Ascendance of a BookwormCAPÍTULO 81 - 80
Capítulo 81Ascendance of a Bookworm – Capítulo 80
Epílogo
Houve alguns problemas ao longo do caminho, mas agora que as negociações com o templo finalmente terminaram, Gunther pensou que seria capaz de relaxar e ter um dia tranquilo no trabalho pela primeira vez em um tempo. Até que ele viu o sorriso bobo do Otto.
—Otto, tome jeito. Você acha que esse é o tipo de sorriso que um soldado deveria ter? — disse ele, levando Otto a bater suas bochechas algumas vezes. Mas teve pouco efeito além de avermelhá-las um pouco. Apesar de saber que ele provavelmente estava sorrindo devido a algo bom acontecendo com sua amada esposa, havia algo naquele sorriso que fez Gunther querer dar um soco forte no rosto de Otto.
Gunther soltou um suspiro e depois ouviu uma risada grave atrás dele. Ele se virou para encarar quem estava rindo e viu atrás dele o comandante do portão, rindo até o ponto em que seus ombros tremiam.
—Tal subordinado, tal capitão, hein? Neste momento, Otto se parece com você quando algo bom acontece com sua família. Pare para ouvi-lo, tem como? Geralmente é o contrário. Deve lhe dar uma boa perspectiva, — disse o comandante antes de dar um tapinha no ombro de Gunther e se afastar. Gunther estava um pouco consciente de que havia sido desagradável a Otto quando, por exemplo, o batismo de Tuuli se sobrepôs a uma reunião importante.
Ah… Bom… Ele não queria, mas Gunther decidiu passar o dia com Otto. Foi irritante quando ele começou a falar por dias sobre sua esposa, mas o que está feito, está feito. Felizmente, Gunther não sabia que basicamente todos pensavam nele da mesma maneira e estavam felizes que seus dois colegas obcecados pela família estavam se incomodando em vez deles.
Depois que seu turno acabou e alguém veio tomar seu lugar no portão, Gunther foi em direção ao portão leste com Otto. O portão leste se conectava à estrada externa principal, o que significava haver um fluxo constante de pessoas através dela e muitas pousadas e restaurantes nas proximidades. Os becos que saíam da rua principal tinham lojas lotadas e praticamente todos os que viviam na cidade tinham seus lugares favoritos.
Era verão, então cada restaurante tinha suas portas abertas e as vozes altas das pessoas bebendo podiam ser ouvidas em todos os lugares. Gunther e Otto caminharam pela multidão a caminho de um bar, onde a maioria dos guardas do portão passava seu tempo.
Quando Gunther entrou no bar cheio de cheiro de álcool e comida, viu um grupo de quase vinte clientes monopolizando duas longas mesas empurradas juntas no meio da loja. Havia várias mesas redondas para grupos menores, mas a maioria estava cheia.
—Oof, este lugar está lotado. — Gunther assentiu, enquanto passava pela multidão barulhenta até a parte de trás da loja e chamou o dono da loja, que estava servindo cervejas atrás do bar.
—Ei, Ebb. Dois behelles e um prato decente de salsichas cozidas, por favor. — Gunther colocou o pagamento da refeição no balcão, um grande cobre, e Ebb começou a derramar cerveja behelle em canecas de madeira. Eles seguraram suas cervejas com cuidado para não derramar nada, enquanto se moviam para a única mesa vazia que podiam ver, uma redonda perto da parte de trás da loja.
Os utensílios do último cliente ainda estavam lá, mas uma garçonete notou habilmente o problema e tirou as canecas e garfos de madeira antes que eles se sentassem. A única coisa que restava na mesa era o pão duro que usavam como pratos, que estava um pouco mais macio devido a sugar sucos de carne. Gunther limpou a mesa com o pão e o deixou cair no chão, então o cachorro do restaurante veio com um rabo abanando e comeu o pão.
Eles colocaram as canecas na mesa e se sentaram com um barulho.
—Saúde à Vantole.— Eles tilintaram suas xícaras, animando o deus do álcool antes de beber suas behelles. Gunther bebeu a maior parte dele em apenas alguns goles. Essa era a melhor maneira de beber behelle, se tornava mais gostoso. Ele adorava a sensação refrescante de behelle descendo sua garganta seca, após um dia de trabalho. O gosto agudo e amargo de behelle se espalhou por sua boca um segundo depois que ele terminou.
—Mmm, coisa boa! Então… O que aconteceu? — Gunther colocou a caneca vazia na mesa e insistiu com Otto após limpar a boca. Otto pegou as salsichas salgadas com a garçonete e pediu mais duas behelles. Pegando uma salsicha do prato de pão duro, Otto sorriu e deu de ombros.
—Corinna me disse para não contar a ninguém ainda, então desculpe Capitão, vou ter que manter isso em segredo.
—Ei, parabéns por ter seu primeiro filho.
—Co-Co, como você sabia?!
—O que mais sua esposa lhe diria para manter em segredo? Não é muito difícil adivinhar com esse seu sorriso bobo também.
Otto coçou a cabeça desajeitadamente. Gunther sabia, pois fizera a mesma coisa e todos zoaram ele, mas não havia necessidade de dizer isso a Otto.
Ainda assim… Otto, um pai? Um pateta como este pode criar bem uma criança? Esses pensamentos passaram pela mente de Gunther. Mas, novamente, todos disseram a mesma coisa sobre ele.
Ser feliz por um filho a nascer, significava que ele seria um pai profundamente amoroso. Ele ficaria bem. Gunther se corrigiu após refletir sobre sua própria vida e assentiu.
—Aqui está sua segunda rodada! Divirtam-se! — A garçonete deu um tapa nas canecas na mesa, fazendo com que seu conteúdo se agitasse. Um pouco de behelle derramou, mas nenhum trabalhador ou cliente na loja se importava com algo assim. Gunther passou um cobre médio para a garçonete e pegou sua caneca com Otto. Ao contrário da primeira vez, eles demoraram e apreciaram a infinidade de sabores doces e amargos, em vez de engolir tudo de uma vez.
Gunther sabia que Effa e Tuuli admiravam a esposa de Otto, Corinna, por sua habilidade como costureira. Tuuli disse querer trabalhar na oficina de Corinna quando seu contrato com sua oficina atual terminasse. Além disso, o irmão mais velho de Corinna, Benno, era o chefe da loja que estava ajudando muito Myne. O próprio Gunther só conhecia Otto bem, mas suas famílias estavam surpreendentemente ligadas em geral.
—Otto. Cuide bem de sua esposa e filho. Seu filho vai assumir aquela grande loja, certo? Lembro-me de Myne falando sobre isso.
—…Isso é parte do que quero falar, Capitão.
O comportamento de Otto endureceu em um instante. Seu sorriso pateta se apertou e seus olhos vacilaram, enquanto ele procurava por palavras. Ele parecia exatamente como Myne quando ela estava tentando finalmente falar sobre os problemas que ela mantinha escondidos dentro dela. O álcool voou da cabeça de Gunther, apesar de beber tanto que sua garganta parecia seca. Ele levantou a caneca e tomou um gole lento.
— Diga.
—Aaah, bem, isso é uma coisa de longo prazo. Levará alguns anos, eu acho, mas deixarei de ser um soldado em breve.
Otto havia se tornado um soldado para se casar com Corinna. Um comerciante viajante, coincidentemente, se apaixonando pela herdeira de uma grande loja. Corinna já estava sendo perseguida por vários comerciantes na cidade por causa de sua posição social e ela mesma suspeitava de Otto. Mas ele provou seus sentimentos comprando a cidadania na cidade e deixando sua vida como um comerciante para ser um soldado.
Basta dizer que Gunther ficou sinceramente chocado quando isso aconteceu. Foi há quatro anos, quando ele guardava o portão oeste. Um comerciante viajante que disse estar vendendo o resto de sua mercadoria e indo para a cidade onde seus pais moravam para começar uma loja, voltou apenas alguns dias depois, dizendo que usou todo o seu dinheiro para comprar a cidadania e precisava de ajuda para encontrar um novo emprego. Gunther não conseguia acreditar em seus ouvidos, mesmo após pedir que ele repetisse várias vezes com outros guardas próximos.
Mas Gunther tinha visto Otto passando pelos portões com seus pais quando ele era criança e sabia, por experiência própria, que alguém poderia se apaixonar à primeira vista por outra pessoa tão profundamente, que mudaria seus planos de vida para se casar com ela.
Otto havia aprendido a ler e fazer contas durante sua vida como comerciante e não era ruim em nenhum dos dois. Gunther o apresentou ao seu comandante sob a condição de que ele faria principalmente a papelada. A maioria dos homens que se tornaram soldados tendiam a não ter as habilidades necessárias para fazer a papelada, mesmo que tivessem o entusiasmo de treinar. Otto se juntando aos guardas, tornava muito mais fácil lidar com comerciantes e pessoas que passavam com cartas de apresentação de nobres.
E agora Otto estava deixando seu trabalho como soldado? A família de sua esposa o aceitou como comerciante? Ele sabia que Otto já estava ajudando a loja. Ele também sabia que estava fazendo algum comércio com os comerciantes e mercadores que passavam pelo portão para manter os sentidos aguçados. Se os esforços de Otto finalmente tivessem sido recompensados, isso seria algo para comemorar, mas Otto parecia mais perturbado que qualquer outra coisa.
—Seu cunhado finalmente aprovou você depois que você fez um filho?
—…Isso aconteceu há um tempo, então não. Isso está acontecendo por causa de Myne.
Os olhos de Gunther se arregalaram com a súbita menção de sua filha e ele pousou a caneca com um baque. Em contraste, a expressão de Otto se iluminou um pouco e ele tomou um gole de sua caneca.
—Capitão, a razão pela qual escolhi me tornar um soldado, em vez de qualquer outra profissão, foi para fazer conexões com as pessoas da cidade. Como trabalhei como soldado, as pessoas se lembrarão de quem sou, e me lembrarei de quem eles são. Eu também sabia que um soldado estaria na melhor posição para reunir informações sobre comerciantes e nobres entrando e saindo da cidade. Na verdade, eu pretendia continuar trabalhando como soldado por muito tempo depois disso, mas a situação mudou. Os produtos insanos que Myne continua fabricando, como Limxam e enfeites de cabelo, estão expandindo a Companhia Gilberta em direções que nunca esperávamos.
—Oh? Os produtos que Myne está fazendo? — Gunther estava orgulhoso e feliz como pai ao ouvir sua filha elogiada, mas ele não podia concordar inteiramente. De sua perspectiva, Tuuli estava fazendo o Limxam e Effa fazia melhores enfeites de cabelo que Myne. Era mais comum para ele ver Myne falhar por fraqueza ou fazer coisas de qualidade questionável que qualquer outra coisa.
—Mas a Companhia Gilberta é, em última análise, uma loja de roupas. O papel vegetal que Myne e Lutz nos trouxeram será imensamente lucrativo e impactará provavelmente o mundo inteiro, mas não é isso que nossa loja vende. Benno quer ampliar o escopo da loja. Corinna, no entanto, só se interessa por roupas e ornamentos. Ela não quer expandir o escopo da loja, então…
—A coisa que Myne está trazendo para você está causando problemas? — Gunther franziu a testa e Otto acenou apressadamente com as mãos de um lado para o outro e balançou a cabeça.
—Não, não, isso não é um problema, são apenas dores de crescimento. As coisas que Myne faz são mais que qualquer comerciante poderia pedir. Qualquer um iria atrás deles como Benno está indo. É que eles são demais para Corinna lidar. Então Benno quer entregar a Companhia Gilberta para Corinna e abrir sua própria loja enquanto eu a ajudo. Ele está no processo de fazer uma nova loja para que possa espalhar ainda mais as invenções de Myne.
O chefe de uma grande loja, fazendo uma nova loja e expandindo sua demografia de negócios, significava haver uma quantidade extraordinária de dinheiro sendo movimentado. Tuuli tinha ficado animada mais cedo e tentou desesperadamente explicar a Gunther que Myne era super rica, mas ele apenas pensou que fosse exagero. Ela havia trazido uma quantia de dinheiro, mas era tão irrealista para uma criança ter isso, que ele ignorou e já havia esquecido o que era.
—…Então, é verdade que Myne está ganhando quantias insanas de dinheiro?
—É verdade. Mas ela está administrando seu dinheiro anormalmente bem para uma criança, quase como se alguém já tivesse lhe ensinado economia. Duvido que tenha ensinado a ela, já que você é solto com dinheiro, então, realmente, tenho que perguntar. Quem a ensinou? — Gunther olhou para Otto, que estava levantando uma sobrancelha provocadora e deu um bufo zombeteiro. Havia apenas uma possibilidade para quem poderia ter gostado de sua filha fofa e a tornado anormalmente inteligente com mana desnecessária em cima disso.
—Os deuses devem tê-la ensinado. Myne é uma garota amada pelos deuses.
—Achei que você daria uma resposta idiota, mas isso é surpreendentemente convincente. Quase assustadoramente. — Otto deu de ombros com uma risada e mordeu uma salsicha. Gunther fez o mesmo.
—Então, quando você vai se demitir? Não há ninguém que possa fazer seu trabalho por você agora.
—Não posso simplesmente me demitir imediatamente, então acho que daqui a dois ou três anos. Estou pensando em encontrar um bom aprendiz e ensiná-lo a fazer matemática, para que possa tomar meu lugar. Haaah… Eu não esperava que Myne fosse arrebatada pelo templo assim. Aconteceu tão rápido que eu não tinha ideia do que estava acontecendo.
Gunther lembrou que Otto havia ensinado a Myne como as relações humanas eram complicadas e difíceis, para fazê-la desistir de ser uma aprendiz de comerciante. Quão bom teria sido se Myne realmente tivesse trabalhado em casa, enquanto ocasionalmente ia para o portão? Gunther também nunca esperou que o templo roubasse Myne.
—Digo o mesmo. Myne era toda sobre não querer lidar com nobres, mas de repente, ela começou a falar sobre ser uma donzela do santuário do nada. Sei que ela quer ler livros, mas mesmo assim… Caramba. — Gunther se lembrou de como Myne falou sobre se tornar uma aprendiz de donzela do santuário no momento em que voltou de sua cerimônia de batismo. Ele apertou a caneca com mais força. Myne era uma tola por ir de cabeça em um lugar que não entendia, apenas para poder ler livros.
—Benno reuniu informações e fez o que pôde para colocá-la em uma boa situação. Você está bem com ela indo agora?
—Você acha que estou? — Gunther olhou para Otto, que ergueu as mãos em rendição e balançou a cabeça. Não importava quais boas condições eles tivessem garantido, nenhum pai ficaria feliz em enviar sua filha ao templo.
—Como diabos estou bem com isso? Eles disseram que a tratariam como uma nobre, mas os nobres têm um senso de superioridade e nunca a tratarão bem.
Foi tudo conversa. Eles poderiam dar a ela um manto azul para as aparências, mas não havia chance de que eles realmente a tratassem como uma nobre. Gunther não tinha ideia de como eles a tratariam.
—Dito isso, eles não vão mandá-la para o orfanato. Enquanto ela voltar para casa, posso ficar de olho nela. Estamos lidando com nobres aqui. Só tenho que ficar feliz por eles não a levaram completamente.
—Mas ainda assim, Myne está em uma posição perigosa. — As coisas acabaram bem porque Myne teve uma explosão de raiva alimentada por mana e esmagou o Arcebispo, mas se isso não tivesse acontecido, ele teria executado Gunther e Effa antes de enviar Myne para o orfanato. O templo realmente foi generoso por não os matar e deixar Myne ficar em casa. Eles não poderiam pedir melhores condições que as que lhes foram dadas. Mas, independentemente disso, não havia dúvida de que o Arcebispo se ressentiria de ser esmagado por um plebeu. Não havia dúvida de que ele odiaria Myne e tornaria a vida difícil para ela. Gunther estava com medo só de pensar no que aconteceria quando Myne começasse a ir ao templo.
—Capitão! Isso é algo que Benno me disse, mas é provável que Myne tenha apenas cerca de cinco anos de segurança no templo, na melhor das hipóteses. Aqueles com mana são preciosos agora, devido à falta de nobres, mas assim que os nobres voltarem, ela corre o risco de ser tratada como um fardo.
— Apenas cinco anos, hein? Ainda assim, é melhor que ela não ir ao templo e morrer em meio ano. — O objetivo principal de Gunther, ao deixar Myne ir ao templo, era prolongar sua vida. Essa era a única coisa sobre a qual Gunther não tinha absolutamente nenhum controle. Ferramentas mágicas eram necessárias para mantê-la viva, mas Gunther não tinha as conexões ou o dinheiro para obtê-las. Ele se considerava um fracasso de pai.
—Mas agora, Myne é valiosa. Ela tem mana e tem o poder de ganhar muito dinheiro. Se ela puder provar seu valor antes que seu tempo acabe, ela pode ganhar um contrato melhor que aquele que apenas a escraviza.
— Myne disse que quer ficar conosco e não assinar um contrato com nenhum nobre, mas… Como pai, quero que ela viva o maior tempo possível.
Ela tinha vivido toda a sua vida até este momento sofrendo com a doença. Agora que ela estava finalmente seguindo seus sonhos, Gunther queria que ela continuasse vivendo e tivesse a vida que queria. Mas ela assinaria um contrato para permanecer viva? Se o fizesse, com que nobre assinaria e que termos teria o contrato? Tudo dependia da Myne.
Apesar de ser seu pai, havia muito pouco que Gunther pudesse fazer. Benno, reunindo informações enquanto a ensinava e o mestre da guilda, vendendo uma ferramenta mágica que ele reuniu para sua neta, estavam ajudando Myne muito mais que ele.
—…O que posso fazer? Não tenho dinheiro, nem contatos. Não importa o quanto eu a ame, sou apenas um soldado que não pode nem proteger a própria filha. Que piada.
Gunther se enterrou na caneca e soltou resmungos que nunca diria em casa. Apesar de dizer com confiança que protegeria sua família e a cidade, não havia muito que um único soldado pudesse fazer.
Ouvindo isso, Otto balançou a cabeça. —Eu acho que não. Considerando todas as coisas, pode ser a vontade dos deuses que o pai de Myne acabou sendo um soldado guardando os portões da cidade.
—…Do que você está falando?
Otto estreitou os olhos e, após olhar ao redor da movimentada loja, baixou um pouco a voz. —Graças ao trabalho árduo de Benno, Myne está um pouco protegida dentro desta cidade por contrato de magia. A possibilidade mais assustadora para Benno agora é Myne sendo sequestrada por um nobre de outra cidade.
—Sequestrada? — Gunther engoliu em seco. Ele esperava que um nobre no templo pudesse tentar algo assim, mas nunca considerou que nobres de outras cidades pudessem ir atrás dela.
—Um contrato mágico só tem efeito na cidade em que foi assinado. Se estamos lidando com um nobre desta cidade, o mestre da guilda ou Benno poderia pedir ao Arquiduque para investigar o paradeiro de Myne. Mas é muito possível que nem mesmo o Arquiduque tenha poder sobre um nobre de outra cidade ou região.
A realidade de que o dono de uma grande loja, o mestre da Guilda dos Mercadores e até mesmo o Arquiduque da cidade tinham poder limitado, era tão chocante para Gunther que parecia que ele havia sido atingido na cabeça.
Se o Arquiduque não pode fazer algo, como eu poderia? Como posso lutar contra nobres de outras cidades?Gunther esfregou as têmporas e Otto deu um sorriso desafiador.
—Para impedir que isso aconteça, você precisará investigar os sacerdotes no templo que não gostam de Myne e os nobres com quem eles têm conexões. Então você vai ter que manter um olho em nobres de fora entrando e ter certeza de que não há nenhum problema com eles. Pense nisso. Um guarda olhando todas as cartas de convite e cartas de apresentação passando pelo portão está na posição perfeita para proteger Myne, não está? — Gunther piscou e pensou em seu trabalho. Era verdade que para um plebeu querendo manter o controle dos nobres, não havia trabalho melhor que proteger um portão. Os nobres não entravam em cidades estrangeiras sem cartas de apresentação ou de convite. Eles sempre cavalgavam em cavalos ou em carruagens, então, sempre passavam pelo portão, depois se dirigiam diretamente para a parede interna para entrar no bairro dos nobres. Altos e poderosos nobres não se dignariam a vagar pela parte dos plebeus da cidade. Ao ficar de olho nos nobres que se dirigiam ao templo ou paravam sua carruagem na cidade, ele poderia reduzir drasticamente as chances de Myne ser sequestrada.
Mesmo que um nobre contratasse alguns criminosos para realizar o sequestro, Gunther reconheceria imediatamente pessoas que não eram da cidade. Geralmente, era fácil dizer se alguém vivia de atividades criminosas. Ele poderia perguntar aos moradores da cidade se eles tinham visto alguém suspeito, poderia patrulhar procurando por eles, ele poderia trabalhar em conjunto com outros guardas e poderia estar pronto para agir no momento em que algo ruim acontecesse. Claro, isso já fazia parte do trabalho de um soldado.
—Você se tornou um soldado para proteger esta cidade e sua família, certo? Você só precisa continuar protegendo a cidade como você tem feito.
—…Agora que penso nisso, devo dizer, é muita sorte que eu esteja sendo transferido para o portão leste na próxima primavera.
A cada três anos, cada pelotão de guardas passava para um portão diferente. O objetivo era fortalecer os laços entre os soldados e evitar qualquer negligência ou conluio, enquanto padronizava o trabalho que todos faziam, mas isso não importava para Gunther. No verão seguinte, seu pelotão estava se movendo do portão sul para o portão leste. Como o portão leste estava conectado à estrada externa principal, mais pessoas passariam por ele do que qualquer outra e era o lugar mais fácil para coletar informações. Dado o tráfego, era o portão que precisava da guarda mais pesada.
—Mantenha a guarda e mantenha uma forte rede de informações. Você pode querer usar suas conexões com outros soldados para formar uma linha de comunicação onde você pode se mover assim que sentir algo perigoso. Ajudarei também. Benno está colocando o pescoço bem fundo nisso, então minha família está tão envolvida nisso quanto a sua, — disse Otto, apertando o punho e dobrando o cotovelo. Ele estava fazendo o gesto que os soldados faziam para desejar uma boa sorte uns aos outros na batalha com um sorriso arrogante no rosto.
—Capitão! Vamos proteger nossas famílias. — Gunther devolveu o mesmo sorriso confiante, depois engoliu o resto de sua behelle antes de colocar sua caneca na mesa. Ele então cerrou o punho, dobrou o cotovelo e bateu o punho contra o de Otto.
— Sim. Protegerei minha família e esta cidade.
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