Diários de uma Apotecária — Capítulo 8.17: Volume 8 – Capítulo 17 – Capítulo 17: Esquisitão vs. Pervertido

Diários de uma Apotecária
Cap. 8.17
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Diários de uma Apotecária

Volume 8 – Capítulo 17 – Capítulo 17: Esquisitão vs. Pervertido

Capítulo 8.17

3.345 palavras~15 min de leitura

Isso parece estranhamente familiar, pensou Maomao enquanto as pessoas se aglomeravam para assistir a dupla no palco: Jinshi e o homem com o monóculo. Entre eles, apenas um tabuleiro de Go.

Maomao já havia enfrentado aquele esquisito em um confronto de cinco partidas no shogi, que ela conseguiu vencer por pura astúcia. Mas isso? Ele não tem chance alguma.

O que isso significava? Será que Jinshi realmente não queria mais nada além de jogar uma partida de Go contra o esquisitão? Uma boa quantidade de prata teria resolvido esse problema. Isso sugeria que, no mínimo, ele queria uma partida séria contra o Senhor Monóculo, não uma partida de aprendizado.

Até pouco tempo antes, o sujeito estranho tinha vários oponentes sentados à sua frente, mas quando Jinshi apareceu, eles entenderam a deixa e desocuparam seus lugares.

Ninguém sabia como a notícia tinha se espalhado, mas até do lado de fora do teatro as pessoas se aglomeravam tentando dar uma olhada no que estava acontecendo. Provavelmente queriam entrar, mas alguns soldados de folga que estavam por ali bloquearam a entrada, e os curiosos acabaram indo embora desanimados.

Olha só quem virou a estrela do espetáculo, pensou Maomao. Aquela provavelmente seria a última partida do dia. Mantendo um olho no jogo a uma distância segura no balcão da recepção, Maomao começou a contar os pãezinhos. Mesmo que alguém aparecesse agora, não haveria mais jogo para jogar, então ela achou seguro começar a arrumar tudo. Talvez pudesse levar os doces restantes como lanche para o consultório médico. Não fazia sentido deixá-los estragar.

Foi então que ela ouviu alguém dizer: — Com licença? — Ela levantou o olhar e encontrou o olhar de uma mulher de olhos penetrantes.

— Receio que já encerramos por hoje — disse Maomao. Talvez ela não tivesse sido formalmente informada de que o torneio tinha acabado, mas a mulher não parecia ser participante de qualquer forma. Ela estava acompanhada de alguém familiar.

— Você é amiga do Mestre Basen? — perguntou Maomao.

— Ela é minha irmã mais velha — respondeu Basen bruscamente. A mulher deu um empurrão na cabeça dele.

Uau. Sem piedade.

A testa de Basen bateu na borda da mesa com um som tão alto que Maomao esperou ver uma marca quando ele se levantasse.

— Agradeço por tudo o que vocês fizeram pelo irmão mais novo do Imperador, por mais tolo que ele seja — disse a mulher. — Meu nome é Maamei. — Ela sorriu de forma gentil, mas ainda havia um toque de ar predatório em sua expressão. Ela podia sorrir o quanto quisesse, mas suas ações (como esmagar a cabeça do irmão contra a mesa) falavam mais alto. Se ela era irmã de Basen, isso a tornava filha de Gaoshun, e ela parecia ser exatamente como Maomao tinha ouvido falar: uma personalidade tão severa quanto sua beleza.

Então essa é a mulher que notoriamente dispensou o próprio pai sem pensar duas vezes. Ela não lembrava muito nem Basen nem Gaoshun; talvez fosse parecida com a mãe.

— Vim entregar algo que o Príncipe da Lua deixou sob meus cuidados — disse Maamei, entregando a Maomao um pacote do qual vinha um aroma doce.

Uau! O que temos aqui? O cheiro doce e provocante quase era irresistível. Até mesmo Maomao, com sua preferência marcante por guloseimas salgadas, desejou poder provar um pedacinho do que quer que estivesse ali dentro. Jinshi tinha mencionado algo sobre lanches que chegariam mais tarde, então era disso que ele estava falando.

Maomao olhou para Maamei. Ela era irmã de Basen, e Basen estava ali, então provavelmente os lanches eram seguros. Profissionalmente, porém, ela não tinha certeza se podia deixar Jinshi comer aquilo sem verificar. — Posso conferir o conteúdo? Só por segurança? — perguntou ela.

Não é como se eu só quisesse provar um pouco. Ela não teve escolha; estendeu a mão para um dos doces.

— Se quiser verificar se há veneno, fique à vontade. A Lady Suiren fez pessoalmente, então posso garantir o sabor.

Se fossem realmente de Suiren, então havia ainda mais motivos para confiar neles. A velha senhora, com toda sua astúcia, era uma cozinheira respeitável.

— Nesse caso, com licença — disse Maomao. Ela abriu o pacote. Ela encontrou doces assados do tamanho da palma da mão, cada um embrulhado individualmente em papel oleado. Ela pegou um deles. O aroma ficou ainda mais intenso ao remover a embalagem. Os aromas de frutas e manteiga eram proeminentes.

A massa era fofa; parecia quase desmanchar na mão. Não era algo pesado como um bolo lunar, era um lanche que caía leve no estômago.

— Hã! — a primeira mordida a fez piscar surpresa. Maomao podia preferir coisas salgadas, mas entendia de doces. O sabor de passas se espalhava pela massa macia, acompanhado do crocante agradável das nozes. Mas havia outro sabor, algo inesperado, escondido entre os demais; era isso que realmente tornava aquela guloseima excepcional.

Antes mesmo de perceber o que estava fazendo, Maomao se viu estendendo a mão para pegar outro. — Não! Não é para mim! — disse a si mesma, balançando a cabeça. Em seguida, dirigindo-se a Maamei: — Essa é, sem dúvida, obra da Lady Suiren. Duvido que haja muitos chefs no próprio palácio capazes de criar algo assim. — Maomao já tinha provado comidas na Casa Verdigris e em festas de chá das concubinas reais, então é justo dizer que seu paladar é exigente, mas aquilo foi suficiente para arrancar elogios até dela. Essa sobremesa não ficaria fora de lugar em nenhuma mesa do mundo.

— Concordo plenamente. Consegui convencer ela a me dar alguns, meus filhos ficaram muito felizes — disse Maamei, com um traço de orgulho.

— Eles são bons, mas são tão bons assim? — interrompeu Basen.

— Pessoas sem paladar aguçado deveriam ficar quietas — disse Maamei.

— Você parece ser do tipo sem imaginação quando o assunto é sabor, Mestre Basen — acrescentou Maomao. Basen pareceu um pouco incomodado. Maomao então se virou para Maamei: — Você pode ir em frente e levar isso para o Mestre Jinshi — disse ela, esperando que ela resolvesse aquilo e ela não precisasse se aproximar do esquisitão.

Mas Maamei respondeu: — Não posso. Não acho que pessoal não autorizado deva subir no palco. Acho melhor você levar.

— Talvez o Mestre Basen então — rebateu Maomao. Ele era assistente pessoal de Jinshi; deveria ser aceitável.

— Seria um prazer… — começou Basen, mas foi interrompido pelo som seco de sua própria cabeça batendo na mesa novamente, graças a Maamei. Com isso, já eram duas cabeçadas.

[Kessel: kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk!]

— Leve você mesma por gentileza— repetiu Maamei. — Por solicitação especial do próprio Mestre Jinshi.

— Muito bem — disse Maomao por fim. Ela pegou um prato e colocou um dos doces nele, sem muito entusiasmo. O prato foi para uma bandeja, e a bandeja foi parar em suas mãos enquanto ela subia no palco. Enquanto abria caminho entre as pessoas que, até aquele momento, ela só tinha visto de longe, percebeu que havia mais duas pessoas no palco, além de Jinshi e do velho chato. Uma delas era Lahan, que, ao contrário de Maomao, entendia as sutilezas do Go. Ele observava atentamente o tabuleiro, empurrando os óculos para cima na ponte do nariz enquanto observava.

O outro homem ela não reconheceu. Ele estava na meia-idade avançada e vestia-se com elegância; sua roupa sugeria que fosse um membro da alta sociedade, mas ele não parecia um burocrata. Um diletante culto, talvez, pensou ela, ele exalava a aura de alguém que não seguia os caminhos dos homens vulgares e mundanos.

Alguns soldados de folga cercavam o palco como guardas improvisados, impedindo a multidão de interferir no jogo. Maomao se aproximou de um deles e pediu que chamasse o Lahan.

— O que você quer? — Lahan perguntou, de forma ríspida.

— Trouxe lanches para o Mestre Jinshi. Aliás, como está o jogo? — Ela não conseguia ver muito bem da recepção e, mesmo que pudesse, não teria entendido nada.

— Ainda não dá pra dizer. O Mestre Jinshi está indo bem; ele seguiu o joseki. Como está com as pretas e não há komi, tecnicamente ele tem vantagem. Por enquanto...

— Por enquanto? — repetiu Maomao. Lahan parecia estar torcendo a favor de Jinshi.

— É no meio do jogo que meu ilustre pai se torna realmente assustador. Ele avança como uma tempestade, com jogadas que não existem em nenhum padrão de joseki. Com ou sem komi, ele pode muito bem virar essa partida do avesso.

Maomao achou que tinha entendido, mesmo que apenas vagamente. Aquele estrategista excêntrico não era do tipo que se valia de seu profundo conhecimento de táticas; ao contrário, ele agia por instinto, com lampejos de inspiração que, muitas vezes, por razões que lhe escapavam, pareciam ser exatamente a coisa certa a se fazer.

— Dito isso — Lahan disse, confuso — o jogo do meu pai está mais lento que o normal.

— Hum — respondeu Maomao. Ela não se importava. Quem ganhasse não tinha nada a ver com ela. Talvez até fosse mais interessante se Jinshi vencesse. A plateia sempre ficava mais barulhenta quando o azarão levava a melhor. Ainda assim, continuava incomodando o fato dela não saber por que Jinshi estava naquele torneio.

— Quem é o outro cara? — perguntou Maomao.

— Aquela figura é o Sábio do Go. Tutor do próprio imperador no jogo — disse Lahan. Maomao lembrou que ele era considerado o único no país melhor que o esquisitão.

— Tanto faz — disse ela. — Só leve isso para o Mestre Jinshi, está bem? — Ela tentou empurrar a bandeja para Lahan, mas ele se recusou a pegá-la.

— Fizeram você trazer. Leve você mesma. Coloque em qualquer espaço. Só não perto demais dos recipientes, não quero ninguém pegando um doce achando que é uma pedra, ou o contrário.

— Certo — resmungou Maomao. Ela subiu ao palco com uma expressão neutra. A multidão reagiu à sua chegada, mas ao ver a bandeja de doces, decidiram que ela era apenas uma criada sem importância e perderam o interesse. Apenas o esquisito abriu um largo sorriso ao olhar em sua direção; ela prestou tanta atenção nele quanto os espectadores prestaram nela.

Em qualquer espaço, hein? Pensou ela. É mais fácil falar do que fazer.

O palco estava ocupado por um tabuleiro de Go e dois jogadores, com recipientes ao lado da mão dominante, à direita de Jinshi e à esquerda do esquisitão. Isso fazia com que ambos os recipientes ficassem do mesmo lado. Talvez devesse colocar os doces do lado direito do estranho e do lado esquerdo de Jinshi.

Mas então percebeu que já havia um grande prato cheio de pães e bolos lunares. Ele tinha tomado até o espaço que deveria ser das bebidas de Jinshi. Maomao não disse nada. Mesmo que empurrasse a pilha, não haveria espaço para os novos doces. Sem escolha, colocou-os do outro lado, entre os recipientes. Equidistantes dos dois jogadores, na esperança de que ninguém confunda os doces com peças do jogo.

Assim que ela pousou a bandeja, uma mão se estendeu, pegou o doce e, no mesmo movimento, o levou até uma boca coberta por uma barba por fazer, onde ele desapareceu num gesto que parecia mais uma absorção do que uma mordida.

Maomao continuou sem dizer nada, sentindo apenas incredulidade e talvez um pouco de repulsa. O estrategista excêntrico simplesmente tinha se servido da comida de Jinshi sem pensar duas vezes.

Ele mastigou, engoliu e depois lambeu a gordura dos dedos. Em seguida, lançou um olhar para Maomao como se quisesse mais, mas não havia nada que ela pudesse fazer por ele.

— Maomao — Jinshi chamou. O rosto do estrategista se fechou em uma careta de desagrado ao ouvir aquilo. Jinshi finalmente tinha começado a chamá-la pelo nome havia pouco tempo, mas, desta vez, aquilo pareceu estranho. — Se puder trazer mais alguns doces.

— Sim, senhor — respondeu ela, por fim. Ela pretendia colocar tudo o que restava em um prato, embora tivesse quase certeza de que acabaria tudo na boca do estrategista. Ela esperava que sobrasse pelo menos um para surrupiar, mas parecia que não seria dessa vez. Talvez Suiren lhe ensinasse a receita algum dia. Arrastando os pés do palco, deixou o palco desejando que aquela partida terminasse logo.

Depois da agitação do teatro, o lado de fora parecia silencioso demais. O ar estava frio; o sol já descia em direção ao horizonte e logo escureceu. Os competidores tinham guardado seus tabuleiros de Go, e os vendedores já haviam fechado as barracas. Apenas o teatro ainda fervilhava por causa da partida, e isso somente por causa do duelo entre Jinshi e o estrategista excêntrico.

Será que todo mundo apostou nessa partida? Maomao pensou. Se fosse o caso, ela gostaria de ter apostado algumas moedas em Jinshi, o azarão mais improvável.

Os dois irmãos, Basen e Maamei, estavam na plateia quando ela saiu, mas, ao voltar, encontrou apenas o irmão mais novo. Maamei tinha ido embora porque seus filhos estavam esperando por ela.

Maomao também encontrou Yao e En'en, que já tinham terminado boa parte da limpeza e agora assistiam à partida. Os olhos de En'en brilhavam. Maomao teve que admitir que ver tanta gente tão envolvida com algo que lhe despertava tão pouco interesse a fazia se sentir um pouco excluída.

O público assistia com a respiração presa… e então um grande clamor ecoou pelo teatro.

A partida acabou? Se tivesse acabado, ela queria se apressar e ir logo para casa. Ela se virou para o palco, mas encontrou os dois adversários tão concentrados no tabuleiro quanto antes. Ela deu uma olhada ao redor e, em seguida, foi até Yao e En’en.

— A partida terminou? — ela perguntou.

— Ainda não — respondeu Yao.

— Ainda não, mas talvez alguém desista em breve — disse En'en. Ela apontou para a parede do teatro, onde havia uma grande folha de papel com um tabuleiro de Go desenhado. Ao lado, Lahan empunhava um pincel e desenhava as pedras conforme eram jogadas. Era uma ótima maneira de permitir que todos acompanhassem a partida à distância. Engraçado como ele nunca parecia tão prestativo em outros assuntos.

— Deixe-me adivinhar… O desafiante? — disse Maomao.

— Não... Parece que o Príncipe da Lua vai vencer! — respondeu En'en, balançando a cabeça. Ela parecia ressentida, talvez porque Jinshi tivesse ousado afastá-la de Yao. Era a prova de que existiam pessoas no país que detestavam Jinshi por motivos totalmente apolíticos.

— Acho que o último movimento do Mestre Lakan foi um erro grave. — Ela parecia não conseguir acreditar nisso. Maomao, por sua vez, suportaria ouvir aquele nome detestável.

— Como assim? — perguntou ela.

— O Mestre Lakan sempre escolhe estratégias de alto risco. É como atravessar uma corda bamba. Pode ser o caminho mais curto entre dois pontos, mas, quando ele perde, nunca é por pouco. É porque o pé escorregou. É quando ele faz um movimento do qual não existe volta.

— Isso faz algum sentido para você, Maomao? — perguntou Yao.

— Nem um pouco — respondeu Maomao. Yao não parecia muito mais interessada em Go do que ela, mas certamente estava interessada em olhar para Jinshi. Havia um leve rubor em suas bochechas enquanto murmurava: — Não... Não... Concentre-se. — Pelo menos por enquanto, parecia decidida a viver apenas para o trabalho. En'en, por outro lado, olhava para Jinshi com ainda mais hostilidade do que antes.

— Vou explicar de outro jeito. O Mestre Lakan sabotou a si mesmo.

— Ah! Agora faz sentido — disse Maomao. Ela conseguia imaginar facilmente o estrategista excêntrico fazendo exatamente isso.

— Para virar esse jogo, ele vai precisar fazer movimentos ainda mais arriscados e agressivos... Mas hoje ele parece estar realmente passando mal.

Maomao fez uma pausa. En'en tinha razão. O rosto do estrategista estava pálido, e ele parecia letárgico, quase sonolento.

— Pela primeira vez na vida, ele trabalhou de verdade — comentou Maomao. Ao que parecia, Jinshi lhe tinha dado muito trabalho a ele para conseguir organizar aquele torneio. — E pelo que ouvi, ele tem dormido muito menos do que de costume. É verdade que normalmente ele dormia mais do que a maioria das pessoas, mas Maomao lembrou de todas as vezes em que disse a Jinshi, durante mais uma noite em claro, que a falta de sono prejudicava a capacidade de tomar decisões. — E ele está jogando Go há dois dias seguidos. — Inclusive enfrentando, em alguns momentos, três ou quatro adversários ao mesmo tempo. Pensar tanto certamente sobrecarrega o cérebro de qualquer pessoa.

E havia mais um fator.

— Talvez esses lanches tenham alguma coisa a ver com isso — disse Maomao, lembrando dos doces que Maamei lhe deu. A massa era macia e amanteigada; o recheio de frutas secas era perfumado. Tinham sido deliciosos. Mas não era apenas a habilidade culinária que tinha conseguido superar até mesmo a habitual aversão de Maomao por doces.

Eu sei qual era o "ingrediente secreto". Um pouco de álcool destilado.

[Noelle: Jurava que as passas iam liberar álcool e ia fazer isso, não esperava por essa kkkk ele aprendeu direitinho com jogo da Maomao kkkk]

Havia apenas um leve traço dele misturado ao aroma da manteiga. A maior parte evaporava durante o cozimento, mas uma pequena quantidade era absorvida pelas frutas e permanecia ali. Não seria suficiente para derrubar o estrategista, mas ele era tão fraco para bebida que bastaria para deixá-lo um pouco embriagado.

Não me diga..., pensou Maomao. Será que Jinshi planejou isso? Se foi, então a instrução de Lahan para não colocar os quitutes muito perto das tigelas ganhava um significado completamente diferente. Será que ele estava tentando fazê-la colocá-los ao alcance do estrategista? Ele sabia que, se Maomao trouxesse comida, o estrategista certamente atacaria primeiro.

Maomao levou a mão à testa. Eles a tinham usado de verdade. É verdade que isso não lhe causou nenhum dano, mas mesmo assim a deixava furiosa.

Como foi que ele conseguiu trazer Lahan para o lado dele? Por trás daquela beleza deslumbrante, Jinshi começava a parecer podre até o âmago. Sem falar na facilidade com que Lahan parecia disposto a passar por cima da própria família. É bom que eu consiga pelo menos um remédio excelente em troca disso.

Ela não conseguia deixar de se perguntar por que Jinshi estava tão desesperado para vencer. O que o levaria a elaborar um plano tão complicado? Mas, considerando que o estrategista excêntrico estava envolvido… De repente, uma ideia extremamente desagradável lhe ocorreu.

Não... Mas, se não for isso, por que mais ele envolveria tanta gente nesse plano?

Maomao ainda refletia quando ouviu o estalo da pedra do estrategista tocando o tabuleiro. Acho que este jogo já está praticamente acabado.

Ela ainda remoía aqueles pensamentos sombrios quando alguém escancarou a porta do teatro. Passos apressados ecoaram pelo salão enquanto um homem de meia-idade avançada, de aparência arrogante, entrou correndo, desviando dos guardas que tentavam barrá-lo na entrada.

— Doutor Kan! — gritou. — O Doutor Kan está aqui?!

Os gritos eram completamente inadequados, mas, atrás do recém-chegado, Maomao reconheceu dois rostos. Ou melhor, um só, já que eram praticamente idênticos.

— Eu conheço eles… — Eram dois dos três irmãos cuja investigação ajudou a conduzir.

Seu pai, que estava sentado em uma cadeira ao lado do palco, levantou-se. — O que houve? — Apoiando-se na bengala, ele começou a caminhar em direção aos visitantes. Eles, porém, acharam que ele estava lento demais e atravessaram a multidão para encontrá-lo no meio do caminho. Maomao também queria se aproximar, mas, ao notar os soldados por perto, parou.

— A culpa é sua! Meu filho... Meu filho!

— Receio não entender — disse Luomen. — O que aconteceu? — Era verdade que um dos filhos do homem não estava ali. O que tinha acontecido com o terceiro rapaz?

— Isso! — O homem colocou sobre a mesa um embrulho de pano e o abriu. Dentro havia dois dedos humanos.

A multidão começou a gritar. Enquanto isso, o homem continuava berrando:

— Eu ordeno que encontre meu filho! Se ele morrer, vou responsabilizar você!

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Fim da leitura

Capítulo 8.17 concluído

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