Diários de uma Apotecária — Capítulo 9.04: Volume 9 – Capítulo 04 – Capítulo 04: O Livro de Kada (Parte 2)

Diários de uma Apotecária
Cap. 9.04
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Diários de uma Apotecária

Volume 9 – Capítulo 04 – Capítulo 04: O Livro de Kada (Parte 2)

Capítulo 9.04

3.145 palavras~14 min de leitura

Maomao e Yao continuaram vasculhando as estantes por algum tempo, até que En'en voltou.

— A comida está pronta! — disse ela. Ela trouxe uma refeição deliciosa e quentinha. Atrás dela vinha um homem de baixa estatura carregando o restante do que ela não conseguia levar. O anexo tinha sua própria cozinha, mas, para preparar uma refeição de verdade, ela devia ter usado a cozinha da casa principal.

Elas deixaram a biblioteca e foram para a sala de estar, onde a refeição foi colocada sobre a mesa.

— Peço desculpas por interromper a tarde de vocês. Obrigado por me convidarem — disse Lahan com um sorriso. Ele não demonstrava o menor sinal de arrependimento.

Ninguém convidou você! Pela primeira vez, Maomao e En'en estavam completamente de acordo. Ainda assim, Lahan havia trazido um presente. Maomao não fazia ideia de como ele descobriu, mas ele trouxe hasma, o doce favorito de Yao. Ele devia ter recorrido a alguns contatos para conseguir aquilo. Aliás, sempre que Yao perguntava do que aquilo era feito, En'en desconversava. Pelo visto, sua senhorita ainda não sabia que seu doce favorito era feito de rãs.

[Noelle: Gente desculpe mas preciso ficar ao lado do Lahan nessa kkkkk Maomao criou um ódio pelo pobi, sendo que ela folga comendo todo dia a comida delas lá no dormitório, agora ele hospedando as bonitas e ainda dando os ingredientes não pode? Essas garotas andam sem noção em? A duplinha também, com essa forma com ele, hospedadas de graça e ainda reclamando da segurança, juro odeio gente folgada… PS: Reunião dia 6/7 as 19 para reclamar dessas duas]

Lahan realmente devia ter ganhado uma fortuna no torneio de go. Além disso, parecia estar envolvido em algum negócio com batatas-doces, sem contar outras fontes de renda. Parecia trabalho suficiente para várias pessoas, mas, de algum jeito, ele conseguia administrar tudo ao mesmo tempo. Isso, pelo menos, Maomao precisava reconhecer.

— Fico muito feliz por estar cercado de tantas flores encantadoras enquanto como. Uma rosa, uma íris... e uma azedinha. — Ele nem precisava explicar quem era a última.

— Ainda é um pouco cedo, mas que tal começarmos a comer? — sugeriu Yao, indicando os pratos sobre a mesa redonda. Havia quatro cadeiras ao redor dela. Eles se sentaram com Yao de frente para En'en e Maomao de frente para Lahan. Assim, Lahan tinha uma "flor" de cada lado. Mas sempre que erguia os olhos e dava de cara com Maomao, fazia uma expressão discretamente irritada. Para falar a verdade, Maomao também mal conseguia conter um bufar de desdém.

No centro da mesa estava o prato principal, brilhando com seus próprios sucos: um pato assado inteiro. Maomao engoliu em seco. Se fosse tão delicioso quanto parecia, Yao não seria a única admiradora daquele prato quando a refeição terminasse.

Os olhos de Lahan também brilhavam. Ele ainda era um jovem de apenas vinte e um anos. Ainda tinha muitas refeições pela frente em sua vida.

En'en, observando a cena, levantou-se da cadeira.

— Vou cortar mais alguns legumes. Maomao, pode me ajudar?

Será que ela achava que não havia comida suficiente? Ela parecia bastante descontente, e com razão. Ela achou que teria um momento tranquilo a sós com sua senhorita, mas acabou cercada por insetos inconvenientes.

— Eu também ajudo! — disse Yao. Mas En'en foi categórica.

— Não precisa, senhorita. Não vou demorar. Por favor, comam antes que esfrie.

Ai…

Yao fez um beicinho. Por mais dedicada que fosse, En'en tinha alguns pontos cegos quando o assunto eram os sentimentos de sua senhorita. Talvez existisse mesmo algo como estar perto demais para enxergar.

Os legumes estavam na cozinha ao lado, um cômodo simples. Maomao se perguntou se, muitos anos antes, Luomen preparava remédios ali e sorriu ao imaginar a cena.

— Vamos? — disse ela. Ela começou a picar alho-poró enquanto En'en assava mais pães achatados. Não demorou muito. O forno ainda estava aceso, mantendo o ambiente aquecido.

— Tem certeza de que não se importa em deixar a Yao sozinha com o Quatro-Olhos Despenteado? — perguntou Maomao. Ela só queria ter certeza. Mesmo estando na sala ao lado, ainda era um rapaz e uma moça sozinhos.

— O Senhor Quatro-Olhos Despenteado jamais colocaria um dedo na senhorita. Ele nunca interferiria na vida dela, a menos que acreditasse haver um casamento político em vista. E, enquanto forem apenas conversar, ele é um interlocutor muito melhor do que um sujeito comum. Não estou preocupada.

Lahan podia ser surpreendentemente perspicaz em momentos inesperados. Era verdade: Yao tinha parentes capazes de lhe causar sérios problemas caso ele tentasse alguma coisa, além de uma criada que provavelmente faria ainda pior. Nada aconteceria. Nem por uma única noite.

Mesmo assim, Maomao ficou surpresa ao perceber que ele era capaz de manter uma conversa normal com uma jovem. Eu teria imaginado que ele a entediaria até a morte falando de números. Yao provavelmente teria dificuldade para acompanhar o assunto, mas faria o possível para responder com um "hum" ou um "é mesmo".

— Se não se importar que eu pergunte... há alguma coisa preocupando você? — disse Maomao. En'en era cuidadosa demais para realmente ter calculado errado a quantidade de legumes. Aquilo tinha sido claramente um pretexto para conversar com Maomao sobre algum assunto. E o fato de só ter esperado a presença de Lahan mostrava que era algo que ela não queria que Yao ouvisse.

— Me preocupando? Eu achei que houvesse alguma coisa preocupando você. — En’en habilmente devolveu a pergunta a Maomao enquanto continuava preparando o pão achatado. Maomao colocou os alhos-porós em uma bandeja e começou a cortar um pouco de daikon.

Maomao decidiu aproveitar a oportunidade para esclarecer algo.

— A Yao está realmente determinada a conquistar sua independência, não está? Ela quer ser uma das assistentes do gabinete médico, mas não consigo acreditar que esse seja o objetivo final dela. — Se fosse como Maomao imaginava, então ela absolutamente não poderia deixar Yao ver o Livro de Kada. — Se o que meu pai pretende nos ensinar for contra seus princípios ou sua ética... o que você faria?

En'en colocou os pães prontos em uma bandeja e olhou para o teto. — Quer dizer que é esse tipo de livro?

— É o que eu suspeito.

As duas compartilhavam a mesma suposição, o que tornava aquela conversa possível.

— Agradeço sua consideração, Maomao. Mas vou respeitar a decisão da senhorita.

— Mesmo que tenha sido você quem a conduziu até essa decisão? — Maomao observou En'en atentamente. A outra mulher apenas começou a assar mais pães, como se não soubesse do que ela estava falando.

— Minha senhorita pode ser bastante teimosa. Quando coloca uma ideia na cabeça, vai até o fim, não importa o que eu diga. Quando viu o anúncio da nova vaga, jurou que conseguiria o cargo. Passava todos os dias estudando em sua escrivaninha.

Com um par de hashis, En'en virou o pão com extrema habilidade. Maomao se considerava uma cozinheira razoável, mas não chegava nem perto do talento de En'en.

— Ela estava decidida a não perder nem mesmo para os homens. Então deve ter sido um golpe duro quando você tirou uma nota maior do que a dela na prova de admissão. Ela estava agindo de um jeito bem diferente do normal.

Ela estava falando da vez em que Yao fez Maomao tropeçar e do resto das provocações? Na verdade, quem mais fazia esse tipo de coisa eram as garotas que a seguiam. Por isso, Maomao nunca guardou rancor de Yao e quase nem pensava mais no assunto.

— Eu até me sinto um pouco culpada por isso. — Maomao jamais esperara tirar uma nota tão alta. Os métodos de ensino da madame realmente eram impressionantes. — Independentemente do tio dela... por que a Yao sente que precisa se esforçar tanto? — perguntou Maomao. Parte da resposta era óbvia. Se ela continuasse em casa, o tio nunca deixaria de pressioná-la para se casar. Mas Maomao tinha a impressão de que havia algo mais.

— É... por causa da mãe dela, ela é a razão. — disse En'en após um momento. — Para a Senhorita Yao, a mãe é como se estivesse morta. Ela costuma dizer que a mãe desapareceu no mesmo dia em que o pai morreu.

— Por quê? — perguntou Maomao. Ela não tinha exatamente o que se chamaria de empatia quando o assunto era mães, mas sabia que ela e Yao tinham crescido em circunstâncias completamente diferentes.

— Tenho certeza de que você sabe o que acontece com uma viúva que não consegue administrar a própria casa.

— Quer dizer que o tio da Yao assumiu tudo.

— Sim. Mas a mãe da Senhorita Yao continuou sendo a chefe da família.

A esposa do antigo chefe da casa permaneceu como esposa. Presumivelmente, isso significava que a mãe de Yao acabara se casando com o cunhado. Não era algo incomum… Mas, para uma jovem, isso podia despertar sentimentos muito conflitantes. Ressentimento ou até mesmo ódio não seriam nenhuma surpresa. Yao também devia ter aprendido que mulheres incapazes de trabalhar tinham poucas opções. Se apenas obedecesse ao tio, acabaria exatamente como a mãe.

— Entendo — disse Maomao. Ela compreendia por que En'en não queria que Yao ouvisse aquela conversa. En'en já previu que o assunto poderia chegar àquele ponto e, com sabedoria, escolheu outro lugar para conversar.

Maomao colocou o daikon fatiado na bandeja. Isso deve bastar.

Ela queria voltar logo para a mesa antes que a comida esfriasse.

Exatamente como En'en previu, quando as duas retornaram à sala de estar, Yao e Lahan conversavam animadamente.

— A culinária da competente En'en é famosa, e eu esperava ter a oportunidade de prová-la algum dia. Então, curiosamente, essa situação acabou sendo muito conveniente para mim — dizia Lahan.

— Sim, a comida dela é maravilhosa. Ela seria uma excelente chef em qualquer lugar e, além disso, é muito nutritiva!

E de onde ele ouviu falar da comida da En'en?

A dúvida de Maomao foi respondida logo em seguida.

— O restaurante do irmão mais velho dela é muito popular, e dizem que a irmã caçula dele cozinha quase tão bem quanto ele.

— Eu diria que ela é tão talentosa quanto qualquer chef principal — respondeu Yao, elogiando En'en sem hesitar. Maomao se lembrou de ter ouvido que Yao ajudou o irmão de En'en, permitindo que ele se tornasse o cozinheiro da família. Pelo visto, algum tempo depois ele abriu seu próprio restaurante.

Será que foi por causa da mudança na chefia da família? Se o irmão de En’en tivesse sido demitido pelo tio de Yao, isso ajudaria a explicar a antipatia dela por ele.

— Tive o privilégio de jantar três vezes no restaurante dele. Ahh! Foi uma refeição inesquecível em todas as ocasiões.

— Três vezes? Quando você foi? O cardápio muda a cada estação, não é, En'en?

— Sim. Na verdade, ele procura os ingredientes mais frescos todos os meses.

Bastou começarem a falar do irmão de En'en para Yao se envolver de verdade na conversa. Ela passou a palavra para En'en, que entrou no assunto. Longe de fazer uma palestra sobre números e cálculos, Lahan se revelou um excelente conversador, algo de que Maomao não gostou nem um pouco.

Em vez disso, ela se concentrou em saborear a pele crocante do pato. A mistura de óleo e ervas tinha sido envolvida no pão fino, que ela completou com um pouco de jiang agridoce e picante. Cada mordida enchia sua boca com o sabor intenso da carne, enquanto as ervas davam uma textura agradável, tudo complementado pela simplicidade sublime do pão. Era o bastante para fazer sua boca salivar.

Em uma palavra, estava delicioso.

— Ahh, isso está maravilhoso — disse Lahan, evidentemente da mesma opinião. Como já foi dito, ele era um excelente conversador. Precisava mesmo ser para conseguir fazer a reservada Yao se abrir com tanta facilidade. Na verdade, a conversa estava indo até bem demais, e En'en parecia um pouco pertubada.

Por um bom tempo, o único som vindo de Maomao foi o de sua mastigação. Quando percebeu, seu prato já estava vazio, e ainda havia espaço suficiente em seu estômago para a sobremesa.

— Vou buscar algumas frutas — disse En'en. Ela saiu da sala e voltou com um recipiente de vidro cheio de tangerinas. As cascas tinham sido removidas, as sementes cuidadosamente retiradas, e os gomos haviam ficado de molho em água com açúcar. A acidez seria perfeita para cortar a gordura e o óleo do pato.

— Estava delicioso — disse Maomao, pousando os hashis. Ela queria chegar logo ao verdadeiro assunto. — Lahan, você tirou algum livro das estantes?

— Livros das estantes? — perguntou ele, lançando-lhe um olhar curioso enquanto pegava mais uma colherada de frutas. — Não, não tirei. E tenho certeza de que meu honrado pai nunca faria nada com os pertences do meu tio-avô. Na verdade, ele manda criados limparem aquela sala regularmente.

Aquilo era uma demonstração incomum de consideração por parte do estrategista excêntrico. Não era de admirar que o anexo parecesse tão limpo.

— Você acha que está faltando alguma coisa? — perguntou Lahan. — Seria natural imaginar que algum dos criados estivesse envolvido, mas meu pai jamais contrataria alguém sem ética. Isso seria perigoso demais para um homem com tantos inimigos.

Livros eram objetos valiosos e, por isso, passíveis de roubo. Mas será que algum dos criados que trabalhavam na propriedade do estrategista seria capaz de fazer algo assim?

Essa é complicada, pensou Maomao.

— O que está faltando?

— Isto.

En'en entregou a ele sua lista. Nela estava o código do livro desaparecido: 一-2-II.

— Exatamente o tipo de sistema de classificação que meu tio-avô criaria. Tenho que admitir, é uma maneira perfeita de organizar mais de mil livros.

Ao perceber que Lahan também conseguia ler aqueles números, Yao lançou um olhar frustrado para En'en. Ela odiava ser a única que não entendia o significado deles.

En'en pareceu compreender o sentimento, pois começou a escrever números em algumas folhas em branco:

1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9

I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII, IX

A expressão de Yao suavizou, já não parecendo tão irritada. Ela encarava fixamente os números, tentando memorizar cada um deles. Por fim, o papel coberto por "I, II, III, IV, V, VI, VII, VIII, IX" pareceu finalmente fazer sentido para ela.

— O próximo número seria escrito assim? — perguntou, desenhando um X sobre a mesa com o dedo.

— Sim! Muito bem, senhorita! — exclamou En'en, aplaudindo. Yao pareceu um pouco sem graça.

— Mas os livros estavam organizados direitinho nas estantes… — disse Yao. Pelo menos estavam quando ela e En'en chegaram.

— Sim, e não parecia haver nenhum espaço vazio evidente. Mas, agora que olhamos para a numeração, realmente está faltando um — acrescentou En'en.

— Está mesmo? — perguntou Lahan examinando o número do livro desaparecido.

— Achei que alguém obcecado por números como você teria percebido isso imediatamente — disse Maomao, com uma ponta de veneno na voz.

— Infelizmente, raramente venho a este prédio. Tenho outras coisas para fazer. Embora este lugar seja realmente interessante.

— Outras coisas para fazer, como almoçar tranquilamente? Ou tinha outra coisa em mente?

Ops. Seus verdadeiros sentimentos escaparam.

— Maomao, por favor, seja mais respeitosa na presença da senhorita Yao — disse En'en, assumindo seu modo de professora. Maomao tinha relaxado na etiqueta por estar com Lahan.

— Se os livros são numerados, isso quer dizer que eles ficam em ordem, certo? — perguntou Yao.

— Sim. Os dois primeiros volumes trazem informações básicas. O volume 1 era sobre a anatomia do corpo humano, e o volume 2 tratava de procedimentos cirúrgicos.

A especialidade de Maomao era fitoterapia, mas ainda assim eram assuntos que qualquer praticante da arte da cura deveria conhecer.

A questão era: onde estava o livro desaparecido?

Maomao parou e olhou para Lahan.

— Você disse que este era um prédio interessante. Que diab... cof cof. O que exatamente quis dizer com isso? — disse ela, corrigindo-se a tempo. Ela tinha a impressão de se lembrar de Lahan comentando que a biblioteca, em especial, era um lugar intrigante.

— Ah, isso? As paredes e o teto deste anexo não parecem incomumente bem decorados para vocês?

— Agora que você falou, parecem mesmo — respondeu Yao, olhando para o teto.

A biblioteca tinha sua própria decoração; ali, na sala de estar, o teto era coberto por pinturas de todos os tipos de animais.

— E não é só o teto. — Lahan levantou um canto do tapete, revelando um elaborado padrão formado pelas tábuas de madeira do piso.

— Alguém dedicou muito trabalho artesanal a isso — admirou-se En'en.

— Antes de meu tio-avô morar aqui, esta era a casa de um arquiteto bastante excêntrico. Foi ele quem construiu esta residência. Tinha gosto por padrões incomuns... e adorava egenhocas.

— Pode falar o que quiser sobre a personalidade do clã La, mas eles realmente têm uma tendência ao genial — disse En'en, assentindo. Então aquele arquiteto também fazia parte da família de Maomao?

— Infelizmente, enquanto estava obcecado por uma nova invenção, o arquiteto acabou se empolgando demais e terminou... bem, preso na própria invenção. Quando o encontraram, estava praticamente mumificado. As pessoas apenas comentavam que fazia tempo que não o viam, e lá estava ele, reduzido a um corpo ressequido.

Nem Maomao, nem Yao, nem En'en disseram uma palavra. Seus olhares percorreram o cômodo.

— Ah, relaxem. Não foi neste prédio, e sim em outro. Conseguimos vendê-lo. Nenhuma múmia vai sair das paredes aqui.

Aquilo era reconfortante até certo ponto, mas agora elas tinham ainda mais certeza de que aquele era um lugar muito estranho.

— Não existem... hã... armadilhas que mumificam pessoas nesta casa, existem? — perguntou Yao, olhando para Lahan com ansiedade.

— Nada que ameace a vida, pelo menos foi o que meu tio-avô disse. Nem eu colocaria duas jovens para morar em uma casa que pudesse matá-las.

— Então você acha que essas paredes têm algum significado especial? — perguntou Yao.

— É possível. Talvez vocês possam explorá-las, se tiverem alguns minutos.

— Na verdade, não temos — respondeu Maomao, que queria resolver aquilo antes que o estrategista excêntrico voltasse. Fazer isso ainda durante o dia seria o ideal.

— Mais alguma pergunta? Não sei nada sobre o livro, mas vou tentar perguntar aos criados. — Lahan ajeitou os óculos e se levantou da cadeira. — Amanhã tenho algumas coisas para fazer, então, se precisarem de qualquer coisa, basta chamarem alguém. Qualquer um dos criados consegue entrar em contato comigo.

— Obrigada — respondeu En'en, sem acrescentar mais nada.

— Obrigado pela refeição. Estava excelente. Imagino que vocês estejam cansadas. Podem deixar a louça aí; vou mandar alguém cuidar disso.

Maomao pretendia ajudar na limpeza, mas, se não precisava fazer isso, melhor ainda. Ela queria voltar a procurar o livro o quanto antes.

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Fim da leitura

Capítulo 9.04 concluído

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