Ascendance of a Bookworm — Capítulo 186: CAPÍTULO 186 - 185

Ascendance of a Bookworm
Cap. 186
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Ascendance of a Bookworm

CAPÍTULO 186 - 185

Capítulo 186

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Ascendance of a Bookworm – Capítulo 185

O novo eu

Os cavaleiros se movimentaram, amarrando o Arcebispo e seus assistentes, para levá-los embora. Perguntei se havia algo que eu pudesse fazer para ajudar, então vi Dirk, ainda desmaiado, nos braços de Delia.

— Hum, estou preocupada com Dirk. Se possível, gostaria de ir ao orfanato com Delia para informar Wilma das circunstâncias.

— Isso não é importante. Deixe outra pessoa cuidar disso — Sylvester respondeu, seus braços cruzados e pés firmemente plantados, enquanto ele olhava para mim. — A coisa mais importante aqui é descobrir o que vai acontecer com você, e nós nem começamos isso. Ferdinando, empreste-nos o seu quarto.

— Como quiser. Por favor, me dê um momento para me preparar. — O Sumo Sacerdote se virou, suavemente, e voltou para seu quarto, preparando-se para receber Sylvester, o Arquiduque.

Delia abraçou Dirk.

— Obrigada, Irmã Myne. Eu vou ficar bem sozinha. Adeus, — ela sussurrou, antes de começar a caminhar para o orfanato. Eu a observei ir.

— Você é o pai da Myne?

— Sim, senhor. Meu nome é Gunther.

Virei-me, para ver papai ajoelhado diante de Sylvester, que o olhava com uma expressão tão vazia, que eu não conseguia dizer o que ele estava pensando.

— Chame a sua família. Você é tudo que precisamos para terminar os papéis de adoção, mas vou dar a todos a oportunidade de dizer adeus.

— Isso é apreciado — papai disse, enquanto se levantava, suas pernas bambas e punhos cerrados com força. Ele também tinha uma expressão vazia, seu baixo status o impedindo de mostrar a tempestade de emoções furiosas em seu interior.

— Gunther, um momento. Vou pedir para alguém lhe mostrar o portão — Fran disse, enquanto se levantava também. Ele estremeceu de dor, então instruiu um padre cinza próximo, a guiar papai até o portão. Ele não se esqueceu de instruir alguém a esperar no portão também, já que papai voltaria com a família, em breve.

— Bem, parece que Ferdinando acabou. Vamos, Myne. — Sylvester começou a andar, assim que viu um dos assistentes do Sumo Sacerdote sair para nos chamar. Karstedt seguiu um passo atrás, tendo acabado de dar instruções à Ordem dos Cavaleiros. Quando comecei a ir também, Fran deu um passo ondulante para me acompanhar.

— Fran, você pode voltar para meus aposentos e descansar, se estiver com muita dor.

— Não, sou seu assistente principal, Irmã Myne. Não posso permitir que minha mestra enfrente sozinha uma discussão importante como essa — disse.

Não havia nada que eu pudesse fazer sobre a firme determinação em seus olhos. Permiti que ele me seguisse, e ele continuou andando, enquanto fazia o seu melhor para impedir que a dor aparecesse em seu rosto.

Uma vez na sala do Sumo Sacerdote, fui guiada até a mesa, que já havia sido preparada para os visitantes. Sentei-me no assento oferecido a mim, mas Sylvester e Karstedt foram até a mesa do Sumo Sacerdote para discutir algo.

— Estou feliz em vê-la bem depois de tudo isso, irmã Myne — disse Arno, gentilmente, enquanto empurrava um carrinho de servir com um jogo de chá para mim. Fran se moveu para ajudar, como de costume, mas soltou um grunhido de dor após tentar estender o braço. — Talvez você devesse voltar para o seu quarto, Fran? Você parece estar com muita dor, e ela tem outros assistentes que podem estar aqui — Arno murmurou, em tom de repreensão.

Eu não deveria me envolver com conversas entre assistentes, mas também estava preocupada com os ferimentos de Fran, e queria dar todo o meu apoio à sugestão de Arno.

— Não, devo ficar. Já pedi à Irmã Myne que me permitisse acompanhá-la até aqui.

— Você realmente não é flexível, Fran.

Isso mesmo, Arno! Continue dando nele! Faça Fran concordar em descansar!

Animei internamente Arno. Eu tinha deixado Fran se juntar a mim, já que ele sempre foi tão diligente e dedicado ao seu trabalho, mas realmente preferia que ele voltasse para seu quarto, para descansar.

— Não quero ouvir isso de você, Arno. Você poderia nos ter dito que o Sumo Sacerdote estava em seu quarto escondido, em vez de se ater à história de sua ausência. Sua flexibilidade teria sido muito apreciada — Fran reclamou, a frustração clara em sua voz.

Ele estava certo, realmente. Arno, às vezes, era mais inflexível do que provavelmente deveria ter sido. Talvez fosse só porque ele era o assistente do Sumo Sacerdote e todos eles acabaram assim. Eu dei um pequeno sorriso.

— O chá é tudo que precisamos. Saiam. — O Sumo Sacerdote esvaziou a sala, mandando todos os nossos assistentes para fora. Os únicos que restavam eram eu, o Sumo Sacerdote, Sylvester e Karstedt. Minha família acabaria se juntando a nós, mas, por enquanto, éramos apenas nós, membros-chave.

A personalidade de Arquiduque de Sylvester caiu, assim que os assistentes foram embora. Ele caiu exausto e abaixou a cabeça.

— Diabos, eu estou exausto. Não quero nunca mais colocar ninguém da minha família em julgamento, novamente.

— As coisas vão ficar muito mais fáceis para nós depois disso. Por enquanto, lembre-se que ainda não acabou. Mantenha a postura — disse Karstedt, dando um tapa nas costas do caído Sylvester.

Sylvester curvou os lábios em uma carranca e lançou um olhar em minha direção.

— Karstedt, pense nisso. Qual é o sentido de agir grandiosamente, na frente de Myne, neste momento? Ela já me entende.

— Se você será o pai adotivo dela, você tem que ser picante, pelo menos no começo — Karstedt repreendeu. Ele honestamente parecia que seria um pai adotivo muito mais confiável do que Sylvester, eu pensei pela milésima vez, enquanto assistia suas idas e vindas.

— Se o Arcebispo é seu tio, e o Sumo Sacerdote, com quem você é tão amigo, é seu meio-irmão de outra mãe, é seguro dizer que você também é parente do Senhor Karstedt pelo sangue? — Perguntei. Karstedt estava perto o suficiente de Sylvester para bater nele, oArquiduque, na cabeça, ao lado do Sumo Sacerdote. Era mais provável que ele fosse um parente de sangue também.

— Sim, Karstedt é meu primo, o filho do irmão mais velho do meu pai.

— Irmão mais velho? Espere, então como a sucessão é determinada aqui? — Aparentemente, não era determinada pela idade. Talvez o filho mais novo assumiu?

Quando pisquei surpresa, Sylvester me olhou com uma expressão perplexa. — Pelo que mais seria se não pela mana? A coisa mais importante para quem governa um ducado é ter mana suficiente para mantê-lo firme, então os sucessores, geralmente, são escolhidos entre os filhos da primeira esposa, especialmente porque ela terá muita influência política, por meio de seu lado da família.

— Entendo. Mesmo Arquiduques precisam de mana.

— Eu esqueci, já que você fala com a gente como se não fosse nada, mas você realmente não sabe nada sobre esse lugar, hein?

O que era bom senso para os nobres, nem era conhecido pelos adultos nascidos e criados na cidade baixa, então seria bastante irracional esperar que eu soubesse dessas coisas. Eu fiz beicinho, e Sylvester endureceu sua expressão, enquanto ainda estava caído.

— Myne, vamos ser um pouco sérios, por um segundo.

— Okay.

— A adoção foi mais ou menos concluída, quando você carimbou seu sangue no colar de contrato que eu lhe dei, mas vamos precisar fazer alguns truques, para garantir que isso realmente funcione.

Aparentemente, eles primeiro me passariam por filha de Karstedt e depois Sylvester me adotaria. Era como lavagem de dinheiro, mas com a identidade.

— Existe algum significado para eu me tornar filha de Karstedt?

— Absolutamente! Você não percebe que há uma grande diferença entre uma plebeia ser adotada pelo Arquiduque e a filha de um nobre superior, descendente de um ex-Arquiduque, ser adotada pelo Arquiduque?

— É verdade, mas qual é o sentido, quando tantos da Ordem dos Cavaleiros já sabem que sou uma plebeia?

Eles seriam capazes de estabelecer uma conexão entre a sacerdotisa plebeia, vestida de azul, e a filha adotiva do Arquiduque, no segundo em que me vissem. Certamente, eles iriam questionar de onde veio todo esse negócio de eu ser filha de Karstedt.

— Isso é apenas a Ordem dos Cavaleiros. Karstedt e Ferdinando podem cuidar disso. A história vai ser que você é a filha amada de Karstedt.

— Hum, “a história”? Não vejo como isso não será percebido imediatamente. Eu sou a louca aqui? — Havia cerca de vinte cavaleiros, que me viram durante o extermínio de trombe. Era tarde demais para começar a dizer que eu era filha de Karstedt, se você me perguntasse.

— Nah, é surpreendentemente fácil mexer com a memória das pessoas. Karstedt adorava sua terceira esposa, agora morta, e você é filha dela, — disse Sylvester, categoricamente, com um aceno de cabeça.

— A filha de sua terceira esposa?

— Sim… A terceira esposa de Karstedt era de uma origem nobre intermediária, mas possuía uma riqueza de mana. Isso levou suas duas primeiras esposas, que eram nobres superiores, a importuná-la implacavelmente.

Uau, essa história inventada está começando a soar como uma novela. Quão a sério eu deveria estar levando isso?

— Ela morreu pouco depois de dar à luz a você, e, para salvá-la do mesmo destino que sua mãe, Karstedt a fez desaparecer no templo. Ele escondeu sua origem, por questões de segurança. Meu tio não sabia, por isso, disse que você era uma plebeia. Ele enganou inúmeras pessoas com suas reclamações e, devido às suas mentiras, um cavaleiro inocente acabou sendo executado. Os crimes do meu tio não têm limites.

A lista de crimes do Arcebispo continua ficando maior, com coisas que ele não fez! Meu queixo caiu com a audácia de Sylvester, e, depois de um segundo, piscando de surpresa, eu olhei para Karstedt e o Sumo Sacerdote. Ambos pareciam exasperados.

— Mas o Senhor Karstedt e eu deixamos claro que era nosso primeiro encontro, durante o extermínio de trombe.

— Claro que o comandante da Ordem dos Cavaleiros manterá sua vida privada e pública separadas. Nenhum comandante ficaria amigo de sua filha secreta durante uma missão. Só temos que dizer que ele estava fazendo seu trabalho corretamente. — Sylvester parecia decidido a manter essa história, mas parecia difícil acreditar que alguém compraria algo assim. Simplesmente não fazia sentido, e, como não podia acreditar em Sylvester, recorri ao Sumo Sacerdote, para me tranquilizar.

— Uma história mal feita como essa, duraria na sociedade nobre?

— Myne, você pode não se lembrar disso, mas Christine estava no templo por razões bastante semelhantes.

As palavras frias do Sumo Sacerdote trouxeram as memórias de volta. Minha principal impressão de Christine, era que ela era uma sacerdotisa artística e ex-mestra de Wilma e Rosina, mas eu parecia me lembrar de algo sobre ela ser filha de um nobre, que foi criada no templo porque a primeira esposa de seu pai não gostava dela. Ele havia enviado dinheiro e tutores para que ela pudesse ser bem-vinda de volta à sociedade nobre quando fosse mais seguro para ela.

— Bem, um exemplo vivo faz a história parecer mais crível. Mas você realmente quer uma filha com esse tipo de experiência, Senhor Karstedt?

— Não me incomoda. Muitas vezes, antes, eu desejei ter uma filha com Rozemary, antes dela falecer.

Como se viu, ele realmente tinha uma terceira esposa que, aparentemente, morreu após ser intimidada por suas outras esposas.

Serei assediada assim que me tornar uma nobre?

— Ah. Bem, se você está bem com isso, Senhor Karstedt, eu também estou. Mas não seria estranho apresentar uma criança tanto tempo depois do nascimento? As pessoas não celebram as crianças quando elas nascem?

Quando Kamil nasceu, a primeira coisa que fizemos foi dar uma festa e mostrá-lo a todos que podíamos. Ouvi dizer que isso era para que o maior número possível de pessoas se lembrasse de quando ele nasceu, já que este mundo não tinha registros de nascimento, mas talvez os nobres fossem diferentes.

Karstedt foi quem respondeu à minha pergunta. Ele colocou a mão no queixo e estreitou os olhos um pouco, como se estivesse pensando nas coisas de todas as perspectivas possíveis.

— Celebramos os nascimentos dos filhos das primeiras esposas, mas é comum não se incomodar em informar aos outros sobre os nascimentos entre segundas e terceiras esposas. Na sociedade nobre, é somente no batismo que as crianças são apresentadas como membros da família. Poucos sabem quantos filhos alguém tem, a menos que sejam particularmente próximos.

— Ah, entendi. — Balancei a cabeça, para mim mesma, momento em que o Sumo Sacerdote continuou, com um leve sorriso.

— O motivo sendo, as crianças que não têm mana condizente com sua família, são adotadas por famílias menores, antes de seu batismo, ou enviadas ao templo. Quanto mais alto um nobre é classificado, menos razão há para eles anunciarem um nascimento antes de terem certeza de que a criança tem mana suficiente para eles.

Caramba! A sociedade nobre é realmente aterrorizante! Parecia ser construída inteiramente em torno de ter mana, e minha criação na cidade baixa seria totalmente irrelevante lá. Houve muito choque cultural, só de ingressar no templo, mas eu já podia dizer que ingressar na sociedade nobre seria muito pior.

— Então, — acrescentou Sylvester — se você quer criar seu filho como um nobre, o último momento que você pode esperar para revelá-lo é o batismo. Karstedt usará seu batismo para anunciar que você nasceu com uma quantidade extraordinária de mana, assim como sua mãe, e que está adotando você. Dessa forma, ele poderia dar à sua amada filha a posição que ela merece, enquanto a protege de suas esposas. E essa é a história. O que acha disso?

Balancei a cabeça, pensando em tudo que ele tinha acabado de me dizer.

— Então a sociedade nobre realmente é como uma (novela). Posso transformar essa história em um livro?

— Você pode incluí-la em sua autobiografia, se você escrever uma.

— Ah. Acho que vou passar, obrigada.

Eu sou apenas uma garotinha muito fraca que gosta de ler livros. Jamais escreverei uma autobiografia. Rejeitei a ideia imediatamente, ganhando um sorriso de Sylvester e um comentário de que, já que ele havia se esforçado para pensar na história, poderíamos espalhar pelo mundo.

— De qualquer forma, vamos realizar sua cerimônia de batismo neste verão. Acontecerá na mansão de Karstedt e anunciaremos sua adoção para mim, ao mesmo tempo. Karstedt, quando é uma boa hora para você?

— Como soa logo antes da Cerimônia do Nó das Estrelas? Precisaremos de tempo para nos preparar para o batismo: roupas, comida, convites e coisas do tipo, — disse Karstedt.

O Sumo Sacerdote afundou em seus pensamentos, depois balançou a cabeça.

— Eu acredito que seria melhor planejar a cerimônia alguns dias antes, em vez de logo antes da Cerimônia do Nó das Estrelas. Considerando a saúde ruim de Myne, nunca podemos ter certeza de quando ela pode acabar acamada. Precisamos de tempo extra para ficar de olho nela.

— Entendo, precisaremos de um intervalo para o caso dela ficar doente. Hum. Preparar-se cedo dificultará as coisas — disse Karstedt, com uma carranca perturbada.

— Karstedt, convide o máximo de pessoas que puder para a cerimônia de batismo. Já que anunciaremos a adoção ao mesmo tempo, quanto mais pessoas estiverem presentes, melhor.

— Ah, isso me lembra. Você faria bem em designar à ela uma tutora de etiqueta, antes do batismo, Karstedt. Ela conhece os fundamentos, graças à instrução de seus assistentes, mas nunca teve um professor adequado.

Os três estavam me ignorando, avançando firmemente seus planos, enquanto eu estava sentada ali, atordoada.

— Hum, mas eu já tive minha cerimônia de batismo um ano inteiro atrás. Isso não significa que estaremos mentindo sobre a minha idade? — Os batismos eram realizados aos sete anos, e o meu aconteceu há um ano.

Não quero ter outro e voltar a ter sete anos. É como repetir de ano na escola e ficar para trás.

Apertei meus lábios em um beicinho, e Sylvester olhou para mim, com seus olhos verdes profundos.

— Não reclame da diferença de um único ano. Isso é para garantir que você se encaixe diretamente na sociedade nobre, e considerando o quão jovem você parece, podemos, honestamente, até mesmo nos safar e adiar o batismo por um ano inteiro, sem problemas.

— Um ano inteiro? Agora você só está sendo mau. Estou ficando maior, sabe!

Como era essencial que eu fosse aceita na sociedade nobre, voltar aos sete anos de idade já estava imutável. Eles ignoraram minha frustração e continuaram a discussão.

— De qualquer forma, sobre sua vida depois do batismo… Você estará participando de assuntos nobres, como a filha do Arquiduque, eu, e quando nada estiver acontecendo, você passará seu tempo no templo. Assim como Ferdinando, na verdade.

— O quê?! — Isso soou como um estilo de vida tão ocupado que eu realmente senti meu rosto se contorcer de medo.

— Com todos os nossos problemas de mana, seria colocar um fardo muito grande sobre Ferdinando, tirá-la completamente do templo. Sem mencionar sua oficina. O plano é assumirmos a produção dos seus livros como negócio oficial do ducado, mas serão as pessoas da cidade baixa que realmente farão os livros. Será mais fácil para mim, fazer as coisas acontecerem se você mantiver suas conexões existentes com a cidade baixa. Já conversei sobre isso com a Companhia Gilberta — disse Sylvester, com o sorriso malicioso de alguém que tinha uma tonelada de ferros no fogo.

Quando isso aconteceu? Eu pensei, então me lembrei de Benno sendo arrastado por Sylvester, durante sua turnê de oficina e como ele estava completamente esgotado depois.

Boa sorte, Benno. Você tem o meu apoio!

— Humm, então, em suma, depois do meu segundo batismo, vou fazer três papéis ao mesmo tempo? Eu serei a filha do Arquiduque, uma aprendiz de donzela azul do santuário, e uma capataz? Isso vai ser exaustivo — eu disse, enquanto contava meus papéis nos dedos.

Sylvester balançou a cabeça.

— Não exatamente. Você não será mais uma aprendiz de donzela de santuário. Você será o Arcebispo.

— O quê? — perguntei, inclinando a cabeça para Sylvester. Eu provavelmente o tinha ouvido mal. Eu definitivamente tinha acabado de ouvi-lo mal. Ahhhhh, como sou boba, realmente preciso trabalhar na minha audição.

Enquanto eu tentava evitar a realidade, Sylvester soltou um suspiro.

— Ninguém vai querer suceder um Arcebispo, que abusou de seu poder, e acabou sendo executado. Tudo o que eles fizerem estará sob escrutínio, o que significa que não haverá espaço para qualquer comportamento legalmente questionável. É um trabalho sem nada que faça valer a pena. Além disso, vem com a filha do Arquiduque e meio-irmão. Quem assumiria o trabalho sabendo que isso desgastaria mais sua sanidade a cada dia?

— Hum, hum. Mas, nesse caso, o Sumo Sacerdote não deveria ser o Arcebispo? Ele é muito mais adequado para o trabalho do que eu, — eu disse, lançando um olhar para ele, mas Sylvester apenas deu um encolher de ombros, exasperado.

— De uma perspectiva externa, realmente não importa qual de vocês aceita o trabalho, mas o trabalho real, que se espera de vocês dois, é totalmente diferente. Ferdinando está no seu melhor, fazendo o trabalho duro e mantendo todos os sacerdotes juntos. Você nunca duraria como Arcebispo, Myne.

Era verdade que os deveres do Sumo Sacerdote cobriam muito terreno. Se você me perguntasse se eu poderia fazer o trabalho dele, a resposta seria um firme não. Mas o Arcebispo era a mais alta autoridade no templo. Aqueles eram sapatos grandes demais para eu preencher.

— Eu não posso ser o Arcebispo. Eu sou uma criança que só teve seu batismo no ano passado.

— Meu fracassado tio gerenciou isso. Você vai ficar bem. Tudo que você tem que fazer é sentar e deixar as coisas acontecerem. Honestamente, considerando que tudo o que meu tio fez foi infringir a lei, você será um Arcebispo melhor do que ele apenas por não fazer nada. Claro que é bom suceder um fracassado — disse Sylvester, mas não achei que esse fosse o problema.

Enquanto me debatia, nervosamente, o Sumo Sacerdote bateu em sua têmpora e começou a falar.

— Certamente será muito mais fácil trabalhar sem que aquele imbecil fique no meu caminho. Só isso é suficiente para eu receber Myne como Arcebispo. Eu mesmo estarei lidando com a maior parte do trabalho difícil, mas Myne está sempre mais do que disposta a ajudar, quando solicitada. Prefiro tê-la aqui do que a um certo alguém, que empurra todo o seu trabalho para os outros e depois desaparece — disse ele, o tempo todo olhando diretamente para esse certo alguém.

Sylvester bufou e disse que poderia se sentir à vontade para continuar me fazendo trabalhar até os ossos, como se já não fosse assim. Ignorei o comentário rude de Sylvester e decidi apenas agradecer ao Sumo Sacerdote, por seu gentil elogio.

— Myne, você realmente acha que deveria estar me tratando assim? Eu ia deixar você continuar usando os aposentos do diretor, como agradecimento por assumir o cargo, e ia fechar os olhos para você, às vezes, encontrar plebeus lá, mas não tenho tanta certeza agora.

— Senhor Sylvester, eu te amo. — Enrolei meus dedos em um coração, na frente do meu peito, os olhos brilhando.

Karstedt cutucou Sylvester na lateral da cabeça.

— Ele está fazendo parecer que está fazendo um favor a você, mas não se engane. Ele está apenas planejando transformar o templo em sua base para que possa passear pela cidade baixa.

— Wow?!

— Karstedt, você faz parecer muito pior do que realmente é. Estou adotando a filha amada do meu primo. Por que eu não iria querer visitá-la? — Sylvester perguntou, com uma expressão séria, mas, em uma inspeção significativamente mais próxima, mostrava escrito, em todo o seu rosto, que ele só queria ir caçar novamente. Sem dúvida, seu plano aqui era apenas tornar mais fácil para ele ir brincar na cidade baixa.

— Sylvester, você vai deixar Myne lidar com plebeus? Eu acho que isso é muito perigoso, considerando que ela será filha de Karstedt — comentou o Sumo Sacerdote, com cautela.

— Se vamos aumentar a criação de livros como uma empresa estatal, precisamos de conexões com a Companhia Gilberta. Você sabe quão trabalhoso seria para esmagar aquela loja e construir uma nova a partir do zero? — Sylvester respondeu, casualmente.

— Hum… Você vai esmagar a Companhia Gilberta?

— Não tire conclusões precipitadas. Não estou planejando fazer nada com eles. O dono dela é rápido na tomada de decisões, e ele sabe como manter um segredo. Surpreendentemente, poucas pessoas sabem quem você realmente é, Myne, e a maioria daqueles que sabem, são funcionários da Companhia Gilberta. Todo mundo pensa que você é filha de Benno, ou apenas uma garota rica, então não haverá nenhum problema em dizermos que você era nobre o tempo todo.

Embora os livros fossem produzidos sob a autoridade do Arquiduque, seriam meus Gutenbergs que realmente os fariam, comigo em seu centro. Como tal, era mais conveniente manter um lugar que os plebeus pudessem entrar livremente do que constantemente ter que convocá-los todos para o Bairro dos Nobres.

— Você pode encontrar plebeus em seus aposentos, assim como você tem feito — disse Sylvester, e meu rosto se iluminou. — Mas você não terá permissão para encontrar sua família como família. Você se tornará filha de Karstedt e minha filha adotiva. É importante que você deixe sua antiga família, para que possa se juntar à nossa. Se você não puder fazer isso, não posso permitir que você encontre sua família, novamente.

Meu rosto escureceu imediatamente. Era como se um arrepio tivesse sido enviado através do meu coração. Eu não tinha certeza se deveria estar feliz por ter permissão para vê-los, ou com medo de que isso apenas fizesse doer ainda mais.

— Não haverá problema em seu pai, soldado, acompanhá-la como guarda enquanto você viaja, ou ter sua irmã mais velha envolvida com a fabricação de papel. As relações de trabalho são boas. Mas eu vou fazer você jurar, através de um contrato mágico, que você não vai mais chamar um ao outro de família — disse Sylvester. Ele olhou para mim, com os olhos duros, e eu podia sentir meu coração batendo dolorosamente no meu peito.

Fim da leitura

Capítulo 186 concluído

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