Ascendance of a BookwormCAPÍTULO 185 - 184
Capítulo 185Ascendance of a Bookworm – Capítulo 184
A fonte do conflito
Sylvester e Karstedt, exibindo tempos de reação verdadeiramente louváveis, fecharam a porta e saltaram atrás do escudo de vento em um piscar de olhos. Despejei o máximo de mana que pude no escudo para fortalecê-lo. Eu tinha que proteger todos dentro, não importava o que acontecesse.
Os feixes de mana que o Sumo Sacerdote e Bindewald dispararam de suas varinhas se esmagaram com tanta força, que começaram a pulsar um ao redor do outro, o excesso de energia circulando. Mas havia uma diferença óbvia no tamanho e no poder de sua mana, e em apenas um momento a mana do Sumo Sacerdote dominou Bindewald, empurrando seu feixe para trás até que o atingiu e o fez voar. Ele bateu com força contra a parede, antes de cair no chão, com um baque. Ele estava coberto de queimaduras, assim como papai, e rolou no chão soltando gemidos doloridos, que o fizeram soar ainda mais como um sapo.
— Urgh! Arg!
O Arcebispo sobreviveu graças às faixas de luz que o rodeavam, mas ele estava completamente congelado, os olhos bem abertos. Deve ter sido aterrorizante ver os enormes raios de mana colidindo bem na frente dele. As donzelas cinzas do santuário e os soldados com Consumação desmaiados, no entanto, não estavam em lugar algum. Eles não tinham meios de se proteger da explosão de mana, que os havia apagado da existência.
— Myne, é assim que você destrói evidências. Seja minuciosa se você for fazer isso. Nenhuma dessas pessoas deveria estar aqui, em primeiro lugar — disse o Sumo Sacerdote, enquanto olhava para o sapo, com os olhos frios e estendia a varinha, sem piedade. Bindewald guinchou e se arrastou o mais rápido que pôde, mas o Sumo Sacerdote o alcançou em apenas alguns passos. Sua falta de misericórdia era muito apreciada, quando ele era um amigo, mas eu nunca, nunca iria querer ele como um inimigo.
O Sumo Sacerdote é meio aterrorizante.
— Ferdinando, isso não é o suficiente? — disse Sylvester. — E Myne, livre-se do escudo. Não precisamos mais dele. — Ele não estava usando as vestes azuis de um padre, mas sim, uma das roupas mais chiques que se poderia esperar que um nobre usasse. Ele deu um passo à frente, chicoteando sua capa amarela brilhante atrás dele. Parei de despejar mana no escudo, como instruído, o deixando desaparecer, e o Sumo Sacerdote fez sua varinha desaparecer também.
— Afaste-se, Ferdinando. —Sylvesterlevantou o queixo, enquanto dava a ordem. Em resposta, o Sumo Sacerdote recuou e se ajoelhou diante de Sylvester, os braços cruzados na frente de seu peito.
— Hum? — Meu queixo caiu ao ver o Sumo Sacerdote ajoelhado. Todos os sacerdotes azuis eram iguais em posição dentro do templo, e foi ensinado que não havia necessidade de se ajoelharem uns aos outros, aqui, então o Sumo Sacerdote não estaria se curvando diante deSylvesterassim se ele fosse um sacerdote azul.
Pensei que o irmãoSylvesterera apenas um padre de posição particularmente alta, mas ele era, talvez, uma farsa, o tempo todo?
Eu sabia quão próximos eles pareciam durante a Oração da Primavera, que ele e o Sumo Sacerdote haviam voltado, mas o Sumo Sacerdote nunca tinha feito nada para expressar uma lacuna tão clara na posição, antes. Se eu assumisse que eu tinha visto um lado mais pessoal de seu relacionamento durante a Oração da Primavera, então era assim que eles agiam durante os negócios públicos oficiais. Em outras palavras,Sylvesternão era apenas um sacerdote azul, ele tinha posição alta o suficiente para que alguém com a posição mais alta do que qualquer um na Ordem dos Cavaleiros, se ajoelhasse diante dele.
Estou prestes a ser adotada por alguém ridiculamente importante?
Senti um suor frio escorrer pelas minhas costas. Sylvester tinha posição alta o suficiente para suprimir o Arcebispo e fazer o Sumo Sacerdote ajoelhar-se. Para ser justa, ele tinha que ser, para me salvar e a todos os outros, mas ainda estava saindo do alcance da minha imaginação, aqui. Meu coração bateu forte enquanto eu tentava processar a situação.
— Ah, Sylvester! Você veio na hora perfeita. Faça-me um favor e ordene a esse tolo insolente que desfaça essas amarras — disse o Arcebispo, enquanto olhava entre ele e o Sumo Sacerdote, ainda preso pelas faixas de luz. Eles pareciam se conhecer. Mas tudo o que Sylvester fez foi olhar na direção do Sumo Sacerdote, ajoelhado, sem ordenar que ele desfizesse as amarras.
— Corri de volta ao chamado da Ordem dos Cavaleiros, e essa bagunça é o que eu encontro? O que aconteceu aqui?
— Quem é você? — Bindewald resmungou, a cabeça disparando para frente e para trás entre Sylvester e o Arcebispo. Ele não estava acompanhando a situação.
Karstedt deu um passo na frente de Sylvester e, com os pés firmemente apoiados e a cabeça erguida, olhou para Bindewald.
— Você está diante do próprio Aub Ehrenfest.
— O- O- O que?! — Bindewald apontou para Sylvester, tremendo. — Não pode ser. Isso é uma mentira! — ele repetiu várias vezes. Pessoalmente, eu não tinha absolutamente nenhuma ideia de por que ele estava tremendo como um sapo olhando para a boca aberta de uma cobra.
Quando inclinei a cabeça, confusa, ouvi um sussurro, quando papai se levantou, para que ele pudesse se ajoelhar também. Me aproximei e sussurrei:
— Papai, você sabe quem é? — em voz baixa.
— Há apenas uma pessoa no ducado que tem o mesmo nome que esta cidade, e esse é o Arquiduque — ele respondeu, calmamente, com um olhar sombrio no rosto.
O QUE?! O infantil Sylvester é o Arquiduque? Eu queria gritar, mas passei a mão pela boca e engoli minha surpresa.
Esse cara cutucou a bochecha de uma garota que ele acabara de conhecer, a fez dizer “Puhi”, arrancou o enfeite de cabelo, fez acrobacias na frente dos fazendeiros, foi caçar na floresta da cidade baixa, sem nenhum guarda e ele é o Arquiduque? Um esquisito como ele, o Arquiduque? Hum, o quê? Este ducado vai ficar bem?
— Você se atreve a continuar bancando o tolo?! Sua grosseria vai te matar! Não é assim que se fala com Aub Ehrenfest! Ajoelhe-se, agora! — gritou Karstedt, interrompendo meus pensamentos muito mais desrespeitosos.
— Sim, senhor! — Pulei de surpresa quando Karstedt gritou para Bindewald, e imediatamente me ajoelhei no chão.
— Myne. O que diabos você está fazendo aí? — Karstedt chamou, com uma voz tingida de exasperação e confusão. Levantei timidamente a cabeça e vi que, enquanto todos estavam ajoelhados, com os braços no peito, só eu estava rastejando, com a testa pressionada contra o chão. Todos me olhavam, como se eu fosse uma esquisita, e doía.
— Bem, você disse para se ajoelhar, então meio que… aconteceu. — Aparentemente, eu tinha acabado de fazer papel de boba no meio de algo muito importante. Corrigi apressadamente minha postura e me ajoelhei corretamente, momento em que Sylvester examinou o corredor, com calma. Sua expressão era fria e mortalmente séria, ao contrário de qualquer outra que eu o tivesse visto usar antes. Se ele tivesse sido assim na primeira vez que o vi, eu não teria ficado surpresa ao saber que ele era o Arquiduque.
O olhar de Sylvester caiu sobre o Arcebispo, após o que ele estreitou os olhos.
— Agora, então, você poderia explicar o que aconteceu aqui, tio?
Em uma reviravolta chocante, Sylvester e o Arcebispo eram parentes. Isso significava que, se Sylvester me adotasse, eu acabaria parente do Arcebispo também.
Não, obrigada! Eu não preciso de um tio-avô como ele!
— Haaa, eu sabia que você ouviria, Sylvester!
E assim, o Arcebispo contou sua história, que foi mais do que um pouco distorcida a seu favor: o Conde Bindewald foi convocado aqui por minha causa; acabou em uma confusão que trouxe Sylvester de volta por minha causa; foi tudo culpa minha por não me deixar aprisionar; era minha culpa que ele estivesse sofrendo nas faixas de luz do Sumo Sacerdote; e todos os problemas no templo foram causados por uma plebeia como eu, recebendo vestes azuis.
No final, tudo foi aparentemente cerca de oitenta por cento culpa minha, mais vinte por cento culpa do Sumo Sacerdote. Tínhamos, supostamente, usado a ausência de Sylvester para enganá-lo e levá-lo a uma armadilha. Para ser sincera, era tudo tão mal pensado que eu, honestamente, tive que questionar se o Arcebispo era simplesmente estúpido ou não. Tipo, eu estava fazendo praticamente todas as contas nos livros financeiros do templo, enquanto ajudava o Sumo Sacerdote. Eu sabia muito bem que ele não estava tentando prender o Arcebispo, enquanto Sylvester estava fora. Isso era completamente sem sentido. O Sumo Sacerdote era muito mais assustador do que isso.
— Conde Bindewald, você tem a mesma perspectiva? — Sylvester perguntou, movendo os olhos para Bindewald e franzindo a testa, com aborrecimento, depois que o Arcebispo começou a se repetir. O sapo queimado estava praticamente na mesma página que o Arcebispo, culpando a mim, a plebeia, por tudo.
Não é meio irracional colocar a culpa dessas queimaduras em mim? Quero dizer, vamos lá…
— Agora então, Ferdinando. Por favor, apresente suas evidências e testemunho.
— Como quiser.
O Sumo Sacerdote começou a listar secamente tudo o que aconteceu depois que Bindewald entrou na cidade usando uma permissão falsa. Ele incluiu um relatório sobre eu sendo atacada na cidade baixa, buscando a perspectiva de meu pai, como guarda, no portão leste, onde o problema ocorreu, pela primeira vez, o que fortaleceu ainda mais seu testemunho. A julgar pelo quanto o Sumo Sacerdote sabia, ele deve ter sido contatado magicamente, em seu quarto, de alguma forma, e foi possivelmente por isso que ele deixou seu quarto escondido, em primeiro lugar.
— Como não sou deste ducado, não tinha como saber que as regras haviam mudado, ou que minha licença foi forjada. Fui convidado e vim, nada mais. Isso é um crime? — Bindewald insistiu que o incidente na cidade baixa não tinha nada a ver com ele, e que ele era apenas mais uma vítima, aqui. — Aub Ehrenfest, não fazia ideia que este documento era falsificado. Eu tinha certeza de que você mesmo tinha assinado, — ele disse, com um sorriso forçado, enquanto tirava um documento do bolso do casaco.
Karstedt o pegou e entregou o documento a Sylvester, que o examinou, antes de dar um leve sorriso. Eu podia vê-lo dizendo “Claro que sim, as provas bastam!” no interior, o que me fez perceber uma coisa. Havia alguns outros documentos que eu queria que ele pegasse de Bindewald.
— Conde Bindewald enganou Dirk em um contrato de submissão, alegando que era um formulário de adoção. Esse documento também contaria como falsificado?
— Esta criança está mentindo para você. Apresentei-o como um contrato de submissão desde o início. Um nobre como eu nunca adotaria um órfão plebeu, — respondeu Bindewald, na hora, olhando para mim e me chamando de mentirosa.
Delia olhou para ele com um olhar feroz em seus olhos, Dirk ainda em seus braços.
— O Arcebispo e o conde disseram que era um formulário de adoção, e havia duas camadas de pergaminho, no topo, para esconder o título real.
— Silêncio!
— Mostre-nos o documento.
Com a segunda camada de pergaminho já removida, não havia nada de suspeito no contrato de submissão. Consequentemente, não havia nada a esconder, então Bindewald o pegou e o apresentou a Karstedt, sem um momento de hesitação.
— Então, Ferdinando?
— Me foi mostrado um contrato de adoção.
O Sumo Sacerdote olhou para Bindewald, como se estivesse frustrado por ele contar uma mentira tão óbvia. Meu testemunho como plebeia e o testemunho de Delia, como aprendiz de sacerdotisa cinzenta não significavam nada, devido a nossa posição inferior, mas o Sumo Sacerdote era um nobre, o que significava que seu testemunho tinha peso. O fato de Sylvester ter pedido sua opinião mostrava quanta confiança ele tinha nele.
Bindewald empalideceu, tendo desrespeitado o Sumo Sacerdote, após pensar que ele era apenas mais um padre azul.
— Você certamente o leu mal. Além disso, estamos falando de um órfão com a Consumação, aqui. Neste caso, não há muita diferença entre um contrato de adoção e um contrato de submissão. Estou errado?
Ele estava errado, mas, aparentemente, ele queria fingir que não estava. Os olhos de Bindewald percorreram a sala. Ele sentiu que as coisas não estavam a seu favor e estava procurando uma saída que, em sua mente, encontrou quando me viu. Seus olhos se arregalaram, ao perceber, e ele apontou para mim, mudando de assunto, do nada.
— Mais importante, peço que castigue aquela plebeia!
— Plebeia? — Sylvester respondeu, uma sobrancelha levantada. O fato dele ter respondido deve ter feito Bindewald pensar que ele tinha uma chance, quando começou a reclamar de mim, cuspe saindo de sua boca.
— Ouvi dizer que essa garota, Myne, é uma plebeia, que só recebeu vestes azuis devido à sua magnanimidade, Aub.No entanto, ela se comporta arrogantemente, como se estivesse no topo do mundo. Ela disparou sua mana em mim, um nobre, e matou meus guardas pessoais, que só lutavam para me proteger. Ela é uma plebeia perigosa e violenta. Mal posso imaginar que corrupção vil apodrece sua mente.
Seu discurso foi tão ridículo que não pude deixar de piscar de surpresa. O que diabos esse sapo está dizendo? Ele realmente teve danos cerebrais ou algo assim?
— Você é quem ordenou que seus soldados me sequestrassem. Você nem se lembra do que fez há pouco?
— Não discuta com um nobre, plebeia! — Bindewald latiu, me encarando furiosamente. Mas Sylvester apenas sorriu.
— Conde Bindewald, deixe-me esclarecer um mal-entendido bem rápido. Aquela garota, que você continua chamando de plebeia, é minha filha adotiva.
— E- Ela o quê?! Uma plebeia, adotada por um Arquiduque?!
Sylvester, ignorando a expressão atordoada de Bindewald, gesticulou para mim.
— Já terminamos o contrato de adoção. Myne, vem cá. — Caminhei até ele, e Sylvester puxou a corrente em volta do meu pescoço, expondo o colar com a pedra preta. — E aqui está a prova disso.
— Essa garota… é sua filha adotiva?
— Sim. Se ela fosse uma plebeia, você estaria bem aqui. A lei funcionaria a seu favor. Mas Myne já é minha filha adotiva. Sabe o que isso significa? Seu crime não é apenas entrar ilegalmente na capital de outro ducado, é atacar um membro da família do Arquiduque. Seus guardas estão gravemente feridos e ela está dizendo que você a atacou com mana. — Sylvester bufou, desdenhoso, então olhou na minha direção. — Diga-me o que o conde fez com você.
— Ele não me atacou apenas com mana. Fui emboscada na cidade baixa, e ele tentou me forçar um contrato de submissão. Foi quando ele me cortou com uma faca — expliquei, enquanto abria a palma da mão, mostrando a ferida, que finalmente havia parado de sangrar. Listei tudo o que consegui lembrar enquanto observava o sapo empalidecer, de horror. — Os homens que nos atacaram durante a Oração da Primavera também eram soldados com Consumação, forçados a contratos de submissão com ele. Ele estava reclamando dos peões que perdeu, ao tentar me atacar, tanto agora quanto na primavera.
Meu testemunho como plebeia podia não ter significado nada, mas ser filha do Arquiduque mudou isso, quer eu fosse adotada ou não, sem mencionar que Sylvester nos acompanhou durante a Oração da Primavera. O conde Bindewald certamente desconhecia o fato, mas seu grupo atacou diretamente o Arquiduque.
— Fascinante. Parece que ele tem uma lista de crimes em seu nome. Conde Bindewald, você está preso. Seus crimes são entrar ilegalmente em minha cidade, atacando minha filha e seu guarda-costas — Sylvester disse, em um tom firme, que não deixou espaço para discussão. — Quanto ao misterioso ataque às carruagens durante a Oração da Primavera, eu estava lá com eles. Será tomado como uma declaração de guerra do Arquiduque do seu ducado. Você é um criminoso que perturbou muito a política inter-ducal. Você será interrogado, vou questionar Aub Ahrensbach sobre se ele pretende declarar guerra, e então seu destino será decidido. Pegue-o.
Karstedt fez sua varinha aparecer e a desceu em um golpe afiado, que enviou faixas de luz, exatamente como as que envolviam o Arcebispo, voando de sua ponta. Bindewald, com os olhos revirados e espuma borbulhando na boca, foi capturado sem qualquer resistência.
Karstedt, então, caminhou até a porta que levava ao Portão dos Nobres, a abriu e lançou um feixe de luz para o céu. O Portão dos Nobres se abriu e a Ordem dos Cavaleiros, aparentemente esperando atrás dele, marchou para dentro do templo para recuperar Bindewald e o inconsciente Damuel. Foi quando Sylvester, que os observava com o canto do olho, desviou o olhar para o Arcebispo.
— Sylvester, nem sabemos que mulher deu à luz Ferdinando. Não há necessidade de você prestar atenção à pessoas como ele. E como você foi enganado ao adotar uma plebeia desprezível como Myne? Não posso acreditar que uma criança como ela tenha corrompido o coração do Arquiduque de nosso ducado. Por favor, cancele a adoção imediatamente! — o Arcebispo disse, altivamente, do chão, ainda envolto em faixas de luz. — Este é o meu mais sincero aviso, como seu tio e você faria bem em ouvir.
Eu poderia dizer, pelas expressões exasperadas de Karstedt e Ferdinando, que esta não era a primeira vez que ele usava essa linha.
— Ferdinando pode ter nascido de uma mãe diferente, mas ainda é meu irmãozinho. Ele é habilidoso e trabalha duro. Não quero que você o despreze.
— Você não pode confiar em um parente mestiço! Minha irmã mais velha…
— Suas circunstâncias são suas. Nós somos diferentes.
O Sumo Sacerdote é meio-irmão do Arquiduque e filho do último Arquiduque? Ok, isso explica por que a Ordem dos Cavaleiros se ajoelharia para ele.
Seu passado me pegou de surpresa. Eu podia imaginar que o Arcebispo e a mãe de Sylvester estavam sempre tentando atrapalhar sua amizade. Talvez o Sumo Sacerdote tenha se juntado ao templo devido a algo assim.
— Você é meu sobrinho amado, Sylvester. O filho precioso de minha irmã mais velha. Não quero que você sofra nenhum infortúnio. Por favor, escute meu aviso, — o Arcebispo implorou como um velho desesperado.
Sylvester o olhou com olhos frios.
— Sou Aub Ehrenfest e não vou repetir o mesmo erro para sempre. Como Arquiduque, vou abandonar minha simpatia familiar e puni-lo de acordo com a lei.
— O quê? Verônica nunca vai aceitar isso!
Aparentemente, sempre que o Arcebispo infringia alguma lei, a mãe de Sylvester se envolvia e amenizava a situação de seu irmãozinho. Eu estava me perguntando por que ele sempre foi tão arrogante e agressivo, mas agora eu entendi. Ele realmente poderia fazer o que quisesse, enquanto tivesse a mãe do Arquiduque compensando sua falta de poder.
— Tio, você foi longe demais, dessa vez. Mamãe não pode mais protegê-lo. Ela também será acusada de falsificar documentos e ajudar em atos criminosos.
Parecia que Sylvester estaria acusando sua própria mãe para punir o Arcebispo. Eu poderia adivinhar que, no passado, sua mãe só tinha protegido o Arcebispo, nunca indo tão longe a ponto de cometer crimes que pudessem ser rastreados até ela. Mas, desta vez, ela desobedeceu às ordens do Arquiduque e falsificou documentos, para permitir a entrada de um estranho na cidade, um crime claro, independentemente de o Arquiduque ser ou não seu filho. Sylvester, sem dúvida, pretendia punir sua mãe e seu tio de uma só vez.
— Sylvester, você pretende transformar sua própria mãe em uma criminosa?! Você não vai escapar ileso de um ato tão horrível!
— E isso é culpa sua! — Sylvester latiu, depois que o Arcebispo gritou em protesto. — Você cometeu tantos crimes que eu não posso mais contá-los. A mãe protegeu você por amor todas às vezes, e agora chegou a isso. Você será executado, por seus incontáveis crimes, e mamãe ficará confinada em sua villa. Você não é necessário na minha política — ele concluiu, categoricamente.
A luz desapareceu dos olhos do Arcebispo e ele olhou para Sylvester com uma expressão pálida, como um fogo se extinguindo. Mas os Arquiduques não voltavam com sua palavra.
— Leve embora o Arcebispo e seus assistentes.
— Sim, Senhor!
Parecia que, assim como qualquer crime que eu cometia traria punição para minha família e assistentes, qualquer crime que o Arcebispo cometesse traria punição para seusassistentes. Os cavaleiros, chamados por Karstedt, primeiro pegaram o amarrado Arcebispo, depois foram ao seu quarto, para buscar seus assistentes. As donzelas do santuário na porta também foram capturadas, sendo uma delas Delia, que levantou a cabeça e olhou desesperadamente ao redor, em busca de ajuda.
Nossos olhos se encontraram por apenas um segundo. Ela baixou o olhar, com um sorriso derrotado, então estendeu Dirk.
— Irmã Myne, por favor, cuide de Dirk.
Sua testa franzida, olhos baixos e carranca trêmula, pareciam muito familiares. Ela tinha a mesma aparência quando me disse desejar que eu a tivesse salvado, também, quando comecei a reestruturar o orfanato.
Uma pontada aguda de dor perfurou meu coração. Eu tinha feito uma promessa a ela, na época: eu disse a ela que estaria lá, para ela, na próxima vez que ela estivesse em apuros, que eu a salvaria quando ela precisasse.
Pensei comigo mesma, então levantei minha cabeça.
— Senhor Sylvester, eu tenho um pedido.
— Vamos ouvir.
— Posso lhe pedir para não executar Delia?
— Por quê? — Sylvester perguntou, seus profundos olhos verdes já brilhando com interesse.
— Delia foi simplesmente enganada pelo Conde Bindewald e pelo Arcebispo. É verdade que ela cometeu muitos erros aqui, mas não estava agindo maliciosamente. Para não mencionar, ela foi apenas a assistente do Arcebispo por um breve período, e dada sua idade muito jovem, eu não acho que ela estava envolvida em suas atividades ilegais ou oferendas de flores.
— Hum. É verdade, mas ela estava aqui e envolvida no coração deste conflito, então ela não pode escapar da punição. Como filha do Arquiduque, mostre-me como você a julgaria. — Seu olhar deixou claro que ela seria executada, normalmente, se ele não estivesse satisfeito com a minha resposta, e engoli em seco, com a rigidez escondida dentro da diversão em seus olhos.
— Delia retornará ao orfanato, que ela jurou nunca mais visitar, se pudesse evitar.
— Isso é tudo?
— E, hum, ela não poderá se tornar assistente de ninguém. — Como a única saída do orfanato era ser levada como assistente de alguém, isso significava que ela permanecerá lá pelo resto de sua vida, forçada a ficar no orfanato, que ela tanto odiava, por muitos anos. Eu acredito que é uma punição mais do que suficiente para ela.
Sylvester olhou para Delia, viu o sangue escorrer de seu rosto e deu um pequeno aceno de cabeça.
— Parece que isso será um bom castigo para ela. Certo. Considere isso feito.
— Agradeço. Delia, agora você vai morar no orfanato. Seu trabalho será cuidar dos órfãos que são trazidos até nós, começando com Dirk.
— Entendido. — Delia apertou Dirk em um abraço, e sua expressão rígida suavizou um pouco.
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