Diários de uma Apotecária — Capítulo 11.02: Volume 11 – Capítulo 2 – Capítulo 2: O Estrategista Ataca!

Diários de uma Apotecária
Cap. 11.02
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Diários de uma Apotecária

Volume 11 – Capítulo 2 – Capítulo 2: O Estrategista Ataca!

Capítulo 11.02

3.037 palavras~13 min de leitura

Mal haviam voltado ao anexo e já foram chamados aos aposentos de Jinshi.

Como se não pudesse esperar até amanhã!

Era o meio da noite; todos, exceto o guarda de serviço, estavam dormindo profundamente. O ar estava frio e, pior ainda, Maomao não tinha jantado. Ela estava desesperada para acabar logo com aquilo.

Quando chegou ao quarto de Jinshi, descobriu sua escrivaninha coberta de rascunhos abandonados de inúmeras cartas. Suiren ou Taomei poderiam tê-los recolhido, se estivessem ali; o fato de ainda estarem espalhados mostrava que as damas de companhia deviam estar realmente atoladas de trabalho. Maomao claramente não era a única que ficava acordada até tarde trabalhando.

Por um momento, ela achou que não havia ninguém no quarto, mas então, por acaso, viu Baryou espiando por trás de uma cortina. Por um segundo, uma tensão percorreu o ar entre os dois, como dois gatos selvagens se encontrando, e então Baryou desapareceu novamente atrás da cortina sem dizer uma palavra.

Entretanto, outra coisa espiou por trás da cortina em seu lugar: uma pata com uma mancha preta no bico. Sem Basen por perto, Baryou devia estar cuidando dela. Ele não era muito chegado à companhia humana, mas talvez uma pata estivesse de bom tamanho.

Sinto que existe um risco real dela ser comida pela senhorita Chue. Pelo visto, a proteção do marido era suficiente para salvar a pata do cutelo da esposa.

— Ah, Maomao, você está aqui — disse Suiren, que apareceu de um cômodo dos fundos. Maomao se virou para ela como se nada fora do comum estivesse acontecendo.

— Sim, senhora. Fui fazer um exame médico na neta do Mestre Gyoku-ou. Acho que a senhorita Chue contou a você. Tianyu, o médico, estava comigo; ele está no consultório médico agora.

Ele havia jogado toda a tarefa de prestar contas a Jinshi nas costas de Maomao, sob o pretexto de que cada um deveria “fazer aquilo em que era melhor”. Quando pensou nele sentado para jantar tarde, mas ainda assim mais cedo do que ela, prometeu em silêncio servir-lhe outra xícara de chá de swertia. Por enquanto, ela deu a Suiren um breve resumo.

— Vou chamar o Príncipe da Lua — disse a outra mulher. Antes de sair, ela recolheu as cartas descartadas e colocou-as em uma cesta.

— São muitas tentativas que não deram em nada — comentou Maomao.

— Ele está escrevendo cartas para todos em quem acha que pode contar. Deve ter escrito quase cem… não, duzentas, talvez.

— D-Duzentas?!

Pelo que Maomao conseguia ver das cartas inacabadas, todas começavam com o tipo de descrição floreada e vazia da estação que se esperava de uma mensagem de um membro da família Imperial. Sim, provavelmente havia uma maneira mais ou menos prescrita de escrever esse tipo de coisa, mas, mesmo assim, escrever todas aquelas cartas à mão seria suficiente para causar tendinite em qualquer pessoa.

Talvez eu devesse preparar uma compressa fria. Infelizmente, ela tinha levado consigo apenas suas ataduras e a pomada de sempre.

A julgar pela quantidade de rascunhos espalhados, Jinshi devia estar se correspondendo não apenas com os burocratas mais importantes, mas também com os governantes regionais.

— É ótimo que ele esteja realmente fazendo o trabalho dele e tudo mais, mas ficar implorando ajuda para todo mundo que aparece não vai meio que... tirar um pouco da autoridade dele?

A pergunta de Maomao arrancou um suspiro de Suiren, ela parecia concordar que aqueles que viviam “acima das nuvens” não deveriam ser tão rápidos em enviar cartas para aqueles que viviam abaixo delas.

— Você acha que esse tipo de coisa incomodaria o Príncipe da Lua?

— Não... Não, não acho.

Aquele era um homem que havia passado seis anos fingindo ser um eunuco, uma posição que lhe proporcionava um profundo conhecimento das adversidades e dos ataques da opinião pública. Ele provavelmente estava menos preocupado do que qualquer outra pessoa ali com o tratamento um tanto rude que estava recebendo na capital do oeste.

— É por isso que precisamos que você diga alguma coisa a ele, Maomao! — disse Suiren.

— Mas...

— Mas o quê?

— Bem... Boa sorte. — Suiren deu um tapinha no ombro de Maomao. Por algum motivo, ela estava sorrindo.

Maomao logo descobriu o porquê, pois Jinshi saiu do quarto. Chue e Gaoshun estavam com ele e, desde o momento em que Maomao viu o sorriso no rosto de Chue e a maneira como Gaoshun pressionava uma mão contra a testa, ela teve um mau pressentimento.

Jinshi não parecia estar de muito bom humor.

— Chue me contou tudo — disse ele. — Pelo que entendi, você se divertiu na vila agrícola?

Ora essa! Fazia um tempo que eu não o via nesse tipo de humor, pensou Maomao. Ela não estava muito feliz com Chue por ter dedurado tudo.

— Você e esse homem Rikuson, pelo que parece, são muito próximos — continuou Jinshi. Praticamente o que ela esperava.

— Não sei se eu diria isso, senhor — respondeu Maomao.

— Ah? É mesmo?

Sim? Sim. Sim, é isso. Maomao lançou um olhar furioso para ele. Chue mostrou a língua e deu um tapinha brincalhão na própria testa. Gaoshun olhou para a nora como se estivesse sem palavras.

Está bem. Estou com raiva. O que você contou para ele? Sim, Maomao entendia que Chue estava apenas fazendo seu trabalho. Mas saber disso só a fazia chegar até certo ponto.

— Então por que você estava tão determinada a ir especificamente com ele para aquela vila?

— Porque eu sei que uma carruagem é mais barata do que duas. Além disso, pensei que poderia ser útil se pudéssemos trocar informações.

— Hum. — A justificativa de Maomao não parecia satisfazer Jinshi.

— Posso ir embora agora? Respondi ao chamado porque presumi que o senhor queria saber sobre a cirurgia, mas, considerando o horário, talvez tudo isso pudesse esperar até amanhã? — Ela pretendia verificar o ferimento de Jinshi também, mas, pelo visto, o melhor a fazer era sair dali. A questão da neta de Gyoku-ou também poderia esperar.

Uma parede alta, porém, surgiu diante de Maomao. Tum. Jinshi havia se levantado de seu assento e estava parado bem na frente dela.

— Sim, senhor? — perguntou ela. Jinshi continuava parecendo pouco satisfeito.

— Chegou ao meu conhecimento que esse homem com quem você afirma não ser especialmente próxima recentemente lhe propôs em casamento.

Pelo menos, ele foi direto ao ponto.

— Pelo que entendi, foi uma brincadeira, senhor.

— Alguém diz uma coisa dessas de brincadeira?

— Talvez tenha sido uma gentileza social, como o grampo de cabelo que o Mestre Lihaku me deu na festa no jardim. — Ela se lembrou de que Jinshi também tinha ficado igualmente contrariado naquela ocasião. Maomao, de sua parte, confiava que não haveria problema se fosse franca e honesta.

Jinshi ficou em silêncio. Ele parecia querer muito, muito dizer alguma coisa, mas apesar de todas as aparências em contrário, ele era um homem ocupado, com muito o que fazer.

Na tentativa de mudar de assunto, Maomao decidiu fazer o relatório que esperava vir até ali para fazer. — A cirurgia da neta do Mestre Gyoku-ou foi um sucesso. No entanto, gostaria de continuar fazendo exames periódicos para acompanhar o progresso da recuperação dela. Presumo que não haja problema?

— Ah, sim... Já entrei em contato com o senhor Gyoku-ou. Ele me disse que você pode fazer o que achar melhor.

— Entendo, senhor. — Avôs não costumavam mimar as netas? A resposta de Gyoku-ou parecia tão... indiferente. Talvez só soasse assim porque ela estava ouvindo aquilo através de Jinshi.

Então ele odeia sangue estrangeiro, é? Maomao pensou, lembrando-se do que a filha de Gyoku-ou tinha lhe contado.

— E qual era o problema da paciente? — perguntou Jinshi, sentando-se em uma cadeira.

Maomao soltou um profundo suspiro mental e decidiu evitar o assunto de Rikuson dali em diante, se fosse possível. — Era uma obstrução intestinal. Um corpo estranho ficou preso em seus intestinos, então o removemos em um procedimento cirúrgico. A cirurgia em si foi feita por Tianyu, o novo médico. Eu servi como assistente dele.

— Oh. Eu teria apostado que você estaria louca para fazer isso pessoalmente.

— Eu teria aceitado. — Afinal, era uma rara oportunidade de ganhar experiência cirúrgica com um procedimento relativamente seguro, e Maomao estava tão ansiosa quanto qualquer outra pessoa para aproveitá-la. — No entanto, o fato é que Tianyu me supera de longe em habilidade cirúrgica.

— Isso é uma surpresa. — Jinshi quase parecia um pouco decepcionado, como se desejasse que Maomao tivesse feito a cirurgia.

A última coisa que quero é que alguém reclame do meu tratamento cirúrgico. Talvez fosse tarde demais no caso de Jinshi, ele sabia da extensa experiência pessoal de Maomao com venenos e também sabia que, certa vez, ela havia decepado o braço de um homem em nome de salvar sua vida.

— Então o que era essa obstrução? — perguntou Jinshi.

— Acredite em mim, senhor, é melhor você não saber.

— Não me diga que eram gafanhotos. — Maomao o viu empalidecer um pouco.

Ela balançou a cabeça. — Não, não eram. A obstrução era um bolo de frutas e cabelos.

— Cabelos? — Jinshi pareceu perplexo, e Chue e Gaoshun também olharam para Maomao, curiosos.

Ela deu um resumo a eles. Isso incluía mencionar a aversão de Gyoku-ou a estrangeiros, mas aquilo não pareceu surpreender Jinshi. Ele simplesmente disse: — Ele odeia estrangeiros, é?

— O senhor tem alguém em mente? — perguntou Maomao.

— Sim — murmurou ele, entrelaçando os dedos e estreitando os olhos. — Você sabe qual é a relação entre a Imperatriz Gyokuyou e o senhor Gyoku-ou?

— Vagamente.

Algum tempo antes, havia acontecido um alvoroço quando a Imperatriz perdeu um grampo de cabelo. Haku-u, uma dama de companhia bastante próxima da Imperatriz, havia dito algumas coisas que voltaram à mente de Maomao agora.

— Isso tem a ver com a questão das damas de companhia da Imperatriz Gyokuyou, não é? — perguntou ela.

— Isso mesmo. Quando eu estava na região central, a Imperatriz parecia se dar perfeitamente bem com o irmão.

— Só parecia, senhor? — Maomao lhe lançou um olhar confuso.

— Quero dizer, eu presumi isso porque, durante o tempo em que ela esteve no Palácio Interno, ela recebia com frequência cartas do “irmão”. Isso era verdade, até certo ponto… no sentido de que Gyoku-ou não é o único irmão dela.

— Ah!

Gyoku-ou e Gyokuyou tinham uma diferença de idade suficiente para serem pai e filha. Não seria surpresa se houvesse outros irmãos entre os dois.

— Quando percebi isso, vi que já havia sinais, mesmo quando eu era responsável pelo Palácio Interno. O número reduzido de suas damas de companhia, por exemplo, deveria ter sido uma pista, não acha?

Era verdade que Gyokuyou tinha menos damas de companhia do que as outras concubinas de alto escalão. Até o fato de Maomao, uma simples lavadeira, ter sido admitida no Pavilhão Jade só aconteceu graças às artimanhas de Jinshi. Sim, Gyokuyou havia perdido várias damas de companhia para a degustação de alimentos, e sua terra natal ficava longe, no oeste, mas agora se revelava que essas coisas tinham sido apenas uma fachada, desculpas.

— Então o Mestre Gyoku-ou considera a Imperatriz Gyokuyou uma inimiga? Quer dizer, por causa da origem estrangeira dela? — perguntou Maomao.

— Isso eu não sei. Apesar de todo o seu suposto ódio, ele enviou uma filha adotiva que se parece muito com a Imperatriz para o Palácio Interno.

— Talvez com uma careta no rosto.

Será que Gyoku-ou teve alguma experiência negativa com estrangeiros no passado? Era verdade que se considerava de mau gosto ter preferências muito fortes — tanto com pessoas quanto com comida —, mas a própria Maomao tinha pessoas que, bem, ela não suportava. Ela não estava em posição de julgar.

Ainda assim, ela disse: — Se ele realmente odeia estrangeiros, deve ter uma vida difícil. Vivendo justamente no único lugar de Li que tem mais estrangeiros do que qualquer outro.

— Talvez esse seja precisamente o problema. Mais pessoas, mais pontos de atrito.

Maomao começava a sentir que continuar discutindo aquele assunto não os levaria a lugar algum. Hora de cair fora desse assunto. Ela olhou ao redor do quarto, procurando alguma oportunidade de escapar.

Foi então que a porta se abriu com estrondo. — Príncipe da Lua! — Entrou uma figura jovem com uma pata na cabeça. Em toda a capital do oeste, havia apenas um homem que correspondia àquela descrição.

— Você vai acordar metade da casa, Basen — disse Jinshi, sem dar a menor atenção à ave.

— Perdoe-me, senhor. É urgente...

— Urgente? Então o que é? Diga!

— O Grande Comandante Kan está vindo para cá!

— Ele sabe que horas são?

Os cabelos de Maomao se arrepiaram e, se ela tivesse uma cauda, ela teria ficado toda eriçada. Desde que chegaram à capital do oeste, o grande comandante visitou Jinshi diversas vezes, ocasiões em que Maomao sempre tomou o cuidado de desaparecer ou, então, deixar os assuntos por conta do médico charlatão.

— Estou aqui... — disse uma voz terrível. Atrás de Basen surgiu o rosto de um velho, uma criatura tão imunda que parecia que seus pés deviam feder. A pata pareceu confundir o cabelo dele com material para fazer um ninho, porque ela se esticou de cima de Basen e bicou a cabeça do velho.

— Basen! — Jinshi lançou um olhar fulminante para o outro homem.

— Perdoe-me, senhor. O Grande Comandante já está... aqui — disse ele, corrigindo-se.

— Maomaooooo! Graças aos céus, você está segura! — O velho com monóculo tentou passar por Basen, mas Basen não se moveu. O máximo que aquele esquisito conseguiu foi meio que se enfiar entre Basen e a porta.

Gaoshun imediatamente se posicionou para proteger Jinshi, enquanto Chue ficou na frente de Maomao e lhe deu uma piscadela de deixa comigo, acompanhada de um sinal de positivo.

Você pode agir como se fosse minha amiga o quanto quiser, isso não muda o fato de que você me dedurou.

Por enquanto, Maomao fez da tarefa de manter distância do velho que se aproximava dela sua prioridade.

— Aqueles insetos devem ter sido tão assustadores, Maomao! Mas oooh, não se preocupe. O papai criou um esquadrão de exterminadores de insetos e vai acabar com todos esses insetos nojentos e nojentos por você!

Claro. É justamente agora que ele decide sair do lugar.

Maomao e o estrategista esquisito deram um passo para a direita, depois para a esquerda, pararam e deram mais um passo, com Chue entre eles.

Jinshi, observando a cena, pigarreou para chamar a atenção do estrategista. — Senhor Lakan. Acredito que já lhe pedi… repetidamente… que me informe antes de vir até aqui. Mas, já que está aqui, qual é o motivo da visita? — Uma veia azul saltou na testa de Jinshi. Ele conhecia muito bem a resposta para a própria pergunta.

Por apenas um segundo, o estrategista se dignou a olhar para ele. — Céus. Eu não preciso de um motivo para visitar minha querida filha! Fui vê-la esta noite e descobri que ela estava fora, então simplesmente tentei outro lugar. — Ele lançou a eles uma espécie de olhar malicioso. Maomao se sentiu mal por tirar a oportunidade de Basen, que estava controlando muito bem a própria irritação, mas se perguntou se teria permissão para dar um bom chute no estrategista.

Ele voltou a olhar para Maomao e sorriu novamente, mas então seu rosto ficou sério. — Essa foi minha principal motivação para vir, de qualquer maneira. Mas há mais uma coisinha. Gostaria que você acolhesse o Sábio.

— O Sábio? Ele está aqui? — perguntou Jinshi, incrédulo.

Acho que reconheço esse nome. Pelo que Maomao se lembrava, era o homem que observava a partida de Jinshi contra o estrategista esquisitão no torneio de Go. O instrutor pessoal do Imperador no jogo.

— Não, não, não ele. Talvez eu devesse chamá-lo de Sábio do Oeste. Ele é um prodígio no Shogi, não no Go.

— Shogi?

O estrategista esquisitão era um jogador brilhante nos dois jogos, mas diziam que era ainda mais dominante no Shogi do que no Go. E, mesmo assim, ali estava alguém a quem ele se referia como um “sábio” do jogo.

— Ele perdeu a casa na praga de insetos, sabe. Então veio até mim, um velho amigo.

Velho amigo, hein?

Maomao ouviu dizer que o estrategista passou algum tempo nas províncias durante a juventude. Não era impossível que tivesse visitado aquelas regiões distantes do oeste.

— Entendo. Sim, houve problemas por toda parte — disse Jinshi, fazendo um pensativo “humm”.

— Com licençaaa! — Chue, com pouca consideração pela gravidade do momento, levantou a mão. Sua sogra estava ausente naquele dia, então não havia nada para impedi-la. — Sem querer ser grosseira, mas o senhor acha que ele pode estar inventando tudo isso?

Grosseiro — sim, era. Mas Maomao concordava com a pergunta. Afinal, aquele era o estrategista esquisitão, um homem que não conseguia lembrar do rosto das pessoas nem que sua vida dependesse disso. Se alguém aparecesse fingindo ser um velho conhecido, como ele saberia a diferença?

— Duvido. Não há tantos generais de ouro por aí, embora eu queira ter certeza.

Um General de Ouro! Luomen havia contado a Maomao que o estrategista costumava falar das pessoas em termos de peças de Shogi, mas o ouvinte comum provavelmente não fazia ideia do que ele estava falando.

— Então talvez pudéssemos jogar uma partida de Shogi aqui, só para ter certeza? — sugeriu o estrategista.

A ideia dele foi recebida com um momento de silêncio. Maomao não tinha certeza de como aquilo levava à conclusão de que deveriam jogar uma partida ali e naquele momento, mas o ajudante que vinha atrás do Grande Comandante carregava um magnífico tabuleiro de Shogi. O próprio estrategista evidentemente considerava o jogo uma mera formalidade.

— Eu repito... Você sabe que horas são? — disse Jinshi.

— Ah, por favor. Se ele for mesmo quem diz ser, você pode obter algumas informações úteis para si mesmo, Príncipe da Lua. — O esquisitão deu a Jinshi um de seus sorrisos melosos.

Jinshi olhou para Maomao. Ela tentou responder com um gesto de não faça isso, mas, desde o momento em que o estrategista a encontrou, não havia escapatória. Melhor deixá-lo desperdiçar o tempo jogando sua partida, então… e, de qualquer forma, ela se perguntava o que ele quis dizer com aquela observação sinistra.

— Está bem. Providenciarei um lugar para vocês jogarem Shogi. No entanto, a partida vai esperar até amanhã.

— É muito gentil da sua parte, muito obrigado mesmo — disse o estrategista. (Era difícil dizer se ele estava genuinamente agradecido ou não). Maomao tentou ignorar a aberração, que sorria consigo mesmo. Em vez disso, esfregou a barriga roncando e esperou que pudesse jantar em breve.

Fim da leitura

Capítulo 11.02 concluído

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