Ascendance of a BookwormCAPÍTULO 208 - 207
Capítulo 208Ascendance of a Bookworm – Capítulo 207
Cerimônia do Nó das Estrelas no Bairro dos Nobres
—Otilier, desfaça a faixa para mim.
Havia outra assistente à espera com Richarda, uma mulher que parecia ter a mesma idade de Elvira e parecia ser chamada de “Otilier”. Ambas trabalharam juntas para tirar meu vestido, e tudo o que eu podia fazer era ficar lá e deixá-las fazer seu trabalho. Meus sapatos foram trocados, e minhas vestes cerimoniais de Arcebispo foram colocadas em mim. Ambas trabalharam super, super-rápido, sem dúvida sendo muito acostumadas a trocar as roupas das crianças.
Nicola e Monika lutaram para me vestir com minhas roupas cerimoniais naquela manhã, mas Richarda e Otilier me vestiram em pouco tempo. Observei no espelho enquanto a faixa menor estava amarrada em torno das vestes lindamente plissadas, e a maior foi colocada na diagonal ao longo do meu peito, ao lado de uma tonelada de outros ornamentos decorativos.
Quando a caixa de enfeites estava vazia, Richarda deu um passo para trás e olhou para mim, antes de dar um aceno firme e satisfeito. Ao me olhar no espelho, notei que havia apenas uma parte de mim que permanecia inalterada. Estendi a mão lenta para tocar meu enfeite de cabelo. Eu queria trocá-lo pelo que minha família fez.
— Richarda, posso pedir que você troque este enfeite de cabelo por… aquele ali, com as cores do verão? — Assim que eu perguntei, Richarda os trocou, completando assim minha roupa.
— E lá vamos nós. — Richarda me guiou até o grande salão de reuniões, Cornélius e Angelica, naturalmente, seguindo como meus guardas.
— Wow?!
— Cuidado agora!
No caminho, descendo as escadas, pisei no meu vestido e teria caído, se Cornélius não tivesse instantaneamente estendido a mão e me segurado.
— Agradeço muito. Minhas vestes normais só chegam até meus joelhos, e eu ainda não me acostumei a andar nessas mais longas…
— Você precisa pegar um pouco enquanto caminha, minha princesinha — Richarda pegou um pouco de sua própria saia e depois deu alguns passos para demonstrar.
Eu presumi que era proibido, pois não tinha visto mais ninguém fazendo isso, mas, aparentemente, não havia problema em levantar um pouco a bainha. Mas, assim que pensei que isso tornaria as coisas muito mais fáceis para mim, Richarda lançou outro aviso.
— Tenha cuidado para não suspender muito. Você não quer que suas pernas apareçam.
Eu não me importava que as pessoas vissem meus tornozelos, já que minhas vestes normais só iam até o joelho, de qualquer maneira, mas guardei meus protestos para mim. Richarda vencia as discussões até mesmo contra Ferdinando. Eu não tinha, absolutamente, nenhuma chance de ganhar contra ela.
Eu subi um pouco a saia enquanto caminhava, tomando muito cuidado para não pisar na bainha, apenas para ter Richarda pisando na minha frente, usando uma carranca.
— Com licença, minha princesinha — disse ela, antes de se abaixar e me pegar. Pisquei de surpresa quando ela saiu a uma velocidade muito mais rápida do que eu jamais esperaria de uma velha avó. — Se continuarmos no seu ritmo, o sétimo sino tocará antes de chegarmos ao corredor.
O sétimo sino era aparentemente quando a Cerimônia do Nó das Estrelas começava, e Richarda determinou que chegaríamos atrasados se ela me deixasse continuar andando. Mas, honestamente, não era realmente minha culpa. O castelo era ridiculamente grande. A distância entre o edifício do norte, isto é, os aposentos, e o salão de reuniões, era muito longa para uma criança andar. E então, havia o fato de que tivemos que fazer um monte de voltas em vez de ir diretamente em direção ao corredor, o que fez a viagem ainda mais longa do que precisava ser. Eu tinha metade de um motivo para exigir que as carruagens fossem permitidas nos corredores.
Richarda me carregou quase todo o caminho para o salão de reuniões, me colocando a uma curta distância do corredor que levava para dentro. Ela me olhou por toda parte, para ter certeza de que minhas roupas não haviam sido amarrotadas ou algo assim.
— É o mais longe que posso levá-la, minha princesinha. Caminhe direto pelo tapete e suba pelo altar no final. Senhor Sylvester estará lá.
— Okay.
Virei a esquina, para ver um grande salão, iluminado por coisas brilhantes que pareciam lâmpadas. As velas eram usadas o mais moderadamente possível na cidade baixa, para economizar cera, então era padrão que tudo ficasse preto como breu quando o sol se punha, mas aqui no Bairro dos Nobres, essas ferramentas, que funcionavam como lâmpadas, eram usadas abundantemente. Embora elas não fossem tão brilhantes quanto, digamos, aquelas alimentadas por eletricidade na Terra, as paredes de branco puro faziam tudo parecer muito, muito mais brilhante.
— Certamente está claro aqui.
— Você não tem isso no templo? São ferramentas mágicas que amplificam a pequena luz das velas — explicou Cornélius, enquanto caminhávamos. Concordei com a cabeça. As portas que levavam ao salão de reuniões estavam abertas, e eu já podia ver uma tonelada de pessoas reunidas lá dentro.
— O Arcebispo chegou — anunciou uma voz.
O salão de reuniões tinha um teto enorme, como um ginásio de ginástica, e era dividido em dois por um tapete preto com bordas douradas. Recém-casados e nobres adultos solteiros, estavam esperando de ambos os lados, conversando entre si.
Eu olhei para frente e passei pelo tapete o mais rápido que pude, sentindo uma sala inteira de olhos curiosos me observando. Mas, apesar dos meus melhores esforços, eu ainda estava andando muito mais devagar do que a maioria das pessoas gostaria, algo que ficou especialmente claro quando ouvi Cornélius sussurrar um “Você pode fazer isso”.
Comecei a subir o altar, quando cheguei ao fim, e, graças a ser capaz de levantar minha saia, consegui fazê-lo sem tropeçar. Só isso me fez sentir como se tivesse completado uma tarefa enorme e árdua.
— Por aqui, Rozemyne — disse Sylvester. Ele estava calmamente sentado em uma cadeira, no topo do altar, como Richarda havia dito que estaria.
Karstedt estava de pé atrás dele e fez sinal com os olhos para que eu me sentasse na cadeira, ao lado do Arquiduque, que havia sido preparada para mim. Eu fiz exatamente isso.
— Rozemyne, onde está sua bíblia? Como você vai realizar a cerimônia sem ela? — Sylvester perguntou, seu tom incrivelmente preocupado. Ferdinando não havia escrito Bíblia na lista de coisas que eu tinha que trazer para o Bairro dos Nobres, então eu nem tinha considerado isso como algo que eu precisaria.
— Eu conheço as palavras da oração, e Ferdinando estará recitando as histórias da própria Bíblia. Não haverá nenhum problema — expliquei, e Sylvester pareceu relaxar visivelmente.
— Contanto que você possa dar a bênção. Ha, a propósito, serei eu quem recitará as histórias.
— Entendo.
Agora que eu estava no topo do altar, eu estava livre para olhar ao redor do salão de reunião como uma professora olhando sobre sua classe do pódio. Oh, lá está Ferdinando.
— Vejo que não há nenhuma mulher ao redor de Ferdinando. Por que isso?
Eu podia ver mulheres o observando de longe e gritando de excitação, mas nenhuma estava realmente tentando se aproximar dele. Talvez todas tivessem descoberto a personalidade desagradável que ele tinha. Nesse ritmo, parecia improvável que ele escapasse de Richarda o chamando de menino.
— Apenas uma tola aproveitaria esta oportunidade, para encontrar um parceiro romântico, para desperdiçá-la conversando com um padre celibatário — disse Sylvester.
Honestamente, fazia todo o sentido. A única pergunta que eu tinha era, porque no mundo Ferdinando tinha se dado ao trabalho de se juntar à multidão.
— Rozemyne, você quer que Ferdinando se case logo? Eu aposto que ele está chicoteando você até os ossos no templo e empilhando toneladas de trabalho em você. Deve ser difícil.
— Na verdade, é exatamente o oposto, eu estaria em mais problemas do que qualquer um se Ferdinando deixasse de ser o Sumo Sacerdote. Eu sei que isso seria muito injusto com ele, mas eu gostaria que ele permanecesse solteiro até que eu atingisse a maioridade, no mínimo.
Examinei a multidão, procurando por quaisquer outros rostos familiares, e notei Brigitte sozinha perto de uma parede. Ela parecia desinteressada em se juntar à multidão, mas eu não sabia se isso era uma coisa boa para ela.
— O que acontece se você não encontrar um parceiro de casamento aqui?
— Depende da sua família e do porquê você não conseguiu encontrar um parceiro. Você está falando sobre a sua amazona, hein? Encontrar um parceiro vai ser muito difícil para ela — disse Sylvester, com uma carranca, enquanto olhava para Brigitte também.
— Por que isso?
— Coisas de família.
De acordo com Sylvester, o pai de Brigitte havia morrido há três anos, momento em que seu irmão mais velho, que acabara de atingir a maioridade, herdou a posição de Giebe Illgner. Brigitte estava noiva na época, mas o homem com quem ela deveria se casar e sua família, viram fraqueza na idade jovem de seu irmão mais velho, e planejavam assumir o controle de toda a casa de Illgner.
Achando isso desprezível, Brigitte expressou seu descontentamento e pôs fim ao noivado. Embora suas famílias fossem da mesma posição, a família do homem tinha mais experiência em uma variedade de campos, e havia mais do que alguns planejadores astutos entre eles. Até hoje, eles estavam dando ao irmão mais velho, inexperiente, de Brigitte o máximo de problemas que podiam. Embora ela tivesse salvado sua família de ser consumida, cancelando o casamento, sua escolha também acabou colocando seu irmão em enormes dificuldades, o que a fez incrivelmente deprimida.
Brigitte pediu para ser minha amazona de guarda, antes de qualquer outra pessoa, querendo reunir o máximo de influência possível para ajudar seu irmão mais velho, mesmo que ela tivesse que ir ao templo e à cidade baixa, no processo. Sua determinação inflexível lhe deu a força para ir a um lugar que todos os nobres odiavam, tudo para proteger sua família e as vidas dos cidadãos de sua província.
Lágrimas brotaram em meus olhos enquanto eu ouvia a história, o que fez Sylvester olhar para mim chocado.
— Por que você está chorando?! O que nisso vale a pena chorar? Esse tipo de coisa acontece diariamente, não é?!
— Quero dizer…— Eu sou apenas fraca para histórias sobre laços familiares fortes. Especialmente agora…
O pai também era reconhecido como o pilar central da família na cidade baixa, então a maioria caia em momentos difíceis quando ele morria, especialmente quando seu sucessor ainda não havia sido totalmente criado. Benno tinha acabado de atingir a maioridade quando seu pai morreu e mencionou que não apenas a maioria de seus funcionários havia se demitido, mas ele tinha sido regularmente atormentado pelo mestre da guilda. Se um comerciante comum tinha esse tipo de dificuldade, então eu só poderia imaginar o que um giebe, que teria que liderar uma província inteira, passaria.
— Eu não tinha ideia de que Brigitte estava em uma situação tão ruim… Pai, Sylvester, o que posso fazer para ajudá-la? — Perguntei a Karstedt e Sylvester, respectivamente.
— A situação dela pode melhorar um pouco se você puder apresentá-la a algumas boas casas, mas dada a sua personalidade, isso não vai ser fácil, — disse Sylvester. — Ela é bastante autoconsciente sobre como as pessoas a veem, mas, ao mesmo tempo, ela realmente não se encaixa com todos os outros. Olhe o que ela está vestindo. Isso deve dizer tudo o que você precisa saber.
Dei uma olhada mais de perto em Brigitte. Era muito fácil adivinhar que ela estava vestindo algo na moda, pois suas roupas eram semelhantes às de muitas outras mulheres, mas o estilo não combinava muito com ela.
— Parece que ela está perseguindo tendências para evitar parecer fora do lugar, — observei, — mas as roupas não ficam bem nela, então ela acaba ficando meio bonita como resultado. — Com toda a honestidade, Brigitte parecia muito mais legal e mais atraente em seu equipamento de amazona habitual.
— Sim. Ela é alta e musculosa, então roupas femininas não a favorecem.
— Agora, isso não é verdade. Muitas roupas femininas ficariam bem em Brigitte, supondo que fossem o estilo e a cor certos. Embora tudo o que vem à mente vá contra as tendências atuais…
— Tudo bem. Nesse caso, que tal você fazer as tendências? As mulheres não têm muito tempo para se casar. Diz-se que uma garota que ainda está solteira aos vinte anos, ficará solteira pelo resto de sua vida.
Hum, isso é pedir um pouco demais. Eu não posso simplesmente subir e fazer tendências em um piscar de olhos.
Estufei as bochechas em um beicinho e tentei pensar em mais roupas que ficariam bem em Brigitte, o tempo todo examinando a multidão. Eu tinha a sensação de que Damuel estaria passando por momentos tão difíceis quanto ela.
Lamprecht não era muito difícil de detectar, considerando que ele era alto o suficiente para que sua cabeça ficasse acima da multidão de mulheres ao seu redor. Parecia que ele era tão popular que escolheria qualquer uma que quisesse. Não havia necessidade de me preocupar com ele.
— Vejo que meu querido irmão Lamprecht está cercado por mulheres. Você acha que ele se casará no próximo ano?
— Imagino que ele ainda ficará solteiro por mais um tempo — explicou Karstedt enquanto permanecia de guarda. — Ele se apaixonou por uma garota de outro ducado na Academia Real, e ela ainda não tem idade. Há uma chance de que sua família não a deixe se casar com ele, quando ela atingir a maioridade, então isso pode não acontecer.
Espera, isso é um relacionamento de longa distância? E o que é sobre uma família rival? É Romeu e Julieta? Eu precisava de mais detalhes. Não havia romance em minha própria vida, então eu vivia, praticamente, através da vida amorosa dos outros.
— Sou só eu, ou Eckehard não está aqui? — Perguntei.
— Eu estava querendo que ele seguisse em frente e procurasse uma nova esposa, mas parece que vai levar mais tempo para ele se curar — respondeu Karstedt.
— Hum, o quê?! Ninguém me contou sobre isso.
Eckehard aparentemente se casou uma vez, mas sua esposa faleceu. Eu estava ficando um pouco preocupada sobre o quão pouco eu realmente sabia sobre a minha nova família.
— Ainda é um assunto delicado para ele, então não vem muito à tona. Rozemyne, por favor, tome cuidado para não falar sobre o casamento de Eckehard ou sua falecida esposa.
— Claro.
Continuei procurando por Damuel enquanto refletia sobre todas as revelações chocantes que estavam sendo lançadas, mas a multidão era tão densa que eu não conseguia vê-lo. Não fazia ideia de onde ele poderia estar. Assim que comecei a ficar cada vez mais séria na minha busca, o sétimo sino tocou.
Sylvester levantou-se suavemente e deu um passo à frente, esvoaçando sua capa atrás dele.
— Agora começa a Cerimônia do Nó das Estrelas. Todos os recém-casados, um passo à frente!
Oito casais entraram na sala de reuniões. Suas roupas tinham modelos muito mais elegantes e usavam roupas mais lindas do que as que eu tinha visto na cidade baixa esta manhã, mas suas cores ainda combinavam com a temporada em que o usuário nasceu. Os casais começaram a andar para frente, mantendo uma quantidade definida de espaço entre cada par. Gritos, palmas e palavras agradáveis de celebração encheram a sala, contribuindo para a atmosfera alegre.
Uma vez que os casais estavam alinhados em frente ao altar, Sylvester começou a recitar uma história bíblica, em uma voz retumbante. Foi bastante abreviada em comparação com o que estava escrito na bíblia, mas ele definitivamente tinha memorizado. O velho Arcebispo realmente havia sido um fracasso completo e absoluto.
Assim que terminou de contar a história do Deus das Trevas e da Deusa da Luz, Sylvester começou a chamar os nomes daqueles que se casaram.
— Bernardo, filho do Barão Glaz, dê um passo à frente com Lagrete, filha do Barão Blon.
O casal chamado subiu os degraus do altar. Sylvester confirmou que eles queriam se casar, depois entregou a eles a ferramenta mágica parecida com uma caneta, que ele havia usado ao assinar meus papéis de adoção. Uma vez que ambos assinaram o contrato espalhado na frente deles, ele desapareceu em uma pequena explosão de chama dourada. Depois que todos os oito contratos desapareceram, aplausos altos ecoaram pelo salão.
— O Arcebispo agora abençoará os recém-casados.
Finalmente, era hora de fazer meu trabalho. Levantei-me e caminhei para frente, para ficar ao lado de Sylvester.
— Vá com tudo — ele sussurrou, embora eu mal pudesse ouvi-lo, já que ele era muito mais alto do que eu. Parecia que ele também pretendia empurrar a lenda de Rozemyne, a Santa.
Despejei um pouco mais de mana no meu anel do que no templo pela manhã e respirei fundo, antes de levantar as mãos e começar a orar.
— Ó poderoso Rei e Rainha dos céus intermináveis, ó Deus das Trevas e Deusa da Luz, ouçam minhas orações. Que vocês concedam suas bênçãos ao nascimento de novas uniões. Que aqueles que oferecem suas orações e gratidão a ti, sejam abençoados com sua proteção divina.
A luz preta e dourada girou em meu anel, antes de disparar até o teto, assim como no templo. Os dois feixes de luz se torceram um ao redor do outro, antes de, eventualmente, explodirem em pequenas manchas de luz, que se espalharam e choveram sobre os recém-casados.
— Oooh…
Vozes impressionadas encheram o salão de reuniões, seguidas por um breve momento de silêncio, antes que o salão entrasse em erupção, em aplausos mais uma vez. A julgar pela mistura de surpresa e alegria nos rostos dos recém-casados, era seguro dizer que minha oração tinha sido um sucesso.
— O Arcebispo deve partir agora. Que ela seja abençoada por conceder uma bênção tão grande, apesar de sua juventude! — Sylvester declarou. Todos os presentes pegaram suas varinhas brilhantes e as ergueram, fazendo-as brilhar ainda mais, com mana. Elas pareciam exatamente como varinhas de maestro de concerto, e embora fosse uma visão bonita, eu me senti mortalmente envergonhada, sabendo que eram todas elas para mim. Caminhando calmamente no meio de tudo, o que era uma tarefa muito grande, corri através do tapete o mais rápido que pude, querendo fugir da fonte da minha vergonha o mais rápido possível.
As grandes portas do salão de reuniões se fecharam depois que eu passei por elas. Em seguida seria o banquete, que apenas os adultos podiam participar. O conhecimento de que meu trabalho agora estava feito, juntamente com o fato de que eu normalmente estaria dormindo, fez meu corpo se sentir repentinamente pesado do nada.
— Você está bem, Rozemyne?
— Cornélius, acho que atingi meu limite.
Cornélius apressadamente me pegou, sabendo muito bem que eu poderia desmaiar a qualquer momento. Mas, apesar de ser muito maior do que eu, ele ainda não tinha força para me levar muito longe.
— Desculpe, Angélica, mas você poderia se apressar e chamar Richarda para mim?
Angelica assentiu com firmeza e desapareceu em um piscar de olhos. Um segundo depois, ela voltou correndo.
— Richarda estará aqui imediatamente.
— Obrigado. Eu te devo uma, Angelica.
— Meus Deuses! — Richarda exclamou, enquanto corria, após um breve momento. Ela me levantou e começou a me carregar de volta para o meu quarto. — Agora, se você não é apenas a pessoa mais fácil de carregar. Leve e dócil. Que tal?
Richarda era, aparentemente, mais do que um pouco forte, graças a sempre ter que pegar Sylvester e levá-lo de volta para seus professores, quando ele era criança, ou arrastá-lo para fora da cama e para seu escritório sempre que ele tentava evitar o trabalho. Ela me contou várias histórias enquanto voltávamos, depois me colocou no chão quando finalmente chegamos ao meu quarto. Eu podia me sentir balançando no momento em que meus pés tocaram o chão.
— Minha princesinha, você tem que tomar banho antes de dormir.
Eu só queria pular na cama e ir dormir, mas Richarda se recusou a me deixar dormir, enquanto o gel ainda estava no meu cabelo. Ela e Ottilie tiraram minhas roupas antes de me colocar na banheira, e eu descansei minha cabeça contra a banheira enquanto lavavam meu cabelo com Limxam. A água quente estava me deixando cada vez mais sonolenta.
— Cuidado agora, minha princesinha.
— Hum…
No momento em que eu estava fora da água e tendo algum tipo de óleo perfumado colocado em mim, eu já estava adormecendo.
— Acorde, minha princesinha. Você tem que acordar, minha princesinha.
— Okaaay…
Continuei a balançar sonolenta, enquanto lavavam o óleo perfumado, me esfregavam, me colocavam em minhas roupas de dormir e depois me apoiavam, de ambos os lados, enquanto me guiavam para a cama. Na manhã seguinte, acabei acamada, com febre.
— Arg… Ferdinando… Minha cabeça dói…
— Acamada como esperado, eu vejo.
Ferdinando veio me ver logo após o café da manhã. Embora o plano fosse que voltássemos ao templo naquela manhã, ele havia previsto que o cronograma apertado seria suficiente para me fazer entrar em colapso. Ele estava completamente certo.
— Por que você está tão calmo quanto a isso, Ferdinando?! — Richarda exigiu. Ela só tinha experiência em criar crianças anormalmente saudáveis, como Karstedt e Sylvester, então me ver entrar em colapso com uma febre do nada e sem nenhuma razão real, a estava deixando completamente transtornada. Como resultado, sua voz tinha saído afiada, quer ela quisesse ou não.
Ignorando completamente os comentários escaldantes de Richarda, Ferdinando estendeu uma das poções que estavam penduradas em sua cintura.
— Ela realizou dois rituais religiosos, cada um dos quais exigia uma quantidade significativa de mana, além de passar um dia inteiro se movendo. Era mais do que óbvio que ela acabaria acamada. Ela só precisa beber isso e descansar um pouco.
— O que você quer dizer com ela só precisa descansar um pouco?! Se você sabia que ela ia ficar doente, por que você não impediu que isso acontecesse? Este é o tipo de situação em que você deve colocar esse seu grande cérebro para funcionar!
Richarda rugiu de forma bastante irracional. Talvez ser criado por ela fosse a razão pela qual Sylvester tinha expectativas tão irracionais de outras pessoas.
— Richarda, é um fato lamentável que a saúde precária de Rozemyne não possa ser planejada. É inevitável que ela adoeça, não importa o que faça. Se houvesse algo que pudesse ser feito sobre isso, então eu já teria feito.
Ele estava usando uma expressão perturbada e colocou a mão na testa, mas Ferdinando deu uma explicação para Richarda, em vez de simplesmente silenciá-la, como faria com qualquer outra pessoa. Ele realmente não poderia ganhar dela.
Estendi a mão da minha cama e puxei suavemente a saia de Richarda.
— Richarda, por favor, não fique brava com Ferdinando. Ele fez questão de preparar uma poção que me ajudasse a melhorar. Ele é um pouco malvado, no entanto, e se recusa a melhorar o sabor desagradável…
— Meus deuses… Nesse caso, beba e descanse um pouco, minha princesinha.
Com um pequeno sorriso, Richarda pegou a poção de Ferdinando. O líquido verde dentro balançou enquanto ela o entregava para mim, e o cheiro condensado da poção perfurou meu nariz no momento em que abri a pequena garrafa. O gosto amargo que eu tinha sido forçada a consumir antes, tantas vezes, imediatamente surgiu em minha mente, como algum tipo de fantasma de pesadelo. Isso me aterrorizou, mas aumentei minha determinação e engoli a poção de uma só vez. Quanto mais rápido a dor acabasse, melhor.
— O quê? Isso… não tem um gosto tão ruim. — Foi amargo, com certeza, mas não tanto que eu quisesse rolar na minha cama, agitando meus membros, em desespero, como antes.
Ouvindo meu sussurro, Ferdinando me lançou um olhar.
— Eu melhorei a receita, embora pareça que estava fora das expectativas para um malvado como eu.
— Hu-um… poxa, Ferdinando, como você fez isso? Inteligente e gentil. Minha Deusa… Que exemplo brilhante de uma boa pessoa. Ohoho…
Arg… Esse brilho arde… Mergulhei apressadamente sob minhas cobertas, para evitar o olhar agudo e penetrante de Ferdinando.
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