Ascendance of a BookwormCAPÍTULO 207 - 206
Capítulo 207Ascendance of a Bookworm – Capítulo 206
O Castelo do Arquiduque
— Então, Fran, como é a Cerimônia do Nó das Estrelas no Bairro dos Nobres? — Perguntei enquanto almoçava nos aposentos do Arcebispo.
Os olhos de Fran vagaram desconfortavelmente.
— O mesmo não pode ser dito para a maioria dos outros sacerdotes azuis, mas, como o Sumo Sacerdote já tem assistentes em sua propriedade no Bairro dos Nobres, nunca havia muito para eu fazer. Seus outros assistentes do templo e eu, simplesmente esperávamos, na propriedade, por seu retorno. Nós recebemos a mesma comida de sempre, e enquanto o Sumo Sacerdote nos permitia usar nosso tempo lá para descansar, nós lutávamos para relaxar, sem nenhum trabalho a fazer. Como resultado, todos nós geralmente nos reuníamos para discutir assuntos relacionados ao trabalho.
Aparentemente, os assistentes de Ferdinando eram todos viciados em trabalho. O fato dele pensar que estava dando a eles tempo para descansar, sem saber que eles estavam, na realidade, apáticos e desconfortáveis sem trabalho, trouxe lágrimas de simpatia aos meus olhos, lágrimas metafóricas, pelo menos.
— Eu me sentiria mais à vontade ficando para trás, no templo. O Bairro dos Nobres não é… um lugar particularmente agradável para os sacerdotes cinzentos estarem — acrescentou Fran calmamente.
Abaixei os olhos. Era fácil imaginar quanto preconceito havia no Bairro dos Nobres, e o pensamento me deixou um pouco hesitante em ir lá.
Enquanto tomava meu chá pós-refeição, ouvi os passos de várias pessoas se aproximando da minha porta. Já que a única outra sala, além dos aposentos do Arcebispo, era a câmara ritual, era seguro assumir que eles tinham negócios comigo.
— Rozemyne, eu não te disse para se apressar?! Você é a última a aparecer. Todo mundo está esperando! — Ferdinando declarou, com raiva, enquanto entrava no meu quarto.
— Okay, okay!
Eu rapidamente engoli o resto do meu chá, deslizei da minha cadeira e saí da sala com Rosina. Meus cavaleiros de guarda, ambos mantendo as costas rigidamente retas, desde a entrada barulhenta de Ferdinando, estavam seguindo atrás de nós.
O plano era que eu ficasse no castelo do Arquiduque esta noite. Karstedt e Elvira já haviam preparado um quarto para mim, tendo enviado roupas e outras coisas assim, então me disseram que eu não teria que levar muita coisa. Só precisava das minhas vestes cerimoniais de Arcebispo.
Rosina entrou na mesma carruagem que os assistentes, enquanto eu entrei em uma, com Ferdinando e meus cavaleiros. Eu não tinha certeza se era porque eles tinham uma posição mais baixa ou porque haviam sido treinados como cavaleiros aprendizes por Ferdinando, mas Damuel e Brigitte pareciam menores e mais contidos do que o normal, quando estávamos lá dentro.
Passamos pelo Portão dos Nobres, bem aberto, para entrar no Bairro dos Nobres e então, nos dirigimos para a enorme parede que se estendia ao longo de sua extremidade. Passamos por outro portão enorme, nos levando ao castelo do Arquiduque, ou pelo menos, nos levando para onde pudéssemos vê-lo. Era um tom radiante e elegante de branco, aparentemente feito do mesmo material que o templo e o Bairro dos Nobres. Parecia ter três ou quatro andares de altura do lado de fora, mas como eu já morava na cidade baixa, onde os edifícios de seis a sete andares eram comuns, o castelo em si não parecia particularmente grande. Provavelmente, foi por isso que pareceu faltar um pouco de energia para mim.
Mas cara, era grande. Na verdade, havia tanta terra entre o portão e o castelo, que caminhar entre os dois seria um pouco irracional. Eu, honestamente, queria pedir-lhes para emprestar um pouco de terra para as pessoas que vivem na apertada cidade baixa. A enorme quantidade de espaço era, provavelmente, um significante de riqueza, e eu podia ver edifícios, que eu não conhecia o propósito, pontilhando a longa extensão que levava aos terrenos do castelo.
— Esses edifícios são onde os tutores e guardas florestais vivem. Há também fazendas e pomares, campos de treinamento para a Ordem dos Cavaleiros, quartéis para os cavaleiros e alguns jardins para festas de chá. Você estará morando no edifício do norte. O edifício ocidental é onde a segunda e terceira esposas do Arquiduque viverão quando ele se casar novamente.
Observei enquanto os campos de treinamento e os jardins, lindamente guardados, passavam pela janela da carruagem, até que finalmente chegamos à entrada norte do castelo. A entrada no lado sul era para trabalhadores como acadêmicos, cavaleiros e nobres, que tinham negócios administrativos com o Arquiduque, enquanto a entrada norte era usada por visitantes particulares e a família do Arquiduque.
Sim, qualquer um lutaria para se sentir em casa se você tivesse que caminhar por uma multidão de acadêmicos atarefados para chegar à sua casa.
Observei Rosina descer da carruagem dos assistentes e pedir aos criados que levassem várias malas de dentro. Ela foi a única que saiu, e uma vez que nossos pertences foram levados, a carruagem partiu. Os assistentes de Ferdinando, provavelmente, estavam indo para sua própria propriedade.
Assim que Rosina preparou tudo, a porta da nossa carruagem foi aberta. Damuel e Brigitte desceram primeiro, depois Ferdinando, que estendeu a mão para me ajudar a descer. Memórias da tentativa fracassada de Damuel, imediatamente, passaram pela minha mente. Olhei para baixo para ter certeza de que poderia alcançar os degraus, apenas para ganhar uma bronca imediata de Ferdinando.
— Não olhe para baixo — ele murmurou baixinho, para que ninguém mais pudesse ouvir.
— Eu tenho que fazer isso. Eu vou cair se não olhar por onde piso — protestei em voz igualmente baixa. Ferdinando fechou brevemente os olhos, depois me levantou no ar e me colocou no chão.
Eu dei um sorriso brilhante e disse: — Muito obrigada — mas tudo o que ele fez foi suspirar.
Por quê?!
A entrada norte se abriu, enquanto isso, e eu vi várias pessoas saindo para nos cumprimentar. Normalmente haveria muitos mais, mas todos estavam ocupados devido à Cerimônia do Nó das Estrelas.
O homem mais velhoda frente, que parecia ummordomo, se ajoelhou, e todos os que estavam atrás dele seguiram o exemplo.
— Bem-vindo ao lar, Senhor Ferdinando. E presumo que esta seja a Senhora Rozemyne. Posso rezar por uma bênção em agradecimento a este encontro acidental, ordenado pelos vibrantes raios de verão de Leidenschaft, o Deus do Fogo?
— Você pode — respondi.
— Ó Leidenschaft, que minha jovem senhora seja abençoada. É um prazer conhecê-la, Senhora Rozemyne. Eu sou Norbert, e estou no comando dos assistentes neste castelo. Estou ansioso para servi-la. — Uma luz azul, de aparência fofa, voou em minha direção enquanto ele falava, o que eu aceitei em mim. Eu não estava errada em pensar que ele parecia um mordomo, ele praticamente era um.
— Eu sou Rozemyne. Confio em você para me servir bem.
Norbert se levantou, assim que terminou sua autointrodução, e se virou. — Agora, os cavaleiros transferidos, por favor, deem um passo à frente. — Congelei no lugar, não tendo ideia do porquê meus cavaleiros estavam sendo transferidos, de repente, até que Ferdinando assumiu a responsabilidade de explicar.
— Como Damuel e Brigitte são adultos solteiros, eles devem participar da festa noturna que se segue à Cerimônia do Nó das Estrelas. É hora deles se trocarem no quartel dos cavaleiros.
— Ah, entendi.
Não era difícil adivinhar que o banquete seria um lugar para pessoas solteiras procurarem parceiros, assim como era o banquete noturno da cidade baixa. Por hoje, eu seria designada a cavaleiros aprendizes que ainda não tinham atingido a idade adulta.
— Cornélius, Angelica — Norbert chamou.
Dois cavaleiros aprendizes se levantaram bruscamente e deram um passo à frente. Um era Cornélius, meu irmão mais velho, e a outra era Angelica, uma garota de aparência jovem que parecia ter a idade de Cornélius. Ela tinha cabelos azuis-claros e olhos azuis-escuros. Ficou claro que Brigitte era uma amazona, de aura marcante ao seu redor, mas Angelica dificilmente parecia uma amazona, ela era uma garotinha adorável com traços esbeltos. Eu teria aceitado mais facilmente que ela era uma assistente.
— Estes são Cornélius e Angélica, que servirão como seus guardas — disse Ferdinando. — Você já conhece Cornélius, então vou poupá-la dos detalhes. Quanto a Angelica, você pode considerá-la sua guarda para o Bairro dos Nobres. Sua aparência a torna bastante adequada para ficar de guarda durante festas e reuniões de chá. — Suas palavras foram suficientes para que eu confiasse que Angelica era habilidosa o suficiente para ser uma amazona, mas o fato dela ser uma garotinha tão bonita, ainda tornava o pensamento um pouco chocante.
Os cavaleiros trocaram de lugar, e eu comecei a caminhar pelo castelo. Ao meu redor havia escadarias brancas puras e corredores igualmente brancos que se estendiam ao longe. As únicas injeções de cor eram os tapetes espalhados pelo chão, que eram azuis para representar a cor divina do verão, e as tapeçarias penduradas nas paredes. Ninguém explicou o que estava por trás de nenhuma das portas que estávamos passando.
Subimos ao segundo andar e, enquanto caminhávamos por outro corredor, vi uma mansão separada pela janela. Eu apontei para ela, e Ferdinando explicou que era o edifício do norte. Era aqui que os filhos do Arquiduque viviam quando terminavam o batismo, e estava conectado ao castelo principal através de um corredor, que se unia ao segundo andar. Presumi que era para lá que iríamos, mas Norbert parou em uma porta próxima.
— Por favor, siga-me. Vou apresentá-la aos seus assistentes, Senhora Rozemyne.
Meus dois guardas estavam ao lado da porta e Ferdinando e eu entramos com Norbert. Era uma sala de estar que tinha uma espreguiçadeira, várias cadeiras e uma mesa, perto da qual uma mulher, de aparência verdadeiramente idosa, que parecia uma manifestação física da palavra “vovó” estava de pé. A boca de Ferdinando contraiu-se ligeiramente no segundo em que a viu, uma reação incomum para ele.
— Richarda, você vai cuidar de Rozemyne…?
— Isso mesmo. Senhor Sylvester pessoalmente me pediu para cuidar dela.
Quando olhei entre Ferdinando e Richarda, Norbert deu um passo à frente para apresentá-la.
— Senhora Rozemyne, esta é Richarda. Ela será sua assistente-chefe, aqui.
— Agradeço seu serviço — eu disse, fazendo a reverência que Elvira havia martelado em mim. Richarda abriu um sorriso.
— Vejo que Senhor Karstedt te criou corretamente. Eu sempre gosto de ver alguém que tem boas maneiras. Minha princesinha, eu sou Richarda. Sem dúvida, será um prazer servi-la — disse Richarda, antes de começar a gritar instruções. — Você é a musicista pessoal da minha princesinha, certo? Ouvi do Senhor Sylvester que você é muito habilidosa. Norbert, leve-a para onde ela precisa estar. Eu sei que você precisa de tantos músicos quanto conseguir hoje.
Norbert cruzou os braços sobre o peito.
— Imediatamente, Richarda. Confio o resto a você.
Com isso, ele saiu da sala com Rosina. Ele, aparentemente, a levaria a uma reunião de músicos que se preparavam para tocar na festa.
— Agora, então, minha princesinha, é hora de negócios — disse Richarda, e eu me levantei reflexivamente. — Primeiro, tomar banho. Precisaremos ajustar seu penteado para combinar com as tendências atuais. Depois de tomar banho, você vai trocar de roupa e comer com a família. Então, vestirá suas vestes cerimoniais e participará da Cerimônia do Nó das Estrelas. Quando a cerimônia terminar, você retornará ao seu quarto, tomará banho e dormirá. Alguma dúvida?
Por um segundo, presumi que só trocaria de roupa, mas ouvir Richarda mencionar tomar banho me fez perceber algo, eu precisava perguntar se eles tinham Limxam. Eu não tinha esquecido o quão seco e nojento meu cabelo ficava quando lavado com sabão.
— Com licença, Richarda. Preciso de algo chamado Limxam para lavar o cabelo direito. Você poderia pedir a minha mãe para mandar um pouco? Sem ele, meu cabelo fica seco e quebradiço. Eu prefiro ter um penteado desatualizado do que danificar meu cabelo usando sabão.
Os olhos de Richarda se arregalaram, enquanto ela ouvia, e então ela soltou uma gargalhada.
— Uma precoce, não é! Meu meu meu… Bem, então, considere feito. Você poderia pedir a Senhora Elvira para lidar com isso, Ferdinando, meu menino?
Você vai fazer com que o Sumo Sacerdote leve um recado, Richarda?! E você está chamando ele de “meu menino”? Caramba! Isso não combina nada com Ferdinando!
Desviei o olhar de Ferdinando, segurando o desejo de rir. Ver a expressão em seu rosto agora me faria rir.
— Richarda, você poderia parar de me chamar de “meu menino”?
—Eu vou quando você se casar, meu menino.
Ferdinando está perdendo! Uau! Richarda é incrível! Queria tanto poder rir agora. Eu estaria rolando, batendo os punhos contra o chão!
Ferdinando, sem dúvida, tendo descoberto o que eu estava pensando, lançou-me um olhar frio, antes de caminhar para a varanda e transformar sua feystone em uma besta. Ele pulou sobre ela, e foi para o céu.
— Acho que ele voltará em pouco tempo. Vamos tomar um chá enquanto esperamos — disse Richarda, já tendo começado a preparar.
— Ham, Richarda… Posso perguntar qual é a sua história com Ferdinando, Sylvester e meu pai?
— Eu ensinei Senhor Karstedt desde que ele era um garotinho, e então, eu fui a ama de leite do Senhor Sylvester. Foi mais do que um pouco difícil para mim, já que ambos adoravam se mover. Nenhum deles jamais ficaria parado. Conheço o Senhor Ferdinando desde que ele era um menino também, desde quando ele foi trazido pela primeira vez ao castelo.
Wow! E pensar que existia uma potência que é conhecida pelo trio inteiro desde que eram crianças!
Richarda era viúva de um nobre superior e já tinha netos. Uma vez que Sylvester era muito velho para uma ama de leite, ela continuou a servi-lo como assistente e agora se tornara minha assistente, a pedido de Sylvester.
Hum… Só espero não ter tirado uma das poucas coisas que mantêm nosso incontrolável Arquiduque sob controle.
Esperamos um pouco e, rapidamente, Ferdinando voltou com um pequeno frasco. Ele pousou na varanda e transformou sua besta de volta em uma feystone, antes de entrar.
— Obrigada, meu menino.
— Quantas vezes devo pedir para você parar…? Não importa. Vou ao escritório do Sylvester. Richarda, cuide de Rozemyne.
Depois de observar a visão muito rara que era Ferdinando fugindo, usando uma careta desconfortável, enquanto o fazia, fui levada para o meu quarto, no edifício norte, onde os filhos do Arquiduque moravam.
— Aqui estamos, minha princesinha.
Os meninos ficavam no segundo andar, e as meninas no terceiro. Foi definido em pedra que os meninos deixariam o edifício quando chegassem à idade adulta, com o Arquiduque da próxima geração se movendo para o edifício principal, enquanto os outros se mudariam para residências fora do castelo. As meninas, por outro lado, tecnicamente, podiam ficar até se casarem. No momento, Wilfried e eu éramos os únicos morando aqui.
Entramos pelo corredor do segundo andar, conectando o prédio ao castelo principal, o que nos levou a uma escada. Quando olhei em volta, notei que havia cavaleiros parados em frente a uma porta um pouco mais adiante; aquele era, provavelmente, o quarto de Wilfried. Eu instintivamente olhei em volta para Lamprecht, mas, lembrei que ele era um nobre adulto solteiro. De jeito nenhum ele estaria aqui. Ele estava definitivamente ocupado se preparando para o banquete.
Subi para o meu quarto no terceiro andar, que estava localizado ao lado direito das escadas. Assim que abri a porta, pude dizer que o interior havia sido preparado por Elvira. Era exatamente como meu quarto, na propriedade de Karstedt e nos aposentos do Arcebispo, em outras palavras, estava muito bem decorado com flores vermelhas e rosa.
— Você deve se sentir em casa aqui, hein? — Richarda comentou, enquanto me levava para a sala de banho. Ela habilmente tirou minhas roupas e começou a lavar meu cabelo com o Limxam, tirando rapidamente o gel, ou o que quer que fosse. Eu podia sentir isso escorrer pelo meu rosto quando Richarda jogou água quente na minha cabeça; abrir minha boca agora seria um desastre, com certeza. Sentei-me perfeitamente imóvel, me sentindo como um vegetal sendo lavado antes de ser picado.
— Você torna isso tão fácil, minha princesinha. Não poderia ser mais diferente daqueles pequenos patifes.
Ela, aparentemente, havia banhado Karstedt e Sylvester da mesma forma, pois seus olhos estavam enrugados de nostalgia. Foi comovente ver seu amor se mostrando tão claramente em seu rosto.
— Meus Deuses, seu cabelo é tão sedoso. Isso é por causa do Limxam?
— De fato. Depois de usá-lo uma vez, você nunca poderá ficar sem — eu disse, recomendando o Limxam à Richarda.
— Por favor, use isso no jantar — disse ela, olhando através do guarda-roupa e tirando um vestido chique que Elvira havia preparado para mim.
Já que hoje era a Cerimônia do Nó das Estrelas, eu precisaria usar roupas que eram ainda mais adequadas do que o normal. Ela prendeu meu cabelo novamente usando o gel, depois empurrou um enfeite de cabelo. Era aquele que Elvira havia encomendado à Companhia Gilberta.
— Nunca vi um ornamento de cabelo assim antes — disse Richarda, olhando curiosamente para o enfeite de cabelo. Essa reação quase confirmou que eu usando isso, como filha do Arquiduque, começaria uma enorme tendência de enfeites de cabelo.
Desculpe, Benno. Eu sei que você está tendo um descanso muito necessário, mas eu acho que você pode ter mais trabalho vindo em sua direção, em breve.
Uma vez que eu estava trocada, Richarda me guiou para a sala de jantar, onde Sylvester e Ferdinando já estavam sentados e discutindo algo. Ela me levou para o assento ao lado de Ferdinando.
— Então você veio, Rozemyne — disse Sylvester.
— Olá… Pai? Senhor Sylvester? Já faz algum tempo. Posso fazer uma pergunta?
— Basta ficar com “Sylvester”. Solte a parte do “Senhor”. Porém, mantenha alguma distância, por razões políticas, mas não muito. E claro, vá em frente. Qual é a sua pergunta?
Eu fui em frente e perguntei-lhe a que horas e em que dia a reunião no restaurante italiano seria. Sylvester pode ter uma data na cabeça, mas ele não nos disse nada.
— Todo mundo estará ocupado amanhã se recuperando do festival, certo? E depois de amanhã, estarei ocupado cuidando dos nobres que se casaram. Então isso nos deixa o dia seguinte. Iremos ao templo no terceiro sino, depois nos mudaremos para o restaurante no quarto sino.
— Entendido. Há algo em particular que você gostaria de ver no menu? Ou qualquer coisa que você não queira ver?
— Apenas me dê coisas que eu nunca comi antes.
— Como eu vou saber o que você já comeu antes, Sylvester?
— Algo como o que eu comi na Oração da Primavera servirá perfeitamente.
Eu sabia que Sylvester gostava de coisas novas e únicas. O menu planejado parecia que iria dar certo.
Quando perguntei sobre as coisas que Benno queria que eu rechecasse, Florencia entrou na sala. E então, quando nossa conversa acabou, Wilfried entrou. Sua expressão se suavizou de alívio quando ele me viu. Como esperado, ele realmente tinha sido dilacerado sobre o que tinha acontecido durante a cerimônia de batismo.
Assim que Wilfried se sentou, Sylvester se levantou.
— Parece que todos estão aqui. Vamos começar, então.
Com uma expressão afiada, condizente com um Arquiduque, Sylvester deu saudações divinas antes de prosseguir com a discussão sobre a Cerimônia do Nó das Estrelas, entre outras coisas. Enquanto isso, os garçons estavam ocupados, mas graciosamente zumbindo pela sala, nos servindo comida de grandes travessas.
Sylvester havia dito que todos estavam aqui, mas o irmão e a irmã mais novos de Wilfried não estavam em lugar nenhum. Era só Sylvester, Florencia, Wilfried e eu, com Ferdinando como nosso único convidado.
— Ferdinando, onde estão as outras crianças? — Perguntei.
— Aqueles que não tiveram seu batismo, não estão autorizados a comparecer — respondeu ele.
Por mais inacreditável que parecesse, as crianças nobres nem sequer podiam comer com suas famílias antes de serem batizadas. Era aparentemente proibido para eles sentarem-se com adultos até que lhes tivessem sido ensinadas boas maneiras. Eu provavelmente só considerava isso uma coisa tão ruim porque eu amava muito comer com minha família. Uma infância passada comendo sozinha era triste, de alguma forma.
Mas eu era, aparentemente, a única que pensava assim. Todos os outros aqui eram nobres que haviam sido criados assim, até Wilfried estava sentado ereto à mesa. Os nobres eram ensinados que não deveriam se levantar até que a refeição terminasse. De volta à minha cerimônia de batismo, o desastre felizmente não ocorreu até que a refeição já estivesse terminada.
Só hoje, o jantar começou antes do sexto sino. Era bem cedo para os jantares, mas este era um jantar formal que durava mais do que o normal, e por uma boa razão, era a última refeição que as pessoas que estavam se casando teriam com suas famílias.
Quando a refeição acabou, Charlotte e o recém-apresentado Melchior foram levados para a sala de jantar, por uma ama de leite. Ambos eram minúsculos, e eu não podia vê-los, já estava sentada.
— Boa noite, papai. Boa noite, mamãe.
— Durmam bem, Charlotte e Melchior.
Eles se abraçaram e disseram seus “boas noites” antes de partirem imediatamente. De acordo com Ferdinando, essa era a única hora que eles viam ou interagiam com seus pais. Era uma troca tão seca e estéril que mal podia acreditar em meus olhos.
— Boa noite, pai. Boa noite, mãe. — Wilfried disse, enquanto se levantava, antes de partir também.
Eu fiz o mesmo, e juntos começamos a fazer o nosso caminho de volta para o edifício do norte. Wilfried ficaria preso em seu quarto novamente, mas eu precisava vestir minhas vestes de Arcebispo e ir para o grande salão de reuniões, onde a Cerimônia do Nó das Estrelas aconteceria.
Quando chegamos às escadas e chegou a hora de seguirmos caminhos separados, Wilfried soltou um murmúrio.
— Hum… É bom ver que você está indo bem, Rozemyne. Sinto muito por aquilo.
— Tudo acabou bem graças à cura e às poções de Ferdinando. Sinto muito por te preocupar.
Parecendo aliviado por ter tido a chance de se desculpar, Wilfried foi para o quarto. Subi as escadas, para voltar ao meu, apenas para encontrar Richarda esperando com um pacote de roupas em seus braços, no segundo em que entrei pela porta.
— Agora, então, minha princesinha, vamos nos apressar e trocá-la. Mais recém-casados estão chegando enquanto falamos.
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