Ascendance of a Bookworm — Capítulo 76: CAPÍTULO 76 - 75

Ascendance of a Bookworm
Cap. 76
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Ascendance of a Bookworm

CAPÍTULO 76 - 75

Capítulo 76

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Ascendance of a Bookworm – Capítulo 75

Rejeição e Persuasão

O Arcebispo convocou um padre cinza para me levar de volta para a sala médica e desta vez a donzela do santuário veio atrás, para que eu não saísse sem supervisão. Como resultado, fui forçada a usar o banheiro com ela observando e limpando depois de mim. Foi tão embaraçoso que quase chorei. Me senti tão mal sobre isso, que não podia nem olhar nos olhos dela. Se eu fosse forte o suficiente para me enterrar nos cobertores e rolar, o faria, mas não conseguia.

Me estiquei em cima da cama e olhei para o teto, desesperada pela minha incompetência, até que finalmente Lutz veio me ver. A visão de eu sendo vigiada em um quarto tão chique o pegou desprevenido e ele correu para a cama imediatamente.

—O que você fez, Myne?

—Fui procurar água, e… desmaiei. — Levantei a cabeça e resumi o que tinha acontecido. Lutz estreitava os olhos e balançava a cabeça de braços cruzados.

—Isso não pode ser tudo. Cuspa tudo.

—Ngh! Hum, encontrei uma sala de livros e fiquei muito animada…

—O que é uma sala de livros, exatamente?

—Um paraíso dado a nós pelos deuses. Em outras palavras, uma sala cheia de livros.

—Aaah… Tudo bem, isso é o suficiente. Posso adivinhar o resto. — Lutz colocou a mão na testa e me acenou com a outra mão. Foi o fim, então peguei meu enfeite de cabelo para que pudéssemos sair.

—Você não disse a ele a parte mais importante. Esta jovem entrou em colapso após forçar seu caminho para uma reunião com o Arcebispo, — acrescentou a donzela do santuário com um encolher de ombros, tendo ouvido nossa conversa. Lutz empalideceu e depois beliscou minhas bochechas, puxando-as.

—Como você pôde ser tão burra?

—Desculpa. Sei que fiquei um pouco animada demais.

Teria sido melhor se eu tivesse continuado com mais cautela após pensar nas coisas, mas no final, tinha forjado um caminho para me tornar uma donzela do santuário e me foi dada a oportunidade de ler a Bíblia dentro do quarto do Arcebispo. Eu sabia que tinha estragado tudo, mas não me arrependi do que tinha feito.

—Vamos para casa antes que faça qualquer outra coisa. — Lutz me levou em suas costas para fora do templo junto a donzela do santuário. Papai estava esperando por nós na frente do jardim do templo, parecendo frustrado.

—Parece que alguém veio para pegá-la. Vou me despedir, então.

—Obrigado por sua ajuda. — Mudei-me para as costas do papai e começamos a ir para casa. Enquanto ouvia Lutz relatar ao papai o que aconteceu hoje, o constante tremor de ser carregada me encorajou a dormir.

—Vou assinar meu contrato na loja antes de ir para casa, — disse Lutz, me trazendo de volta à realidade. Estávamos na frente da Companhia Gilberta, mas naturalmente eu não estava em condições de passar por aqui. Lutz e eu nos separamos para que ele pudesse entrar para relatar o que tinha acontecido e assinar o contrato de aprendiz. Antes de papai e eu sairmos, no entanto, Mark saiu para nos cumprimentar. Acenei para ele enquanto ainda estava nas costas do papai.

—Obrigado por hoje, Sr. Mark. Estou um pouco fraca demais para entrar agora, mas logo estarei de volta.

—Cuide-se.

—Lutz, não estrague o contrato.

— Sim. Descanse um pouco. — Me despedi de Lutz e Mark, depois fui para casa com o papai.

Terminamos o almoço, um pouco mais chique do que comíamos normalmente por razões comemorativas, e bebemos chá juntos, olhei para o papai. Tive que falar com ele sobre como queria me tornar uma aprendiz de donzela do santuário.

—Papai.

—Sim? — Papai tomou um gole de chá, de bom humor.

—Acho que quero ser uma aprendiz de donzela do santuário, no templo.

Assim que eu disse isso, o sorriso do papai desapareceu. Ele então bateu o copo contra a mesa tão forte, que balançou. Vacilei quando o chá voou para fora da xícara e espirrou na mesa.

—O que foi que você disse? Repita. — A voz do papai era tão baixa e intensa, que pisquei de surpresa. Sua raiva e nojo eram tão evidentes que meu coração começou a bater mais rápido.

—… Uma donzela aprendiz do santuário, no templo.

—Não brinque com isso! Eu não mandaria minha filha para aquele templo maldito.

—Pa-pai. Por que você está tão louco? — Eu só podia piscar em confusão com a mudança repentina de atitude do papai. Eu esperava que ele fosse contra isso, mas eu realmente não podia imaginar por que ele estava tão furioso e com nojo.

—Só órfãos se tornam padres e donzelas do santuário! Órfãos não têm pais ou responsáveis, então eles têm que se tornar isso. Eles não têm escolha. Você é diferente.

—Só órfãos se tornam donzelas do santuário?

—Sim e padres. Você tem pais e família. Você não se tornará uma donzela do santuário. Não fale nisso de novo!

Eu só podia ficar em choque, atordoada com a resposta extrema do papai. Mas, ao mesmo tempo, eu podia entender de onde ele estava vindo. Notei que algumas coisas estavam fora do templo. O Arcebispo ficou surpreso que alguém iria “voluntariamente” querer se tornar uma donzela do santuário, e a aparente riqueza da minha família, tinha mudado seu jeito.

—Gunther, você não tem que ser tão duro. Myne simplesmente não sabia.

—… Sim, você está certa. — Papai respirou fundo para acalmar sua frustração e bagunçou meu cabelo.

Mamãe começou a limpar o chá enquanto me olhava curiosamente. —Ainda assim, no entanto. Por que você iria querer ser uma donzela do santuário, Myne?

Ficou claro que tanto a mamãe, quanto o pai, eram fortemente tendenciosos contra padres e donzelas do santuário. Eu achava que ambas eram profissões honradas e respeitadas, então, para ser honesta, fiquei realmente surpresa.

—Bem, quando desmaiei no templo, me perdi procurando água.

—Você estava em uma sala de espera, certo? Deveria ter havido água bem fora dela. — Papai, tendo ouvido a mesma coisa de Lutz, esfregou o queixo. Era verdade que as salas de espera para plebeus tendiam a ter água perto delas. Mas tive que balançar a cabeça.

—… Minha roupa era tão chique, que eles realmente pensaram que eu era a filha de uma família rica e me levaram para o tipo de quarto que um comerciante com uma carta de apresentação nobre iria. Não havia água por perto.

—Ah, sim, pensaria o mesmo olhando uma roupa como a sua. — Papai acenou com a cabeça repetidamente. Mamãe e Tuuli também entenderam.

—Enquanto estava perdida, acabei em uma parte do templo destinado a nobres.

Meus pais empalideceram. Vivíamos em uma sociedade estratificada, onde aqueles de posições sociais diferentes eram mantidos completamente separados. Se eu tivesse me perdido e irritado um nobre, isso poderia significar o fim de nossas vidas naquele momento.

—Uma donzela do santuário me encontrou primeiro, então eu não conheci nenhum nobre, mas encontrei uma sala de livros. Estava cheia de livros. Eu queria tanto lê-los, mas não podia entrar…

—Livros, hein? — A sobrancelha do papai se contorceu.

—Perguntei como eu poderia entrar e me disseram que eu precisava me tornar uma aprendiz de donzela do santuário…

—E você decidiu se tornar uma sem pensar em tudo, hein? Shiu. Desista desses livros. Apenas continue tentando fazê-los como você tem feito.

Eu não podia acreditar que papai estava me dizendo para desistir dos livros que eu estava dedicando toda a minha vida para obter. Eu o encarei. Ele estava olhando para mim com uma expressão mortal e séria, nenhum um sorriso à vista.

—O que você prefere? Cortar os laços com sua família e viver em um orfanato para ler livros ou continuar vivendo conosco como têm sido?

Minha cabeça ficou branca. Livros ou minha família, escolha um. Eu queria viver com minha família o máximo possível, antes que minha Consumação me matasse. Eu queria usar um pouco desse tempo para fazer e ler livros, se possível.

Mas eu tinha encontrado uma sala de livros e fiquei super animada com a oportunidade de, potencialmente, ler livros reais. Eu queria me tornar uma donzela do santuário para entrar na biblioteca, isso era tudo. Não entendi por que eu teria que cortar laços com a minha família.

—…cortar? Por quê? — Minha voz estava tremendo e quase inaudível.

Papai deu um forte aceno de cabeça. —As donzelas aprendizes do santuário vivem no templo. O trabalho é duro e os órfãos só recebem ajuda uns dos outros. Você nunca duraria lá com sua Consumação. Que trabalho você poderia fazer, quando você é tão ruim em gerenciar sua saúde que entra em colapso até durante uma cerimônia? Sem mencionar que os livros são caros. Eles são tão raros que usam ferramentas mágicas ou qualquer outra coisa para protegê-los de estranhos no templo. Você acha que eles deixariam você lê-los imediatamente, só por você ser uma aprendiz?

Tudo que papai disse estava certo. Eu não tinha espaço para discutir. Eu sabia que seria impossível para mim me tornar uma aprendiz de donzela de santuário. Mas eu não queria desistir após ver todos aqueles livros.

Mordi os lábios para conter minhas lágrimas e Tuuli segurou minha mão. Com lágrimas nos olhos, apertei a mão dela.

—Por que você quer tanto ser uma donzela de santuário? Você prometeu ficar com a gente. Você quer tanto ser uma, que quebraria sua promessa comigo? — disse Tuuli, enfiando uma estaca no meu coração. Balancei a cabeça fracamente, sentindo a força saindo do meu corpo.

—…Não. Só quero ler os livros que vi. Eu não quero ser uma donzela de santuário ou algo assim, eu só quero ir naquele quarto.

Tornar-se uma aprendiz de donzela de santuário era um meio para um fim, não o fim em si. Não era importante o suficiente para mim, machucar minha família e me isolar deles. Minha resposta fez Tuuli sorrir, mas pude dizer que ela ainda estava ansiosa.

—Que alívio. Myne… Você vai ficar comigo, certo? Você prometeu, certo?

—Mhm. Quando eu melhorar, eu… Direi ao Arcebispo que mudei de ideia.

Papai suspirou de alívio e me deu um abraço apertado. —Fico feliz que tenha entendido. Você é minha filha preciosa. Não vou entregá-lo ao templo.

Por um lado, fiquei feliz por não ter que cortar minha família, mas no momento em que a porta que levava a um futuro na sala do livro se fechou com firmeza, senti o calor da Consumação começar a ferver dentro de mim.

—Myne, parece que você está ficando com febre.

—Ela já desmaiou várias vezes hoje, lembra? O estresse dessa conversa a alcançou. Deixe-a dormir.

Meus pais me levaram para a cama e gentilmente fechei os olhos, enquanto sentia o calor da Consumação se espalhar dentro de mim.

Nunca pensei que escolheria outra coisa em vez de livros. Minha vida inteira até agora tinha sido focada em torno de livros. Todas as escolhas levaram a livros. Nos meus dias de Urano, eu teria escolhido livros em um instante e me isolaria da minha família. Não importaria o custo, os livros viriam primeiro. E ainda assim, eu não tinha sido capaz de escolher livros aqui. Pensei que minha família era tão importante para mim porque eu não tinha livros, mas em algum momento, eles se tornaram tão importantes quanto livros para mim.

Mas ainda assim, finalmente encontrei livros. Eu queria lê-los. Eu não podia escolher livros em vez da minha família, mas também não podia abandonar os livros. A pressão de ser beliscada entre dois desejos dificultou para mim, conter o calor como eu costumava fazer. O calor da Consumação rapidamente se espalhou pelo meu corpo, como se zombasse do meu fraco estado mental. Eu me sentia frustrada com as coisas que não funcionavam, como elas costumavam fazer e comecei a pensar em um compromisso entre minha família e os livros.

…Existe alguma maneira de ler os livros sem me tornar uma aprendiz de donzela do santuário? A atitude do Arcebispo mudou quando mencionei minha doação, então, talvez ele me dê permissão para entrar na sala do livro se eu oferecer mais dinheiro? Não gosto da ideia de usar dinheiro para controlar as pessoas, mas tenho que fazer o que tenho que fazer. Ou talvez eu devesse ficar satisfeita em ir ao quarto do Arcebispo e ler a Bíblia lá?

No final, demorei dois dias inteiros para empurrar o calor da Consumação de volta. Eu finalmente poderia sair da cama quando minha febre baixasse, mas meu corpo ainda parecia pesado. Eu provavelmente ficaria melhor após mais um dia de descanso, já que eu havia contido o calor da Consumação.

Lutz veio me ver e franziu o rosto após ver como eu estava. — Você ainda parece doente. Benno quer falar com você, mas parece que isso não vai acontecer hoje.

— Você tem planos para amanhã, Lutz? Quero ir ao templo e depois ir à loja de Benno,— perguntei, fazendo Lutz inclinar a cabeça um pouco.

—O templo? Claro, mas por quê?

—Quero ler a Bíblia lá. Enquanto estiver lá, direi a eles que não quero mais ser uma aprendiz de donzela de santuário.

— Hã? Aprendiz de donzela de santuário? De onde veio isso?

Certo. A donzela do santuário havia dito a Lutz que forcei meu caminho para uma reunião com o Arcebispo, mas não sobre o que eu estava perguntando.

—Eu disse que encontrei uma sala de livros durante a cerimônia, certo? Só pessoas envolvidas com o templo podem entrar nela, então eu queria me juntar ao templo. Disseram-me que me tornar uma aprendiz de donzela de santuário seria a maneira mais rápida de fazer isso, então aproveitei a oportunidade.

— Isso é mais idiota do que eu querer ser um comerciante ambulante, sabia? Seja um pouco mais realista. Não foi você que me ensinou a não avançar sem pensar? Para tentar encontrar um caminho mais realista?

Lutz havia se transformado de um menino ansioso por sonhos impossíveis, para um menino perseguindo seus sonhos, com os pés firmemente plantados na realidade. Suas palavras apunhalaram meu peito.

—…eu estava pensando que esta seria a maneira mais rápida para eu conseguir livros.

—Sim, você sempre para de pensar quando os livros se envolvem. Acho que você deveria parar de ir ao templo. Você vai continuar ficando desapontada e isso não é bom para você. Isso não fará seu calor da Consumação enlouquecer?

—Acabei de conseguir adiar o calor da Consumação pensando em como eu poderia conseguir ler a Bíblia.

Lutz olhou para mim com uma expressão conflituosa, depois sorriu e deu um tapinha na minha cabeça. —Conseguiu um compromisso, hein? Nunca pensei que você cederia com livros em jogo. Você fez bem! Se ir ao templo é tudo o que precisa, por mim tudo bem. Não que você seja saudável o suficiente para trabalhar no templo de qualquer maneira.

—Hhm, eu sei disso.

No dia seguinte, Lutz e eu fomos ao templo. Usávamos roupas de aprendiz, desde que íamos à loja do Benno. A área ao redor do templo também era bem chique, então imaginei que seriam melhores que nossas roupas normais.

Eu disse ao guarda meu nome e que queria ver o Arcebispo. Ele deve ter sido informado sobre mim com antecedência assim que um padre cinza chegou para me guiar pelo templo.

—Mas e você? Você não terá nada para fazer se vier comigo. Talvez você devesse ir à loja do Benno para estudar? Irei lá assim que terminar aqui.

— Vou buscá-la depois do quinto sino, então espere aqui até lá. Não vá vagar por conta própria.

—Ok. — O padre cinza me levou ao quarto do Arcebispo, mas ele estava ausente. Em seu lugar, o Sumo Sacerdote de túnica azul me cumprimentou.

Ele parecia ser tão velho quanto Benno e seu rosto era como uma estátua esculpida, não revelando nenhuma emoção. Ele tinha olhos dourados claros e cabelos azuis pálidos, que se estendiam até os ombros. O Arcebispo estava um pouco acima do peso, mas o Sumo Sacerdote era muito alto e tinha um corpo esbelto. Ele parecia exatamente com o tipo de líder habilidoso que poderia eficientemente micro gerenciar centenas de sacerdotes, se necessário.

—Você é Myne? O Arcebispo me falou de você. Entre.

— Obrigada.

— O Arcebispo pediu que eu lesse a Bíblia para você até que ele retorne.

Hum… Isso é ótimo, mas por que ele pediu ao Sumo Sacerdote para fazer isso? Não há coisas mais importantes para ele fazer? Por que estaria? Ah, certo. A doação em dinheiro. Eu estava me oferecendo para doar tanto dinheiro que eles provavelmente estavam me dando tratamento preferencial agora. Minha doação sugerida realmente parece ter deixado um impacto sobre eles. Eu poderia usar isso a meu favor. Talvez uma pequena negociação possa abrir o caminho para a sala do livro.

— Por favor, sente-se. — O Sumo Sacerdote começou a ler para mim à mesa, mas como ele estava sentado à minha frente, eu não conseguia ver as páginas. Parecia que não me deixariam tocar no livro. Pensei por um momento, então hesitantemente decidi abusar da minha sorte.

—Um, Sumo Sacerdote. Não quero apenas ouvir as histórias, quero ler o livro também.

— Por quê? Você não está aqui para aprender mais sobre os deuses?

—Estou, mas também quero aprender a ler novas palavras.

O Sumo Sacerdote piscou surpreso, como se estivesse atordoado com o que eu havia dito. Então, após pensar um pouco, ele deu um aceno profundo.

—Pois bem. Mas saiba que esta Bíblia é muito preciosa. Você jura não tocar nisso?

— Prometo. Prometo não tocar nisso.

O Sumo Sacerdote me sentou em seu colo e continuou lendo, posicionado de modo que eu pudesse ler a Bíblia e ele pudesse me parar imediatamente se eu tentasse tocá-la. Cartas lindamente escritas cobriam as páginas de pergaminho, amareladas nas bordas onde as pessoas as tocavam. Inspirei profundamente o cheiro de papel velho e soltei um suspiro de admiração.

Assim como eu esperava, a escrita foi muito simplificada para o festival de batismo. Toda a atmosfera era diferente. Aprendi novas palavras enquanto o Sumo Sacerdote lia em voz alta da Bíblia. Substantivos e verbos que eu queria saber ler por tanto tempo, choveram sobre mim em uma torrente interminável de entretenimento.

Eventualmente, comecei a apontar para palavras que reconheci vagamente (certificando-me de não as tocar) e lê-las em voz alta enquanto o divertido Sumo Sacerdote me ensinava o que elas significavam.

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—Você parece aprender rápido. Adoraria ensinar a alguém que absorve o conhecimento como você. Hm… Você não é uma nobre? É possível que alguém de sua família carregue sangue de uma linhagem nobre?

—Definitivamente, não.

—Entendo, isso é uma pena.

Eu não sabia por que o Sumo Sacerdote estava desapontado com isso. Mas tenho a sensação de que ele ensinou os sacerdotes e donzelas do santuário aqui, assim como Mark ensinou os aprendizes de Benno. Ele tinha uma espécie de atmosfera de professor e parecia estar acostumado a ensinar as pessoas, da mesma forma que Mark.

—Ah, você chegou de fato. Agradeço por ter esperado.

O Arcebispo voltou, então voltei para o meu lugar e o Sumo Sacerdote delicadamente fechou a Bíblia, trancou o fecho de pedra preciosa e colocou-a de volta na estante.

—Me diverti muito graças ao Sumo Sacerdote lendo a Bíblia para mim. Sou muito grata.

O Arcebispo sentou-se confortavelmente onde o Sumo Sacerdote estava sentado, que se moveu para ficar ao lado dele.

—De qualquer forma, o que seus pais disseram?

—Eles ficaram com raiva de mim e disseram não, já que apenas órfãos se tornam donzelas de santuário.

A esperança escorreu dos olhos do Arcebispo e ele caiu de ombros. Ele suspirou e balançou a cabeça. O Sumo Sacerdote, de pé ao lado dele, respondeu em seu lugar.

—Não é verdade que apenas os órfãos podem se juntar ao templo. Há filhos de nobres aqui. Muitos órfãos tornam-se sacerdotes e donzelas de santuários, mas isso é apenas porque poucos outros locais de trabalho os aceitarão. Com suas opções limitadas, eles não têm escolha a não ser se tornarem sacerdotes aprendizes e donzelas de santuário, — disse o Sumo Sacerdote, fazendo-me piscar de surpresa.

—Por que eles não podem trabalhar em outro lugar?

—Eles não têm ninguém para apresentá-los, nem ninguém para cuidar deles.

Eu entendi completamente. Esta cidade foi fundada com pais e familiares que apresentavam as crianças aos locais de trabalho, o que não era bom para os órfãos. Era difícil o suficiente para as crianças normais conseguirem empregos que seus pais não apoiavam, então era difícil imaginar o quão difícil seria para os órfãos encontrar qualquer emprego.

—Você não precisa ser órfão para se tornar uma donzela do santuário. Isso é tudo o que quero que você entenda.

—Mas os aprendizes vivem no templo, e sou muito fraca para fazer um trabalho de aprendiz regular aqui.

—Você está dizendo que não estava doente naquele dia, apenas está regularmente fraca? — O Arcebispo franziu as sobrancelhas e acariciou a barba. Balancei a cabeça, enquanto pensava que ele ficaria perfeito em uma roupa de Papai Noel.

—Sim. Estou doente com uma doença chamada Consumação.

O Arcebispo, que estava me ouvindo calmamente, de repente disparou de sua cadeira com os olhos bem abertos. O Sumo Sacerdote praticamente bateu as mãos contra a mesa e se inclinou para mim.

—A Consumação?!— ambos disseram em uníssono.

—S-sim. O que tem isso? — Me inclinei reflexivamente para trás, sobrecarregada por sua intensidade repentina. Enquanto piscava com medo de ter dito algo que não deveria, o Arcebispo apontou para a porta com uma mão trêmula.

—Sumo Sacerdote, traga-o aqui imediatamente.

—Sim. — O Sumo Sacerdote deu um pequeno aceno de cabeça e saiu rapidamente da sala. Seus movimentos eram graciosos, mas incrivelmente rápidos. Ele deixou a porta aberta atrás de si, provavelmente por estar com tanta pressa.

Eu o vi ir, atordoado, e vi o Arcebispo se virar para encarar a prateleira com a Bíblia.

—Louvado sejam os deuses! — Do nada, ele começou a orar aos deuses com a pose de homem glico e eu instintivamente levantei meus braços para fazer metade da pose.

—Glória aos deuses! — Vi o Arcebispo se curvar para fazer a genuflexão atordoado, perplexo e assustado com o que estava acontecendo. Definitivamente não foi um bom desenvolvimento. Eu queria fugir, mas a julgar pela seriedade deles, eu provavelmente não teria permissão para sair daqui.

Sentei-me na cadeira, congelada no lugar, enquanto tentava não olhar para o Arcebispo orando. Ouvi passos rapidamente vindo nesta direção e, antes que eu percebesse, o Sumo Sacerdote estava de volta, segurando algo envolto em pano. Ele colocou-o sobre a mesa e tirou o pano, revelando o Santo Graal que uma estátua na capela estava segurando.

—Por favor, toque neste cálice.

—Bwuh? Tudo bem se eu tocar nele?

—Sim. Apresse-se.

Timidamente estendi a mão para o cálice na mesa. Ambos estavam olhando para mim com tanta força que era assustador. Em última análise, apenas empurrei minha mão para fora. No segundo em que meus dedos tocaram o cálice, ele começou a brilhar com uma luz forte.

—Kyaaah?! O que está acontecendo? — Apressadamente puxei minha mão para trás e a luz desapareceu. Olhei entre minha mão e o cálice enquanto o Arcebispo e o Sumo Sacerdote assentiam um para o outro.

—Myne, eu gostaria de falar com seus pais.

Hum… Mãe, pai, sinto muito. Acho que as coisas ficaram muito ruins muito rápido.

Fim da leitura

Capítulo 76 concluído

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