Diários de uma Apotecária — Capítulo 9.09: Volume 9 – Capítulo 09 – Capítulo 09: Mensagem

Diários de uma Apotecária
Cap. 9.09
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Diários de uma Apotecária

Volume 9 – Capítulo 09 – Capítulo 09: Mensagem

Capítulo 9.09

2.138 palavras~9 min de leitura

Em sua residência, Jinshi recebeu uma carta. Ela não estava escrita em tiras de madeira nem em papel, mas em pergaminho, enrolado, amarrado e selado com cera. Cada região tinha sua própria maneira de enviar correspondências; aquela era uma característica típica do oeste.

Gaoshun confirmou a suspeita de Jinshi.

— Veio da capital do oeste — disse ele.

— Sim, do senhor Gyoku-ou. Mesmo sabendo muito bem que hoje em dia eles já têm papel por lá...

Até mesmo no oeste, onde as árvores apropriadas para fabricar papel eram escassas, ele ainda era mais barato do que o pergaminho. Jinshi observou novamente o selo, confirmando que era exatamente o que esperava. Ultimamente, ele havia se tornado bastante familiar. Parecia muito com o brasão agora gravado a ferro em seu próprio flanco.

Ele puxou a amarra, tentando romper o selo, mas ela resistiu. O material parecia delicado. Com uma tesoura, certamente seria possível cortá-lo.

— Tem uma tesoura aí, Gaoshun? — perguntou Jinshi.

— Aqui está, senhor.

Jinshi rompeu o selo... e suspirou. Se Basen estivesse presente, teria começado imediatamente a perguntar o que havia provocado aquela reação, mas Gaoshun sabia se conter. Apenas esperou que Jinshi falasse.

— Quer ler? — perguntou Jinshi.

Gaoshun lançou um olhar para o pergaminho, mas balançou a cabeça.

— O que diz a carta, senhor?

— Que a filha dele entrará no palácio interno justamente quando estivermos deixando a corte, conforme o planejado. É uma carta autoritária demais para alguém que só está confirmando um cronograma.

Será que Gyoku-ou ainda achava que Jinshi era o responsável pelo palácio interno?

— Na prática, a entrada dela no palácio interno terá de ser adiada até o seu retorno — observou Gaoshun.

Jinshi sentiu pena da princesa, que faria uma viagem tão longa apenas para ter de esperar em alguma residência separada. Dadas as objeções da imperatriz Gyokuyou, ela não poderia entrar no palácio interno.

Havia uma solução óbvia: fazê-la concubina do irmão mais novo do Imperador. O problema era que Jinshi, naturalmente, não tinha a menor intenção de se casar com ela.

Ele sabia muito bem o quão perto aquilo havia chegado de acontecer, e só de pensar nisso os pelos de sua nuca se arrepiaram. Se ele não tivesse marcado aquele brasão no flanco, até mesmo o Imperador provavelmente teria ordenado que ele engolisse o sapo e se casasse com a moça.

Sem dizer uma palavra, Jinshi levou um dedo à têmpora. Ele repassou o assunto em sua mente… algo ainda parecia errado. A Imperatriz Gyokuyou sabia da marca de Jinshi. O segredo era uma arma nas mãos da Imperatriz, mas era uma faca de dois gumes. Não podia se tornar de conhecimento público que Jinshi carregava o próprio brasão da Imperatriz em seu corpo. O Imperador e a Imperatriz o haviam visto fazer aquilo e sabiam o verdadeiro significado, mas qualquer outra pessoa concluiria que aquilo era prova de adultério. E de um adultério envolvendo gostos bastante peculiares.

Quando o assunto era casamento, até mesmo a própria sobrinha da imperatriz representava um risco grande demais.

Do ponto de vista de Gyokuyou, teria sido muito menos prejudicial simplesmente aceitar que a jovem entrasse no palácio interno. E daí se o Imperador a visitasse algumas vezes? A imperatriz jamais seria mesquinha a ponto de sentir ciúmes por causa disso. Não mais. Então… Havia algo na própria jovem que fazia a imperatriz se opor a ela?

— Gaoshun... A imperatriz Gyokuyou era próxima do senhor Gyoku-ou e da filha dele?

— Creio que a senhora Suiren esteja em melhor posição para responder a essa pergunta do que eu, senhor.

Jinshi voltou-se para a velha dama de companhia.

— Duvido muito — respondeu ela. — O senhor Gyoku-ou ainda não tinha essa filha quando a imperatriz Gyokuyou vivia na capital do oeste. Suspeito que elas nunca sequer tenham se encontrado.

Suiren colocou alguns biscoitos de arroz diante de Jinshi. Não eram os favoritos dele; ela estava se preparando para a chegada de Maomao, que logo apareceria. A jovem nunca comia nada enquanto estava na residência, mas Jinshi sabia que ela ficava feliz em poder levar alguns petiscos para casa.

— Isso é praticamente uma ordem para eu ir ao oeste, não é? — comentou Jinshi. Sim, a sugestão só poderia ter a intenção de expulsá-lo. Ele conhecia a Imperatriz desde que ela era apenas uma concubina no palácio interno, e ela sempre havia sido uma mulher extremamente astuta. — Quero acreditar que ela esteja agindo com boas intenções... — murmurou Jinshi para si mesmo. É claro que "boas intenções" podiam significar muitas coisas diferentes, mas o importante era acreditar que ela tinha algum plano.

Ainda assim, do ponto de vista político, ele não podia confiar nela sem reservas.

Jinshi percorreu a carta novamente com os olhos. O selo era autêntico, mas parecia que o texto havia sido escrito por um escriba. A redação era direta, quase impetuosa, mas, no fim das contas, tudo se resumia ao fato de que Gyoku-ou queria confirmar se estava tudo em ordem. A discrepância entre a forma e o conteúdo era estranha. Seja como for… Ele teria de arquivá-la. Ele entregou o pergaminho a Gaoshun para que o guardasse na caixa de correspondências.

Ele estava prestes a jogar fora a tira que havia cortado quando parou. A corda, ele percebeu, era feita de papel torcido. Era por isso que parecia tão delicada. Aquilo o surpreendeu. Usar uma tira de papel para amarrar um pergaminho parecia bastante incomum. Ele começou a desfazê-la cuidadosamente.

Na verdade, tratava-se de uma carta escrita em uma única folha de papel. Quando a desenrolou, revelou uma longa sequência de números.

— Príncipe da Lua... — disse Gaoshun. Ele já não usava mais o nome Jinshi e nunca mais voltaria a usá-lo.

— Parece que há alguma coisa acontecendo na capital do oeste que preciso investigar. — Jinshi não fazia ideia do que aqueles números significavam, mas era evidente que havia algo suspeito. O selo era autêntico; pelo menos a carta era verdadeira. Quanto à tira de papel… Será que alguém a havia trocado discretamente? Ou alguém além de Gyoku-ou havia selado a carta? Naturalmente, existia a possibilidade de o próprio Gyoku-ou ter feito aquilo, mas Jinshi duvidava muito. — Mas por quê? — perguntou em voz alta. — Será algum tipo de mensagem codificada para mim?

— Parece um método complicado demais para isso — respondeu Gaoshun. — Mas, talvez, se quem enviou não tivesse outra alternativa… — Ele interrompeu a frase antes de chegar a qualquer conclusão.

Aquilo foi uma aposta. Jinshi podia encontrar a mensagem… ou não. E, se não encontrasse? Talvez viesse outra mensagem. Ou várias. Até que finalmente a percebesse.

— Não faço ideia do que esses números significam. Acho melhor chamarmos um especialista. — Por sorte, ele conhecia exatamente a pessoa certa.

Gaoshun franziu a testa. Era um gesto familiar, mas, dessa vez, as rugas pareciam mais profundas do que de costume.

— Você parece ter alguma ideia do que está acontecendo — disse Jinshi.

— Não, senhor — respondeu Gaoshun — Porém... lembro de algo semelhante ter acontecido antes.

— Quando foi isso? — perguntou Jinshi voltando os olhos para o pergaminho.

— Dezessete anos atrás. Uma mensagem secreta levou à extinção do clã Yi.

O clã Yi. Antes da ascensão de Gyokuen ao poder, era ele quem governava a capital do oeste. Na verdade, aquela região era conhecida antigamente como Província Oeste de Yi, ou simplesmente Província Yi do Oeste, em homenagem ao clã. Mas eles já não existiam. A imperatriz reinante havia ordenado sua destruição. Diziam que planejavam uma rebelião. Na época, Jinshi tinha apenas quatro anos e não guardava qualquer lembrança daqueles acontecimentos.

— A destruição do clã Yi foi um dos feitos mais marcantes da imperatriz reinante, junto com as reformas que realizou no palácio interno — disse Jinshi.

A imperatriz reinante. Ou, em outras palavras, a antiga imperatriz viúva. Ela nunca chegou a ocupar o trono, mas conduziu a política em nome do antigo Imperador, exercendo um papel muito semelhante ao de uma primeira-ministra.

— Sua Majestade, a antiga imperatriz viúva, conseguiu participar da política apesar de ser mulher, e estava longe de ser uma tola — disse Gaoshun.

— Eu sei. Também sei quem era o tolo naquela época.

O antigo Imperador, pai de Jinshi, jamais demonstrou interesse pela política. Desde as primeiras lembranças de Jinshi, ele sempre foi uma pessoa debilitada pela doença. Sua participação nos assuntos do governo limitava-se a caminhar ocasionalmente pelos corredores do palácio. Em seus últimos anos de vida, ele quase nunca saía de seus aposentos. Permanecia isolado, dedicado às suas pinturas.

A imperatriz reinante tomou muitas decisões firmes, mas quase todas beneficiaram o povo. Ela promovia os verdadeiramente capazes. Ao mesmo tempo, atraía a antipatia, e até o ódio, dos altos funcionários que valorizavam mais a linhagem do que o mérito.

Mesmo as decisões que pareciam mais incompreensíveis da imperatriz reinante acabavam revelando uma lógica por trás delas. Assim havia sido com a expansão do palácio interno. Talvez também tivesse sido assim com a destruição do clã Yi.

A história era simples: o clã Yi havia planejado uma rebelião e, como punição, foi exterminado. No entanto, exatamente que tipo de rebelião eles pretendiam realizar nunca havia sido transmitido às gerações seguintes. Mais intrigante ainda, era a primeira vez que Jinshi ouvia falar de mensagens secretas relacionadas ao caso.

Por isso, perguntou:

— Que tipo de rebelião o clã Yi estava planejando?

O clã Yi não havia sido o último a ser destruído; o destino do clã Shi ainda estava muito vivo em sua memória. Enquanto a recordação voltava, Jinshi passou os dedos pela cicatriz em sua bochecha direita.

— Se isso fosse conhecido, tenho certeza de que o senhor já teria sido informado, Príncipe da Lua — respondeu Gaoshun. Era uma forma indireta de dizer que o clã Yi havia sido exterminado antes mesmo de se descobrir exatamente o que estava tramando.

— E você aprovou isso? — perguntou Jinshi.

— Não. — A resposta de Gaoshun veio com uma sinceridade inesperada. Jinshi percebeu imediatamente que sua pergunta havia sido injusta. Naquela época, Gaoshun já devia exercer o papel de seu guardião e protetor, sem qualquer participação nos assuntos políticos. — A imperatriz viúva ainda era apenas um ser humano. Foi por volta da época em que o antigo Imperador perdeu a sanidade.

Aquele era o único antigo Imperador de quem Jinshi se lembrava. Um homem perturbado... confuso... e atormentado.

— Tenho certeza de que o senhor gostaria de saber mais, mas Xiaomao chegará em breve.

— Você ainda a chama assim? — Jinshi estreitou os olhos.

— Se eu parar agora, tenho certeza de que ela vai começar a fazer perguntas.

Ele tinha razão. Mesmo assim, aquilo incomodava Jinshi.

— Então por que não chama Maamei de Xiaomei também? Assim combina.

Maamei era a filha de Gaoshun, e Jinshi conhecia muito bem o jeito firme com que ela tratava o pai.

Gaoshun parecia cansado.

— Eu chamava. Mas fui proibido de continuar fazendo isso. Então, peço desculpas, senhor, mas não posso.

— Proibido? O quê? Você deixou escapar esse apelido em público?

— Não... Acabei adquirindo o péssimo hábito de chamar a outra de Damei.

— Damei...

Ou seja, "Mei Grande", em contraste com "Mei Pequena". A filha de Gaoshun se chamava Maamei e sua esposa se chamava Taomei. Em circunstâncias normais, isso talvez não fosse grande coisa, mas a esposa de Gaoshun conseguia ser tão assustadora quanto a própria filha.

— Lembre-me... Qual é a diferença de idade entre vocês?

— Seis anos. — Gaoshun ergueu seis dedos para enfatizar. Um casamento em que o marido fosse seis anos mais velho do que a esposa não chamaria a atenção de ninguém. O contrário, porém, era bastante incomum. Mesmo que Gaoshun não tivesse tido qualquer intenção maliciosa, era fácil imaginar como aquilo poderia ter criado uma situação desagradável.

— Hum... Entendo. Sim, acho melhor deixar o nome da Maamei como está.

— Claro, senhor. Muito obrigado. — Gaoshun fez uma profunda reverência.

Jinshi guardou a carta em uma gaveta trancada. Nesse momento, um sino tocou no corredor. Era o sinal de que havia um visitante.

— A gata chegou — disse Jinshi. Maomao ainda vinha examinar seu ferimento a cada poucos dias. Como ela vinha diretamente do consultório médico, ele esperava ouvir uma longa reclamação sobre qualquer problema que tivesse enfrentado no trabalho naquele dia.

A carta ainda continuava ocupando os pensamentos de Jinshi, mas ele lidaria com aquilo mais tarde. Por enquanto, ele relaxou a expressão e abriu um leve sorriso enquanto aguardava o som dos passos de Maomao se aproximando.

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Atenciosamente,

Scan Moonlight Valley

Fim da leitura

Capítulo 9.09 concluído

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