Ascendance of a Bookworm — Capítulo 80: CAPÍTULO 80 - 79

Ascendance of a Bookworm
Cap. 80
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Ascendance of a Bookworm

CAPÍTULO 80 - 79

Capítulo 80

3.748 palavras~16 min de leitura

Ascendance of a Bookworm – Capítulo 79

Confronto

Apesar de meu corpo estar quente a ponto de ferver, minha cabeça estava tão tranquila, que honestamente me senti melhor do que eu normalmente sentia. Eu podia ver o sangue escorrendo do rosto do Arcebispo, embora eu estivesse apenas olhando calmamente para ele, enquanto ele pressionava as costas contra a porta.

Se você é tão covarde, não seja tão cruel com outras pessoas. Idiota. — O Sumo Sacerdote deve ter visto o Arcebispo ficar cada vez mais pálido, enquanto quebrava o silêncio para se levantar e gritar.

—Myne, sua mana está vazando! Controle suas emoções!

Mudei meu olhar do Arcebispo para o Sumo Sacerdote. No momento em que parei de olhar para ele, ouvi o Arcebispo desabar, como um saco pesado caindo no chão. Os sacerdotes cinzentos aparentemente recuperaram a capacidade de se moverem por eu ter desviando o olhar e pude ouvi-los correndo para o Arcebispo, enquanto o chamava. Suas vozes preocupadas desapareceram ao longe para mim, enquanto eu falava com o Sumo Sacerdote.

—Como faço isso? — Olhei para ele com firmeza e raiva nos meus olhos. O Sumo Sacerdote segurou o peito e soltou um grunhido.

—Ngh! Você não tem feito isso a vida toda?

—Ele me chamou aqui para conversar, começou a nos dar ordens, ficou violento e, além de tudo isso, ameaçou nos executar quando revidamos. Como eu poderia controlar minha raiva em uma situação como essa? Você terá que me dizer, eu não tenho ideia.

Olhei de volta para o Arcebispo. Agora que ele estava caído no chão, ele estava baixo o suficiente para que pudéssemos fazer contato visual. Ele se encolheu e tremeu com tanto medo, que era realmente cômico, deslizando para trás para chegar o mais longe possível de mim, com o terror cobrindo seu rosto.

Que cara engraçada. Ele não parece um avô gentil e também não parece um nobre presunçoso. Sou apenas uma garotinha fraca, mas ele está me olhando como se eu fosse um monstro. Me senti um pouco irritada com o quão duas caras o Arcebispo era, sempre mudando sua expressão na menor coisa, e dei um passo em direção a ele.

—F-Fique longe! Afaste-se! Fique longe de mim! — O Arcebispo, ofegando desesperadamente por ar, estava tão aterrorizado que estava repetindo a mesma coisa várias vezes. Ouvi o Sumo Sacerdote me chamar por cima do ombro, sua voz entrou em pânico.

— Pare! Se você ceder às suas emoções e continuar oprimindo o Arcebispo com mana, o coração dele não vai aguentar!

Respondi com um “Hm” desinteressado e dei um passo atrás do outro em direção ao Arcebispo.

—Ele pode simplesmente morrer, então. Você matará meus pais se eu te deixar vivo, certo? Vou te matar primeiro. Imagino que se está disposto a matar outras pessoas, está preparado para ser morto. Pense em todas as pessoas as quais sua morte trará felicidade. Aposto que há muitas pessoas que querem ser o Arcebispo.

Depois que dei quatro passos à frente, os olhos do Arcebispo rolaram para a parte de trás de sua cabeça e ele desmaiou enquanto espumava.

Em instantes, o Sumo Sacerdote estava de joelhos na minha frente, bloqueando protetivamente minha linha de visão para o Arcebispo. Suas sobrancelhas franziram de dor e ele olhou para mim com olhos sérios e mortais, enquanto o suor escorria pela testa.

—Vamos conversar.

—Conversar? Com punhos? Ou com mana?

Os olhos do Sumo Sacerdote se arregalaram, então ele tossiu, o sangue pingando do canto da boca. Meus olhos foram atraídos para as gotículas vermelhas escorrendo pelo queixo dele.

— Você não deve matá-lo. Se você matar o Arcebispo, sua família será manchada com o crime de assassinar um nobre. Isso não pode ser o que você quer, — disse o Sumo Sacerdote, me fazendo voltar aos meus sentidos. Eu não podia deixar minha família acabar como criminosos, devido a mim indo em fúria para salvá-los. Pisquei repetidamente e ouvi o Sumo Sacerdote suspirar de alívio.

—De volta aos seus sentidos agora, eu presumo?

—Acho que sim.

O Sumo Sacerdote se soltou de alívio e tirou um lenço do bolso para limpar a boca, antes de tirar o cabelo dos olhos. Isso era tudo o que ele tinha que fazer antes de retornar à sua expressão fria e calma de antes, como se nada tivesse acontecido.

— Vamos conversar. Assim como você desejou.

—Isso significa que você vai ouvir todas as condições que temos? — O Sumo Sacerdote franziu a testa por um momento, depois balançou a cabeça e colocou a mão no meu ombro.

—…Você precisará controlar sua mana furiosa para isso. Você vai controlar?

Respirei fundo e me concentrei no calor que se espalhou por todo o meu corpo, empurrando-o de volta para dentro de mim. Fazer isso foi mais difícil do que eu esperava e parecia que eu tinha muito mais calor da Consumação acumulado dentro de mim do que eu pensava.

Ou espere, é mana dentro de mim, não calor da Consumação. Quando pensamentos sem sentido passaram pela minha cabeça, consegui encaixar toda a mana em uma caixa dentro de mim e fechar a tampa com força. Instantaneamente, a força drenou do meu corpo e eu desabei como uma marionete com cordas cortadas.

—Cuidado! — O Sumo Sacerdote me abraçou para me impedir de cair no chão.

—Myne!

—Você está bem!?

O Sumo Sacerdote me ofereceu aos meus pais, enquanto eles corriam em nossa direção. Mamãe dobrou os joelhos para me abraçar com força. Papai olhou para o meu corpo mole com preocupação nos olhos.

— Estou bem. Meu corpo simplesmente não consegue acompanhar as rápidas mudanças de temperatura que acontecem quando meu calor da Consumação enlouquece. Isso acontece o tempo todo, ainda estou consciente.

— É mesmo? — Papai disse, ansioso. Soltei uma risadinha.

—Não é normal para mim, ficar tão emocional, mas bem, perdia o controle do calor constantemente cerca de seis meses atrás, quando quase morri.

— Eu não fazia ideia… — O Sumo Sacerdote se levantou, enquanto eu conversava com meus pais e dava ordens aos sacerdotes reunidos. Ele deixou o Arcebispo para eles e os instruiu a preparar uma sala para nossa discussão.

—Após colocar o Arcebispo na cama, volte para seus próprios quartos e descansem. Todos vocês devem estar bastante exaustos após serem atingidos diretamente com a Intimidação.

—Mas, Sumo Sacerdote, você mesmo e… — A preocupação do sacerdote foi justificada. De todos os sacerdotes lá, provavelmente era o Sumo Sacerdote que estava mais exausto de todos. Ele não só se meteu entre mim e o Arcebispo, como falou comigo enquanto me olhava nos olhos.

—Sumo Sacerdote… Você está bem? — Lembrei-me do sangue que escorria de sua boca e, reflexivamente, o chamei. Ele olhou para mim, surpreso, e forçou um sorriso.

—Este é um castigo que eu trouxe para mim. O que mais eu poderia esperar que acontecesse após assistir silenciosamente o Arcebispo irritar você, uma criança com a Consumação que, de alguma forma, conseguiu sobreviver até sua cerimônia de batismo?

O Sumo Sacerdote caminhou em nossa direção após terminar de dar ordens. De perto, pude dizer por sua expressão completamente exausta e respiração pesada que ele estava se esforçando.

—Por que você apenas nos observou silenciosamente, Sumo Sacerdote?

—Porque o melhor resultado possível, da minha perspectiva, seria você se juntar incondicionalmente ao templo. Busquei avidamente o caminho mais fácil com mais recompensas. Eu não esperava que seus pais comuns negassem firmemente as ordens de um nobre e eu certamente não esperava que eles abraçassem uma execução para proteger você. — O Sumo Sacerdote balançou a cabeça e papai sorriu um pouco.

—Myne é minha preciosa filha. Eu não deixei isso claro? — disse papai, o que fez o Sumo Sacerdote olhar para mim. Ele deu um sorriso complicado, um aparentemente pingando de auto zombaria, e gentilmente deu um tapinha na minha cabeça. Era como se ele tivesse tido uma visão deslumbrante, muito brilhante para ele.

—…Myne, tenho inveja de como você é amada, de quão profundamente seus pais se importam com você. Este templo está cheio daqueles abandonados por seus pais, sejam eles órfãos ou nobres, e não conhecemos tal calor.

As palavras do Sumo Sacerdote, faladas dentro de uma sala ornamentada, me encheram de tristeza e ficaram presas a mim, enquanto minha vida se entrelaçava com o templo.

Desde que o Arcebispo foi colocado em sua cama, nos mudamos para o quarto do Sumo Sacerdote para ter nossa discussão. Era fundamentalmente o mesmo que o quarto do Arcebispo com os mesmos móveis, mas não havia prateleiras com decorações e sua mesa estava enterrada em uma montanha de papel e tábuas. Parecia que o Sumo Sacerdote estava fazendo o verdadeiro trabalho no templo.

Desta vez, ele nos ofereceu lugares como era apropriado, incluindo um banco para que eu pudesse deitar. Então, a discussão começou.

—Você chamou o que aconteceu de Intimidação, não foi? O que diabos foi isso? Os olhos de Myne brilhavam como arco-íris e uma névoa amarela estava em volta de seu corpo…

…eu não tinha ideia de que esse tipo de coisa bizarra estava acontecendo comigo! Olhos de arco-íris? Uma névoa saindo de mim? A pergunta do meu pai me surpreendeu. Mas eu era a única que não tinha me visto, então ninguém mais ficou surpreso e a discussão continuou normalmente.

—É o que acontece quando alguém com mana perde o controle das emoções. A mana atravessa seu corpo, energiza e esmaga aqueles que eles identificam como inimigos, colocando imensa pressão mágica sobre eles. Deve ser um evento comum para as crianças, pois elas são ruins em manter suas emoções sob controle. Isso não aconteceu antes? —Meus pais se entreolharam e caíram em pensamentos.

—Eu vi seus olhos mudarem de cor várias vezes. Principalmente quando ela estava sendo irracional. Mas nada disso de Intimidação, isso nunca aconteceu. Ela sempre se acalmou depois que eu a dizia o porquê ela estava sendo irracional.

Essas eram boas lembranças para meus pais, mas de uma terceira parte, eu realmente me sobressaí como anormal. Até eu pensei que uma garota, cujos olhos mudavam de cor quando fazia birras, era quase assustador.

…não teria sido estranho para mim ser jogada nas ruas. Estou impressionada que eles realmente me criaram bem como fizeram.

—Os efeitos dependem da quantidade de mana, então é possível que a Intimidação que vimos tenha sido o resultado da mana de Myne crescendo pouco a pouco ao longo dos anos. Por favor, tenham cuidado e evitem que ela perca o controle assim novamente.

—Eu não vou ficar emocional assim, a menos que seja algo realmente horrível.

Indiretamente culpei o Arcebispo pelo que aconteceu. O Sumo Sacerdote me mediu com o olhar e estreitou os olhos.

—Sabe-se que aqueles com a Consumação têm quantidades anormais de mana, mas eu ainda não esperava que você tivesse mana suficiente para deixar o Arcebispo inconsciente puramente através da Intimidação. Perdoe minha pergunta, mas por que você está viva…? — Essa foi uma pergunta difícil de responder. Inclinei minha cabeça em confusão e o Sumo Sacerdote elaborou.

—Quanto mais mana se tem, mais forte é a mente necessária para controlá-la. Para ser honesto, a mente fraca de uma criança que não está familiarizada em manter suas emoções sob controle, geralmente, só pode suportar uma pequena quantidade de mana. Quanto mais mana uma criança tem quando nasce, mais rápido ela morre. A mana aumenta à medida que se cresce, de modo que as crianças com Consumação que sobrevivem até a cerimônia de batismo tendem a ter apenas pequenas quantidades de mana. É muito incomum que alguém com sua quantidade de mana ainda esteja viva.

—Eu já deveria estar morta, você está certo. Mas uma pessoa gentil me deu uma ferramenta mágica quase quebrada que salvou minha vida.

A Myne original morreu há dois anos. Eu teria morrido há seis meses se não fosse por Freida. O Sumo Sacerdote estava certo, não era fácil para uma criança com a Consumação sobreviver até a cerimônia de batismo.

— Entendo. Mas você não procurou um contrato com um nobre através dessa pessoa gentil? Você não sobreviverá sem fazer isso. Isso é bom para nós, já que significa que você se juntará ao templo como está, mas não posso deixar de ficar confuso. — Ele parecia sinceramente confuso, mas o mesmo aconteceu comigo.

—Qual seria o sentido de viver como escrava de um nobre? Quero ficar com a minha família, quero ler livros e quero fazê-los também. Viver uma vida onde não se pode fazer o que se quer, é a mesma coisa que estar morto. Não adianta.

—…Você quer viver como quiser, hm? Essa é uma filosofia difícil de entender. — O Sumo Sacerdote balançou a cabeça lentamente, se recompôs e depois abriu a boca após olhar para nós três. —Myne, gostaria que você se juntasse ao templo. Isso não é uma ordem, mas um pedido.

—Ouvi de um comerciante que há menos nobres e vocês estão com pouca mana agora. É verdade que a mana reunida no templo afeta a colheita?

—…Esse é um comerciante bem informado. Mas vou deixar isso de lado por enquanto. — Parecia que as informações que Benno havia coletado eram precisas. Nesse caso, sua falta de mana teria um enorme impacto na região.

—Você não pode pedir ajuda a outros nobres?

—Existem muitas ferramentas mágicas que devem ser mantidas em execução. São em grande parte ferramentas mágicas que protegem nosso país e suas cidades.

Pensei que o problema poderia ser resolvido fazendo com que outros nobres ajudassem, mas parecia que eles estavam ocupados com outras coisas.

—O Arcebispo é um homem de caráter questionável como você viu, mas eu que cuido da administração do templo pessoalmente. É raro uma criança com Consumação ter tanta mana quanto você. Como prometido, farei o meu melhor para acomodar suas necessidades.

—Papai, você pode cuidar do resto.

Já tínhamos discutido o que eu precisava. Eu deixaria o resto das negociações para o papai, o chefe da nossa casa. Mamãe deu um tapinha na minha cabeça e disse que eu poderia dormir se estivesse cansada, mas se eu não prestasse muita atenção às negociações que decidiriam meu futuro, Benno cortaria minha cabeça. Decidi assistir à discussão se desenrolar, caída contra o encosto do banco.

—Estas são as nossas condições. Já que precisa da mana da Myne, pedimos que a trate como uma nobre. Sob nenhuma circunstância ela deve receber o trabalho duro de uma donzela cinzenta do santuário.

O Sumo Sacerdote acenou com a cabeça para o pedido do meu pai sem mais do que um segundo de pensamento.

—Vou preparar túnicas azuis para ela. Seu trabalho principal será a manutenção de ferramentas mágicas, assim como nossos nobres aprendizes. Isso era o que inicialmente pretendíamos fazer se o Arcebispo não perdesse a cabeça, afinal. Farei com que o trabalho dela seja a manutenção de ferramentas mágicas e da sala de livros que ela tão apaixonadamente deseja entrar. O que acha disso? — Meus pontos de afeto pelo Sumo Sacerdote dispararam depois que ele me permitiu entrar na sala do livro sem qualquer negociação necessária da nossa parte. Ele parecia uma pessoa fria, mas, na verdade, era muito gentil.

Ele arriscou sua vida para parar minha fúria, ele é um líder habilidoso administrando todo o templo, ele leu a Bíblia para mim, ele me deixou entrar na sala do livro, ele me deixou entrar na sala do livro e ele me deixou entrar na sala do livro!

—Sumo Sacerdote, você é uma pessoa tão boa! — Fiquei tão comovida que soltei uma explosão de alegria, mas isso não chegou a ninguém. Papai e o Sumo Sacerdote apenas olharam para mim uma vez, antes de retornar à discussão.

—Além disso, estamos preocupados com ela morando no templo onde não podemos vê-la, então pedimos que você a deixe ficar em casa e ir para o trabalho todos os dias. Não temos intenção de deixar ninguém tirar Myne do nosso alcance.

— Entendo. Myne não é órfã, então pode ir para casa. Isso não deve ser um problema, pois já existem muitos nobres que ficam em suas casas.

—Além disso, Myne é muito fraca e doente para trabalhar todos os dias. O que você acha disso? — Mamãe estava segurando minha boca fechada com uma mão, mantendo-me em silêncio, enquanto avançavam a conversa sem mim.

—Ela não precisa se forçar a trabalhar quando está doente. Mas me lembro dela falando de ir para a floresta quando saudável, então nesses dias não deve haver nenhum problema com ela trabalhando, correto? — O Sumo Sacerdote olhou para mim e balancei a cabeça, frustrada comigo mesma por tagarelar sobre coisas que não deveria.

—Mesmo quando estou saudável, preciso de Lutz para fazer qualquer coisa.

—Lutz? O garoto que veio te buscar no outro dia?

—Sim. Ele cuida da minha saúde para mim. Sem ele, desmaiarei do nada e pegarei febres. Preciso de alguém para gerenciar minha saúde e para fazer qualquer coisa por mim.

Antes que eu pudesse continuar e dizer que só poderia trabalhar quando fosse conveniente para Lutz, o Sumo Sacerdote assentiu com compreensão. Ele começou a escrever algo em um quadro perto dele, como se não fosse nada demais.

—Ah, você precisa de servos. Isso não será problema, pois é costume que vários servos sejam designados para cada sacerdote e donzela azul do santuário.

Espere… Hum, servos? Vários deles… Eu não quero isso.

—Você ainda se opõe a ela se juntar? Tem outras condições? — O Sumo Sacerdote desviou o olhar de mim e de volta para meus pais, enquanto eu me debatia. Não havia dúvida de que ele estava sendo excepcionalmente indulgente comigo. Benno estava certo quando disse que iriam querer que eu me juntasse ao templo, não importando os custos.

—Um, Sumo Sacerdote. Estou registrada na Guilda dos Mercadores agora. Posso continuar executando meu ateliê?

—…Tais coisas são desnecessárias para aqueles que servem aos deuses. Ou assim diria o Arcebispo, em qualquer caso.

Pela primeira vez, o Sumo Sacerdote mostrou hesitação em relação a uma condição. Ele franziu as sobrancelhas e caiu em pensamentos. Tentei negociar da mesma forma que Benno me ensinou.

—Mas eu venho fazendo coisas há muito tempo. É uma fonte importante de renda para mim. Há um orfanato aqui, certo? Eu poderia dar trabalho aos órfãos e pagá-los ou dar uma parte dos meus lucros para o templo. Não há algum tipo de compromisso que possamos fazer aqui? — Ao contrário do Arcebispo, que provavelmente diria não, sem sequer pensar nisso, o Sumo Sacerdote dirigia o templo e conhecia muito bem o estado de suas finanças. Benno havia dito que, com menos nobres, o templo estaria recebendo menos doações e buscando formas alternativas de receita. Esperei pela resposta do Sumo Sacerdote. Ele murmurou frustrado: “O quanto ela sabe?” para si mesmo e esfregou suas têmporas.

—Pois bem. Em uma data posterior, discutiremos suas margens de lucro e quanto delas você dedicará ao templo. A decisão final pode ser tomada então. Como está, tenho tão pouca informação sobre seu trabalho que nada pode ser dito.

— Certo. Podemos falar sobre coisas de dinheiro outro dia, incluindo minha doação inicial.

Eu não queria falar sobre quanto dinheiro eu tinha na frente dos meus pais. O Sumo Sacerdote pegou nisso e levantou uma sobrancelha, mas olhou para os meus pais sem dizer nada sobre isso.

—Alguma outra condição?

—Não. Se ela for tratada como uma donzela azul do santuário e receber trabalho apenas nos dias em que estiver saudável e ficar em casa quando não, como mãe, estou satisfeita.

—Muito bem. Volte ao templo em um mês. Precisaremos de tempo para preparar suas vestes azuis e tudo o mais. — O Sumo Sacerdote acenou com a mão, sinalizando para sairmos da sala.

Uma vez que deixamos o templo e as paredes altas ao redor, o céu azul brilhante do meio-dia ajudou a liberar o peso de toda aquela negociação.

Papai me levou para casa. Por algum tempo, todos nós andamos em silêncio, mas, após ver a praça e voltar para a nossa parte da cidade, papai finalmente soltou um murmúrio.

—Acabou.

—Uhhum.

—Nós ganhamos, né? — perguntou papai em descrença. Respondi com um grande aceno de cabeça e um grande sorriso.

—Ganhamos muito. Mamãe, papai, obrigado por me proteger. — Cerrei meu punho vitoriosamente e dobrei meu cotovelo, tendo finalmente recuperado a força para me mover um pouco. Papai sorriu com seu sorriso habitual e me levantou com um braço, enquanto segurava a outra mão em punho.

— Foi você quem nos protegeu, lembra? Com essa sua Intimidação.

—Mmm, fiquei tão brava que minha mana enlouqueceu. Não me lembro exatamente o que aconteceu. — Ri e bati meu punho contra o do papai. Eles aceitaram todos os nossos termos e minha situação financeira estava em negociação. Se eu consultasse Benno e formasse um plano com antecedência, não havia como perder.

—Estou um pouco aliviada, para ser honesta. Acho que você vai se sair bem com o Sumo Sacerdote lá, — disse mamãe, fazendo-me inclinar a cabeça em confusão. O Sumo Sacerdote era definitivamente um líder capaz, mas eu não sabia o que, sobre ele, faria mamãe ficar aliviada. —Ele te parou quando você entrou em sua fúria, não foi? Você precisa de alguém para pará-la quando você foge por conta própria assim. Eu ficaria preocupada se algo acontecesse para fazer sua mana enlouquecer e não houvesse alguém que parasse e repreendesse você.

Esse era o tipo de razão que eu esperaria da mamãe. Ela me conhecia bem. Eu já podia imaginar que o Sumo Sacerdote estaria me dando sermão constantemente no templo com o apoio silencioso da minha mãe.

—…Ele provavelmente vai ficar com muita raiva de mim.

Minha previsão fez mamãe e papai rirem. Ocorreu-me que nada disso teria acontecido se eu não tivesse sido capaz de impedir o Arcebispo de executá-los. Suspirei de alívio.

Estou feliz que as coisas deram certo. Fiquei furiosa, mas não estava errada em fazê-lo. Como alívio por todos estarem seguros comigo, descemos a rua principal e que se transformou no pequeno beco que levava à nossa casa.

Tuuli estava esperando perto do poço. Ela estava andando em círculos, tão obviamente esperando que voltássemos que não pude deixar de sorrir.

—Tuuli!

—Myne! Yay! Você voltou! — No momento em que ela nos viu, Tuuli veio correndo em nossa direção, pisando nas ervas daninhas um pouco crescidas perto do poço. Papai me colocou no chão, de pé, para que eu pudesse encostar minhas costas nele. Quando Tuuli pulou em meus braços, ele estava pronto.

—Bem-vinda de volta, Myne! Eu estava esperando por você! — Tuuli sorriu, com lágrimas escorrendo pelo rosto e eu sorri de volta para ela.

—Estou em casa, Tuuli!

Fim da leitura

Capítulo 80 concluído

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