Ascendance of a BookwormCAPÍTULO 187 - 186
Capítulo 187Ascendance of a Bookworm – Capítulo 186
Laços Cortados
— Se você for batizada como filha de Karstedt, precisará de um novo nome — o Sumo Sacerdote propôs, quebrando o silêncio que havia caído sobre a sala. Pisquei em confusão, não seguindo a lógica dele.
— Um novo nome?
— Sim, seu nome atual não parece muito bom, — Sylvester concordou.
Aparentemente, os nobres precisavam ter nomes longos, não curtos, o que significava que todos os nobres que eu encontraria em breve, contra minha vontade, teriam nomes longos. Honestamente, eu não tinha fé que seria capaz de lembrar de todos eles.
Mas me lembrei de todos esses nomes de Deuses, então, talvez tudo ficasse bem? Pelo menos, espero que fique.
— Idealmente, será algo que pode ser encurtado para “Myne”, como um apelido. Isso ajudará a explicar qualquer um da Companhia Gilberta usando seu antigo nome, por acidente. Myne, alguma preferência aqui? — Sylvester perguntou.
Tentei pensar em um novo nome que incorporasse “Myne”, mas, infelizmente, nada me veio imediatamente à mente.
— Tudo o que consigo pensar são nomes terríveis como “Mynenigou”, “Aratamyne” e “Akaimyne”.
— Tudo isso soa muito estranho. Imagino que cada um deles tenha algum significado particular para você? — o Sumo Sacerdote perguntou com uma carranca confusa. Como ele esperava, eu estava usando o japonês dos meus dias em Urano, então ninguém entendeu o que eu estava tentando dizer.
— Eles significam “Myne Dois”, “Nova Myne” e “Myne Vermelha”, respectivamente.
— Por que “Myne vermelha” é uma de suas sugestões? Sua cor seria azul, com base em seu nascimento, azul da meia-noite, com base em seu cabelo, ou dourado, com base em seus olhos. De onde você está tirando o vermelho?
— Eu realmente não entendo isso, mas as versões vermelhas das pessoas tendem a ser, tipo, mais fortes ou mais rápidas.
Sylvester me deu um olhar estranho, mas eu estava baseando isso em algo que meu amigo de infância, dos meus dias de Urano, havia me dito, então, eu, realmente, não tinha uma compreensão forte do conceito. Minha mãe acreditava fielmente que a “lingerie vermelha da sorte” era o boom de seu dia, de modo que foi, provavelmente, uma das razões que eu, subconscientemente, associei a cor com a força.
Aliás, a lingerie vermelha era, supostamente, boa para usar quando as apostas eram altas. Minha mãe tinha me dado um par para o meu exame de admissão na faculdade, mas eu estava muito envergonhada por seu amor maternal para realmente usá-las. Felizmente, passei no exame, de qualquer maneira, e, embora isso fizesse a fé da minha mãe em lingeries vermelhas crescer ainda mais, eu estava usando lingeries azul-claro, na hora.
Sinto muito por ter sido uma filha tão ruim.
Enquanto meus pensamentos vagavam, os olhos de Sylvester se abriram, em choque, com a minha declaração.
— Espera um segundo. Sou eu quem está confuso aqui. Vermelho é uma cor forte? Se estamos falando de força, o que mais há além do azul, a cor divina de Leidenschaft?!
Karstedt apoiou a mão na testa e seu rosto pareceu turvar um pouco.
— Vermelho é a cor divina de Geduldh, a Deusa da Terra. Representa calor e compaixão, que é feminina, mas não exatamente o que você parece ter procurado.
Wow, okay. Acho que é o que acontece quando se tem duas culturas diferentes, que se desenvolveram independentemente.
Meu objetivo era imaginar um novo eu, mais forte e saudável do que nunca, mas isso não chegava a ninguém.
O Sumo Sacerdote olhou para mim, batendo um dedo contra sua têmpora.
— Você deve saber que força e velocidade são inadequadas para o nome de uma mulher. Sua falta de bom senso surpreende mais uma vez. Preciso lembrá-la que este é o nome que você vai usar para o resto de sua vida? Pense mais, idiota.
— Sinto muito. Mas, honestamente, eu realmente não sei que tipo de nomes os nobres costumam ter, ou de que maneira eles são dados, então estou meio perdida aqui.
Ao criar nomes no Japão, às vezes pegávamos emprestado partes do nome de um pai, pedíamos ao templo local que decidisse ou baseávamos o nome em alguma tradição familiar particular. Eu não tinha ideia de como os nomes eram decididos aqui, e quando eu pedi detalhes, Sylvester, Karstedt e o Sumo Sacerdote pareciam confusos.
— Algumas pessoas levam nomes de seus ancestrais ou grandes pessoas da história, mas realmente não há regras, além disso — explicou Sylvester. Acenei com a cabeça, intrigada, enquanto Karstedt esfregava o queixo, em pensamento, depois levantou a cabeça, para olhar para mim.
— Se pedíssemos emprestado o nome de um de seus pais e se nos inspirássemos no“Roze” em “Rozemary” e a chamássemos de “Rozemyne”?
— Uau! Isso soa como o nome de uma garota nobre. Eu gosto muito. É muito mais bonito e mais feminino do que qualquer coisa que eu poderia ter inventado.
— Parece que você precisará trabalhar para desenvolver um senso de estética melhor, Myne, — disse o Sumo Sacerdote, com uma risada baixa, antes de se levantar. Parecia que ele estaria escrevendo tanto o contrato mágico para mudar meu nome quanto o contrato discutido anteriormente, antes que meus pais chegassem.
Não muito depois que ele terminou, ouvimos o soar de um pequeno sino lá fora.
— Vocês podem entrar — permitiu o Sumo Sacerdote, e um assistente, que estava esperando do lado de fora, abriu a porta. Fran guiou os visitantes para dentro, enquanto Arno anunciava sua chegada, com longas frases nobres. Tuuli estava de mãos dadas com papai, e mamãe estava carregando Kamil em uma tipoia.
— Myne! — Tuuli soltou a mão de papai e correu em minha direção, radiante, enquanto pulava em meus braços.
— Tuuli. — Eu a abracei de volta, e após um aperto forte, ela me soltou e começou a se certificar de que eu não estava ferida em nenhum lugar.
— Papai ficou super machucado e veio nos pegar, com um olhar assustador no rosto. Ele até disse que mamãe tinha que trazer Kamil para o templo, então eu estava realmente com medo que algo tivesse acontecido com você, Myne. Estou tão feliz que você esteja a salvo.
Tuuli, em toda a sua inocência, ficou feliz em ver que eu estava segura, mas mamãe entendeu a situação assim que viu o Sumo Sacerdote e os outros nobres na sala. Ela fechou os olhos, angustiada, enquanto se ajoelhava, Kamil em seus braços.
— Tuuli, há nobres aqui. Você precisa se ajoelhar.
Papai disse, colocando a mão firme no ombro de Tuuli, enquanto ele mesmo o fazia. Tuuli piscou de surpresa e olhou ao redor da sala, e, no momento em que viu os três homens bem vestidos sentados calmamente à mesa, ela se ajoelhou, apressadamente, também.
— Arno e Fran, saiam. — O Sumo Sacerdote limpou a sala, tirando os sacerdotes cinzentos que guiaram minha família para dentro. A porta se fechou, com força, e Sylvester, a mais alta autoridade na sala, acenou com a mão.
— Sentem-se. Eu permito que vocês falem.
— É uma honra, senhor. — Papai deu continência de soldado, antes de se sentar à mesa. Mamãe fez o mesmo, caminhando até um lugar vazio. Tuuli olhou em volta ansiosamente, sentindo as faíscas no ar, depois sentou-se ao meu lado.
Sylvester cruzou as pernas e exalou, antes de começar a falar.
— A situação exigiu que eu adotasse Myne e a tomasse como minha filha.
— Entendido.
— Façam com que a plebeia Myne tenha morrido aqui.
Tuuli ergueu a cabeça e olhou para mim, o rosto pálido.
— Isso é minha culpa?! Você foi atacada porque eu vim te pegar, certo?!
— Não, Tuuli. O culpado estava dentro do templo o tempo todo, então eu teria sido atacada mesmo se você não tivesse vindo me pegar.
Expliquei desesperadamente a situação, da melhor maneira possível, para que Tuuli não se culpasse. Eu disse a ela como tinha ficado tão perigoso, que eu precisei atacar um nobre, que era um crime que colocaria minha família e assistentes em perigo, também.
— Se isso é culpa de alguém, é minha, por envolvê-la nisso. Foi assustador, não foi, Tuuli?
— Foi assustador. Foi, mas adoção? — Tuuli olhou para o chão, lágrimas escorrendo de seus olhos. Estendi a mão e acariciei seu cabelo.
Sylvester olhou para Tuuli, uma careta dolorosa aparecendo em seu rosto por apenas um breve momento, antes de falar baixinho, com a expressão dura de um Arquiduque.
— Myne precisa ser filha de um nobre superior para que eu possa adotá-la. Você, a família dela, está complicando isso. Considerei executar todos vocês, para amarrar quaisquer pontas soltas, mas, já que isso, sem dúvida, deixaria Myne em um surto, decidi poupar suas vidas. No entanto, isso não muda que vocês não podem se encontrar como uma família nunca mais.
A declaração firme de Sylvester deixou todos da minha família ofegantes, em choque. Eles olharam para ele, com olhos arregalados, os lábios tremendo.
— O Ateliê da Myne continuará a existir e produzirá papel, livros e outros produtos. Ela também permanecerá na posse de seus aposentos no templo, então, se assinarem este contrato, poderão encontrá-la, a negócios. É tudo o que posso permitir. — Sylvester estendeu o papel mágico que estava sendo usado para nosso contrato mágico. Era o que o Sumo Sacerdote acabara de fazer.
— Myne, leia isso para eles. Eles confiarão em você mais do que em qualquer um de nós.
A maioria dos plebeus não sabia ler, o que levou a mais de alguns casos de pessoas sendo enganadas para assinar contratos desfavoráveis. Ouvi dizer que havia até comerciantes que sofreram grandes perdas, depois de não entender os eufemismos enganosos que os nobres haviam escorregado em seus contratos. Por isso, era importante para os analfabetos ter alguém em quem pudessem confiar, disponível para ler para eles.
Levantei-me e me dirigi para a parte da mesa onde a caneta e a tinta estavam alinhadas. Sylvester, Karstedt e o Sumo Sacerdote estavam à minha esquerda, enquanto minha família estava sentada à minha direita. Peguei o contrato, enquanto olhava para todos, depois franzi a testa. Doeu tanto, tanto, que tivesse que ler em voz alta um contrato feito para me separar da minha família.
— Myne será anunciada como morta. Doravante, nenhuma das partes poderá reconhecer a outra como família, caso se encontrem. Myne deve ser tratada como se trataria um nobre. Assim são os termos deste contrato.
Coloquei o papel na mesa e vi Tuuli, que estava sentada longe de mim, começar a chorar novamente.
— Se eu assinar isso, significa que você não será mais minha irmãzinha, Myne?
— Não seremos irmãs mesmo que você não assine.
O contrato estava lá, principalmente, para nos permitir continuar nos vendo. Minha adoção aconteceria de qualquer maneira.
— Eu não quero isso!
— Nem eu, mas não quero colocá-laemmais perigo. Você sobreviveu desta vez, mas, talvez, não sobreviva na próxima. Eles podem até ir atrás da mamãe e do Kamil. Tudo por minha causa.
Um olhar assombrado cruzou o rosto já pálido de Tuuli. Ela deve ter se lembrado do medo que sentiu ao ser sequestrada. Não havia muito tempo desde que uma faca havia sido segurada em sua garganta. Só fazia sentido que ela tivesse medo.
— Não quero continuar colocando minha família em perigo. Por favor, entenda, Tuuli. Isso é para o seu bem.
— Mas… — Tuuli mordeu o lábio e gemeu, incapaz de concordar comigo. Eu queria chorar também. Minha visão ficou turva e uma lágrima rolou pela minha bochecha.
— Tuuli, por favor. Escreva seu nome nele. Senão o fizer, nunca mais nos veremos. Mesmo que paremos de ser família, mesmo que eu não possa te chamar de irmã mais velha, eu, pelo menos, quero continuar te vendo. Não quero que isso seja um adeus para sempre.
— O quê? — Tuuli olhou para mim, de olhos arregalados, depois se levantou, abruptamente, e correu em minha direção, as lágrimas correndo atrás dela, enquanto ela corria. Eu imediatamente me agarrei a ela.
— Farei o meu melhor para fazer livros e brinquedos para você e Kamil, ok? Venha me visitar no templo e nos meus aposentos. Deixe-me ver você. Eu quero saber como você está.
— Myne. Não chore. — Tuuli apertou os braços em volta de mim e falou com uma voz embargada, parando, enquanto ela tentava sufocar suas lágrimas. — Eu vou visitá-la no templo. Vou trabalhar duro e aprender a ler, para que eu possa ler seus livros. Okay?
— Uhrum. Eu quero que você venha me visitar, e depois leve os brinquedos e livros de volta para casa, com você. Kamil não pode vir ao templo até seu batismo, então preciso que lhe dê meus presentes, por mim.
Olhei para Tuuli, e seu calor forçou minha carranca perturbada em um sorriso.
Tuuli limpou o ranho de seu nariz, enquanto ela respondia.
— Com certeza. Eu definitivamente vou dar-lhe seus presentes.
— Além disso, você está entrando na oficina de Corinna, certo? Se você trabalhar duro e se tornar uma costureira de primeira, vou pedir minhas roupas de você. Eu quero que você faça minhas roupas um dia, Tuuli.
Meu pedido restaurou a luz nos olhos vermelhos, inchados, de Tuuli, e ela me deu um aceno firme.
— Prometo. Eu vou fazer suas roupas, não importa o quê.
— Eu te amo, Tuuli. Estou tão orgulhosa de ter uma irmã mais velha como você.
Nos abraçamos mais uma vez, então Tuuli assinou o contrato mágico, soluçando o tempo todo. Parecia um pouco irônico que as letras que ela trabalhou tanto para aprender, durante o inverno, seriam úteis aqui.
Ela pegou a faca e cortou o dedo, para fazer a impressão digital. Sua parte feita, ela voltou para seu assento, ainda sufocando soluços, na volta.
— Myne. — Mamãe levantou-se da cadeira, entregando Kamil, em sua tipoia, para o papai. Ela ajoelhou-se ao meu lado, eu estando ao lado do contrato, e, de joelhos, me envolveu em um abraço caloroso. Talvez, devido ao cheiro de leite, eu estava envolta por um doce e nostálgico perfume, enquanto enrolava meus braços em volta dela, também.
— Mamãe — Não conseguia pensar no que dizer, enquanto a abraçava. Eu estava lá em silêncio, e mamãe sussurrou para mim, em um tom conturbado.
— É muito cedo para você deixar seus pais.
— Sinto muito, mamãe.
Ela estava me segurando tão perto, que eu podia ouvir seus batimentos cardíacos, enquanto ela falava. Ela acariciou meu cabelo, como normalmente faria à noite, quando iamos para a cama, e começou a me dar sua lista habitual de avisos.
— Tome cuidado, Myne. Você sempre adoece facilmente. Peça ajuda às pessoas ao seu redor, quando precisar. Ouça o que eles dizem, para que você não continue sendo um problema para todos eles. E não se cobre e faça as coisas sozinha. Ajude onde puder, mas não confie muito nos outros. E…
Normalmente, eu já teria parado de prestar atenção, mas a percepção de que eu nunca a ouviria me dar sermão assim, de novo, fez meu coração afundar. Eu acenei com a cabeça, ainda me agarrando a ela, e ouvi cada palavra, mas ela estava falando tanto que, eventualmente, ela começou a se repetir. Quase me fez rir.
— E finalmente, uma última coisa.
— Ainda há outra coisa? — Olhei para cima e dei uma risada. O próprio sorriso da mamãe quebrou, e pude sentir as lágrimas dela escorrendo no meu rosto.
— Não se force muito. Fique segura e feliz. Eu te amo, Myne. Minha preciosa Myne.
— Eu também te amo, mamãe.
Mamãe me deixou abraçá-la por mais um tempo, então lentamente me soltou e se levantou.
— Mamãe, você precisa de mim para… Você precisa de mim para escrever seu nome? — Papai podia assinar seu nome, graças ao trabalho, e eu tinha ensinado Tuuli a escrever enquanto ela estudava no templo. Não achei que mamãe soubesse escrever, mas ela lentamente balançou a cabeça com a minha oferta.
— Eu estudei com Tuuli durante o inverno. Eu queria ler as cartas que você escreveu também. Não é muito, mas posso escrever os nomes de todos agora. — Mamãe deu um sorriso constrangido e pegou a caneta, antes de escrever seu nome e o de Kamil, com uma mão trêmula. Uma vez que isso foi feito, como Tuuli, ela também carimbou o contrato com seu sangue.
Papai caminhou até nós, segurando Kamil em sua tipoia. Ele provavelmente estava prestes a entregar Kamil para a mamãe, quando ela ficou em pé, em vez de voltar para seu assento.
— Papai. Posso segurar o Kamil?
— Sim. — Papai desfez a tipoia, precisando da ajuda da mamãe para fazê-lo, já que ele mal conseguia mover o braço, então passou Kamil para mim.
Eu o segurei corretamente, tendo finalmente aprendido a fazê-lo, e seus olhos se abriram no momento em que olhei para seu rosto. O doce perfume de bebê do Kamil pegou meu nariz, enquanto eu esfregava minha bochecha contra a dele. Eu inspirei profundamente, depois dei um beijo em sua testa fofa.
— Acho que você não se lembrará de mim, mas farei muitos livros ilustrados para você. Certifique-se de ler todos por mim, ok?
Entreguei Kamil de volta para a mamãe, antes que ele pudesse começar a chorar. Após um momento de hesitação, ela fez um pequeno corte no dedo dele, depois o bateu em seu nome quando ele começou a chorar de dor.
Mamãe foi embora, enquanto consolava Kamil, me deixando com papai. Ele me abraçou usando apenas o braço direito, já que as queimaduras à esquerda o impediram de movê-lo muito.
— Papai, seu braço está bem? Dói, não dói? Me desculpe. Você se machucou por minha causa.
— Não. Eu sou seu pai, mas eu não fui forte o suficiente. Não pude te proteger. Sinto muito, Myne. — Papai falou em voz baixa, seu rosto torcido de arrependimento e lágrimas escorrendo por suas bochechas. Quando senti seu braço apertar em torno de mim, balancei minha cabeça repetidamente.
— Não, papai, você me protegeu a vida toda. Se eu me casar, espero que seja com alguém forte, que possa me proteger como você.
Ouvindo isso, papai franziu a testa e balançou a cabeça, agora com um sorriso choroso.
— Myne, se a pessoa com quem você se casar não puder protegê-la, eu mesmo irei espancá-la.
— Uhuh. Eu sei que você sempre estará lá para mim, papai. — Eu o abracei com mais força e papai enterrou o rosto no meu ombro.
— Sim… Eu sempre quis ouvir uma filha minha dizer isso, mas agora que eu ouvi, você vai embora, e isso dói mais do que qualquer coisa.
Papai me protegeu e me criou a vida toda, e eu não conseguia parar de chorar.
— Meu nome vai mudar, e não posso mais te chamar de “pai”, mas… Eu sempre serei sua filha. Protegerei esta cidade, você e todos. Eu prometo.
— Myne. — Papai me apertou com mais força, e eu não conseguia parar a explosão de emoções dentro de mim. O anel que o Sumo Sacerdote me emprestou começou a brilhar, quando minha mana se derramou nele.
— O quê?!
— Myne!
Papai recuou surpreso, olhando entre meu anel brilhante e os três nobres, que se levantaram, com as varinhas brilhantes na mão.
— Myne, contenha-se!
— Não. Minha mana está transbordando por causa do meu amor pela minha família, então tenho que usá-la para o bem deles — murmurei. O anel brilhava mais forte, e meus lábios começaram a cantar uma oração quase por conta própria.
— Ó poderoso Rei e Rainha dos céus intermináveis, vós, poderoso Deus das Trevas e Deusa da Luz; Ó poderosos Cinco Eternos, que governam o reino mortal, vós, poderosa Deusa da Água Flutrane, Deus do Fogo Leidenschaft, Deusa do Vento Schutzaria, Deusa da Terra Geduldh, Deus da Vida Ewigeliebe. Peço que ouçam minhas orações e concedam suas bênçãos.
Eu gradualmente abri meus braços, e uma luz amarela, fraca e vibrante, brilhava de dentro do anel, enquanto eu falava o nome de cada deus. Olhei para a luz da minha mana e continuei minha oração, tudo para que minha família pudesse ser abençoada o máximo possível quando eu fosse embora.
— Ofereço-lhe meu coração, minhas orações, minha gratidão e peço sua santa proteção. Conceda àqueles que amo o poder de lutar por seus objetivos, o poder de desviar a malícia, o poder de curar sua dor e o poder de suportar provações e tribulações.
Uma luz amarela suave encheu a sala, depois começou a escorrer de cima, como flocos de neve brilhantes. A luz não pousou apenas na minha família. Pude ver parte dela voando para fora da sala, como se fosse em direção às outras pessoas que eram preciosas para mim.
— As queimaduras se foram — Papai disse, passando a mão ao longo do braço esquerdo, agora não machucado.
— Esse é o poder de cura de Flutrane.
— Myne, estou orgulhoso de ter uma filha como você. Use os poderes que você recebeu direito, e com eles proteja esta cidade.
— Eu não vou usá-los para fazer qualquer coisa que você fique bravo. Eu prometo.
Após bater o punho contra o meu, papai se virou para o papel do contrato e assinou, a mão tremendo ao fazê-lo. Ele então cortou o dedo usando uma faca e pressionou contra o contrato, antes de abaixar a cabeça e cerrar os dentes.
Peguei acaneta na mão e olhei para minha família um por um. Tuuli estava olhando para mim, com olhos vermelhos brilhantes; Kamil não estava mais chorando, talvez devido à minha bênção ter curado seu corte; Mamãe estava chorando baixinho, abraçando Kamil ao peito, enquanto ela me observava; e finalmente, papai estava parado ao meu lado, com a cabeça baixa e a mão cobrindo os olhos.
— Papai, mamãe, Tuuli, Kamil. Eu amo todos vocês.
Na minha frente estavam dois contratos: um para me impedir de me referir à minha família como família e outro para mudar meu nome de “Myne” para “Rozemyne”. Eu cerrei os dentes e assinei os dois em rápida sucessão, depois estendi a palma da mão para o papai. Chorando, mas resolvido, ele fez um ligeiro corte no meu dedo, por mim, e eu carimbei o sangue que brotou em ambos os contratos. Em um instante, ambos explodiram em chamas douradas e desapareceram, junto com as assinaturas de todos.
— Os contratos estão selados. Diante de nós, está Rozemyne, a filha de um nobre superior, — disse Sylvester, enquanto minha família se sacudia, de surpresa, com as chamas repentinas. Eles olharam para o chão e se ajoelharam.
— Vamos nos despedir, então.
— Por favor, cuide-se, Minha Senhora.
— Adeus.
Agora que eu era filha de um nobre superior, não podíamos mais agir como iguais. Eles não entenderiam o que um arco significava, a cultura aqui não se desenvolveu da mesma maneira, mas eu não me importei. Dobrei meus quadris em um ângulo de noventa graus e abaixei a cabeça, na esperança de transmitir meu respeito e gratidão o máximo possível.
— Obrigado por terem vindo hoje. Oro, do fundo do meu coração, para que nos encontremos novamente, um dia.
Com isso, aqueles que eu conhecia como minha família partiram, e eu, agora Rozemyne, não pude segui-los. Eu estava sozinha.
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