Ascendance of a BookwormCAPÍTULO 45 - 44
Capítulo 45Ascendance of a Bookworm – Capítulo 44
Entregando os enfeites de cabelo
Costurei as partes dos palitos nas flores e terminei os enfeites de cabelo. A visão deles me fez até soltar um suspiro de admiração. Os que fiz para Freida ficaram muito mais lindos do que eu esperava. Cada um tinha quatro rosas vermelho-escuras ao redor de flores brancas, que faziam o vermelho se destacar mais. O fio verde, em forma de folha, se espalhava pelas pequenas flores brancas, acentuando as cores.
– … Ei, Myne. Estes parecem bem diferentes dos de Tuuli. Eles são, uh, muito chamativos. – os enfeites de cabelo concluídos pareciam tão bons que Lutz chegou a se encolher ao vê-los.
Eles pareciam melhores por duas razões simples. Um, o fio era melhor. Era mais fino e sedoso, então as flores prontas pareciam mais delicadas e, claro, sedosas. Dois, o artesanato estava em outro nível. Eu fiz principalmente o enfeite de cabelo de Tuuli sozinha, mas, desta vez, mamãe e Tuuli ajudaram, o que resultou em flores muito mais bonitas.
– Você não acha que enfeites de cabelo como esse ficarão muito melhores nela do que algo como o de Tuuli, considerando o tipo de roupa que ela vai usar e tudo mais?
– Não sei o que ficaria bem nela.
Enquanto Lutz balançava a cabeça, cruzei os braços e fiquei pensando.
– Hmm, você terá que aprender mais sobre isso. A loja de Benno lida principalmente com roupas e afins, e parece que ele está cada vez mais direcionando seu estoque para os nobres – os olhos de Lutz vacilaram. As pessoas tendiam a não gostar de olhar para seus pontos fracos de frente.
– Uhh, Myne. O que faremos com os enfeites de cabelo agora que estão prontos?
– Vou mostrá-los a Benno e depois entregá-los ao mestre da guilda. Vamos à loja do Benno.
Coloquei os grampos de cabelo em uma pequena cesta e os cobri com um dos nossos lenços mais limpos, para que outras pessoas não pudessem vê-los.
– Você carrega a cesta, Myne. Pegarei a bolsa.
Minha sacola, cheia de pedidos de suprimentos, uma lousa de pedra e uma caneta de ardósia, era surpreendentemente pesada para mim, então a ajuda de Lutz foi bem-vinda. Entreguei minha sacola para ele com sinceros agradecimentos e segurei a cestinha.
– Ah, o que te traz aqui hoje? – perguntou Mark, após nos ver.
– Terminamos os enfeites de cabelo. Eu queria mostrá-los a Benno, antes de entregá-los ao mestre da guilda, mas…
– Tudo bem, vamos vê-los. – Disse Benno atrás de mim do nada, me fazendo pular com um pequeno grito. Me virei e o vi, envolto em roupas reais da cabeça aos pés. Ele devia ter ido visitar um nobre.
– Bem-vindo de volta, senhor.
– Sim. Sigam-me, vocês dois. – Benno deu a Mark um aceno de cabeça e então foi para seu escritório conosco a tiracolo.
– Então, onde eles estão? – ele indagou logo depois que sentamos. Tirei o lenço da cestinha e estendi para Benno.
– O quê você acha?
Benno tirou um dos enfeites de cabelo da cesta, olhou para ele, colocou-o de volta e então deu um suspiro pesado.
– … Myne, você não precisava dar um desconto no segundo.
– Huh? Mas estávamos realmente extorquindo-os. Como o fio é o único material que precisamos comprar para isso, teríamos acabado com três pequenas pratas inteiras de lucro.
– Saiba mais sobre o valor dos produtos, sua idiota. Todas as coisas que você me trouxe são itens de luxo. Se você não entende como os itens de luxo de alta qualidade são precificados, você perturbará o mercado.
– … Eu sinto muito.
Eu sabia agora que meu senso de valor conflitava com o deste mundo, e entendi que Benno estava me protegendo de causar turbulência no mercado. Eu realmente entendia que roupas e acessórios de moda eram caros, mas não sabia quantos eram vendidos na cidade e por quanto, já que não tinha forças para explorar lojas pela cidade. Especialmente porque as lojas de classe alta rejeitavam a entrada com base na idade e nas roupas.
De qualquer forma. Artigos de luxo, né? As coisas que eu trouxe para ele – xampu, papel e enfeites de cabelo – eram apenas itens normais do dia a dia para mim, mas não para ele. Não para este mundo. Eu sabia disso em teoria, mas era difícil para mim realmente entendê-lo devido à minha educação japonesa. Tudo o que eu estava pensando era: quero parte da minha antiga vida de volta e, se não estiver disponível, usarei algo em seu lugar ou farei eu mesma.
– Sr. Benno, quero entregar isso ao mestre da guilda, mas não sei como devo fazer isso. No momento, estou pensando em marcar um encontro para encontrá-lo.
– Tudo bem. Esta é uma boa oportunidade para uma lição.
Ele pegou meu conjunto de pedidos e escreveu em um quadro que eu queria um encontro com o mestre da guilda, assim como meu nome e meus negócios com ele.
– Entregue isso pra a recepcionista no terceiro andar da Guilda. Quando o encontro for marcado, a recepcionista escreverá o horário da reunião no quadro e a devolverá.
– Ok, eu vou entregá-lo no meu caminho para casa.
– Aaah, espera. Vocês dois serão comidos vivos se forem lá sozinhos. Irei com vocês.
Certamente ele estava exagerando, não? Nós só íamos marcar um encontro.
Depois que Benno trocou de roupa, fomos para a guilda dos comerciantes. Desta vez, usei meu próprio cartão da guilda para chegar aos andares superiores. Chegamos ao terceiro andar sem problemas. Parecia que eu subi na vida.
Posteriormente, conforme ensinado por Benno, entreguei o quadro à recepcionista. Lutz e eu sorrimos um para o outro, cheios de satisfação pelo trabalho bem-feito, e viramos para sair. Mas antes que pudéssemos, a recepcionista nos parou.
– Um momento por favor. O mestre da guilda disse que se crianças com o nome de Myne e Lutz vierem, para deixa-las entrar imediatamente.
– Ooi?
A recepcionista nos instruiu a entrar na sala do mestre da guilda e, quando entrei em pânico, ouvi Benno murmurar “Figuras”. Se estivéssemos sozinhos, realmente poderíamos ter sido comidos vivos. Oooh, Benno, você é um gênio! Estou tão feliz que você veio conosco!
Fomos ao escritório do mestre da guilda e, embora ele tenha feito uma careta ao ver Benno, ele nos deixou entrar.
– O que traz vocês aqui hoje?
– Terminamos os enfeites de cabelo de Freida e estamos prontos para entregá-los.
– Vamos vê-os, então.
Peguei minha cestinha e afastei o lenço, depois o coloquei na mesa do mestre da guilda e o empurrei para que ele pudesse ver o interior. Eu sabia que seria bom, já que Benno deu a eles uma nota de aprovação, mas meu coração ainda estava batendo muito rápido.
O mestre espiou dentro da cesta, tirou um dos enfeites de cabelo e o analisou com um olhar sério. Ele ergueu uma sobrancelha e olhou para mim.
– Este enfeite é bem diferente daquele que você mostrou antes.
– Coloquei um esforço extra para eles valerem o seu preço. Você acha que o outro é melhor? Conversei com Freida e tentei fazê-los combinar com seu cabelo e roupas, mas… – empalideci, temendo que ele não gostasse deles, mas o mestre da guilda balançou a cabeça.
– Não, estou apenas surpreso. Não esperava que fossem tão esplêndidos. Estes certamente servirão perfeitamente para Freida.
– Eu vejo. Estou feliz. – Suspirei de alívio por não ter sido rejeitado, e os olhos do mestre da guilda brilharam com uma luz afiada.
– Myne, você realmente deveria vir à minha…
– Terminamos aqui, Myne. Vamos lá. – Benno agarrou o braço de Lutz e o meu e se levantou antes que o mestre da guilda pudesse terminar a frase. Eu o segui, pensando que seria bom sair, já que nosso negócio estava feito, mas o mestre da guilda nos parou com algum grau de desespero.
– Agora… agora, espere um momento. Gostaria que você os entregasse diretamente a Freida. Ela estava muito feliz por fazer amizade com uma garota de sua idade. Eu mesmo fiquei muito feliz por ela ter finalmente feito uma amiga em sua faixa etária.
Nossa… Freida fez sua primeira amiga, né? Não sei quem é, mas parabéns, pensei comigo mesma, sem pensar muito nisso, quando de repente Benno se agachou ao meu lado e sussurrou em meu ouvido.
– Você se tornou amiga da neta daquele velhote?
– Bom? Eu? Umm… – me pergunto sobre isso. Eu sabia que ela havia desenvolvido uma afeição unilateral por mim, mas não achei que pudesse chamar isso de amizade. Mas o mestre da guilda estava tão feliz por sua neta fazer uma amiga, que eu não queria negar categoricamente.
– Acredito que ela está esperando com lanches preparados, para que você possa visitá-la a qualquer momento.
– Lanches, você diz? – eu disse por instinto, segundos antes de Benno sacudir minha testa. Eu sabia que ele estava dizendo “Não mostre nenhuma abertura”, mas não pude deixar de reagir à doce tentação dos lanches.
– Perfeito. Vou levá-la para Freida. – o mestre da guilda devia estar acostumado a carregar Freida, pois ele me pegou com pouco esforço e saiu da sala.
– Ei, espere. Eu vou também.
– Se Myne vai, eu vou também.
Benno e Lutz correram atrás de nós em pânico, tendo me visto sendo sequestrada diante de seus olhos.
Todo mundo tinha, basicamente, decidido que iríamos para a casa do mestre da guilda, mas era bem perto da parede interna e ainda mais longe da minha casa que a loja de Benno. Para ser honesta, se fôssemos até lá, eu não acho que teria forças para caminhar para casa.
– Mestre da guilda, estou muito fraca e acho que não consigo mais andar hoje.
– Você não precisa andar. Usaremos uma carruagem.
– Uma carruagem?! – eu nem tinha pensado em andar de carruagem. Eu sabia que comerciantes e fazendeiros tinham carroças puxadas por animais que viajavam pela estrada principal, mas na demografia, era normal que cada família tivesse apenas uma carruagem, e apenas os adultos as usavam. Naturalmente, os pneus de borracha não existiam aqui, então levar um carrinho carregando uma criança exigiria muita força de um adulto. Nenhuma criança poderia esperar puxar um. Ou, na verdade, nenhuma criança teria permissão para usar a preciosa carruagem da família por conta própria. Nós apenas andávamos para todos os lugares a pé. Era assim que funcionava.
Sem mencionar que os cavalos eram caros. Os burros eram em grande parte onívoros, mas a alimentação dos cavalos era tão cara, que possuir um, era um fardo financeiro. Arg… Maldita seja gente rica.
Enquanto amaldiçoávamos a riqueza do mestre da guilda por dentro, chegamos ao primeiro andar da guilda dos comerciantes e entramos em sua carruagem. Quando saí da minha névoa de inveja, Benno e Lutz estavam na carruagem e todos nós íamos juntos entregar os enfeites de cabelo para Freida.
Eu andei de carroça durante os preparativos de inverno do ano passado, mas esta foi a primeira vez que andei em um veículo puxado por um animal. Lutz e eu olhamos ansiosamente ao redor da carruagem, fazendo os lábios do mestre da guilda se curvarem levemente em um sorriso.
– Ah. Primeira vez em uma carruagem, Myne?
– Já as vi passar pelo portão e seguir pela estrada principal, mas ninguém que Lutz ou eu conheçamos tem uma carruagem.
A carruagem foi dimensionada para acomodar dois adultos, então não havia muito espaço dentro. Os dois adultos estavam sentados nos assentos apropriados, enquanto Lutz e eu nos espremíamos em uma saliência no chão, destinada a colocar bagagens. Nós só conseguimos nos encaixar porque éramos crianças, mas, mesmo assim, era apertado.
– … Não há espaço suficiente. Benno, saia.
– Nesse caso, levarei Myne comigo.
Benno e o mestre da guilda olharam um para o outro e, eventualmente, a carruagem começou a se mover com todos nós espremidos dentro. Ela saltou tanto ao longo da estrada que era impossível ficar parada. Lutz estava seguro, pois, podia agarrar-se à maçaneta destinada a ajudar os passageiros a sair, mas eu não tinha nada, por isso quase voei para fora do assento a cada salto.
– Uau, aí!
– Myne, venha cá. – Incapaz de continuar assistindo, Benno me sentou em seu colo e passou os braços em volta da minha barriga para me segurar, para que eu não continuasse quicando. Os saltos ainda eram suficientes para me mandar para o ar, e se qualquer um de nós baixasse a guarda, não havia dúvida de que minha cabeça seria arremessada para cima na mandíbula de Benno, causando dano crítico. Eu sabia que a carruagem balançaria muito, devido à falta de suspensão, mas não esperava que fosse tão ruim.
Carruagens não eram nada graciosas.
– Freida, Myne trouxe seus grampos de cabelo.
– Ah, Myne. Venha. – Freida caminhou até nós com um sorriso gentil, seu cabelo rosa-claro esvoaçando.
– Oi de novo.
– É um prazer encontrá-la, Freida. Sou Benno. Myne me contou muito sobre você.
– Só sobre mim, eu me pergunto o que ela disse?
Ambos estão sorrindo, mas isso é tão aterrorizante! Enquanto minhas costas tremiam de medo com a saudação de Benno e Freida, Lutz apertou minha mão. Olhei para ele e percebi que ele estava meio pálido. Nem ele e nem eu, ainda podíamos participar da guerra invisível travada entre mercadores. Me pergunto se um dia serei capaz de sorrir gentilmente para alguém, enquanto faíscas voam entre nós.
– Freida, tenho negócios com Benno aqui. Você pode pegar os enfeites de cabelo de Myne e pagá-los.
– Entendido, avô.
O mestre da guilda deixou por isso mesmo e foi para seu quarto com Benno, enquanto Lutz e eu fomos levados para a mesma sala da última vez. Bebidas, doces e lanches foram imediatamente trazidos para dentro e a mesa logo foi envolvida com um aroma delicioso.
– Sei que nós, garotas, amamos coisas doces, então preparei para ter esse doce pronto a qualquer momento, caso você me visitasse. Sinta-se à vontade para vir brincar sempre que tiver tempo, Myne.
– Certo! – Respondi com um sorriso enorme, e então Lutz apertou minha mão por baixo da mesa.
Eu não posso deixar sua doce tentação me derrotar. Eu devo permanecer forte. Eu devo… mmm, eles cheiram tão bem…! Havia nozes encharcadas de mel assadas em cima do que parecia uma massa de pizza fina sobre a mesa.
– Agora, Myne e Lutz comam à vontade.
– Vamos lá!
Não, não. Havia muito mel e tinha um sabor tão delicioso quanto doce. Que doce luxuoso era esse. Estou no céu? Enquanto pensava nas tortas de nozes que comi no Japão, de fato comi a vontade. Comer coisas doces me deixou tão feliz quanto eu esperava.
– Obrigado pelos lanches. Isso foi muito, muito bom.
– Fico feliz que tenha gostado tanto. Vou informar à chef de seu sucesso.
Uau… Ouviu isso, Lutz? Eles têm um chef. Em outras palavras, quando o mestre da guilda disse “ela está esperando com os lanches preparados”, ele quis dizer que ela pediu para um chef preparar lanches, enquanto ela esperava sem fazer nada. Falemos sobre a lacuna entre os ricos e os pobres!
– Então, posso ver esses grampos de cabelo que você fez?
– Sim. Mas primeiro, devolverei o fio que sobrou.
– Mas… mas, você não tem que fazer isso.
– Eu insisto. Este fio é muito caro para eu simplesmente pegar.
Minha experiência com o mestre da guilda e Freida me levou a saber de uma coisa com certeza, do fundo do meu coração: não havia nada mais assustador que algo grátis. Você não podia se permitir casualmente pegar coisas grátis. Você tinha que resistir aos seus truques e tentações.
– Agora, então, eu apresento a você, Srta. Freida…
– Myne, somos amigas agora, você não precisa ser tão formal. – Com uma garotinha fofa e adorável sorrindo para mim daquele jeito, eu não podia simplesmente dizer que não éramos amigas. Procurei uma rota de fuga enquanto lutava.
– Mas você é minha cliente.
– Eu sei. Então, com isso, não sou mais sua cliente. – Com um sorriso, Freida puxou a cesta para ela. Ela então colocou seis pequenas pratas na frente de Lutz e de mim.
– Aceitei os produtos e paguei o preço. Agora podemos nos tornar amigos sem qualquer hesitação.
Com minha rota de fuga completamente bloqueada e a clara relutância de Freida em aceitar um não como resposta pesando sobre mim, desisti e assenti. Realmente, pensando nisso, não havia motivo para eu me sentir mal por fazer uma amiga, só porque ela era um pouco estranha e tinha uma aparência enganosa. Eu também era muito estranha. Eu deveria estar mais otimista e feliz com isso. Mmm… acho que deveria ser um pouco mais casual perto dela então.
– Hmm, tudo bem, Freida. Quer dar uma olhada nos enfeites de cabelo?
– Mas é claro. – Freida pegou o lenço e o puxou para o lado. Ela tirou um enfeite de cabelo da caixa e seus olhos se arregalaram. Suas bochechas coraram de alegria e um sorriso surgiu em seu rosto.
– Mas Myne! Que esplêndido! Meu batismo é no inverno depois que a neve cai e não há flores ou plantas para usar como enfeites de cabelo, então eu sempre tive inveja de crianças nascidas no verão e no outono, por toda a minha vida. Estou realmente feliz por agora poder adornar meu corpo com vegetação vibrante, apesar do inverno frio.
– Estou feliz que tenha gostado deles. – Falando nisso, me lembrei de Tuuli mencionando que planejava apenas usar uma flor aleatória que ela encontraria em algum lugar para decorar seu cabelo. Esses enfeites de cabelo podem vender melhor no inverno.
– Tente colocá-los. Quero ver como ficam no seu cabelo, Freida.
– Não tenho certeza de como colocá-los. Você faria isso por mim, Myne?
– Certo. Me empreste aqui. – Prendi os alfinetes dos enfeites pelos pedaços de barbante que amarravam o cabelo dela, nas duas marias-chiquinhas acima mencionadas. As rosas vermelho-escuras ficavam bem em seu cabelo rosa-claro, e seu ar de maturidade instantaneamente disparou para o próximo nível. Hum, hum. Eu sabia que rosas eram a ideia certa.
– Você está linda, Freida. Quase como uma fada das flores.
– Você exagera. Você é como meu avô. – Freida rejeitou meu elogio com uma risadinha, mas eu não estava exagerando. Freida parecia tão fofa que eu não ficaria surpresa se alguém a sequestrasse, supondo que eles não soubessem sobre seus passatempos.
– Não estou exagerando. Você é fofa e eles ficam muito bem em você. Você não acha, Lutz?
– Sim. Eu não pensei que eles ficariam tão bons antes de vê-los em você. Mas agora eu sei que Myne sabe das coisas. Você parece loucamente fofa.
Freida estufou as bochechas e corou um pouco, deixando claro que não estava acostumada a ser muito elogiada. Era o tipo de coisa que me fazia ter certeza de que ela realmente não tinha amigos ou bons irmãos.
A princípio, situações como essa teriam me feito congelar, mas viver aqui me deixou muito mais acostumada a funcionar em sociedade. Eu trocava elogios com meus amigos e familiares o tempo todo. Eu sempre elogiei Tuuli e ela também sempre me elogiava. Até o Lutz me elogiava quando eu fazia algo bem feito, então sim, eu tinha me acostumado a elogiar os outros. O comportamento de Freida foi um pouco estranho para mim.
– Ainda assim, pensar que você poderia fazer flores tão realistas com um mero fio… – Freida pegou um enfeite de cabelo e o investigou minuciosamente, assim como o Benno e o mestre da guilda haviam feito. Seus olhos agora tinham o olhar afiado de um comerciante.
– Não é tão difícil. Até eu consigo.
– Descobrir a maneira de fazer algo é muito importante, Myne. – Freida soltou um suspiro e me deu um olhar surpreendentemente sério. – Esposas e filhas de nobres mais ricos, às vezes usam véus coloridos e bem tecidos, e algumas usam flores verdadeiras interrompidas no tempo com magia. Mas ninguém nunca usou um enfeite de cabelo costurado assim antes.
Talvez esse tipo de coisa nunca tenha sido descoberto porque os nobres, aqueles que compravam mais artigos de luxo, apenas compensam com magia. Murmurei para mim mesma em pensamento, enquanto Freida continuou a descrever como meus enfeites eram incríveis.
– Temos muitas roupas bordadas em nossa casa, mas nada que salte como essas flores. São todas planas. Não é um eufemismo dizer que flores realistas feitas de linha, como essas, são revolucionárias. – Disse Freida, fazendo-me perceber pela primeira vez por que Benno ficou tão perplexo por eu cobrar metade do preço.
Esses enfeites foram feitos com técnicas fundamentalmente novas. Elas se destacam entre todos os outros enfeites de cabelo do mundo e, honestamente, quase de uma maneira ruim. Humm… Talvez eu tenha cometido um grande erro aqui? Enquanto o sangue escorria do meu rosto, Freida apertou minha mão.
– Myne, parece haver muito sobre o mundo que você não conhece. A partir de agora, gostaria que você viesse me visitar para conversar, não para negócios. Terei muitos salgadinhos e doces prontos para você, então vamos nos divertir conversando apenas como garotas.
– Oh, isso soa como …– divertido, eu estava prestes a dizer, antes que alguém puxasse meu cabelo. Eu reflexivamente me virei e vi Lutz balançando a cabeça com um olhar sombrio. Aíííí… isso foi perto. Quase concordei na hora após ouvir “conversa de garotas”. Se eu tivesse concordado ali, era muito possível que Lutz e Benno fossem eliminados da minha vida, por assim dizer. Fiquei calada, sem saber o que dizer, então Lutz respondeu por mim.
– Estaremos muito ocupados a partir de agora. Desculpe, mas ela não terá tempo para vir brincar.
– Nossa, acho que não te convidei, Lutz. – Disse Freida com um sorriso, mas, na verdade, eu precisava que Lutz fosse comigo em primeiro lugar.
– A família de Myne não a deixa sair sem mim. Ela não pode vir aqui se eu não vier também.
– Ah, entendo. Não há como ajudá-lo então. Você pode vir com ela, Lutz. – Concordou Freida com um aceno de cabeça, entendendo a situação no local, provavelmente, devido ao seu passado de estar doente com a consumação.
Mas Lutz não acenou de volta. Ele estava firme em rejeitar sua oferta.
– Como eu disse, estaremos ocupados. Já está na hora dos preparativos de inverno começarem de verdade. Nossas famílias trabalharão juntas para sobreviver ao inverno, então ninguém terá a chance de sair sozinho para conversar. Além disso, quando a neve começar a cair, Myne nem poderá sair. Você pode entender isso, certo?
De fato. Ao contrário da família rica de Freida, que podia comprar toda a lenha, nós, pobres, tínhamos muita dificuldade em nos preparar para o inverno. Precisávamos coletar muita madeira, fazer velas e todo tipo de coisa. Parecia que Freida não era totalmente ignorante com isso, pois ela caiu de ombros e desistiu de me convidar.
– Teremos de esperar até a primavera, então.
– Você não vai começar o trabalho de aprendiz na primavera, Freida? Você ficará bem?
– Isso não será um problema. Afinal, não terei trabalho de aprendiz todos os dias. Quando a primavera chegar, terei muitos doces esperando, então, por favor, visite quando puder. – Provavelmente estaríamos ocupados com a fabricação de papel na primavera, mas Benno parece esconder isso do mestre da guilda, então não podia mencionar isso descuidadamente. Assenti e olhei para Lutz.
– Sabe, Lutz, você não pareceu muito tentado pelo doce. Por que isso? Normalmente você estaria em cima da comida.
– Benno me disse para ficar de olhos abertos e, de qualquer forma, os bolos parue que você faz têm um gosto muito melhor. Eu gosto de comida boa constante mais que comer doces apenas às vezes. Eu não quero que eles roubem você, Myne.
Lutz, faminto como costumava ser, valorizava mais um estilo de vida repleto de refeições regulares do que de doces ocasionais. Pode ser uma boa ideia agradecê-lo por sua ajuda aqui, trazendo-lhe uma nova receita.
– Eu não tinha ouvido falar de um bolo parue antes. Se esse é um tipo de doce que Myne desenvolveu, eu gostaria muito de provar um.
– O quê? Hum, bem… – eu naturalmente não poderia oferecer a uma garota rica como Freida, uma refeição feita de sobras de parue, conhecidas pela maioria como comida de passarinho. Seu avô amoroso provavelmente ficaria louco de raiva, e o chefe, provavelmente cuidando de sua dieta, enlouqueceria.
– Você está dizendo que vai cozinhar para Lutz, mas não para mim? – Freida baixou os olhos com tristeza e um tom crítico surgiu em sua voz, o que me deixou um pouco preocupada, mas bolos parue não eram adequados para uma garota rica.
– Os ingredientes são um pouco duvidosos… eu não acho que eles sejam algo que uma garota de alta classe como você gostaria de comer, Freida.
– Isso não é justo. – Disse Freida, fazendo beicinho tão forte que seus lábios estavam apontando para fora.
Mas mesmo fazendo um beicinho tão fofo, a realidade não mudaria. Eu não tinha comida, que eu pudesse suportar, para deixar Freida comer. Sem falar que eu precisaria de ajuda para fazer a comida. Não havia muito que eu pudesse fazer sozinha. A única razão pela qual pensei em tantas novas receitas para Lutz foi porque havia quatro meninos lá dispostos a trabalhar duro para comer. Fazer algo para Freida estaria fora de questão sem ingredientes e ajuda. Qualquer um que esperasse força de mim, uma garota sofrendo de consumação, ou Freida, uma garota rica que uma vez sofreu com a consumação, simplesmente não entendia como as coisas funcionavam.
– Ummm, que tal, quando a primavera chegar, nós fazemos doces juntas usando os ingredientes que você tem na cozinha? Com o seu chef nos ajudando. Assim não preciso me preocupar em cozinhar ingredientes de baixa qualidade e teremos alguém forte para nos ajudar. O que acha?
– Nossa, que maravilha! É uma promessa. – assim que decidimos quando faríamos doces juntas, alguém bateu na porta, seguido por Benno e o mestre da guilda entrando na sala.
– Ei, vocês três terminaram aqui? Estamos partindo.
– Ué. E, hum, Sr. Benno. Sobre esse dinheiro… – as seis pequenas pratas que Freida nos pagou eram, na verdade, muito dinheiro. Sinceramente, eu estava com medo de carregá-los sozinha. Quando os entreguei a Benno, ele olhou para o mestre da guilda.
– Você se importaria de pegarmos este quarto emprestado por um minuto? Quero terminar de separar esse dinheiro antes de partirmos.
– Certamente. Fui eu quem os forçou a vir aqui em primeiro lugar. Sem pressa. – Benno esperou que Freida e o mestre da guilda saíssem da sala, então pegou as pratas e começou a alinhá-las contra a mesa.
– Três pequenas pratas vão para mim pela taxa de manuseio e materiais, o resto vai para vocês dois. Se você não tivesse feito o segundo pela metade do preço, vocês dois teriam ganho duas pequenas pratas. Que pena, hein?
– Não, isso é bom. Se ganhássemos mais dinheiro com esses enfeites do que já ganhamos, eu me sentiria mal vendendo os enfeites futuros por um preço baixo. – Eu disse, fazendo Benno bufar e pegar sua bolsa de dinheiro, que funcionava como o equivalente à carteira neste mundo.
– Como você quer dividir o dinheiro? Você levará tudo para casa?
– Guardarei a prata pequena na guilda dos comerciantes e levar para casa as cinco moedas de cobre grandes.
– O mesmo.
Como se esperasse que fizéssemos isso, Benno pegou seu cartão de guilda e os grandes cobres. Apertei meu cartão no dele, embrulhei as cinco moedas de cobre em um lenço e as coloquei na minha cesta.
– O mestre da guilda disse que te daria uma carona até a guilda em sua carruagem. Vá com ele.
– E você, Sr. Benno?
– Vou a pé até a minha loja. Essa carruagem é muito pequena para todos nós. Venha me ver amanhã à tarde, já que o fio será entregue. Temos que decidir um preço para os enfeites de cabelo.
Sobre o que Benno e o mestre da guilda conversaram ali? Ele parecia muito menos em guarda do que costumava ser.
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