Ascendance of a Bookworm — Capítulo 48: CAPÍTULO 48 - 47

Ascendance of a Bookworm
Cap. 48
0%
Ascendance of a Bookworm

CAPÍTULO 48 - 47

Capítulo 48

3.764 palavras~16 min de leitura

Ascendance of a Bookworm – Capítulo 47

Por que falhou e como corrigir

Enquanto Benno me carregava para a fábrica de xampu, ele me olhou meio sem jeito, como se tivesse algo a dizer, mas, na verdade, não queria dizer.

– Ei, Myne. Sobre aquele líquido de limpeza de cabelo…

– Sim? O xampu tudo em um?

– É longo e difícil de dizer. Você não tem outro nome?

Era verdade que o nome que pensei seria longo e difícil de dizer para Benno e os outros deste mundo. Já que eles não entendiam as palavras que eu estava falando. O que significava que os nobres talvez não aceitassem o produto depois que ele entrasse no mercado.

– Ahhh, bem, eu meio que inventei na hora, então não é um nome importante nem nada. Você pode mudá-lo.

– … Mesmo? – Benno piscou surpreso.

Acenei para ele com um sorriso. Tudo começou porque me senti ótima após finalmente limpar meu cabelo seco e com coceira e acabei por dizer a primeira coisa que me veio à mente. Eu não estava ligada a isso.

– Hmm. Sinta-se à vontade para chamá-lo como quiser.

– Sabe, isso não torna as coisas muito fáceis para mim. – Benno franziu as sobrancelhas profundamente em pensamento. Era preciso muito senso de publicidade para dar um nome a um novo produto. Querendo ajudar o máximo que pude, dei os conselhos que me vieram a mente.

– Estamos falando de um nome de produto aqui, então acho que deve ser fácil de dizer e fácil de lembrar. Talvez, em vez de chamá-lo como “limpeza de cabelo”, devêssemos usar palavras que façam as pessoas pensarem em ficarem bonitas e se sentirem bem?

– Hmmm… eeeh… – A expressão de Benno endureceu mais, enquanto eu falava. Era possível que meu conselho tivesse apenas aumentado a pressão sobre ele.

– Tenho chamado isso, uh, xampu simples tudo em um esse tempo todo também, então não sei, acho que está tudo bem. – Lutz deu de ombros casualmente, quando Benno mergulhou profundamente em seus pensamentos, criando vincos pesados em sua testa.

– Myne, você tem alguma ideia? Qualquer uma? – Benno olhou para mim, pedindo ajuda, tendo aparentemente falhado em pensar em um bom nome por conta própria.

Mas eu estava tão acostumada a chamá-lo de xampu tudo em um que não conseguia pensar em outro nome para ele. Eu poderia simplesmente encurtá-lo, mas não sabia se as pessoas deste mundo realmente entenderiam o que o nome significava.

– Hmm? Eu não sei, que tal limpeza com xampu?

– … tem que ter sempre xampu, né?

– Na verdade, não, é só o que me vem à mente, então…

Benno murmurou para si mesmo um pouco, mas como não conseguia pensar em um nome melhor e estava acostumado com meu nome original, decidiu encurtá-lo para “limxam”

. Hmm… isso realmente é bom o suficiente?

Quando chegamos à praça central, Benno seguiu direto para a estrada oeste. Pisquei surpresa, esperando que a oficina de espremer óleo fosse ao longo do beco do artesão.

– Há oficinas no lado oeste da cidade também? Achei que estavam todas no beco do artesão.

– Antes era uma loja de processamento de alimentos. Você geralmente as encontra no lado oeste, pois eles querem estar perto do mercado onde as pessoas vendem a maioria dos produtos.

– Verdade, meryl é comida. Eu só os tenho usado para fazer Limxam por tanto tempo que quase me esqueci.

Quando fiz xampu, eu estava obcecada em deixar meu cabelo limpo e fazê-lo parar de coçar. Nem me passou pela cabeça que acabaria se transformando em um produto para venda. No começo eu estava perdida, pois, não tinha arroz, algas marinhas ou qualquer tipo de suco. Vasculhei minhas memórias para pensar em tudo sobre xampu que eu conseguia lembrar e, no processo, lembrei de ler uma revista de vida natural que descrevia a mistura de óleo de frutas com sal e cascas de laranja em pó para fazer uma esfoliação. Minha velha mãe e eu, tínhamos feito juntas quando ela ficou obcecada com a vida “natural”.

Aliás, essa revista também descrevia como misturar claras de ovo com firmeza para fazer cremes para o rosto, ou usar ameixas secas e saquê para fazer uma loção para a pele, mas nada disso tinha algo a ver comigo e com minha pele jovem e fresca. O que me preocupava eram os ingredientes para fazer xampu.

… com certeza foi difícil conseguir óleo naquela primeira vez. Para ser honesta, eu estava tão estressada com minha coceira na cabeça, que não pensei em quão difícil era a jornada para a floresta. Então, não percebi na época, mas fui meio injusta com Tuuli ao fazê-la pegar os ingredientes para mim. Graças aos seus esforços, limpei minha cabeça, deixei meu cabelo macio e sedoso novamente e dei meu primeiro passo em direção a um estilo de vida saudável. Obrigada, Tuuli!

A oficina para a qual Benno nos levou, parecia um grande armazém. Como seria de esperar de uma fábrica de processamento de alimentos, havia uma mistura de grande variedade de cheiros diferentes flutuando no ar. Havia várias mesas de trabalho alinhadas, umas ao lado das outras, onde os empregados estavam ocupados trabalhando em várias tarefas. Ao longo das paredes havia prateleiras de ferramentas prontas para uso.

– O capataz está aqui? Diga-lhe que Benno quer vê-lo. – disse Benno a um trabalhador próximo, que respondeu com entusiasmo.

– Entendido! – antes de sair correndo.

Benno me colocou no chão e esperou que o capataz chegasse. Logo, o trabalhador falou com um homem um pouco acima do peso, que então caminhou em nossa direção com a barriga tremendo. Dava para ver de relance que ele era o chefe de uma loja que lidava com comestíveis. Seu corpo deixou claro que ele adorava comer muito. Eu o havia chamado de “um pouco acima do peso”, mas isso era da perspectiva de um japonês. Considerando a escassez de comida na cidade, ele era, provavelmente, considerado muito gordo.

– Olá Benno, obrigado por vir até aqui. Vejo que você trouxe duas crianças com você.

– Foram eles que fizeram o Limxam em primeiro lugar. Mantenha isso em segredo. – Disse Benno, com um olhar tão forte, que o capataz balançou a cabeça em um acordo silencioso. – Então, você descobriu o problema?

– Receio que não. Tentamos mudar nossas ferramentas, trabalhadores e todo o tipo de coisa, mas parece que estamos cada vez mais longe de fazer o produto certo.

A expressão de Benno escureceu de frustração com o relatório negativo e a maneira como ele olhou para o ansioso capataz, honestamente, me fez sentir como se estivesse recebendo o mesmo olhar assustador.

Puxei a manga do capataz e falei com ele.

– Hum, você poderia me mostrar como está fazendo isso?

– Certo, peço que me diga se notar algo. Estou recebendo relatos de que as coisas que fazemos aqui, não deixam o cabelo limpo.

Fomos para um canto da sala, para que o capataz pudesse fazer uma demonstração ao vivo. Seria um desperdício de materiais se ele falhasse, então esmagou apenas um meryl usando pesos para esmagar a fruta de uma só vez. Ele então levantou o pano e torceu para que o óleo pingasse na tigela abaixo. Demorou bem menos do que eu estava acostumada, já que tanto Tuuli quanto Lutz tiveram que usar um martelo.

– E é assim que obtemos o óleo. Tudo certo até agora, né? – o processo de extração de óleo parecia bom para mim. Eu podia ouvir Lutz resmungando que parecia o mesmo para ele e, de relance, também não pude ver nenhum problema.

– Temos que usar martelos para esmagar a fruta em vez de pesos. Mas não acho que uma diferença tão pequena afetaria algo tão significativamente.

– Sim, as crianças teriam que usar um martelo para isso. Acho que devo tentar isso em seguida – murmurou o capataz.

Mas antes de fazermos isso, eu tinha um pedido.

– Você se importa se eu ver o óleo que você acabou de espremer.

O capataz assentiu e entregou a tigela. Lá dentro, vi óleo verde perfeitamente claro, sem impurezas flutuando. Era um óleo completamente diferente do óleo espesso e branco com o qual lidamos.

– … Oh, tudo bem. Entendi agora. – Descobri o problema assim que vi o óleo. Isso foi uma coisa boa e eu estava feliz por ter a solução, mas, ao mesmo tempo, eles estavam falhando por um motivo que me deixou triste. Muito, muito triste.

– O quê? O que estamos fazendo de errado? – o capataz praticamente implorou pela resposta, e eu dei-lhe com os ombros um pouco caídos.

– … é o pano que você está usando para torcer o óleo, – eu disse.

Benno imediatamente olhou para o capataz, que arregalou os olhos e apertou suas mãos desesperadamente.

– O pano? Mas comprei uns muito bons, só para este novo trabalho!

– … Esse é o problema. – Agora, tanto Benno quanto o capataz me olhavam, com os olhos arregalados.

Dei de ombros e coloquei a tigela cheia de óleo sobre a mesa.

– Os panos que nossas famílias têm são ásperos e soltos. Desgastados. Acho que você pode dizer pelas nossas roupas, mas somos pobres. Nós não usamos tecidos tão finos, então, quando esprememos o óleo, pequenos pedaços da fruta quebrada e pedaços de coisas parecidas com sementes ficam presas no óleo.

O óleo que Tuuli e Lutz espremiam era sempre de um branco espesso, não de um verde puro. A razão era simples. O pano que usamos era muito mais puído do que os desta oficina e, além disso, esprememos a fruta até o fim, já que não podíamos desperdiçar nenhum óleo, mesmo que isso acabasse tornando o óleo menos puro.

– A coisa que deixa o óleo espesso é chamada de esfoliação… hum, quero dizer, é importante para deixar o cabelo limpo. – O óleo puro feito em oficinas como esta, normalmente teria sal em pó, cascas de frutas cítricas e nozes adicionadas a ele para fazer um esfoliante. Mas no nosso caso, o óleo já era um esfoliante logo após ser espremido. Sem mencionar que não tivemos margem de manobra para adicionar nada ao óleo em primeiro lugar. Estávamos apenas adicionando ervas para o cheiro.

O capataz estava atordoado. Ele não esperava essa resposta. Nem eu, realmente. Pensar que quanto mais ele lutava para conseguir óleo de melhor qualidade, mais distante de seu objetivo ele ia. Eu só podia imaginar o estresse que ele estava sentindo.

Por outro lado, a expressão de Benno se suavizou significativamente, provavelmente de alívio por encontrar a fonte do problema. Ele pegou o pano com as pontas dos dedos e deu de ombros.

– Não pensei que o pano seria o problema aqui. Não tenho certeza se já fui punido por comprar ferramentas de alta qualidade antes. Eu estava pensando que o problema teria algo a ver com a mistura de ervas.

– As ervas estão lá principalmente pelo cheiro.

O capataz soltou um suspiro pesado, parecendo ao mesmo tempo, aliviado e preocupado.

– Acho que temos que jogar fora todo o óleo que pegamos usando esses panos, então.

– O quê? Sem chance. Isso seria um grande desperdício, ainda é utilizável. – Se pudesse escolher, eu mesma teria gostado de usar óleo de alta qualidade livre de impurezas. Colocando ingredientes para fazer uma esfoliação adequada, resultaria em um enxágue muito melhor que o que eu costumava fazer. – Você só precisa colocar frutas neste óleo puro. Com a seleção certa de ingredientes, você terá um Limxam muito melhor que o que eu mesma fiz.

– É mesmo? Você com certeza sabe muito para uma garotinha, não é? – murmurou o capataz, impressionado. Ao mesmo tempo, os olhos de Benno brilharam como um predador que encontrou sua presa.

– Ah… – Oh não. Eu não deveria ter dito isso. Olhei para Lutz, o sangue escorria do meu rosto, e o vi balançando a cabeça, exasperado. Nesse ritmo, Benno iria me descobrir da mesma forma que Lutz me descobriu. AHHHHHHHHHH! Eu sou tão burra! Eu nunca aprendo? De alguma forma, consegui evitar que minha boca tremesse, enquanto forçava um sorriso falso no meu rosto. Fique calma, fique calma. Ele ainda não me descobriu.

– Apenas tome cuidado ao usar coisas com grãos ásperos, pois isso pode machucar o couro cabeludo, – eu disse com um sorriso e tentei sair da oficina, mas Benno agarrou meu ombro e me segurou no lugar com um sorriso feroz.

– Myne, parece que você sabe muito mais do que está deixando transparecer, hein?

Eu sabia, mas eu não estava interessada em cavar um buraco mais fundo. Seria impossível levar uma vida pacífica aqui se eu marcasse tanta bobeira assim. Eu precisava escapar do interrogatório de Benno de qualquer maneira. Ao contrário de Lutz, Benno não conhecia a Myne do passado, portanto, não tinha evidências concretas para alimentar suas suspeitas. Eu poderia passar por isso se eu tentasse o suficiente.

Cravando meus calcanhares no chão para desafiar a força de Benno, fiz o meu melhor para sorrir e blefar para sair da situação, apesar do suor frio escorrendo pelas minhas costas.

– Qualquer coisa a mais terá um custo. Cobro uma taxa de informação pelos meus serviços. Não falo de graça.

– Quanto? – Benno ergueu o queixo com um sorriso e me disse para falar um preço, mas não importava o quanto ele me pagasse, eu não estava planejando dizer nada a ele. No entanto, as negociações terminariam no segundo em que eu dissesse isso. Era importante que eu fizesse Benno optar por se retirar das negociações.

Minha cabeça girou enquanto eu pensava desesperadamente em algo para dizer, meu coração batendo forte no meu peito.

– …O Limxam já vai se sair bem no mercado como está. Quanto você estaria disposto a pagar apenas para ganhar um pouco mais em cima disso, realmente? – eu disse, mantendo a calma enquanto nos encarávamos por trás de sorrisos falsos. Os olhos vermelho-escuros de Benno brilharam com uma luz feroz e eu queria apenas ceder imediatamente por medo, mas esta era uma batalha que eu não podia perder. Qualquer coisa que eu dissesse sobre isso, seria vista com clara suspeita e chamaria atenção indesejada. Benno falou com o capataz sem tirar os olhos fulminantes dos meus.

– Se importa se pegarmos emprestado sua sala de conferências?

– N-nem um pouco, vá em frente. – No momento em que o capataz respondeu, Benno me levantou e me arrastou para a sala de conferências.

– Buwhuwbhubwuhwb?!

– Myne?

– Iremos apenas ter uma conversinha! Não quero que ninguém venha atrás da gente! – gritou Benno, fazendo Lutz parar com o aviso. O capataz assentiu, pálido.

Tendo assumido o controle da sala de conferências de outra pessoa, Benno me colocou em uma cadeira e depois sentou-se na outra em frente. Ele me encarou em silêncio por um tempo, então falou.

– Duas pequenas de ouro.

– O quê? – … eu ouvi errado? Achei ter ouvido um preço bem absurdo pela informação, mas era tudo apenas minha imaginação.

Acabei atordoada, fingi ter ouvido errado, e consegui me recuperar. Mas no momento em que o fiz, Benno repetiu, desta vez com mais clareza.

– Pagarei duas pequenas de ouro. Diga-me como melhorar o enxágue, que fruta usar e tudo o que você sabe.

Ele estaria disposto a pagar duas pequenas moedas de ouro só para melhorar o Limxam? Quanto lucro ele esperava ganhar com isso? Talvez ele estivesse planejando extorquir os nobres como extorquiu Freida.

– … Sr. Benno, quanto você pretende cobrar por unidade de Limxam? – Questionei, fazendo Benno estreitar um pouco os olhos e bufar.

– Isso não tem nada a ver com você.

– Se é esse o caso, já lhe disse como fazer o enxágue, então, melhorar também não tem nada a ver comigo. – Soltei um suspiro de alívio por dentro e, pensando que seria o fim da conversa, coloquei as mãos na mesa para descer do assento.

– Três pequenas de ouro. Não espere que eu vá além. – Benno agarrou minhas mãos e, parecendo um pouco frustrado, aumentou seu preço. Meu coração vacilou com aquela quantia enorme, mas se esse era seu preço máximo, então as negociações já haviam terminado. Pelo bem de uma vida pacífica, tenho que tirar Benno do meu rastro.

– Eu rec..

– Pegue o dinheiro e economize. A única coisa que pode curar a sua consumação é dinheiro.

Comecei a dizer “eu recuso”, mas Benno me interrompeu com um olhar. Ele falou em uma voz baixa e forte, que fez parecer estar prestes a ranger os dentes.

– … Sr. Benno, você sabe sobre minha consumação?

– Considerei a possibilidade, mas não tinha certeza até que o velhote me contou no outro dia. – O velhote sendo o mestre da guilda. Me perguntei o que ele poderia ter dito a Benno e que conexão isso tinha com a forma como Benno baixou a guarda depois que vendi os enfeites de cabelo para Freida?

A mudança de tom de Benno me assustou o suficiente para eu perder minha força no processo de me levantar e caísse de volta na minha cadeira com um plop. Isso devia ter parecido comigo me sentando novamente na cadeira, enquanto Benno se inclinava mais sobre a mesa para aproximar seu rosto do meu. Ele então falou em voz baixa, de tal forma que só eu poderia ouvi-lo. Apesar de serem sussurros fracos, eu podia ouvir claramente tudo o que ele dizia.

– A neta dele tem consumação, assim como você, mas ela está viva graças ao dinheiro e a conexão do mestre da guilda com os nobres. Você precisa vender as informações que tem, economizar dinheiro e se preparar para o dia que está por vir, goste ou não.

– Que dia…?

– O dia em que você perder o controle do calor dentro do seu corpo.

A compreensão lavou todo o meu corpo. Senti o calor da consumação dentro de mim crescendo ao longo do tempo, pouco a pouco. Parecia que Benno e o mestre da guilda havia chegado a conclusão de que a consumação dentro de mim realmente estava crescendo com o tempo e, eventualmente, se tornaria demais para eu controlar. Quando coloquei isolamento social e estar morta, nos dois lados da balança, a resposta se tornou dolorosamente clara.

… Eu não quero morrer ainda. Finalmente cheguei ao ponto de poder fazer papel. Durante o inverno falhei repetidamente, mas, depois de muito trabalho duro criei um ambiente onde fazer livros não era mais apenas um sonho. Sem falar que me acostumei mais com a vida neste mundo com o passar das estações, o que significava menos confrontos com minha família. No passado, eu sempre era um peso morto, mas finalmente encontrei um lugar em que poderia ser, pelo menos, um pouco útil. Viver neste mundo estava finalmente se tornando divertido.

Eu não queria morrer ainda, mas tinha que considerar o que aconteceria se eu desse a Benno a informação que ele queria e ele ficasse assustado. O que aconteceria se ele me considerasse uma garotinha esquisita e assustadora? Ao contrário de Lutz, que conhecia Myne do passado, Benno não tinha contexto. Ele apenas me consideraria uma criança assustadora que sabia demais sobre coisas que não deveria. Ele, provavelmente, não tentaria me matar apenas por ser assustadora. Como ele não tinha um histórico com minha família como Lutz, nada de ruim aconteceria se ele informasse que eu era esquisita.

O pior cenário seria apenas Benno se distanciando de nós e cancelando seus planos de nos contratar como aprendizes. No entanto, se isso acontecesse, eu poderia simplesmente aceitar a oferta de Freida e do mestre da guilda. Eu não ficaria completamente sem opções se Benno retirasse seu apoio.

… Se o dinheiro é o que preciso para sobreviver, bem, eu quero continuar vivendo.

– Ok. Vou vendê-lo por três pequenas de ouro, – disse olhando para Benno nos olhos. Ele deu um pequeno aceno e soltou minhas mãos. Então, depois que tocamos os cartões, ele pegou minha bolsa e tirou o conjunto de pedidos de suprimentos sem nem me perguntar.

– E-ei! Essas são minhas coisas!

– Coisas que minha loja forneceu a você.

– Isso é verdade, mas, pelo menos, me pergunte primeiro!

– Sim, desculpe, – disse Benno sem soar arrependido. Ele pegou a caneta e a tinta e os preparou, tratando o quadro de pedidos de suprimentos como um bloco de notas. – Tudo bem, ouvirei. Comece com como podemos vender o óleo que pensávamos não servir.

– Você só precisa colocar ingredientes para torná-lo um esfoliante. Há muitas coisas diferentes que funcionariam aqui, mas a mais fácil provavelmente será o sal. Esmague o sal até virar um pó, adicione-o ao óleo e deve funcionar tanto para a limpeza quanto para a desodorização.

– Sal? Mesmo? – De tudo que li na revista, misturar óleo de fruta com sal em pó era a coisa mais fácil de fazer. Os olhos de Benno estavam arregalados de surpresa, provavelmente não esperando que algo tão familiar para ele fosse eficaz aqui.

– … você também pode secar a casca de uma fruta cítrica, ou seja, secar a casca de algo como um apfelsige e esmagá-lo em pó também. Deve cheirar melhor e limpar mais do que o óleo em si.

– Casca de apfelsige, hein? Entendi. Algo mais? – Benno olhou para mim enquanto anotava.

– Hmm, talvez nozes… ahhh, quero dizer, misturar um pouco de pó de nussfrut deve funcionar também. Eu nunca tive a oportunidade de experimentar nada disso, já que minha família é muito pobre.

Os olhos vermelhos escuros de Benno estavam fixos em mim, sua expressão deixando claro que ele pretendia espremer o máximo de informações possíveis de mim.

– Você sabe sobre tantas coisas que não pôde tentar sozinha? Myne… quem é você?

– Isso é um segredo, e você não conseguirá comprar com pequenas de ouro.

A boca de Benno se curvou em uma carranca amarga. Meu coração disparou quando ele me olhou desconfiado, como alguém olhando para uma pessoa que simplesmente não conseguia entender. Eu não era forte o suficiente para suportar ser olhada assim sem perder um pouco a calma.

Com meu sorriso falso ainda estampado no rosto, decidi arriscar perguntar a Benno onde eu estava com ele.

– Você vai cortar os laços comigo porque sou estranha? Eu lhe vendi a informação preparada para essa situação.

Os olhos de Benno se arregalaram de surpresa por um segundo, então ele baixou os olhos e coçou a cabeça antes de soltar um suspiro pesado. Ele então balançou a cabeça lentamente várias vezes e olhou para cima. Quando o fez, ele estava usando seu habitual sorriso confiante.

– Não, você vai me dar muito lucro. Minha única preocupação aqui é garantir que ninguém mais roube você. Não se esqueça, eu sou um comerciante. – disse ele, levantando-se e despenteando meu cabelo. Ao me tratar normalmente, ele estava sinalizando haver decidido manter o status quo e não cavar mais fundo.

Soltei um suspiro aliviado, me abaixei para evitar a mão de Benno, já que ele não parava de mexer no meu cabelo, e mostrei a língua para ele.

Fim da leitura

Capítulo 48 concluído

CAPÍTULO 48 - 47