Ascendance of a Bookworm — Capítulo 83: CAPÍTULO 83 - 82

Ascendance of a Bookworm
Cap. 83
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Ascendance of a Bookworm

CAPÍTULO 83 - 82

Capítulo 83

3.838 palavras~17 min de leitura

Ascendance of a Bookworm – Capítulo 82

História extra — Leise — Receita de Confeiteira

—Leise, voltarei com Myne, então, por favor, prepare os bolos de libra para nós.

—Terei todas as receitas prontas. — Dei uma resposta curta à Freida e fui direto para as minhas ferramentas de cozinha.

Minha escolha de ser chef foi o resultado natural dos meus pais administrando um restaurante. Quando eu era jovem, eles faziam o seu melhor com uma pequena barraca, mas não demorou muito para abrirem um pequeno restaurante perto do portão leste. Cresci vendo-os cozinhar. Graças a eles, pude cozinhar antes de me tornar uma aprendiz e tinha habilidades com matemática o suficiente para lidar com as vendas, o que era raro para crianças que não tinham sido batizadas.

Depois do meu batismo, comecei a trabalhar em um restaurante de propriedade de um amigo da família e absorvi receita após receita. Adorava aprender e a pensar em como melhorar as receitas que me ensinaram e as receitas que eu tinha roubado, observando os outros cozinharem.

Explorei várias lojas para aprimorar minhas habilidades e eventualmente me pediram para cozinhar em uma mansão nobre. Meus pais me disseram para não fazer isso, já que eu não seria capaz de voltar para a parte plebeu da cidade, mas fui mesmo assim. Não queria perder a oportunidade de aprender as receitas servidas à nobreza.

Comecei a trabalhar até o osso como uma lavadora de pratos e lentamente roubei as técnicas realizadas pelo chefe de cozinha. Os ingredientes e especiarias, usados para refeições nobres, eram uma liga acima de qualquer coisa que eu já tinha usado. Até seus pratos eram mais chiques que qualquer coisa que você veria em um restaurante normal. Aprendi mais a cada dia.

Mas isso só durou alguns anos. Não importava o quanto treinasse, nunca me mudei para a cozinha. Em mansões nobres, você precisava não apenas de habilidade, mas conexões e uma linhagem digna para crescer.

Eu estava presa na lama, quando o chefe da guilda me chamou. O chefe de cozinha tinha me recomendado. Ele sabia que eu era habilidosa o suficiente para ser uma chefe de cozinha, mas não tinha as conexões para fazê-lo lá. Ele me pediu para fazer comida adequada para nobres, para sua neta, para que ela estivesse melhor preparada para viver no bairro dos nobres quando ela chegasse à idade adulta.

… Eu disse sim na hora. Finalmente, tive a chance de mostrar minhas habilidades como chefe de cozinha. Sem mencionar que eu estaria trabalhando para a Guilda dos Comerciantes, que tinha mais dinheiro que alguns nobres inferiores. Sua cozinha foi construída como a de um nobre e ele tinha todos os mesmos ingredientes e especiarias. Não havia lugar melhor para um chef trabalhar. Para mostrar meus agradecimentos por ter essa oportunidade, trabalhei duro a cada dia. Cada dia era extremamente divertido e gratificante. Construí total confiança em minhas habilidades. Eu estava confiante de que ninguém seria capaz de bater as receitas que eu tinha criado.

Isso é. Até Myne aparecer.

Eu não podia acreditar. Açúcar era um adoçante recém-desenvolvido que o mestre da guilda tinha conseguido comprar recentemente do Monarca. Ninguém no mundo, que eu conhecia, conseguiu fazer muito com ele. Tentei experimentar com ele de várias maneiras, mas não obtive sucesso. E ainda assim, Myne fez algo grande com açúcar, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Tive que fazer tudo sozinha, já que ela não tinha forças para fazê-lo ela mesma, mas suas instruções deixaram claro que ela sabia a receita de cabeça.

O bolo de libra que ela me fez assar era fofo, úmido, tinha uma doçura refinada e derretia na boca. Era diferente de tudo que eu tinha visto ou feito antes. Nem mesmo a cozinha nobre tinha feito nada parecido.

Mas quando perguntei a Freida de onde Myne era, ela me disse ser uma garota plebeia, com um pai soldado e uma mãe costureira. Sua família seria muito pobre para comprar doces extravagantes. No máximo, ela seria capaz de comer a fruta e mel que ela reunia na floresta. Onde ela aprendeu uma receita de confeitaria?

Desde então, eu estava experimentando com a receita de bolo de libra que ela me ensinou, alterando a massa e mudando o calor do forno. Após assar inúmeros bolos, finalmente fiz um que eu poderia considerar minha obra-prima. Até Freida dizia que isso era comida adequada para nobres.

Freida disse que faria Myne testar meus bolos de libra e negociar o direito de vendê-los. Não havia dúvidas de que Myne estaria procurando conexões com nobres. Freida a apresentaria a um nobre que a trataria bem em troca de direitos exclusivos ao bolo de libra.

Mas ao contrário de suas expectativas, apesar do verão que se aproximava, Myne nunca os visitou uma única vez. Quando Freida entrou em pânico e arrastou Myne à força para cá, ela não parecia preocupada com o limite de tempo de sua vida.

Quando Myne comeu o bolo de libra que eu tinha trabalhado incansavelmente para melhorar, ela apenas compartilhou ideias para melhorá-lo ainda mais em troca de açúcar. Ela disse que o sabor mudaria colocando coisas na massa antes de assar e que cremes e frutas fariam o bolo parecer mais chique.

Como fiz um bolo de libra com cascas de apfelsige moída nele, apertei a tigela. Myne sabia como melhorar o bolo de libra. Ela definitivamente sabia mais receitas.

… Eu as queria. Queria novas receitas dela. Eu queria saber todas as receitas que Myne tinha.

—Leise, Leise! Eu trouxe Myne!

Assim como eu estava alinhando os pratos com pequenas fatias dos meus bolos na mesa, no canto da cozinha, Freida veio correndo pela porta com um largo sorriso no rosto.

Freida nasceu fraca e quando fui contratada pela primeira vez, ela raramente saía do quarto. Ela tinha mudado tanto após conhecer Myne, que era difícil imaginar que ela era a mesma garota que considerava contar moedas de ouro em seu quarto como sua maior alegria. Ela se tornou uma comerciante com tanto entusiasmo quanto Benno, um jovem que cresceu no poder e influência todos os dias. Sua missão era fazer Myne se juntar à sua loja.

Freida estava se esforçando para atingir limites surpreendentes após decidir realizar seu primeiro evento de degustação. Ela tinha toda a família enrolada em volta do seu polegar, ordenando-os de todas as maneiras. Myne parecia ter se envolvido nisso também e Freida a trouxe para participar do teste de sabor.

—Então, Myne, você acredita que eu deveria considerar as crianças como uma demografia importante? —, Perguntou Freida. Myne respondeu, enquanto olhava ao redor da cozinha.

—Definitivamente será muito caro para as crianças comuns comprarem, mas as crianças comerciantes podem entender o valor e ter dinheiro para comprar algumas. Aqueles em idade de aprendiz serão capazes de ler, então… A coisa a se lembrar aqui é que a comida que você come em sua infância, permanecerá com você até a idade adulta.

— É mesmo? — murmurou Freida enquanto rabiscava algo em uma tábua, cuja visão fez eu me sentir curiosa. De qualquer maneira que eu olhasse para ela, o crescimento de Myne havia sido retardado por sua Consumação e ela parecia uma criança de cinco anos, na melhor das hipóteses. Mas ela estava falando inteiramente como se já tivesse experimentado atingir a idade adulta.

—Além disso, quando você o vender, não precisa vender o bolo inteiro de uma vez. Você pode baixar o preço e conseguir mais compradores vendendo fatias individuais. Isso seria bom para casais que só querem duas fatias, ou a cerimônia de batismo de alguém sendo celebrada. Coisas assim.

—Pretendo vender principalmente para nobres no início. Uma confeitaria cara servirá bem com eles, espero.

Freida queria manter o preço o mais alto possível, pois tinha direitos exclusivos de vendê-lo. Myne, por outro lado, queria baixar o preço para que mais pessoas pudessem comer o bolo. Apesar de serem duas jovens da mesma idade, ambas tinham filosofias muito diferentes.

—Explorar sua exclusividade não é uma má ideia, mas acho que baixar o preço e espalhá-lo é a melhor coisa a fazer, se você quiser que sua marca seja bem conhecida.

—Minha exclusividade dura apenas um ano. Dentro de um ano se espalhará independentemente do que eu faça, não? Quero passar este ano lucrando o máximo que puder, com nobres como meu núcleo demográfico.

—Mmm. Nesse caso, você pode usar frutas sazonais para fazer novos sabores de bolo, limitados a cada estação. Isso o distinguirá dos concorrentes e fará sua base principal de consumidores feliz.

Novos sabores de bolo, limitados a cada estação…? Não deixei a sugestão da Myne passar despercebida por mim. Imediatamente comecei a pensar em frutas sazonais.

—E o inverno, quando frutas não crescem? O que podemos fazer?

—Quero dizer, você não pode falar sobre coisas doces no inverno sem mencionar parues, certo? Há também (conservas) v… — Myne congelou no meio da frase e cobriu a boca.

Levantei uma sobrancelha para ela. Com um dedo na boca, ela disse que qualquer outra coisa custaria dinheiro. Parecia que ela havia percebido que tinha ficado tão envolvida na conversa, que estava fornecendo informações valiosas de graça.

Freida riu da expressão estranha de Myne. —Me pergunto o que você estava prestes a dizer? Tenho uma quantia considerável preparada para pagar por suas informações, Myne.

Quando oferecido um preço que ela considerava um justo valor de mercado, Myne tendia a jogar informações extras de graça como um “bônus”. Freida disse que era muito melhor formar relacionamentos amigáveis e de longo prazo, que tentar avidamente maximizar o lucro ou do que tentar enganar os outros. Considerando que ela costumava dizer que enganar as pessoas era o pão e a manteiga dos comerciantes, era fácil ver o quão dramaticamente ela havia mudado.

—Mmm, eu ia falar sobre (conservas). Simplificando, são frutas que você coloca em frascos com álcool. Leva muito tempo para que a imersão as faça ter um sabor perfeito, mas acho que elas seriam perfeitas para bolos de libra no inverno.

—Que tal, cinco grandes pratas? — Com o conhecimento fundamental de imersão de frutas em álcool obtido, todo o resto poderia ser tratado através de experimentação. Mesmo que as negociações falhassem, eu estaria bem. Ou assim pensei, quando Myne olhou para o açúcar.

—…Acho que, como o açúcar não se espalhou muito, ninguém sabe como fazer ou usar (conservas) também.

Apesar de apenas mencionar frutas e álcool, parecia que o que ela estava falando também usava açúcar. Pedir detalhes provavelmente seria inteligente, então. Receitas envolvendo açúcar exigia um monte de tentativa e erro. Não havia muitas receitas lá fora usando-o. Olhei para Freida e ela assentiu.

—Que tal, oito pequenos ouros, então?

— Certo. Te ensinarei como fazer e usá-los. Você será capaz de manter isso para si mesma até que o açúcar se espalhe, então não há necessidade de um contrato desta vez.

Elas bateram as cartas da guilda para trocar dinheiro, então Myne apontou para um frasco na cozinha.

—Vamos precisar de um pote assim. Você tem algum outro?

—Podemos apenas usar esse, ele não tem nada nele. Do que mais precisa?

Me mudei para a cozinha sob as instruções de Myne e consegui o que precisávamos. Lavei alguns rutbers, uma fruta que só crescia nesta estação, e os cortei antes de colocá-los todos em uma tigela. Enchemos cerca de metade da tigela com açúcar e a deixamos lá. Myne disse que era importante deixar repousar até que a água escorresse dos sulcos e o açúcar começasse a derreter neles.

—Você sabe quanto custa o açúcar? Tem certeza de que devemos usar isso tudo de uma vez?

—É para preservação. A fruta vai ficar ruim se você não colocar açúcar suficiente. Além disso, a fruta apodrecerá se você não colocar álcool super forte nela, como álcool destilado.

Tive a sensação de que o senso de dinheiro de Myne tinha sido prejudicado pelo quanto ela estava ganhando com a venda de receitas e direitos de produtos. O açúcar valia seu peso em prata, mas ela estava usando isso em um único lote de doces.

—Uma vez que a água é retirada dos sulcos, coloque-os no frasco e adicione o álcool. Hum… Você tem que ter certeza de que toda a fruta está sob o líquido, ou as partes que sobressaem ficarão com mofo. Além disso, você deve adicionar um tipo diferente de fruta após cerca de dez dias. Pfirsloches e prunbeers estão prestes a entrar na temporada, certo? Você realmente quer embalar sabores de verão aqui e comê-los uma vez que o inverno chegue. Ah, certo. Frutas como apfelsiges não são muito boas para isso, eu acho.

Freida escreveu todos os avisos que ela estava nos dando. Eu os esculpi na minha memória, enquanto mexia a tigela. Eu podia dizer que o líquido estava sendo retirado lentamente.

—Você está fazendo isso também?

—Mhm. Usei o açúcar que você me deu antes. É a primeira vez que os faço também. Você pode colocá-los em bolos de libra também, ou usá-los como geleia. Eles também são bons para fazer (parfaits) ou colocar (sorvete).

Myne sorriu para si mesma, murmurando algo sobre ansiar pelo inverno, quando de repente Freida disparou e olhou para a mesa.

—Oh nãaoooo. Saímos dos trilhos. Esqueci tudo sobre o teste de sabor.

—Isso me lembra. O Sr. Benno disse que também quer provar os bolos. Ele pode vir? — Freida lançou um olhar para Myne, os olhos se estreitaram. Myne coçou as bochechas e olhou um pouco para cima, como se tentasse se lembrar do que Benno havia dito.

—Ummm, o teste de sabor ainda é bastante raro, certo? Ele está interessado em que tipo de doces você vai vender, mas está ainda mais interessado em como os eventos de teste de sabor acontecem.

Freida caiu em pensamentos, depois olhou para cima com um sorriso. Ela deve ter pensado em algo. Ela se virou e se dirigiu para a porta da cozinha.

—Tenho algo que preciso perguntar ao vovô. Você vai ter que me dar licença por um momento. Leise, por favor, mantenha Myne entretida.

Freida tinha uma rivalidade estranha com Benno e ele chegando, aparentemente iluminou seu coração desafiador e flamejante. Ela rapidamente deixou Myne na cozinha, mantendo sua aura graciosa o tempo todo.

—…Bem, lá vai ela.

—Ela geralmente não age assim, você sabe.

—Freida disse a mesma coisa sobre você, quando eu lhe disse como melhorar os bolos de libra.

Myne riu e soltei um suspiro. As pessoas estavam apontando há anos que eu nunca poderia ficar parada após aprender uma nova receita, mas não mostrei sinais de crescer fora da cozinha.

—Isso é culpa da sua receita.

—…Aww. Sinto muito.

—Não precisa se desculpar. Sou eu quem quer aprender novas receitas. Então, se importa de me dizer como esses bolos ficaram?

Coloquei um pedaço de bolo na frente dela, que melhor representava o conselho que ela me dera: um com apfelsiges adicionados para cheiro e sabor, um com um pouco de açúcar transformado em mel e um com nozes. Além disso, preparei chá, que combinava com o bolo de libra em geral.

—Eles todos parecem tão bons! Obrigado. — Os olhos de Myne brilharam, enquanto ela sorria e dava mordida lenta após mordida lenta, apreciando ao máximo os sabores. A maneira graciosa como ela segurava seu garfo, me fez pensar em uma filha nobre a quem foram ensinadas maneiras rigorosas. No mínimo, ela não parecia uma pobre plebeia, considerando como eles tendiam a encher seus rostos de doces quando tinham a oportunidade de comê-los.

Myne tomou um gole de chá enquanto comia e soltou um suspiro satisfeito.

—De todos esses, acho que gosto mais do apfelsige? Gosto de como o sabor floresce na minha boca, — disse Myne, com um sorriso quente após tomar chá.

—…Oh, as folhas de chá que fizeram este chá, provavelmente, combinariam com bolo de libra também.

—Folhas de chá? Não são muito difíceis de comer?

Myne segurou a mão sobre a boca. Aparentemente, essa foi uma informação valiosa. Soltei um “hmph” e coloquei um saco de açúcar na mesa.

—Lhe darei esse saco de açúcar se você falar. Quero saber tudo o que puder para fazer o melhor bolo possível. Suponho que você esteja ficando sem açúcar graças a essa Conserva, não?

Para ser honesta, nunca tinha sonhado em colocar folhas de chá em doces. Os doces eram, bem, doces. Meu entendimento era que os chefs do Monarca estavam operando sob o princípio de que se você fosse usar açúcar caro, quanto mais doce, melhor. Era difícil pensar que folhas de chá tornariam qualquer coisa mais doce. Não tive tempo suficiente para experimentar as folhas e descobrir como usá-las corretamente.

—…Bem, um saco de açúcar provavelmente vale a pena, talvez. Esta pode ser a minha maneira de dizer obrigado por todo o bolo.

Após pensar um pouco, Myne explicou o que ela queria dizer. —Você pode moer as folhas de chá para que elas não machuquem a boca e estraguem a sensação na boca da comida, quando você as misturar com a massa. Você vai acabar com um bolo cheiroso.

—Você quer dizer folhas de chá como estas? — Segurei uma garrafa recheada com as folhas de chá que usei para a bebida de Myne e ela deu um grande aceno de cabeça. Após olhar um pouco para a garrafa, acendi um fogo no forno. Comecei a moer as folhas de chá enquanto Myne comia bolo ao meu lado. Queria experimentá-lo imediatamente. Isso significava deixar uma convidada sozinha por um tempo, mas ela seria a primeira a provar, então tudo daria certo.

—Ei, Myne. Se importa se eu perguntar uma coisa?

—De jeito nenhum, o que é?

—Você também tem algumas dicas secretas para fazer uma boa sopa? Parece que sim, a julgar pela forma como comeu enquanto estava aqui. Você sempre deixou a sopa, mas nada mais. Pensei que talvez você não gostasse de vegetais, mas você os come sem problemas em outras coisas. Qual é o segredo para fazer uma boa sopa? — Myne olhou para mim com os olhos arregalados, o garfo ainda na boca. Levantei uma sobrancelha enquanto batia em ovos.

—…Você é esperta, Srta. Leise.

—Então, você vai me contar sobre a sopa?

Myne tirou o garfo da boca e o colocou no prato.

—…Isso é um pouco mais difícil para mim. As coisas são diferentes de antes e vou ficar presa lidando com nobres em breve, querendo ou não. Quero manter o máximo de trunfos que puder na manga, para autodefesa.

Sua expressão derrotada, impossibilitou ir mais longe, então apenas encolhi os ombros.

Eu sabia o que ela estava enfrentando graças ao meu tempo trabalhando na mansão de um nobre. Havia perigo em uma sociedade baseada em posição social e as dificuldades trazidas não eram motivo de riso. Fazia sentido que ela quisesse manter os trunfos e apenas concordei que ela deveria.

—Estou bem compartilhando receitas de doces se Freida comprar exclusividade cronometrada para eles, no entanto.

—Sério?!— Inclinei-me para frente com a tigela ainda na mão e Myne assentiu repetidamente, recostando-se de medo.

—Só depois que os bolos de libra se tornarem populares, quero dizer. Talvez um bom momento seria quando a exclusividade do bolo de libra acabasse.

—Benno não vai atrapalhar isso? — Perguntei, sabendo que Freida estava sempre falando sobre Lutz e Benno tentando monopolizar o conhecimento de Myne, mas ela apenas inclinou a cabeça.

—Não sei do que está falando. Ele provavelmente não vai ficar muito feliz com isso, mas não acho que ele vai ser capaz de ficar no caminho. Para ser honesta, acho que as receitas não significarão nada para ele, mesmo após serem tornadas públicas.

—Por que isso?

—Benno ainda não tem fortes conexões com os nobres, então ele não será capaz de obter os ingredientes ou o talento necessário. Parece que ainda não há rotas comerciais estabelecidas para o açúcar e para conseguir um chef do seu nível, ele precisaria arrebatar alguém longe dos nobres, certo? Freida disse que foi assim que o mestre da guilda te contratou.

A análise de Myne sobre Benno, que basicamente poderia ser considerada seu guardião, me deixou sem palavras. Parecia que Myne estava realmente pensando corretamente sobre a quem ela deu informações. Nesse caso, talvez houvesse uma chance de ela me ensinar mais receitas.

Olhei para Myne enquanto polvilhava a tigela com farinha.

—Você não se importa de me dar suas receitas?

—Um chef precisa ser tão habilidoso quanto você para replicar uma receita só de ouvir. Além disso, você é tão apaixonada pelo seu trabalho que me faz querer ajudá-la, — respondeu Myne, me deixando tão feliz que eu queria gritar. Ela estava basicamente dizendo que ela reconheceu minha habilidade como uma chef. Ela me ensinava receitas que não ensinaria a Benno, a quem ela devia tanto.

—… Mas vai acabar sendo injusto com várias pessoas se eu as ensinar de graça, então isso é meio que um problema.

Myne não estava muito obcecada com o lucro, mas o mesmo não podia ser dito para aqueles ao seu redor. Não só isso, mas suas receitas fizeram grandes ondas ao redor dela em mais de uma maneira. Suas receitas provavelmente não eram a única coisa que ela fazia sem precedentes históricos.

Misturei manteiga derretida na tigela e tentei perguntar a Myne algo que estava em minha mente há muito tempo.

— Ei. Myne. Quem no mundo é você? Onde você aprendeu todas essas receitas?

—…Mmm… Aprendi com os sonhos.

—O que você disse? — Eu a encarei com força, pensando que ela estava brincando, mas ela apenas deu um sorriso perturbado.

— Não estou brincando. Até agora, estas são todas as coisas que só fui capaz de comer em sonhos. — Myne deu um sorriso nostálgico que parecia muito maduro, minhas suspeitas só aumentaram.

—Eu realmente gostaria de apenas explicar todas as minhas receitas de uma vez e ter chefs talentosos como você para fazê-las, mas…

Myne fechou os olhos, depois olhou para cima e deu um sorriso infantil brilhante. Era o tipo de sorriso estranho, claramente forçado. Imaginando que esse era um tópico sobre o qual ela não queria falar, mudei um pouco de assunto enquanto despejava a massa no molde.

—Você não pode fazer isso sozinha?

—Eu não tenho força, resistência, ferramentas ou habilidades para replicá-las. Então preciso de um chef qualificado ajudando e posso ensinar inúmeras receitas para eles. Ou bem, eu não posso agora, mas você sabe o que quero dizer.

Myne chutou com as pernas, enquanto franzia a testa com um olhar triste no rosto. Olhei para seus braços esbeltos e fracos, lembrando que ela não tinha forças para até mesmo misturar uma tigela de farinha. Era difícil imaginá-la cozinhando qualquer coisa com eles.

—Basta pedir se você quiser comer alguma coisa. Faço qualquer coisa por você se me disser a receita. — Meu coração dançou com a oportunidade de recriar receitas que só existiam dentro dos sonhos de Myne.

Estou tão animada. Que tipo de receitas estão dormindo dentro dessa garota? Olhei para Myne comendo mais bolo de libra, enquanto colocava a nova massa de bolo de folha de chá no forno.

Fim da leitura

Capítulo 83 concluído

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