Fragmentos do Multiverso — Capítulo 10: Volume 1 – Capítulo 10 – Capítulo 10: Atitudes

Fragmentos do Multiverso
Cap. 10
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Fragmentos do Multiverso

Volume 1 – Capítulo 10 – Capítulo 10: Atitudes

Capítulo 10

3.268 palavras~14 min de leitura

“De verdade mesmo, acho que isso não é uma das melhores ideias que eu tive.”

Anuk terminou de subir alguns andares pela escada lateral de um grande prédio e se pendurou na beirada para conseguir chegar ao topo.

“Mas a sensação…”

Quando finalmente chegou, teve uma vista privilegiada. A noite havia caído, e comparar aquela paisagem com o que ele costumava ver do topo da cafeteria parecia até bobeira. Ele nunca tinha visto a cidade daquele jeito, daquela altura, tão viva.

— É lindo…

Anuk encarou o horizonte. O barulho dos carros invadia seus ouvidos, enquanto o vento gelado tocava sua pele e balançava seus cabelos. As luzes da cidade iluminavam a escuridão da noite e, mesmo estando na beirada do prédio, com o risco de cair a qualquer momento, o garoto só conseguia sentir uma enorme paz e tranquilidade.

Ele se agachou na beirada para observar as pessoas passando lá embaixo e organizar os próprios pensamentos.

“Se o Dragão descobriu quem eu sou, então não vai demorar muito para me encontrar… ou encontrar pessoas ligadas a mim. Que belo herói você é, hein, Anuk Rose? Colocando as pessoas que você ama em perigo.”

Ele se sentou na beirada e soltou um suspiro. As próprias palavras pareciam martelar dentro de sua cabeça, apertando seu peito cada vez mais.

— Agora Max e o Velhote podem estar realmente em perigo… e isso inclui a própria Lile. Se descobrirem a localização da cafeteria, nós vamos ter muitos problemas. Droga, droga, Rose… por que você age por impulso?

Anuk resmungou enquanto dava pequenos socos na própria cabeça.

O garoto então jogou o corpo para trás e se deitou no topo do prédio, deixando apenas as pernas penduradas na beirada enquanto observava as estrelas.

“Eu preciso resolver isso antes que a situação piore. O quanto antes!”

Ele levantou a mão até o rosto e começou a encará-la, como se estivesse procurando algo que nem mesmo ele sabia explicar.

“Mais uma vez eu estou com medo… mas não é medo por mim. É por quem eu amo. Se alguma coisa acontecer com eles, eu nunca vou me perdoar…”

Sua mão caiu devagar sobre o peito, e sua expressão perdeu o pouco de confiança que ainda carregava.

“O que eu faço, Sebastian?”

Anuk ficou em silêncio por alguns instantes, encarando as estrelas.

Então, sem perceber, acabou adormecendo no topo do prédio.

Sua mente estava uma confusão. Não era como se estivesse vivendo uma vida dupla ou preocupado apenas consigo mesmo. Todas as suas ações poderiam afetar as pessoas que mais amava, e isso o apavorava.

Se ser um herói significava ganhar fama, mas também atrair inimigos, como ele protegeria aqueles que amava?

Essa resposta, assim como o medo do desconhecido, era o que mais assustava Anuk naquele momento. Porém, de uma coisa ele tinha certeza: não importava o que acontecesse, precisava ficar mais forte. Forte o suficiente para não se arrepender de não ter sido capaz de fazer nada.

No dia seguinte, Anuk aproveitou que não precisaria ir à Academia e decidiu ir para um lugar mais isolado da cidade.

— Ok, não posso pensar no Dragão agora. Preciso primeiro entender cada coisa de cada vez. Então vamos começar pelos poderes e depois falar com a Lile!

Anuk dizia enquanto se alongava pelo caminho.

O garoto foi até uma antiga praça que não era mais utilizada havia algum tempo. Quase ninguém passava por aquela rua, então ele poderia fazer o que quisesse sem se preocupar muito. E, caso algum assaltante tentasse roubá-lo, bem… seria uma péssima ideia.

Na praça havia um pequeno campinho de areia que costumava ser usado para jogar bola. Aquele seria o local perfeito para os testes.

— Show… mas agora como eu vou fazer esses testes?

Anuk olhou ao redor.

— Tá, vamos primeiro pelos atributos básicos! Começando por força!

O garoto então tentou plantar uma bananeira e conseguiu com tranquilidade. Para aumentar a dificuldade, segurou o próprio corpo usando apenas uma mão. Ainda assim, não teve problemas.

Meio receoso, tentou se equilibrar usando apenas um dedo.

E conseguiu novamente.

Anuk ficou alguns segundos encarando a própria mão.

— Eu poderia ter feito isso em cima do prédio ontem à noite, né? Mas quem seria o louco de fazer isso? Arriscado demais, tá maluco. Enfim… mas até onde será que minha força vai?

Ele se levantou e foi até uma árvore da praça. Ainda estava receoso, mas precisava testar.

Respirou fundo, fechou a mão e desferiu um soco com toda a força.

O tronco grosso e robusto rachou.

Anuk arregalou os olhos.

Antes que pudesse sequer reagir, a rachadura se espalhou pelo tronco e, em questão de segundos, a madeira se desfez diante dele.

— Ok… uau! Acho que já dá para considerar superforça! Próximo.

Anuk começou a tentar fazer parkour pela praça, pulando por cima dos antigos e enferrujados equipamentos que havia ali. Misturando sua força com acrobacias, conseguiu alcançar alturas impressionantes.

Seus movimentos eram rápidos e precisos. Ele fazia mortais no ar e saltava de um equipamento para outro sem muita dificuldade.

— Wow… Ok, eu tenho que admitir que isso é bem legal. Hm… será que…?

Anuk olhou desconfiado para uma parede.

Aproximou-se, colocou a mão contra ela e tentou escalá-la.

Por alguns segundos, pareceu funcionar.

Então perdeu o apoio e caiu de costas no chão.

— AÍ! Ok, essa doeu. Mas não custava nada tentar, né?

No fim, Anuk se levantou e começou a recapitular tudo o que sabia.

— Meus atributos físicos, de modo geral, estão muito aprimorados. Eu já era forte antes, mas agora sou estupidamente mais forte. O que é bom… mas seria melhor se eu tivesse alguém para me ensinar. Do que eu tô falando? Poderes nem existem no nosso mundo. Isso aqui é algo inimaginável!

Anuk passou as mãos pelos cabelos, claramente frustrado.

— Bem… se ninguém mais tem poderes e só eu tenho… não!

Ele bateu as palmas das mãos contra as próprias bochechas.

— Eu não posso começar a me achar invencível por causa disso. Senão, posso acabar me ferrando feio!

Apesar de não conhecer ninguém naquele mundo que provavelmente pudesse vencê-lo, Anuk sabia que deixar aquilo subir à cabeça seria um risco enorme.

— Ok, eu preciso aprender artes marciais o quanto antes. Tipo, eu sei o básico de luta que o Sebastian me ensinou, mas nada aprofundado. Achei que nunca fosse precisar. E também… eu preciso tentar entender as outras coisas que consigo fazer.

O garoto se levantou e pegou um canivete dentro da mochila. Passou a lâmina rapidamente pela palma da mão.

— Aí! Que merda ter poderes, mas mesmo assim sentir dor!

Ele olhou para a própria mão enquanto o sangue começava a escorrer.

Em poucos segundos, o corte se fechou completamente.

Anuk ficou encarando a palma da mão, agora sem nenhuma marca.

— Como imaginei… eu posso me regenerar. Mas… até onde?

Ele encarou o próprio braço por alguns segundos.

— Não. Nem fodendo. Eu não sou maluco de tentar arrancar meu braço fora!

Anuk guardou o canivete novamente dentro da mochila.

— Agora só resta aquilo… até onde eu saiba.

Ele fechou os olhos e tentou se concentrar na própria audição.

O mundo pareceu mudar.

Os sons ficaram mais claros, mais definidos. Era como se, através daquilo que escutava, ele também pudesse enxergar. Não eram apenas barulhos altos. Ele conseguia perceber respirações, passos e até batimentos cardíacos.

— Sessenta batimentos por minuto… cinquenta… oitenta e cinco…

Anuk começou a identificar os batimentos das pessoas que passavam pela rua. Ainda não conseguia determinar exatamente onde cada uma estava sem prestar atenção na direção dos sons, mas já era muito mais do que uma simples audição aprimorada.

— Não é só audição melhorada… meus olhos parecem estar conectados com isso. Mas, falando nisso, eu também sinto que minha visão está muito melhor. E não só isso… todos os meus sentidos, de modo geral.

Ele abriu os olhos.

— Mas o que mais me estranha…

Desde que começou a perceber melhor seus sentidos, Anuk também passou a enxergar algo que não sabia explicar.

Linhas.

Elas apareciam em tudo ao seu redor, como se fossem uma espécie de fluxo percorrendo cada coisa viva ou morta. Nos seres humanos, pareciam acompanhar o corpo de uma maneira semelhante ao fluxo sanguíneo, mas também estavam presentes nas plantas e até mesmo nos objetos.

— Eu não faço ideia do que isso quer dizer. Além de ter aquela coisa com o rugido que me alerta do perigo… Como se, toda vez que eu fosse ser atingido, ou talvez estivesse em perigo, eu soubesse antes mesmo de acontecer.

Anuk coçou a cabeça, tentando encontrar algum sentido naquilo.

— Isso é muito estranho…

O garoto continuava tentando decifrar suas outras habilidades quando ouviu um pedido de socorro a distância.

Como de costume, não ficou parado.

— E lá vou eu de novo… Sério, acho que vou precisar de um uniforme.

Ele saiu correndo na direção do barulho, passando por cima de carros e outros objetos. Em determinado momento, chegou a correr alguns segundos pela parede sem sequer perceber.

Quando chegou ao local, encontrou um acidente de trânsito mais estranho que o normal.

Dois carros haviam colidido, enquanto um terceiro estava virado a alguns metros de distância.

“Mas o que aconteceu ali?”

Anuk se aproximou da rua e viu uma multidão desesperada, com várias pessoas ligando para a polícia. Uma fumaça começava a subir do capô dos carros, e um cheiro forte de gasolina invadiu o nariz do jovem.

— Droga, talvez não dê tempo!

Anuk disparou na direção dos carros, largando a mochila no chão.

Próximo aos veículos, viu uma pessoa dentro de cada um deles, tentando se soltar sem sucesso.

Ele correu até a porta de um dos carros.

— Eu vou te tirar daí! Segura um pouquinho!

— Não dá! Tá emperrada! — o homem respondeu.

Anuk agarrou a porta e puxou.

Nada.

Ele tentou novamente, dessa vez usando mais força.

A porta simplesmente se soltou do carro.

Anuk ficou olhando para ela por um instante.

“Ou, ou!”

Não havia tempo para se preocupar com aquilo.

Ele jogou a porta para o lado e retirou o homem de dentro do veículo.

— O-obrigado, rapaz.

— Não precisa agradecer, senhor!

Anuk se afastou o mais rápido que pôde e correu até o próximo carro.

Repetiu o mesmo processo com a outra pessoa, mas, enquanto a retirava, um incômodo tomou conta de seu corpo.

Era uma sensação estranha.

Como se algo dentro dele estivesse prestes a explodir.

— O que é isso? É como se eu fosse explodir… ESPERA?!

Anuk arregalou os olhos.

Sem pensar duas vezes, pegou a pessoa nos braços e deu o maior salto que conseguiu, jogando o próprio corpo para trás enquanto a protegia.

Um segundo depois, o carro explodiu.

A explosão aconteceu de repente, sem uma chama inicial ou qualquer outro sinal.

Anuk rolou pelo chão e rapidamente olhou para a mulher que segurava.

— V-você tá legal?

Ele a soltou devagar.

A mulher apenas balançou a cabeça, completamente pálida, com os olhos arregalados e o corpo ainda tremendo.

Anuk se levantou.

Foi então que percebeu o cheiro de gasolina que havia sentido antes.

Ele vinha do terceiro carro.

— Não!

Anuk correu.

Pulou por cima dos veículos em chamas, usando-os como apoio para ganhar impulso e chegar ao outro lado.

No terceiro carro, a situação era ainda pior.

A pessoa lá dentro estava inconsciente, e o chão estava coberto de cacos de vidro. Puxá-la daquele jeito poderia causar ferimentos ainda maiores.

Anuk viu o fogo se aproximando.

Seu coração disparou.

Então sua visão voltou rapidamente para o carro.

Ele agarrou o veículo.

— Vamos… isso tem que dar certo!

Anuk tentou levantá-lo.

Mas, tomado pelo desespero, segurou o carro da maneira errada. Os cacos de vidro rasgaram suas mãos e ele soltou o veículo bruscamente.

— Droga!

Ele olhou para as mãos feridas.

Não havia tempo.

Anuk agarrou o carro novamente.

Dessa vez, firmou os pés no chão e começou a forçar. Usou as pernas, os braços e tudo o que tinha.

Sua respiração começou a falhar.

As mãos ficaram escorregadias de suor.

Os braços tremiam.

— Força, Anuk… força!

Mesmo ofegante, com os músculos começando a tremer de dor, ele não soltou.

Buscando forças onde nem sabia que ainda tinha, Anuk deu um último impulso.

O carro começou a subir.

Ele conseguiu levantá-lo e colocá-lo novamente na posição original.

Sem perder tempo, abriu a porta, soltou o cinto do homem e o puxou para fora antes que o fogo alcançasse o veículo.

Uma última explosão ecoou pela rua.

Mas, dessa vez, ninguém precisou se preocupar.

Anuk saiu de dentro da cortina de fogo carregando a última vítima nos braços.

As pessoas imediatamente começaram a comemorar e aplaudir.

Anuk colocou o homem no chão da calçada, em segurança.

— Ha… ha…

Ele respirava com dificuldade, mas um enorme sorriso apareceu em seu rosto.

— Deu tudo certo… que bom.

Olhando ao redor, Anuk ficou feliz ao ver as pessoas comemorando e os paramédicos chegando.

Foi então que percebeu algo que o incomodou.

Um jovem estava com o celular apontado diretamente para ele.

— Ei, ei! — Anuk chamou. — Você tá gravando?

— Hã… sim? E isso foi demais, cara!

Anuk foi rapidamente até ele.

— O que você gravou aí?

— Ah, não deu para pegar muita coisa porque os carros e o fogo estavam na frente. Só você tirando as pessoas dos dois carros e depois saindo do fogo com o outro brother!

Anuk soltou um suspiro de alívio.

— Beleza. Valeu, mano!

Ele deu alguns tapinhas no ombro do garoto.

— Você é tipo um super-herói da vida real, né, mano?

— Como assim?

— Ah, você não é o Anuk Rose? É a segunda vez que você aparece em um acidente e salva as pessoas.

Anuk congelou.

Por alguns segundos, não respondeu.

Ele havia esquecido completamente que sua identidade também era um risco. Tinha ficado tão preocupado com as pessoas vendo seus poderes que nem pensou no fato de alguém poder reconhecê-lo.

— Aliás, como tu conseguiu arrancar aquela porta?

— Eh… hã… muito treino, vegetal… e a porta tava estragada!

Anuk desviou o olhar, tentando desesperadamente parecer convincente.

— Uau! Vou começar a malhar que nem você então!

— Eh… eh… show…

Anuk coçou a nuca.

— Vem cá… não teria como você apagar o vídeo, não, né?

— Nem a pau, cara. Já até postei!

— Ah… que ótimo.

Anuk virou as costas e caminhou até o beco onde havia deixado sua mochila.

— Eiii! Me dá um autógrafo?

Anuk parou.

Olhou para o garoto com uma sobrancelha levantada e uma expressão completamente confusa.

Mesmo sem entender muito bem aquela situação, acabou atendendo ao pedido.

— Legallll!

O garoto admirou o autógrafo como se tivesse acabado de conseguir alguma coisa extremamente importante.

Anuk saiu dali sem entender muito bem o que tinha acabado de acontecer.

E, ao mesmo tempo, estava irritado.

Mais uma vez, sua imagem havia ido parar na boca do público.

Mais uma vez, sua popularidade estava aumentando.

— Boa, Anuk. Mais uma vez você salva alguém e mais uma vez aumenta sua popularidade. Nota dez para falta de discrição… mas ganha uns pontos por conseguir manter os poderes escondidos!

Anuk estava deitado na grama da praça, jogando uma bola de tênis para o alto e pegando-a de volta.

— Sério, eu não poderia conter um pouquinho meus instintos heroicos?

Ele jogou a bola novamente.

— Se bem que… isso foi bom. Acho que aos poucos eu tô entendendo como aquele alerta funciona. Parece que eu sinto o que está prestes a acontecer e meu corpo reage imediatamente.

A bola subiu.

Desceu.

Anuk a pegou.

— Talvez o único problema seja se eu não conseguir ouvir o alerta por algum motivo… ou se meu corpo não conseguir agir.

Ele continuou jogando a bola para cima, perdido nos próprios pensamentos.

— Hm?

A mão parou no ar.

A bola caiu na grama.

Anuk virou lentamente a cabeça para uma direção.

— Tenho certeza que ouvi algo.

Ele se levantou e começou a seguir por um dos caminhos que havia usado para chegar à praça.

Então viu um vulto virando a esquina.

— M-mas o quê?

Anuk disparou atrás da pessoa.

“Será que tinha alguém me espionando?”

Ele continuou correndo.

Quando chegou à rua principal, porém, não encontrou ninguém.

Havia muitas pessoas caminhando pela calçada. Seria fácil perder alguém no meio daquela multidão.

— Se concentra, Anuk…

Ele fechou os olhos e começou a procurar passos mais rápidos que os demais.

Um segundo.

Dois.

Três.

— Achei!

Anuk correu em direção à única pessoa que conseguiu identificar correndo no meio da multidão.

Talvez fosse a pessoa errada.

Mas não valia a pena perder a chance.

“Mesmo que minha audição e visão estejam conectadas, eu não consegui ver uma imagem clara da pessoa. Acho que vou ter que melhorar isso depois.”

A preocupação de Anuk aumentou quando os passos pararam.

— N-não…

Ele olhou para o último lugar de onde havia ouvido os passos.

Era a cafeteria.

“Não pode ser… Ele não me encontrou tão rápido assim, né?”

Anuk ficou parado diante da porta.

Seus olhos estavam presos na maçaneta.

Estendeu a mão.

Parou.

“O que eu vou encontrar lá dentro?”

Seu coração apertou.

“Droga, droga… mas o alerta até agora não apitou. Por favor… que esteja tudo bem.”

Ele abriu a porta rapidamente.

O interior da cafeteria estava vazio.

“Vazio…”

Anuk olhou ao redor.

“Vazio?”

— MAX! LILE! VELHOTE!

Ele disparou em direção ao segundo andar.

“Estejam bem… estejam bem…”

Anuk corria completamente focado nos próprios pensamentos, sentindo um enorme aperto no peito.

Então—

— AÍ, ANUK! OLHA PRA FRENTE!

Max apareceu de repente e acabou caindo na frente do garoto.

— MAX!

Anuk se abaixou imediatamente.

— Você tá bem?!

— Claro que eu tô! Por que você tá correndo?

— Ah… nada. Mas e você? Por que tava correndo?

Max desviou o olhar.

— Eu… também nada. Agora, se me dá licença, eu preciso ir.

Max passou pelo garoto correndo em direção à porta.

Anuk apenas a observou sair.

Depois respirou fundo e se sentou em uma das cadeiras.

“Isso foi aterrorizante…”

Ele passou a mão pelo rosto.

“Mas, se não foi ninguém do Dragão… quem estava me vigiando? Será que eu ouvi os passos errados?”

Lile começou a descer as escadas, encarando fixamente Anuk, que continuava perdido em seus pensamentos.

— Você parece assustado. O que foi? Viu um fantasma?

— N-não. Tá tudo bem… eu acho.

Lile pegou um biscoito e continuou olhando para ele.

— Você tá com medo do Dragão, né?

Anuk levantou os olhos na direção dela.

Seu rosto perdeu a expressão descontraída.

— Q-que?

— O que foi? Esqueceu que eu sei do seu segredinho?

Lile deu uma mordida no biscoito.

— Até porque quem você resgatou lá fui eu.

“É verdade… Eu tô tão preocupado que, por um segundo, esqueci que a Lile também está envolvida nisso.”

Ela caminhou até uma das cadeiras e se sentou.

— Quer um conselho, Anuk?

O garoto não respondeu.

Lile o encarou por alguns segundos antes de continuar:

— Desista de me proteger e de querer enfrentar o Dragão… ou você vai morrer.

A voz de Lile era suave, mas as palavras atingiram Anuk como uma faca.

Ele ficou imóvel.

Por alguns segundos, sequer conseguiu responder.

Como aquela garota podia ter tanta certeza de que ele não venceria?

E por que ela queria que ele a abandonasse?

— Pro seu bem e de todos aqui, é melhor me mandar embora o quanto antes. E eu tô avisando isso porque fui com a sua cara.

Lile manteve o mesmo olhar frio.

— Então, se quer tomar uma boa decisão… me deixe pra morrer.

Ela não hesitou.

Não desviou os olhos.

Não demonstrou medo.

“E-ela aceitou o destino?”

Anuk sentiu um nó se formar no peito.

“Não… ela pode achar que eu vou aceitar isso… acha?”

Os dois se encararam em silêncio.

Por alguns minutos, nenhum dos dois disse uma palavra.

Fim da leitura

Capítulo 10 concluído

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