Ascendance of a Bookworm — Capítulo 316: CAPÍTULO 316 - 315

Ascendance of a Bookworm
Cap. 316
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Ascendance of a Bookworm

CAPÍTULO 316 - 315

Capítulo 316

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Ascendance of a Bookworm – Capítulo 315

História Extra 05 - Enquanto isso no Templo

Diante de mim estava Senhora Rozemyne, silenciosamente flutuando em uma caixa contendo uma poção azul-claro, linhas vermelhas brilhantes espalhadas pelo corpo. O Sumo Sacerdote removeu suas mãos da mistura, as pequenas ondulações em sua superfície fazendo seu cabelo balançar sempre tão suavemente.

Ele limpou as mãos em uma toalha enquanto se levantava, me entregou a toalha, e então abriu a porta. Eu não podia entrar ou sair desta oficina sozinho, então eu o segui às pressas. Ele olhou para trás uma única vez, para a caixa em que Senhora Rozemyne estava dormindo, em seguida, silenciosamente fechou a porta.

— E agora, só eu posso entrar nesta sala, — disse o Sumo Sacerdote. — Rozemyne está segura.

Mesmo que os agressores viessem ao templo, não havia nada que poderiam fazer para alcançá-la. Só uma vez que o Sumo Sacerdote sabia que ela estava segura, sua expressão voltou ao normal. Ela agora parecia com a que ele normalmente fazia enquanto estava no trabalho.

— Fran, se você tem alguma das cartas ou memorandos que Rozemyne deixou para trás, mostre-os para mim. Eu gostaria de estabelecer os planos que ela tinha para este inverno.

— Como desejar.

Fui prontamente à mesa de trabalho de Senhora Rozemyne e tirei as cartas que ela tinha escrito para as pessoas. Eu também reuni as notas que ela tinha feito para si mesma, ela sempre as copiava de seu díptico para o papel adequado para não as esquecer, o que significava que não teríamos problemas em identificar seus planos imediatos. Inicialmente foi um choque vê-la usando papel tão caro para meras notas, sendo rasgados ou não, mas desde então, eu tinha me acostumado com isso sendo usado assim. Senhora Rozemyne se sentia mais em casa escrevendo em papel vegetal, não em tábuas de madeira.

Enquanto organizava as cartas para seus associados nobres, seus associados do templo, e seus associados da cidade baixa, um ordonnanz voou para a sala. Anunciou que o criminoso tinha sido pego, e depois devolvido à sua forma de feystone amarela. O sumo sacerdote respondeu: “Muito bem. Eu voltarei imediatamente”, então enviou o ordonnanz de volta.

— Fran, há trabalho para eu fazer no castelo, — anunciou. — Não voltarei até a hora do Ritual de Dedicação. Confio o templo à você e aos meus assistentes. Use os sacerdotes azuis conforme necessário para terminar os preparativos.

O Sumo Sacerdote levou as cartas para os nobres associados de Senhora Rozemyne e saiu rapidamente da sala. Uma vez que ele se foi, os outros assistentes, que deveriam ter se retirado para seus quartos durante o dia, retornaram às câmaras do Arcebispo.

— Fran, o que o Sumo Sacerdote disse? Senhora Rozemyne vai ficar bem? — Monika perguntou, olhando para mim com preocupação. Nicola e Gil esperaram tão esperançosamente pela minha resposta. Todos eles estavam preocupados com Senhora Rozemyne sendo levada para sua oficina tão rapidamente.

— Ele disse que é provável que ela vai permanecer dormindo por mais de um ano. O veneno que lhe foi dado colocou uma tensão inesperada em seu corpo.

— Sem chance.

Todos pareciam estar à beira das lágrimas, mas levaria muito tempo até que Senhora Rozemyne acordasse; não havia nenhum ponto em apressar as coisas.

— Vou fornecer mais detalhes amanhã. É tarde, e todos vocês precisam descansar.

Os aprendizes voltaram para seus quartos, ainda incapazes de aceitar o que tinha acontecido, enquanto eu sozinho ficava para trás. Foi a minha vez de fazer hora extra, e então organizei a sala antes de escrever uma carta para Lutz, que poderia explicar as circunstâncias de Senhora Rozemyne tanto para a família da cidade baixa quanto para a Companhia Plantin.

Passei o dia seguinte tendo que explicar a situação de Senhora Rozemyne várias vezes. Os aprendizes acordaram cedo, não conseguindo dormir por preocupação, então dei-lhes a carta que tinha escrito para explicar ao Lutz e fui tirar uma soneca muito necessária.

O quarto sino tocou antes que eu percebesse, e quando me sentei para almoçar, todos exigiram mais explicações. O Sumo Sacerdote não me deu detalhes muito precisos em primeiro lugar, então, apesar de todas as suas perguntas, não havia muito que eu pudesse dizer..

— Como a Senhora Rozemyne disse anteriormente, por favor, pense nisso como ela ficar no castelo por um longo período. Não temos escolha a não ser continuar como se ela estivesse simplesmente fora. Por favor, retome o que você tem feito para que ela não encontre nenhuma complicação ao acordar.

Depois de terminar o almoço, Zahm e eu organizamos documentos relacionados ao trabalho de Rozemyne antes de sair para o quarto do Sumo Sacerdote. Ele precisaria cuidar do trabalho dela de Arcebispo enquanto ela estivesse fora.

— O Sumo Sacerdote não entrará em colapso nesse ritmo? — Eu perguntei, olhando preocupado para a montanha de documentos diante de nós. Zahm parou por um momento, depois balançou a cabeça.

— Suponho que ele sobreviverá, em grande parte graças a ele seguir o conselho da Senhora Rozemyne e treinar outros padres azuis para ajudá-lo. Estremeço ao imaginar um mundo em que ele não o tivesse feito. Mesmo que ela não tivesse feito mais nada, esse fato por si só já lhe renderia minha maior gratidão. Louvados sejam os deuses!

Zahm servira uma vez ao mesmo padre azul que Fritz, então rapidamente passou a apreciar tanto a competência do Sumo Sacerdote quanto a facilidade de trabalhar abaixo dele. Ele vinha elogiando Senhora Rozemyne por sua habilidade desde que ela era aprendiz de donzela azul do santuário, agradecido por sua capacidade de ajudar o Sumo Sacerdote com seu trabalho.

Quando chegou a hora de escolher um dos assistentes do Sumo Sacerdotes para sair e servir à senhora Rozemyne, Zahm se ofereceu antes de todos os outros. A comida nos aposentos do Arcebispo era de melhor qualidade, e a maior carga de trabalho para cada assistente fazia com que as contribuições parecessem muito mais significativas, sem mencionar que a Senhora Rozemyne assumindo mais trabalho acabava aliviando o fardo do Sumo Sacerdote.

— Agora, então, vamos? Os assistentes do Sumo Sacerdote precisarão que os assuntos sejam explicados a eles também.

Com isso, Zahm e eu levamos a caixa de documentos dos aposentos do Arcebispo para os aposentos do Sumo Sacerdote.

— Fran, Zahm, estávamos esperando sua chegada, — disse um dos assistentes. — Esta prateleira foi limpa para vocês.

O Sumo Sacerdote deve ter feito os preparativos com antecedência, pois já havia espaço para os documentos que trouxemos conosco. Todos trabalharam juntos para organizá-los e coletar informações sobre os acontecimentos da noite anterior, concordando em fazer o possível para minimizar o fardo do Sumo Sacerdote e selecionar quais trabalhos poderiam ser confiados aos padres azuis.

— Zahm, posso pedir que você explique a situação aos irmãos Kampfer e Frietack? — Eu disse, uma vez que os documentos foram organizados. Fui então para o orfanato, e Wilma veio correndo no momento em que cheguei.

— Fran, ouvi de Monika que a Senhora Rozemyne vai dormir por muito tempo. O que vai acontecer com o orfanato? — ela perguntou, tão preocupada que seu rosto estava anormalmente pálido. Todos aqueles que sabiam como o orfanato era terrível antes da Senhora Rozemyne se tornar diretora do orfanato tinham um medo mortal de que ela desistisse do cargo, pois isso introduzia a possibilidade de as coisas voltarem a ser como eram antes.

— Tudo ficará bem. A autoridade sobre o templo passará para o Sumo Sacerdote enquanto a senhora Rozemyne estiver dormindo, mas fui instruído a continuar supervisionando as coisas como tenho feito. Quanto ao orçamento, não podemos usar o cartão de guilda da Senhora Rozemyne, mas o Sumo Sacerdote está administrando os pagamentos do Arcebispo e o dinheiro que lhe é dado por ser filha do Arquiduque, então certamente não nos faltará a esse respeito. À medida que os preparativos de inverno estiverem completos, poderemos durar até a primavera sem problemas, desde que não sejamos esbanjadores.

— Isso é verdade, — Wilma murmurou com um aceno compreensivo. Também assumi a responsabilidade de assegurar aos órfãos preocupados que não ficaríamos sem dinheiro enquanto a oficina continuasse funcionando.

Eu não tinha mencionado isso a ninguém, mas a senhora Rozemyne tinha uma caixa trancada, “debaixo do colchão”, como ela chamava, que também continha uma quantia considerável. Esses fundos serviriam como uma rede de segurança, evitando que nossas circunstâncias se tornassem muito terríveis.

— Wilma, quem está em posição de autoridade não deve demonstrar preocupação nem pânico. Por favor, acalme-se. Senhora Rozemyne vai ficar bem.

— Me perdoe.

— Vou agora anunciar os objetivos que a Senhora Rozemyne deseja que sejam concluídos durante o inverno.

A tarefa que a senhora Rozemyne havia confiado ao orfanato no ano passado era que todos aprendessem o alfabeto, assim como a matemática de um dígito. Todos devem ter se lembrado da carne adicional com a qual foram recompensados anteriormente pelo sucesso, pois seus olhares preocupados logo endureceram.

— A tarefa deste ano é que todos aprendam os conhecimentos básicos exigidos de um assistente antes de completar dez anos de idade. Os padres cinzentos que serviram como assistentes trabalharão como professores.

Tendo aprendido com a situação com Volk, a senhora Rozemyne desejou aumentar o valor de todos os padres cinzentos. Ela preferia que fossem vendidos como assistentes habilidosos do que servos humildes, já que seu tratamento variava dramaticamente com base em sua posição, e os servos mais capazes iam por mais dinheiro.

— Delia, a senhora Rozemyne estava preocupada com Dirk — continuei. — Por favor, entre em contato comigo imediatamente se ele começar a mostrar alguma anormalidade. O Sumo Sacerdote está extremamente ocupado, então seu tratamento poderia ser adiado.

— Entendido.

Minha tarefa final era ir para ao ateliê, mas logo depois que cheguei ficou claro que Gil estava dando tudo de si para fazer livros, convencido de que eles estimulariam a senhora Rozemyne a acordar mais rápido. Ele não parecia precisar de minha ajuda, então simplesmente lhe entreguei a carta para Lutz e fui embora.

No dia seguinte, o pessoal da Senhora Rozemyne voltou ao templo. Sem ela para protegê-los, ficar no castelo não só corria o risco de suas receitas vazarem, mas também de aqueles com autoridade roubá-las à força para servir a outra pessoa. A senhora Rozemyne havia pedido especificamente que Ella e Rosina não fossem deixadas ali, já que ambas eram especialmente vulneráveis por serem jovens.

O pessoal foi informado de que a senhora Rozemyne permaneceria adormecida por mais de um ano; então eles receberam suas instruções.

— Ella, Hugo, por favor, continuem preparando comida para os assistentes e para o orfanato, como vocês têm feito. A Senhora Rozemyne também deseja que Nicola tenha a oportunidade de avançar em seus sonhos de se tornar uma chef, então por favor aceite seus serviços e a guie como assistente. Você deve ajudar na conclusão do livro de receitas, no qual pouco progresso foi feito devido ao quão ocupado as coisas têm sido, e se você tiver algum tempo livre, uma vez feito isso, ela sugere que você comece a tentar inventar novas receitas por si próprio.

— Entendido.

Nicola escreveu em seu díptico tudo o que precisava ser feito na cozinha com um largo sorriso no rosto. Ela estaria lidando com toda a escrita, pois nem Ella nem Hugo sabiam ler, o que provavelmente também foi um fator contribuinte para o livro de receitas ter progredido tão pouco.

— Rosina, por favor, ensine as crianças do orfanato a tocar música. A Senhora Rozemyne disse que você pode reconhecer alguns deles como tendo talento musical, mesmo que eles próprios não o vejam. Ela acredita que dar a eles uma oportunidade para que suas habilidades floresçam pode mudar seu futuro para melhor.

— Em outras palavras, eu só preciso ensiná-los como Senhora Christine me ensinou? Muito bem. Farei o que puder.

Ao ouvir que a Senhora Rozemyne desejava melhorar o valor dos órfãos para garantir melhores locais de trabalho para eles, Rosina, que havia sido comprada para servir como musicista pessoal ela mesma, sorriu suavemente e assentiu.

Assim começou a vida no templo sem a senhora Rozemyne. Nicola ajudou os chefs enquanto trabalhava como assistente, e Gil e Fritz continuaram suas tarefas na oficina e no orfanato durante o inverno. Zahm, Monika e eu geralmente passávamos nossos dias trabalhando nos aposentos do Sumo Sacerdote, fazendo pausas apenas para comer e dormir.

— Os preparativos para o Ritual de Dedicação estão completos.

— Isso significa que a lenha também está pronta? Irmão Kampfer, você decidiu uma ordem para os sacerdotes?

— Irmão Frietack, por favor, mande uma mensagem para os outros padres azuis.

Conseguimos terminar a preparação para o Ritual de Dedicação antes do regresso do Sumo Sacerdote, tal como tínhamos feito no ano anterior. O trabalho foi concluído sem problemas consideráveis, não só era a segunda vez que os irmãos Kampfer e Frietack eram encarregados dos preparativos, como também havia mais padres azuis dispostos a ajudar.

— Está tudo pronto? — o Sumo Sacerdote perguntou ao retornar. Ele verificou se os preparativos estavam devidamente concluídos, depois elogiou os padres azuis por seu trabalho.

— Bem feito. Agora você pode descansar até o Ritual de Dedicação em dois dias.

Ele fez com que os sacerdotes azuis saíssem da sala, então entrou em seu quarto escondido para recuperar um saco de feystones. Assim que ele o pegou, nós dois fomos para o quarto escondido em que a senhora Rozemyne ainda dormia. Ela parecia exatamente como naquela noite fatídica, embora o azul da poção estivesse mais escuro do que antes e as linhas vermelhas em sua pele parecessem brilhar.

— Eu a deixei sozinha por muito tempo… — o Sumo Sacerdote murmurou, sua testa franzida e a frustração clara em sua voz.

Ele me instruiu a colocar as feystones na poção, e eu prontamente obedeci. Havia feystones pretas e feystones claras. Tirei-as do saco e as joguei na poção, uma por uma. Elas começaram a absorver a mana da Senhora Rozemyne, fazendo com que a cor da poção desaparecesse diante dos meus olhos.

— Essa tola comprimiu demais sua mana — suspirou o Sumo Sacerdote, pegando a mão da senhora Rozemyne e olhando para as linhas vermelhas em sua pele. — Essas feystones não serão suficientes. Ela tem sorte que é hora do Ritual de Dedicação.

Então o ouvi murmurar que o processo levaria mais tempo do que ele esperava.

Enquanto o Sumo Sacerdote registrava algo sobre a saúde da senhora Rozemyne em um quadro, eu removi as feystones que agora estavam cheias de sua mana, limpei-as delicadamente e depois cuidadosamente as coloquei de volta na bolsa.

— Isso deve servir por hoje, — disse o Sumo Sacerdote.

Tornou-se um trabalho diário para mim pegar as feystones que os sacerdotes esvaziaram durante o Ritual de Dedicação e colocá-las de volta na poção da Senhora Rozemyne para reabastecê-las. Foi graças à mana dela que o Ritual de Dedicação foi concluído sem problemas, mas mesmo depois disso, precisávamos continuar armazenando mana em preparação para a Oração da Primavera.

O Sumo Sacerdote e eu entramos mais uma vez na oficina. Certamente era um alívio ver a Senhora Rozemyne cada vez, mas o fato dela parecer completamente inalterada era desanimador.

Por favor, acorde logo, Senhora Rozemyne…

Com o Ritual de Dedicação concluído, o Sumo Sacerdote concentrou seus esforços na papelada acumulada. Apesar do aumento da carga de trabalho, tanto o Senhor Damuel quanto o Senhor Eckhart estavam ocupados recebendo treinamento especial com a Ordem dos Cavaleiros, então o Sumo Sacerdote estava mais uma vez apoiando seu estilo de vida com poções, de modo que seus assistentes murmuravam sobre quantas vezes o viam buscar por elas.

Era fácil ver que ele estava sendo soterrado por uma avalanche de trabalho, não apenas o seu como Sumo Sacerdote e do castelo, mas também o trabalho do Arcebispo da Senhora Rozemyne e seus deveres com o orfanato, o ateliê, a Companhia Plantin e afins. Apesar de ter investido muito tempo treinando padres azuis para auxiliar em seu trabalho, eles não eram capazes de administrar o orfanato, nem podiam fazer negócios com a Companhia Plantin.

— É raro que os membros da Companhia Plantin visitem durante o inverno, e o orfanato também passa a maior parte do tempo em hibernação, então não prevejo problemas, — disse.

— De fato. Rozemyne já tem seus assistentes cuidando da oficina e do orfanato, e eu gostaria que eles cuidassem um pouco do trabalho.

Chegada a primavera, porém, era preciso vender o artesanato de inverno e começar a fazer papel, o que inevitavelmente significava lidar com dinheiro e assumir tarefas que não podiam ser adiadas. O Sumo Sacerdote tinha trabalho sendo carregado para ele do castelo também, apesar de seus numerosos deveres no templo, então não havia nada que ele pudesse fazer além de franzir a testa e pegar outra poção amarga.

— Não há nada que eu gostaria menos do que pedir ajuda a ele, mas suponho que não tenho outra escolha…

O Sumo Sacerdote enviou um ordonnanz, e após o que não foi mais do que uma breve espera, vimos uma montaria escultural correndo em direção ao templo em imensa velocidade. Em meros momentos, o Senhor Justux, que não tinha reservas em visitar a cidade baixa e entendia a situação da Senhora Rozemyne, estava ajoelhado diante do Sumo Sacerdote com olhos brilhantes.

— Senhor Ferdinando, cheguei à sua convocação. Você pode contar comigo para administrar a oficina e lidar com os negócios com os comerciantes.

— Fritz, leve Justux para a oficina e explique a ele as finanças de nosso negócio com a Companhia Plantin. Justux, estou muito ocupado para lidar com você causando problemas. Contenha-se. Está entendido?

— Como você quiser. Agora, Fritz, vamos partir.

— Fritz, me informe no momento em que algo acontecer. Não hesitarei em afastar Justux bem na hora, se necessário.

Senhor Justux, sem tentar disfarçar sua excitação, praticamente arrastou Fritz para fora da sala com ele. Eu estava terrivelmente preocupado com isso, chamar ele realmente tinha sido uma boa ideia?

— Sumo Sacerdote…

— Não tema, Fran. Justux adora coletar informações, mas não revela seus segredos levianamente. Além disso, ele é meu retentor, sua natureza excêntrica desmente sua competência.

Como previa o Sumo Sacerdote, o Senhor Justux rapidamente se acostumou à oficina. Ele não era o tipo de pessoa que valorizava seu status em relação aos outros e, de acordo com Fritz, era excepcionalmente habilidoso quando se tratava de se encaixar em grupos e trabalhar com outras pessoas.

Depois de muitas outras visitas ao ateliê, o Senhor Justux me perguntou sobre o fluxo de trabalho geral antes da situação da Senhora Rozemyne. Comecei a preparar os documentos pertinentes dos aposentos do Arcebispo, entretanto decidi perguntar-lhe o que achava da sua passagem por lá até agora.

— Senhor Justux, como foi a oficina?

— Muito estimulante. Tudo é tão interessante lá, como eu esperaria de algo supervisionado pela Senhora Rozemyne. Ela treinou subordinados muito fascinantes, eles até me permitiram balançar a água quando visitei pela primeira vez.

Não era adequado nem aceitável que um nobre fizesse trabalho braçal, então eu podia imaginar facilmente o conflito que os operários da oficina devem ter sentido quando o Senhor Justux pediu para fazer tal coisa. Fritz não deve ter tido uma vida fácil.

— Mas assim que toquei o papel nas tábuas — continuou o Senhor Justux — um dos daplas da Companhia Plantin gritou comigo. — O que você está fazendo, seu idiota?! — ele gritou, alto o suficiente para todos ouvirem.

Lutz, por que diabos você faria isso?! E Fritz, como você pôde permitir que isso acontecesse?!

Mas enquanto o sangue escorria do meu rosto, o Senhor Justux continuou com uma expressão infinitamente divertida. O silêncio aparentemente caiu sobre toda a oficina após a explosão de Lutz, com até o próprio Lutz percebendo que ele disse algo que não deveria. Antes que mais alguém pudesse falar, porém, Fritz deu um passo protetor com o tipo de sorriso frio que normalmente se esperaria do Senhor Ferdinando, imediatamente dando ao Senhor Justux um sermão severo que ele se lembrava literalmente.

— Não esperava que o Sumo Sacerdote nos enviasse alguém tão incompetente que não entendesse o tempo e o dinheiro perdidos com papel danificado, mesmo depois de ter explicado todo o processo. Ele certamente deve ter cometido um erro de julgamento por estar tão ocupado. Um gerente que destrói produtos não pode tomar o lugar da Senhora Rozemyne, então vou relatar isso ao Sumo Sacerdote imediatamente. Não precisamos de alguém que não entenda a importância do nosso trabalho.

— E-E o que você fez então, senhor Justux?

— Eu obviamente não queria ser chamado de inútil e expulso no meu primeiro dia, especialmente sabendo que o Senhor Ferdinando estava desesperado o suficiente para realmente pedir minha ajuda, então dei a eles o suficiente para cobrir o custo do papel e um pouco mais para mantê-los quietos. Uau… Com certeza foi por pouco. Preciso aproveitar esta oportunidade para mostrar meus talentos e recuperar minha honra. Confesso que não esperava menos dos subordinados da Senhora Rozemyne, considerando como ela mesma sempre enfrenta o senhor Ferdinando, dando-lhe sermões sobre sua dependência de poções não serem saudáveis e tudo mais.

Provavelmente não era assim que a maioria dos nobres teria reagido, mas, de qualquer forma, mantive meu silêncio, ele evidentemente julgara necessário pagá-los e, com o incidente já encerrado, não vi razão para questionar sua decisão. Também não havia necessidade de incomodar o Sumo Sacerdote com esse assunto, então segui a liderança de Fritz e não disse uma palavra sobre isso.

O Senhor Justux não vinha ao templo com muita frequência, sem dúvida ocupado com seus próprios assuntos, mas era tão habilidoso quanto o Sumo Sacerdote dissera: cada vez que chegava, terminava vários dias de trabalho de uma só vez. Enquanto estivesse aqui, ele se reportaria ao Sumo Sacerdote tanto na oficina quanto em alguma outra tarefa que lhe fora dada antes de retornar ao Bairro dos Nobres com ainda mais trabalho empurrado para ele. Pelos trechos de conversa que consegui captar, parecia que ele estava reunindo informações sobre o culpado que havia prejudicado a Senhora Rozemyne.

O ponto médio da primavera se aproximava, e assim começaram os preparativos para a Oração da Primavera. Parecia que os filhos do Arquiduque iriam ocupar o lugar da senhora Rozemyne este ano, viajando pelo Distrito Central com feystones na mão. O plano deles era dividir a viagem em três para encurtar o processo geral, como a senhora Rozemyne e o Sumo Sacerdote haviam feito, exceto que desta vez pegando emprestado duas pessoas importantes do Arquiduque. Foi realmente de partir o coração que o Sumo Sacerdote estivesse suportando uma carga de trabalho tão esmagadora que ele foi forçado a usar todos os meios disponíveis para fazer as coisas.

Como eu sabia mais sobre as cerimônias do que os outros assistentes da Senhora Rozemyne, acompanhei Senhora Charlotte como guia. O Sumo Sacerdote me deu instruções especiais enquanto nos preparávamos.

— Fran, aproveite esta oportunidade para criar uma nova santa. Conte uma história comovente para todos que puder: “Santa Rozemyne foi envenenada protegendo os filhos do Arquiduque, os quais declararam seu desejo de oferecer bênçãos no lugar de sua irmã para retribuir seu nobre ato”. Sendo tão compassivos e extraordinários quanto a Senhora Rozemyne, então será mais fácil para nós usá-los também no próximo ano.

Depois que o Sumo Sacerdote explicou como estabelecer essa base, ele me entregou um número considerável de poções de rejuvenescimento de sabor aprimorado. Ele parecia ter notado minha hesitação em explorar os filhos ainda jovens do Arquiduque, quando então me deu um escárnio desdenhoso.

— Se Charlotte e Wilfried não terminarem a Oração da Primavera se sentindo confiantes em suas próprias habilidades e, posteriormente, se recusarem a tomar o lugar de Rozemyne no Festival da Colheita, é o orfanato que sofrerá primeiro devido à falta de comida que teria sido paga para Rozemyne para o inverno, — observou ele.

Sua mensagem era clara: eu não tinha escolha a não ser aceitar o dever de estabelecer a lenda de Santa Charlotte. Os últimos anos me ensinaram tudo sobre a importância do dinheiro, esta Oração da Primavera precisava ir bem, não importa o que acontecesse, ou o templo e o orfanato sofreriam.

Como não era tradicional que aprendizes menores de idade realizassem cerimônias religiosas, as únicas roupas cerimoniais de tamanho infantil disponíveis para nós pertenciam à Senhora Rozemyne. Demos a Senhora Charlotte suas vestes brancas de Arcebispo, que não requeriam nenhuma alteração, e ao Sr. Wilfried suas vestes cerimoniais azuis, que precisavam de algumas alterações para acomodar sua altura marginalmente maior. Esses ajustes, porém, não demoraram muito, pois Corinna da Companhia Gilberta levou em conta o crescimento da Senhora Rozemyne quando fez as vestes.

Solicitamos as costumeiras carruagens da Companhia Plantin e nos preparamos para trazer de volta Achim e Egon, que estavam hospedados na mansão de inverno de Hasse. Também tínhamos cavaleiros nos acompanhando a pedido do Sumo Sacerdote, o dobro do habitual para nos proteger de um possível ataque de membros da nobreza.

Senhora Charlotte não tinha montaria escultural, pois ainda não tinha entrado na Academia Real, então viajei de carruagem pela primeira vez em muito tempo. Ela parecia ter grande respeito pela senhora Rozemyne, pois se alegrou quando lhe contei sobre as experiências de sua irmã no templo. Em troca, fui agraciado com histórias do tempo da Senhora Rozemyne no castelo, por isso foi uma jornada muito produtiva no geral.

Quando Richt viu Senhora Charlotte pela primeira vez, em nossa chegada a Hasse, ele erroneamente pensou que eles não tinham sido perdoados. Porém, após minha explicação de que Santa Charlotte estava se dedicando a abençoar a terra na ausência de sua irmã, ele a recebeu com lágrimas de gratidão.

Senhora Charlotte estava notavelmente tensa em realizar sua primeira cerimônia, mas ela pegou a feystone com a mana da Senhora Rozemyne e a completou brilhantemente. Reunimo-nos com Achim e Egon antes de nos mudarmos para o mosteiro, onde primeiro verifiquei se tudo estava em ordem, depois Senhora Charlotte premiou os soldados com o seu pagamento.

— Fran, posso perguntar como está o Arcebispo? — Gunther perguntou ao receber seu dinheiro, sua expressão nublada.

— Parece que o peso em seu corpo foi ainda maior do que o Sumo Sacerdote esperava, e seu sono provavelmente continuará por mais tempo ainda.

— Entendo…

Enquanto estávamos na estrada, Senhora Charlotte usou muito menos poções do que a Senhora Rozemyne, e quando a Oração da Primavera terminou, ela usou apenas uma pequena porção de todas as que trouxemos. Eu não pude deixar de suspirar por quão doentia e fraca a Senhora Rozemyne realmente era, que ela precisava usar a maior parte de nossas poções apenas para sobreviver até o fim.

Ao voltar da Oração da Primavera, Gil veio me pedir conselhos, querendo saber como deveríamos proceder com a impressão. Meu entendimento era que a senhora Rozemyne havia recolhido histórias das crianças nobres enquanto estava no castelo, e depois de discutir o assunto com o Sumo Sacerdote, ele me entregou as histórias coletadas na sala de jogos de inverno. Eu prontamente os dei para Gil, mas ele apenas coçou a orelha desconfortavelmente e balançou a cabeça.

— Eu não posso imprimir isso. Eles são escritos do jeito que as crianças falam, então eles precisam ser ajustados mais como um livro. Você conhece alguém que pode fazer isso?

— Posso dizer com toda a certeza que ninguém tem tempo para fazer uma coisa dessas no momento.

Dito isso, a Senhora Rozemyne conseguiu escrever seus manuscritos enquanto auxiliava o Sumo Sacerdote, memorizava os procedimentos de muitas cerimônias e se dirigira ao castelo para desempenhar seu papel de filha nobre. Apesar de todo o tempo que passamos juntos, ainda me surpreendi com seu amor pelos livros e sua obsessão por fazê-los.

Vários dias depois, Gil veio dizer que Tuuli queria que ensinássemos a ela a etiqueta apropriada. Ela nos pagaria com um livro de contos colecionados que a senhora Rozemyne havia feito para ela e sua família. O texto já estava editado para ser legível, e Gil queria que fosse impresso logo após a coletânea de histórias de cavaleiros.

Tuuli era a verdadeira irmã da senhora Rozemyne, e ela havia prestado muita ajuda aos do orfanato. O Sumo Sacerdote, portanto, concedeu-lhe sua permissão, determinando que esta seria uma boa oportunidade para retribuir tudo o que ela havia feito. Não havia pessoas melhores para essa tarefa do que Rosina e Wilma, pois haviam sido rigorosamente treinadas no modo de etiqueta apropriado, sob a irmã Christine, e por isso pedi sua ajuda. Parecia que Lutz também estaria aprendendo ao lado de Tuuli.

Eu vim para ver como as aulas estavam indo por um curto período. A visão de suas lutas me deixou um pouco nostálgico por quando a senhora Rozemyne continuamente prendeu suas mangas compridas em tudo o que podia.

Enquanto eu estava lá, Wilma mencionou que Tuuli estava dando conselhos sobre como criar Dirk. O orfanato havia perdido todas as sacerdotisas cinzentas que deram à luz, então ninguém tinha certeza de como criar uma criança. A senhora Rozemyne havia fornecido algumas orientações, mas Wilma e Delia desejavam saber tudo o que pudessem, e por isso ficaram eternamente gratas pela sabedoria de Tuuli. Ela aprendera muito ajudando a criar seu irmão mais novo, que tinha a mesma idade de Dirk.

Nicola atingiu a maioridade no final da primavera. Fizemos uma pequena festa assim como fizemos para Rosina, mas ela em grande parte apenas lamentou como a Senhora Rozemyne não estava lá para ensinar suas novas receitas como ela esperava. Esta explosão foi um pouco de curta duração, pois um sorriso voltou ao seu rosto no instante em que Ella trouxe alguns doces e mencionou que a Senhora Rozemyne poderia simplesmente ensinar-lhe as receitas quando ela finalmente acordasse.

O restaurante italiano veio pedir novas receitas na mesma época da Cerimônia da Maioridade de Nicola, mas nós simplesmente dissemos que eles teriam que inventar algumas, já que faltava mais um ano para a senhora Rozemyne acordar. Isso de alguma forma se transformou em Hugo e Leise compartilhando informações sobre suas criações originais, o que, por sua vez, animou a equipe da cozinha. Eles falavam como se seu orgulho como chefs estivesse em jogo, determinados a produzir comida digna do nome da senhora Rozemyne.

No meio do verão, algum tempo depois da Cerimônia do Nó das Estrelas, a amazona da guarda da Senhora Rozemyne, Senhora Brigitte, foi dispensada do serviço e retornou à sua província natal de Illgner. Parecia que ela estava se preparando para se casar.

O Senhor Damuel parecia muito deprimido, por isso podia imaginar que as coisas não tinham corrido bem entre eles. No entanto, eu não poderia dizer que estava surpreso: o Sumo Sacerdote havia mencionado que um relacionamento seria difícil para eles, dadas suas diferentes classes e circunstâncias. Eu mesmo não entendia muito de casamento, mas podia pelo menos rezar aos deuses para que ele visse mais sucesso em seus deveres de cavaleiro do que ao tentar obter uma esposa.

Hugo e Ella se aproximaram de mim, passando pelo senhor Damuel enquanto ele continuava deprimido.

— Que anúncio importante é esse de que você falou? — Eu perguntei.

Os dois trocaram um olhar, sorrisos brilhantes rastejando em seus rostos.

— Vamos nos casar, — anunciou Hugo. — Ambos os nossos pais aprovaram.

Eu podia ver Damuel cobrindo os ouvidos com o canto do meu olho, isso evidentemente não era algo que ele queria ouvir agora.

— Então, pensamos em vir até você para discutir o que acontece a seguir, — continuou Hugo.

— Eu entendo, mas esta notícia chegou muito repentinamente para eu dizer qualquer coisa com certeza. Por favor, dê-me tempo para discutir o assunto com o Sumo Sacerdote.

O que se deve fazer nesta situação…?

Eu não poderia estar mais despreparado para discutir isso com eles. Em circunstâncias normais, a palavra “casamento” nunca era dita dentro das paredes do templo. Fui direto ao Sumo Sacerdote, só para ele fazer uma careta de grande aborrecimento e acenar com desdém com a mão.

— Esses dois são o pessoal de Rozemyne. Não é meu dever dar permissão ou instruções na ausência dela, e por isso não posso permitir que se casem antes que ela acorde. Simplesmente os instrua a preparar um sucessor para Ella no caso dela se casar e, posteriormente, precisar renunciar.

Passei a mensagem do Sumo Sacerdotes para eles, o que acabou fazendo Ella explodir de raiva.

— Não vou deixar de ser cozinheira, mesmo quando me casar! — ela rugiu.

— O quê? Isso é verdade? — Eu perguntei. — Ter um filho não a deixará incapaz de trabalhar?

— Eu precisaria de um tempo de folga, obviamente, mas como sobreviveríamos se eu largasse meu emprego logo após me casar?!

— Isso é costume na cidade baixa…? O Sumo Sacerdote mencionou que as mulheres param de trabalhar depois de casadas, mas como os padres são proibidos de se casar, esse assunto honestamente não é um que eu entenda.

A vida conjugal de que Ella falava era significativamente diferente do que o Sumo Sacerdote havia dito. Parecia que ele não estava tão familiarizado com as circunstâncias dos plebeus quanto eu.

— Os nobres são muito diferentes de nós, plebeus. Pretendo trabalhar mesmo depois de me casar, mas se isso é novidade para vocês, acho que vou ter que esperar até a Senhora Rozemyne acordar com certeza. Oh bem, — Ella disse, parecendo desistir relativamente rápido. Hugo, por outro lado, não foi tão compreensivo.

— Espere, Ella. Não desista tão fácil!

— Hum? Eu não estou desistindo. Não há como contornar o fato de que temos que esperar, não é?

— Mas esperar significa esperar até o festival das estrelas do ano que vem, certo? Certo?!

— Quem pode dizer? Tudo depende da Senhora Rozemyne, — eu disse, ganhando um olhar penetrante de Hugo.

— Arg! Estou fadado a nunca me casar?! Posso arranjar namoradas, mas não esposas?! É assim, Fran?! — ele exclamou, agarrando-me pelos ombros e me sacudindo. No entanto, não havia resposta que eu pudesse dar a ele. Este assunto realmente estava além de mim.

O verão terminou e o desenvolvimento da nova tinta foi concluído, o que significava que o Ateliê da Rozemyne agora podia começar a imprimir cartas de baralho de alta qualidade. O novo papel em que estavam sendo impressos era firme e brilhante, produzindo baralhos totalmente diferentes daqueles feitos de madeira, enquanto as várias cores de tinta significavam que cada naipe agora podia ser facilmente diferenciado e decorado com belos visuais.

Num dia de outono perto do Festival da Colheita, o irmão Egmont visitou, de repente, os aposentos do Arcebispo com uma única sacerdotisa cinzenta a reboque. Ela parecia doente de ansiedade, e a visão me fez ficar um pouco tenso defensivamente.

— Irmão Egmont, não me lembro de você marcar uma reunião…

— Por que eu precisaria quando o Arcebispo se foi e há apenas padres cinzentos aqui? — ele retrucou.

Olhei para Zahm, que desapareceu suavemente na cozinha. Ele provavelmente estava saindo por uma porta dos fundos para informar o Sumo Sacerdote dessa chegada repentina, então eu precisava ganhar tempo até que eles voltassem.

— Minhas sinceras desculpas. Não recebemos um padre azul sem hora marcada antes e, portanto, estamos um pouco despreparados. Imagino que algum assunto urgente tenha inspirado sua chegada. Posso perguntar o que seria?

— Leve Lily de volta ao orfanato e me arranje um novo assistente. Traga-me sacerdotisas cinzentas.

Eu rapidamente olhei para Monika, que se virou e saiu da sala imediatamente para informar Wilma, antes de voltar para o irmão Egmont.

— Minhas mais sinceras desculpas mais uma vez, mas não podemos atender a esse pedido sem aviso prévio.

— Por que não?

— Todas as sacerdotisas cinzentas têm deveres que lhes foram dados pela Senhora Rozemyne. Levará tempo para reuni-las e, devido ao trabalho manual em que estão envolvidas, elas não estarão limpas o suficiente para serem apresentadas tão repentinamente a um padre azul.

O irmão Egmont cruzou os braços, parecendo realmente não entender. Ele evidentemente não estava familiarizado com o conceito de uma sacerdotisa cinza não ser imediatamente apresentável.

— Se você vai levar uma nova assistente, é necessário que elas estejam tão bonitas quanto possível, ao invés de serem trazidas no meio de seu trabalho, — eu continuei. — Acredito que é do seu interesse retornar aos seus aposentos por hoje e esperar que as candidatas estejam preparadas.

Apesar de sua frustração, o irmão Egmont acabou concordando, ele era um padre azul que sentia repulsa até mesmo pelo pensamento de algo feio.

— Com isso resolvido, posso perguntar por que você está devolvendo Lily ao orfanato? — Eu perguntei. — É importante para nós sabermos como ela o desagradou.

No entanto, minha pergunta foi puramente por causa da aparência. Havia apenas uma razão pela qual as donzelas cinzentas do santuário eram devolvidas ao orfanato, então eu simplesmente mantive meus olhos baixos e fingi escrever coisas em um formulário.

— Ela engravidou, — o irmão Egmont disse concisamente, olhando para Lily com uma careta de desgosto. — Ela está reclamando sobre se sentir doente há dias, e agora ela está vomitando em todos os lugares. Eu nunca vi uma assistente tão inútil na minha vida.

— Entendo. Certamente é inaceitável que um assistente seja incapaz de cumprir seus deveres.

Vendo que estávamos de acordo, o irmão Egmont se acalmou um pouco, seu tom agora um pouco menos áspero.

— Exatamente. Preciso de uma substituta imediatamente.

— Dito isso, é o Sumo Sacerdote quem trata da propriedade dos assistentes, não o Arcebispo. Devo pedir que você agende uma reunião com ele.

— Como é que é?! Você é o assistente do Arcebispo. Resolva você mesmo!

O irmão Egmont tinha sido favorecido pelo Arcebispo anterior, e por isso costumava falar apenas com ele sempre que queria que algo fosse feito. Entretanto, as coisas eram diferentes agora. O Sumo Sacerdote estava trabalhando duro para devolver o templo a como era antes do reinado do Arcebispo anterior.

— A transferência de sacerdotes e donzelas do santuário está sob a jurisdição do Sumo Sacerdotes, — expliquei. — Estou ciente de que essas distinções foram às vezes ignoradas no passado, mas esse não é mais o caso.

— Você é muito arrogante para um padre cinza!

O irmão Egmont ergueu a mão para me bater, mas antes que pudesse, veio um pequeno sino. Eu suspirei internamente com alívio, aquele era o sino do Sumo Sacerdote, o que significava que Zahm devia ter voltado com ele.

— Minhas desculpas, irmão Egmont, mas já marquei uma reunião com o Sumo Sacerdote aqui. No entanto, cederei meu tempo de reunião para que você resolva esse assunto com ele primeiro.

— Wow!

Ele não teve nenhum problema em chegar sem avisar quando apenas padres cinzentos estavam presentes, mas ele não seria tão rude com o próprio Sumo Sacerdote. Os membros da facção do antigo Arcebispo não cooperavam com o Sumo Sacerdote e, por esse motivo, sua renda estava sendo cortada lentamente, os forçando a estilos de vida mais desconfortáveis.

— Fran, por que Egmont está aqui? — perguntou o Sumo Sacerdote ao entrar na sala, o encontrando com um olhar de desagrado. — Acredito que já estou agendado para uma reunião neste momento.

— O irmão Egmont chegou sem avisar. Parece que ele deseja substituir uma de suas donzelas cinzentas do santuário o mais rápido possível, — eu respondi prontamente.

— Entendo. A transferência de sacerdotes e donzelas do santuário está sob minha jurisdição, Egmont. Então você deve marcar um encontro comigo, não com os assistentes do Arcebispo. Retorne aos seus aposentos por hoje, meu tempo já está ocupado.

O irmão Egmont arrastou Lily para fora da sala, não tendo escolha a não ser marcar uma reunião para uma data posterior. Zahm fechou a porta com firmeza atrás de si, e nesse momento me ajoelhei diante do Sumo Sacerdote.

— Eu realmente peço desculpas por perturbá-lo.

— Não há necessidade. Eu previ que incidentes desse tipo ocorreriam com a ausência de Rozemyne, mas substituir uma sacerdotisa cinzenta, hum? Imagino que ela ficará muito chateada se descobrir que não lidei com isso como ela faria. Que dor.

O Sumo Sacerdote passou a explicar a vontade da Senhora Rozemyne. Ela tinha sido bastante firme que, embora não se importasse com as donzelas cinzentas do santuário que queriam ser assistentes sendo dadas aos sacerdotes azuis, ela nunca aceitaria que alguém fosse forçada a isso, mesmo que isso exigisse que ela as aceitasse como suas próprias assistentes.

A Senhora Rozemyne é realmente suave quando se trata do orfanato…

É claro que foi comovente, já que se parecia tanto com ela, mas também me deixou preocupado com o futuro, quando a Senhora Rozemyne não fosse mais o Arcebispo.

— Fran, imagino que Egmont enviará seu pedido de reunião sem hesitação. Pretendo me encontrar com ele no quinto sino daqui a três dias. Esteja preparado para trazer sacerdotisas do orfanato, com a vontade de Rozemyne em mente.

— Como desejar.

Depois de ver o Sumo Sacerdote partir, deixei os aposentos para Zahm e fui direto para o orfanato. Não havia como escapar que alguém seria escolhido para se tornar o novo assistente do irmão Egmont, de modo que os preparativos teriam de ser feitos antes da hora da reunião.

Quando cheguei, fui recebido por uma Wilma trêmula, com as mãos apertadas na frente do peito.

— Fran, o que aconteceu? — ela me perguntou. Monika estava ao seu lado, parecendo preocupada com ela.

— Lily ficou grávida. Uma nova assistente será selecionada para o irmão Egmont daqui a três dias.

— Daqui a três dias…?

— O Sumo Sacerdote disse que vamos respeitar a vontade da Senhora Rozemyne, então não deve ser tão trágico quanto você possa pensar.

O medo de Wilma dos homens significava que ela não queria deixar o orfanato e sua posição como uma das assistentes da Senhora Rozemyne era mais do que ela jamais poderia esperar. Os outros padres e donzelas cinzas do santuário presas no orfanato, no entanto, viam a saída para servir um padre azul como subir no mundo. Para muitas, até mesmo tornar-se ajudante do irmão Egmont era considerado valioso.

Havia mais sacerdotisas cinzentas adultas no orfanato do que antes, com muitas tendo crescido como Rosina e Nicola, mas ainda havia apenas vinte ou mais no total. Elas estavam todas alinhadas, algumas apertando as mãos com força enquanto esperavam ficar no orfanato, outras debatendo consigo mesmas se isso era algo que elas queriam ou não, e outras ainda olhando para a frente com olhos brilhantes, ansiosas para serem escolhidas da mesma forma que Delia foi no passado.

— Alguma de vocês deseja se tornar assistente do irmão Egmont? — Eu perguntei. Quatro mulheres ergueram as mãos em um instante. Eu olhei através delas, ignorando completamente aquelas que ainda pareciam inseguras sobre a decisão, então assenti. — Muito bem. Vocês quatro me acompanharão à reunião daqui a três dias.

— Fran, você não vai levar todas elas? — Wilma perguntou, piscando várias vezes em surpresa. Ela estava acostumada com todas as sacerdotisas em idade adulta sendo retiradas do orfanato, com os padres azuis escolhendo quem eles mais gostassem.

— É vontade da Senhora Rozemyne que cada órfão tenha o poder de escolher o seu futuro. Aquelas que desejam se tornar assistentes serão, portanto, priorizadas.

Três dias depois, no quinto sino, trouxe as quatro sacerdotisas que se ofereceram para os aposentos do Sumo Sacerdote. O irmão Egmont olhou para elas e franziu a testa.

— Apenas quatro?

— Muitas sacerdotisas foram executadas pelo antigo Arcebispo. Você não sabia, irmão Egmont?

— Não, eu sei. De qualquer forma… essas garotas não são ruins.

O ex-Arcebispo tinha priorizado a aparência acima de tudo, ao escolher quais sacerdotisas manter vivas, então era natural que aquelas que permaneceram tivessem uma beleza louvável. O irmão Egmont as comparou com um olhar vulgar, depois apontou para uma.

— Tudo bem. Você.

A sacerdotisa selecionada foi deixada para trás quando voltei ao orfanato com Lily e as outras três. O Sumo Sacerdote cuidaria pessoalmente do contrato.

Eu não conhecia os detalhes, mas sabia que aquelas que eram designadas para servir aos padres azuis eram obrigadas a assinar um contrato mágico que as impedia de vazar detalhes das receitas, oficina ou vida pessoal da Senhora Rozemyne.

Wilma já estava nos esperando quando voltamos ao orfanato.

— Bem-vinda de volta, Lily. Deve ter sido muito difícil trabalhar enquanto estava tão doente. Aqui você pode descansar o quanto precisar.

De repente Lily começou a chorar. Wilma acariciou suas costas, ouvindo compassivamente enquanto a garota soluçava por ter um medo mortal de seu corpo mudar de maneiras que ela não entendia, e o padre azul que ela servira a chamando de inútil e atrapalhada. Isso tinha ferido seu coração além das palavras.

Decidindo deixar Lily com Wilma, saí do orfanato. Este foi certamente o melhor resultado possível, assim como a Senhora Rozemyne desejava, uma sacerdotisa que desejava se tornar uma assistente o fizera, enquanto uma que não queria podia desistir.

De qualquer forma, havia agora uma mulher grávida no orfanato, e isso introduziu seus próprios problemas. Lily havia dito que não entendia as mudanças pelas quais seu corpo estava passando, mas nós também não. Perguntei ao Sumo Sacerdote o que ele sabia, mas ele apenas disse para ignorá-la, explicando que o bebê simplesmente nasceria por conta própria depois de tempo suficiente. Todos nós confiamos em seus julgamentos, e como todo o orfanato parecia particularmente relaxado sobre tudo isso, Tuuli e Lutz visitaram para aprender etiqueta como planejado.

— Ignorar ela?! Nascendo sozinho? Isso é ridículo! — Tuuli exclamou. — O parto é uma grande coisa! Os bebês nobres surgem do nada ou algo assim?!

— Não é algo que você possa fazer sem se preparar! Você tem que fazer o parto com uma tonelada de pessoas ajudando! — Lutz acrescentou.

Empalideci, apavorado. Tuuli havia ajudado quando sua mãe deu à luz e, quando criança, Lutz sempre corria para ajudar quando um vizinho estava em tal situação, então suas palavras tinham um peso considerável. Foi só então que me lembrei que plebeus e nobres tinham culturas distintas e entendiam as coisas de maneira diferente. Era provável que eles também tivessem seus próprios entendimentos sobre o parto, e já que o orfanato não tinha mana ou ferramentas mágicas, a perspectiva plebéia era muito mais relevante para nós.

Como o conselho do Sumo Sacerdote sobre o assunto agora não mais útil para nós, não tivemos escolha a não ser contar com ajuda externa. Mas não havia ninguém no orfanato com experiência de parto, e ninguém na cidade baixa era excêntrico o suficiente para vir a um lugar tão amplamente desprezado para ajudar.

Se ao menos a Senhora Rozemyne estivesse aqui…

A ausência dela foi dolorosa. Ela também tinha visto o nascimento de seu irmão mais novo de perto, e teria sido simples o suficiente para ela reunir plebeus na cidade baixa para ajudar.

— Minha mãe viria com certeza, mas não acho que ela possa fazer tudo sozinha, — disse Tuuli.

— Vou ver o que o Mestre Benno pode fazer, — continuou Lutz. — Corinna já deu à luz antes, então tenho certeza de que ele sabe do que vamos precisar.

E assim, Lutz foi consultar o Mestre Benno, que aparentemente respondeu com: “Os bebês não saem por conta própria! É muito perigoso ter pessoas tão ignorantes cuidando disso! Aquela mulher vai morrer lá!” Todos ficaram pálidos ao ouvir isso, nunca tendo considerado que isso seria tão difícil.

Quando Lutz e Tuuli pediram ao Mestre Benno para pensar em uma solução, sua conclusão foi trazer Lily para Hasse durante o Festival da Colheita. O mosteiro lá tinha um relacionamento melhor com os plebeus do que o templo, e se Achim e Egon pedissem ajuda depois de terem passado o inverno lá sob as ordens do Arcebispo, era provável que pelo menos algumas mulheres se voluntariassem. Além disso, o Mestre Benno havia dito que mesmo os órfãos de Hasse saberiam mais sobre o parto do que as donzelas do santuário no templo.

Como esperado do Mestre Benno… Obrigado por fornecer conselhos, mesmo durante esses momentos conturbados.

Seguindo as recomendações do Mestre Benno, fizemos os preparativos necessários para levar Lily para Hasse. Também perguntamos à Companhia Plantin quais ferramentas precisaríamos para o parto em si e nos certificamos de que eles estivessem à mão.

Não demorou muito para eu embarcar em uma das carruagens que iam para Hasse, para o Festival da Colheita com Lily, Achim e Egon. Eu havia escrito uma carta endereçada a Richt com antecedência, solicitando sua assistência com o parto.

Senhora Charlotte entregou a carta para mim e confirmou que ele concordou em ajudar. Como esperado, Nora tinha experiência anterior ajudando com esses assuntos, então ela desempenhou um papel importante inspecionando tudo o que trouxemos, verificando a saúde de Lily e descobrindo quando era provável que ela desse à luz.

— Eu estimaria em algum lugar por volta do final da primavera, — disse ela. — Quando for hora da Oração da Primavera, por favor, traga algumas donzelas do santuário extra. Não precisamos de muitos homens, já que eles não podem entrar na sala enquanto ela está dando à luz.

Entendo. Homens que não podem entrar explicam por que Tuuli e Lutz sabem coisas diferentes…

Lily permaneceu em Hasse quando partimos para nossa próxima parada durante o Festival da Colheita. Estávamos recebendo a assistência do Senhor Wilfried e Senhora Charlotte aqui também, como planejado, então facilmente reunimos o que precisávamos para os preparativos de inverno.

Nós cooperamos com a Companhia Gilberta para abater os porcos, assim como fizemos no ano passado, e tudo estava progredindo sem problemas, ou seja, até o final do outono se aproximar. O Mestre Benno da Companhia Plantin foi convocado pelo Sumo Sacerdote e disse que iria expandir a indústria gráfica. Parecia que a mãe de Senhora Rozemyne, a Senhora Elvira, desejava estabelecer uma oficina de impressão na província natal de sua família.

— Será simplesmente impossível começar imediatamente. Mesmo que partamos imediatamente, nem um único pedaço de papel pode ser feito em uma província com rios congelados. Além disso, como você vai nos apoiar com alimentos e materiais quando Haldenzel congelar, nos prendendo lá? — Benno perguntou, protestando contra o imediatismo da demanda.

— Imagino que Giebe Haldenzel lhe forneceria comida, mas certamente seria inútil enviá-lo para lá antes que qualquer trabalho possa ser feito, — respondeu o Sumo Sacerdote, caindo em pensamentos. Eu podia dizer pelo olhar perturbado no rosto do Mestre Benno que ele estava desejando que a Senhora Rozemyne estivesse presente para apoiá-lo.

— Cada oficina exigirá seus próprios preparativos, e eu não serei capaz de estabelecê-los todos sem primeiro garantir a assistência da Guilda dos Mercadores — explicou o Mestre Benno. — Usar autoridade nobre para forçar as coisas só gerará descontentamento e causará problemas no futuro. Nobres, comerciantes e artesãos têm seus próprios costumes distintos. Você e Senhora Elvira certamente entendem o quão necessário é estabelecer as bases adequadas, correto?

— Nesse caso, prepare uma lista de tudo o que você vai precisar e me entregue na cerimônia de batismo de inverno. É necessário fornecer evidências concretas do que precisa ser organizado antes que o trabalho possa começar.

Mestre Benno saiu do quarto do sumo sacerdote, embalando a cabeça enquanto caminhava até o portão da frente.

Mais tarde, retornou para uma negociação comercial com Senhora Elvira, com o Sumo Sacerdote presente como o responsável pela indústria gráfica na ausência de Senhora Rozemyne. Senhora Elvira tinha algo que queria impresso para socializar no inverno, não importava o custo, e era para isso que ela precisava de sua própria oficina, que ela queria que fosse construída imediatamente.

— Nesse caso, vamos imprimir o que você precisa no Ateliê da Rozemyne — sugeriu o Mestre Benno. Isso significaria que eles abandonariam os preparativos de inverno para executar desesperadamente a oficina em plena capacidade por um tempo, mas sua proposta foi aceita, ganhando algum tempo antes que precisassem construir uma oficina de impressão em Haldenzel.

O Mestre Benno foi direto à oficina para pedir ajuda diretamente aos sacerdotes cinzentos. Nenhuma pessoa se recusou, eles deviam muito à Companhia Plantin, e então eles queriam fazer o que pudessem para retribuir. Ele prontamente pegou o manuscrito que Senhora Elvira lhe dera, com Gil e Lutz franzindo a testa ao ver como era grosso.

— Levará muito tempo para definir as letras com tantas páginas. Nem sabemos quantos caracteres possui, — disse Lutz.

— Sim. Devemos escolher a impressão de mimeógrafo para este, — concordou Gil.

Ambos assentiram, depois se dirigiram para o orfanato com papel de cera e suas ferramentas na mão. Todos os outros já haviam começado a fazer os preparativos necessários, tendo entrado em ação no momento em que ouviram as palavras “impressão mimeográfica”.

Mestre Benno piscou, impressionado com o quão bem organizado era seu fluxo de trabalho, momento em que Fritz caminhou até ele.

— Mestre Benno, pretendemos fazer tudo ao nosso alcance para ajudar, mas e os preparativos de inverno? Faltará muito se perdermos a oportunidade de coletarmos na floresta.

— Eu fui em frente e cobrei uma enorme taxa pela urgência. Se vamos fazer isso acontecer, precisaremos comprar a maior parte da nossa preparação de inverno.

— Nesse caso, tenho uma lista de coisas que precisaremos. Posso pedir que você cuide dela?

— Aham. Afinal, sou eu quem está forçando todo esse trabalho em você. É o mínimo que posso fazer.

Com o Mestre Benno cuidando dos preparativos de inverno para nós, seríamos capazes de continuar trabalhando até pouco antes do início da socialização de inverno.

— Obrigado. Nesse caso, você pode voltar para sua loja agora, Mestre Benno. Imagino que não somos os únicos com quem você precisa discutir isso.

— Não. Obrigado, Fritz. Te vejo daqui a pouco.

Com isso, Benno se virou e saiu do ateliê.

— Fran, é como você ouviu. Vou confiar os preparativos de inverno do orfanato à você, — disse Fritz, colocando a lista de bens necessários da oficina em minhas mãos.

Eu fui para o orfanato, já que eu precisava coletar uma lista deles também. Quando cheguei, Lutz e Gil já estavam alinhando ferramentas nas mesas do salão de jantar.

— Rosina, posso pedir que você faça estênceis para as letras e, em seguida, faça Wilma fazer estênceis para a arte? — Lutz perguntou.

— Se houver mais alguém que possa escrever bem, peça que façam estênceis também, — acrescentou Gil. — Não deve ser um grande problema para as páginas terem uma caligrafia diferente…

— Eu vim aqui para ensinar música, mas suponho que posso ajudar, — disse Rosina com um único suspiro, enquanto aceitava o manuscrito. — Oh…? Esta caligrafia já é realmente muito elegante. Podemos fazer estênceis diretamente dessas folhas.

— Perfeito. Vamos pegar mais pessoas fazendo estênceis, então. Vamos apenas rastrear as páginas manuscritas que já temos.

Enquanto Lutz e Gil corriam explicando as circunstâncias para todos, fui até Wilma e adquiri a lista de preparação de inverno do orfanato. Era semelhante ao que Senhora Rozemyne havia preparado durante seu primeiro ano aqui, com tudo organizado para que se pudesse dizer de relance o que estava e ainda não estava feito.

— A pedido de Fritz, estarei cuidando dos preparativos de inverno do orfanato, — expliquei. — Por favor, faça o seu melhor para ajudar o ateliê, Wilma.

— Eu te agradeço muito, Fran.

Com a ajuda de Zahm e Monika, organizei o que precisávamos que a Companhia Plantin adquirisse para nós. A lista era bastante considerável, já que nossos preparativos envolviam os aposentos do Arcebispo, o orfanato e a oficina.

Quanto à comida que havíamos recebido durante o Festival da Colheita, eu confiava em Hugo, Ella e Nicola para preparar tudo. Estávamos todos ocupados correndo por aí, com muito trabalho para concluirmos razoavelmente.

Todos nós nos lançamos em nossos deveres, não deixando tempo nem para ajudar o Sumo Sacerdote com seu trabalho, e, como resultado, mal conseguimos terminar a ordem de Senhora Elvira antes do início da socialização de inverno. A oficina estava cheia de alegria e, à medida que os trabalhadores explodiam em aplausos, comecei a folhear um dos livros.

— Hum… Com licença, Mestre Benno. Parece-me que as ilustrações deste livro se assemelham fortemente ao Sumo Sacerdote. Ele deu permissão para que isso fosse impresso…? — Perguntei, lembrando-me de Senhora Rozemyne reclamando sobre ele ficar bravo e a proibindo de imprimir tais fotos à sua semelhança.

Mestre Benno, parecendo um pouco mais doente e exausto do que o normal, me lançou um olhar.

— Ele nos ordenou que imprimíssemos isso ele mesmo, e recebemos o manuscrito de Senhora Elvira. Quem somos nós para fazer perguntas? Quem vai pagar por todas as nossas perdas se alguém não ficar de boca fechada e meter o nariz onde não deve? Hein?

O brilho em seus olhos vermelho-escuros me silenciou de uma vez. Eu não tinha vontade de discutir com o Mestre Benno quando ele estava irritado e privado de sono, e era verdade que o Sumo Sacerdote nos pediu para satisfazer o pedido de Senhora Elvira imprimindo o que ela quisesse.

O que no mundo vai acontecer na socialização de inverno deste ano…?

Em breve passaria um ano desde o incidente com a senhora Rozemyne, mas o Sumo Sacerdote havia dito que ela ainda estava longe de acordar. Eu não entendi os detalhes, mas parecia que sua mana estava tão extremamente comprimida que demorou muito para se dissolver.

O Sumo Sacerdote me instruiu a substituir as feystones na jureve enquanto examinava a Senhora Rozemyne, resmungando queixas o tempo todo.

— Como você sobreviveu com tanta mana dentro de você, Rozemyne? Como? — ele murmurou.

Enquanto empilhava um novo livro no topo da pilha crescente ao lado de Senhora Rozemyne, pensei comigo mesmo que ela provavelmente tinha vivido devido à vontade dos deuses.

A socialização de inverno começou e, com o Sumo Sacerdote ausente, tivemos que nos preparar novamente para o Ritual de Dedicação sem ele. Estávamos todos acostumados com isso agora, e assim as coisas progrediram suavemente, mesmo sem uma autoridade presente para nos dirigir.

Ao contrário do ano passado, o Sumo Sacerdote retornou uma vez durante nossos preparativos, mas ele voltou ao castelo logo depois de verificar a Senhora Rozemyne. Parecia que as feystones cheias de sua mana seriam mais uma vez usadas para o Ritual de Dedicação.

Por recomendação de Tuuli, optamos por compilar um livro explicando a etiqueta dos nobres e eufemismos durante o inverno. Mestre Benno havia concluído que, embora não fosse vender para nobres, seria popular entre os comerciantes ricos e as autoridades das cidades.

A primavera chegou sem qualquer mudança significativa na condição de Senhora Rozemyne. A Companhia Plantin estava ocupada correndo, sem saber quando o próximo pedido de Senhora Elvira chegaria, e no meio de tudo isso, o Mestre Benno gentilmente participou de uma reunião sobre a Oração da Primavera a nosso pedido.

A reunião foi realizada dentro dos aposentos do diretor do orfanato, com Wilma e três donzelas cinza do santuário que se juntariam a Lily em Hasse. Como a Companhia Plantin empregava principalmente homens, Tuuli também estava lá, em parte devido ao Mestre Benno ter determinado que sua experiência com o orfanato facilitaria a discussão de assuntos com as donzelas do santuário.

— Acredito que, na Oração da Primavera, Lutz e eu estejamos em Haldenzel — ele começou. — Vou deixar Mark para trás desta vez para facilitar a comunicação, então basta enviar uma mensagem para ele assim que chegar a hora. A Companhia Gilberta também ficaria bem com Tuuli lá.

Tuuli assentiu de acordo com um sorriso. Seus estudos de etiqueta realmente valeram a pena, de modo que ela parecia naturalmente graciosa, mesmo sentada.

— É seguro presumir que essas quatro donzelas do santuário estarão saindo para ajudar com o nascimento? — Mestre Benno perguntou.

— Hum, não exatamente… Vou ficar para trás. — disse Wilma rapidamente, balançando a cabeça com uma expressão abertamente nervosa.

Mestre Benno ergueu uma sobrancelha.

— Você não é a assistente que Senhora Rozemyne deixou no comando do orfanato? Foi assim que foi apresentada a mim. Tenho certeza que deveria deixar o orfanato para outra pessoa e ir ajudar com o parto. Há muitas coisas que você precisará aprender a fazer.

— Isso é… Isso certamente é verdade, mas… — Wilma parou, balançando a cabeça repetidamente como se estivesse abanando o ar com o rosto. Ela então olhou para mim em busca de ajuda. Eu podia imaginar que ela estava mortalmente com medo de até mesmo falar com o Mestre Benno, então eu rapidamente expliquei suas circunstâncias para ele.

— Um padre azul tentou forçá-la, e ela tem medo de homens e de deixar o orfanato desde então, hein…? — Mestre Benno repetiu. Seu rosto anteriormente calmo de repente brilhou de raiva, e sua voz caiu em um rosnado. — Não me faça rir.

— Hum…

— Você está no comando do orfanato, certo? Pare de besteira! Quem sabe com quantos nascimentos você vai ter que lidar de agora em diante? Como é que este lugar vai sobreviver quando a pessoa no comando não sabe nada sobre o parto? Não pense que Hasse vai ajudar sempre. Eles estão fazendo isso desta vez como um ato de bondade para que vocês possam lidar com isso a partir de agora, e não se esqueça disso.

O Mestre Benno fixou Wilma com um olhar tão irado e assustador que as lágrimas começaram a escorrer por seu rosto. Ela balançou a cabeça desesperadamente, sem saber o que mais fazer.

— Mas eu… Eu…

— Você veio até mim porque não tinha ninguém em quem confiar sem a Senhora Rozemyne, e apesar de eu estar muito ocupado, concordei em ajudar você a sair dessa bagunça. O que recebo em troca? A mesma pessoa que pediu minha ajuda dizendo que não quer fazer nada além de ficar trancada no orfanato!

— Nã-não era meu…

Wilma parecia completamente surpresa, provavelmente nunca esperava ser castigada com tanta dureza, mas o Mestre Benno encarou-a de frente e continuou, nem uma vez quebrando o contato visual.

— Então qual era sua intenção, hein? Ficar trancada lá dentro e rezar para que tudo se resolva magicamente? Este é o seu trabalho! Eu não tenho tempo para ajudar alguém que não está nem mesmo disposta a sair e aprender por si mesma. Se você não for para Hasse, eu não vou te emprestar nenhuma carruagem! É só a meio-dia de distância, certo? Você pode andar!

— Mestre Benno?!

Senhora Rozemyne pagou por carruagens e guardas de tal forma que os sacerdotes cinzentos abrigados e as donzelas do santuário não estavam expostos ao perigo, mas aqui o Mestre Benno estava sugerindo que eles andassem por uma estrada que levaria meio-dia para um plebeu comum viajar.

— Eu não tenho tempo para covardes sem motivação — disse o Mestre Benno sem rodeios, levantando-se de seu assento. — Tenho trabalho a fazer. A Companhia Plantin tem que se preparar para partir para Haldenzel, então estou indo embora.

— Por favor, espere! Eu vou… Eu vou. Então, por favor… nos dê sua ajuda! — Wilma implorou entre soluços.

Mestre Benno sentou-se novamente, sua testa franzida em uma carranca profunda. Discutimos o que precisava ser preparado para a Oração da Primavera e concluímos a reunião.

No exato momento em que o Mestre Benno saiu da sala, Wilma desabou na mesa, continuando a chorar. Olhei para ela com olhos simpáticos, mas distantes.

— Eu entendo o medo de ser forçada a fazer algo que você não deseja fazer, mas você foi resgatada antes mesmo de ser empurrada para tal situação. Há algumas pessoas que nunca são salvas, e são forçadas a fazer coisas contra seus desejos repetidamente. É necessário que você aprenda a viver mesmo nessas situações e gradualmente conquiste suas fraquezas.

— Fran?

— Lily deseja a criança que está prestes a dar à luz? Imagino que não. Mas, mesmo assim, ela está lutando contra seu medo e fazendo o seu melhor para realizá-lo.

Wilma ergueu a cabeça, um olhar de realização lentamente apareceu em seu rosto. Continuei, agora falando mais baixinho.

— Há quantos anos a Senhora Rozemyne protege você? Foi por causa do seu incentivo que Rosina trabalhou tanto para superar sua incapacidade de fazer a papelada. Senhora Rozemyne também trabalhou duro para aprender a viver como uma nobre. Você aconselhou as duas, e agora acredito que é hora de você conquistar suas próprias fraquezas também.

Os Gutenbergs esperaram que Giebe Haldenzel voltasse para sua província natal antes de começar seu movimento. Eles partiram para Haldenzel junto com Gil e vários sacerdotes cinzentos.

Não muito tempo depois, chegou a hora de partir para a Oração da Primavera. Tuuli veio nos ver partir, já que estava tão preocupada com Wilma, e começou a encorajá-la da melhor maneira possível.

— Wilma, tenho certeza de que não há nada a temer — disse ela, soando muito mais como uma nobre bem educada do que antes de seu treinamento de etiqueta. — Nosso pai está entre os soldados que servem como seus guardas.

— Nosso pai…? Ah! — Wilma de repente lembrou que Tuuli e Senhora Rozemyne eram irmãs, depois olhou para Gunther, que estava observando sua filha com uma expressão preocupada.

— Não há ninguém lá que zombe ou assalte uma das preciosas assistentes de Senhora Rozemyne, — garantiu Tuuli. — Você pode ficar tranquila. Eu prometo.

— Eu te agradeço muito.

Impulsionada pelo incentivo de Tuuli e pela aprovação silenciosa de Gunther, Wilma deu um passo à frente com as pernas trêmulas e subiu em uma carruagem.

A primavera chegou ao fim, e fomos informados por Wilma que Lily havia dado à luz, com segurança. Em um dia adiantado do verão com tempo agradável, eu requisitei carruagens do mestre Mark e parti para o monastério em Hasse. Voltei então com Wilma, as donzelas cinzentas do santuário que tinham ido ajudar, e Lily com seu bebê recém-nascido.

A expressão de Wilma era muito mais brilhante, agora que ela havia experimentado a vida fora do orfanato, e havia uma força em seus olhos que a fazia parecer muito mais forte e mais confiável do que ela era antes.

Todos no orfanato começaram a se revezar para cuidar do bebê, assim como haviam feito com Dirk. Não demorou muito para Wilma e Lily usarem expressões exaustas quase o tempo todo.

O verão também acabou antes que percebêssemos. Senhora Rozemyne não havia acordado nem mesmo quando Monika atingiu a maioridade, mas em um dia de outono perto do Festival da Colheita, o Sumo Sacerdote deu um pequeno sorriso depois de examiná-la.

— Ela começou a mover as pontas dos dedos. Sua recuperação está em torno de setenta, talvez oitenta por cento completa. Tudo o que devemos fazer é esperar que ela acorde.

— Fico feliz.

Depois de passar tanto tempo dormindo, foi um alívio ouvir que ela estava finalmente mostrando sinais de despertar. Ainda não podíamos esperar nada no futuro imediato, mas depois de suportar tantas estações sem a menor mudança, mesmo o menor sinal bom era suficiente para me encher de alegria.

— Minha nossa… Quanta dificuldade você tem para me dar antes de ficar satisfeita…? — ele perguntou à ainda adormecida Senhora Rozemyne. Apesar de seu tom soar tão irritado como de costume, havia tanto imenso alívio quanto intensa preocupação em seus olhos.

Durante a Festa da Colheita, o Sumo Sacerdote voltava ao templo a cada duas ou três noites pela montaria escultural para ver a Senhora Rozemyne. — Ela deve ser imensamente importante para o Sumo Sacerdote — observou Zahm com um sorriso um tanto confuso depois de vê-lo partir mais uma vez.

— Ela é. De todas as pessoas que ele já conheceu, a Senhora Rozemyne é a única que tentou ativamente reduzir sua carga de trabalho. Ela sinceramente se preocupou com sua saúde, o repreendeu por confiar tanto em poções e desafiou o próprio Arquiduque em seu nome — certamente não há outro Arcebispo no mundo que mostraria tanta consideração por ele.

Minhas palavras levaram Zahm a esfregar a testa e suspirar, sem dúvida lembrando a carga de trabalho atual e o estilo de vida insalubre do Sumo Sacerdote. — Rezo por ele para que ela acorde logo — disse ele, olhando para o quarto escondido onde ela estava dormindo.

— Embora eu imagine que, mesmo assim, seus dias de constantes dores de cabeça só começarão novamente…

Foi alguns dias depois do fim do Festival da Colheita que o Sumo Sacerdote me informou que a Senhora Rozemyne tinha acordado e precisaria de um banho.

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Fim da leitura

Capítulo 316 concluído

CAPÍTULO 316 - 315