Ascendance of a Bookworm — Capítulo 47: CAPÍTULO 47 - 46

Ascendance of a Bookworm
Cap. 47
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Ascendance of a Bookworm

CAPÍTULO 47 - 46

Capítulo 47

3.816 palavras~17 min de leitura

Ascendance of a Bookworm – Capítulo 46

Currículo de estudo de Lutz

Assim como Lutz previu, tive febre enquanto estava sentada na cama. Foi uma febre leve, nascida da exaustão, então a pior parte foi apenas meu corpo ficando pesado. Não era como o calor devorador que chegou perto de me comer viva, então provavelmente melhorará após um pouco de descanso.

Ou assim pensei, antes que três dias inteiros se passassem. Eu estava ficando irritada com a febre sem fim, mas eu só tomaria uma bronca se saísse da cama, então não tenho escolha a não ser continuar deitada, apesar de me sentir grogue de dormir demais.

Aaaaah, estou tão bem.

Era dia do porco. Ao contrário do ano passado, minha família confiou em mim o suficiente para me deixar em casa sozinha, então eles saíram de manhã cedo sem mim. Eles deixaram um sanduíche para o almoço e um monte de copos de água ao lado da cama, então não acabei com fome ou sede. Eu poderia ter saído da cama se quisesse, mas sabia que isso só faria a febre durar mais, então minha única escolha real era ficar na cama quieta. Mas sem ninguém para conversar eu estava tão, tão, tão entediada. Eu queria ter um livro…

Embora eu tivesse muitos papéis experimentais fracassados por aí, não tive a oportunidade de fazer nada com eles, logo, foram guardados no fundo da caixa de madeira em que coloquei minhas roupas. A razão é que estávamos muito ocupados, desde que concluímos o protótipo, e eu queria ter tempo com meu primeiro livro para que fosse o melhor possível. Mais importante, porém, o papel era experimental, portanto, variava muito de qualidade, tamanho e assim por diante. Eu tinha papel quase feito e papel tão ruim que se desfazia se eu o pegasse muito rápido. Tinha papel que era tão fino e frágil que eu podia ver através dele. Outro papel era tão duro que racharia se eu o segurasse com muita força.

Seria fácil usar o papel que fizemos quando estávamos descascando a tábua de secar, mas tinha grandes buracos e foi um pouco difícil para mim, cortar apenas as partes utilizáveis com uma faca. Desejei ter duas lâminas finas e afiadas que pudessem ser usadas como tesouras.

Fazer livros com esse papel levaria muito tempo. Parecia que este inverno seria agitado para mim. …Oh! Lembrei que Benno havia me dado um cartão de madeira e me disse para lê-lo após chegar em casa. Ler na cama não representaria nenhum problema. Saí da cama, abri a caixa, contendo minhas roupas, e tirei a tábua de madeira, do tamanho de uma folha de papel a4, da minha sacola. Então o li, enquanto estava deitada na cama.

– … este é um Currículo para formação de novos aprendizes. – No quadro estava escrito o essencial que um aprendiz recém-contratado tinha que aprender. Se dividido em seções amplas, ficaria assim:

Conhecer os cumprimentos habituais e como se vestir bem.

Saber usar a calculadora.

Ter uma compreensão razoável sobre como contar dinheiro.

Memorizar os produtos da loja.

Memorizar os nomes dos fornecedores.

– Mmm, dessas, acho que as únicas coisas que podemos aprender juntos durante o inverno são escrever, matemática e contar dinheiro. Acho que todo aprendiz terá que aprender essas duas últimas coisas, então elas não devem ser nossa prioridade – murmurei para mim mesma, enquanto montava um plano de estudo para o inverno.

Agora, então. Fiquei imaginando quantas letras e números Lutz já havia memorizado. Era fácil esquecer, se você não os usasse após aprendê-los. Uma vez que eu confirmasse o quanto ele sabia, poderia começar a ensiná-lo novamente, começando com o que ele havia esquecido. Talvez, em vez de usar frases de exemplo, eu pudesse ensiná-lo a escrever pedidos de suprimentos e cartas de pedido de reunião? Isso envolveria palavras que ele usaria para o trabalho, então aprendê-las agora não seria ruim.

Para ser honesta, eu também só conhecia as palavras relacionadas ao trabalho, na maioria das vezes.

Não havia dicionários neste mundo e eu aprendi a ler e escrever com Otto, que tentou me treinar para ser sua contadora assistente, Benno, o comerciante, e Mark, o braço direito de Benno. Graças a eles, aprendi muitas palavras práticas relacionadas a negócios e afins. Mas eu não conhecia muitos verbos e substantivos comuns.

– Sei somar e subtrair com uma calculadora, mas terei de perguntar a Mark como multiplicar e dividir com ela. – Posso ensinar matemática a Lutz escrevendo na minha lousa, mas preciso aprender a usar a calculadora também se não quiser me destacar entre os outros aprendizes. Se possível, quero ser capaz de tudo o que os outros são.

– Quero ensinar matemática do ensino fundamental até a terceira série ao Lutz, mas isso será difícil sem livros e planilhas. Devo priorizar a contagem de números e a converter números em unidades de dinheiro, começando com lições completas sobre adição e subtração de um dígito. Uma vez feito isso, posso tentar fazer com que ele pelo menos entenda o conceito de multiplicação e divisão… Bem, talvez precise de mais que este inverno para isso. Naturalmente, ensinar três anos de matemática em um único inverno era um pouco demais, mesmo cortando a gordura e concentrando-se nos princípios básicos. Soltei um suspiro e senti o calor dentro de mim se mexer. Sentindo a pressão do calor da consumação tentando forçar sua saída, eu tensionei minhas têmporas e cerrei os dentes. …Volte, eu não estou chamando por você, eu empurro o calor para dentro de mim, visualizando uma tampa sendo colocada em uma panela, e solto outro suspiro.

Não durou muito, mas diminuir o calor da consumação me deixou com fome. Peguei o sanduíche que minha família deixou para mim e dei uma grande mordida, mastigando enquanto pensava em me vestir bem e cumprimentar os clientes.

– Esta categoria é o maior problema para mim. Vestir-me bem e conhecer os cumprimentos habituais. Não sei o quão “bem” eles querem que nos vistamos, e nem eu, nem Lutz, sabemos que tipo de frases específicas os comerciantes usam para cumprimentar uns aos outros, clientes e assim por diante.

Eu aprendi observando os funcionários de Benno e os do terceiro andar da guilda dos comerciantes, que teríamos que comprar roupas novas para o trabalho. Mas eu teria que perguntar ao Benno o quão caras eram aquelas roupas.

Ele também terá que nos contar sobre as saudações. Sei que não é o costume deste mundo inclinar a cabeça, mas não sei o que eles fazem em vez disso. Até agora eu estava apenas blefando com um sorriso. Dito isso, não parecia que Benno ou o mestre da guilda tenham trocado saudações especiais.

Comecei a adormecer, enquanto olhava para a prancha de madeira que Benno me dera e, quando abri os olhos, minha família estava em casa com a carne de porco preparada para o nosso estoque de inverno.

– Bem-vindos a casa.

– Ah, você está acordada? Como está sua febre?

– … Está baixando, eu acho. – Eu me senti muito bem depois de acordar, então pude presumir que minha febre diminuiu. O dia amanhã seria provavelmente gasto em casa, para verificar as águas. Após isso, eu finalmente estaria livre.

Um dia se passou. Lutz, com um cesto de lixo nas costas, veio me visitar antes de ir para a floresta. Não pudemos conversar por muito tempo, apesar de eu me sentir melhor, já que tive que ficar na cama para ter certeza de que tinha me recuperado, mas, mesmo assim, fiquei muito feliz em vê-lo.

– Ei, Myne. Ouvi dizer que sua febre baixou! Tuuli me contou quando nos encontramos lá embaixo.

– Uhum, caiu ontem à noite. Após mais um dia de descanso, devo poder andar por aí.

– Tudo bem. Eu estava preocupado. Já faz um tempo desde que você ficou presa na cama por tantos dias. – Tanto Lutz quanto minha família, ficaram muito preocupados comigo, pois, de fato, fazia algum tempo que uma de minhas febres durava vários dias.

– Ouvi dizer que você também não pôde ver os porcos serem carneados este ano.

– Ahh, bem, não pude evitar nesta temporada. – Eu tinha me acostumado a ver carnearem animais, mas não considerava exatamente o dia do porco um feriado emocionante como minha família. Na verdade, achei que foi muita sorte ele ter vindo quando eu estava doente na cama. – Olhei o cartão que Benno nos deu outro dia e fiz um plano de estudo para nós. Você acha que podemos ir à loja do Benno amanhã? Quero devolver a placa e comprar uma calculadora.

– … Oh sim. O que estava escrito nela, afinal? – Lutz prestando atenção, se inclinou para a frente, lembrando-se que Benno tinha nos emprestado o cartão. Ele estava pronto para ouvir.

– É sobre o que seus aprendizes têm que saber. De quantas letras e números você se lembra?

– Todos os que me ensinaram! – ele respondeu, como se fosse completamente natural.

Fiquei tão surpresa que meus olhos se arregalaram.

– O quê? Mesmo? Você não esqueceu?

– … Não tenho muitas chances de aprender esse tipo de coisa, e não queria esquecer o que já sabia, então escrevi no chão com os dedos para praticar. Assim que você me deu a lousa, comecei a praticar com ela.

– Uau, Lutz, isso é ótimo! Bom trabalho! Tão inteligente!

Lutz trabalhava mais duro que eu imaginava. Ou talvez minha perspectiva tenha sido influenciada por minha vida passada. Em nenhum momento da minha vida me preocupei em esquecer alguma coisa. Se eu esquecesse, eu poderia simplesmente ler outro livro. Eu poderia reaprender qualquer coisa desde que me lembrasse em qual livro estava a informação. Não havia necessidade de memorizar cada pequena coisa.

– Eu não sou tão bom assim. Você é muito mais impressionante que eu, Myne. Você pode ler todos esses grandes números.

– Certo, então vou te ensinar como ler números grandes. Pegue minha lousa por favor.

Um, dez, cem, mil, dez mil… ensinei-lhe as palavras para números cada vez maiores. Ele podia ler até cem facilmente, já que esses números eram usados no mercado, mas o resto era um mistério para ele. Apontei para a lousa, contando os fatores de dez, e Lutz logo se juntou a mim. Após revisar cada unidade várias vezes, escrevi um número aleatório na minha lousa.

– Ok, hora do teste. Como você escreveria seiscentos e doze mil quatrocentos e treze?

– Uuh, é um, dez, cem, mil, dez mil, cem mil, milhões, dez milhões, então… – Lutz cruzou os braços com um olhar bem sério, e antes que eu percebesse, ele já estava contando até dez milhões. Ele podia se concentrar mais ou talvez tivesse uma memória melhor que uma pessoa comum, mas, de qualquer forma, ele era mais inteligente do que eu esperava. Ele provavelmente aprenderá muito durante o inverno.

… Se ele for esperto, perderei a única vantagem que tenho sobre ele. Pensei, ficando deprimida por dentro, quando de repente Tuuli voltou com um balde de água.

– Espera, Lutz! Você não estava indo para a floresta? Todo mundo já foi embora!

– Uau! Desculpe, Myne, eu tenho que ir. Obrigado por me ensinar. – Lutz levantou-se apressadamente e saiu correndo. Com sua velocidade, ele provavelmente alcançaria os outros antes que chegassem no portão. Acenei quando ele saiu.

O dia passou e meus pais me deram permissão para sair, então Lutz e eu saímos para ver Benno à tarde, quando ele ficou menos ocupado. A porta estava fechada e um guarda estava de pé na frente dela.

– Acho que é meio-dia.

– Quer voltar para a praça e sentar um pouco? Ficar de pé por muito tempo não vai te fazer bem.

– Isso soa bem. Acho que deveria tentar me sentar com mais frequência hoje.

Começamos a matar o tempo conversando, mas o guarda nos reconheceu e gesticulou para avançarmos.

– Perguntarei ao chefe se posso deixar vocês dois entrarem. Esperem aqui um pouco, por favor.

– Obrigado.

O guarda entrou na loja e voltou num piscar de olhos, abrindo a porta para nós. Ele nos conduziu pela loja escura, escurecida pelas janelas fechadas que bloqueavam a luz do sol, e abriu a porta de um quarto interno para nós. A sala estava iluminada graças às janelas abertas e um fogo considerável na lareira. Benno, que aparentemente estava trabalhando, deixou de lado sua caneta e tinta para se levantar.

– Sentindo-se melhor, Myne?

– Hmm, viemos devolver o cartão. Você se importa se eu fizer algumas perguntas sobre isso?

– Não, vá em frente. Tenho algo para falar também, mas você pode começar. – disse Benno, apontando para a mesma mesa de sempre.

– Obrigado por me emprestar isso. Com ele, consegui montar um plano de estudos para nós.

– Oh?

– Mas há algumas coisas que quero perguntar. Sei que precisamos nos vestir bem, mas o que você quer dizer especificamente com “bem”? Além disso, nenhum de nós sabe se os comerciantes têm saudações específicas e quando as usam.

Benno assentiu e olhou para nós.

– Basicamente, nenhum de vocês parece muito sujo, apesar de serem plebeus que moram perto do portão sul, então só precisam de roupas de trabalho e novos pares de sapatos. Vocês podem comprar tudo o que precisam com cerca de dez pratas pequenas, então, se começarem a economizar agora, devem ter o suficiente até o verão.

– Dez pratas pequenas… ainda bem que copiei a Myne e economizei meu dinheiro, – murmurou Lutz, parecendo atordoado. Todas as roupas de Lutz eram de segunda mão, costuradas por sua mãe, então provavelmente foi chocante para ele saber que precisaria pagar no mínimo dez pratas pequenas apenas por roupas e sapatos. Foi surpreendente para mim também, mas eu sabia que as roupas aqui não eram produzidas em massa, então esperava que as roupas feitas sob encomenda fossem caras. E por mais caras que fossem, poderíamos comprá-las se trabalhássemos duro e fizéssemos papel suficiente até a primavera.

– Continuando. Você precisa trabalhar na forma como fala com as pessoas, Lutz. Se você não aprender a falar mais educadamente como a Myne faz, não poderei deixar você interagir com os clientes. – disse Benno, fazendo Lutz congelar. Era difícil aprender uma linguagem educada sem ter pessoas ao seu redor que a usavam. Tentei pensar em quem falava mais educadamente de todos os que Lutz conhecia.

– Acho que você pode aprender muito com a forma como o Sr. Mark fala.

– Eeeh, isso parece meio estranho.

Podia imaginar o quão desconfortável era mudar a maneira de falar. Mas se ele não fizesse isso, ele não terá permissão de interagir com os clientes. Especialmente em uma loja como a do Benno, que estava cada vez mais mudando seu público-alvo para a nobreza. Interagir com a sociedade nobre forçava a pessoa a se vestir bem, falar bem e manter as boas maneiras.

– Não se preocupe. Você pode fazê-lo se você tentar. O Sr. Benno é ríspido e malvado quando está conosco, mas é perfeitamente educado com os clientes, então tudo que você precisa fazer é se adequar com base em com quem está falando.

Benno não foi particularmente educado nem mesmo com o mestre da guilda dos comerciantes, mas eu sabia que ele podia fazer isso se quisesse. Caso contrário, ele não teria chegado tão longe como comerciante.

– Você não terá que ser educado comigo ou com sua família, ou com qualquer pessoa conhecida assim. Você me ouviu falar de forma diferente quando estou com Benno, o mestre da guilda e os outros, certo? Acha que eu falo de forma estranha?

– … Agora que você mencionou, não. Do jeito que você fala, realmente não parece estranho.

Se você não vacilar, ninguém realmente notará que você mudou. Pode parecer estranho no começo, mas com o tempo você se acostuma.

– Então que tal você aprender como o Sr. Mark fala e imitá-lo apenas quando estiver trabalhando? Você pode começar dizendo senhor, senhora e assim por diante – dei alguns exemplos e Lutz assentiu.

– Tudo bem, sim senhor.

– Não, não! Senhor é para meninos, não para meninas.

– Pff! Ahahahahaha! – Benno, que estava ouvindo nossa conversa, caiu na gargalhada e caiu da mesa enquanto sufocava nas risadas. Lágrimas se formaram em seus olhos e ele segurou seu estômago enquanto ria como um idiota. – Hahahahhaha, não sei até onde você chegará com ele durante o inverno, boa sorte.

Olhei para Benno, mas ele nem se mexeu. Fechei o puxou e jurei com uma determinação de ferro que logo faria Lutz falar educadamente. O que me lembrou de perguntar sobre algo.

– Oh certo, Sr. Benno.

– Sim.

– Eu gostaria de uma calculadora para aprendermos a usar. Nós nunca vamos nos acostumar a usar uma sem praticar. – Os dedos de Mark dançavam enquanto ele usava a calculadora, movendo-se rapidamente sem pausa, enquanto encenavam seus pensamentos sem um único problema ou erro. Provavelmente não chegaremos ao nível dele, mas todos precisam de prática para aprender.

– Uma calculadora, hein… Se você não se importa com uma usada em minha loja, posso te vender uma por seis moedas de cobre grandes. Você só quer uma para os dois, certo?

– Sim, por favor! – batemos os cartões de guilda com Benno, cada um de nós deu-lhe três moedas de cobre grandes. Então ele nos deu a calculadora.

– Agora podemos praticar usando uma calculadora, Lutz.

– Sim.

– Tem mais alguma pergunta? – questionou Benno, o que me lembrou.

– Oh, precisamos de uma suketa

do tamanho de um papel de contrato antes da primavera, mas…

– Apenas escreva seus pedidos de suprimentos. Mark já sabe para onde levá-los, então deixe-os com ele.

– O quê? Mas… – Mark havia dito que, se eu não entregasse os pedidos de suprimentos com os detalhes que os acompanhavam, eu seria a culpada se ocorresse algum problema. Eu não devo deixar tudo para ele.

– Há outra coisa com a qual preciso que você trabalhe. Vamos, escreva as ordens de fornecimento. – Com incentivo de Benno, tirei o conjunto de escrita de pedidos de suprimentos da minha cesta.

– Sr. Benno, meus cartões para pedidos de suprimentos acabaram…

– Sim, porque você pediu várias coisas. Pegue um pouco mais.

– Obrigada! Além disso, estou quase sem tinta. – Tínhamos usado muita tinta, tanto escrevendo um monte de pedidos de suprimentos quanto testando como funcionava em vários pedaços de papel experimental.

Ao ouvir meu pedido, a boca de Benno se contraiu.

– … Quero cobrar você pela tinta, por isso, considere como parte do meu investimento inicial. – disse ele. O que me lembrou do que Otto disse uma vez, que a tinta era cara o suficiente para que as crianças não pudessem usá-la. Eu nunca ouvi seu preço real, porém, timidamente perguntei a Benno por ela.

– Isso pode ser rude da minha parte, mas, quanto custaria a tinta?

– Cerca de quatro pratas pequenas.

– Oi?! – Lutz e eu não podíamos pagar por isso, mesmo que juntássemos nossas economias!

– Não desperdice.

– Cer-certo. Não desperdiçarei! – Queria usar tinta para escrever meus livros, mas teria que desistir de comprar tinta. Usar minha caneta de fuligem seria muito melhor.

Fiz meus pedidos de suprimentos. Estava acostumada a escrevê-los. A ponta da minha caneta acabou arredondando em pouco tempo, então fiz Lutz raspar em um ponto. Em seguida, pedimos a Benno um pedaço de pergaminho para contrato de tamanho médio, medimos e escrevemos mais pedidos de fornecimento com base nessa informação.

Benno olhou para os pedidos de suprimento que acabei de escrever e seus olhos se arregalaram.

– Nem um único erro gramatical ou borrão. Darei isso para Mark. E Myne… terei muitos problemas se este papel não for feito. Então não fique tão preocupada, vou me certificar de que isso dê certo. – Se Benno disse que daria certo, bem, eu podia confiar nisso. Deixei escapar um suspiro lento de alívio e arrumei minhas coisas.

– Era só sobre isso que você veio falar?

– Sim. – Acenei com a cabeça, e imediatamente Benno se endireitou, sua expressão endurecendo. Lutz e eu também nos endireitamos, sentindo que ele estava prestes a falar de negócios.

– Tudo bem. Myne, quero falar com você sobre o líquido de limpeza de cabelo que você me vendeu. – Eu havia passado a Benno como fazer o xampu três em um simples, enquanto estávamos experimentando papel e pegando emprestada a chave para o armazém. Desde que eu desisti completamente dos meus direitos sobre o xampu por meio de um contrato mágico, eu não tinha ideia do por que ele traria isso à tona agora. Inclinei a cabeça em confusão e Benno continuou, parecendo perturbado.

– Você disse que aqueles meryls tinham o melhor óleo para isso, então esperei até esta temporada para começar a produzir.

– Mas a temporada de meryl está quase acabando, não é? Você ainda não começou? – Lutz e eu trocamos olhares. De fato, a temporada de meryl estava quase no fim. Minha família já havia coletado muitos meryls e estava no processo de fazer mais xampu. Benno era tão obcecado pelo lucro que eu achei que ele já tinha feito e vendido bastante.

– Você me entendeu mal. Comprei uma grande quantidade da fruta e mandei uma certa oficina começar a fazer o líquido, mas mesmo seguindo suas instruções, o material não fica como o que você tinha. Tem alguma ideia do porquê? – disse Benno, fazendo minhas sobrancelhas franzirem reflexivamente. Para fazer xampu, bastava esmagar frutas, torcer o óleo e adicionar algumas ervas. Eu não tinha ideia de onde havia espaço para erro neste processo. Lutz me ajudou a fazer isso tantas vezes que até ele ficou confuso.

– … Eu não sei o que dizer. O processo para fazer isso não é tão complicado. – eu poderia pensar em várias maneiras de melhorar o xampu com certos ingredientes, mas não conseguia descobrir como alguém poderia deixar de fazê-lo em primeiro lugar. Tuuli e Lutz poderiam fazer xampu por conta própria sem nenhuma orientação minha.

– Eu não quero mandar você para onde as pessoas possam vê-la, mas, se eu não terminar esse produto, será uma violação de nosso contrato mágico. Você se importa de vir comigo à oficina? – quebrar um contrato mágico acarreta em penalidades severas e, na pior das hipóteses, você pode morrer. Temendo pela minha vida, disse imediatamente “tudo bem”, mas Lutz agarrou meu braço.

– Myne, você não está saudável o suficiente para isso agora. Você não está em boas condições, lembra? – Lutz estava certo, mas era raro eu estar em boas condições nessa época do ano. Quando fazia muito frio, eu podia ter febre a qualquer hora, em qualquer lugar. Eu nunca faria nada se não me contentasse em “não ter febre” sendo saudável o suficiente para ir a lugares.

– Mas não sabemos quanto tempo levará para que eu esteja em boas condições, e já está caindo um pouco de neve fraca, então devemos ir agora enquanto não estou doente.

– Entendo, mas… – Lutz começou a se preocupar e Benno bateu suavemente na cabeça dele para acalmá-lo.

– Não se preocupe tanto, Lutz. Ela não vai andar, vou carregá-la. Não é como se eu pudesse suportar acompanhar o ritmo dela de qualquer maneira.

– … Bem, uh, acho que tudo bem. – disse Lutz, então Benno mais uma vez acabou me carregando.

…Porque o processo de fabricação do xampu falhou? Eu não tinha ideia, nunca falhou antes para mim. Eu seria capaz de descobrir?

Fim da leitura

Capítulo 47 concluído

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