Ascendance of a Bookworm — Capítulo 189: CAPÍTULO 189 - 188

Ascendance of a Bookworm
Cap. 189
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Ascendance of a Bookworm

CAPÍTULO 189 - 188

Capítulo 189

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Ascendance of a Bookworm – Capítulo 188

História extra — Freida — Uma visita ao Bairro dos Nobres

— Oh meus deuses, já está na hora. — Notei, enquanto me trocava para dormir, que a cor de uma das feystones na minha pulseira era um pouco diferente. A pulseira tinha um monte de pequenas pedras pretas alinhadas ao longo dela, uma das quais agora não era mais opaca.

Como alguém que sofre com a consumação, que tinha assinado com um nobre, meu mestre me deu essa ferramenta mágica para conter a mana que transbordasse. Feystones mudando de cor, era um sinal de que a pulseira estava ficando cheia de mana, o que significava que eu precisava ir ver o Senhor Henrik, o nobre com quem assinei e meu mestre.

— Vovô, por favor, solicite uma reunião com o Senhor Henrik. As feystones começaram a mudar de cor — informei o vovô, na manhã seguinte. Precisávamos de permissão especial para entrar no Bairro dos Nobres, e como eu era menor de idade, eu precisaria que ele me acompanhasse lá.

— Já está na hora, hein?

— Sim, de fato. Devo levar um pouco mais de bolo de libra como um presente?

— Isso seria sábio. Ele parece ter gostado bastante da última vez.

— Muito bem, então. Voulevarbolo de libra misturado com conserva desta vez.

Nós inventamos uma nova forma de bolo de libra no inverno passado, cortando finamente a conserva que Myne nos ensinou a fazer e misturá-la na massa de bolo. Foi preciso muita tentativa e erro para encontrar a quantidade ideal de conserva para acrescentar, mas graças aos esforços de Leise, o bolo acabou muito delicioso. Tinha um forte cheiro alcoólico, o que o tornou bastante popular entre os nobres do sexo masculino.

No entanto, uma vez que a conserva em si tinha sido feita experimentalmente, não havia o suficiente para fazermos muitos bolos de libra. Leise estava determinada a fazer muito mais conservas durante o próximo verão, no entanto.

— Acredito que está na hora de expandirmos nosso repertório — Vovô disse, enviando um olhar significativo para a cozinha, onde Leise provavelmente estava. Ela e eu estávamos pensando a mesma coisa.

— Terei que me encontrar com Myne novamente, em breve.

No entanto, isso era mais fácil de dizer do que fazer, dado o quão sério Benno era quando se tratava de escondê-la do mundo. Toda a papelada da Guilda era entregue pela Companhia Gilberta, e até mesmo o relatório financeiro anual, que precisava ser entregue e discutido na primavera, era tratado por Benno.

Apesar de ser membro da Guilda dos Comerciantes, Myne aparecia com menos frequência do que qualquer outro capataz, seja homem ou mulher, e, ainda assim, ela estava vendendo o suficiente para que sua oficina estivesse rapidamente se tornando uma das maiores da cidade. Papel vegetal, livros ilustrados, os brinquedos que ela tinha feito e vendido, como trabalho de inverno… À primeira vista, a produção geral do Ateliê da Myne foi bem baixa, mas tudo o que eles fizeram era bem caro e trouxe lucro significativo, e nisso não foram nem incluindo todos os novos produtos que a Companhia Gilberta havia comprado os direitos.

— A Companhia Gilberta continuava saindo com novos produtos, também. É fácil esquecer que eles deveriam ser uma loja para roupas e acessórios. — Os Limxam, enfeites de cabelo e cabides de roupa únicos, estavam perto o suficiente de seu foco principal de negócios, mas o papel vegetal, livros ilustrados, brinquedos e dípticos, não estavam relacionados à roupas ou acessórios.

— E Myne está se envolvendo em mais do que apenas produtos, não é?

— De fato.

Muitos dos contratos que passaram pela Guilda dos Comerciantes, com o nome de Myne, foram significativos: um contrato com a Guilda das Tintas, grandes pedidos para o ferreiro de quem ela era patrona, bem como vários carpinteiros, um investimento conjunto com Benno para um restaurante, que deveria abrir em breve… Todos eles envolviam muito dinheiro se movendo.

— E ela se juntou ao templo como uma aprendiz de donzela do santuário, também. O que ela está fazendo? Parece-me que ela está negociando com valores muito maiores do que a maioria dos outros comerciantes.

Mesmo que nosso contrato sobre o bolo de libra tivesse terminado, eu não tinha notícias de Myne, ou mesmo a vi na guilda, por um longo tempo. Ela não se importa se eu continuar monopolizando o bolo de libra? Porque se ela não mandar notícias logo, é exatamente o que pretendo fazer.

Cerca de dez dias após a primeira feystone ter mudado de cor, o Senhor Henrik nos permitiu encontrá-lo. Esperei até o quinto sino nesse dia e, depois, parti para o Bairro dos Nobres com o vovô.

— Está na hora, Freida.

— Sim, vovô. Vejo você em breve, mãe. — Entrei em uma carruagem e sentei ao lado do vovô, antes da porta ser fechada atrás de mim. A pulseira no meu pulso tremeu enquanto a carruagem saltava, tornando impossível ignorar.

— Há, certamente, algumas pedras que mudaram de cor.

— Devemos dá-lo ao Senhor Henrik de uma vez, para que ele possa esvaziá-lo novamente. — Sempre que dávamos o bracelete ao Senhor Henrik, ele o esvaziava de mana e o devolvia para mim. Esse era o nosso único negócio lá, mas o processo de esvaziamento levava tempo suficiente para que sempre fôssemos convidados para jantar.

— Se ao menos isso fosse almoço, eu poderia me sentir mais à vontade, agora.

— O fato dele nos convidar para jantar, é a prova de que estamos sendo tratados como convidados apropriados.

— Eu sei, eu sei. Não podemos recusar.

Ser convidado para jantar, claro, significava que os portões estariam fechados quando fossemos voltar, o que significava passar a noite na mansão do Senhor Henrik. E passar a noite significava tomar banho.

— Tomar banho tem sido mais fácil para mim desde que aceitei o conselho de Myne e comecei a passar menos tempo na água quente, mas ainda não gosto de banhos nobres.

— Isso é algo que você vai ter que melhorar — disse o vovô, com uma risada curta. Ele sempre me fez tomar banho por muito tempo, durante o qual ele teria discussões de negócios com o assistente chefe do Senhor Henrik.

Estufei minhas bochechas em um pequeno beicinho.

— Você sabe que eu prefiro negócios do que perder tempo e tomar banho e, ainda assim, eu me banho de qualquer maneira. Eu já estou mais do que madura o suficiente.

Nossa carruagem virou à direita, após chegar ao templo, no final da rua principal. Paredes brancas imponentes, feitas do mesmo material que o templo, se estendiam, à distância. Elas separavam a cidade baixa do Bairro dos Nobres, e segui-la por um tempo levaria a um portão.

— O que conhecemos como o Bairro dos Nobres hoje foi, na verdade, toda a cidade, centenas de anos atrás, certo? Eu aprendi sobre isso outro dia.

— Isso mesmo. Diz-se que a cidade se expandiu quando o primeiro Ehrenfest assumiu o controle do ducado da família anterior de Arquiduques.

Era prática padrão que, quando nobres de um ducado invadiam outro, e seu Arquiduque não podia proteger sua cidade deles, o novoArquiduquese tornaria qualquer nobre que tivesse mais mana. O novoArquiduqueusaria, então, seu poder mais considerável para expandir a cidade.

— A cidade anterior foi reconstruída como o Bairro dos Nobres, e então uma cidade baixa, para plebeus, foi construída no lado sul, correto?

— Sim. Além disso, o que costumava ser uma pousada, que servia como um portão da frente, para investigar viajantes, foi reaproveitado como o templo. Ouvi dizer que os nobres ainda usam o chamado Portão dos Nobres, dentro do templo, mas isso não tem nada a ver com nenhum de nós.

Nós, plebeus, entramos no Bairro dos Nobres usando um pequeno portão, no extremo norte da cidade, que tinha sido usado para guardas, de acordo com o vovô.

O portão norte era guardado por vários soldados plebeus e cavaleiros nobres inferiores. Pagamos a taxa de entrada, depois demos vários produtos aos cavaleiros, como presentes. Perguntaram-nos então por que estávamos entrando no Bairro dos nobres, para onde estávamos indo, e se tínhamos a devida autorização. Os cavaleiros, obviamente, nos desprezando por sermos plebeus, me deixaram profundamente desconfortável, mas eu não podia deixar isso me abalar. Caso contrário, eu nunca sobreviveria quando me mudasse para cá, no futuro. Não demorou muito para me acostumar a devolver até mesmo seus olhares desdenhosos com um sorriso.

— Ambos vocês estão limpos. Vá para aquela carruagem ali.

— Entendido.

Carruagens da cidade baixa estavam sujas o suficiente para que tivéssemos que trocar para uma carruagem nobre, antes de passar pelo portão norte. Uma vez feito isso, estávamos viajando suavemente, pela estrada, entre os edifícios brancos imaculados do Bairro dos Nobres, sem nenhum tremor ou balanço.

— Se ao menos pudéssemos ter carruagens como estas na cidade baixa…

— Isso não seria um feito fácil. Meu entendimento é que eles usam ferramentas mágicas para amortecer o tremor.

Como nobre inferior, a propriedade do senhor Henrik estava relativamente perto do portão norte. A terra mais perto dos portões eram mais baratas, parecia ser a mesma coisa tanto na cidade baixa quanto no Bairro dos Nobres.

— Estamos felizes em vê-la, Senhorita Freida. — O assistente-chefe nos recebeu e nos levou a uma sala de convidados. Parecia o salão em nossa casa, mas isso foi porque o vovô tinha modelado, especificamente, nossa casa, depois do Senhor Henrik. Ainda havia diferenças significativas entre as duas, porém, já que eles usavam ferramentas mágicas como se fosse sua segunda natureza, aqui.

— Desculpas pela demora. — Senhor Henrik chegou pouco depois. Ele tinha 17 anos quando assinou conosco, o que o fazia ter por volta de 20, agora, e ele era tão gentil e honesto para um nobre, quanto sua aparência sugeria. Seu pai tinha morrido há dois anos, e parecia que ele estava trabalhando duro, para servir como o chefe de sua família, apesar de sua pouca idade.

Senhor Henrik tinha uma primeira esposa, com quem teve filhos, mas nenhuma segunda esposa, e como plebeia, eu seria considerada como uma concubina, em vez de uma esposa adequada. Seria justo dizer que ele estava confiando na minha família para apoio financeiro. Mas, ironicamente, a fonte de seus problemas financeiros era a natureza diligente e calorosa de sua família, e foi por isso que meu avô tinha arranjado para que eu assinasse com ele, em primeiro lugar. Ele não abusava de sua autoridade para drenar dinheiro de nós, nem provavelmente estaria envolvido em qualquer negócio escuso. Não havia nobre mais ideal para eu assinar.

— Que este encontro ordenado pelos deuses seja abençoado neste dia frutífero dado por Flutrane, a Deusa da Água e da cura. É bom vê-loapóstanto tempo, Senhor Henrik. — Vovô e o Senhor Henrik trocaram as longas saudações da nobreza, que eram especialmente difíceis de aprender, uma vez que os deuses que precisavam nomear eram mudados a cada estação, e ao ouvir, de repente, me lembrei do livro ilustrado que tinha comprado de Myne.

Lembro-me que ela queria fazer livros para todos os deuses subordinados também. Será que ela já terminou isso?

Myne estava fazendo livros que poderiam facilmente ter suas capas trocadas. Eram preto e branco, mas as ilustrações ainda eram bonitas e os deuses eram descritos em linguagem simples e clara. Eu pretendia dar capas de couro aos livros uma vez que eu tivesse um conjunto completo.

— Freida, sua mão — disse o senhor Henrik, trazendo-me de volta à realidade. Estendi minha mão esquerda para que ele pudesse ver o bracelete. Ele bateu levemente com um bastão brilhante, que ele tirou do ar, aparentemente fino, em seguida, murmurou uma palavra silenciosa que fez a pulseira crescer em tamanho, ao ponto de que poderia finalmente ser removida.

— Ah, sim, algumas feystones mudaram de cor. Você está se sentindo bem?

O Senhor Henrik perguntou, preocupado, após dar uma olhada na pulseira removida. Ele nunca agiu arrogantemente ou como se fosse superior a mim, mesmo que eu fosse uma plebeia, que tinha vendido minha vida para ele, então minha impressão dele era muito positiva.

— Estou me sentindo bem, obrigada. Aprecio a preocupação.

— Fico feliz em ouvir isso. Que possamos nos encontrar novamente no jantar.

— De fato.

Senhor Henrik saiu com a pulseira, momento em que seu assistente-chefe entrou e começou a discutir negócios com o vovô. As assistentes logo me chamaram para tomar banho, antes do jantar, para que eu pudesse me vestir adequadamente para a refeição. A parte mais difícil de vir para a mansão logo começaria.

Após terminar um longo e cansativo banho, sentei-me à mesa de jantar, onde a maioria dos tópicos discutidos eram sobre as circunstâncias na cidade baixa. Participei, sem esforço, das discussões sobre tendências de mercado e minha própria educação, depois falei sobre os novos sabores do bolo de libra que Leise vinha desenvolvendo rapidamente.

— Meu irmão mais novo, que acabou de atingir a maioridade e saiu de casa recentemente, gosta muito do seu bolo de libra. Eu mesmo não gosto muito de comidas muito doces, mas este bolo de libra tem um forte cheiro de álcool, e a doçura mais contida o torna mais fácil de comer.

Parecia que o irmão mais novo do Senhor Henrik era cavaleiro e gostava mais de doces do que ele. Aquele irmãozinho em questão havia sido encarregado de uma escolta em algum momento durante o outono passado, mas cometeu algum erro grave que resultou em uma multa pesada. Vovô e eu pagamos a multa, em seu nome, mas não tínhamos ideia de como ele realmente era. Eu ainda não o conhecia.

— Mestre Henrik, você tem um momento? — Um servo, com uma expressão pálida e ansiosa, sussurrou algo no ouvido do Senhor Henrik, e ele imediatamente se levantou.

— Minhas desculpas, Freida. Há uma emergência em outro lugar. Devo me despedir por hoje.

Senhor Henrik deixou o refeitório, com o criado, imediatamente. Como pressionar por detalhes seria grosseiro e imprudente, o vovô passou o tempo discutindo inofensivamente a comida servida.

— Bem, então, vovô. Boa noite!

— Sim, durma bem.

Um assistente do sexo masculino escoltou meu avô para seu quarto de hóspedes, enquanto uma assistente do sexo feminino me levou para o meu. Era o mesmo quarto que eu sempre usava, mesmo quando me trocava para o banho.

— Aqui está, Senhorita Freida.

— Ah? — Minhas coisas foram trazidas aqui, quando fui tomar banho, mas agora elas não estavam em lugar algum. Inclinei a cabeça ligeiramente, enquanto caminhava para a cama sob orientação da assistente, onde ela puxou as cortinas da cama para o lado.

— Se você quiser, você pode, wow?! — A assistente soltou um grito. Havia um homem deitado na cama que eu deveria usar. Ele se parecia muito com o Senhor Henrik, e suas sobrancelhas estavam firmemente franzidas, enquanto ele gemia de dor.

— Sir Damuel?! U-hum, Senhorita Freida, minhas desculpas. Vou perguntar ao assistente-chefe sobre isso. — A assistente, parecendo positivamente perplexa, virou-se e saiu da sala. Dado que minhas coisas haviam sido removidas, eu podia imaginar que me deram um quarto separado e que ninguém havia sido notificado adequadamente.

Deusa. O que devo fazer? Incapaz de sair da sala sozinha, para seguir a assistente, mas me sentindo muito estranha para ficar sozinha, em uma sala, com um homem que eu não conhecia, apesar do fato de que ele estava inconsciente, eu coloquei a mão na minha bochecha e suspirei.

— Minhas sinceras desculpas, Senhorita Freida. — O assistente-chefe entrou apressadamente na sala.

Parecia que, embora o irmão mais novo de Senhor Henrik agora morasse no dormitório dos cavaleiros, ele havia sido gravemente ferido, em serviço, e levado para sua casa, até que um curandeiro estivesse disponível, já que estava tão perto do Portão dos Nobres. Mas, como ele estava inconsciente e não havia tempo para preparar um quarto, ele foi trazido para cá.

— Preparamos outro quarto para você, Senhorita Freida, mas parece que ficamos tão surpresos que não mandamos recado como deveríamos. Minhas mais sinceras desculpas.

— Eu posso simpatizar com o quão perturbador deve ter sido, para o irmão mais novo de seu mestre ser trazido aqui, inconsciente, sem aviso prévio. Se o outro quarto estiver pronto, não me importo de me mudar para lá, agora.

Assim que o servo soltou um suspiro de alívio ao meu entendimento, uma bola de luz voou para dentro do quarto, pela janela e girou em círculos acima de Damuel, espalhando uma poeira brilhante sobre ele. A luz caindo, dançando no quarto escuro, parecia brilhante e mística.

— Então isso é magia, não é? Que bonito. — Estendi a mão para tocar a poeira, mas ela evitou minha mão, como se de propósito.

Após um minuto vendo a poeira, extasiada, Damuel, de repente, se levantou na cama.

— Aprendiz! Você está bem?!

— Quê?!

Damuel estava segurando uma varinha brilhante em sua mão, e esquadrinhou a sala, com uma expressão dura, como se estivesse no meio de um combate, mas, depois de um segundo, ele piscou, surpreso.

— Onde estou? — ele perguntou, confuso. Ele deve ter ficado desorientado quando ficou inconsciente.

Quando Damuel olhou ao redor da sala, novamente, perplexo, o assistente-chefe deu um passo à frente.

— Senhor Damuel, como está se sentindo? Você foi trazido para casa após cair inconsciente, e até agora você estava descansando na cama.

— Estou bem. A julgar pelos restos de luz, deve ter havido alguma magia de cura. — Damuel olhou para o braço dele, então jogou a cabeça para cima. Havia um olhar intenso em seu rosto. — Eu tenho que correr de volta para a Ordem dos Cavaleiros!

— Senhor Damuel, acho que seria mais sensato esperar e…

— Não há tempo! — Apesar de ter gemido, inconsciente, momentos atrás, Damuel saltou da cama com facilidade, correu para a varanda e abriu a janela. — Estou no meio do serviço de escolta! Se a aprendiz de sacerdotisa se machucar novamente, eu vou… — Ele balançou o braço, e só isso foi o suficiente para um grande cavalo alado, de puro branco, aparecer na sacada. Ele montou no cavalo, sua expressão preocupantemente sombria, e então voou. Estava escuro lá fora, mas as grandes asas do cavalo eram de um branco tão radiante, que eu podia vê-las batendo no ar, enquanto Damuel, rapidamente, desaparecia de vista.

A bola de luz que apareceu no quarto e Damuel pulando da cama aconteceram tão de repente, que tudo que eu e o assistente-chefe podíamos fazer era ficar em estado de choque e vê-lo partir.

— Senhorita Freida, vou guiá-la até seu quarto.

— Sim, por favor.

Após assistir, impotente, o Damuel ir, o assistente-chefe voltou a seus sentidos e me guiou para o meu quarto recém-preparado. Subi na cama e pensei no que tinha ouvido Damuel dizer. Ele certamente gritou sobre a necessidade de ajudar uma aprendiz de donzela do santuário, que estava em perigo. Pelo que eu sabia, Myne era a única aprendiz de sacerdotisa no templo, no momento. Se Sir Damuel tinha sido gravemente ferido enquanto estava de guarda, era muito provável que Myne tivesse se envolvido no que quer que estivesse acontecendo, também.

— O que diabos aconteceu?

Eu poderia ter perguntado ao Senhor Henrik, mas os nobres não davam informações tão livremente. Ele poderia me dizer, se eu explicasse que eu era amiga de Myne, mas dependendo da confusão em que Myne estava envolvida, isso abria a possibilidade de me colocar em perigo também. Provavelmente, seria mais seguro manter meu relacionamento com Myne em segredo.

— Gostaria de, pelo menos, ter certeza de que ela está viva…

No café da manhã, o Senhor Henrik se desculpou pelo incidente da noite anterior.

— Eu estava tão preocupado com meu irmão mais novo que não mandei uma palavra adequada sobre isso. Minhas desculpas.

— Relaxe quanto a isso. Eu mesma pude testemunhar, pela primeira vez, a magia dos nobres. Foi lindo, mistificador e valeu muito a pena ver.

Depois do café da manhã, o Senhor Henrik devolveu meu bracelete. Todas as suas feystones agora estavam pretas novamente. Pouco depois, vovô e eu voltamos para casa.

— Vovô, tem uma coisa que eu preciso pesquisar. Por favor, me empreste a chave da sala de documentos secretos.

Me apressei e me troquei, antes de ir para a Guilda dos Comerciantes. Existia uma sala que compilava documentos relacionados a contratos de magia, e esta sala só podia ser acessada pelo mestre da guilda e aqueles que tivessem sua permissão. Fui lá procurar cópias dos contratos que Myne havia assinado com Benno. Ao contrário daqueles nas salas de documentos que podiam ser consultados por qualquer pessoa, os contratos aqui mudariam, quando alguém que os assinou morresse.

Contratos mágicos eram usados raramente, o suficiente para que eu não demorasse para encontrar os documentos relativos a Myne.

— “Rozemyne”? — O documento que encontrei dizia que os contratos foram assinados por Benno, Lutz e Rozemyne. Não haveria necessidade de mudar o nome de uma criança com consumação, que havia assinado um contrato de submissão, então isso era uma prova, quase objetiva, de que Myne havia sido adotada por nobres. Ela, sem dúvida, foi adotada por um, da mesma forma que outros se ofereceram para me adotar no passado.

Um nobre aprendeu sobre o conhecimento de Myne, viu o valor dela e a tomou para si. Era difícil imaginar que o impacto de tal movimento seria sentido apenas em Ehrenfest. Peguei os documentos e corri para o escritório do vovô.

— Algo importante aconteceu. Veja isso. — Mostrei ao vovô os contratos mágicos com o nome de Myne alterados para “Rozemyne”. Seus olhos se arregalaram.

— Myne assinou com um nobre? Não é inédito que uma garota com Consumação seja adotada, mas Myne?

Myne se recusou ativamente a assinar com nobres, querendo viver com sua família o maior tempo possível. Ela havia dito que escolheria a morte, em vez de se separar deles, mas agora ela se deixou ser adotada por um nobre.

Eu mesma não queria ser uma nobre, queria ser uma comerciante e queria gastar meu tempo fazendo negócios e contando dinheiro. Quando contei isso ao vovô, ele encontrou o nobre ideal para mim e fez meu contrato com ele. Graças a isso, eu teria uma loja no Bairro dos Nobres quando atingisse a maioridade, e, até então, poderia morar em casa com a família. Fiquei satisfeita com a minha escolha.

Mas e Myne?

— Vovô, por favor, chame o Benno. Tenho certeza de que ele sabe alguma coisa sobre isso.

Fim da leitura

Capítulo 189 concluído

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