Ascendance of a Bookworm — Capítulo 77: CAPÍTULO 77 - 76

Ascendance of a Bookworm
Cap. 77
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Ascendance of a Bookworm

CAPÍTULO 77 - 76

Capítulo 77

4.088 palavras~18 min de leitura

Ascendance of a Bookworm – Capítulo 76

Sermão de Benno

O Arcebispo e o Sumo Sacerdote pareciam tão intensos que acabei ficando tímida. O Sumo Sacerdote deve ter notado meu tremor terrível e trouxe a Bíblia, oferecendo-se para lê-la para mim até que alguém viesse me buscar. Apreciei o pensamento, mas senti algum tipo de pressão estranha dele, como uma determinação para me impedir de escapar tão intensa, que pude sentir irradiando dele. Eu realmente queria fugir.

—Um menino chamado Lutz chegou ao portão, alegando que está aqui por Myne.— Um padre cinza veio ao quarto não muito depois do quinto sino.

Suspirei de alívio, pois isso significava que eu finalmente poderia sair. —Bem, agora que Lutz está aqui, tenho que ir. Arcebispo, Sumo Sacerdote, obrigado por passar tanto tempo comigo hoje.

— Antes de ir, Myne. Pegue isso e dê aos seus pais.

O Arcebispo me deu uma carta de convite. Isso era ruim, já que uma carta de convite do Arcebispo era a mesma coisa que uma carta de convocação, que você não podia recusar. A data era no terceiro sino, depois de amanhã. Engoli em seco e peguei o convite dele.

—Luuutz! Muito obrigado por ter vindo me buscar! — No momento em que saí do templo e vi Lutz, senti uma sensação indescritível de alívio fluindo através de mim. Eu realmente pulei em seus braços e o abracei, para mostrar o quão feliz estava. Ele tropeçou um pouco, mas permaneceu ereto sem cair. Esfreguei a cabeça no ombro dele e ele suspirou.

—O que você fez desta vez?

—…Eu realmente não sei, mas acho que esta é a maior autodestruição que já fez.

Lutz deu um tapinha na minha cabeça e sorriu. — Bem, não se preocupe. Benno está esperando por você com um grande sorriso e uma veia protuberante na testa.

—Um… Posso ir para casa agora? Estou me sentindo muito cansada.

—Ele me disse para te arrastar até lá se eu precisasse, e você parece bem agora, então sim. Você vem comigo.

—Aaaaaah…— Eu estava mentalmente exausta do templo, mas Lutz estava me arrastando para ser atingida por outra das palestras de Benno. Senti como se meu único aliado tivesse me traído. Eu o segui até a Companhia Gilberta, como um cordeiro indo para o terrível abate. Benno estava nos esperando e fomos levados ao escritório dele imediatamente.

Ele me disse para sentar no lugar de sempre. Benno estava na minha frente, Mark estava parado atrás de Benno e Lutz sentou-se ao lado dele em vez do meu.

—Já faz um tempo, Myne.

—…U-Uh huh.

—Tudo bem. Há uma montanha de coisas que eu quero dizer, mas…— enrijeci, esperando que sua palestra durasse muito tempo. Mas Benno suspirou. —Primeiro, uma mensagem de Corinna. Ela quer ver o vestido e o enfeite que você usou no batismo. Isso foi uma moda estranha. Você chamou muita atenção para si mesma. Porque você escolheu uma roupa assim?

—Elas refizeram as roupas de segunda mão que recebi de Tuuli. Não havia nenhum significado profundo para isso. Não me importo de mostrar minhas roupas, mas ela terá que perguntar à minha mãe como fizemos, já que ela fez todo o trabalho.

—Tudo bem. Vá em frente e peça a ela para aparecer algum dia. — disse Benno casualmente, antes de juntar as mãos acima da mesa e se inclinar um pouco, olhando para mim.

—Tudo bem. Apenas cuspa tudo. Dependendo do que aconteceu naquele templo, o que eu disser aqui e seu futuro, vão mudar muito.

— Quê? Você não ouviu sobre isso de Lutz? — Vários dias se passaram desde a cerimônia de batismo. Pensei que Lutz já tivesse falado com ele.

—Os boatos sempre distorcem as informações. Por que eu perguntaria ao Lutz o que aconteceu, quando eu poderia perguntar a você? Sem mencionar, quem sabe que informação escondeu dele.— Ele olhou para mim como um carnívoro que encontrou sua presa, fazendo-me ofegar um pouco. Eu poderia supor que ele não estaria me deixando sair facilmente.

—Onde devo começar?

—Depois que você desmaiou na cerimônia. Diga tudo o que aconteceu depois que deixou Lutz. Não deixe de fora um único detalhe.

Desmaiei, saí da sala em busca de água e entrei em uma zona de nobres. Uma donzela do santuário me encontrou e me levou para uma sala de livros. Quando cheguei a esse ponto da história, os olhos de Benno se arregalaram.

—Uma sala de livros? Não achei que houvesse um desses no templo…

—Você não sabia disso, Benno?

—Pessoas normais não arriscam suas vidas vagando por uma área para nobres. Acorde e perceba que você é uma idiota. O que você acha que vai acontecer se você continuar correndo perigo desse jeito?

—Ngh…— Era verdade que a maioria das pessoas não tinha permissão para ir lá. Benno estava certo. Porém, eu estava feliz por ter entrado lá, já que não teria encontrado a sala do livro de outra forma.

—A donzela do santuário me disse que apenas pessoas afiliadas ao templo poderiam entrar na sala do livro, então decidi me tornar uma donzela do santuário e fui direto ao Arcebispo para pedir sua permissão.

—Sua idiota! Pense por um segundo antes de fazer algo como isso, vamos lá!

—Aíííííí, aííííí!

Benno se inclinou para beliscar minhas bochechas e puxá-las. Mark e Lutz observaram calmamente, sem fazer nenhum movimento para me ajudar. Esfreguei minhas bochechas ardentes e Benno insistiu, parecendo muito frustrado.

— E aí? O que ele disse?

—Ele disse que eu poderia ser uma aprendiz de donzela do santuário se meus pais permitissem e eu doasse dinheiro.

— E? Você doou? — Benno franziu as sobrancelhas com um olhar rígido. Eu poderia dizer imediatamente que ele estava preocupado que eu tinha doado dinheiro, em seguida, não consegui obter a permissão dos meus pais. Para acalmar Benno, estufei meu peito com orgulho e contei a ele o que aconteceu.

—Não, ainda não. Só disse a eles que eu tinha dinheiro suficiente para doar cerca de um grande ouro como pagamento por me deixar usar a sala do livro, mas eu não dei a eles ainda. Não sou burra o suficiente para pagar por algo, antes de garantir que possa tê-lo.

Eu pretendia acalmá-lo, mas primeiro Benno, depois Mark e Lutz, todos seguraram a cabeça com dor, como se eu tivesse dado a todos dores de cabeça.

—Esse preço é estupidamente alto, que nem sei o que dizer.

—Quero dizer, eles me trataram muito bem graças a isso, então…

—É óbvio!

Eu esperava que minha oferta de doação fosse um pouco alta, mas aparentemente era tão alta, que até mesmo um comerciante altamente bem-sucedido teve uma dor de cabeça pensando nisso.

—De qualquer forma, fui para casa conversar com minha família sobre me tornar uma donzela do santuário e eles ficaram muito bravos com isso. Eles disseram que apenas os órfãos se tornam aprendizes do santuário.

—Eles têm um ponto, você sabe.

—O Sumo Sacerdote disse haver crianças nobres lá também. — Inclinei a cabeça, não entendendo por que papai ficou tão bravo. Benno coçou a cabeça e explicou como a hierarquia do templo funcionava.

—Você se lembra de como alguns sacerdotes tinham vestes azuis e alguns tinham vestes cinza, certo? Os sacerdotes e as donzelas do santuário de túnica azul são nobres, enquanto os de túnica cinza são órfãos. Sacerdotes e donzelas do santuário de roupas cinzentas, trabalham até os ossos se partirem sem pagamento, geralmente servindo como atendentes ou servos dos sacerdotes e donzelas do santuário de roupas azuis, — revelou Benno, fazendo-me ofegar. Eu tinha pensado que a cor significava apenas a diferença entre aprendizes e trabalhadores de pleno direito. Nunca sonhei que houvesse uma diferença tão grande entre eles.

—Você não é nobre, então se você se juntar ao templo, vai acabar como uma donzela cinza do santuário. Que tipo de pais permitiriam isso? — ele disse, ao que assenti. Agora eu entendia por que papai tinha ficado tão bravo quanto ele. Eu definitivamente não seria capaz de durar muito fazendo esse tipo de trabalho e qualquer pai amoroso se oporia à sua filha trabalhando como um escravo sem pagamento.

—Então. Lutz disse que você ia lá para recusá-los. Você realmente conseguiu fazer isso?

—…Umm, após mencionar que eu tinha a Consumação, eles trouxeram um cálice dourado que uma estátua na capela estava segurando. Ele brilhou quando toquei nele e eles me deram uma carta de convite para dar aos meus pais, — expliquei. Benno esfregou as têmporas com força e soltou um suspiro pesado.

—…Sim, você está presa a eles agora. Fique feliz por ter sobrevivido hoje. Você tem sorte.

Eu não entendi por que ele me chamou de sortuda quando estava presa indo para o templo. Benno não abordou minha confusão e, em vez disso, começou a pensar em algo. Então, ele levantou a cabeça e olhou para mim com firmeza, com um olhar duro nos olhos.

—Myne, que tal assinarmos outro contrato mágico? Um sobre como os produtos que você faz serão gerenciados.

—…Por quê? — Acabei na defensiva depois que ele mencionou contratos mágicos do nada.

Benno esfregou o queixo e continuou olhando para mim. —Isso não vai acontecer imediatamente, mas você vai acabar arrastada para o mundo dos nobres mais cedo ou mais tarde. A magia de contrato é a melhor ferramenta que temos para lidar com nobres em igualdade de condições.

—…Você estava esperando que eu me envolvesse com a nobreza desde o nosso primeiro contrato mágico?

—No início, era principalmente apenas um seguro para mim. Eu não sabia que tipo de criança você era na época e a mágica do contrato mantém as coisas no lugar. Mas… Eu sabia que você poderia ter a Consumação. Se o fizesse, precisaria assinar um contrato com um nobre para sobreviver. Eu sabia que um contrato mágico seria útil para lidar com um nobre.

A razão pela qual Benno assinou um contrato mágico com Lutz e eu, apesar de sermos crianças, era simplesmente porque ele esperava que os nobres se envolvessem, potencialmente anos no futuro.

—Mas não tenho intenção de assinar um contrato com um nobre.

—Você conseguiu viver em seus próprios termos até agora porque não conheceu nenhum nobre, mas isso acabará quando o templo a arrastar até eles. Você tem que agir na suposição de que você vai se envolver com os nobres mais cedo ou mais tarde. Não há um nobre no mundo que não tente colocar as mãos em uma garota com Consumação e com ideias revolucionárias de produtos como você. Ainda mais agora.

—O que você quer dizer, especialmente agora? — Perguntei. Benno baixou a voz e, após deixar claro que essa era uma informação que ele havia colocado as mãos recentemente, explicou.

—Esta região acabou não sendo afetada desde que nosso arquiduque manteve uma posição neutra e não se envolveu, mas muitas regiões maiores se envolveram em uma guerra política feroz com os monarcas. As purgas políticas em grande escala foram realizadas em todo o país e há muito menos nobres vivos agora do que costumava haver.

Isso ficou muito violento, muito rápido. Tentei pensar no que me lembrava sobre a história do mundo, mas não sabia exatamente em que período este mundo estava e mesmo com um quadro de referência, não conseguia adivinhar o que estaria acontecendo no futuro. Eu não tinha informações e sem uma visão maior dessa bagunça, eu era tão boa quanto um cego.

—Naturalmente, a lacuna deixada por esses nobres mortos precisa ser preenchida. Os sobreviventes estão se mobilizando. Eles estão se aproximando de famílias laterais, adotando, casando mais, buscando novas conexões e poder. Pessoas, dinheiro e produtos estão se movendo mais rápido que nunca. Há tão poucos nobres, que aqueles forçados a entrar no templo como padres de túnica azul e donzelas do santuário durante as lutas internas, estão retornando de volta para suas casas em massa. O que acha que isso significa para o templo? — Benno olhou para mim e inclinei a cabeça. Olhei para Mark e Lutz em busca de ajuda, mas Mark apenas sorriu e Lutz estava tão confuso quanto eu.

—Ummm, há algum problema em não haver nobres suficientes no templo? Não consigo pensar em nada, já que não sei o que acontece no templo ou como qualquer coisa funciona lá. Não é uma coisa boa, já que haverá menos pessoas para sobrecarregar os sacerdotes cinzentos e as donzelas do santuário?

—Em primeiro lugar, eles receberão menos doações. Em segundo lugar, sem nobres para dar-lhes trabalho, eles vão acabar sobrecarregados com órfãos desempregados. Será mais difícil para os órfãos sobreviverem lá.

—Isso é horrível! — Soltei um grito e Benno suspirou, balançando a cabeça.

—Essa não é a pior parte. Lembra daquele cálice que você disse que tocou? Aqueles caras do templo chamam de ferramenta divina, mas, na verdade, é uma ferramenta mágica. Sacerdotes de túnica azul e donzelas do santuário derramam sua mana, para que ela possa ser usada durante a cerimônia de bênção da primavera. Mas sem nobres, não há mana. Isso significará menos colheitas para colher.

—O quê?!— Eu não esperava que o cálice estivesse envolvido em um ritual tão grande. Isso me surpreendeu, mas pensei ser apenas um ornamento elegante, destinado a mostrar o poder dos deuses ou o que quer que seja. Na realidade, era uma ferramenta essencial para a sobrevivência, diretamente ligada a quantas safras nossos agricultores poderiam colher. Se menos comida fosse cultivada nesta região, pessoas pobres na cidade como eu seriam as que mais sofreriam.

—Antes dessa mudança política, havia muitas crianças nobres para lidar. Aqueles com a Consumação eram apenas aborrecimentos para os nobres, que querem manter o poder da mana para si mesmos. Mas, agora que há menos nobres e usar ferramentas mágicas corretamente é muito mais difícil, as crianças com a Consumação são extremamente úteis e importantes para o templo.

—Hum, o que a Consumação tem a ver com mana? — Perguntei, o que chocou tanto Benno, que sua mandíbula caiu e ele segurou em sua cabeça em absoluta descrença.

—Não me diga que você ainda não percebeu isso. A Consumação refere-se ao estado em que alguém perde o controle da mana dentro deles.

—Quêêêêê?!

—Você recupera o controle de sua mana movendo o excesso para uma ferramenta mágica.

—É a primeira vez que ouço isso. —Uau… Acho que sou como uma bruxa ou algo assim. Acho que posso derrotar meus inimigos com explosões de mana e usar todo tipo de magia maluca! Mas… Quem são meus inimigos? Minha mente correu com as possibilidades que essa nova informação havia revelado e Benno bateu na minha cabeça, me dizendo para prestar atenção.

—É assim que os nobres são separados, aproximadamente. Nobres inferiores tendem a ter baixas quantidades de mana, enquanto nobres superiores tem um monte de mana. Pobres nobres, sem muito dinheiro, não podem pagar ferramentas mágicas para todos os seus filhos. É comum que eles confiem o futuro de sua família à criança com mais mana e enviem o resto deles para o templo de sua região.

Em outras palavras, os sacerdotes vestidos de azul no templo eram nobres abandonados por suas famílias. Eles eram necessários para a região prosperar, mas ao mesmo tempo, eles estarem lá era meio triste.

—O templo sobreviveu por tanto tempo com nobres fracos, através de números absolutos, mas agora esses números estão diminuindo. Cada nobre tem que trabalhar muito mais. É possível que eles não tenham nobres suficientes agora. Quantos sacerdotes azuis estavam lá na cerimônia de batismo?

—Cerca de dez.— Eu ainda conseguia me lembrar da minha barriga doendo com a visão de todos eles fazendo a pose de homem glico.

—Eles normalmente têm mais de vinte, mas agora têm dez. E já que os que são chamados de volta são aqueles com mana, você pode imaginar o quão fracos os restantes devem ser. Não há dúvida de que matariam por uma criança com Consumação transbordando de mana. Mas é só agora que estamos falando. Não demorará muito até que novos nobres nasçam e essa lacuna seja preenchida. Não pense que você tem muito tempo lá.

—Hmm.— Eu não me importaria de trabalhar para o templo e oferecer minha mana por algum tempo. Gostaria de saber se eles me deixariam entrar na sala do livro em troca da minha mana. Pensei nisso e Benno, que em algum momento ficou atrás de mim, começou a esfregar o punho na minha cabeça.

—Está ouvindo o que eu digo?

—Ai! Aíííííí!

—Você tem mana, dinheiro e conhecimento, que vale ainda mais dinheiro. Acorda logo! Perceba o quanto os nobres vão querer você para si mesmos! — Sua voz era tão séria que instintivamente me sentei direito. Ele suspirou e tirou o punho da minha cabeça para acenar com a mão em exasperação. —E é por isso que é do seu interesse assinar um contrato mágico agora, antes de se envolver com nobres.

—…Que tipo de contrato?

—Um contrato que as coisas que você faz serão vendidas por Lutz.

—Bwuh? Mas por quê? — Eu não tinha ideia do que isso tinha a ver com a Consumação e a igreja. Ele só queria explorar a situação para obter lucro para si mesmo? Inclinei a cabeça em confusão e Benno sentou-se em sua cadeira antes de começar sua explicação.

—Por enquanto, será apenas um seguro. Não demorará muito para que uma idiota como você caia na trama de um nobre e seja arrastada para o outro lado da parede. Isso nos permitirá entrar em contato com você depois que isso acontecer. Pense em qual situação você estará após ser forçada a assinar um contrato com um nobre. Os plebeus precisam de permissão para ir para o outro lado da parede interna. Já percebeu isso, certo?

Eu trabalhava no portão às vezes, então eu sabia que as pessoas precisavam de permissão para atravessar a parede interna. Balancei a cabeça e Benno fez uma careta.

—A neta do mestre da guilda ainda poderá falar com sua família após ir para o outro lado do muro. Faz sentido, porque a família dela é composta por mercadores aprovados por nobres. E a sua família?

Eu só podia responder em silêncio. Eu tinha escolhido especificamente não assinar um contrato com um nobre, porque significava me afastar da minha família. Se eu fosse arrastada para o outro lado da parede, talvez nunca mais os encontrasse.

—Duvido que sua família seja capaz de passar pelo muro para ver você. Então, no mínimo, você não deveria fazer um contrato mágico que permita que você veja Lutz agora, antes que tudo isso aconteça? Poderemos usar esse contrato como desculpa para Lutz e eu irmos te ver. Nem mesmo os nobres podem desafiar a magia do contrato.

Olhei para Benno com os olhos arregalados. Então olhei para Lutz. Fizemos contato visual e acenamos um para o outro.

—Com Lutz como intermediário, você pode enviar cartas, mensagens e assim por diante para sua família. Você também poderá se manter atualizada sobre como eles estão. E o mais importante, sua família será capaz de relaxar mais, sabendo que eles podem ter certeza de que você está segura através de Lutz. Mas não me importarei se você quiser assinar um contrato comigo.

—Você não será capaz de me manter informado sobre minha família, Sr. Benno, então. — Eu não queria pensar que me envolveria com nobres, mas se isso acontecesse, seria uma boa ideia para mim, me dar a capacidade de ver Lutz de forma preventiva. Freida havia dito que ver sua família era o suficiente para lhe dar força. Mas… Eu realmente queria envolver Lutz nisso também?

— O que acha, Lutz?

—Eu não me importaria de visitar o bairro nobre se pudesse e passar mensagens não é grande coisa. Eu ficaria mais preocupado se tivesse que te deixar sozinha lá. Minha cabeça dói só de pensar no que você pode fazer.

O próprio Lutz já estava de acordo com a assinatura do contrato, mas estávamos falando de um contrato anti-nobre aqui. Considerando o fardo perigoso que isso representaria para Lutz, eu não poderia estar muito entusiasmada em assiná-lo.

—Eu não acho que esse contrato seja algo que devemos levar muito a sério. Lutz não vai acabar em lugares ruins, às vezes perigosos? E isso não coloca seus lucros em perigo, Sr. Benno? Se Lutz for retirado da equação, é o fim para você e eu fazendo negócios, não é? — Apertei meus lábios, fazendo beicinho e Benno soltou um suspiro exasperado.

—Você não está em uma situação fácil o suficiente para se preocupar com os outros. Apenas fique feliz que Lutz se beneficie disso também.

—Como isso beneficia Lutz?

—Ah, não, não precisa se preocupar com isso. Pense no que vai te beneficiar. Serei honesto. Você já tem uma carta de convite e isso significa que mal temos tempo para nos preparar ou fazer qualquer coisa.

Benno tinha mais informações e uma perspectiva mais ampla que eu, então ele estava mais nervoso com isso que eu. Ele listou todas as coisas que precisávamos fazer antes que o templo me pegasse.

—Em primeiro lugar, precisamos criar oficialmente o ateliê da Myne e registrá-lo como seu capataz, para que você possa manter um caminho para fazer e vender produtos. Se o dinheiro pode melhorar sua situação, você vai querer negociar com o templo para colocá-la em circunstâncias onde você pode ganhar dinheiro. Isso não deveria ser impossível, já que eles também querem dinheiro.

Era verdade que a riqueza era uma forte fonte de poder. Eles me trataram extremamente bem após apenas sugerir um alto valor de doação. Quanto mais dinheiro eu tinha, melhor, quando se tratava de me proteger. Mas se o templo tomasse o controle de todos os produtos que eu fazia, eles ficariam com todo o lucro para eles. Eu precisava de um caminho confiável para vender produtos. Benno havia me enganado e me testado de algumas maneiras, mas agora ele era a pessoa mais confiável que eu conhecia.

Balancei a cabeça e Benno acenou de volta.

—Lembre-se de que a vida de um plebeu não significa nada para os nobres. Fique atenta. Prepare o maior número possível de rotas e meios de fuga para sobreviver enquanto puder. Coloque as mãos em qualquer coisa que possa funcionar como seguro e proteja-se.

O templo me tratou bem, deixando-me sentar no colo do Sumo Sacerdote e ler a Bíblia, mas não havia mal algum em preparar rotas seguras de fuga, por precaução. É melhor prevenir do que remediar. O fato de eu saber tão pouco sobre este mundo e não saber exatamente como me preparar, era realmente frustrante.

Benno olhou para mim com cuidado e continuou: —Você disse que ainda há dez nobres no templo, certo? Encontre um deles que você possa explorar para seu próprio benefício, enquanto eles exploram você, em vez de apenas se deixar explorar. Se você vai ser sequestrada e escravizada de qualquer maneira, você vai pelo menos querer abrir suas opções para um futuro um pouco melhor. Olhe com atenção. Escolha com cautela. Pense com cuidado. Não fique atordoada e siga o fluxo. Lute o máximo que puder para sobreviver.

—Sr. Benno, por que você está indo tão longe por mim…? — Não foi uma questão simples reunir todas essas informações e me dar avisos tão completos, sem mencionar que me ajudou a preparar um ateliê. Não entendia por que ele faria tudo isso por mim, quando eu nem seria uma aprendiz na loja dele.

—Quanto mais tempo você sobrevive, mais novos produtos você pode fazer. Se eu puder manter minha loja conectada a você, isso significará lucro para mim. Isso vai ser bom para nós dois, certo? Isso é tudo o que há. — Benno franziu as sobrancelhas e Mark riu suavemente atrás dele.

—O mestre está apenas preocupado com você. Você está sempre se colocando em perigo e causando problemas inesperados, é realmente ruim para a nossa saúde.

—Cala a boca, Mark, — disse Benno, virando-se, mas Mark continuou com seu leve sorriso.

—Os aprendizes aqui tendem a aprender os fundamentos do comércio em sua própria casa, então o mestre não havia conhecido uma criança que ele precisava cuidar tanto quanto de si mesmo até agora. Vou me abster de dizer que você é como uma filha para ele, mas é como a filha de um irmão e ele se preocupa com você, como se fosse um membro da família. Claro, eu também.

—Muito obrigada! Sr. Mark! — Soltei um agradecimento emocional e Benno cuspiu “Por que só para ele?”— Mark e eu nos entreolhamos e rimos.

—Obrigada também, Sr. Benno. Sou realmente grata a você. E… Farei isso. Vou assinar o contrato mágico e registrar o ateliê com a guilda.

Fim da leitura

Capítulo 77 concluído

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