Ascendance of a BookwormCAPÍTULO 74 - 73
Capítulo 74Ascendance of a Bookworm – Capítulo 73
Uma comoção silenciosa
—Uaaaaaau! Vaca sagrada! — Eu não podia ouvir suas vozes de fora, mas no segundo que entramos, os gritos estridentes das crianças ecoaram pelo templo e fizeram minha cabeça doer. Eu reflexivamente parei no lugar, mas Lutz me puxou para a frente.
—Ainda há degraus, cuidado com os pés. — Olhei para o chão e dei alguns passos. As portas se fecharam atrás de nós com rangeres pesados. Virei-me de surpresa na escuridão repentina e vi padres vestindo vestes cinzas fechando a porta.
— Ah, é mesmo. Fomos os últimos a entrar. — Um padre de vestes azuis caminhou lentamente para a frente das portas bem fechadas. Ele então ergueu um sino com uma pedra estranhamente colorida sobre ele e tocou-o. Imediatamente, as crianças ficaram em silêncio, com apenas os ecos de suas vozes ainda reverberando pelo templo.
—O que aconteceu? — Lutz também não podia falar. Ou, mais precisamente, ele não podia falar acima de um sussurro. A julgar por sua expressão e linguagem corporal, ele estava tentando falar com uma voz muito mais alta. Ele foi surpreendido por sua própria voz tranquila e segurou uma mão sobre sua garganta.
—Talvez seja uma ferramenta mágica? Aconteceu no segundo que o padre de vestes azuis tocou o sino. —Da mesma forma, minha voz só saiu em um sussurro. Mas eu estava calma, desde que vi o padre tocar a campainha e pude adivinhar o que tinha acontecido. Lutz se acalmou um pouco quando expliquei. Perceber que a mesma coisa estava acontecendo comigo, parecia ter feito sentido.
Na parte de trás da procissão, soltei um suspiro de temor e olhei para cima. O teto do templo estava alto no ar como um átrio e fileiras de pilares redondos, esculpidos com desenhos complexos, estavam alinhados um ao lado do outro. A cerca de quatro andares de altura, havia janelas altas, de onde a luz entrava. As paredes e pilares eram brancos, além do ouro usado para decorá-los, o que fazia a área parecer mais brilhante. Apenas a parede interna era colorida.
Ao contrário das igrejas cristãs que eu tinha visto em fotos e afins, não havia pinturas nas paredes ou vitrais nas janelas. Tudo era feito de pedra branca pura. Nem parecia um santuário ou templo japonês. Até onde eu sabia, também não se assemelhava à arquitetura religiosa do Sudeste Asiático.
A parede mais distante estava coberta de desenhos coloridos do chão ao teto e tinha uma aura divina, graças à luz que brilhava nela, que se assemelhava um pouco a mesquitas, mas havia uma escadaria de cerca de quarenta degraus, que levava até ela e as estátuas pontilhadas não pareciam islâmicas.
Talvez essa escada deva simbolizar uma escada para os céus e deuses? As estátuas me lembram das bonecas usadas no festival japonês do Dia das meninas.
No topo da escada havia duas estátuas, uma masculina e outra feminina. Eles pareciam um casal e, como estavam no topo da escada, eu podia adivinhar que eram o rei e a rainha dos deuses. Ambos eram estátuas brancas puras, mas o deus estava usando uma capa preta, feita com ouro cintilante espalhado como estrelas, e a deusa estava usando uma coroa dourada, com pontas longas que se assemelhavam à luz do sol em todas as direções.
… a Deusa da Luz e o Deus das Trevas, eu acho? Ou talvez a Deusa da Luz do Sol e o Deus da Noite? De qualquer forma, a coroa e a capa os fazem se destacar das outras estátuas.
Uma série de degraus abaixo era uma estátua de uma mulher pacífica e rechonchuda com os braços enrolados em torno de um graal amarelo reluzente. Abaixo dela, havia uma mulher segurando um cajado, um homem segurando uma lança, uma mulher segurando um escudo e um homem segurando uma espada toda alinhada. Foi estranho. Todas as estátuas eram brancas puras, exceto o objeto colorido que estavam segurando. Eu podia imaginar haver algum significado mais profundo, descansando dentro de quais estátuas estavam segurando quais objetos.
Talvez sejam o Santo Graal, a espada sagrada e assim por diante?
Mais passos abaixo tinham estátuas cercadas por flores, frutas, roupas e outros itens que poderiam ser oferendas. Quanto mais eu olhava, mais eu pensava no Dia das Meninas.
–Myne, não sonhe acordada, temos que continuar andando.
—Bwuh? Oh, desculpe. – Lutz me puxou para frente e acelerei meu ritmo para acompanhar a procissão.
O centro da sala estava vazio, permitindo que a procissão avançasse sem obstáculos. De cada lado de nós, havia tapetes vermelhos grossos, com cerca de um metro de espaço entre eles. Havia várias mesas alinhadas na parede interna e vários sacerdotes usando vestes azuis estavam de pé ao lado deles, realizando algum tipo de ritual. Uma vez que o ritual fosse concluído, a criança seria guiada por um padre vestido de cinza para a esquerda ou para a direita. Eu podia vê-los tirando os sapatos e sentados no tapete.
A procissão avançou lentamente e, eventualmente, Lutz pôde ver qual era o ritual. Ele soltou um “geh” silencioso, após olhar para frente.
–O que há de errado, Lutz? Você viu o que eles estão fazendo? – Perguntei, mas os olhos de Lutz vacilaram e era óbvio que ele não queria dizer nada. Eventualmente, ele suspirou e olhou para mim.
–Eles estão fazendo as coisas de selo de sangue que você odeia. Deve ser uma ferramenta mágica que estão usando. Todo mundo está pressionando o sangue sobre ele.
Eu queria fingir que não tinha ouvido nada, e meio que queria me virar e fugir, mas Lutz segurou minha mão com força e não me deixou sair.
–Desista. Parece que estão nos registrando ou algo assim. Isso pode ter algo a ver com aquela coisa de cidadania.
–Guuuh… Você está certo. Também acho que é isso o que está acontecendo. – Otto e Benno vinham dizendo que após o nosso batismo, seríamos reconhecidos como cidadãos da cidade e teríamos nossa cidadania. Isso significava que, quer eu gostasse ou não, eu precisava terminar a cerimônia se eu quisesse minha cidadania.
–…Por que as ferramentas mágicas gostam tanto de sangue?
–Quem sabe. – Sempre que chegava a hora de lidar com coisas mágicas, eu tinha que cortar meu dedo e tocar algo com sangue. Mas a dor não era algo que eu me acostumaria tão facilmente.
Esperei minha vez, enquanto tremia de medo e, eventualmente, vi um padre de túnica azul de aparência encurtada, pegar a coisa que parecia uma agulha, enfiá-la no dedo de uma criança e pressionar o dedo firmemente contra uma medalha branca e plana. O garoto abriu a boca como se fosse gritar, mas nada saiu. Ele então foi guiado para se sentar em outro lugar, enquanto tremia e segurava o dedo com dor.
–Okay, próximo, venha aqui. – A multidão diminuiu e um dos sacerdotes que supervisionava uma mesa, agora vazia, me chamou. Lutz me empurrou por trás e tropecei em meu caminho em direção a ele.
O sacerdote de vestes azuis estreitou os olhos um pouco desconfiado e, após olhar para mim, estendeu a mão.
–Abra e estenda a mão. Tirarei um pouco de sangue, mas não vai doer muito. – Ele disse que não iria doer, mas ninguém que já disse isso estava dizendo a verdade. Ele me cutucou com a agulha e uma dor aguda, semelhante a tocar uma panela em chamas, foi disparada pelo meu dedo, antes que o sangue vermelho começasse a escorrer. Eu podia sentir o sangue percorrendo meu rosto, enquanto olhava para o meu dedo machucado.
–Por favor, pressione o dedo contra isso. – O padre não forçou agressivamente meu dedo contra a medalha, como o outro que eu tinha visto. Ele foi mais gentil e me entregou a pequena medalha. Eu só tinha que ter um pouco de sangue, e meu dedo não doía tanto quanto eu esperava, o que era um alívio.
Fico feliz que ele não foi mal ou áspero, mas meu dedo ainda está doendo um pouco. Ocorreu-me que a ferramenta mágica indutora de silêncio, provavelmente, existia não para silenciar conversa fiada, mas para abafar os sons das crianças gritando de dor.
—Vocês dois são os últimos. Por favor, sigam-me.– Um jovem padre de roupas cinzentas, que provavelmente acabara de chegar à idade adulta, chamou Lutz e eu, então fomos para o tapete. Ele explicou que precisávamos tirar os sapatos antes de subir nele, então o fizemos.
Muitas crianças estavam sentadas com as pernas jogadas para fora, mas eu estava sentada de pernas cruzadas. O templo estava aberto como um ginásio escolar e com tantas outras crianças da minha idade ao redor, de alguma forma, senti que as pernas cruzadas eram a maneira certa de se sentar aqui.
Em pouco tempo, os padres azuis deixaram as mesas, tendo terminado de registrar todos nós. Eles colocaram as medalhas em uma caixa, que levaram para fora da sala. Os sacerdotes cinzentos começaram a preparar o próximo passo. Eles levaram as mesas e em seu lugar estabeleceram um pódio extravagante.
Os sacerdotes azuis voltaram e se alinharam de cada lado do pódio. Os sacerdotes cinzentos, tendo aparentemente terminado seus preparativos, alinharam-se pelas paredes ao nosso redor. Parecia serem professores nos observando, para garantir que ficássemos quietos durante a palestra.
—O arcebispo está entrando, — entoou um sacerdote azul, enquanto acenava com uma vara no ar. O som de vários sinos tocando encheu o ar e uma porta ao lado se abriu. Dela, veio um homem mais velho vestindo um grande manto branco, decorado com uma faixa dourada e bordado azul. Eu poderia dizer que ele era o Arcebispo. Ele deliberadamente caminhou até o pódio e gentilmente colocou o que estava segurando nele.
Espere, isso é um livro? Esfreguei os olhos e os forcei, para ter certeza. Assim que o vi começar a folhear as páginas lentamente, tive certeza. Definitivamente era um livro. Talvez fosse a Bíblia desta religião ou alguma outra escritura sagrada.
—Lutz, um livro! Eles têm um livro! — Coloquei minha mão no ombro de Lutz, enquanto ele se remexia e apontava animadamente para o pódio. Ele se inclinou um pouco para a frente para obter uma visão mais clara.
—Onde? Que tipo de livro é esse?
—Está bem ali, o Arcebispo está virando as páginas. Viu?!— Estava encadernado em couro e os cantos sensíveis estavam encadernados em fechos de metal para proteção. Também pude ver uma pedra preciosa enterrada na capa.
—Isso é um livro? Parece super caro. Nada como os que você faz.
—Meus livros são práticos, não os compare a livros que são basicamente uma obra de arte. É como comparar a espada que a estátua tem com sua faca.
— Hum, tudo bem. Acho que você está surpresa ao ver livros aqui?
—…Na verdade, acho que não. Agora que penso nisso, faz todo o sentido que os livros estejam aqui. — Eu era uma japonesa padrão, sem muito interesse em religiões, então eu realmente não tinha visitado nenhum templo na minha época, mas eu sabia que as instituições religiosas tendiam a ter bíblias, escrituras sagradas, sutras e registros escritos dos ensinamentos da religião. Eles tinham livros. Eu não tinha que forçar meu corpo fraco a seus limites para fazer livros no meio da pobreza esmagadora. Os livros já existiam.
Assim como a Guilda dos Mercadores estava na vanguarda da informação, a Igreja estava na vanguarda da teologia, matemática, música, escultura — toda ciência e arte que aproximava a humanidade do divino. A Igreja Cristã também tinha sido, historicamente, a vanguarda do avanço acadêmico. E no Japão, homens de cultura e sabedoria se reuniam em santuários e templos, para impulsionar o conhecimento.
—Gaaaaah! Eu deveria ter vindo ao templo mais cedo. Por que não pensei nisso antes? Eu sou tão burra. Poderia ter lido livros sem tanta luta! — Provavelmente foi uma coisa boa que meus gritos foram mantidos em silêncio. Gritei por dentro e Lutz encolheu os ombros, exasperado.
—Quero dizer, parece que você esqueceu disso, mas as crianças não podem entrar no templo antes da cerimônia de batismo. Mesmo se você descobrisse isso antes, os guardas teriam te rejeitado. — Ele tinha um bom argumento. Somente as crianças que terminaram o batismo, poderiam entrar no templo.
—Mas você sabe, acho que é o destino que me permitiu encontrar um livro durante a minha cerimônia de batismo, na primeira vez que vim no templo.
—Todas as crianças vão ao templo quando atingem os sete anos de idade, o destino não tem nada a ver com isso.
—Nossa, Lutz. Pare de ser um estraga prazeres.
—Entendo que você está animada por ver um livro, então se acalme. Não quero que desmaie aqui. — Lutz tentou me acalmar antes que eu ficasse muito animada. Mas, como eu poderia me acalmar agora?
—Não não. Há um livro tão perto de mim, de jeito nenhum posso me acalmar. Isso é impossível.
—Impossível ou não, acalme-se. Eles não vão deixar você ler aquele livro de qualquer maneira.
— Oh… Você está certo. — Havia um livro, mas nenhum que eu pudesse ler. Tinha uma pedra preciosa em sua capa de couro, eles nunca me deixariam tocá-la. Minha excitação esgotou em um instante e meus ombros caíram.
—A partir de hoje, — começou o Arcebispo, —todos vocês se tornaram, com sete anos, cidadãos oficialmente reconhecidos da cidade. Parabéns. — Ele era um homem mais velho, parecia um avô prático, mas sua voz era forte e ecoava por todo o templo. Ele primeiro nos parabenizou, depois começou a ler em voz alta do livro bíblico.
Como meu coração e alma pertenciam aos livros, inclinei-me para frente e ouvi ansiosamente cada palavra. Ele estava nos contando histórias dos deuses criadores e da mudança das estações, semelhante ao que Benno havia me contado uma vez. Ele falava com linguagem simples, então seria mais fácil para as crianças entenderem.
—O Deus das Trevas viveu uma vida solitária por tanto tempo, que entorpeceria nossas mentes só de pensar nisso. — Assim começou a história. — O Deus das Trevas então encontrou a Deusa da Luz Solar. Muita coisa aconteceu e eles acabaram casados e com filhos. A Deusa da Água, o Deus do Fogo, a Deusa do Vento e a Deusa da Terra nasceram e, no processo, o mundo em que vivíamos foi criado. — A parte de “muita coisa aconteceu” provavelmente foi retocada para ser mais atraente para as crianças e era basicamente como uma novela.
Mas bem, era assim que os mitos religiosos tendiam a acontecer. A maior parte da mitologia, com que eu estava familiarizada, era caótica e estava por todo o lado. Você poderia passar o dia todo tirando sarro das histórias.
Essa história já era pessoalmente divertida para mim, já que eu não a tinha ouvido antes, mas eu estava tornando ainda mais divertida, comparando-a com as mitologias que eu já conhecia. Por outro lado, Lutz estava inquieto com o tédio e olhando para mim com inveja, não conseguindo entender o que eu achava tão divertido nisso.
—Por que você está gostando tanto disso, Myne? O que há de divertido nisso?
—Tudo sobre isso é divertido! — Respondi com um sorriso e Lutz suspirou, balançando a cabeça de exasperação.
—Certo. Bom para você.
—Uhum. Adoro ouvir novas histórias. — O mito da criação foi seguido por um mito sobre a mudança das estações. Benno emoldurou as estações assim: “—Na primavera, a neve derrete em água, dando a vida às plantas germinando. No verão, o sol queima como fogo e nas plantas crescem folhas. No outono, o vento frio esfria as frutas à medida que crescem. No inverno, a vida e a terra de nosso reino dormem.” No entanto, o mito real era bem diferente.
—A Deusa da Terra é a filha mais nova da Deusa da Luz Solar e do Deus das Trevas. Um dia, o Deus da Vida se apaixonou pela Deusa da Terra à primeira vista. Ele pediu a mão dela em casamento ao pai dela, o Deus das Trevas. O Deus das Trevas aceitou alegremente, esperando que eles dessem à luz muitos filhos. — O mito que explicava as estações parecia divertido para mim, mas Lutz suspirou de tédio enquanto ouvia, então provavelmente seria melhor resumi-lo.
Simplificando, o Deus da Vida era muito possessivo e congelou a Deusa da Terra dentro do gelo e da neve para engravidá-la, então sentiu ciúmes até mesmo de seus filhos por nascer. O inverno ocorreu quando seu poder foi roubado.
A Deusa da Luz do Sol começou a se preocupar com a Deusa da Terra, que ela não tinha visto desde seu casamento e ao descobri-la, derreteu o gelo. A Deusa da Água inundou o gelo derretido (com o Deus da Vida, enfraquecido por suas próprias ações) e junto de seus amigos Deuses, deu sua força para as crianças, as sementes. Esta foi a primavera, onde as sementes floresceram.
O Deus do Fogo, emprestando seu poder junto de seus amigos, para ajudar as vidas plantadas a crescer, era o verão, e logo, essas vidas amadureceram. Isso devolveu a força do Deus da Vida e ele veio à procura da Deusa da Terra. A Deusa do Vento, procurando mantê-lo longe de sua irmãzinha, a Deusa da Terra, combinou seus poderes e, no processo, provocou o outono, época das colheitas.
Uma vez que todos os seus irmãos e irmãs foram enfraquecidos, o Deus da Vida ganhou a vantagem. Ele congelou a Deusa da Terra no gelo e na neve mais uma vez. As outras divindades desejavam apenas matar o Deus da Vida, mas isso impediria que quaisquer novas vidas nascessem. Inverno era seu irmão e as irmãs esperavam em frustração a recuperação de seu poder.
Isso ia e voltava sem parar, fazendo as estações. A propósito, desde que Lutz e eu nascemos no verão, nossa divindade padroeira era o Deus do Fogo e fomos caracterizados por sermos apaixonados e de sangue quente. Parecia que ele também concedia favores quando se tratava de ensinar e orientar os outros.
O Arcebispo encerrou a história e fechou o livro.
—Agora, então, vou lhes ensinar a orar. Orar aos deuses e expressar seu agradecimento a eles é a chave para receber uma proteção divina mais forte, — disse ele com uma expressão bastante séria, enquanto caminhava lentamente para a frente do pódio. Enquanto isso, sacerdotes cinzentos desenrolaram um tapete na frente dos sacerdotes azuis. O Arcebispo estava no meio dos dez sacerdotes azuis.
—Agora, então, observe atentamente para que você possa fazer o que eu faço… Louvado seja os deuses! — declarou o Arcebispo, enquanto estendia e levantava os braços para o céu, erguendo o joelho esquerdo e olhando para cima.
—Pfff!— Eu rapidamente coloquei a mão sobre a boca para conter uma risada. Não seria educado começar a rir durante uma cerimônia religiosa. Eu sei. Mas quanto mais eu sabia ser errado, mais eu queria rir. Meu estômago balançou enquanto eu segurava a risada.
Quero dizer, vamos lá, essa é a pose do Homem Glico! Ele só está fazendo a pose do Homem Glico! Por que a pose do Homem Glico?! Por que levantar o joelho? Você é um homem velho, é perigoso ficar em um pé assim. O fato de que ele estava mantendo o equilíbrio perfeito sem vacilar, apenas o tornou mais engraçado. Honestamente, estava tudo acabado para mim. Eu estava confiante que iria rir, não importava o que o Arcebispo fizesse a seguir.
E de fato, eu quase morri quando ele abaixou lentamente a perna como um lutador de tai chi. Ele estava tentando me matar de tanto rir ou algo assim? Eu já estava sofrendo tanto e ele apenas foi e piorou as coisas.
—Glória aos deuses! — O Arcebispo fluidamente mudou da pose de Homem Glico para genuflexão no chão. Era isso. Algumas gargalhadas saíram da minha boca.
—Pfhahah!
—Myne, o que há de errado? Está se sentindo mal ou algo assim?
—E-estou bem. Eu ainda… ainda estou bem. Eu dou conta. Este é um julgamento que os deuses me deram. — Segurei minha boca e afundei minha cabeça, enquanto respondia a Lutz. Naturalmente, eu não podia realmente dizer a ele que a pose de oração era tão engraçada que eu não conseguia parar de rir. Somente aqueles que conheciam a pose do homem Glico de relance achariam isso tão engraçado. Sem dúvida.
Isto é religião. Esta é uma religião de verdade. Todo mundo leva isso muito a sério, então rir seria rude.
Consegui acalmar as ondas do riso batendo nos meus braços, imaginando abrir uma porta de sala de aula e vendo meus colegas orando a Alá. A maneira como diferentes religiões rezavam sempre parecia boba do ponto de vista de um estranho. Foi pura coincidência que esta religião tenha rezado fazendo a pose do homem Glico. Rir seria rude.
Respirei fundo e me acalmei. Assim que consegui levantar a cabeça, vi o Arcebispo nos pedindo para ficarmos de pé.
—Agora, então, crianças, por favor, levantem-se. Devemos orar juntos.
Juntos… Por favor, não, tudo menos isso! Todos ao meu redor se levantaram juntos. Minha boca estava batendo e meus lados doendo. Eu podia dizer estar à beira de explodir em gargalhadas. Eu não poderia deixar isso acontecer. “Eu não posso rir,” eu disse a mim mesmo repetidamente, o que me fez querer rir mais.
— Louvado seja os deuses! — disse o Arcebispo, enquanto fazia a pose de homem Glico e posava novamente.
Isso era bom. Foi menos impactante na segunda vez. Segurei com sucesso as ondas de riso e senti meu sucesso através dos músculos do estômago. Mas no instante seguinte, os sacerdotes azuis levantaram as pernas na mesma pose.
—Louvado seja os deuses! — Meus lados instantaneamente perderam a visão de dez sacerdotes em uma fileira fazendo belas poses de homem Glico com expressões sérias em seus rostos. O ângulo de seus braços, a altura de seus joelhos, suas expressões em branco… Tudo funcionou para fazer meus músculos do estômago cederem. Eu caí no local.
—Pfffh! Nnnggh, pfffh! Meu estômago dói…! Outra pessoa! — Fechei minha boca e tentei conter o riso, mas lágrimas se formaram em meus olhos e o riso escapou. Seria tão aliviante apenas rolar no chão e começar a rir enquanto chutava, mas eu não podia e isso me fez querer rir mais forte.
—Myne, eu sabia que você não estava bem! — Lutz saltou preocupado para perto de mim, com um pé enquanto continuava fazendo a pose de homem Glico. Era isso. Ele acabou comigo. Cedi e apenas bati no chão com os punhos em riso silencioso.
—Desculpe, ppfffh… Não consigo respirar.
—Myne! Porque você esperou até que ficasse tão ruim?!
— Não, eu estou… bem… — acenei com as mãos para Lutz, para dizer que estava bem, mas um padre cinza, que deve ter notado que algo estava errado, veio correndo.
—Qual é o problema?
— Hum, Myne começou a se sentir mal e depois desmaiou. Ela está muito doente, a cerimônia a deixou toda animada, então…— Eu, definitivamente, fiquei animada, mas não estava me sentindo mal. Eu estava rindo demais. Eu não precisava da ajuda do padre.
—E-estou bem. Vou melhorar em breve! Viu? — Eu apressadamente tentei me levantar, mas o movimento repentino foi demais para o meu corpo e meus braços risonhos simplesmente cederam, de tal forma, que cai bem na frente do padre.
—Foi o que quis dizer, viu?! Você não está nada bem!
—Ngh, eu só escorreguei um pouco… Eu estou muito bem. — Eu disse, mas, dado que eu estava literalmente desmaiada no chão, não havia nenhuma chance de eles acreditarem em mim. De um ponto de vista objetivo, era completamente natural que o padre acreditasse em Lutz em vez de mim.
—Vou levá-la para uma sala médica. Provavelmente seria melhor para ela descansar até que a cerimônia termine. — Senti que o padre cinza não acreditaria em nada do que eu dissesse, então apenas deixei ele me pegar.
…me ausentei da cerimônia cedo, após ter desmaiado de tanto de rir. Esta será, provavelmente, uma lembrança dolorosa que guardarei para mim pelo resto da minha vida.
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