Ascendance of a BookwormCAPÍTULO 49 - 48
Capítulo 49Ascendance of a Bookworm – Capítulo 48
Aparece um Trombe
A estação havia se tornado tão fria, que acordar e sair da cama de manhã era um grande desafio. Enquanto eu preguiçosamente fiquei na cama, pensando em como estava frio, meu pai terminou de se preparar para o trabalho.
– Myne, como você está se sentindo?
– Hmm? O mesmo de sempre. Por que a pergunta, papai? – Talvez ele tenha interpretado mal eu ter ficado na cama como se eu estivesse passando mal. Sentei-me preguiçosamente e papai me olhou com preocupação.
– Otto quer ter uma reunião de inverno com você e perguntou se você poderia vir hoje.
– Sim, posso ir. Não estou doente agora e não tenho nenhum negócio com Benno.
Papai saiu para chegar ao portão antes que ele abrisse no segundo sino. Após vê-lo sair, saí da cama e fui me trocar rapidamente.
– Mãe, Tuuli. Estou indo ao portão hoje.
– Certo. Não haverá muito o que recolher na floresta em breve, então acho que você ficará bem não indo mais lá este ano.
– Tuuli está certa. Não queremos que você pegue febres desnecessárias nesta época do ano, Myne. Você deveria parar de ir para a floresta por enquanto.
À medida que a temperatura caiu e pegar resfriados se tornou mais normal, tornou-se cada vez mais comum para mim, ter dias em que simplesmente não me sentia bem. Abusar disso, apenas levaria aqueles ao meu redor a terem que cuidar de mim, então decidi que era melhor se eu realmente parasse de ir à floresta.
– Ei, Myne. Indo para o portão hoje? – perguntou Lutz, após me ver sair do meu prédio apenas com minha sacola. Eu estava vestida com roupas para não pegar um resfriado, mas em contraste, as outras crianças estavam todas vestindo roupas relativamente leves.
Caminhei até o portão com as outras crianças. Ultimamente eu conseguia mais ou menos acompanhá-las, acabando apenas um pouco atrás. Embora quase toda vez que eu decidisse tentar alcançá-las Lutz me impedia.
– Tudo bem, passarei pelo portão no caminho de volta, então espere por mim.
– Boa sorte na sua recolha, Lutz. – Todo mundo estava indo para a floresta, então nos separamos no portão. Não vi meu pai no portão, mas os guardas me reconheciam agora. Fiz continência para um deles e eles me levaram para a habitual sala de vigília noturna.
– Sr. Otto, você está aqui? Sou eu, Myne. – Abri a porta e vi que as prateleiras ao longo das paredes já estavam cheias de cartões relacionadas ao orçamento. Otto estava cercado pelas tábuas examinando-as.
– Ei Myne. Bom ver você aqui.
– Já faz um tempo, Sr. Otto. – Dei-lhe uma saudação afiada e me movi para a cadeira mais próxima da fornalha. Após basicamente subir na cadeira de tamanho decente, tirei a lousa e caneta da minha bolsa.
– Então, vamos falar sobre nossos planos de inverno. Com que frequência você acha que poderá aparecer?
– Hmm, conversei com meu pai sobre isso, e ele decidiu que eu posso vir quando estiver me sentindo bem, não estiver nevando, e ele estiver no turno da manhã ou do meio-dia.
Em primeiro lugar, não é comum eu me sentir bem durante o inverno. Eu estava ficando mais forte que no ano passado e rezei para não ficar acamada com tantos resfriados, mas é impossível prever isso.
Em segundo lugar, há o clima. Há nevascas constantes durante o inverno. Papai disse que não precisa estar completamente ensolarado e que eu poderia ir se houvesse apenas neve leve, mas eu sabia que ele voltaria no momento em que visse um floco de neve. Ele é superprotetor demais.
E, finalmente, papai trabalha no turno da noite em um terço de seus dias durante o inverno.
– Acho que poderei contar nas duas mãos o total de vezes que posso visitar o portão durante o inverno.
– … Bem, isso é o que eu esperava. Esperava por mais, já que mesmo daquela vez que você ajudou no inverno passado, fez uma grande diferença. Espero que você apareça o máximo possível.
– Uhhum. – Fazer um pouco de matemática foi o suficiente para ganhar algumas canetas de ardósia, então não me importei. Eu precisaria de mais canetas de ardósia este ano que no anterior, já que Lutz e eu estaríamos estudando juntos, então meu plano era trabalhar duro e ganhar muitas delas. – Ah, e a propósito, as canetas que eu uso aqui não contam como parte do meu pagamento, né?
– Pfff, Ahahahahaha. – Riu Otto. – Pensando como uma comerciante agora ein. Não se preocupe, as canetas de ardósia que você usa para trabalhar não contam. Relaxe e escreva toda a matemática que você quiser. – Ele pode ter achado isso engraçado, mas independentemente disso, significou muito para mim. Arregacei as mangas para que não apagassem as letras e preparei minha caneta de ardósia.
– Aqui está o seu trabalho de hoje. – Otto colocou uma pilha de tábuas na minha frente. Eram livros de despesas para os suprimentos usados pelo departamento dos altos escalões que administravam os guardas. Parece que Otto está encarregado dos orçamentos de todo o departamento. Ele me disse, com os ombros caídos, que era mais fácil fazer todo o trabalho sozinho, que correr o risco de apontar os erros de seus superiores. Tomando cuidado para não cometer nenhum erro, comecei a trabalhar para somar os números, enquanto conferia novamente os cálculos.
– Está aí, Otto? Tome seu lugar no portão imediatamente! – um soldado irrompeu na sala parecendo apressado. Otto desenhou uma linha no quadro para guardar onde parou e após me dizer para não deixar ninguém tocar na calculadora, saiu correndo da sala.
Parece haver uma comoção em todo o portão. Posso ouvir uma tonelada de passos correndo do outro lado da porta, soando mais alto que os passos normais, devido à reverberação do piso de pedra.
Visitei o portão muitas vezes para ajudar Otto, mas nunca antes as coisas ficaram tão intensas. A inquietação invadiu meu coração, o que não foi ajudado pelo fato de eu estar sozinha na sala.
… Ficarei bem aqui, certo? Respirei fundo e ao olhar ao redor da sala vazia, senti uma leve tontura. Não deixando nem mesmo a menor falha do meu espírito passar despercebida, o calor em mim explodiu. O calor que tentou sair de mim, pareceu sair de minha fraqueza. Frustrada, tensionei meu corpo para forçar o calor a recuar. Imaginei colocando-o em uma caixa e o tampando, para selá-lo dentro de mim.
– … Haaa. Estou tão cansada. – Lutar contra a consumação exigiu tanto de mim que minha ansiedade diminuiu um pouco.
Continuei fazendo meus cálculos e Otto logo voltou. Ele terminou o quadro em que estava trabalhando e começou a empacotar sua parte da papelada.
– Parece que um trombe apareceu. Um garoto veio correndo pedir ajuda, então metade dos guardas aqui foram para a floresta. Tenho que ficar no portão até eles voltarem, mas você poderia continuar trabalhando aqui enquanto eu estiver fora? Além disso, enviarei qualquer um com cartas de apresentação para você. Confio em você para cuidar deles.
Saber o que aconteceu me acalmou o suficiente para eu poder fazer meu trabalho sem me preocupar tanto. Falando nisso, Lutz havia mencionado anteriormente que os trombes geralmente começavam a aparecer na floresta após o final do outono. Talvez pudéssemos conseguir mais madeira de trombe para transformar em papel.
… Mmm? Mas se estiver maduro o suficiente para que os soldados tenham que se juntar à luta, talvez a madeira fique muito dura para o papel? Quem sabe. A última vez que um trombe apareceu, foram necessários apenas alguns garotos para cortá-lo. Então não me senti nem um pouco nervosa. Acabei por voltar ao trabalho, alinhando letras e fazendo contas. Eventualmente, ouvi um barulho do lado de fora da porta novamente.
– Myne, é o Lutz. Ele diz que tem algo a falar com você.
– Acho que ele conseguiu um pouco de madeira de trombe, então preciso ir conversar com ele sobre isso. Terminei os cálculos aqui.
– Obrigado. Você foi de grande ajuda. – as crianças e os soldados devem ter voltado juntos, pois pude vê-los ao redor do portão, carregando madeira de trombe. Procurei por Lutz e vi papai correndo em minha direção com uma grande tora no ombro.
– Myne! Olha, seu pai cortou um trombe desse tamanho.
– Uau, isso é muito grande. Usaremos isso para lenha?
– Não, a madeira de trombe não queima bem, então não é boa para lenha. Vamos esculpi-lo em móveis. Esses móveis sobrevivem a incêndios, por isso, madeira como essa é muito valiosa.
– Uau, entendi. Interessante. – Eu não deveria esperar nada menos de uma estranha planta mágica. Dificilmente poderia ser chamado de madeira sem nem mesmo queimar no fogo! Enquanto eu balançava a cabeça com exasperação e admiração, vi Lutz gesticulando para mim por trás de papai.
– Sim, Lutz?
– O quê? Você só conseguiu esses galhos minúsculos, Lutz? Dê uma olhada Myne. Seu pai é muito mais legal! – Papai estufou o peito com orgulho da diferença dos galhos de trombe na cesta de Lutz, mas eu preferia que ele não tentasse competir com um garotinho. E, infelizmente para ele, Lutz tinha exatamente o tipo de galhos finos e jovens que eu queria.
Soltei um suspiro, mas, na verdade, como os trombes ficavam mais difíceis de cortar à medida que aumentavam, aqueles que conseguiam cortar troncos grandes eram considerados heróis pelas crianças e soldados. Eu podia ver as pessoas comparando a madeira e competindo para ver quem tinha a tora e galhos mais grossos ou maiores.
– Esses galhos são uma merda! – um dos garotos, intimidado por seus pequenos galhos, jogou a madeira de trombe no chão em um acesso de raiva. A madeira de trombe não dava boa lenha e os galhos jovens e macios não eram fortes o suficiente para serem transformados em móveis. Era considerado inútil por quase todos. Mas para mim, era necessário para fazer papel de alta qualidade. Eu não perderia a chance de conseguir alguns de graça.
– Se você não quiser, posso ficar com ele? Você realmente não quer?
– … Claro que não, são uma droga! – envergonhado por toda a atenção que ele estava chamando, o menino deixou por isso mesmo e saiu correndo. Peguei a madeira de trombe abandonada e outras crianças começaram a tirar sua própria madeira de seus cestos.
– Você pode ter o meu também. Levá-lo para casa não será bom.
– Você pode ter o meu também. Eu não preciso disso. – Uma quantidade bem grande de madeira acabou empilhada ao meu redor.
– Lutz, parece que temos muito disso agora.
– … Sim. – Lutz juntou comigo a madeira de trombe caída e guardou tudo na cesta.
Papai, atordoado com o que viu, franziu as sobrancelhas e olhou para nossas cestas.
– Myne. Para que você quer essas coisas?
– A madeira que uso precisa ser macia e jovem. Vamos, Lutz. – Virei as costas para papai e comecei a andar.
Lutz me seguiu, coçando a cabeça.
– Você sabe, eu trouxe de volta alguns galhos de trombe porque sei que precisamos, mas uh… temos que usar madeira cortada dentro de cinco a sete dias, certo? Como faremos isso? Não quero entrar no rio quando está tão frio e não podemos desperdiçar a lenha que precisamos para ferver água por um sino inteiro. Devemos simplesmente desistir?
Eu sabia que não havia muita lenha espalhada pela floresta nessa época do ano, mas tinha certeza de que Benno ficaria furioso se desperdiçássemos madeira de trombe só por causa disso.
– … já sei o que ele vai dizer, mas vamos falar com Benno sobre isso primeiro.
– Ele definitivamente ficará bravo se jogarmos tudo fora. Haah… eu não vou entrar no rio quando está tão frio.
Seguimos para a loja de Benno, mas o guarda naturalmente disse que Lutz não podia entrar como ele estava. Ele teria que esperar do lado de fora. O guarda chamou Mark, que o seguiu até a porta e entrou comigo. Entramos na loja assim que um cliente saiu do quarto de Benno. O cliente olhou para mim com minha roupa de pobre e soltou um audível “hmph”. Mmmm, eu realmente deveria comprar uma muda de roupa em breve. Não quero que as pessoas se afastem da loja de Benno por minha causa. O que significa que preciso economizar mais dinheiro rapidamente. Benno piscou surpreso, após me ver entrar no quarto.
– O que você está fazendo aqui? Não tínhamos uma reunião planejada.
– Esta é uma visita não planejada, mas tenho algo que preciso falar com você. Acontece que um trombe apareceu na floresta hoje. – Eu disse e ele imediatamente levantou e se inclinou para frente.
– Um trombe? Você conseguiu alguma madeira com isso?
– Sim, acabamos com muita madeira. Mas, a coisa é… será difícil transformá-lo em papel.
– Por quê? – Benno estreitou os olhos em suspeita, sem entender como poderia ser difícil. Apesar de saber que isso o deixaria louco, expliquei meu raciocínio.
– Umm, bem, não temos lenha suficiente para ferver água por um sino inteiro, e o rio…
– Sua idiota! – antes que eu pudesse terminar de explicar que o rio estaria frio demais para entrar, o impaciente Benno derrubou sua raiva em mim. – Pense em como a lenha é muito mais barata que a rara madeira de trombe! Nem tente me dizer que não consegue entender o conceito de investir em materiais para ter mais lucro depois!
– … Imaginei que diria isso. Podemos ir à serraria com o Sr. Mark comprar lenha? – sou tão jovem que, mesmo que fosse à serraria pedindo lenha, ficariam desconfiados e eu seria mandada embora.
– … Onde está Lutz?
– Ele está lá fora. Viemos aqui logo depois que ele voltou da floresta, então ele está um pouco sujo demais para entrar… – eu disse, imediatamente Benno tocou a campainha em sua mesa para chamar Mark.
– Mark, pergunte a Lutz se Myne está bem o suficiente para ir à serraria hoje. Myne, você escreve o pedido de fornecimento aqui. – Benno pegou um cartão de pedido e tinta para mim, então comecei a escrever o pedido de fornecimento.
– Sr. Benno, eu só preciso de madeira suficiente para ferver a água por uma hora, o que devo escrever?
– Apenas escreva isso. Eles vão te vender um pouco mais do que você precisa e isso é o ideal.
Assenti e continuei escrevendo, momento em que Mark voltou da conversa com Lutz.
– Parece que Myne faria bem em não andar mais hoje. Quando ela terminar de escrever o pedido de fornecimento, irei para a serraria com Lutz.
– Obrigado, Mark.
Após dar a Mark o pedido de fornecimento e vê-lo partir, Benno me entregou vários cartões de madeira.
– Leia isso se estiver entediada.
– Com prazer! – Os conselhos eram basicamente conselhos para comerciantes e discutiam muitos pontos-chave sobre contratos. Satisfeita com a oportunidade, debrucei-me sobre eles, enquanto cantarolava e, eventualmente, percebi algo estranho.
– Sr. Benno, a compra de madeira de Mark conta como parte de seu investimento inicial em nós? – Benno se virou para olhar silenciosamente para mim, mas não disse nada. – Além disso, achei meio estranho, mas por que você disse que parou de investir depois que terminamos nossos protótipos? O contrato mágico que assinamos não dizia que você pagaria por tudo até o nosso batismo? A cara suketa não deveria contar como parte disso? – pensei sobre o porquê Benno queria que eu lesse quadros sobre os contratos e a única coisa que me veio à mente foram os detalhes do nosso contrato mágico.
– … Finalmente notou, hein?
– O quê? Por que você nos enganou?
– Eu não te enganei. Eu testei você, para ver se você se lembrava do que dizia o contrato que assinamos. Digamos que eu estava curioso para ver como você reagiria se eu quebrasse o contrato. Você não disse nada, então percebi que você esqueceu o que eu disse. – Ele bufou e olhou para mim enquanto tamborilava os dedos na mesa.
Por um único momento, fiquei sem palavras, mas consegui retribuir seu olhar.
– Achei fazer sentido você parar de pagar depois que terminamos os protótipos. Eu nunca esperei que você estivesse nos enganando, e como os contratos mágicos queimam após serem assinados, eu não pude verificar novamente. – Benno bufou novamente e deu de ombros com um sorriso presunçoso.
– É exatamente por os contratos queimarem, que você tem que anotar em outro lugar ou gravar tudo em sua memória. Você foi ingênua.
– … tentarei não cometer o mesmo erro novamente. – Benno não estava errado. Eu deveria ter copiado o contrato ou memorizado. Era inteiramente verdade que toda aquela conversa sobre magia punindo aqueles que quebram os contratos me fez baixar a guarda.
– Você agiu certo, então pagarei por suas coisas.
– Isso é o que você concordou em fazer de qualquer maneira. Não pagar não seria uma quebra de contrato? – apertei os lábios, fazendo beicinho, e Benno olhou para mim com o sorriso alegre da vitória.
– Seria uma quebra de contrato apenas se eu me recusasse a pagar. Você perceber é problema seu. Agora que você percebeu, vou pagar. Não será uma quebra de contrato se eu fizer isso. Lembre-se de tudo isso se você quiser ser uma comerciante um dia.
– … Guuh.
Os lábios de Benno se curvaram em um sorriso mais amplo, enquanto eu gemia de frustração, ele seguiu dizendo com uma risada.
– Se você não tivesse notado após ler tudo isso sobre contratos, eu teria tirado cada moeda de você. – Eu entendi que ele estava tentando me ajudar a crescer como comerciante, a ponto de me dar dicas para me ajudar na direção certa, mas ainda era frustrante.
Enquanto eu olhava as tábuas mais uma vez, com a intenção de não deixar que ele me enganasse novamente, Benno parou seu trabalho e falou comigo.
– Aaah, certo. Você poderia começar seu trabalho de inverno um pouco mais cedo?
– Minha família já terminou de se preparar para o inverno deste ano, então podemos, mas por quê? – nossos preparativos foram alterados pelas circunstâncias do trabalho do meu pai. Todos os soldados no portão precisavam de folga para se preparar para o inverno, mas nem todos podiam deixar o trabalho de uma vez, então tiravam folga em turnos. No ano passado, ele chegava bem tarde, por isso, concluímos as preparações próximos a época das nevascas, mas este ano ele conseguiu chegar mais cedo e conseguimos terminar bem antes.
– Você poderia fazer algo em torno de dez a vinte enfeites de cabelo de cores variadas em breve? O mestre da guilda se gabou tanto do enfeite de cabelo de sua neta que muitas pessoas perguntaram sobre eles. E não posso recusar o pedido de algumas dessas pessoas.
– Isso não arruinará a sensação especial de Freida ser a única com um enfeite de cabelo de flores durante a cerimônia de batismo de inverno? – eu não sabia se era inteligente arruinar o motivo que tínhamos para cobrar demais deles, e a julgar pelos olhos inconstantes de Benno, ele também não sabia.
– … Seu enfeite de cabelo será o único feito para combinar com sua roupa. Os comprados na loja são completamente diferentes.
– Nesse caso, acho que cobrarei mais deles, dada a mudança de prazo. – Sorri enquanto pedia uma comissão mais alta, deixando Benno sem palavras. – Quando você tiver a chance de ganhar dinheiro, pegue e lucre o máximo que puder, certo? Estou aprendendo com o seu exemplo para um dia ser uma boa mercadora. – Eu ri para mim mesma e Benno franziu a testa amargamente.
– Dez cobres médios por enfeite. Você não pode reclamar do dobro do salário, certo?
– Assim não vai dar. Escolha onze ou treze cobres médios. Dividir o dinheiro não era um problema, considerando o trabalho diferente que Lutz e eu fazíamos. – Já havíamos dito às nossas famílias serem dois cobres para a parte da flor e um para a parte do alfinete. Lutz e eu dividiríamos a diferença, porém, se sobrasse um número ímpar de cobres, seria uma verdadeira dor de cabeça.
– Certo. Onze cobres médios. Sua comerciante suja.
– Estou positivamente encantada por receber elogios tão generosos de alguém de sua estima.
– … Sério, onde você está aprendendo todas essas palavras? – disse Benno, parecendo exasperado e divertido.
Dei de ombros.
– Oh, eu poderia ter o pagamento de um dos enfeites de cabelo agora? Posso tirá-lo de minhas economias, mas prefiro receber antecipadamente.
– Isso não será um problema, mas por quê?
– Preciso lançar um incentivo a minha família para fazê-los trabalhar rápido. – Precisarei da ajuda de mamãe e Tuuli para terminar dez enfeites de cabelo antes que a neve caísse e, se quisesse ajuda delas, precisava motivá-las. Minha mãe, em particular, fez trabalhos manuais de inverno durante a maior parte de sua vida, portanto, sabia muito bem o quão ridiculamente alto era o pagamento desses enfeites de cabelo. O que significava que ela provavelmente desconfiaria de eu ser enganada ou não, que nós os faríamos e depois não seríamos pagos. Se eu pudesse mostrar-lhe que estava sendo paga por cada enfeite de cabelo, sua motivação e confiança disparariam ao mesmo tempo.
De repente, uma batida veio na porta.
– Voltamos, senhor. A lenha encomendada chegará hoje, antes do fechamento da loja. Nós a levaremos para o seu armazém até amanhã, Myne.
– Muito obrigada.
– Adeus e tome cuidado com o frio.
Mark me levou para fora e vi Lutz com sua cesta quase vazia. Eles haviam deixado a madeira de trombe no nosso armazém, quando foram à serraria. Isso explicava por que eles decidiram não me levar.
Nós dois caminhamos lentamente para casa entre os prédios, o céu escurecendo mais rápido que o normal, graças à estação. Eu realmente queria correr para casa, já que estava tão frio, mas se eu me movesse assim, definitivamente entraria em colapso com febre em pouco tempo.
Caminhamos para casa, no caminho, conversei com Lutz sobre o trabalho de inverno que precisava ser feito mais cedo. Eu disse a ele que Benno prometeu pagar imediatamente e que poderíamos começar a trabalhar assim que eu conseguisse a ajuda da minha família.
Lutz assentiu, depois baixou as sobrancelhas parecendo preocupado.
– Posso fazer todos os alfinetes sozinho, sem a ajuda da minha família. Estou mais preocupado com a madeira de trombe.
– A madeira de trombe? Por quê? – inclinei a cabeça em confusão.
Lutz olhou para baixo e soltou um suspiro pesado.
– … Ei, Myne. Você acha que vai para a floresta ajudar, agora que sua família disse para você parar? Terei que fazer tudo sozinho, não é?
– Eu estava planejando trabalhar no armazém desta vez, para que possamos fazer isso juntos. No entanto, não tenho certeza do que minha família dirá sobre eu sair por um sino inteiro. – Não achei que seria muito difícil sair se eu lhes dissesse que ia à loja de Benno e que não sairia da cidade. Mas quanto mais tempo eu ficasse fora, mais provável era que eu pegasse um resfriado e ficasse com febre, o que era um problema.
– O armazém…? Não precisamos do rio? – Lutz arregalou os olhos, surpreso. Mas estava claro como o dia que Lutz não conseguiria levar todos os utensílios para a floresta.
– Antes, era mais eficiente trabalhar na floresta, pois tínhamos que pegar nossos materiais e lenha lá, mas agora temos tudo no armazém. Não há razão para trabalhar na floresta. E carregar tudo para lá seria muito difícil de qualquer maneira.
– Ah, certo. Eu teria que carregar tudo. – Lutz estava tão preocupado em trabalhar sozinho que se esqueceu de pensar em tudo que precisaria carregar.
– Não teremos o rio para mergulhar a madeira de trombe cozida no vapor, mas tudo isso era apenas para facilitar o descascamento da madeira, expondo-a à água fria depois de cozida no vapor. Agora com a água do poço, ficará tudo bem. Teremos que tirar água fresca do poço várias vezes para evitar que aqueça, mas isso é melhor que ir à floresta, certo?
Apesar de tudo o que eu disse, a expressão de Lutz ainda estava sombria de preocupação.
– Sim, será mais fácil. Mas, e depois disso? Apenas armazenaremos o resto?
– Eu gostaria de armazená-lo após descascá-lo até a casca branca, certo?
– Eu gostaria de armazená-lo depois de descascá-lo até a casca branca, mas não é como se a casca negra não pudesse ser armazenada também, então tudo bem. Pode ser mais irritante descascar a casca preta, mas entrar no rio nesta época do ano seria suicídio, então nem vamos pensar nisso.
Desaparecidas todas as suas precauções, a expressão de Lutz se iluminou novamente. “Uau. Que alívio” disse a si mesmo repetidamente, andando um pouco mais rápido que antes.
… Pedirei ajuda à mamãe e a Tuuli assim que chegar em casa, então vou trabalhar no vapor da lenha amanhã. Andei pensando nos meus planos para amanhã, mas meus pensamentos começaram a vagar, talvez porque eu estivesse com fome. Temos um vaporizador, então eu meio que quero comer uma batata-doce quente com manteiga derretida… Eu não sei se há verdadeiras batatas-doces neste mundo, mas há coisas parecidas com batatas. Se eu trouxer batatas amanhã e Lutz trouxer manteiga, acho que podemos comer batatas com manteiga amanhã, certo? Isso soa bem. Tanto meu corpo quanto meu coração, concordam. Ok, faremos isso.
Chegamos ao poço perto de nossas casas em pouco tempo, enquanto eu adormecia em doces fantasias. Lutz parou e se virou.
– Myne, eu vou buscá-la depois que a madeira for entregue e eu pegar a chave. Apenas espere até eu aparecer.
– Ok. Não se esqueça de levar manteiga amanhã, tá? – dei-lhe um grande aceno de despedida e corri para o meu prédio.
Enquanto eu subia as escadas, pude ouvir Lutz gritando em choque do lado de fora das janelas.
– Huh? O quê? Manteiga? Por que manteiga? Para quê?
Espere, não contei a ele sobre isso? Opa, opa.
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