Ascendance of a Bookworm — Capítulo 206: CAPÍTULO 206 - 205

Ascendance of a Bookworm
Cap. 206
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Ascendance of a Bookworm

CAPÍTULO 206 - 205

Capítulo 206

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Ascendance of a Bookworm – Capítulo 205

Cerimônia do Nó das Estrelas na Cidade Baixa

Quando a Cerimônia do Nó das Estrelas se aproximou, passei todo o meu tempo no templo. Memorizei as palavras para as orações, me mantive atualizada sobre o progresso de Nicola ao fazer fermento natural, e discuti o menu do restaurante e nosso relatório para o Arquiduque com Benno e Lutz, na sala escondida, nos aposentos do diretor do meu orfanato.

Hoje foi um dia em que Benno e Lutz estavam visitando da Companhia Gilberta, então estávamos conversando no meu quarto escondido.

— Voltarei ao Bairro dos Nobres para a Cerimônia do Nó das Estrelas. Vou perguntar a Sylvester sobre a data e a hora enquanto estiver lá.

— Sim, por favor, faça isso! — respondeu Benno.

Tínhamos terminado tudo o que precisávamos fazer antes da grande refeição. Os olhos de Benno pareciam meio sem vida, mas ele teria a chance de descansar um pouco, antes.

— Bem, deve ser isso — disse Benno, antes de soltar um enorme suspiro de alívio e esfregar as sobrancelhas. — Parece que eu consegui.

— Então, Lutz, o que você está fazendo para o Festival das Estrelas?

— A mesma coisa do ano passado, eu acho? Vou almoçar no orfanato.

Não seria difícil, para mim, providenciar comida extra para Lutz e depois almoçar com ele, mas dado o quão perto Benno parecia de morrer por excesso de trabalho, não tinha certeza se Lutz teria tempo de cuidar do orfanato.

— Tem certeza de que vai ficar tudo bem? Você não está muito ocupado?

— Bem, terminamos tudo o que absolutamente precisávamos acabar, e não é como se eu pudesse simplesmente passar o festival descansando em casa, sabe? Além disso, poderei relaxar mais no orfanato. A comida também é melhor lá.

O Festival das Estrelas envolvia toda a cidade.

Todos os que não eram parentes de alguém que estava se casando, iria pegar frutas tau, assim que os portões se abrissem, e passariam o dia os jogando. Feito isso, eles comiam na praça e depois se preparavam para a parte noturna do festival. Como tal, não era um momento em que você pudesse apenas ficar em casa e relaxar; você seria perseguido e obrigado a ajudar os outros.

— Certifique-se de não jogar todos os seus taus. Guarde alguns, ok?

— Eu sei — Lutz respondeu com um sorriso. Ele realmente era o mesmo de sempre.

Mas, apesar de tudo o que aconteceria durante o festival, eu ainda não conseguia ver minha família, não importava o quanto eu quisesse. Eu tinha pensado que eu seria capaz de vê-los por tê-los como voluntários para olhar os órfãos do templo durante o festival, mas eles tiveram que recusar, uma vez que já tinham compromissos anteriores. E Tuuli não apareceu nenhuma vez, apesar de dizer que ela passava pelo orfanato, de vez em quando.

— Tuuli simplesmente não vem, não é? — Perguntei baixinho.

Benno bufou, depois deu um sorriso enorme.

— Tuuli está muito ocupada na oficina com a qual ela tem um contrato dahua. Ela não só tem estudado costura em seus dias de folga, mas também tem ensinado na oficina de Corinna como fazer enfeites de cabelo.

— O quê?

— De acordo com Corinna, ela está sugando toneladas de conhecimento técnico em um ritmo muito rápido. Sua última promessa para você era que ela se tornaria uma costureira de primeira, lembra?

Eu podia sentir lágrimas nos meus olhos, quando Benno me disse o quão duro Tuuli estava trabalhando, algo que eu não tinha conseguido captar de sua carta. Ela estava dedicando tudo o que tinha para manter sua promessa para mim.

— Seu pai também está super ocupado, — acrescentou Lutz. — A Ordem dos Cavaleiros investigou por que um nobre do outro ducado foi capaz de entrar, apesar das ordens do Arquiduque, e o comandante do portão leste acabou sendo punido por não manter seus homens informados sobre informações críticas.

Os comandantes dos outros portões haviam confirmado que papai havia dito que o Arquiduque estava ausente e não forneceria novas permissões de entrada, e que haviam informado imediatamente seus homens de plantão. E, no entanto, apesar dele guardar o portão, que viu mais tráfego e ser o primeiro a ter sido informado, o comandante do portão leste demorou a dizer aos seus homens.

A Ordem dos Cavaleiros determinou que este era um erro imperdoável. E como papai havia perdido a filha e trabalhado tanto para capturar o nobre que havia entrado ilegalmente na cidade, ele foi promovido a preencher a nova vaga. Ele agora era o comandante do portão leste.

— Ele tem que trabalhar muito mais esses dias. Ele realmente chorou sobre como ele mal tem tempo para comer com sua família.

— Oof, eu posso imaginar que…

Todos estavam muito ocupados para vir, então. Eu caí meus ombros em decepção, apenas para ter Lutz me balançando na testa.

— Não se sinta tão mal. Tuuli já tem planos durante o festival porque ela está vindo te ver — disse Lutz, ganhando um olhar arregalado meu. Ele sorriu e continuou. — Ela vai esperar do lado de fora das portas do templo e tentar se misturar com as famílias dos casais. Quando os casais saírem, você estará no altar da capela, certo?

Tuuli aparentemente disse a Lutz que ela não seria capaz de ver o novo Arcebispo se ela ficasse com as crianças do orfanato, e que toda a família estaria esperando nas portas para me ver, mesmo que fosse apenas por um breve momento.

— Vá em frente e mostre a ela o que você pode fazer, ok?

— Wow… vou repassar todas as orações que preciso fazer mais uma vez.

Agora eu podia sentir o nervosismo de alguém se apresentando em uma peça de aula enquanto seus pais estavam assistindo. Eu queria fazer o melhor que pudesse, já que minha família estava saindo do caminho para vir, mas, ao mesmo tempo, eu estava com medo do que poderia acontecer se eu estragasse tudo.

Me despedi de Benno e Lutz, o primeiro parecendo um fantasma exausto, e depois fui para o meu quarto nos aposentos do Arcebispo. Lutz disse que passaria o festival com os órfãos, então eu precisava falar com Wilma sobre o que os órfãos estariam fazendo no dia da Cerimônia do Nó das Estrelas.

— Agora vou para o orfanato. Quem me acompanhará?

— Por favor, confie esse dever a mim, Senhora Rozemyne. — Monika sorriu e correu para mim, infinitamente feliz por poder ver Wilma.

Olhei para Fran.

— Por favor, continue seu trabalho aqui, Fran. Vou discutir os planos do orfanato para a Cerimônia do Nó das Estrelas com Wilma.

Fran interrompeu sua discussão com Zahm e assentiu.

— Monika, cuide bem da Senhora Rozemyne. Adeus.

— Adeus, Senhora Rozemyne.

Fran e Zahm cruzaram os braços e se ajoelharam quando Monika e eu saímos do quarto juntos. Naturalmente, meus dois cavaleiros guarda-costas seguiram por trás.

Ferdinando estava enviando seu assistente Zahm para ajudar Fran com o trabalho relacionado ao Arcebispo ultimamente, supostamente porque Zahm tinha mais experiência lidando com o Arcebispo anterior. Ferdinando sempre trazia Arno com ele, então eu não tinha visto Zahm o suficiente para ter uma opinião particularmente forte sobre ele. Mas o que eu sabia era que ele, não Arno, seria o principal elo entre Ferdinando e eu, agora que eu era o Arcebispo.

Eu tinha a impressão de que Ferdinando sempre tinha Arno o acompanhando, mesmo quando lidava com o Arcebispo anterior, mas eu não estava muito familiarizada com o tipo de trabalho que ele dava aos seus assistentes. Esta, no entanto, foi provavelmente uma boa mudança para Fran. Ele sempre costumava tratar Arno como seu superior, mas aqui ele estava falando com Zahm como um colega de trabalho.

— Wilma, a Senhora Rozemyne está aqui — disse Monika assim que abriu as portas do orfanato.

— Eu agradeço muito por ter vindo até aqui. O Sumo Sacerdote disse alguma coisa sobre o Arcebispo vir aqui pessoalmente? — Wilma perguntou, parecendo preocupada. Parecia que ela não esperava que eu continuasse visitando o orfanato, já que o Arcebispo anterior nunca havia feito isso.

— Eu sou o Arcebispo e farei o que quiser. O Sumo Sacerdote não me proibirá de fazer nada, desde que eu permaneça segura e não esteja me envergonhando como uma dama.

Na verdade, quando envolvi Ferdinando no plano de fazer oficinas nos orfanatos de outras cidades, ele me disse para fazer um monte de coisas para parecer uma santa. De jeito nenhum ele me proibiria de visitar o orfanato.

— Então, sobre o dia da Cerimônia do Nó das Estrelas…

Os sacerdotes azuis levavam todos os seus assistentes para o Bairro dos Nobres, a razão é que não haveria ninguém para cuidar deles quando voltassem para casa de outra forma. Ferdinando não precisava fazer isso, pois tinha sua própria propriedade no Bairro dos Nobres com seu próprio conjunto de assistentes, mas ele fazia isso de qualquer maneira, já que os outros faziam.

— Como sou a filha adotiva do Arquiduque, não posso levar pessoas para o castelo a menos que tenha recebido permissão explícita com antecedência. Por esse motivo, todos os meus assistentes ficarão no templo. Rosina é a única que posso levar.

Musicistas pessoais eram essenciais para as festas, e era por isso que podia levar a minha, comigo, para o castelo. Eu também poderia trazer Ella como minha chef pessoal, mas jogá-la no caos de uma cozinha desconhecida se preparando para uma grande cerimônia de casamento, seria completamente cruel. Perguntei a ela o que ela queria fazer, e decidimos que ela ficaria para trás até que fosse hora de viver no castelo do Arquiduque.

— Vou pedir para Ella e Nicola prepararem a comida do orfanato. Também enviei uma mensagem aos outros sacerdotes azuis de que, apesar de sua ausência, seus chefs ainda precisarão preparar a comida como de costume.

Todos os anos, o orfanato ficava sem jantar no dia da Cerimônia do Nó das Estrelas, já que todos os sacerdotes azuis estavam ausentes, mas não era como se estivessem levando seus chefs com eles. Eles tinham chefs em suas casas de família e, portanto, não precisavam levar os seus. Foi por isso que ordenei aos sacerdotes azuis que continuassem a preparar a comida, mesmo enquanto estivessem fora.

Em troca, eu mudaria como as doações oferecidas ao templo durante a Cerimônia do Nó das Estrelas eram distribuídas. O Arcebispo anterior tinha tomado metade para si, e depois deu o resto para aqueles que mais sugavam para ele.

Eu estava planejando distribuí-lo igualmente, mas Ferdinando tinha me impedido. A sociedade nobre era exigente sobre a hierarquia e as aparências, e considerando o que poderia acontecer depois que eu não fosse mais o Arcebispo, a distribuição igualitária era proibida. No final, decidimos que eu ganharia 25 por cento como o Arcebispo, Ferdinando ganharia mais 25 por cento como o Sumo Sacerdote, e então os padres azuis ficariam com a metade restante. Aqueles que não haviam puxado o saco do Arcebispo concordaram fervorosamente, enquanto aqueles que puxavam ficaram em silêncio, parecendo descaradamente irritados.

— Isso significa que não precisaremos nos preocupar com comida — disse Wilma. — Eu realmente sou grata por isso, Senhora Rozemyne.

— Além disso, Lutz virá para levar todos para a floresta, como no ano passado. Por favor, permita que ele almoce no refeitório com todos os outros. Não deve haver muita confusão, já que é tudo igual ao que fizemos no ano passado. Por favor, os vigie com cuidado, para que eles não perturbem aqueles da cidade baixa.

— Como quiser — Wilma respondeu, me dando um sorriso e um aceno de cabeça. Então, enquanto examinava a sala de jantar, seu sorriso ficou um pouco nublado. — Se você está procurando por Delia, ela está cochilando com Dirk.

— Como eles estão indo?

Monika e Nicola me disseram, quando as chamei pela primeira vez para torná-las minhas assistentes, que a luz da bênção também havia voado para Dirk. E, enquanto eu sabia que a vida de Delia não estava em perigo, eu ainda estava preocupada com ela, já que Wilma me disse que ela estava lutando muito e era incapaz de se encaixar com os outros.

— Ambos estão indo bem. Delia não tenta mais cuidar de Dirk por conta própria a ponto de entrar em colapso, e aprendeu a pedir ajuda àqueles ao seu redor. Dito isso, Dirk começou recentemente a rastejar, e Delia está muito ocupada o perseguindo e limpando. Agora é uma ocorrência diária ver Delia correndo atrás de Dirk enquanto grita “Caramba”.

— Sério? Fico feliz em ouvir isso. — Suspirei de alívio, e Wilma me deu o sorriso de uma santa.

— Senhora Rozemyne, eu realmente me sinto abençoada por servi-la.

— Huh? Wilma…? Eu fiz algo especial?

— Sei que deve ser difícil servir como o Arcebispo na sua idade, mas tenho certeza de que você terá sucesso. — Wilma me deu um olhar gentil enquanto falava, e eu poderia jurar que vi uma auréola brilhando acima de sua cabeça. Ou talvez, neste mundo, seriam as luzes de uma bênção. Parecia que ela tinha me dado uma bênção, mesmo que ela não tivesse nenhuma mana.

— Wilma é seriamente uma santa. Eu vi uma deusa, e o nome dela é Wilma.

E assim, chegou o dia da Cerimônia do Nó das Estrelas. Monika me acordou de manhã cedo e eu rapidamente terminei um café da manhã simples.

— Senhora Rozemyne, eu vou para o orfanato.

— Diga olá para as crianças por mim, Gil.

O segundo sino tocou pouco depois que Gil saiu. Enquanto tomava banho, pensei nele, em Lutz e nas crianças que estavam prestes a ir para a floresta. Era para você ter uma limpeza sagrada em um banho de água antes de um ritual, mas eu sabia que isso me deixaria doente em pouco tempo. Água quente regular seria suficiente, desde que eu limpasse meu corpo corretamente.

— Não, Monika. Isso vai levar a rugas aqui, está vendo? — Rosina disse. Como minha musicista pessoal, ela não tinha permissão para fazer o trabalho de uma assistente, mas como Monika e Nicola estavam lutando para colocar minhas roupas cerimoniais em mim, da maneira adequada e elegante, ela estava assumindo o papel de tutora.

— Eu coloco isso aqui… e depois puxo isso aqui?

— Isso mesmo, Nicola. Agora parece muito bom.

Eu sabia que não era qualquer coisa que eu poderia usar no primeiro dia em que apareceria diante do público como o Arcebispo, mas estava levando muito tempo para Rosina ensinar Monika e Nicola como fazer as roupas ficarem melhores em mim.

Eu sei que é porque ela costumava servir o Arcebispo, mas agora eu sei o quão realmente impressionante foi Delia saber como colocar roupas cerimoniais desde o início.

Uma vez que minhas vestes do Arcebispo estavam prontas, uma ampla faixa tecida com fios pretos e dourados foi pendurada sobre meu ombro direito e fixada no lugar com um broche. A segunda faixa, muito mais fina, que estava amarrada à minha cintura, também estava decorada em preto e dourado, o que tornou óbvio, à primeira vista, que este era um ritual para obter a bênção dos deuses Rei e Rainha.

Elvira me deu algum produto para o cabelo, me instruindo a fazer meu cabelo corretamente como um nobre, mesmo quando eu estava no templo. Para esse fim, Rosina estava usando sua experiência, para fazer o cabelo de Christine, para instruir Nicola e Monika sobre as maneiras complexas pelas quais as meninas nobres deveriam arrumar o cabelo. Elas amarraram meu cabelo com cordas pretas e douradas, depois experimentaram colocar meu enfeite de cabelo em vários ângulos enquanto tentavam determinar o que ficaria melhor. O enfeite de cabelo em questão era o que Ferdinando me deu para a cerimônia de batismo.

— Arcebispo, por favor, vá para a capela — disse Zahm.

Hesitei por um segundo, ainda não acostumada a ser chamada de Arcebispo, e Fran imediatamente interveio por mim.

— Senhora Rozemyne, vamos embora — disse ele, pegando minha mão e me guiando.

Comecei a andar atrás dele, tomando cuidado para não pisar na bainha das minhas vestes. Em minhas vestes normais de Arcebispo, a parte da faixa do meio estava dobrada para que a bainha só chegasse aos meus joelhos, mas minhas vestes cerimoniais eram longas o suficiente para esconder minhas pernas inteiras, assim como as roupas de uma mulher adulta. Eu estava em grande perigo de pisar nela e cair.

Atrás de mim estava Monika. Ela estava caminhando com cuidado, a grande e ornamentada bíblia destinada ao Arcebispo agarrada ao peito. Enquanto isso, Nicola estava na cozinha ajudando Ella a preparar o almoço.

— O Arcebispo está entrando na sala. — A voz de Ferdinando soou e os sacerdotes cinzentos abriram as portas da capela para mim. Os sacerdotes azuis se alinharam diante do altar e acenaram com as ferramentas mágicas nas mãos, e o som de mil sinos ecoou por toda a capela.

Peguei a enorme e pesada bíblia de Monika e caminhei lentamente pelo tapete do meio. À minha direita estavam os sacerdotes azuis, e à minha esquerda estavam apenas cerca de cem pares de recém-casados.

Os maridos e esposas, sortudos, usavam roupas com o tema da cor divina da estação em que nasceram. Os que estavam felizes, encostados um no outro, eram provavelmente aqueles que estavam se casando por amor, depois de terem crescido juntos no mesmo bairro ou algo assim, enquanto aqueles que estavam sem expressão eram aqueles que tinham casamentos arranjados por suas famílias. Na pior das hipóteses, alguns dos casais aqui estavam apenas se encontrando pela primeira vez.

Mas as expressões de todos mudaram quando me viram, não importava suas circunstâncias pessoais. Alguns deixaram cair as mandíbulas, alguns se entreolharam em descrença e outros sussurraram entre si. Provavelmente teria havido um grande alvoroço se ferramentas mágicas de amortecimento de som não estivessem sendo usadas, como haviam sido durante minha primeira cerimônia de batismo.

Quando cheguei ao altar, entreguei a Bíblia a Ferdinando, que a colocou no degrau superior. A falta de peso em meus braços aliviou um pouco minha tensão. Mas, enquanto subia o primeiro degrau até o altar, imediatamente pisei em minhas vestes. Eu podia sentir o tecido se esticando. Eu absolutamente cairia se eu tentasse continuar.

Enquanto eu congelava em pânico, sem ter ideia do que fazer, Ferdinando me pegou e me colocou no topo do altar. Ficou claro, através de seu sorriso frio, que ele estava me chamando de tola.

Eu sei, eu sei. Me desculpe.

— Esta é Senhora Rozemyne, a filha do Arquiduque e a recém-nomeada como Arcebispo — disse Ferdinando, para me apresentar. Com essas palavras, vários dos recém-casados endureceram. Essa era uma resposta razoável. Qualquer um ficaria surpreso ao saber que acabara de sussurrar sobre a filha do Arquiduque.

No meio de tudo isso, Ferdinando começou a pregar palavras de celebração e recitar um conto da Bíblia, em uma voz clara e retumbante. Era uma história sobre como os deuses Rei e Rainha, o Deus das Trevas e a Deusa da Luz, foram casados pela primeira vez, os problemas que enfrentaram e como combinaram seus poderes para superá-los. Em seguida, tornou-se uma história sobre eles terem filhos e, quando chegou a hora de celebrar o casamento de seus filhos, tornou-se uma lição sobre a Cerimônia do Nó das Estrelas. Aliás, ao contrário do Arcebispo anterior, Ferdinando tinha tudo isso memorizado e não tinha que ler a partir da Bíblia.

Era o trabalho do Arcebispo recitar contos da Bíblia, mas minha voz ainda era infantil e carente de poder, além disso, acabava ficando sem fôlego sempre que tentava ler em voz alta por muito tempo, então Ferdinando estava dizendo a eles em meu lugar. Tudo o que eu estaria fazendo era ver as pessoas oferecerem suas orações e gratidão aos deuses, então dando-lhes uma bênção em troca.

— Agora, então, vamos oferecer nossas orações aos deuses. Louvados sejam os deuses!

Os sacerdotes azuis assumiram a posição de oração, então também os casais recém-casados. Eu distraidamente folheei algumas páginas da Bíblia enquanto as observava.

— Mas que diabos?! As palavras para as orações estão escritas bem aqui! Arcebispo, seu trapaceiro! Trabalhei tanto para memorizá-las!

Recuei ao ver que, à margem de algumas páginas, as palavras das orações haviam sido escritas, à mão, e eu não as reconhecia. Eu estava tão ocupada memorizando as tábuas que Fran e Monika escreveram para mim, que nunca tive a chance de reler a Bíblia em meus novos aposentos. Mas as palavras para as orações estavam ali, eu nem precisava memorizá-las.

Enquanto eu fazia beicinho, com raiva, Ferdinando falou novamente.

— Agora, vamos prosseguir para conceder as bênçãos dos deuses. — Então, ele instruiu os casais a se ajoelharem. Era a minha hora de brilhar.

Bem, eu me esforcei para memorizar essas coisas. Eu poderia muito bem botar tudo para fora.

Fechei a bíblia, inalei profundamente e derramei mana em meu anel.

— Ó poderoso Rei e Rainha dos céus intermináveis, ó Deus das Trevas e Deusa da Luz, ouçam minhas orações. Que vocês concedam suas bênçãos ao nascimento de novas uniões. Que eles possam oferecer suas orações e gratidão a ti, e sejam abençoados com sua proteção divina.

Uma vez que eu rezei para os deuses casados Rei e Rainha, por sua bênção, a luz negra e dourada girou em meu anel antes de voar até o teto da capela e explodir. Espalhou-se em todas as direções, chovendo sobre os recém-casados.

Todos olharam para o teto, suas mandíbulas caíram em descrença. Até mesmo os sacerdotes azuis estavam usando as mesmas expressões chocadas. Ferdinando foi o único que permaneceu inabalável.

— Ela deu uma verdadeira bênção, apesar de não usar um instrumento divino? — um padre azul próximo murmurou.

Eu olhei para o meu anel, lembrando que se tornar um padre azul era o destino de nobres que não tinham muita mana, ou aqueles de famílias empobrecidas, que não podiam pagar ferramentas mágicas. Naturalmente, nenhum deles tinha ferramentas mágicas com feystones. Os sacerdotes azuis só tinham acesso a instrumentos divinos para derramar sua mana, que funcionavam de maneira semelhante às ferramentas mágicas, então era impossível para eles darem uma bênção sem uma.

Espera, eu estraguei tudo aqui? Pensei, olhando timidamente para Ferdinando, apenas para ver que ele estava usando o sorriso de alguém cujo plano maligno acabara de ter sucesso. Oh. Isso é apenas parte de seu plano de “me tornar uma santa” ou o que quer que seja.

— Seus futuros, sem dúvida, serão brilhantes, agora que vocês obtiveram as bênçãos dos deuses Rei e Rainha — declarou Ferdinando, pouco antes dos sacerdotes cinzentos abrirem as portas da capela, rangendo. O deslumbrante sol de verão refletiu nas paredes de pedra branca, iluminando a sala de uma vez. Ao mesmo tempo, as ferramentas mágicas silenciosas perderam seu efeito, e os casais imediatamente entraram em erupção, em conversas animadas.

— Uau, então isso é uma bênção! Ele disse que é a filha do Arquiduque, certo?

— Aparentemente, isso é uma bênção do Rei e da Rainha dos deuses. O novo Arcebispo é incrível, para alguém tão pequeno, hein?

— Este ano é a primeira vez que essa bênção acontece, certo? Meu irmão não mencionou nada assim.

Os recém-casados saíram pelas portas abertas, todos emocionados com o quão diferente a Cerimônia do Nó das Estrelas fora, do que haviam ouvido e esperado.

— Temos uma bênção muito boa. Vou me esquivar de toda a fruta tau lançada em nós! — um homem declarou com confiança, e os noivos se preparavam para proteger suas noivas, enquanto corriam para suas novas casas.

— O Arcebispo deve partir agora — entoou Ferdinando.

— Não, acho que vou assistir até que todos eles tenham ido embora — respondi, olhando fixamente pela porta. Eu podia ver uma única família não dando nenhum brinde aos recém-casados, nem procurando um par em particular. Eles estavam apenas olhando para a capela.

Assim como Lutz havia dito, toda a minha família veio me ver como o Arcebispo. O fato de estarem olhando ao redor da capela os fez parecer completamente desconfiados em comparação com os casais alegres. Era dolorosamente óbvio que eles tinham vindo aqui por uma razão diferente de todos os outros.

Você está se destacando! Vocês estão se destacando tanto!

Eles pareciam tão engraçados que eu não pude deixar de sorrir. Segurando o desejo de chamá-los, bati no peito duas vezes com a mão direita. Eles perceberam isso e fizeram o mesmo movimento em troca.

— Entendo — disse Ferdinando, com um aceno de compreensão, antes de começar a instruir os sacerdotes azuis e cinzentos ao redor sobre o que fazer a seguir. Parecia que ele ia me deixar fazer o que eu queria, aqui.

Já que Ferdinando fingiu não notar, eu fiz contato com a minha família que, para todos os efeitos, era direta. Como o contato indireto poderia ser. Eu toquei meu grampo de cabelo e tremi as flores um pouco, fazendo Tuuli pular de alegria. Mamãe ergueu Kamil em sua funda para que eu pudesse vê-lo, ele estava movendo a cabeça. E papai estava olhando para mim com um enorme sorriso no rosto. Fiquei no altar até que todos os recém-casados se foram, e as portas foram fechadas.

Naquela hora, os sacerdotes cinzentos haviam terminado de limpar a capela, e não havia nem um único padre azul ainda por perto. Parecia que eu tinha acabado de acordar de um sonho feliz.

Ferdinando rapidamente se aproximou, sua testa franziu e me levantou do altar. Ele então saiu da capela, onde me entregou ao Fran, que já estava esperando.

— Apresse-se e termine seu almoço, Rozemyne. Não temos muito tempo.

Eu dei um grande aceno de cabeça e disse: — Ok.

Foi apenas um breve encontro, mas meu coração estava cheio de calor por finalmente ter feito contato com minha família.

Fim da leitura

Capítulo 206 concluído

CAPÍTULO 206 - 205