Ascendance of a BookwormCAPÍTULO 51 - 50
Capítulo 51Ascendance of a Bookworm – Capítulo 50
Myne desmaia
Bati à porta de Lutz.
– Oi, Sra. Karla. O Lutz está aí?
Como Lutz disse que a família não o ajudaria, resolvi visitá-lo e ajudá-lo um pouco.
– Myne, olá Myne. Lutz! Myne está aqui! – antes que Lutz pudesse reagir ao chamado da mãe, seus irmãos mais velhos já estavam amontoados em volta da porta, os olhos brilhando ansiosos.
– E aí? Tem uma receita nova?
– Vamos ajudá-la. Qual é o primeiro passo?
Desculpe decepcioná-los. Eu estava apenas visitando para convencê-los a ajudar Lutz com seu trabalho de inverno.
– Não estou aqui para cozinhar. Estou apenas trazendo o pagamento de Lutz.
– Pagamento?
– Ué. Lutz está me ajudando com meu trabalho de inverno e este é o salário dele. – atravessei a parede de irmãos e fiquei na frente de Lutz. Eu então passei lentamente um cobre médio após o outro na palma da mão. À vista de seus irmãos.
– Você fez cinco alfinetes, então você tem cinco cobres médios. Um, dois, três, quatro e cinco. Certo? – Percebi que seus irmãos estavam todos com os olhos fixos nas moedas tilintantes na mão de Lutz. Eu até ouvi um deles engolir em seco.
– Ei, Myne. Ao ajudar no seu trabalho, você está falando dos palitos de madeira pontiagudos que Lutz estava fazendo antes?
Anzol, linha e chumbada, pensei enquanto sorria para Ralph.
– Sim. Estou fazendo enfeites de cabelo e ele está fazendo a parte do alfinete para mim. Um cobre médio por alfinete.
– Ele está recebendo um cobre médio inteiro por isso? – gritou Zasha, arregalando os olhos e depois travando na palma da mão de Lutz. Sieg balançou a cabeça em descrença, então me olhou direto nos olhos.
– … Myne. Não precisa ser Lutz ajudando você, certo? Posso ajudar também? – eu podia imaginar que Sieg estava falando por todos os seus irmãos naquele momento. Eles estavam olhando para mim com uma determinação sombria.
Ainda sorrindo, eu acenei para eles.
– Claro, qualquer um pode ajudar. Mas todos eles têm que ser do mesmo tamanho e lisos o suficiente para não ficarem presos no cabelo, então coisas malfeitas não são aceitas.
No momento em que os irmãos ouviram isso, todos começaram a se gabar de suas habilidades de escultura.
– Myne, sou muito melhor em esculpir do que Lutz. Eu faço isso no trabalho todos os dias, sabe.
– Ei, eu também sou melhor que Lutz.
– E eu sou mais experiente que qualquer um de vocês, lembra?
Lutz ouviu os irmãos se gabarem com puro choque nos olhos.
– Espera, espera. Você três não disseram que nunca me ajudariam com algo tão chato quanto fazer alfinetes? Vocês não me dispensaram e me disseram para fazer isso sozinho? Na verdade, eu lembro de todos vocês chamando os alfinetes de eshugrahausidha!
Zasha tapou a boca de Lutz com a mão e o encarou.
– Você não nos disse nada sobre o pagamento.
– Você ia tentar manter tudo para si mesmo, não é?
Eu podia adivinhar que Lutz havia realmente contado a eles sobre o pagamento, mas eles o ignoraram ou pensaram que ele estava inventando. Era ruim vê-lo cercado, então fui em frente e lhe dei uma mãozinha.
– Então vocês três vão fazê-los em vez dele? Cinco cada, por favor. Não serei capaz de pagar se fizerem mais que isso, então não tentem fazer muitos. Venho buscá-los em três dias. É tempo suficiente? Sei que todos vocês têm seus trabalhos, então…
Os irmãos de Lutz o largaram imediatamente e abriram sorrisos brilhantes pela minha proposta. Eles bateram no peito e disseram que não haveria problema.
– Sim, deixe isso conosco. Não vai demorar nem três dias.
– Sim, vamos terminar em pouco tempo.
– A qualidade é mais importante que a velocidade. – Eu disse – não poderei usar os mal feitos, então eles serão jogados fora. Ah, e também perguntem ao Lutz qual madeira usar e qual o tamanho a fazer. Tchau tchau! Vejo vocês em três dias.
Dei um soco na direção de Lutz, desejando-lhe boa sorte em silêncio. Tudo estava pronto para ele agora, seus irmãos estavam prontos e dispostos para fazer seu trabalho. Eu tinha feito tudo o que podia, cabia a ele acompanhar e garantir que tudo corresse bem. Boa sorte, Lutz. Pense como um comerciante.
Três dias se passaram depois que os irmãos mais velhos de Lutz prometeram fazer os alfinetes para os enfeites de cabelo. Passei esses três dias em casa, costurando pequenas flores. O calor da consumação dentro de mim, estava ficando mais ativo, se mexendo dentro do meu corpo e me fazendo sentir mal o suficiente para eu realmente não querer sair. Eu ficava com febre no meio da noite e exausta até de manhã, deixando-me sem vontade de me mexer. Para ser honesta, eu estava com medo constante de ser atacada pelo calor da consumação e desmaiar a qualquer momento. Em meio a tudo isso, terminei dois enfeites enquanto estava presa em casa. Por fim, fiz apenas três dos vinte que Benno queria, a mamãe e Tuuli fizeram o resto. A diferença da nossa velocidade era impressionante. As duas, em algum momento, começaram a competir pela velocidade, enquanto crochetavam as flores. Tuuli acelerou e, no terceiro dia, elas haviam costurado doze conjuntos juntas. Elas estavam agora no meio de terminar os dois últimos.
– Mãe, Tuuli, vou passar um tempo na casa do Lutz. Eles fizeram as partes dos alfinetes para nossos enfeites de cabelo, então preciso pagá-los também.
– Certo, se cuide. – As duas responderam em uníssono, ambas tão focadas em costurar flores que nem olharam para cima.
Coloquei quinze cobres médios em uma bolsa e saí de casa. Desci as escadas, saí do prédio, atravessei a praça perto do poço e comecei a subir as escadas do prédio quase em frente ao meu.
Lutz morava no sexto andar, mas estavam alugando dois andares, então a casa dele era maior que a minha. Havia uma tonelada de escadas lá dentro. Mas eram largas o suficiente para que, mesmo com quatro meninos, não parecesse apertado. Embora, de acordo com Lutz, houvesse muitas ferramentas espalhadas por aí, e eles alugavam o espaço extra, especificamente para fazer oficinas improvisadas em casa, logo, não havia muito espaço para morar.
Bati na porta e disse meu nome. Logo a porta se abriu e Karla colocou a cabeça para fora.
– Oi, Sra. Karla. Estou aqui para comprar os alfinetes, os irmãos mais velhos do Lutz estão aqui?
– Pode apostar, eles estão esperando por você desde de manhã. – disse Karla com um sorriso, antes de seu rosto ficar um pouco nublado e ela baixar a voz. – … agora, Myne. Lutz está realmente tentando se tornar um comerciante? Ele está sendo tão teimoso com isso que todo mundo está tenso em casa. Mas não importa o que aconteça, ele não vai desistir disso. O que é ridículo, não vale a pena brigar com sua família por causa de um sonho bobo. Você não acha?
Eu ouvi de Lutz que sua relação com a família não era boa, mas era ainda pior do que eu esperava. Eu estava preocupada com ele, mas ele provavelmente não cederia à pressão. Ele havia resolvido se tornar um comerciante, mesmo que isso significasse se tornar um aprendiz residente.
– Eu não sei o que dizer a você, Sra. Karla. O futuro de Lutz depende dele. – uma pessoa de fora como eu, me intrometendo nos problemas da família, só pioraria as coisas, então eu apenas dei de ombros. A boca de Karla curvou-se em uma carranca, sinalizando que ela esperava um acordo imediato de mim.
– Graças aos deuses. As filhas sempre ouvem os pais, mas os meninos são meninos. Estou ficando realmente cansada disso.
– E você tem quatro meninos também. Isso deve ser difícil.
Guardei para mim mesma que também não tinha intenção de viver minha vida de acordo com os desejos de meus pais. Enquanto Karla continuasse reclamando, seus filhos ficariam escondidos dentro de casa para evitar se envolver em ouvi-la como provavelmente já faziam o tempo todo.
Se eu quisesse entrar, teria que sorrir e acenar com a cabeça até que ela ficasse satisfeita. Ao contrário da minha mãe, que ficava muito bem passando horas conversando com outras mães perto do poço nevado, eu não tinha interesse em ficar na porta fria conversando.
– Eu me pergunto se há alguma maneira de fazer meus meninos perceberem o quanto eu luto por isso. Não faz muito tempo, eu estava…
Ooh não. Sinto que ela vai continuar por um tempo. Assim que comecei a pensar em sair e voltar mais tarde, Lutz gritou de dentro.
– Ei mãe. Myne veio comprar os alfinetes, não é? Estamos com um pouco de pressa porque a neve está prestes a cair. Além disso, ela fica doente facilmente. Deixe-a entrar já.
– Ah, bem lembrado. Entre.
– Obrigado.
Lutz e eu trocamos olhares que diziam “te devo minha vida” e “desculpe, minha mãe gosta muito de falar”, antes de dar de ombros.
Atravessei a porta e entrei com sucesso na casa de Lutz. Como esperado, estava mais quente que do lado de fora.
– Lutz, seus irmãos mais velhos terminaram? Você praticou sua matemática?
– Sim.
–… Myne, você está ensinando matemática ao Lutz? – disse Karla em um tom agudo, tendo escutado por trás.
Ignorei o claro desagrado em sua voz e sorri.
– Sim. Estou fazendo um trabalho de matemática para ajudar no portão, então…
– Certo, você ajuda no trabalho do seu pai. Claro que gostaria que Lutz ajudasse seu pai também.
As mulheres deste mundo geralmente ajudavam no trabalho de seus pais, casavam-se com um homem apresentado a elas por seus pais e depois ajudavam seus maridos no trabalho. Se esta fosse uma cidade agrícola, elas ajudariam no trabalho agrícola, casariam com um fazendeiro e depois se tornaria uma fazendeira. Em outras palavras, como filha de um soldado, esperava-se que no futuro eu trabalhasse em um pequeno emprego, apoiando principalmente meu marido soldado. Os soldados tinham horários de trabalho tão instáveis que ser casada com um, era bem difícil, e ter um parente servindo como soldado, era um grande qualificador para se tornar a esposa de um soldado.
Karla provavelmente me imaginou trabalhando no portão com meu pai, achando que eu estava me preparando para meu futuro de várias maneiras. Infelizmente para ela, eu estava correndo atrás de um emprego como aprendiz de comerciante e não tinha absolutamente nenhuma intenção de me tornar a esposa de um soldado.
Lá dentro, vi os irmãos de Lutz segurando seus alfinetes e esperando ansiosos. Andei até eles e imediatamente todos eles empurraram seus alfinetes esculpidos em minha direção.
– Olha Myne. Tudo feito.
– Não foi nada para nós.
– Tenho certeza de que todos são perfeitos.
– Uau, uau, uau! Alinhem-se! Mais velhos primeiro!
Ter todos os alfinetes afiados apontados em direção aos meus olhos era honestamente assustador. Acenei com as mãos na frente do meu rosto para evitá-los. Os três rapidamente se alinharam por ordem de idade e eu os paguei enquanto verificava cada alfinete individualmente. Nenhum deles tinha ficado ruim. Eu reflexivamente sorri ao ver os alfinetes lisos e bem esculpidos.
– Sim, esses alfinetes são todos melhores que os que Lutz fez. Eu não esperava nada menos dos profissionais. Minha irmã e minha mãe são melhores que eu crochetando também. O que me leva ao meu ponto principal. Vocês três querem fazer esses mesmos alfinetes como seu trabalho manual de inverno? Vai demorar até a primavera antes que eu possa pagar, mas eles valerão a mesma quantia.
– Sim, deixe conosco. – Os três concordaram com largos sorrisos. Agora, Lutz podia se concentrar inteiramente em seus estudos.
– Lutz, você fez as contas? Quanto foi?
– Seis mil leões, ou seis grandes cobres. Certo…?
Os irmãos mais velhos de Lutz fizeram quinze alfinetes. Cada um tinha uma taxa de manuseio de quatro cobres médios, que totalizavam seis cobres grandes. A taxa de manuseio por si só valia muito.
– Ah, isso mesmo! Continue estudando matemática assim e você ficará bem. Vou levar esses alfinetes para casa e terminar os enfeites de cabelo para que possamos ir à loja amanhã, ok?
– Parece bom.
Quando cheguei em casa com os alfinetes, mamãe e Tuuli tinham terminado seus últimos conjuntos de flores. Costurei as flores nos alfinetes e eles foram terminados de verdade.
– Vou levá-los para a loja amanhã e ser paga pelo resto. Vocês duas foram tão rápidas que não consegui acompanhar com o dinheiro que ele me deu.
Quando Benno me fez seu pedido, pensei que faríamos dez no máximo, mas aqui estávamos com vinte deles. Eu não esperava que mamãe acelerasse tanto após ver o dinheiro, e não esperava que Tuuli fosse tão rápida após se acostumar a fazê-los.
– Hehe, eu fiquei bem rápida, hein?
– Você foi incrível, Tuuli. Faremos muitos trabalhos manuais de inverno este ano.
– Hmmm, darei o meu melhor e farei muitos deles!
Eu só podia aplaudir quando Tuuli deu outro passo firme em sua jornada para ser uma beldade da costura. Seu caminho era algo que eu não podia seguir, mas podia respeitar.
No dia seguinte, levei os enfeites de cabelo prontos para à loja de Benno, com Lutz. Caminhamos pela estrada de pedra e Lutz quebrou o silêncio.
– Ei, Myne. Você sabe de mais alguma coisa que possamos vender?
– Lutz?
– Benno me disse que curar a consumação custa muito dinheiro. Estou pensando que o washi venderá muito quando a primavera chegar, mas talvez ter mais coisas para vender seja inteligente. Se você puder pensar em alguma coisa, eu definitivamente farei, não importa o quê.
Eu poderia dizer que ele estava sinceramente preocupado comigo, então decidi tentar pensar em novos produtos para vender na esperança de curar minha consumação.
– Mmm. De tudo o que vendemos até agora, os produtos de luxo para ricos são os que valem mais.
As pessoas ricas podem, naturalmente, gastar mais dinheiro em bens domésticos que as pessoas pobres. Os enfeites de cabelo, por exemplo, aumentaram significativamente de valor, quanto mais bem desenhados e feitos com fios mais caros. O papel também era mais valioso quando feito com madeira de trombe. O que significava que a melhor maneira de ganhar muito dinheiro seria fazer produtos que as classes mais ricas quisessem.
– Mas não tenho certeza do que as pessoas ricas aqui querem.
– Limxam, enfeites de cabelo e até papel eram coisas extremamente comuns na minha vida antiga.
– O mundo de onde você veio deve ter sido um lugar selvagem.
Lutz sabia que eu era de outro mundo e parecia mais interessado que assustado com minhas memórias passadas, então, quando éramos só nós, eu não saía do meu caminho para não falar sobre o Japão. Eu estava tão nostálgica de casa que só falava coisas positivas sobre lá, então a impressão de Lutz sobre o Japão era tendenciosa a ser uma espécie de paraíso. E para ser justa, era um paraíso para mim, já que estava cheio de bibliotecas e livros. Eu ainda gostaria de voltar lá se tivesse a chance.
– Talvez eu pudesse usar (lojas de um dólar) como inspiração e fazer versões melhoradas de necessidades diárias? Como fazer sabonetes melhores ou velas mais sofisticadas? As velas que fiz no ano passado eram muito boas, considerando todas as coisas.
– Velas de ervas? – Lutz franziu as sobrancelhas em confusão.
– As velas que estávamos fazendo no ano passado para o inverno cheiravam mal, então coloquei algumas ervas nelas para equilibrar. Isso fez algumas velas cheirarem bem e algumas delas cheirarem ainda pior. Minha mãe me proibiu de fazer isso novamente este ano graças a isso.
Enquanto estava presa na cama, me ofereci para ajudar com as velas, e ela apenas disse não imediatamente, como me proibindo de sair da cama. Ela estava definitivamente mais preocupada com as velas que com minha saúde.
– Você com certeza está fazendo um monte de coisas que eu não sei, hein?
– Hmm… Você não pode evitar um pouco de tentativa e erro às vezes. De qualquer forma, as pessoas gostam das rendas e cestas que fiz, então talvez eu devesse usar mais alguns truques que aprendi fazendo (artes e ofícios) … hmm, eu não posso fazer (bijuterias de miçangas) sem (contas), arte feita sem papel prensado provavelmente não venderia, e eu não posso fazer (pinturas de frutas) sem tinta, entãoooo…
– Sim, eu não entendo uma palavra que você está dizendo. Você pensou em alguma coisa ou o quê?
Para dar seguimento a qualquer uma das minhas ideias, eu precisaria começar fazendo ferramentas, assim como fiz com o papel. O pensamento disso por si só matou minha motivação. Eu simplesmente não conseguia me importar com coisas que não tinham um impacto positivo direto na minha vida.
– Hum, Lutz. Acabei de perceber algo muito ruim. O maior problema em novos produtos para vender é que não posso ficar entusiasmada com a criação de ferramentas para coisas que não são importantes para mim pessoalmente.
– Acalme-se! Você quer morrer? Estamos falando da sua vida aqui! – rugiu Lutz.
– Não se preocupe, ainda posso ficar empolgada com coisas que são importantes para mim, então que tal vendermos livros em seguida?
– Segura aí! Você é quem disse que os livros não vendem, já que ninguém além de você se importa muito com eles! Pense em coisas que vão vender! – disse Lutz, ficando tão agitado que lágrimas se formaram em seus olhos.
Dei um tapinha em seus ombros.
– Lutz, você está ficando muito irritado. Acalme-se.
– Você é quem está me irritando, Myne!
– Isso é verdade. Desculpe, desculpe. – Eu disse, consolando meu amigo, quando de repente alguém apertou as mãos em volta da minha cabeça por trás. – Haah?
– O que vocês dois pensam que estão fazendo? Um show de comédia? Vocês querem que as pessoas riam de vocês, hein?
Voltei a realidade após ouvir a voz familiar de Benno e olhei em volta, vendo que de fato as pessoas estavam olhando para nós e rindo. Corando de vergonha, olhei para Benno antes de desabafar minha frustração.
– E por que você está aqui, Sr. Benno?
– Estou voltando após verificar minhas oficinas. E vocês dois?
– Estávamos levando os enfeites de cabelo para você.
– Tudo bem. Vamos então. – Benno, impaciente como estava, me levantou e começou a andar rapidamente. Pude ver por cima do ombro de Benno que Lutz estava correndo para alcançá-lo. Ele não me colocou no chão assim que entramos na loja. Ele me carregou até seu escritório antes de me colocar na mesa de sempre. Subi na cadeira para me sentar e tirei os enfeites de cabelo da minha cesta, alinhando-os na mesa um por um.
– Estes mais os anteriores somam vinte grampos de cabelo. Por favor, verifique para ter certeza.
– … Tudo bem, isso é o que eu preciso. Meus clientes estão com muita pressa já que o dia da cerimônia de batismo da terra está próximo.
Ninguém da minha família está participando dessa cerimônia de batismo, então deixei a maior parte entrar por um ouvido e sair pelo outro, mas percebi que ele havia dito uma palavra que eu não conhecia.
– Hum, Lutz. O que é o Dia da Terra? Nunca ouvi falar disso antes.
– Huh? Como assim o que significa “o dia da Terra” … ? O dia da terra é o dia da terra. Certo? – Lutz olhou para Benno impotente, incapaz de explicar sozinho.
Benno suspirou e explicou para mim.
– Dia da água, dos brotos, do fogo, das folhas, do vento, das frutas e da terra eles se alternam em um ciclo, sim? – Hum… você está agindo como se eu soubesse disso, mas eu não sei. Nunca ouvi nenhum desses termos antes. Acho que posso pensar neles como os dias da semana.
– Na primavera, a neve derrete na água que dá vida as plantas que brotam. No verão, o sol queima como fogo e nas plantas crescem folhas. No outono, o vento frio esfria as frutas à medida que crescem. No inverno, a vida em nossa terra dorme. É por isso que o Dia da Terra é considerado um dia de descanso e as lojas estão fechadas nele.
Em outras palavras, o Dia da Terra é o equivalente deste planeta ao domingo. Imaginei que tal dia existisse, já que mamãe regularmente tinha um dia de folga a cada semana. Mas nossa casa não tinha calendário e ninguém nunca dizia os dias da semana, então nunca tive a oportunidade de aprendê-los. … ok, os dias da semana têm nomes. Isso é um alívio.
Segundo Benno, a cerimônia foi realizada no primeiro “dia sazonal” após o início de uma temporada. O dia sazonal da primavera era o dia da água, no verão era o dia do fogo e no inverno era o Dia da Terra.
Lutz assentiu várias vezes, impressionado.
– Uau, então era isso que os nomes significavam. Eu sabia os nomes, mas não sabia de tudo isso.
Este mundo não tinha nada como um dia de lixo semanal, então tudo que eu tenho que lembrar era que os trabalhadores têm um dia de folga a cada semana. Consegui passar tanto tempo sem aprender tudo isso, pois nunca foi diretamente relevante para mim. Ao fazer planos com adultos que sempre falavam em termos relativos por conveniência, me fez questionar se os nomes dos dias eram de uso comum. A maneira como Benno expressou as coisas, fez parecer que elas tinham algo a ver com a religião aqui. Se eu fosse aprender mais no meu batismo de qualquer maneira, não precisava forçar o assunto.
– Ok, eu entendo agora. Vamos voltar aos negócios.
– Sim, você não costuma dizer os nomes, então com certeza.
Vendi os enfeites de cabelo para Benno e coloquei os cobres médios com os quais pagaria a Tuuli e mamãe na bolsa, que depois coloquei na minha sacola. Todo o resto, enviei para minhas economias, batendo meu cartão de guilda contra o de Benno.
– Obrigado novamente. – Feito isso, fui em frente e comecei a sair para não atrapalhar o trabalho de Benno, mas antes que pudesse ele agarrou meu braço com firmeza.
– Você pensou em algum produto novo? Eu ouvi vocês dois falando sobre isso na estrada.
Eu não sabia quando ele começou a nos espionar, mas eu podia dizer pela antecipação em seus olhos que ele havia empurrado Lutz nessa direção durante a pequena conversa. Bem, eu não posso ficar brava com isso. É verdade que preciso de dinheiro.
Nos últimos dias, o calor da consumação dentro de mim, estava ficando mais ativo com muita frequência, que apenas contê-lo consumia a maior parte do meu tempo e energia. Para ser honesta, nesse ritmo, era difícil imaginar que meu corpo duraria o suficiente para eu economizar dinheiro. Nada bom viria de mim, expressando meu pessimismo, no entanto, eu apenas dei de ombros e segui com o subterfúgio de Benno.
– O que você acha que venderia bem, Sr. Benno? Acho que, para obter o maior lucro, devemos atrair as classes mais ricas com itens incomuns ou espremê-las com produtos perecíveis caros.
– Você não está tão errada. – Benno assentiu com um sorriso.
– Um produto vendido por sua raridade perderá valor quando todos tiverem um, mas produtos perecíveis precisam ser comprados constantemente e continuarão dando dinheiro para sempre. Pensando nisso, Limxam, com certeza, vai dar muito dinheiro, não vai?
– Heh, provavelmente. – Benno tinha direitos completos sobre Limxam, então ele continuou sorrindo com confiança. Ele havia terminado de fazer o Limxam de alta qualidade e estava prestes a começar a vendê-lo. Eu podia imaginar que algo assim daria muito dinheiro por muito tempo.
– A maioria das coisas em que consigo pensar são produtos de beleza. Nós, garotas, ficamos obcecadas com a beleza. – Maquiagem é cara, mas, independentemente disso, havia muitas mulheres que não hesitavam em gastar qualquer dinheiro que tinham, na esperança de parecer um pouco mais bonitas. Eu não tenho dúvidas que os nobres e os ricos, em particular, gastariam dinheiro com prazer se os produtos fossem eficazes. Benno deve ter concordado comigo, pois seus olhos brilharam e se inclinou para frente.
– Você pensou… em alguma coisa?
– Bem… pessoalmente, eu gostaria de sabonetes de alta qualidade com cheiros agradáveis. Depois, há as velas que usamos durante todo o inverno. Talvez pudéssemos incrementá-las com ervas e cores para ficarem mais chiques? Algumas das velas de ervas que experimentei no ano passado acabaram parecendo muito boas.
Listei tudo o que pude pensar, contando nos dedos, enquanto falava sobre produtos em potencial. Os olhos de Lutz também brilhavam agora.
– Ei, Myne. Você sabe fazer todas essas coisas?
– Hmm, provavelmente. Será difícil conseguir todas as ferramentas e materiais, assim como foi com o papel. E precisaremos fazer algumas tentativas e erros primeiro para resolver os problemas, mas deve ficar tudo bem.
– Tudo bem, faremos isso. – Benno apontou um dedo para mim e sorriu. Eu poderia dizer pela sua expressão que ele estava calculando o lucro em sua cabeça.
Murmurei, “não conte com os ovos na bunda da galinha” para mim mesma e esfreguei minhas têmporas.
– Caramba. Segure sua animação, Sr. Benno. Eu não posso nem sair até a primavera chegar, e honestamente… aaaahhhhh?!
… Honestamente, viverei até a primavera? Minha consumação não está ficando muito ruim? No segundo em que esses pensamentos cruzaram minha mente, o calor da consumação dentro de mim, explodiu para fora do recipiente interno em que eu o forcei.
O que está acontecendo? Isso não é normal! Parece que todo o meu corpo se tornou um pilar de fogo. O calor da consumação era tão forte que eu não conseguia contê-lo, como de costume. Enquanto eu entrava em pânico internamente, o calor rapidamente se espalhou pelo meu corpo.
– Ei! Myne! – Lutz percebendo que algo estava errado, levantou-se com uma expressão aterrorizada no rosto.
Levantei minha cabeça e me virei para ele, mas não consegui manter o controle do meu corpo. Apenas continuei tremendo e tremendo.
Meu corpo inteiro estava quente e eu sabia que, se continuasse tremendo, cairia da cadeira, mas não conseguia parar. Não consegui forçar o calor de volta.
Quando caí da cadeira, eu só sabia por que podia ver o chão vindo em minha direção.
– Cuidado, Myne!
Mesmo após bater no chão, não senti dor. A queima do calor era muito intensa para eu sentir qualquer coisa. Meus olhos ainda estavam abertos e vi dois pares de pés correndo em minha direção sobre o tapete.
– Myne, você está bem? – Lutz sacudiu meu corpo, soltando brevemente surpreso com a intensidade do calor, começou a me sacudir novamente.
Benno virou-se para a porta e gritou, não querendo perder o tempo que levaria para tocar a campainha.
– Nada bom! Mark, mande um mensageiro para o velhote!
– Vamos, Myne! Você não disse que ia fazer um livro? Você não disse que não perderia? Myne! Aguente firme…
– Mark, pegue… carruagem… para, apresse-se…
Seus gritos foram desaparecendo cada vez mais à distância.
Eventualmente, eu não conseguia mais entender o que eles estavam dizendo. E então, minha consciência vacilou.
Comentários do capítulo 51
Converse sobre este capítulo. Marque spoilers para proteger outros leitores.