Ascendance of a Bookworm — Capítulo 209: CAPÍTULO 209 - 208

Ascendance of a Bookworm
Cap. 209
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Ascendance of a Bookworm

CAPÍTULO 209 - 208

Capítulo 209

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Ascendance of a Bookworm – Capítulo 208

O Arquiduque e o restaurante italiano

Eu esperava voltar ao templo depois do almoço, mas, como minha febre ainda estava forte ao meio-dia, Ferdinando decidiu ficar para trás. Ele enviou seus assistentes de volta ao templo sem ele, e foi só mais tarde, naquele dia, que minha febre finalmente baixou.

— Suponho que isso seja suficiente — disse Ferdinando. Ele me colocou em sua besta e voltamos para o templo, acompanhados por Damuel e Brigitte, que nos seguiam de cada lado.

— Damuel, você encontrou uma esposa? — Perguntei, tendo finalmente falhado em identificá-lo durante a festa ontem à noite. Ele franziu a testa com tristeza e balançou a cabeça.

— Infelizmente não. Embora eu tenha sido abençoado com a oportunidade de protegê-la, Senhora Rozemyne, ainda fui rebaixado ao posto de cavaleiro aprendiz.

Seria difícil para alguém considerar se casar com Damuel, já que ele estava servindo sua punição como um mero aprendiz, com certeza, mas ele ainda era um cavaleiro da filha adotiva do Arquiduque. Na minha opinião, seria bom para ele estabelecer um compromisso antes de sua punição terminar. Damuel também parecia estar recebendo cada vez mais a preciosa mana, graças à minha bênção, então, no que me dizia respeito, qualquer uma que decidisse se casar com ele estaria recebendo muito.

— Bem, há sempre o próximo ano para olhar para a frente — eu disse.

— É difícil ser muito otimista, mas tentarei o meu melhor. Como foram as coisas para você, Brigitte? — Damuel perguntou casualmente.

Observei Brigitte timidamente, já sabendo de suas circunstâncias. Ela baixou o olhar no momento em que nossos olhos se encontraram.

— Eu cancelei um compromisso anterior, após a morte do meu pai. Não consigo imaginar que haverá uma segunda chance para mim — disse Brigitte, com uma expressão tão rígida que meu desejo de ajudá-la, de alguma forma, ficou ainda mais forte.

Descemos ao Portão dos Nobres e voltamos para meus aposentos, onde Fran abriu a porta com o tempo perfeito e nos recebeu lá dentro.

— Fran, mas como? Não enviamos notícias de nosso retorno.

— Eu notei as bestas descendo em direção ao Portão dos Nobres — Fran disse friamente, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Na realidade, ele provavelmente estava olhando pela janela o tempo todo que estava esperando por nós. Ele realmente era um assistente modelo.

Eu olhei para ele, e ele se ajoelhou para que pudéssemos fazer contato visual.

— Senhora Rozemyne, parece que você não está se sentindo bem.

— Você acha? Ferdinando me deu uma poção e minha febre baixou, então…

Quando toquei meu rosto e mãos para verificar minha temperatura, Ferdinando balançou a cabeça.

— Confio mais na palavra de Fran do que na sua. Fran, ponha Rozemyne na cama. Não a deixe fazer mais nada hoje.

— Como quiser.

Os dois resolveram o assunto sem sequer me dar a chance de falar. Nesse ritmo, eu seria forçada a ir para a cama contra minha vontade.

Quando Fran me pegou e foi para o meu quarto, fiz uma pergunta a ele:

— Fran, você poderia enviar um mensageiro para a Companhia Gilberta?

Fran balançou a cabeça.

— Por favor, adie para amanhã — disse ele, usando a ordem de Ferdinando como escudo.

Era verdade que eu não estava me sentindo muito bem, mas havia coisas que eu tinha que fazer. A última coisa que eu precisava, era ficar presa na cama, incapaz de fazer qualquer coisa.

— É muito importante. Sylvester decidiu o dia que ele vai estar visitando o restaurante. Preciso que eles saibam.

— Você pode fazer isso amanhã — Fran respondeu, recusando-se a ceder um centímetro.

Eu apertei os lábios.

— Pois bem, então. Sylvester e papai visitarão o templo de antemão, mas contarei a data amanhã também.

Os ombros de Fran se contraíram. No momento em que ouviu que estava pessoalmente envolvido, um olhar de preocupação tomou conta de seu rosto.

— Diga-me, Fran, você pode prever o dia exato em que meu pai adotivo, o Arquiduque, virá? Fazer os preparativos será bem difícil se você não for avisado com antecedência suficiente, não?

— Eu entendo. Vou enviar um mensageiro para a Companhia Gilberta, mas por favor, faça com apenas uma carta. Uma reunião seria demais. Com isso dito, ham… quando ele está vindo?

— Depois de amanhã.

Com essas palavras, Fran correu para os aposentos do Arcebispo, seus olhos piscando rapidamente. Ele não só precisaria organizar a sala, para evitar qualquer possível constrangimento, mas também precisava preparar chá e comida adequados aos gostos do Arquiduque, e havia uma chance de que o que tínhamos em mãos não fosse de qualidade alta o suficiente.

— Por favor, descanse assim que escrever a carta, Senhora Rozemyne.

— Sim, eu sei.

Tendo conseguido a permissão de Fran, apressadamente escrevi uma carta para Benno. Mencionei a data e a hora em que o almoço aconteceria, quantas pessoas compareceriam e acrescentei algumas advertências gerais sobre o cardápio, depois fechei, pedindo que enviassem alguém amanhã à tarde, para pegar o fermento natural.

— Gil, desculpe pedir isso quando você acabou de voltar do ateliê, mas posso pedir que você entregue isso para a Companhia Gilberta?

— Como quiser.

Assim que terminei minha carta, Monika trocou minhas roupas para mim. Enquanto eu rastejava para a cama, ela se certificou de me dar um lembrete firme de que eu não deveria sair da minha cama até a hora do jantar.

— Monika, como foi o festival no orfanato? As crianças se divertiram? — Perguntei.

— Sim. Este ano, Wilma se juntou a eles no arremesso das tau. Os dons divinos eram abundantes, graças ao seu pedido de que os sacerdotes azuis continuassem a ter comida preparada, e fazer a sopa não foi tão difícil quanto no ano passado.

Fiquei na cama, Monika me contou o que havia acontecido enquanto eu estava fora e, antes que eu percebesse, Gil voltou de entregar a mensagem.

— Eles já terminaram de se preparar. Benno disse que estarão prontos, não importa quando você vier. Além disso, Leon virá amanhã para pegar o fermento natural — disse ele, segurando uma resposta que Benno havia escrito para mim.

Abri a carta, me sentindo aliviada por ele estar no controle das coisas, como sempre. Dentro, ele descreveu que Freida e o mestre da guilda estariam participando do almoço, como colegas colaboradores do estabelecimento. Ambos sabiam que Myne e Rozemyne eram a mesma pessoa, e ele queria que eu dissesse isso ao Arquiduque, com antecedência.

Não me sentia muito melhor no dia seguinte, então Fran me proibiu de entrar nos aposentos do diretor ou na sala dos livros. Após alguma negociação, consegui convencê-lo de que não seria capaz de descansar sem livros para ler. Ele me trouxe alguns da sala dos livros, o que significava que eu poderia passar o dia inteiro lendo, na cama. Foi um dia muito gratificante e feliz.

À tarde, Nicola veio me informar que Leon tinha vindo pegar o fermento natural. Enquanto isso, Fran estava ocupado entrando e saindo do meu quarto, preparando-se para a chegada de Sylvester e Karstedt.

O plano era que Sylvester, Karstedt e seus guardas chegassem ao terceiro sino no dia do almoço, mas Sylvester estava aparentemente tão entusiasmado, que chegou bem antes do terceiro sino. Eu estava praticando meu fespiel com Rosina quando Ferdinando guiou o homem, de aparência animada, e Ferdinando e eu trocamos exatamente a mesma careta.

— Sylvester, por favor, não venha antes do prometido — eu disse.

— Rozemyne está certa. Quantas vezes eu preciso dizer a você que outras pessoas também têm suas próprias vidas?!

— Tudo bem, tudo bem. Mas qual é o problema? Ainda estaremos indo para o restaurante no momento em que concordamos — disse Sylvester, nos dispensando casualmente.

Karstedt colocou uma mão cansada na testa e explicou que, apesar de não parecer, ele havia segurado Sylvester pelo maior tempo que pôde.

Eckehard e Cornélius estavam atrás deles. Foi acordado que Eckehard viria desde o início, já que Karstedt precisava de um guarda enquanto comia, mas Cornélius era menor de idade, e eu tinha certeza de que nenhum plano havia sido feito para que ele viesse.

— Cornélius, você se juntará a nós? — Perguntei.

— Sim. Afinal, também sou seu guarda-costas. — Ele bateu no peito duas vezes e me deu um sorriso confiante, mas tive a sensação de que ele só estava aqui porque não queria ficar de fora de algo que parecia divertido.

Olhei para Eckehard, em busca de confirmação, que explicou com um olhar provocador que, como os guardas comiam em turnos alternados, Cornélius se ofereceu para servir como seu parceiro. Parecia que ele basicamente havia forçado seu caminho para se juntar.

— Não adianta mandá-lo de volta, agora que ele está aqui. Dê a ele uma indicação de visitante também, Rozemyne, ele é sua família.

— Sylvester, você e a família do Sumo Sacerdote também não são? — Perguntei, olhando para Ferdinando na esperança de que ele mesmo lidasse com Sylvester. Ele olhou para mim e, com uma careta, notou que iria lidar com ele assim que a refeição terminasse.

Enquanto Fran preparava o chá, permiti que Sylvester e meus irmãos investigassem meus aposentos e comecei a escrever outra carta para Benno. Eu precisava dizer a ele que eu estava trazendo mais guardas do que prevíamos. Ele parecia tão confiante sobre seus suprimentos de alimentos que uma única pessoa extra provavelmente não representaria um grande problema, mas saber algo assim, com antecedência, provavelmente tornaria as coisas muito mais fáceis para ele emocionalmente.

Também gravei como as pessoas estavam vestidas e pedi que ele desse essa informação de volta para Freida e o mestre da guilda. Seria melhor se todos se vestissem de forma bastante semelhante. Eu poderia imaginar que uma única pessoa usando roupas diferentes e se destacando, os deixaria extremamente desconfortáveis.

— Rosina, por favor, dê esta carta para aqueles que vêm buscá-la.

— Entendido.

Rosina estaria tocando fespiel para nós durante a refeição. Uma carruagem da Companhia Gilberta seria enviada para buscá-la, com antecedência, no terceiro sino, para que ela chegasse ao restaurante antes de nós. Hoje, ela estava usando um vestido azul claro que eu havia comprado através do Benno para essa ocasião específica, e ficou incrível nela.

— Senhora Rozemyne, tenho que ir. Vejo você em breve. — disse Rosina, com um sorriso elegante, saindo da área nobre do templo, antes do terceiro sino. Nicola, que estava basicamente entrando em um pequeno pânico pela visita do Arquiduque e do comandante da Ordem dos Cavaleiros, a observou ir com inveja.

— Nicola, por favor, sirva biscoitos para todos. Você pode prová-los e escolher os mais saborosos.

— Sim, Minha Senhora! Você pode contar comigo.

Divertida com o quão ansiosamente Nicola correu para a cozinha para começar a provar o sabor, fui até Sylvester, que estava apreciando o chá que Fran havia servido a ele. Apesar do fato de que era pouco antes do almoço, ele estava com o rosto cheio de farelos de biscoitos, que Nicola estava servindo a ele, enquanto falava sobre o quão bons eles eram. Cornélius observou com inveja e frustrado, incapaz de comer enquanto estava de pé atrás dele como guarda.

Quando o quarto sino tocou, mais carruagens chegaram da Companhia Gilberta. Uma era para mim, Ferdinando, Sylvester e Karstedt; outra era para meus irmãos, Damuel e Brigitte; e a última era para os três assistentes de Ferdinando e Fran. Nosso semi trem de três carruagens partiu em direção ao restaurante.

— O que diabos há de errado com esta carruagem?! — Sylvester exclamou, seus olhos se abriram de raiva. Ele estava claramente irritado com as carruagens comuns tremendo, ao contrário das do Bairro dos Nobres.

— É assim que são as carruagens na cidade baixa. As do Bairro dos Nobres usam ferramentas mágicas, lembra? E as estradas lá são planas e retas.

— Rozemyne, você não pode usar esse seu conhecimento para consertar isso? Esqueça os livros; essas carruagens são uma droga.

— Eu nunca tinha andado em uma carruagem antes de vir para cá. Eu não sei uma única coisa sobre o que poderia ser feito para corrigi-las.

Eu nunca tive qualquer interesse na estrutura de carruagens, já que eu nunca tinha tido quaisquer planos de montar uma. Posso ter lido um ou dois parágrafos sobre como a suspensão foi usada para diminuir o impacto do tremor, mas não me lembrava de detalhes suficientes para dar a Johann uma ordem concreta.

— E cheira tão mal quanto da última vez. — Sylvester comentou, franzindo o rosto em uma careta e, sem dúvida, lembrando quando passou pela cidade baixa para ir caçar. Já que Karstedt e Ferdinando também estavam usando carrancas rígidas, pude dizer que eles estavam pensando a mesma coisa.

— Se você odeia tanto assim, por que não dedica parte do seu orçamento para melhorar o saneamento na cidade baixa?

— Isso é realmente algo que você poderia consertar com dinheiro? — Karstedt perguntou, olhando para mim com grande interesse. Havia tanta antecipação em sua voz, que era realmente um pouco doloroso.

— O cheiro desapareceria, em sua maioria, se pudéssemos construir um sistema de esgoto adequado. Eu não sei tudo o que isso implicaria, no entanto.

— Os livros são realmente a única coisa que você conhece?! Caramba, seu conhecimento é inútil metade do tempo! — Sylvester gritou para mim. Mas seus gritos não mudariam o fato de que meus interesses sempre estiveram focados em um único ponto, que priorizei acima de tudo: livros. Eu poderia pensar em outras coisas depois que isso fosse resolvido.

— Por que eu me preocuparia em lembrar detalhes precisos sobre coisas que eu não preciso ou me importo? Você se lembra de tudo o que aprendeu, Sylvester? — Perguntei.

— Deixo esse trabalho para Ferdinando.

Por que você está orgulhosamente estufando seu peito?! Isso não é algo para se orgulhar!

Olhei para Sylvester, me sentindo exausta antes mesmo de chegarmos ao nosso destino.

— Sylvester, eu gostaria de informá-lo preventivamente sobre quem se juntará a nós na refeição — eu disse, antes de continuar a explicar tudo o que Benno me pediu na carta. Mencionei Freida e o mestre da guilda primeiro, acrescentando que eles me conheciam antes do meu batismo.

— Hum. Um comerciante que tem um nariz afiado para o lucro, hein? Certo. Decidirei como lidar com ele assim que vê-lo.

Chegamos ao restaurante italiano no meio da sentença de Sylvester. Ele fechou a boca e colocou o rosto de Arquiduque, que usava em público. Este era um restaurante muito grande, já que ficava no norte da cidade, mas era do mesmo tamanho dos outros prédios de seis andares ao seu redor. Do lado de fora, era quase impossível dizer que havia sido modelado de acordo com a mansão de um nobre.

Os assistentes desceram de sua carruagem, primeiro carregando nossas coisas, depois os guardas desembarcaram das deles. Uma vez que o exterior do restaurante tinha sido lavado e limpo de quaisquer obstáculos, para tornar a caminhada para a porta da frente mais fácil, Karstedt desceu da carruagem com Ferdinando, em seguida, ajudou-me a descer, deixando Sylvester, o Arquiduque, sair por último.

As três carruagens alinhadas uma ao lado da outra estavam chamando a atenção dos transeuntes. Mesmo aqueles que não sabiam quem éramos, podiam dizer, num piscar de olhos, que éramos obscenamente ricos, e o pingado de espectadores cresceu cada vez mais e começou a formar uma multidão a uma distância razoável.

— Vamos nos apressar, Sylvester — sugeri.

A porta estava fechada atrás de nós, quando entramos, bloqueando a maior parte do cheiro externo e nos libertando dos olhos intrigados do público. Soltei um suspiro de alívio e me virei para ver Benno, Mark, o mestre da guilda, Freida e os garçons, todos ajoelhados, com os braços cruzados na frente de seus peitos.

Fazia muito tempo desde a última vez que vi Freida, mas não conseguia falar com ela casualmente, já que não era mais Myne. Sentindo-me um pouco solitária, ouvi Benno dar uma longa saudação como seu representante.

— Somos os proprietários e funcionários do restaurante italiano. Que este encontro acidental, ordenado pelos vibrantes raios de verão de Leidenschaft, o Deus do Fogo, seja abençoado pelos deuses.

— Que esta reunião seja abençoada.

Quando visitei pela última vez o restaurante italiano, a decoração de seu interior ainda não havia sido concluída. Parecia totalmente diferente agora: havia caixilhos e portas de janelas ornamentadas, as paredes estavam adornadas com tapeçarias, o tapete havia sido colocado e várias pinturas e vasos cheios de flores serviam para pontuar a atmosfera já opulenta. O hall de entrada foi mobiliado com bancos e cadeiras, de modo que ficou como uma sala de espera, e pude ver as decorações que Rosina e Fran haviam escolhido há algum tempo.

— Esta é a sala onde seus guardas de honra estarão comendo. Como não foi construída com a ideia de servir nobres em mente, é de uma qualidade ligeiramente menor do que o refeitório principal, mas imploro seu perdão por isso.

Benno estava se referindo a uma sala simples, que tinha uma mesa considerável e várias cadeiras. Aparentemente, era uma área de alimentação para os membros da equipe, mas também poderia ser usada como um espaço de espera extra, enquanto a sala principal estava sendo limpa. Como não havia sido projetada para clientes reais, o fato de ser muito simples para guardas nobres dificilmente poderia ser evitado.

— Esta é a sala de alimentação.

— Impressionante. Parece algo em que nobres intermediários ou inferiores podem ter. É difícil acreditar que isso seja na cidade baixa — disse Sylvester.

— Agradeço suas palavras gentis — respondeu Benno, alívio visível em seu rosto. O restaurante em que ele gastou tanto tempo e dinheiro obteve a aprovação direta do próprio Arquiduque, então eu pude entender sua reação.

Elaboradamente esculpido, o lambril, na altura da cintura, correu ao longo da parede, ao lado de uma série de prateleiras que foram decoradas com pratos e vasos de aparência cara, além de um livro de ilustrações, que eu havia feito e a garça dos desejos de origami, que eu havia dado a Benno há muito tempo. As mesas eram polidas ao ponto de brilharem, e tinha tantos guardanapos e menus quanto havia pessoas sentadas. Havia também um vaso de flores sazonais no meio de cada mesa, pequeno o suficiente para que não obscurecesse a visão dos clientes sentados um em frente ao outro. Eles até adicionaram um pequeno sino bonito, usado para convocar o garçom. Eu dei um grande aceno de satisfação.

— Agora, então, por favor, sigam-me.

Uma vez que olhamos ao redor do restaurante até estarmos satisfeitos, fomos guiados para a nossa mesa. Eckehard estava na porta de frente para a mesa, e Brigitte estava do outro lado da porta, fora da sala. Enquanto isso, Damuel e Cornélius foram para a sala lateral.

— Vou, agora, apresentar aqueles que financiaram o estabelecimento deste restaurante. A primeira é a Senhora Rozemyne, a filha adotiva do Arquiduque. O cardápio que está sendo servido hoje consiste, em grande parte, de receitas fornecidas por ela. Em seguida, Gustav, o chefe da Guilda dos Comerciantes, e sua neta, Freida. Eles contribuíram muito para o treinamento de nossos garçons e chefs.

Benno apresentou o Arquiduque àqueles que estariam comendo conosco, e foi quando ouvi o nome do mestre da guilda pela primeira vez, Gustav.

— Vocês dois, hein?

Sylvester lançou a Freida e ao mestre da guilda um olhar penetrante, sabendo que eles conheciam meu passado como Myne. O mestre da guilda sempre foi tão dominador e arrogante, em minhas memórias, mas aqui ele estava praticamente se encolhendo, enquanto mantinha os braços cruzados sobre o peito.

— Gustav e Freida, ouvi dizer que vocês dois são indivíduos sábios, que têm narizes afiados para obter lucro e a habilidade de aproveitar oportunidades que outros perderiam. Nesse caso, imagino que já saibam o que fazer. Estou certo em pensar isso?

— Claro. Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para ajudá-lo, meu senhor.

— Bom. Em breve, minha filha começará uma nova indústria significativa. Peço que vocês ajudem os esforços dela.

Sylvester indiretamente ordenou que ajudassem Benno sem arrastar os pés, e parecia que o mestre da guilda pretendia fazer exatamente isso. Ele era meio ganancioso, mas já havia salvado minha vida antes, e era um alívio saber que ele ficaria do nosso lado.

Freida, sentindo-se mais à vontade, agora que o Arquiduque não estava mais olhando para ela, fez contato visual comigo. Nós duas sorrimos e assentimos uma para a outra. Ela estaria vivendo no Bairro dos Nobres quando ela crescesse, então eu queria ter certeza de que ficaríamos em boas condições.

Enquanto Benno fazia suas apresentações, Fran estava com os assistentes de Ferdinando, preparando os talheres e pratos que trouxemos para nós. Os garçons estavam cuidando dos pratos de todos os outros, e eu vi Leon entre eles.

A comida em si foi trazida em um carrinho de servir, coberto de panelas e grandes pratos. Os assistentes e garçons começaram a tirar os pratos, cada um se preparando para servir seus respectivos mestres. Fran estaria servindo o Arquiduque hoje, enquanto Zahm estaria me servindo. Em termos de posição, o Arquiduque precisava ser servido primeiro, mas esta era a primeira vez que alguém estava trabalhando aqui, e ninguém queria ser o único a servir indevidamente ao Arquiduque esses pratos únicos. Após uma breve discussão, decidiu-se que Fran era o mais acostumado com a minha cozinha e, portanto, deveria servir o Arquiduque, enquanto todos os outros observavam o que ele fazia.

— Então, este é o menu de hoje, hein? — Sylvester pegou o cardápio, que havia sido colocado na mesa à sua frente, e olhou para ele com grande interesse. Eu podia ver um sorriso se formando em seu rosto, quando ele viu a lista de pratos variados, que ele nunca tinha comido antes.

Leon começou servindo pão macio, tão recém-assado que ainda estava fumegando. Seu aroma sedutor agitou minha fome, fazendo-me querer comer o mais rápido possível. Karstedt e Ferdinando olharam para o pão, surpresos, já que não parecia o pão a que estavam acostumados, enquanto Freida e o mestre da guilda lançaram olhares na minha direção.

Fran colocou suavemente um prato na frente de Sylvester. Nele havia um monte de salada de batata feita com maionese artesanal, em parte cercada por salada de carne de pássaros e vegetais no vapor, que tinha sido moldada em um crescente e coberta com um falso molho italiano.

— Ó poderoso Rei e Rainha dos céus intermináveis que nos agraciam com milhares e milhares de vidas para consumir, ó poderosos Cinco Eternos que governam o reino mortal, eu ofereço graças e orações a ti, e participo da refeição tão graciosamente fornecida.

Uma vez que a comida de todos foi servida, todos nós oferecemos orações. Feito isso, peguei meu garfo. Aqueles que convidaram outros para uma refeição comiam primeiro, parcialmente para demonstrar que a comida não havia sido envenenada.

Sim. Saboroso.

Eu comi minha comida e vi que Sylvester estava cavando imediatamente. Seu amor por coisas novas era evidente, por como ele ignorava a salada de vegetais e, em vez disso, ia direto para a salada de batata, que ele nunca tinha visto antes. Esse foi o oposto completo de Ferdinando, que foi para a salada de aparência familiar, antes de qualquer outra coisa.

Observei Sylvester cuidadosamente, para ver como ele reagiria. Ele mastigou por um momento, depois arregalou os olhos em choque e olhou para mim.

— Rozemyne, o que é isso? Eu nunca provei nada parecido antes. — Disse ele, seus olhos verdes profundos brilhando de excitação. Ele aparentemente gostava de salada de batata.

— Chama-se salada de batata. Você ferve as batatas, as esmaga, coloca outros vegetais e mistura tudo com (maionese). Isso combina com seu gosto?

— Como eu disse, nunca provei nada parecido antes, mas não é ruim. Sim, nada mal.

Ele realmente parecia gostar, o que me lembrou que os irmãos de Lutz haviam ficado super animados, até demais, quando eu os ensinei a fazer maionese pela primeira vez. Eles disseram que isso fez com que, os vegetais, anteriormente desagradáveis, realmente tivessem gosto bom. Aliás, eu nunca tinha feito maionese sozinha, desde que me tornei Myne. Misturar os ingredientes exigia muita força e, como não havia batedeiras elétricas nem nada, não tive escolha a não ser pedir ajuda.

Karstedt, vendo Sylvester ignorar a salada de vegetais inteiramente, para se concentrar na salada de batata, experimentou um pouco da salada de batata. Ele mastigou um pouco, depois assentiu.

— Seu sabor é certamente único, mas não de uma maneira ruim.

Depois que ele viu as duas reações que Ferdinando deu uma pequena mordida. Sua expressão mal mudou, mas já que ele então colocou ainda mais em sua boca, pude dizer que ele estava satisfeito com o sabor.

Benno estava observando os três nobres superiores para ver como eles reagiam, tão de perto quanto eu, e, ao ver a aprovação deles, relaxou um pouco os ombros e começou a comer de seu próprio prato. Ele, Freida e o mestre da guilda haviam comido os pratos de prática feitos pelos chefs, então, enquanto desfrutavam da comida, nenhum deles parecia surpreso, enquanto comiam.

— Sylvester — eu disse, enquanto o via pegando mais salada de batata — por favor, experimente a outra salada. — Ele ainda nem tinha tocado no pássaro cozido no vapor.

Com uma pequena careta nascida de um ódio por vegetais, Sylvester enfiou um garfo em sua salada. Ele mastigou alto por um tempo, depois piscou de surpresa e deu outra mordida.

— Rozemyne, essa salada é muito boa. Que tipo de molho você colocou nela?

— Eu coloquei (molho de ervas) nela. É feito de óleo vegetal, sal, frutas cítricas e algumas ervas comestíveis, mas o sabor muda dependendo de como você faz.

Neste mundo, era prática comum cozinhar molhos, e a maioria deles era feita com suco de carne. Eles até colocavam um molho semelhante ao molho de vegetais. Isso tinha um gosto bom, à sua maneira, mas, muitas vezes fazia os vegetais ficarem todos gordurosos, o que eu não gostava muito.

— O que são os pedaços brancos em cima dos vegetais? Parece carne de pássaro, mas eles são macios e têm um sabor um pouco diferente.

— É carne de pássaro mesmo. Levou um tempo extra para se preparar, mas o sabor valeu a pena, você não concorda?

Mesmo Sylvester, com sua aversão por vegetais, prontamente terminou toda a salada, depois tentou perguntar a Fran por mais.

— Sylvester, se você comer muita salada agora, então você não será capaz de comer qualquer um dos outros alimentos que preparamos — eu disse.

— Ha. Bem pensado.

Peguei uma porção de pão fofo e arranquei um pedaço do tamanho de uma mordida, indicando que outros poderiam fazer o mesmo se quisessem. Ainda estava quente, e o doce cheiro de pão recém-assado subiu pelo ar no momento em que eu o abri. Joguei o pedaço na boca, apreciando a doçura quente e a sensação suave na boca.

Humm… Parece que Hugo está cozinhando. Mesmo que eles estivessem usando a mesma receita, o pão de Hugo sempre saia um pouco diferente do de Ella, graças ao seu maior nível de precisão e habilidade. Um sorriso se espalhou pelo meu rosto enquanto eu apreciava o gosto familiar, momento em que notei Freida ansiosamente pegando um pedaço. Parecia que ela estava cuidadosamente esperando que eu experimentasse, primeiro.

No momento em que Freida tocou o pão ainda quente, ela olhou para mim com surpresa. Ela não esperava que fosse tão macio e o apertou na mão algumas vezes, como se estivesse confirmando que não estava enganada. Ela então arrancou um pedaço e o comeu. Seus olhos se arregalaram e ela colocou a mão sobre a boca enquanto mastigava. O brilho em seus olhos castanhos ficaram cada vez mais intensos, e eu podia facilmente dizer que ela estava calculando o potencial lucro em sua cabeça.

— Senhora Rozemyne, eu nunca comi pão tão macio antes, ou que tenha um sabor tão naturalmente doce, por conta própria. Eu gostaria muito de servi-lo aqui.

Como esperado, ela aproveitou a oportunidade. Eu esperava isso, já que nem ensinei Hugo a fazer o fermento natural, em vez disso, apenas dando a ele o fermento que eu mesma fiz.

Agora, então, como devo recusá-la? Eu pensei, apenas para ter Sylvester sorrindo e interrompendo, antes que eu pudesse dizer qualquer coisa.

— Freida, certo? Desculpe, mas isso não vai acontecer. Este pão é uma receita secreta que vou usar para surpreender os nobres no inverno — disse ele, antes de me olhar com olhos verdes reluzentes. Eu pretendia usar o pão fofo para fortalecer minha posição na sociedade nobre, então não tive desentendimentos aqui.

— Sylvester está certo. Permiti que os chefs fizessem esse pão já que Sylvester e papai estavam visitando, mas só será revelado ao mundo no inverno.

— Entendo. Isso é uma pena — disse Freida com um sorriso, antes de dar outra mordida. Pelo que entendi, Leise era sua única chef, e eu podia imaginar que ela queria que ela experimentasse também.

— Certamente o sabor é bom, mas… Hum… — Karstedt, que estava no meio de seu terceiro pão, franziu a testa, em pensamento. — O pão ser tão macio realmente o torna um pouco insatisfatório. Acho que poderia continuar comendo isso para sempre e, ainda assim, nunca me sentir cheio.

A mastigação era um fator importante quando se tratava de se sentir cheio e satisfeito. Eu fiz uma nota mental de que Karstedt gostava de pão mais duro. Ter certeza de que ele tinha tanto pão fofo quanto era necessário para satisfazê-lo, provavelmente, seria um grande golpe para minha carteira.

— E esta é a sopa (consommé).

Uma grande panela de sopa foi trazida para a sala em outro carrinho, e um aroma, que chamou a atenção de todos, imediatamente encheu a sala. A sopa, de cor âmbar clara, dentro não tinha vegetais ou qualquer coisa misturada, e tinha sido cozida apenas o suficiente para que o umami se concentrasse. Nada, em toda essa região, teria um sabor parecido, já que aqui era completamente normal as pessoas ferverem vegetais e depois jogarem fora o caldo.

— Cheira bem, mas não há nada nele — disse Sylvester, com um olhar confuso, após assistir Fran servir um pouco de sopa para ele. No mundo da culinária aqui, todos entendiam que a sopa era uma pilha de vegetais, que eram fervidos a ponto de serem cozidos demais. Sopa que não tinha ingredientes visíveis simplesmente não existia.

— O sabor se torna mais aparente quando não há qualquer coisa nele. Eu acho que você vai se surpreender com o quão saboroso é, — eu disse, aproximando meu rosto da minha tigela para que eu pudesse apreciar o cheiro. Tinha um aroma espesso que dava água na boca.

Mergulhei minha colher na sopa âmbar, que havia sido delicadamente fervida repetidamente, e o cheiro apetitoso ficou ainda mais forte à medida que pequenas ondulações se espalharam ao longo de sua superfície. Então, coloquei a colher na boca, rolando o consomê sobre a língua, para apreciar o gosto concentrado de umami. O sabor espesso e profundo tinha um gosto surpreendentemente refrescante, e eu não pude deixar de suspirar de admiração. Hugo obviamente trabalhou duro nisso. Talvez fosse porque Hugo tinha muito mais experiência, mas, honestamente, isso era várias vezes melhor do que o consommé que Ella havia feito.

— Eu vou julgar isso — disse Sylvester, colocando uma colher de sopa na boca. Seus olhos se arregalaram, depois começaram a brilhar de prazer, enquanto ele imediatamente comia mais um pouco. Em sua terceira colherada, ele moveu a sopa em sua boca enquanto piscava confuso. — Que sabor é esse?

— Tem toques de carne, vegetais e todos os tipos de outras coisas nele. É uma sopa que tem um gosto de umami concentrado. Ele também pode ser usado para adicionar sabor a outras refeições.

Ferdinando franziu a testa com força, um olhar de pura perplexidade no rosto, enquanto comia o consommé. Você pensaria que uma expressão como essa seria um sinal de que ele odiou, mas, a velocidade com que ele estava comendo sugeria o contrário.

— Ferdinando, você parece confuso sobre alguma coisa. Não combina com seu paladar?

— Hum? Ah. Não, acho essa sopa muito bonita — disse ele. Enquanto eu estava sentada lá, confusa sobre porque Ferdinando elogiaria a comida por sua aparência, em vez de seu sabor, ele limpou a boca com um guardanapo e explicou. — Na verdade, é realmente linda. Você pode dizer, a partir de um único gole, quão profundo é o sabor, e quantos ingredientes foram usados para fazê-la, não? Cada um tem seu próprio sabor delicioso, mas aqui eles foram fundidos e condensados em um. E, no entanto, não há nada na própria sopa. É tão clara que se pode ver até o fundo. A sopa tem uma beleza que foi refinada à perfeição.

Ainda era um pouco difícil para mim entender o que ele queria dizer, e eu definitivamente não esperava que ele falasse sobre isso tão longamente. Parecia seguro presumir que ele realmente gostou da sopa de consommé.

— O próximo prato foi preparado — anunciou um garçom, empurrando outro carrinho. Nele estava outro prato principal: o (macarrão gratinado). Ele havia sido cozido em pequenas tigelas de cerâmica, que agora estavam colocadas em placas de madeira com alças, para torná-las mais fáceis de segurar.

— Essas tigelas marrons são extremamente quentes, então tomem cuidado para não tocá-las em nenhuma circunstância. Por favor, segure as partes de madeira ao comer.

Todos podiam dizer, a partir de um único olhar, que o gratinado acabara de ser retirado do forno. O vapor estava saindo do molho branco, ainda borbulhante, e o queijo no topo estava se movendo. O aroma vindo do vapor branco, que carregava o cheiro de queijo fresco cozido, era irresistível.

Como este mundo não tinha macarrão, decidi fazer massa farfalle artesanal. Complementava bem o molho branco, e ninguém teria que se preocupar com qualquer molho fervente sendo pego dentro e escaldando sua língua. Era perfeito.

— Rozemyne, isso é queijo assado?

— É algo semelhante. Tome cuidado para não queimar a língua enquanto come.

Havia várias receitas nobres comuns, que envolviam colocar queijo em pássaros ou vegetais antes de assá-los, e eu já tinha comido molho de carne antes, mas nada aqui tinha gosto de molho branco. Talvez ainda não existisse, ou talvez, por coincidência, eu nunca tivesse provado.

Eu enrolei um pouco do queijo quente em volta de um pedaço de farfalle, soprei nele e depois o coloquei na minha boca. Fortes sentimentos de alegria tomaram conta de mim, no momento em que tocou meu palato. Como os ingredientes aqui eram um pouco diferentes, o prato resultante tinha um sabor diferente do que eu estava acostumada, mas isso era uma receita que minha mãe, da Terra, costumava fazer nos meus dias de Urano.

— Rozemyne. — Sylvester deu uma única mordida antes de olhar para mim, com os olhos estreitos. — Como isso é parecido com queijo assado? Não tem nenhum sabor como o que estou acostumado.

— Bem, é queijo, e foi assado em um forno, então acho que é justo dizer que eles são semelhantes.

— Todo o resto é completamente novo para mim. O que é essa coisa branca caindo, por exemplo? Gosto disso.

Eu tinha escolhido fazer um menu de receitas que se assemelhava ao que você poderia esperar encontrar em um menu infantil, em um restaurante familiar, especificamente para a visita de Sylvester, e parecia que essa decisão tinha sido um sucesso retumbante. Não pude deixar de soltar uma pequena risada ao ver os olhos verdes cintilantes de Sylvester, enquanto ele pegava o molho branco.

— Isso é molho branco. É feito com manteiga, leite e farinha, com sal a gosto.

Como eu pensei, molho branco não existia aqui. Karstedt deu uma mordida no gratinado, antes de pousar o garfo. Vi ele olhando para mim, uma expressão séria em seu rosto. Ele não deve ter gostado.

— Quando você estava morando comigo, experimentei muitos daqueles doces estranhos que você mandou sua chef fazer, mas ela nunca fez nada assim fora da cerimônia de batismo. Seus chefs também sabiam fazer essa comida, Rozemyne?

Sylvester ergueu a cabeça com um “Como é que é?” no momento em que ouviu Karstedt dizer “doces estranhos”, mas eu ignorei isso e respondi a Karstedt.

— Minha mãe não é tão descuidada a ponto de confiar a cozinha a um chef que acabou de chegar. Minha chef ganhou sua confiança fazendo doces, e só recentemente começamos a trocar receitas. Ainda levará algum tempo até que ela permita que minha chef faça refeições reais.

— Entendo. “Algum tempo”, hum…?

Elvira priorizou a obtenção de receitas de doces para suas festas de chá. Pelo que me lembro, não troquei mais do que algumas receitas normais com ela, e Ella me disse que tinha sido encarregada, principalmente, de fazer doces durante a cerimônia de batismo. Era uma pena que eu tivesse desmaiado antes de realmente comer qualquer coisa.

Naquele momento, Cornélius entrou na sala com um sorriso satisfeito, tendo terminado de comer primeiro.

— Estou aqui para aliviá-lo de seus deveres — disse ele a Eckehard.

Os guardas foram ordenados a comer rapidamente, já que comiam em turnos, mas, pelo que entendi, estavam recebendo as mesmas coisas que nós. E, a julgar por como Cornélius estava feliz dando tapinhas em seu estômago, ele estava completamente cheio.

Eckehard, que só tinha sido capaz de assistir todos os outros comerem, saiu da sala rapidamente, seu rosto inexpressivo não vacilando por um segundo. Damuel e Brigitte provavelmente estavam trocando de lugar do lado de fora da porta.

Um carrinho foi empurrado para dentro da sala à direita quando Eckehard saiu. Era o segundo prato da refeição e o primeiro com carne.

— Eu preparei esse pensando que você gostaria de alguns pratos de carne, Sylvester. Chama-se ensopado de (bife de Hamburguer) — eu disse. Eu tinha certeza de que ele gostaria, e como esperado, seus olhos estavam brilhando.

Na verdade, fazer bife de Hamburguer aqui não era fácil, já que picar carne dava muito trabalho, e comprar carne moída, como eu faria nos meus dias de Urano, simplesmente não era uma opção. Mas Hugo e Todd trabalharam duro por mim. Eles usaram facas para cortar a carne como loucos, até que fosse adequadamente picada, depois, embrulharam queijo dentro dele para que fluísse para fora quando cortado. Em seguida, eles descascaram a pele de um vegetal amarelo, parecido com tomate, chamado pome, que foi cortado em cubos e cozido em sopa de consommé antes de mergulhar o hambúrguer grelhado na sopa para cozinhá-lo ainda mais.

Freida e eu já estávamos ficando cheias, então nossos bifes de Hamburguer eram apenas da metade do tamanho de todos os outros. Com o meu garfo, perfurei um pequeno pedaço redondo de carne no meu prato, sucos claros fluíram para fora, seguidos por queijo amarelo grosso um momento depois.

— Algo está saindo! — Sylvester gritou.

— Isso é queijo — respondi, puxando minha faca para longe, para mostrar o queijo pegajoso se esticando com ela. Cortei um pedaço de bife do tamanho de uma mordida, certificando-me de cobri-lo com molho de queijo e depois o coloquei na boca. — Humm… Muito bom. — Nada poderia bater o molho de pome feito com consommé de alta qualidade.

Sylvester deve ter ficado muito impaciente, porque ele se lançou em seu próprio bife de Hamburguer no segundo em que dei uma mordida no meu, cortando apressadamente um pedaço e o colocando em sua boca. Seus olhos se arregalaram e ele assentiu com força.

— Ooooh! Isso é ótimo! Eu gosto mais disso de tudo o que provei até agora.

— Eu sabia que poderia contar com você para gostar disso, Sylvester. Fico feliz que se adapte tão bem ao seu gosto.

Karstedt e Ferdinando comeram silenciosamente, o primeiro cortando seu bife em grandes pedaços que ele ansiosamente mastigou, enquanto o último cortou suavemente o seu em pequenos pedaços que ele graciosamente consumiu. Mas, apesar de suas abordagens diferentes, a carne estava desaparecendo de ambos os pratos com a mesma rapidez.

— Como está, Ferdinando?

— Você usou a sopa de antes para fazer esse molho, correto? O sabor é excelente. Profundo, até. Pensar que poderia ser usado dessa maneira também… — Ferdinando parecia realmente gostar do consommé, e mais uma vez começou a exaltar eloquentemente suas virtudes por muito tempo.

— Hum, certo. É muito bonito. Om nom nom… Humm!

Bife de hamburguer é tão bom!

Tendo percorrido os pratos principais, Sylvester estava recostado com uma expressão feliz no rosto. Mas as coisas ainda não haviam terminado, ainda havia mais vindo. Eu já estava cheia, mas eu tinha um segundo estômago quando se tratava de sobremesa.

Eu consigo. Eu posso continuar!

Enquanto os assistentes colocavam os pratos e se moviam atarefados para preparar o chá, Leon entrou empurrando um carrinho e anunciou a sobremesa do dia. No topo do carrinho havia bolinhos, que haviam sido cortados em quadrados de cinco centímetros de largura e eram decorados com frutas sazonais. O creme branco puro foi empilhado em cima de cada um, com um rutreb vermelho reluzente coroando o centro, era a própria imagem de um bolo de morango.

Foi extremamente difícil de fazer. Gerenciar o calor do forno não era fácil, então levou muito tempo para chegar a um ponto em que nossas tentativas pudessem ser descritas como um sucesso. Dito isso, quando finalmente aconteceu, definitivamente era saboroso. A julgar por como os pedaços que Leon trouxe foram cortados, eu poderia adivinhar que os lados ficaram muito difíceis de comer. Eles provavelmente só trouxeram as partes comestíveis.

Outro carrinho entrou carregando o bolo que havíamos preparado com antecedência, caso o bolo de morango não desse certo. Era um bolo que eu particularmente gostava, chamado de mil crepes, que eram feitos empilhando crepes um em cima do outro e polvilhando uma fina camada de creme entre eles. Para torná-los ainda mais bonitos, foram cobertos com uma camada de molho laranja, feito ao cozinhar o suco de um apfelsige com açúcar. Seu cheiro e sabor refrescantes no verão complementaram bem o bolo.

No topo do último carrinho empurrado para dentro, havia dois bolos de meia libra: um feito usando chá e o outro feito usando bastante licor destilado, para os homens que não gostavam muito de coisas doces. Leise tinha cozinhado antes do tempo, o que significa que eles foram capazes de descansar durante a noite, então o sabor definitivamente deveria ter apurado.

Sylvester olhou para as várias carroças que Leon havia empurrado e imediatamente me perguntou qual sobremesa era melhor. Eu disse a ele para escolher qualquer uma que ele gostasse, e então ele começou a olhar de bolo em bolo, deliberando ferozmente qual ele queria. Eu tinha certeza absoluta de que ele estava gritando “Todos! Me dê todos!” por dentro.

Leon, é claro, obedeceria se Sylvester realmente pedisse todos, mas os garçons não podiam falar, a menos que falassem com eles. Ele havia terminado de preparar o chá e não podia fazer nada além de vê-lo vacilar em sua decisão. Ele parecia cada vez mais angustiado, então finalmente se virou para mim em busca de ajuda.

— Sylvester, não há necessidade de pensar tanto sobre isso. Eles foram cortados em pequenos pedaços antes do tempo para que todos pudessem caber no seu prato de uma só vez.

— Pensamento inteligente! Nesse caso, vou levar todos eles — declarou Sylvester, as narinas tremendo em satisfação.

Bem, o fato de Sylvester ter escolhido todos eles, deve tornar mais fácil para qualquer outra pessoa que queira provar cada um. Às vezes, ele ter o coração de um aluno do ensino fundamental é útil.

Não fazia muito tempo que eu havia comido um dos bolinhos preparados por Ella, então escolhi o mil crepes, como planejado. Enquanto isso, Ferdinando e Karstedt pediram um de cada, Benno pediu um de cada um dos bolos de libra, e Freida e o mestre da guilda optaram pelo bolo de morango.

Delicadamente apreciei meu bolo enquanto tomava meu chá; o sabor acentuado do apfelsige tinha um sabor ótimo ao lado de sua doçura contida.

Aqueles de nós que já haviam comido esses bolos antes para prová-los, nos estágios iniciais, pareciam muito satisfeitos e apreciávamos nossos favoritos, enquanto Sylvester, Ferdinando e Karstedt pareciam comer de sua própria maneira única. Sylvester estava com os olhos fechados e parecia estar comparando o sabor de cada sobremesa; Ferdinando os comia um de cada vez, usando uma carranca contemplativa o tempo todo; e Karstedt limpou o prato em um piscar de olhos antes de pedir mais.

Muito bom, né? Fico feliz em ver que nossos primeiros clientes estão tão satisfeitos, pensei comigo mesma, sentindo a satisfação de um trabalho bem-feito.

Fim da leitura

Capítulo 209 concluído

CAPÍTULO 209 - 208