Fragmentos do Multiverso — Capítulo 9: Volume 1 – Capítulo 9 – Capítulo 9: Problemas

Fragmentos do Multiverso
Cap. 9
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Fragmentos do Multiverso

Volume 1 – Capítulo 9 – Capítulo 9: Problemas

Capítulo 9

3.272 palavras~14 min de leitura

“Poderes, escola, heroísmo… cara, eu acho que eu realmente vou ter grandes problemas.”

Anuk estava em seu lugar preferido: no telhado da cafeteria. Aproveitava uma boa tarde enquanto encarava o céu azul e se perdia entre as nuvens. Às vezes, simplesmente esvaziava a mente, prestando atenção apenas aos sons do ambiente e deixando a brisa passar pelo rosto.

— Ah, finalmente eu te achei!

Uma voz surgiu atrás dele, trazendo Anuk de volta à realidade.

O garoto se virou para ver quem estava ali e, para sua surpresa, era a garota que ele tinha salvado na noite passada.

— O que você tá fazendo em um lugar como esse? — a menina perguntou, subindo pela portinha do telhado.

— Eu gosto de vir aqui pra pensar. É bom pra clarear os pensamentos.

— Hm… você é esquisito! — A garota respondeu, encarando-o com um olhar de julgamento.

— É… muita gente diz isso — Anuk respondeu, ainda perdido em meio aos próprios pensamentos.

— Bem… eu só vim agradecer. Acho que você merece isso! — A garota disse, sentando-se ao lado de Anuk.

— Não imaginava que você fosse me agradecer. Soube que, desde que chegou aqui, você não conversou com ninguém — Anuk comentou.

— E por que eu faria isso?

As palavras da garota saíram diretas, mas houve uma pequena hesitação em sua voz.

— Eu não conheço ninguém aqui. Não tenho motivos para isso.

— Bem, essa agora vai ser sua casa, então seria legal você se enturmar! — Anuk respondeu, pegando um pedaço de pizza.

— Casa?

A garota repetiu a palavra enquanto olhava para o céu, ficando completamente em silêncio por alguns segundos.

— Sim, casa. Você me disse que não tinha para onde ir, então pode ficar aqui!

— Sério? Por que você tá fazendo isso? Eu sou uma completa estranha e você tá me ajudando como se eu fosse alguém importante pra você!

A garota encarou o rosto de Anuk com seriedade, tentando entender o que havia por trás daquela atitude.

— Bem…

Anuk se virou para ela com um olhar descontraído.

— Eu não preciso de motivos para querer ajudar alguém. Você precisava de ajuda, eu fui lá e ajudei! Não tem muito mistério. E não acho que você mereça ficar sofrendo. Como eu já me envolvi muito nessa história, a gente tá junto nessa, não?

A garota não respondeu. Sua feição continuava inexpressiva, tornando impossível saber o que estava pensando. Ela apenas manteve os olhos sobre Anuk por alguns segundos.

— Enfim, obrigada.

Ela se levantou e se preparou para descer de volta para a cafeteria.

— Poderia pelo menos dizer seu nome?

Anuk se inclinou para frente, deixando o rosto de cabeça para baixo enquanto olhava para ela.

A garota ficou em silêncio por alguns segundos antes de finalmente responder:

— Lile.

Ela rapidamente desceu pela portinha, sem dar oportunidade para Anuk responder.

“Lile, hein? Parece ser meio problemática…”

A reflexão de Anuk não durou muito até ele ouvir um grito vindo de dentro da cafeteria.

— ANUK ROSE!

“Por falar em problema…”

Anuk se levantou rapidamente e desceu as escadas. No caminho, escorregou em alguns degraus e acabou dando um mortal antes de aterrissar no chão.

À sua frente, Max parecia prestes a explodir. Os cabelos estavam arrepiados e uma veia saltava em sua testa.

— O-oi, Max… o que eu fiz dessa vez? — Anuk perguntou, tentando não provocar ainda mais o vulcão prestes a entrar em erupção.

— O que o senhor estava fazendo com essa garota no terraço?

Max cruzou os braços e estreitou os olhos, encarando-o com puro julgamento.

— Eh… conversando?

— Sei… eu tô de olho em você, idiota!

A garota bateu nele com uma pequena almofada.

— Claro que vai estar, claro, Max — Anuk respondeu com um pequeno sorriso.

“Acho que, se ela soubesse que eu quase morri esses dias, talvez me desse uma colher de chá, não? Ou talvez ela definitivamente me matasse.”

— Outra coisa.

Max apontou na direção de Lile, que estava deitada na cama lendo um livro.

— O que ela tá fazendo no meu quarto?

— Corrigindo você: nosso quarto. E, como você mora na academia agora, achei que seria um bom lugar pra ela ficar. Até porque ela não tem pra onde ir. Ou isso te incomoda, princesa? — Anuk perguntou, provocando a amiga.

— Hmpf!

Max suspirou, jogando o cabelo para trás com a mão e se virando com um ar de superioridade.

— Não! Nem um pouco!

Max então saiu, descendo as escadas enquanto mantinha a postura altiva.

— Acho que isso vai controlar ela, pelo menos um pouco… — Anuk comentou, olhando para a amiga desaparecer escada abaixo.

— Eu acho que ela não gosta de mim — Lile disse, sem tirar os olhos do livro.

— Nah! Relaxa, ela é assim com qualquer mulher que eu interajo! — Anuk explicou, gesticulando com uma das mãos.

— Qualquer?

Lile finalmente olhou por cima do livro e encarou o garoto.

— Sim. Qualquer cliente que conversava comigo deixava ela de cabelo em pé. Depois ela me falava coisas como “vai atrás da sua amiguinha”. Nunca entendi exatamente o motivo disso.

Anuk levou a mão ao queixo, tentando encontrar uma resposta para algo que nunca tinha compreendido.

— Você é um idiota — Lile respondeu, voltando a olhar para o livro.

— É… eu já tô acostumado com isso — Anuk respondeu, soltando uma risada.

Anuk então começou a descer. Já não tinha muito o que fazer e, como não estava na academia, decidiu matar o tempo trabalhando um pouco.

“Eu tenho que ligar pro Aki, aliás.”

Ao descer as escadas, Anuk teve uma surpresa. Max estava conversando com uma garota. Sem dar muita atenção à menina — afinal, Max já estava irritada e ele não queria arranjar mais problemas —, aproximou-se do balcão e disse:

— Olha a grande Max com uma amiga aqui? Uau, estou impressionado!

Ele pegou um copo e começou a limpá-lo.

“Eu não quero arranjar problema por causa de outra garota. Agora, irritar ela… aí já é outra história!”

Um sorriso malicioso surgiu no rosto de Anuk.

— Espera… eu conheço essa voz!

A amiga de Max saiu de trás dela para verificar quem havia feito aquela piada.

Antes que Max pudesse dizer qualquer coisa, os dois se encontraram. E até bem antes do que imaginavam.

— Anuk?

— Charlie?

Os dois se encararam com extrema surpresa. Por alguns instantes, parecia que o mundo havia ficado mais lento. O encontro era uma surpresa muito agradável, mas a inesperada situação fez com que ambos ficassem em silêncio, sem saber o que dizer.

“O-o que eu deveria falar?”

Anuk sentiu as mãos começarem a tremer.

“E-eu deveria falar alguma coisa, né?”

Charlie sentiu o coração palpitar forte dentro do peito.

De repente, como se uma faca cortasse aquele transe, os dois ouviram um estalo.

— Ei, terra chamando os dois! Vocês estão bem? E desde quando vocês se conhecem?

Max estalava os dedos na frente dos dois para chamar sua atenção.

Os dois saíram daquele tipo de transe e voltaram os rostos para a amiga, que parecia completamente perdida com a situação.

— A-ah, amiga, ele me ajudou a chegar na academia naquele dia que eu me atrasei… — Charlie respondeu, meio sem jeito.

— É bem a cara dele mesmo! — Max respondeu, aceitando a justificativa sem muitos questionamentos.

Nesse momento, Anuk, que estava parado olhando para as duas, sentiu suas forças desaparecerem. Seu corpo tombou para trás e ele caiu no chão. Estava dormente e pesado, como se toda a fadiga acumulada tivesse acabado de retornar de uma vez.

— ANUK!

As duas gritaram juntas e correram até o garoto.

“Mas… pra onde foram minhas forças? Eu tava bem até agora há pouco, mas do nada elas simplesmente me abandonaram. Parece que eu fui atropelado por um caminhão…”

As duas chegaram até ele e o ajudaram a se levantar.

— Você tá bem? — Max perguntou.

— Não se machucou, né? — Charlie questionou.

“Deus, eu posso enfrentar gangues, bandidos, fogo, até mesmo a própria morte, mas agora minhas mãos tremem e minhas forças somem por causa de uma garota? É demais. Sério? Eu posso enfrentar tudo, menos garotas?”

Anuk olhou para as duas, indignado com a própria situação.

— E-eu tô bem, gente. Só o cansaço… — respondeu sem graça.

— Tem descansado direito? — Charlie perguntou, preocupada.

— Claro que não! Esse idiota sumiu a noite toda ontem! — Max retrucou.

— Obrigado pela parte que me toca. Eu poderia estar morto, sabia? Cadê a sua preocupação? — Anuk respondeu, indignado com a amiga.

— E-eu não tô nem aí!

Max virou o rosto rapidamente, tentando esconder a expressão envergonhada.

Anuk começou a rir, e logo Charlie também o acompanhou.

— É bem a sua cara! — Anuk respondeu com um sorriso.

— Você não muda nada, né? — Charlie respondeu em meio às risadas.

Max voltou a olhar para os dois amigos e também começou a rir. Os três não sabiam exatamente por que estavam se divertindo tanto juntos, mas havia uma sensação estranha de familiaridade, como se aquela amizade sempre tivesse estado ali.

Depois dessas cenas, as meninas voltaram a conversar em uma mesa da cafeteria, enquanto Anuk ficava ao lado limpando o balcão.

“Fica… em… pé… corpo maldito.”

Anuk ainda estava meio bambo e precisava se concentrar para não cair novamente no chão. De vez em quando, dava pequenos soquinhos na própria perna, embora aquilo não parecesse estar ajudando muito.

— Crianças, cheguei!

Edward entrou na cafeteria.

Ele observou a cena e todas as pessoas que estavam ali.

— Que grupinho inusitado… Anuk, Max e Charlie no mesmo lugar? Uau, eu vou precisar de um whisky pra aturar isso!

Ele caminhou pela loja, ainda incrédulo com a cena.

— Espera, você conhece a Charlie? — Anuk perguntou.

— Óbvio. Essa menina é grudada na Max. Me surpreende que você tenha demorado pra conhecer ela!

Edward respondeu enquanto guardava seu sobretudo marrom.

— Tu tava escondendo ela de mim, Max? — Anuk perguntou, com um tom curioso e desconfiado.

— Q-que? Claro que não! Foi só coincidência vocês não estarem no mesmo lugar! — Max respondeu, engolindo em seco.

— Espera… então ele é aquele idiota?

Charlie perguntou com um tom bastante animado, soltando pequenas risadas.

— Tu tá queimando meu filme, mulher? — Anuk perguntou, indignado.

— Nãoooo.

Max respondeu, desviando o olhar.

— Não? Não! Agora tu vem aqui que quem vai te matar sou eu!

Anuk pulou do balcão e partiu para cima de Max.

— AHHH! SAI, ANUK! ED, AQUI! SOCORRO!

Max saiu correndo, tentando escapar do garoto.

— Vocês dois que se virem. Eu sabia que isso ia acabar assim! — Edward respondeu, bebendo seu whisky. — Aceita, guria?

— Não, sou muito nova, mas muito obrigada! — Charlie recusou educadamente, sem tirar o sorriso do rosto.

— Bom que sobra mais, HAHAHA!

Edward gargalhou enquanto apreciava o show.

Depois de persegui-la por algum tempo, Anuk finalmente conseguiu pegar Max. Ele a levantou e colocou-a sobre o ombro.

— ANUK, ME SOLTAA!

Max dava pequenos socos nas costas do garoto.

— Não! Essa é sua punição. Vai ficar aí agora! — Anuk respondeu, carregando a amiga.

— Vocês são bem animados, hein.

Lile apareceu ao lado de Edward e Charlie.

— De onde você saiu, assombração? — Edward perguntou, encarando a garota.

— E isso importa? Me dá um pouquinho?

Lile apontou para o whisky.

— Tá doida? Você é muito nova!

Edward afastou rapidamente a garrafa da garota.

— Sem graça — Lile respondeu, decepcionada.

— Aliás, velhote, o nome dela é Lile! — Anuk disse, ainda segurando Max.

— Ah! A fedelha então decidiu falar! — Edward respondeu, olhando para a garota.

— E do que adianta falar meu nome? Tu vai me chamar de fedelha, pirralha, pestinha e qualquer derivado disso.

— Gostei dela, Anuk!

Edward respondeu, rindo mais uma vez.

— ME SOLTA, ANUK!

Max gritou novamente, com o rosto completamente corado.

— Alguém pode me ajudar, por favorrr?

— Foi mal, querida, mas dá muito trabalho. O moleque é bem determinado! — Edward explicou.

— Anuk, coloca ela no chão, por favor! — Charlie pediu, sorrindo.

Anuk encarou Charlie por alguns segundos em silêncio. Logo em seguida, colocou Max no chão.

— Ixe, né que foi fácil? — Edward respondeu, surpreso.

— Deu sorte dessa vez! — Anuk disse, encarando Max.

— Ah, sei… eu com sorte…

Max se ajeitou no chão, limpando o vestido enquanto um tom ameaçador surgia em sua voz.

E, quando menos esperavam, Max aplicou um mata-leão em Anuk.

— M-Max, me solta!

Agora era Anuk quem estava em uma situação ruim.

— É bom, né, fortão? Agora você vai provar do próprio veneno.

Enquanto os dois continuavam discutindo ao fundo da cafeteria, os outros apenas observavam.

— Eles realmente se amam, né? — Charlie perguntou a Edward.

— Amor? Aquilo tá mais pra tortura! — Edward respondeu.

— Eu acho que eles mais se odeiam.

Lile se aproximou lentamente do copo de Edward, tentando não fazer nenhum movimento brusco para que o homem não percebesse. Não adiantou. Edward retirou o copo de perto dela e a encarou com uma expressão severa.

Charlie começou a rir dos dois também, divertindo-se com aquele ambiente agradável.

Tempos depois, Edward separou os dois e mandou que voltassem ao trabalho.

— Mas a gente nem mora mais aqui! — os dois responderam juntos.

— Independente disso, vocês estão aqui. Então vão trabalhar. Afinal, quem paga o salário de vocês?

— Com certeza não é você!

Os dois responderam balançando a cabeça de forma afirmativa, com os olhos fechados.

— Mas pra isso vocês se unem, né, pestes!

A veia na testa de Edward começou a saltar. Ele deu um cascudo em ambos os adolescentes, fazendo os dois começarem a trabalhar mais rápido do que nunca.

— Então, Charlie, o que você tá fazendo aqui? — Anuk perguntou enquanto limpava o balcão.

— Ah, eu vim encontrar a Max pra gente combinar algumas coisas de estudos! — Charlie respondeu, bebendo refrigerante.

— Verdade, eu perdi o primeiro dia de aula! Como foi? Se bem que… você talvez não seja da nossa sala.

— Que nada, a gente é da mesma turma! — Charlie respondeu com um sorriso.

— Sério?

Anuk pareceu genuinamente contente com a notícia.

— Tá ficando contentizinho demais, hein? Abre teu olho, Rose! — Max ameaçou Anuk enquanto limpava as mesas.

No momento em que Lile finalmente ia conseguir pegar o copo que Edward havia deixado sobre a mesa, Max o retirou para lavá-lo.

— Ah…

Lile ficou visivelmente decepcionada.

— Mas e você, Anuk, vai amanhã? — Charlie perguntou, curiosa.

— Bem… acho que não!

Quase como uma reação instantânea, os adolescentes ouviram o barulho do cabo de madeira caindo no chão.

— Como assim, ACHA que não? — Max perguntou, indignada.

— Eu tô com algumas coisas pra resolver, então acho que não vai dar pra ir amanhã.

— Mas, Anuk, a academia tem limite de faltas. Você não pode ficar faltando, senão podem te expulsar!

Max parecia realmente preocupada.

Anuk ouviu aquelas palavras e ficou pensativo. Deu um suspiro enquanto passava a mão pelo cabelo. Ele não poderia simplesmente faltar muitas vezes na academia, mas havia muita coisa acontecendo em sua vida. Precisava de pelo menos mais um dia para se organizar e, para isso, teria que faltar novamente.

— Foi mal, Max, não vai rolar amanhã. Mas prometo que depois de amanhã eu vou, sem falta!

Max soltou um suspiro forte.

— Só você mesmo… mas eu confio nas suas promessas, então vou aceitar isso!

Ela estendeu o punho na direção de Anuk.

Ele olhou para a mão da amiga e abriu um belo sorriso.

— Pode contar comigo, parceira!

Anuk tocou o punho dela com o próprio.

“Eu preciso entender primeiro tudo que tá acontecendo e depois descobrir por que queriam a Lile. Por fim, vou precisar achar o líder deles, derrotá-lo e recuperar meu colar!”

Anuk estava determinado a resolver todos os pontos daquele mistério.

— Ei, gente, olha isso!

Charlie chamou a atenção de todos na cafeteria enquanto apontava o controle remoto para a televisão e aumentava o volume.

Hoje, por volta de meio-dia, um dos apartamentos na Rua Antiga pegou fogo misteriosamente e acabou deixando muitas pessoas sem lar. Porém, por sorte, ninguém se feriu no processo…

“Ei… isso não é o lugar de mais cedo?”

Anuk ficou confuso.

…Graças ao nosso corpo de bombeiros, mas também graças a um adolescente! Pelo que pudemos identificar, ele é um estudante da AGF, a grande academia de renome na cidade inteira. Seu nome é…

— ANUK?!

As duas garotas falaram juntas, espantadas.

— O pirralho tá na TV! HAHAHA!

Edward gargalhou com a notícia.

Lile permaneceu em silêncio, apenas comendo um pão enquanto olhava para a televisão.

“EU TÔ NA TV??? QUANDO ELES GRAVARAM ISSO?”

Anuk arregalou os olhos, completamente desesperado.

O estudante entrou com extrema coragem no edifício para fazer o resgate de duas crianças, Lara e Eliot, que acabaram ficando presas dentro do lugar enquanto o incêndio ocorria. Os pais estão eternamente gratos e disseram que nunca na vida vão esquecer o garoto.

Anuk olhou aliviado e contente ao saber que a família estava bem, mas não demorou para a calmaria se transformar novamente em um furacão.

— VOCÊ FICOU MALUCO?!

Max gritou, batendo no braço do garoto.

— Ei, ei, ei! Isso dói!

Anuk tentou se proteger dos ataques.

— Ela tá certa, Anuk. E se você se machucasse? — Charlie questionou, preocupada.

— Tá tudo bem! Não tem o que vocês duas se preocuparem! Eu tô bem, sério!

Anuk ainda tentava se defender de Max enquanto respondia.

Não demorou muito para os celulares se encherem de notificações sobre a notícia de que Anuk havia salvado duas crianças.

— Nas redes sociais só dá ele… — Charlie afirmou.

— Meu Deus, ele tá virando tipo uma supercelebridade? — Max perguntou, extremamente preocupada.

Havia posts de pessoas defendendo, apoiando e até elogiando Anuk das mais diversas formas.

“Esse cara é foda e estuda na minha escola? Tô doido pra conhecer ele!”

“Anuk Rose, você tem meu respeito. Você tem culhões!”

“Ele agora é minha inspiração. Arriscar a vida pra salvar crianças? Ninguém jamais faria isso!”

“E ele é bem gatinho, né?”

— QUEM FOI A VAGABUNDA?!

Max falou enfurecida assim que Charlie terminou de ler o comentário.

— Se acalma, amiga. Se acalma, você tá praticamente pegando fogo.

Max suspirou e tentou controlar a irritação.

— Desculpa. É que vão querer se aproveitar desse idiota do jeito que ele é. Por isso não dá pra simplesmente deixar qualquer pessoa chegar perto assim dele — Max se justificou.

— Eu entendo…

Charlie respondeu, visivelmente incomodada também com o comentário que acabara de ouvir.

“Eu vou calar a minha boca porque o clima tá meio pesado aqui. É melhor que elas estejam irritadas com outras pessoas e não comigo.”

Anuk ficou em silêncio, aliviado por não ser o alvo daquela vez.

No meio daquela conversa, o celular de Max tocou.

— Alô? Aham… Aham… Aham…

Max então desligou o telefone.

— E aí, amiga, quem era? — Charlie perguntou.

— Era a escola. Pediram pra eu avisar ao Anuk que eles não vão considerar falta pra ele no dia de hoje e nem no dia de amanhã! — Max explicou.

— QUÊ? SÉRIO?!

Anuk e Charlie falaram juntos, surpresos.

— Sim. E também mandaram você olhar o seu aplicativo.

Max terminou de explicar sem demonstrar muito interesse.

Quando Anuk pegou o celular, acabou se surpreendendo ao ver que seu rank havia aumentado.

— E-espera… isso tá certo?

— Bem, a escola faz as coisas por méritos. Quanto mais você acumula, melhor é a sua reputação lá. Não me surpreende que tenham subido seu rank! — Charlie explicou.

— Enfim, isso nem é tão importante assim!

Max se virou, dando as costas para os amigos, mas claramente escondendo alguma coisa. De vez em quando, pequenas expressões escapavam de seu rosto, denunciando que ela estava mais afetada pela situação do que queria demonstrar.

— Bem… seja como for, parabéns, Anuk! — Charlie parabenizou o rapaz.

Anuk sorriu por um instante, mas sua expressão logo mudou.

“Isso é tudo muito legal e tal, mas… tem algo que está me incomodando de verdade… Se eu apareci na televisão e o Dragão me viu… significa que ele sabe quem eu sou e que eu estou vivo.”

Anuk engoliu em seco.

O sorriso desapareceu de seu rosto enquanto uma sensação gelada percorria seu corpo.

Talvez seu maior problema agora soubesse quem ele era de verdade.

Fim da leitura

Capítulo 9 concluído

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