Diários de uma Apotecária — Capítulo 9.15: Volume 9 – Capítulo 15 – Capítulo 15: Preparações

Diários de uma Apotecária
Cap. 9.15
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Diários de uma Apotecária

Volume 9 – Capítulo 15 – Capítulo 15: Preparações

Capítulo 9.15

2.362 palavras~10 min de leitura

Faltavam apenas cinco dias para a partida. Tudo aconteceu tão de repente que Maomao precisou correr para se preparar. Tinha que fazer compras e havia várias pessoas com quem precisava conversar.

Talvez eu não devesse sair contando para todo mundo que vou viajar, pensou ela, mas um comunicado oficial já tinha sido divulgado, então, pelo visto, não havia problema. Definitivamente preciso avisar a velha madame. Ela não queria ser recebida com outro soco no estômago quando voltasse para casa.

Foi assim que ela foi até a Casa Verdigris, onde a madame disse:

— Hã. É mesmo? Nesse caso, quero âmbar-cinzento de lembrança.

É, isso não vai rolar.

O nome daquela substância, na língua de Maomao, significava "incenso da saliva do dragão", e dizia-se que era produzida a partir da baba de um dragão, embora, na verdade, não fosse essa sua origem. Era extremamente cara e também possuía propriedades medicinais; fazia bem para o coração.

— Como assim você vai viajar de novo?! Isso é um absurdo! Nunca ouvi falar de uma dama da corte sair tantas vezes para tão longe do palácio!

A indignada reclamação veio de Sazen, o aprendiz de apotecário. Havia até lágrimas em seus olhos.

— Desculpe. Você vai ter que dar conta por um tempo. Tem o Kokuyou, e também pode procurar meu pai se surgir algum problema. — Maomao entregou a ele uma folha de papel assinada, e foi só isso. Um cliente tinha acabado de chegar à loja, então Sazen voltou até ele arrastando os pés.

Acho que ele é mais apotecário do que imagina, pensou Maomao. Ele certamente se preocupava demais com tudo, talvez isso o fizesse subestimar a própria capacidade.

— Céus, tome muito cuidado. Dizem que o sol do oeste deixa qualquer um com um bronzeado terrível. — Esse aviso veio de Pairin, a irmã mais velha de Maomao na Casa Verdigris, cuja pele estava especialmente viçosa naquele dia.

Teve um bom cliente ontem à noite? Maomao pensou. Os apetites sexuais da irmã iam muito além do comum, então, para ela, um "bom" cliente era mais do que alguém com muito dinheiro. Sem dúvida, devia ser um homem alto e bem musculoso.

— Tome. Você vai precisar disso. Passe todas as manhãs e lave o rosto antes de dormir para tirar. — Meimei colocou um pequeno recipiente de cerâmica nas mãos de Maomao. Pelo jeito, continha algum tipo de creme para proteger a pele.

— Não tenho certeza de que vou conseguir lavar o rosto todos os dias — respondeu Maomao. A capital do oeste ficava muito longe e, fosse a viagem por terra ou por mar, água seria um recurso precioso.

— Vão levar a nossa Maomao para um lugar desses? Que idiota tomou essa decisão? — resmungou Joka.

Engraçado você perguntar. Talvez você conheça esse sujeito como um certo nobre mascarado...

Assim estavam reunidas as três famosas princesas da Casa Verdigris.

— Aaah, estou tão preocupada com você! Ainda dá tempo de desistir, Maomao? — perguntou Pairin, puxando-a para um abraço. Ela realmente tinha tido uma noite agitada; o calor de seu corpo ainda irradiava.

— Pense só. O dinheiro que a gente ganha se matando de trabalhar, os nobres desperdiçam em uma viagem de lazer — cuspiu Joka.

— Nada disso! São justamente esses nobres que fazem nosso negócio prosperar. Basta arrancar deles tudo o que pudermos e garantir que o ciclo continue — disse Meimei, com sua habitual elegância, em um contraste marcante com o conteúdo nada refinado do que acabou de dizer. Em seguida, voltou o olhar para a janela. — Admito que estou tão preocupada quanto vocês... Mas acho que haverá alguém na comitiva que será implacável se ousarem encostar um dedo na Maomao.

Então ela olhou para Maomao, com um semblante melancólico.

— Meimei... — disse Maomao. — Vou falar de forma indireta, mas estou mais preocupada com ele do que com qualquer outra coisa.

O estrategista excêntrico iria com eles. Maomao não fazia ideia do motivo, mas, se as pessoas da capital do oeste soubessem com quem estavam lidando, certamente pediriam para ele ficar em casa.

Ou será que nem tinham como recusar? Não me diga que foram eles que o convidaram.

A ausência dele não causaria problemas na capital, pois seus subordinados conseguiriam manter o gabinete funcionando perfeitamente por meses. O verdadeiro receio de Maomao era imaginar o tipo de confusão que ele poderia provocar durante a viagem. Bastava pensar nisso para sentir uma dor de cabeça.

Então é para isso que estão me levando? Ela rangeu os dentes. Ela sempre soube que ele usava qualquer pessoa que estivesse à disposição; a culpa era dela por ter se esquecido disso. Curiosamente, porém, sentiu um leve alívio ao perceber que a forma como ele tratava as pessoas não tinha mudado desde a época do palácio interno.

Quem ocupava o topo não podia se deixar levar pelos sentimentos. Às vezes Jinshi agia por impulso, mas Maomao acreditava que, mesmo nesses momentos, ainda havia um pouco de racionalidade por trás de suas ações. Pelo menos era nisso que ela queria acreditar.

Não... impossível, pensou, descartando a ideia imediatamente. Caso contrário, ele jamais teria marcado a própria pele com um ferro em brasa.

Dito isso, talvez nem fosse culpa de Jinshi. Talvez ele simplesmente não tivesse liberdade para escolher quem o acompanharia. No fim, isso não fazia diferença. O resultado continuava sendo o mesmo: problemas para Maomao. E nada além disso.

Ela estava guardando o creme que Meimei lhe deu quando uma voz insolente surgiu atrás dela:

— Ei, Sardenta!

— O quê? O que foi, Chou-u? — respondeu Maomao, virando-se irritada.

— Você é burra! — ele gritou, e com isso o pirralho malcriado saiu correndo. Ele ainda arrastava uma perna parcialmente paralisada, mas isso obviamente não abalava seu ânimo. Sua pequena lacaia, Zulin, também mostrou a língua para Maomao e depois correu atrás de Chou-u.

— O que foi isso? — murmurou Maomao.

— O Chou-u sente sua falta, Maomao — disse Meimei.

— Hum. E parece que a Zulin voltou a andar atrás dele?

— Isso começou de novo faz pouco tempo. — Meimei parecia preocupada.

— Começou de novo?

— Ela tem uma irmã mais velha, você se lembra? A garota que você trouxe junto com ela. Ela estava treinando como aprendiz e, este ano, começou a atender clientes.

— Foi mesmo é? — Tantas mulheres entravam e saíam da Casa Verdigris que Maomao não acompanhava todas. — Não é um pouco cedo? — ela perguntou, lembrando-se de como a jovem era extremamente magra.

— Ela tem quinze anos. Uma alimentação decente fez muito bem para ela, e os clientes começaram a notar. Ela tinha tudo de que precisava. Pelo visto, realmente passava fome no lugar de onde veio.

Além disso, a própria garota era muito ambiciosa; estava ansiosa para fazer sua estreia. Era natural que isso despertasse sentimentos conflitantes na irmã mais nova.

— Ela ainda não tem muita elegância, mas acho que vai amadurecer com o tempo — comentou Meimei.

— Você acha? Eu acho que ela é espinhenta demais — respondeu Joka.

Pairin caiu na risada.

— Logo você falando isso? Uma mulher que escolheu para si o nome "Joka"!

Aquele não era o nome que seus pais lhe deram. A madame costumava dar novos nomes às garotas para incentivá-las a esquecer o passado, mas Joka escolheu para si um nome que parodiava o da deusa criadora do mundo, e ainda teve a ousadia de incluir o caractere proibido ka.

— Minha mãe sempre me disse que meu pai era alguém muito importante. Tenho todo o direito de usar esse caractere. — ela costumava dizer.

Um pai importante o bastante para justificar o uso daquele caractere? As únicas pessoas que podiam fazer isso pertenciam à família imperial. A única pessoa cuja idade combinaria com a de Joka seria o antigo imperador, mas Maomao sabia muito bem que isso era impossível.

Como Joka deve ter se sentido ao descobrir que sua mãe tinha sido enganada? Talvez fosse daí que surgisse seu ódio pelos homens. Talvez.

Além de tudo, a velha madame realmente permitiu que ela usasse aquele nome tão espinhoso.

Que medo.

A Casa Verdigris continuaria funcionando sem Maomao. Era um lugar cheio de mulheres fortes. E, na verdade, os homens dali também eram bastante fortes. Tudo ficaria bem.

Maomao suspirou e seguiu para a próxima etapa de seus preparativos.

O sol já estava baixo quando terminou suas compras e voltou ao dormitório.

Esta próxima parte talvez seja a mais difícil de todas, pensou ela, soltando um suspiro enquanto entrava no prédio.

Ela ouviu o som ritmado de uma faca: toc... toc... toc… Ela ainda está nisso, pensou Maomao. Espiando pela cozinha, ela viu Yao cortando frango sob a supervisão de En'en. Ainda estava longe de ser uma especialista, mas já tinha deixado de despedaçar os ossos com a violência do outro dia e agora parecia realmente estar preparando uma refeição.

Maomao não disse nada.

En'en também não.

Yao estava tão concentrada no frango que nem percebeu a presença de Maomao. En'en, por outro lado, viu Maomao e lançou-lhe um olhar suplicante.

Acho que ela quer dizer... "Estamos concentradas agora. Por favor, não interrompa."

Maomao resolveu ir direto para o quarto, mas acabou encontrando no corredor a mulher responsável pelo dormitório.

— Maomao, é verdade que você vai ficar fora por vários meses? Posso guardar seu quarto para você. Quer que eu faça uma limpeza antes?

A voz da mulher ecoava facilmente até a cozinha.

O resultado era previsível: um — Ai! — seguido de um — Senhorita!

Maomao espiou pela fresta da porta e viu exatamente o que esperava.

— Não faça isso, senhorita — disse En'en. — Não coloque o dedo na boca! Carne de frango crua é perigosa. Venha, vou fazer um curativo.

Até carne destinada ao consumo podia conter venenos ou parasitas.

— Acho que você exagerou um pouco, En'en — comentou Maomao, observando-a enrolar tanta atadura na mão de Yao que ela praticamente ficou imobilizada.

Agora que Maomao tinha aparecido, Yao parecia emburrada. Era óbvio que ela queria dizer alguma coisa. Mas Maomao nunca foi a pessoa mais habilidosa do mundo para lidar com situações sociais e não fazia ideia do que deveria dizer. Considerando que Yao ainda estava aprendendo até mesmo a segurar o cutelo corretamente, era muito improvável que o doutor Liu já a tivesse convidado para participar das aulas especiais.

Por fim, Maomao apenas disse:

— Desculpe. Vou ficar fora por um tempo.

— Entendo — disse En'en. Ela teve a delicadeza de parecer realmente triste com a notícia... mas apenas por um instante. Uma expressão passou rapidamente por seu rosto, algo que Maomao não conseguiu definir, mas que parecia dizer: Agora serei só eu e a senhorita Yao! Felizmente, Yao estava olhando para o chão e não percebeu.

Maomao suspeitava que Yao também entendia a situação tão bem quanto En'en. Ela era uma garota inteligente e compreendia racionalmente o que estava acontecendo; só precisava de mais tempo para que seus sentimentos acompanhassem esse entendimento.

Ela ainda tem só dezesseis anos, lembrou Maomao. Quatro anos mais nova que Maomao.

Achando que já tinha dito tudo o que podia, Maomao estava prestes a voltar para o quarto quando ouviu outro estrondo. Desta vez, era alguém batendo o pé no chão.

— Maomao!

— Sim?

Yao soltou o ar pelas narinas como um javali irritado. Endireitou a postura, com uma expressão cheia de determinação.

— Senhorita... — murmurou En'en. Ela tirou de algum lugar dois leques dobráveis. Em um estava escrito Yao. No outro, Vai em frente! De onde ela tirou isso? Realmente, ela era uma dama de companhia de talentos extraordinários.

Yao bufou mais uma vez e parou bem diante de Maomao.

— Aqui, jovem senhorita. — En'en lhe entregou uma espécie de caderninho.

— Hum! — Yao o empurrou na direção de Maomao.

— O-O que é isso?

— C-Como assim "o que é isso"?

Yao não conseguia explicar direito, então En'en tomou a palavra.

— Ela copiou trechos dos livros da biblioteca. Reuniu o maior número possível de exemplos que não aparecem no livro-texto. Acho que até você vai se surpreender com algumas coisas que estão aí, Maomao.

— O quê? — Puta merda, eu quero isso! — E-Eu posso mesmo ficar com isso?

— B-Bem, eu disse que podia! — Yao rebateu, embora, na verdade, não tivesse dito isso em momento algum.

Mas, se ela estava oferecendo, Maomao não precisava ouvir duas vezes. Maomao pegou o caderno e imediatamente começou a folheá-lo.

— Uau! Uaaaaau!

— Não! Não olha agora! E-Escuta, eu não fiz nada demais, tá? A En'en insistiu, então eu só copiei um pouquinho. Só um pouquinho!

Essa garota consegue ser doce e rabugenta ao mesmo tempo. Era quase injusto.

[Kessel: Que fofinhaaaaaa! Fala alguma coisa agora aí, dona Noelle! Até presente ela dá!!! Ownti, modeuso!]

Infelizmente para Yao, Maomao conseguia distinguir perfeitamente a caligrafia dela da de En'en. Ainda assim, teve a consideração de não comentar qual das duas havia copiado o quê. Em vez disso, abaixou a cabeça e disse:

— Muito obrigada. — Antes mesmo de perceber, segurou a mão de Yao em um aperto de mãos. Para falar a verdade, ela estava tão feliz que quase podia sentir o nariz escorrendo de emoção.

— Hmph... Bem... você vai precisar de alguma coisa para passar o tempo durante a viagem.

Yao estava corada, e sua voz soava bem mais baixa do que o normal. Atrás dela, En'en observava o aperto de mãos com um olhar gelado.

— Vou trazer uma lembrança para você em agradecimento — disse Maomao.

— Eu não preciso de lembrança nenhuma! — disse Yao ainda emburrada, e voltou para a tábua de cortar.

— Desse jeito você não vai conseguir cortar nada. Pelo menos deixe que eu cuide desse machucado — disse Maomao.

Se deixasse tudo nas mãos de En'en, Yao provavelmente acabaria completamente enrolada em ataduras, parecendo uma múmia.

Yao aceitou que Maomao cuidasse do ferimento. Mas durante todo o tempo, En'en permaneceu ao lado delas, observando de maneira quase ameaçadora.

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Atenciosamente,

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Fim da leitura

Capítulo 9.15 concluído

Volume 9 – Capítulo 15 – Capítulo 15: Preparações