Ascendance of a Bookworm — Capítulo 191: CAPÍTULO 191 - 190

Ascendance of a Bookworm
Cap. 191
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Ascendance of a Bookworm

CAPÍTULO 191 - 190

Capítulo 191

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Ascendance of a Bookworm – Capítulo 190

Arno — Fran e eu

Foi ontem que um nobre forasteiro entrou no templo, causou alvoroço, chamou a atenção do Arquiduque e depois, foi mandado para a prisão com o Arcebispo. O Sumo Sacerdote havia enviado todos os seus assistentes para fora da sala, incluindo eu, seu assistente-chefe, e, assim, passei a noite sem saber os detalhes da situação.

— Arno, diga aos assistentes de Myne para levarem isso para a Companhia Gilberta. Esta é uma prioridade máxima. — disse o Sumo Sacerdote.

— Como quiser.

Foi após o café da manhã e por volta do segundo sino, que o Sumo Sacerdote me deu uma carta de convite para entregar. Pela aparência dele, e pelo fato de ter preparado uma carta como aquela, tão cedo pela manhã, percebi que ele passou a noite inteira trabalhando, sem dormir muito.

— Se mais alguém perguntar sobre o que aconteceu ontem à noite, diga que vou dar uma explicação a todos outro dia. — disse ele, antes de sair do quarto.

Ontem, Fran veio a negócios urgentes, enquanto o Sumo Sacerdote estava em sua oficina. O Sumo Sacerdote me disse para informar aos visitantes que ele estava ausente e, embora fosse fácil para mim entrar em contato com ele, de fora, optei por ignorar Fran, o que gerou um grande alvoroço no corredor. No final, ele pensou que eu estava apenas sendo inflexível. Me pergunto que cara ele faria se soubesse que eu ignorei suas necessidades de propósito.

— Bom dia, Fran.

Encontrei Fran e Gil tirando água do poço. Os aposentos de Myne deviam estar realmente carentes de pessoal, se seu assistente-chefe estava fazendo essas tarefas domésticas. A ausência de Delia estava colocando uma pressão sobre ele, e eu não pude me conter e deixei escapar um leve sorriso com esse fato.

Fran olhou para mim, com surpresa, após derramar a água que havia colocado no balde de Gil. Ele tinha um corpo alto e musculoso, que teria desapontado a Irmã Margaret sem fim, mas, quando ele arregalava os olhos assim, era fácil lembrar o menino frágil que ele tinha sido, enquanto servia a ela.

— Bom dia, Arno. O que o traz aqui tão cedo?

— Uma ordem do Sumo Sacerdote. Ele gostaria que você entregasse esta carta-convite à Companhia Gilberta o mais rápido possível.

Fran pegou a carta da minha mão estendida e imediatamente a passou para Gil.

— Entendido. Gil, por favor, troque de roupa, então vá e entregue isso.

— Deixa comigo. Volto logo. — Gil correu de volta para os aposentos de Myne, a carta em uma mão e o balde de água na outra. Era nada menos que bizarro ver o que já foi o maior problema infantil, no templo, cumprindo seus deveres como assistente, com tanta avidez.

— Deve ser difícil agora, ter tão poucos assistentes.

— Vamos pegar dois novos assistentes hoje. Eu gostaria de pensar que as coisas ficarão mais fáceis quando eles estiverem aqui.

Parecia que eles estavam substituindo Delia. Que pena. Eu preferiria que você continuasse lutando um pouco mais, pensei, enquanto virava as costas para Fran.

— Até a próxima vez.

No meu caminho de volta para a sala do Sumo Sacerdote, o padre azul, Irmão Egmont, me viu e imediatamente veio correndo.

— Arno, o que aconteceu ontem?! A sala do Arcebispo está trancada, não há padres cinzas na porta e ninguém a quem perguntei sabe o que aconteceu. Certamente o Sumo Sacerdote tem alguma ideia do que está acontecendo! — ele gritou, cuspe voando para fora de sua boca. Ele era um dos comparsas do Arcebispo, e às vezes até agia arrogantemente em torno do Sumo Sacerdote, quando ele tinha o Arcebispo lá, para proteção.

Resisti à vontade de enxugar o rosto enquanto repetia o que o Sumo Sacerdote havia me instruído a dizer.

— Ele explicará as circunstâncias a todos quando chegar a hora. Infelizmente, fui retirado da sala, portanto, não sei os detalhes.

— Isso significa que você sabe alguma coisa, certo?! Venha agora, diga-me!

— Não conheço as acusações, mas o Arcebispo foi preso pelo Arquiduque e pela Ordem dos Cavaleiros. Eu realmente me pergunto o que aconteceu… — Eu disse, em um tom curioso, enquanto observava o Irmão Egmont, que empalideceu no local. Seu comportamento arrogante só foi permitido graças à proteção do Arcebispo, e agora que ele se foi, o Sumo Sacerdote, sem dúvida, seria o próximo Arcebispo.

Que destino miserável aguardava, agora, o Irmão Egmont? Eu não podia esperar para descobrir. Não havia nada tão revigorante quanto o lixo recebendo o que merecia.

Comecei a voltar para o Sumo Sacerdote. Assim que eu estava me aproximando de seu quarto, eu o vi saindo com Zahm, outro de seus assistentes. Eu caminhei até eles.

— Sumo Sacerdote, para onde você está indo?

— Acredito que hoje é o funeral, e gostaria de estar na capela para isso. Arno, prepare-se para receber a Companhia Gilberta.

Os funerais, que envolviam ir à capela do templo, costumavam ser para plebeus, e o Sumo Sacerdote praticamente nunca ia receber o relatório da morte. “Então, por que ele está se esforçando para comparecer desta vez?” Me perguntei, enquanto voltava para o quarto dele e começava os preparativos.

Pouco tempo depois, recebi a notícia de que a carruagem da Companhia Gilberta havia chegado ao portão dos fundos. Fui até a entrada para trazê-los para dentro.

— Obrigado por terem vindo hoje, — eu disse, os guiando para a sala e, depois, saindo. O Sumo Sacerdote parecia querer proceder com o máximo de sigilo possível e, mais uma vez, estava retirando todos os assistentes da sala. Verdadeiramente, o que aconteceu na noite passada? Eu não sabia nada, além do fato de que estaríamos visitando o quarto da Irmã Myne, à tarde.

— Está na hora, Arno.

— Entendido.

Assim que a refeição deles terminou, eu segui as ordens do Sumo Sacerdote e fui para o quarto da Irmã Myne, com as folhas de papel vegetal que ele me entregou. O Sumo Sacerdote franziu a testa com mais força do que de costume. Sua carranca pesada deixou bem claro que ele estava em conflito com alguma coisa, mas como eu não sabia nada das circunstâncias, decidi que não havia necessidade de pensar mais sobre isso.

Caminhei pelo corredor e parei na frente da porta dos aposentos do diretor do orfanato, o que me levou de volta a quando eu era o assistente da ex-diretora. Ainda parecia tão estranho ter que tocar a campainha de chegada, só para que eu pudesse entrar. E quando o fiz, Fran atendeu a porta, exatamente como faria naquela época.

— Por favor, entre, Sumo Sacerdote, — ele disse.

O salão estava inalterado desde quando a Irmã Margaret morava aqui, talvez devido àIrmãMyne ter reutilizado a mobília. Essas semelhanças tornaram minhas memórias ainda mais vívidas, e sorri, nostalgicamente, quando o Sumo Sacerdote começou a conversar com Fran, ao meu lado.

— Como ela está?

— Ela está ligeiramente febril, mas está vestida e pronta. Reuni todos os seus assistentes, conforme solicitado.

Subi as escadas com Fran e me vi instintivamente procurando aIrmãMargaret. Em minha mente, vi seus ricos cabelos dourados e seus olhos azuis profundos, enrugados em um sorriso que nunca deixava seu rosto. A marca de beleza, acima de seus lábios, era tão sensual quanto qualquer coisa que eu já tinha visto, e sua mão gesticulando era o suficiente para fazer meu coração bater forte.

Mas, ao contrário de minhas lembranças, eram aIrmãMyne e seus assistentes dentro da sala do diretor, a primeira parecendo um pouco mais corada do que o normal, talvez devido à febre. Havia duas garotas entre eles que eu não reconheci, ambas olhando para cá, ansiosas. Elas eram provavelmente as substitutas de Delia. Como elas ainda não eram maiores de idade, havia poucas oportunidades para nos encontrarmos.

— Quem são essas duas? — perguntou o Sumo Sacerdote.

— Monika e Nicola. — respondeu aIrmãMyne. — Falei ontem sobre contratá-las como assistentes para substituir Delia. Elas vão cuidar de mim e ajudar os chefs na cozinha.

— Entendo. Nesse caso, vamos discutir o futuro.

O que o Sumo Sacerdote disse, em seguida, foi realmente chocante: aIrmãMyne era, de fato, filha de um nobre superior, que havia sido enviada ao templo e disfarçada de plebeia, para sua própria proteção. Seu verdadeiro nome era “Rozemyne”.

Apesar de ter visto sua família plebeia várias vezes, antes, minha primeira reação não foi de surpresa, mas sim de compreensão. O templo era governado pelos caprichos opressivos dos sacerdotes azuis. Não havia sentido em discutir com suas expectativas e exigências irracionais. As decisões que eles tomavam, tornavam-se a maneira correta do mundo.

Independentemente do que eles pensavam, por dentro, os assistentes da Irmã Myne, ou melhor, Senhora Rozemyne, concordaram com a cabeça. Certamente, era mais fácil para eles entenderem servir a um nobre superior do que a uma plebeia.

— Rozemyne será batizada na mansão de seu pai neste verão e, ao mesmo tempo, adotada pelo Arquiduque. Ela, então, assumirá a posição de Arcebispo, — o Sumo Sacerdote disse, o que fez muitos dos assistentes daIrmãMyne, arg, muitos dos assistentes da Senhora Rozemyne, piscarem de surpresa. Ficou claro por suas expressões que eles ouviram o que ele disse, mas não conseguiram entender. Eu me senti do mesmo jeito.

Não era particularmente raro os nobres se esconderem ou serem forçados a enviar seus filhos pré-batismo ao templo, onde sacerdotes azuis adultos serviriam como seus guardiões. Como os nobres anunciavam seus filhos na cerimônia de batismo, era normal enviar crianças que nunca seriam anunciadas ao templo, antes que isso acontecesse. A ideia de que a filha de um nobre superior havia sido escondida e criada no templo, com o Sumo Sacerdote como seu guardião, fazia todo o sentido e era prontamente agradável. Dito isso, era um pouco demais dizer que a Senhora Rozemyne substituiria o Arcebispo.

— O Arcebispo ganhou a ira do Arquiduque, através de vários atos criminosos e já está preso enquanto falamos. Assumirei os deveres de Arcebispo até que Rozemyne seja formalmente adotada pelo Arquiduque e possa assumir o cargo ela mesma.

Ele disse que assumiria as funções de Arcebispo, mas como já estava fazendo mais da metade de seu trabalho, isso não aumentaria muito sua carga de trabalho. Na verdade, a falta de reclamações e instrução tediosa, provavelmente, significaria uma diminuição da carga de trabalho geral.

— Rozemyne será educada e treinada na mansão de seu pai até sua cerimônia de batismo. Haverá uma cerimônia de posse para ela, depois, para a qual todos vocês precisarão se preparar, como seus assistentes. O quarto do Arcebispo também precisará ser preparado para ela. Essas câmaras serão usadas como ponto de encontro quando forem convocados moradores da cidade baixa, como os da Companhia Gilberta.

De todos os assistentes, perplexos, Fran foi o primeiro a se recuperar.

— O que é necessário para a cerimônia de posse do Arcebispo?

— Seu trabalho é simplesmente preparar a sala do Arcebispo para o uso de Rozemyne. Eu mesmo prepararei as roupas.

Fran assentiu, pegou seu díptico e começou a escrever alguma coisa. Enquanto isso, o Sumo Sacerdote virou-se para a Senhora Rozemyne.

— Rozemyne, já discuti isso com Benno, mas precisaremos procurar outros orfanatos que possamos usar para espalhar seu negócio de impressão para outras cidades. Os enviados precisam entender o funcionamento interno da oficina no seu orfanato. Quem você escolheria para este trabalho?

A Senhora Rozemyne olhou para seus assistentes e um sorriso tocou seus lábios, quando seu olhar caiu sobre Gil, cujos olhos brilhavam em antecipação.

— Acho que posso pedir a Gil para lidar com isso. Ele está mais profundamente envolvido com a oficina do que qualquer outra pessoa e passou a maior parte do tempo com a Companhia Gilberta.

Isso me surpreendeu. Era realmente difícil, para mim, acreditar que ela confiava em Gil o suficiente para trabalhar fora da cidade. Eu tinha certeza de que ela enviaria Fran, mas talvez ele não fosse tão necessário aqui quanto eu pensava.

— Fran, você tem que treinar Nicola e Monika, além de preparar a sala para mim, não é? Eu sei que isso será um fardo extra para você, mas, sem Gil aqui, vou precisar que você mantenha a oficina funcionando também.

— Como quiser.

Oh. Em vez disso, ele estava sendo esmagado sob o fardo de todo o trabalho restante. Isso me agradou, mas o pequeno sorriso em seu rosto era irritante. Ele estava servindo à uma donzela azul do santuário, assim como quando servia a Irmã Margaret como aprendiz de assistente, e, ainda assim, parecia muito mais feliz seguindo as ordens da Senhora Rozemyne. Era um contraste gritante com o Fran que mordia o lábio e franzia a testa, em lágrimas, sempre que a Irmã Margaret lhe dava ordens. Não fazia sentido para mim.

— Se Gil precisar viajar para fora da cidade, para ajudar a estabelecer oficinas, devo selecionar um padre cinza para administrar a oficina do orfanato, em seu lugar? — A Senhora Rozemyne perguntou.

— Isso não é algo que você precisa decidir imediatamente. É mais importante que tenhamos um músico para o batismo, pois haverá muitos chás e festas no futuro. Eu estava pensando que você poderia comprar Rosina como sua musicista pessoal. O que você diz sobre isso?

— Irmã Myne. Ah, Senhora Rozemyne. Por favor, oh, por favor, me compre. — O rosto de Rosina estava radiante de excitação. Era excepcionalmente raro que as donzelas do santuário fossem compradas como qualquer outra coisa que não servas, com os professores de música não sendo exceção a isso. Parecia que o Sumo Sacerdote realmente respeitava seus talentos como musicista.

— Isso me parece bom. Eu adoraria ter Rosina como minha musicista, especialmente porque será bom ter alguém que eu conheça ao meu lado. Mas eu gostaria que ela continuasse ajudando Fran até eu me mudar para o Bairro dos Nobres.

— Agradeço muito, — disse Rosina. Deixar os assistentes da Senhora Rozemyne aumentaria muito o fardo de Fran, especialmente porque ela acabara de atingir a maioridade e se acostumara com seu trabalho. Ficou claro que Fran queria parabenizá-la, mas não pôde, e sua expressão conflitante trouxe um sorriso ao meu rosto.

— Continuando, aqui. Benno enviou isso para você.

A Senhora Rozemyne examinou os documentos dados a ela, então colocou a mão em seu rosto.

— Estava planejando levar a Ella comigo ao Bairro dos Nobre para fazer doces para mim, e Hugo e Todd serão enviados à casa de Leise, para aprender receitas mais nobres para o restaurante italiano. Gostaria de saber se posso deixar a cozinha aqui para Nicola e Monika.

— Elas podem não ser habilidosas o suficiente para servi-la ainda, Senhora Rozemyne, mas elas devem ficar bem, desde que sua comida seja comestível para nós, assistentes. — Fran respondeu. Parecia que seus assistentes eram forçados a cozinhar também. Quão pouca mão de obra eles tinham?

Pisquei surpreso, mas o Sumo Sacerdote apenas balançou a cabeça, em exasperação.

— Rozemyne, isso não é nada para se preocupar. Você pode simplesmente contratar mais assistentes, conforme necessário.

— Sumo Sacerdote, este é o melhor que posso fazer com minha renda.

— Pense, idiota. Você agora tem um nobre superior como seu pai, e logo se tornará o Arcebispo, com o Arquiduque como seu pai adotivo. Até agora, você teve que ganhar todo o seu dinheiro sozinha, mas deve ser óbvio que isso não será mais o caso. — O Sumo Sacerdote disse, a exasperação em seu tom, agora, muito mais clara.

A Senhora Rozemyne estava tentando resolver as coisas usando exclusivamente seu próprio dinheiro, apesar de se tornar filha de um nobre superior e o Arcebispo. Parecia que ela estava tendo dificuldade em ajustar sua mentalidade às novas circunstâncias.

Em qualquer caso, a Senhora Rozemyne, tornando-se o Arcebispo, significava que Fran se tornaria o principal assistente do Arcebispo, o que por sua vez o colocaria em uma posição mais alta do que eu. Isso não foi inteiramente agradável. Isso me lembrou de como a Irmã Margaret tinha dado a ele mais afeto do que a mim, e o valorizava mais como assistente.

Permita-me que me corrija: foi extremamente desagradável. Na verdade, era tão frustrante que eu não me contentaria simplesmente em intimidá-lo e atormentá-lo de maneiras sutis para que o Sumo Sacerdote não notasse.

O Sumo Sacerdote havia entrado no templo após a morte da Irmã Margaret, então ele não sabia que a mera visão de uma donzela azul do santuário fez Fran se sentir doente, por algum tempo, nem que ele tinha lembranças traumáticas nos aposentos do diretor do orfanato. Foi exatamente por isso que eu recomendei que a Senhora Rozemyne ficasse nestas câmaras e sugeri que Gil servisse ao lado dele.

Foi mais do que divertido ver as expressões descontentes, dolorosas e miseráveis, de Fran, durante a missão de extermínio de trombe e o Ritual de Dedicação, e enquanto a Senhora Rozemyne estava sofrendo, como resultado de minha malícia, isso era um sacrifício que eu estava disposto a fazer. No entanto, Fran agora estava servindo a Senhora Rozemyne inteiramente, como se tivesse superado seu passado. A visão dele, calmamente passando o tempo nesta sala, era um sinal claro do quanto ele havia crescido, e enquanto isso me frustrava sem fim, eu escondi minha irritação sob uma máscara inexpressiva.

O Sumo Sacerdote pegou uma ferramenta mágica, um anel com uma grande feystone azul incrustada nele.

— Rozemyne, pegue isso. É um presente de seu pai.

Rozemyne pegou o anel da mão do Sumo Sacerdote e o colocou em seu dedo. A feystone era grande o suficiente para parecer estranha em sua mão pequena.

— Use-o para registrar sua mana com esta porta. Me siga.

O Sumo Sacerdote afastou o dossel da cama para revelar outra porta, assim como a de seu quarto. A própria visão era nostálgica, frustrante, e enviou ondas de emoções através do meu coração. Eu as reprimi e olhei para Fran.

Como esperado, seu rosto empalideceu e ele estava olhando para a porta com olhos temerosos. Apesar de quão calmo ele estava agindo antes, parecia que ele não havia superado inteiramente seu passado. Eu podia sentir uma alegria sombria se espalhando pelo meu peito.

— Qual o problema, Fran? Você não parece bem, — a Senhora Rozemyne disse, dando a Fran um olhar preocupado.

— Não é nada. Não me dê atenção.

— Certamente é alguma coisa. Parece que você viu um fantasma.

A expressão de Fran se transformou em uma carranca perturbada, enquanto todos olhavam para ele, preocupados. Isso era de se esperar. Ele certamente não queria que ninguém soubesse sobre seu passado, onde a Irmã Margaret o chamava e o levava para aquele quarto praticamente todas as noites.

— Sumo Sacerdote, — interrompi, — vou poupar todos os detalhes, mas Fran não tem boas lembranças naquela sala.

— Vai ficar tudo bem, Fran. A sala é criada por magia e não será a mesma que você conhece. — disse o Sumo Sacerdote, casualmente, sem saber das circunstâncias de Fran. Ele então mudou seu foco para registrar a mana da Senhora Rozemyne com a porta.

Considerando que apenas ver a porta era suficiente para drenar o sangue de seu rosto, Fran certamente sentiria uma enorme quantidade de estresse, independentemente do que estivesse dentro. Mas ninguém parecia notar isso, tudo graças a Fran trabalhando o máximo que podia para parecer calmo na superfície, sem dúvida.

— E isso conclui o registro. Você pode usar essa sala quando quiser discutir assuntos que não quer que ninguém ouça, nem mesmo seus assistentes, pois as vozes daqui podem ser ouvidas em outros lugares, mesmo que você limpe esta sala.

— Alguém pode entrar?

— Ao contrário do meu quarto escondido, não há restrições especiais em vigor.

Era provável que ela estivesse usando o quarto, diariamente, a partir de agora. A visão de Fran suportando seu estresse e medo sozinho, incapaz de dizer uma palavra de reclamação, me deixou muito satisfeito.

— Você está bem, Fran? — Perguntei.

— Obrigado por me ajudar, Arno.

— Terei que explicar sua situação ao Sumo Sacerdote, se ele perguntar. Minhas desculpas, Fran, mas minhas mãos estão atadas.

Pretendo contar tudo a ele, independentemente dele perguntar. Qual é a sensação de saber que o Sumo Sacerdote, que você tanto respeita, conhecerá os segredos do seu passado, que você deseja manter escondidos mais do que qualquer outra coisa? Ofereci um pequeno sorriso, escondendo o veneno por baixo dele, e Fran deu um aceno, derrotado.

— Imagino que o Sumo Sacerdote pedirá detalhes, mas nada pode ser feito a respeito. Terei que agradecer que a Irmã Myne, ou melhor, a Senhora Rozemyne, não tenha ouvido falar disso.

Ah, então você está mais preocupado com a descoberta da Senhora Rozemyne do que com o Sumo Sacerdote? Ah, me pergunto quando e onde devo informá-la, então.

Fran havia recebido os afetos da Irmã Margaret, que eu tanto desejava, mas a rejeitou.

Fran apenas observou aIrmãMargaret cair em desespero, tendo se tornado incapaz de retornar à sociedade nobre devido a dormir com um padre cinza. Ele não fez nada para impedi-la de se matar.

Fran agradeceu aos deuses, com total alívio, quando aIrmãMargaret morreu.

Eu não te perdoei, Fran.

Fim da leitura

Capítulo 191 concluído

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