de me importar.
— É uma pena que elas não puderam entrar, mas é tudo o que posso fazer — murmurei, enquanto o Sumo Sacerdote falava algumas palavras, sua mana crescendo imensamente. Assim que tudo estava prestes a explodir, a porta atrás de nós se abriu.
— Te deixei esperando, hein, Myne? —Sylvesterdisse, com um sorriso, quando ele e Karstedt saíram, assim que a mana saiu das varinhas do Sumo Sacerdote e Bindewald. — O-o que diabos está acontecendo?! — ele gritou.
— Vocês dois, entrem no escudo! E, por favor, fechem a porta! — Eu gritei, enquanto observava dois enormes raios de mana colidirem na frente dos meus olhos.
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