Ascendance of a Bookworm — Capítulo 86: CAPÍTULO 86 - 85

Ascendance of a Bookworm
Cap. 86
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Ascendance of a Bookworm

CAPÍTULO 86 - 85

Capítulo 86

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Ascendance of a Bookworm – Capítulo 85

História Extra — A vida de um aprendiz de mercador

Um sino tocou alto no meio da cidade escura, anunciando ser hora dos cidadãos trabalhadores acordarem de manhã cedo.

—Ngggh, manhã já…? — No passado, eu dormi direto no primeiro sino e ficava na cama até que minha mãe me acordasse, mas agora que eu era um comerciante aprendiz, tive que levantar logo.

Forcei meu corpo cansado apesar de suas reclamações e comecei a me mover. Como um dahua, contratado até os dez anos de idade, tive que trabalhar todos os dias. Hoje foi um desses dias, o que significava que teria que ir para a Companhia Gilberta.

—Guuuh, estou tão cansado…

— Isso é o que você queria, Lutz. Pare de reclamar.

Fui para a cozinha e tomei café da manhã, enquanto mamãe reclamava comigo. Mergulhei pão duro na sopa que sobrou de ontem e comi. Para terminar a refeição, engoli um pouco de leite que recebemos trocando ovos de nossas galinhas e limpei a boca com uma manga. Foi então que percebi meu erro.

—Ah, merda…— Olhei reflexivamente para as manchas de leite na minha manga, lembrando como Mark me disse para comer graciosamente e usar um pano ao limpar a boca.

Para os clientes ricos da Companhia Gilberta, eu agia e falava muito grosseiramente para trabalhar lá. Apesar de tentar seguir o conselho que me foi dado e me livrar dos maus hábitos, eu sempre acabava agindo errado, sempre que não estava prestando atenção. Myne me disse para seguir o exemplo de Mark e eu estava tentando o meu melhor para fazer exatamente isso, mas eu tinha tantos maus hábitos que nem percebi serem ruins.

…É difícil notar esse tipo de coisa a menos que alguém as aponte para você. Como alguém criado por uma família de construtores, eu não sabia nada sobre em que tipo de mundo os comerciantes viviam. Foi só após fazer papel e abrir um caminho para ser um aprendiz na Companhia Gilberta, que comecei a receber pequenos conselhos de Mark. Ninguém em toda a minha vida tinha me avisado para limpar a boca após comer, para manter minhas roupas e cabelos limpos, para falar educadamente, para ter postura adequada, ou mesmo para tratar as coisas com cuidado.

Graças a isso, finalmente entendi como Myne se sentia quando disse que tinha memórias de viver em outro mundo e tinha dificuldade em entender como viver aqui. Se você me perguntasse, eu estava muito mais próximo de Myne do que eu costumava ser. Você realmente não podia notar essas coisas a menos que alguém lhe dissesse.

— Obrigado, mãe. Até mais! — Rapidamente terminei meu café da manhã e saí correndo do apartamento.

Os portões abririam assim que o segundo sino tocasse. Os fazendeiros que acordaram à primeira badalada para vir vender suas colheitas, com os comerciantes que tiveram que passar a noite nas aldeias depois que os portões fecharam, começariam a correr para a cidade. A Companhia Gilberta abria exatamente no segundo sino, para fazer negócios com esses clientes, o que significava termos que estar lá ainda mais cedo para preparar a loja.

Meu pai e meu irmão mais velho Zasha, trabalhavam com construção, então o trabalho deles dependia muito do clima. Eles partiram assim que o sol nasceu. Sieg e Ralph eram aprendizes em oficinas de carpintaria. Mamãe tecia em uma oficina têxtil. A abertura dos portões era irrelevante para as oficinas, então aqueles que trabalhavam em uma, tendiam a sair após o segundo sino, por volta da época em que as crianças que iam para a floresta começaram a se reunir lá fora.

Basicamente, agora que eu era um aprendiz dahua na Companhia Gilberta, eu estava acordando e trabalhando super cedo.

Passei por becos pequenos e mal iluminados, já correndo pela rua ainda escura. Cada dia era mais quente que o último, desde que meu batismo foi no início do verão, mas o ar ainda estava frio graças à hora adiantada e atingiu minhas bochechas agradavelmente enquanto eu corria.

Os funcionários da Companhia Gilberta eram geralmente filhos de comerciantes ricos, o que significava que todos viviam ao norte. Eu era o que morava mais distante, no portão sul. Era comum eu acabar atrasado, apesar de levantar e me mexer no momento em que ouvia a primeira badalada. Pelo menos ainda era verão. As coisas ficariam ainda mais difíceis quando o inverno chegasse e cada dia começaria comigo, tendo que deixar minha cama quente.

Quando cheguei à Companhia Gilberta, era cedo o suficiente para que ninguém estivesse lá dentro se preparando ainda. A porta para os funcionários — dahuas — ainda estava fechada. Soltei um suspiro de alívio e comecei a subir as escadas ao lado da loja, momento em que ouvi o som pesado da porta se abrir.

Ah, droga. Está aberta agora. Depressa! Corri para o meu quarto no sótão alugado e lavei meu rosto com o pequeno jarro dentro, depois o limpei com uma toalha. Belisquei um pouco de sal e o esfreguei contra meus dentes, depois os limpei com a toalha antes de gargarejar. Uma vez que isso foi feito, peguei um par de minhas roupas de aprendiz de um fio pendurado e me troquei apressadamente, antes de usar um pente que Mark comprou para que eu pudesse arrumar meu cabelo o máximo possível.

—Nmm, sim, eu deveria lavar meu cabelo hoje. — Toquei meu cabelo enquanto o escovava e suspirei. Estava um pouco gorduroso. Mark provavelmente me daria um aviso se eu não lavasse logo. Eu tinha alguns Limxam que eu mesmo fiz, mas desde que meus irmãos zombavam de mim, sempre que me viam usando em casa, eu sempre fazia isso aqui. Esta noite eu lavaria minhas roupas e meu cabelo.

Após me vestir, peguei minha bolsa que tinha minha tinta, caneta, calculadora e assim por diante, antes de correr de volta pelas escadas e entrar na loja.

— Bom Dia.

—Bom dia, Lutz. O Sr. Mark já está na parte de trás, — alertou um dapla que estava limpando a parte da frente da loja, onde os clientes iam. Corri apressadamente para a seção dos fundos. Praticamente todas as lojas mantinham a maioria de seus produtos na parte de trás de suas lojas para evitar roubos. Eles só colocavam algumas amostras na frente. Os clientes indicariam o que queriam, então mais disso seria retirado da parte de trás da loja ou da área de armazenamento do porão. Basicamente, o fundo da loja era muito maior que a frente da loja e estava cheio de produtos.

—Lutz, você está um pouco atrasado.

— Desculpe, eu… Perdoe meu atraso, Sr. Mark. —Pedi desculpas a Mark, que estava dirigindo os dahuas próximos, enquanto organizavam a área de armazenamento, depois comecei a trabalhar ao lado deles. Gerenciar a área de armazenamento nos fundos, era o trabalho dos dahuas recém contratados. Você não poderia fazer nada se não soubesse o que estava lá atrás, onde estava e como lidar com isso. A primeira coisa que os dahuas precisavam fazer, era aprender a manusear os vários produtos diferentes, desde acessórios até tipos de pano. Quem diria quanto tempo levaria para ter tudo memorizado como Mark.

—Lutz, leve os enfeites de cabelo para a frente.

— Sim, senhor! — Os enfeites que Myne e eu, fizemos durante o inverno estavam vendendo muito bem. Myne mencionou a venda do processo de fabricação para a Companhia Gilberta, então, no futuro, os enfeites provavelmente seriam feitos na oficina de Corinna, mas, por enquanto, eram todos enfeites que tínhamos feito juntos.

Eu tinha pensado que os grampos de cabelo só iriam vender a partir do final do outono para o início da primavera. Uma vez que, fora do inverno, aqueles com cerimônias de batismo e cerimônias de idade adulta, poderiam recolher flores por conta própria. Mas os comerciantes que viajavam, atraídos por produtos raros, estavam comprando muitos enfeites de cabelo.

Espero que eles vendam hoje também. Coloquei delicadamente os enfeites de cabelo em uma bandeja, tomando cuidado para não danificar a forma das flores. Das cinco flores de cores diferentes na bandeja, uma tinha flores que pareciam piores que as outras. Eu ri um pouco, enquanto pensava em como Myne provavelmente havia feito aquele.

O segundo sino tocou e os portões se abriram. Os clientes vinham um após o outro. Alguns vieram para vender lã, pano e linha, enquanto outros vieram para comprar as mesmas coisas antes de sair. Todos eles deixaram a frente da loja cheia e ocupada. Como aprendiz mais inútil, eu ainda não tinha permissão para trabalhar na frente da loja. O máximo que pude fazer, foi levar mercadorias verificadas para a parte de trás da loja.

O dahua que se juntou na primavera era o filho de uma grande loja, então ele estava acostumado a lidar com os clientes. Ele lhes ofereceu chá, carregou suas entregas para dentro e basicamente trabalhou na frente da loja.

—Lutz, você poderia levar essa entrega para os fundos da loja? Dê a Leon, se puder.

—Entendido. — Peguei o pano dele e fui para a parte de trás, depois procurei o dapla Leon para dar a ele. Ele assentiu e colocou a entrega onde precisava estar. O pano foi organizado com base na qualidade e na cor, mas, ainda não consegui determinar a qualidade do pano tocando nele. Leon veio de uma loja que lidava com tecidos e era tão habilidoso com isso que, apesar de se inscrever pela primeira vez como um dahua, ele acabou sendo promovido a um dapla.

…Poderia não ser possível para mim me tornar um dapla, mas eu precisava, pelo menos, fazer um trabalho bom o suficiente para o meu contrato dahua de três anos, para não ser terminado mais cedo.

Todos os outros que trabalhavam na Companhia Gilberta eram de famílias de comerciantes. Como filho de carpinteiro, eu não tinha a experiência de infância com negócios que eles tinham. Eu precisava trabalhar muito mais que qualquer outra pessoa. Fui aceito como aprendiz por fazer o papel e os grampos de cabelo com Myne, mas essa não foi realmente minha realização. Foi tudo Myne.

Quando o terceiro sino tocou, os clientes que entraram na cidade no segundo sino, começaram a sair e foram substituídos por comerciantes de dentro da cidade. Os novos dahuas iriam para a frente da loja quando sua família chegasse e praticariam lidar com os clientes. Mas como ninguém da minha família veio fazer negócios, não tive oportunidade de praticar. Mestre Benno disse que eu teria que praticar com Myne. Mas como Myne não era uma comerciante, não achei que ela daria a melhor prática.

O quarto sino sinalizava o fim do trabalho matinal e o início do almoço. A loja fechou e, com uma pessoa ficando de guarda, todos voltaram para casa ou pegaram algo para comer nas bancas e restaurantes da rua principal. O pão que mamãe me fez trazer para o trabalho não era suficiente para o almoço, então eu geralmente comia algo em uma barraca. Ter meu próprio dinheiro e poder gastar comigo mesmo foi incrível. Eu devia muito à Myne por me ensinar a economizar dinheiro para quando eu precisasse no futuro.

Foi uma dor, mas ao ir almoçar tive que voltar para o sótão e trocar de roupa novamente. Não importava o quanto eu estivesse com fome, eu não poderia comer nada enquanto usava meu uniforme de aprendiz. Mark ficaria bravo comigo se me visse andando por aí comendo comida de uniforme.

Os estandes de comida mais perto do mercado na parte ocidental da cidade, eram mais baratos que os estandes perto da praça ou a leste. Comprei uma galette lá e comi no caminho de volta para a praça, sob o sol quente do verão. As galettes eram uma forma móvel de alimento, feitas a partir da mistura de três tipos de farinha, cozinhando-as por um tempo, depois envolvendo o pão resultante em torno de presunto, bacon, salsicha e outros tipos de carne. Ao contrário do pão cozido seco para fins de preservação, as galettes eram fáceis de comer sem sopa.

Eu poderia comer fora hoje graças ao tempo claro, mas em dias chuvosos, tinha que me contentar com água e o pão duro que trazia de casa. Não havia muitas barracas de comida que operavam na chuva e seria uma dor andar lá fora durante o mau tempo de qualquer maneira. Basicamente, o tempo sempre foi importante.

Terminei minha galette quando cheguei à praça e, por hábito, limpei as mãos nas calças. Me sacudi com medo e olhei em volta para ver se alguém da loja estava por perto.

…. Ainda bem, ninguém. Suspirei de alívio e corri de volta para o meu quarto no sótão. Ao contrário do Mestre Benno, que adorava fazer refeições longas e lentas, eu tinha bastante tempo livre durante o intervalo para o almoço e pretendia usar a oportunidade para lavar a roupa. Eu queria lavar meu cabelo hoje também. Peguei uma banheira e coloquei um balde, meus uniformes sobressalentes, uma toalha, sabão, uma tábua de lavar roupa e um frasco de Linxam nela, antes de descer as escadas e ir para o poço. Era difícil viver em um quarto do sótão devido a todo o uso da escada.

Puxei água para o balde no poço, coloquei o enxaguador e lavei meu cabelo primeiro. Tirei a camisa, despejei o balde de água de Limxam na cabeça sobre a banheira, coloquei a água de volta no balde e repeti o processo. Deixei meu cabelo completamente molhado e depois sequei com uma toalha. Meu cabelo era curto, ao contrário do da Myne, e eu não tinha ninguém para me ajudar, então esse era o melhor caminho para mim.

Após secar meu cabelo com a toalha, lavei minhas roupas e a toalha. Quando terminei de lavar meus uniformes de aprendiz e a toalha, voltei para o meu quarto e os pendurei no fio para secar. Dessa forma, eles estariam secos na próxima vez que eu viesse.

Passei um pente no cabelo. Minha cabeça estava ótima e meu cabelo estava liso. Puxei um fio de cabelo e balancei a cabeça após ver que estava sedoso novamente. Com isso feito, voltei a vestir o uniforme que estava usando pela manhã e voltei para a loja.

— Ah, vejo que você lavou o cabelo. É bom que tenha aprendido a fazer isso antes de eu apontar. Manter-se limpo é muito importante, — disse Mark, me elogiando. Meus esforços sendo reconhecidos me deram a força para continuar tentando o meu melhor. Eu queria aprender com o exemplo de Mark e ser mais capaz de ficar de olho nas outras pessoas. Isso não seria fácil.

Os comerciantes da cidade passavam pela loja ocasionalmente durante a tarde, mas em comparação com a manhã estávamos muito menos ocupados. Foi quando o Mestre Benno e Mark foram ao distrito dos nobres nos dias em que tinham negócios lá.

Depois que o quinto sino tocou, nós, novatos, fomos ensinados por daplas experientes sobre os empresários que passavam pela loja, fazíamos recados para a Guilda dos Comerciantes e estudávamos para fazer melhor nosso trabalho. Tínhamos muito mais tempo livre e era mais fácil fazer perguntas em comparação com qualquer outra hora.

—Hoje vamos aprender sobre como escrever pedidos de fornecimento. Cada loja escreve seus pedidos de maneiras um pouco diferentes, então esqueça como você faz isso em casa. Você precisará aprender como nós, da Companhia Gilberta, escrevemos nossas ordens de fornecimento.

—…Reaprender coisas de novo? É tão difícil lembrar de todas as pequenas diferenças. — Os novatos sabiam como as coisas funcionavam em sua casa, mas tiveram que reaprender muito para trabalhar na Companhia Gilberta. Aprender algumas coisas do zero foi difícil para mim, mas, provavelmente, foi ainda mais difícil para eles reaprenderem a mesma coisa com pequenas diferenças.

—Você já sabe como escrever pedidos de suprimentos, Lutz? Parece que é assim que a Companhia Gilberta os escreve. Sim, tudo bem. Tente fazer as contas para esses relatórios de vendas, então.

—Entendido.

Cara… Myne realmente é incrível. Graças a Myne me ensinando a ler, escrever e fazer contas, além de aprendermos a contar dinheiro e escrever pedidos de suprimentos por meio de nossos negócios com o Benno, de alguma forma, eu estava conseguindo fazer meu trabalho, apesar de não ter o conhecimento de uma criança criada como comerciante. Se não fosse por ela, eu poderia imaginar que os daplas teriam parado de tentar me ensinar há muito tempo.

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Tilintei as peças da calculadora enquanto fazia as contas. Eu ainda era lento com ela, mas o fato de que eu estava apenas um pouco de prática longe de ser tão rápido quanto os outros aprendizes, era graças a como eu tinha praticado usá-la com Myne.

—Lutz, o mestre está chamando por você. Por favor, vá ao escritório dele.— Mark me chamou e me disse para ir ao escritório de Benno. Levantei-me e senti os olhares invejosos dos aprendizes ao meu redor.

—Lutz de novo, sério…?

—Mestre Benno sempre o chama de gerente da Myne. Aposto que é apenas algo a ver com Myne de novo.

Fui até o escritório dele enquanto ouvia as dahuas murmurando atrás de mim. Eles não estavam errados. Só acabei como aprendiz de comerciante graças a ser amigo de infância de Myne e o cara cuidando dela. Era exatamente por isso que eu pretendia fazer meu trabalho como “o gerente da Myne”.

Ninguém mais poderia ser o gerente dela, a não ser eu.

—Aí está você. É sobre Myne,— disse Mestre Benno no momento em que entrei na sala, olhando para cima de algum papel e tábuas que ele estava verificando. —O que todos ao seu redor estão dizendo sobre Myne se juntar ao templo?

—Acho que ninguém sabe que ela está se tornando uma donzela do santuário, exceto eu e sua família. Todo mundo pensa que ela só está trabalhando em casa e vindo aqui como ela tem feito. A família dela não está espalhando a notícia, já que pareceria algo ruim do lado de fora… Eu acho.

Só os órfãos se juntam ao templo. Esses órfãos eram crianças pré-batismo que foram abandonadas por suas famílias, talvez, e não tinham parentes próximos para cuidar deles. Crianças batizadas poderiam se tornar aprendizes residentes com seus empregadores como seus tutores. Suas vidas se tornariam muito mais difíceis, mas manteriam seus empregos e posição social.

Havia muitos rumores sobre crianças criadas no orfanato do templo. Alguns disseram que foram forçadas a trabalhar até os ossos em mansões nobres, alguns disseram que ficaram presas dentro do templo pelo resto de suas vidas. Ninguém jamais os contrataria e como eles supostamente nunca participaram de cerimônias de batismo ou cerimônias de idade adulta, eles nem eram contados como cidadãos da cidade. Eles foram tratados como bagagem indesejada. A família de Myne seria zombada e menosprezada se soubessem que sua filha se juntou ao templo.

—Myne será tratada como uma donzela de santuário azul, mas a maioria das pessoas não entenderá o significado disso e com certeza não sabemos o que acontecerá se ela se envolver com uma dor real de um nobre. Não diga nada que não precise. Recebi relatos de que alguém está farejando a cidade para obter detalhes sobre Myne. Tome cuidado.

Parecia que Freida o havia avisado de que um homem havia visitado a Guilda dos Mercadores à procura de informações sobre Myne.

—Freida apenas pensou que ele era outro comerciante que Myne pisou nos dedos, mas sabemos que ela está entrando no templo. Não seria estranho para alguém do lado da nobreza coletar informações sobre ela. Lutz, não será difícil para eles descobrirem que você tem um contrato mágico assinado com ela. Fique de olho em você e em seus arredores.

Mestre Benno pretendia esconder Myne o máximo possível e eu pretendia fazer o mesmo. Para ser honesto, nunca lidei com nobres, então não sabia o que os tornava assustadores ou irritantes de lidar. Mas todos estavam tão atentos a eles, que eu sabia que também deveria estar.

—A propósito, Myne está prestes a melhorar?

—Acho que sim. Já se passaram três dias desde que ela ficou doente com febre, então ela deve estar melhorando em breve.

—Traga-a aqui quando puder, preciso falar com ela sobre algo.

—Entendido. — Balancei a cabeça e saí de seu escritório, apenas para ver que todos já estavam fechando a loja.

—Lutz, por favor, guarde os produtos ainda desorganizados na sala dos fundos. O sino está prestes a tocar, — disse Mark, assim que o sexto sino começou a tocar. O sexto sino sinalizava o fechamento da loja.

— Até amanhã. — Todos nós dahuas começamos a ir para casa. A loja estava sendo fechada pelos daplas que tinham quartos nos andares superiores da loja, como Mark e Leon. Eu precisava sair logo para que a loja pudesse fechar. Apressadamente peguei minhas coisas e corri para fora.

Então subi para o meu quarto no sótão para me trocar e ir para casa. Tirei minha roupa de aprendiz e a joguei na banheira antes de vestir minhas roupas habituais. Então verifiquei o jarro de água para ver quanta água tinha sobrado. Se não houvesse água suficiente para lavar meu rosto lá, eu não teria tempo para pegar mais na manhã seguinte.

Parece que ainda há o suficiente.

Tranquei minha porta do sótão e corri escada abaixo, depois comecei a andar para casa. Praticamente todos na cidade iam para casa no sexto sino, então a rua, que escurecia rapidamente, estava cheia de pessoas. Havia uma brisa fresca, mas o calor corporal da multidão a tornava inútil.

… Nunca houve tanta gente quando eu estava voltando da floresta. Agora que eu tinha um emprego, estava preso caminhando com a multidão no sexto sino. Mas, quando eu estava me reunindo na floresta, quando o sexto sino tocava, os portões já estavam fechando e só via a luta entre os comerciantes tentando forçar o seu caminho para a cidade e os guardas do portão tentando fechar os portões. Nós, crianças, podíamos entrar em becos pequenos a caminho de casa, para evitar multidões.

— Ah, bem-vindo de volta, Lutz. — Quando cheguei em casa, mamãe estava fazendo o jantar. Meus irmãos também estavam em casa. Era uma prática diária para a mãe gritar comigo para ajudar com o jantar, lembrando-me que todos os outros estavam cansados também, e hoje não foi exceção.

Nosso menu caseiro se expandiu um pouco graças às receitas da Myne, mas muitas delas exigiam coisas como parues, que só cresciam no inverno ou de outra forma exigiam muito trabalho, então nossos hábitos alimentares normais não mudaram muito. Comemos principalmente pão, sopa, presunto e salsicha.

—Gaah! Ralph! É minha.

—É sua culpa por ser lento! — Ralf roubou uma fatia do meu presunto, então levantei meu prato, os olhos se abriram de raiva, mas Zasha veio pelo lado para roubar a salsicha do meu prato.

—Você é um aprendiz de comerciante, você não se move muito. Somos carpinteiros e muito mais famintos que você.

—Pare, Zasha! — rugiu minha mãe. —Sente-se e coma! — Minha salsicha foi salva graças aos gritos da mamãe, mas pude dizer pelos olhos deles que eles ainda estavam mirando na minha comida. Se eu não terminasse meu prato enquanto eles ainda estavam mansos com o olhar da mamãe, eles estariam de volta a ele em pouco tempo. Comi a salsicha e depois me mudei para o meu pão encharcado de sopa.

Gaah, droga! Eles vão pagar por isso! Graças às minhas economias, eu tinha dinheiro suficiente para comprar comida para mim, mas ainda assim, ter minha comida roubada realmente me irritou.

Nosso jantar cheio de conflitos terminou e fui direto para a cama. Eu não poderia acordar cedo se não fosse para a cama cedo e de qualquer forma, não havia muito o que fazer depois do pôr-do-sol. Ir para a cama rápido para economizar velas era o melhor plano.

Ouvi o sétimo sino tocando, sinalizando ser hora de dormir.

Acho que vou ver a Myne amanhã. Ela já deve estar melhor.

Fim da leitura

Capítulo 86 concluído

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