Fragmentos do Multiverso — Capítulo 11: Volume 1 – Capítulo 11 – Capítulo 11: Jantar

Fragmentos do Multiverso
Cap. 11
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Fragmentos do Multiverso

Volume 1 – Capítulo 11 – Capítulo 11: Jantar

Capítulo 11

3.248 palavras~14 min de leitura

“Você precisa me deixar pra morrer se quiser salvar eles... Sinceramente, eu vou ter pesadelos à noite se deixar ela continuar pensando assim.”

Anuk reflete enquanto encara os olhos de Lile. Por alguns segundos, nenhum dos dois diz nada. O silêncio entre eles parece pesar cada vez mais, mas Anuk finalmente toma sua decisão.

— Não me interessa o que pode acontecer comigo. Eu não vou deixar você pra morrer! — responde com convicção, mantendo o olhar sério.

Pela primeira vez, Lile demonstra uma reação verdadeira. Aquela casca fria que parecia protegê-la começa a rachar diante das palavras de Anuk. Seus olhos se arregalam e, por um instante, sua expressão perde completamente a indiferença.

— Q-que?

— Pois é, Lile. Nada feito! Então pode começar parando de pensar assim. Eu não vou deixar você, não importa quem seja o Dragão. Eu vou dar um jeito de proteger você, a Max e todos os outros aqui!

— VOCÊ É IDIOTA? VOCÊ NÃO PODE LUTAR COM ELE! — Lile grita de repente, assustando a si mesma. Imediatamente, leva a mão até a boca, como se tentasse impedir que outra explosão daquele tipo escapasse.

Anuk observa a garota por alguns segundos antes de responder.

— Olha, você não é apenas uma carcaça vazia. Desculpa, Lile, mas eu não posso aceitar isso. Eu não vou deixar alguém morrer!

— Anuk, você não pode salvar todo mundo! — Lile afirma, ainda tentando convencê-lo a mudar de ideia.

— Isso não me impede de tentar! — Anuk responde sem nenhuma hesitação.

Lile congela.

Ela abre a boca, mas nenhuma palavra sai. Pela primeira vez, não encontra uma resposta para Anuk.

— Eu me recuso a te abandonar. O que você está me pedindo é um absurdo.

— O que você está fazendo é que é um absurdo! — Lile retruca. — Você tá querendo arriscar sua vida e a de quem você ama de novo por uma desconhecida. Eu não tenho importância, Rose. Nem pra você e nem pra ninguém aqui!

— Chega!

Anuk corta qualquer possível continuação de Lile e se levanta da cadeira de forma brusca. O movimento faz a cadeira arrastar no chão, e sua expressão, antes séria, agora demonstra claramente sua irritação.

— Me irrita você pensar isso de você mesma e achar que eu poderia simplesmente deixar alguém que precisa de ajuda pra lá! Eu vou ajudar você, goste você ou não. E é melhor começar a mudar essa sua ideia, porque você está errada! Você tem, sim, importância!

— M-mas, Anuk...

— Eu disse chega. Essa discussão acabou. Vai pro seu quarto!

Lile encara Anuk por alguns segundos, claramente contrariada. No fim, apenas se levanta da cadeira com a cara emburrada e sobe as escadas sem dizer mais nada.

Anuk espera até ela desaparecer antes de voltar a se sentar. Solta o ar lentamente e passa as mãos pelo rosto, tentando recuperar a calma.

“Todo o medo que eu tava sentindo agora virou raiva. Que garota cabeça-dura... Como ela acha normal falar pra eu deixar ela morrer e estar tão tranquila com a própria morte? Que desgraça, Lile! Não importa o que aconteça, mesmo que meu medo não passe, eu não vou abandonar ela!”

Anuk suspira, apoiando os cotovelos na mesa e mantendo as mãos juntas sobre a cabeça.

“Verdade, eu tenho que ligar pro Aki. Tudo isso acabou me fazendo esquecer que Anuk Rose ainda tem uma vida social.”

Ele pega o celular e procura o contato do amigo. Faz dois dias que eles não se falam, e Anuk só percebe isso agora.

— Aki, mano! Fala aí!

— Ah... oi, Anuk... — Aki responde com uma voz deprimida.

O sorriso de Anuk desaparece aos poucos.

— Tá tudo bem?

— Tá... tá sim...

A resposta vem rápida demais, acompanhada de uma hesitação que deixa Anuk desconfiado.

— Aki, somos amigos. Se tiver acontecendo alguma coisa, você deveria me contar! — Anuk diz de maneira séria.

— Ah... é só... eu tô surpreso que você ainda lembra da minha existência...

— Quê? Por que disso, Aki? — Anuk pergunta, confuso.

— Ah, sabe... você tá famoso agora e eu sou um ninguém. Não vai demorar muito pra você se afastar...

Anuk fica em silêncio por alguns segundos, incrédulo com o que acabou de ouvir.

— VOCÊ FICOU MALUCO, SEU IDIOTA?!

— AÍ! Meu ouvido!

— Escuta aqui, seu maluco! Eu não vou me afastar de você. Não tenho motivos pra isso! Somos amigos, você pode contar comigo pra tudo, e não é fama que vai mudar isso. Pare de pensar assim! Você é meu amigo, alguém importante pra mim! — Anuk explica, irritado.

Do outro lado da ligação, Aki permanece em silêncio por alguns segundos.

— S-sério?

— Sim, Aki. Eu tô falando muito sério.

— D-desculpa, cara... É que eu tô acostumado com as pessoas me deixando de lado. E você sumiu por dois dias... Achei que ia acontecer de novo... — Aki responde com uma voz arrependida.

Anuk respira fundo antes de responder, dessa vez com um tom mais tranquilo.

— Tá tudo bem, cara. Pode confiar em mim. Eu não vou te abandonar ou me afastar!

— T-tá legal... E como você tá?

— Com a vida a milhão. Foi por isso que eu não liguei antes!

— Eu percebi através da internet.

— É... As coisas se espalham muito rápido. — Anuk responde com certa irritação.

— Imagino. Mas e aí, vai vir amanhã?

— Droga... Eu quase esqueci que amanhã tem aula! Sim, eu vou. Prometi pra Max que iria, não posso deixar ela na mão! — Anuk explica.

— Então... nos vemos amanhã?

— Sim. Até amanhã, parceiro!

Anuk desliga o telefone e, logo em seguida, bate a testa contra a mesa.

“Cara, por que todo mundo tá falando de abandono de repente? E ainda tem aula amanhã... Meu Deus, tem como ficar pio... Quer saber? Eu nem vou pensar nessa possibilidade, porque vai que acontece mesmo.”

Anuk levanta a cabeça e olha na direção da escada que leva ao segundo andar.

“Não se preocupe, Lile. Vou dar um jeito de tirar você dessa, custe o que custar! Mas agora...”

Ele se levanta.

— Lile!

Anuk sobe as escadas até chegar ao quarto da garota e bate na porta.

— O que você quer? — Lile responde em um tom mais frio que o normal.

— O que você quer pro jantar?

Por alguns segundos, Anuk não ouve nada. Então a porta se abre, revelando Lile encarando-o diretamente.

— Você sabe cozinhar?

Anuk leva a mão ao peito, ofendido.

— Cara, eu achei que esse capítulo já tinha passado... Sim, eu sei cozinhar!

— Bem... não importa. Tanto faz, eu acho...

— Tanto faz não! Não tem algo que você goste?

Lile o encara, aparentemente sem entender a pergunta.

— Por que você quer saber?

— Porque eu quero fazer pra você!

A expressão da garota muda levemente. Seus olhos se desviam por um instante.

— Ninguém nunca quis fazer minha comida favorita...

Anuk fica em silêncio por alguns segundos.

— Sério, garota... De onde você saiu?

Lile pensa por um momento.

— Macarrão!

Ela fecha a porta imediatamente.

Anuk permanece parado diante dela, encarando a madeira.

“Que educada, hein... Bem, pelo menos ela disse o prato, né? Não que ela tenha se aprofundado, mas... Eu dou meu jeito.”

Anuk começa a descer as escadas enquanto pensa no tipo de macarrão que deveria fazer. Então se lembra de que provavelmente teria que cozinhar para três pessoas.

“Se a Max souber, com certeza vai querer comer... Acho que ao molho branco, com pedaços de bacon e mais alguma coisa pra acompanhar... Picanha? Eu vou ter dinheiro pra isso? Jesus, proteja minha carteira.”

— Acho que vou tomar um banho e ir comprar os ingredientes...

Depois de alguns minutos, Anuk já está arrumado. Pega sua jaqueta e sai em direção ao mercado.

— Cara... Acho que não vou ter dinheiro pra isso tudo...

Já no mercado, Anuk observa o valor das compras e começa a abrir a carteira, contando suas moedinhas.

— Deu cento e cinquenta. — A caixa informa.

Anuk arregala os olhos.

— Vish, moça... Eu não vou ter dinheiro pra isso.

“Jurava que a carne tava mais barata...”

— Espera um instante... Você é o garoto que salvou as pessoas do incêndio e do acidente de carro?

Anuk olha para a mulher, receoso.

— Ah... Sim?

— Poderia mostrar o seu aplicativo da AGF?

— Tá... bom?

Ele pega o celular e abre o aplicativo, entregando-o para a atendente.

— Anuk Rose... Uau! É você mesmo. Aqui você tem créditos especiais que pode usar pra pagar essa compra.

Anuk fica completamente imóvel. Pisca algumas vezes, olhando para a mulher como se tivesse acabado de ouvir a coisa mais absurda do mundo.

— C-como é?

— Pelos atos que você fez, você ganhou algumas recompensas, e isso pode ser usado como dinheiro mesmo fora da escola! — a mulher explica.

Anuk olha novamente para o celular.

— Essa escola não cansa de me surpreender... Ok, então passa nesses créditos.

— Ah, não precisa. Vou fazer por conta da casa! — a mulher responde com um sorriso.

Anuk fica ainda mais confuso.

— P-perdão... Oi?

— Só quero uma foto com você. Tem algum problema?

Anuk para por um instante.

Imediatamente, uma imagem de Max transformada em um demônio parte para cima dele, pronta para matar o pobre garoto.

— P-pra quê, moça, se me permite perguntar? — Anuk pergunta, puxando um pouco a gola da blusa e engolindo em seco.

— Ah, é que meu filho gosta muito de você. Então eu queria inspirar ele a entrar na AGF igual a você.

Anuk arregala os olhos.

— Espera... Sério?

— Sim. Algumas pessoas estão te chamando de herói da vida real. Dois acidentes e você estava lá. Além disso, você ser um estudante da AGF aumenta ainda mais a sua popularidade. Agora meu filho é tipo um grande fã seu, e eu disse que ele poderia ser igual a você se conseguisse entrar na AGF.

Anuk fica completamente surpreso com a informação.

A AGF estava aumentando sua popularidade muito mais do que ele imaginava. Ele sabia que todos os estudantes de lá eram importantes, mas não fazia ideia de que isso chegava a esse nível. E seus atos heroicos só estavam potencializando ainda mais essa imagem.

— Claro, moça. Eu tiro foto contigo sem problemas! — responde com um sorriso gentil.

Os dois tiram a foto e Anuk sai do mercado vitorioso, pelo menos em teoria, sem precisar pagar pelos ingredientes.

“Eu acho que vou ter que tomar mais cuidado com o que eu faço. Até onde minha popularidade pode ir? Isso é estranho... Muito estranho.”

Enquanto caminhava pela rua, Anuk escuta uma voz familiar que o faz parar.

— NUK!

— Hm? Ah, Emma!

Ele olha para a pequena menina do balão, que vem correndo em sua direção. Assim que ela chega, Anuk se abaixa e dá um grande abraço nela.

— Como você tá, lindona?

— Eu tô supiiii bem! — Emma responde, alegre e energética como sempre.

Os pais dela chegam logo depois. O pai de Emma abre os braços e abraça os dois de uma vez.

— ANUK, MEU GAROTÃOOO!

— Olá... O senhor... tá... nos esmagando... — Anuk diz com dificuldade para respirar.

— Querido, o que já falamos sobre esmagar as crianças? — a mãe de Emma pergunta enquanto afasta o marido.

— Desculpa! Eu fico tão empolgado quando vejo ele. Esse garoto é puro orgulho! — o pai de Emma diz, com os olhos lacrimejando de emoção.

— Perdoe meu marido bobão, Anuk. Como você está? — a mãe de Emma pergunta, ignorando completamente o marido.

— Eu estou muito bem! E vocês?

— Estamos bem também! — responde a mãe de Emma, com um sorriso gentil.

— NUK AGORA É SUPIII FAMOSO, NÉ?! — Emma diz, esticando os braços como se estivesse tentando mostrar o tamanho da fama de Anuk.

Anuk encara a menina sem reação.

— Até vocês ficaram sabendo?

— Sim! Não tem como não saber sobre o grande herói aluno da AGF!

Anuk ri sem graça, sentindo o rosto esquentar.

— Aliás, Anuk... E a moto? — o pai de Emma pergunta.

— Moto?

Anuk fica confuso por um instante. Então seus olhos se arregalam.

— Espera... MEU DEUS, A MOTO! EU ESQUECI!

— Espero que ela tenha sido útil ao nosso grande herói! — o pai de Emma ri, claramente feliz.

Anuk dá uma risada sem graça, tentando evitar explicar que havia deixado a moto escondida em um esconderijo de uma gangue.

— Bem, precisamos ir. Anuk, foi bom reencontrar você! — a mãe de Emma diz.

— O prazer foi meu!

— Tchau, Nuk! Vamos brincar depois! — Emma se despede com um grande sorriso.

— Pode deixar, Emma!

“Que bom que ela tá bem e eles tão felizes. Fico feliz por poder ter ajudado eles naquele dia.”

Anuk continua caminhando pela rua, perdido em seus pensamentos.

“Mudar o mundo, hein... Talvez a Lile não queira falar sobre o passado ou sobre o que passou. Talvez ela tenha sofrido muito, assim como eu... Não importa o que aconteça, eu sei o que eu quero. Criar um mundo seguro, onde Lile e Emma possam viver felizes. E não me importa se eu tiver que enfrentar um dragão. Eu não vou mudar de ideia. Eu vou proteger elas e todas as pessoas, custe o que custar! Independentemente do medo ou da incerteza, eu farei isso!”

O garoto segue andando com um sorriso determinado no rosto. Ele finalmente sabe o que quer e não pretende voltar atrás.

“Mas agora, minha principal batalha é contra o maldito molho branco!”

Quando chega à cafeteria, Anuk encontra Max, Charlie e Edward sentados no salão principal.

— C-Charlie? — Anuk diz, surpreso.

— Oi, Anuk! — Charlie responde com seu tom doce e gentil de sempre. — Como tá?

— E-eu tô bem, mas o que você tá fazendo aqui?

— Ah, a Max me chamou!

Anuk olha imediatamente para Max.

— M-Max? P-Por quê?

— Ah, a Charlie disse que queria te ver cozinhando e a Lile disse que você ia cozinhar! — Max explica.

Anuk fecha os olhos por um instante.

— Aquela fedelha...

Ele força um sorriso, mas seus olhos tremem de irritação, como se estivesse tentando impedir a própria cabeça de explodir.

— Tá tudo bem, Anuk? — Charlie pergunta.

— T-tá sim... Eu só não sabia que tu ia vir. Se soubesse, tinha comprado mais ingredientes... — Anuk responde, desanimado.

— Ah, eu fiz compras, moleque. Pode usar o que eu comprei! — Edward afirma.

Anuk olha para ele, surpreso e desconfiado.

— Você? Deixando eu usar as coisas da loja? Vai me cobrar quanto por isso?

— Nada! Agora vá antes que eu mude de ideia!

— Não precisa falar duas vezes!

Anuk sai correndo imediatamente para a cozinha.

Enquanto isso, Lile começa a descer as escadas ao perceber a movimentação no salão principal.

— Ele vai mesmo cozinhar? — questiona, sentando-se ao lado de Max.

— Sim. Esse é um dos pontos que eu mais preciso elogiar nele. Ele é muito bom cozinhando! — Max explica.

— Hm...

Lile fica encarando Anuk através da cozinha.

Max observa a garota por alguns segundos e então sorri de canto.

— Você parece empolgada.

— Deve ser impressão sua... — Lile responde, mantendo a frieza.

— Sabe, eu também já usei uma máscara pra esconder meus sentimentos. Então eu sei quando alguém tá mentindo pra mim e pra si mesma.

Lile fica em silêncio e desvia o olhar, evitando contato visual com Max.

— Você deveria relaxar. Aquele idiota se importa com você e não vai parar tão cedo. Além disso, se ele gosta de alguém, automaticamente eu também me importo com a pessoa!

Max coloca a mão sobre a cabeça de Lile e começa a bagunçar seus cabelos.

— P-para! Você tá bagunçando meu cabelo! — Lile reclama, com o rosto levemente avermelhado.

Max abre um sorriso orgulhoso.

— Mas e aí, será que vai demorar muito? — Charlie pergunta.

— Normalmente demora um pouco, mas não adianta falar nada com ele durante esse tempo. Ele entra num tipo de concentração total e é difícil fazê-lo responder! — Max explica.

— Eu tô ficando realmente ansiosa com você elogiando tanto assim ele!

— Vou fazer o quê? Tenho que reconhecer quando ele faz algo decente!

Os minutos passam. As amigas ficam conversando sobre a aula, Lile continua lendo seu livro e Edward permanece concentrado em seu jornal. Aos poucos, a fumaça começa a invadir o salão principal, trazendo consigo o cheiro delicioso da carne, do bacon e do molho do macarrão.

O aroma se espalha pelo ambiente, deixando todos cada vez mais famintos, até que finalmente...

— Tá pronto!

Anuk sai da cozinha segurando o prato, usando seu uniforme de cozinheiro.

— Macarrão ao molho branco com carne cortada em corte de churrasco, bacon e salsinha!

— Finalmente, idiota! — Max diz, ajeitando-se na cadeira e mantendo seu ar de superioridade, embora esteja claramente tão empolgada quanto os outros.

— Foi mal. É difícil achar onde o velho esconde as coisas!

— Ei, moleque! Mais respeito! — Edward reclama, fechando o jornal.

— Não é culpa minha que tu vive escondendo tudo! — Anuk responde, debochando.

O garoto coloca a tigela sobre a mesa para que todos possam se servir. Eles não perdem tempo e começam imediatamente, enquanto Anuk vai se trocar para poder sentar junto com os outros.

— Quero o prato limpo, hein, Lile! — Anuk diz, sorrindo para a garota.

Lile fica encarando o macarrão em silêncio. Por alguns segundos, parece hesitar. Então pega o garfo e dá a primeira garfada.

Ela mastiga lentamente, saboreando a comida. Depois de engolir, permanece imóvel, olhando para o prato.

— E aí, Lile? — Charlie pergunta.

— Pode falar, garota. Tá horrível, né? — Edward provoca, brincando.

Max permanece em silêncio, olhando para Lile com uma expressão tranquila, como se já soubesse qual seria a resposta.

— I-isso...

Lile baixa um pouco os olhos.

— Isso tá... isso tá incrível!

Um pequeno sorriso aparece em seu rosto, quase tímido, enquanto uma lágrima escapa de um dos seus olhos.

Anuk observa a cena com um sorriso orgulhoso. Ele não precisa dizer nada. Só de ver aquela pequena reação já é suficiente para saber que conseguiu.

Max também deixa escapar um sorriso.

Lile então começa a comer sem hesitação, e os outros acompanham.

— Cacete, o moleque acertou mesmo! Isso tá bom demais! HAHAHA! — Edward diz com um enorme sorriso no rosto.

Max vira lentamente o olhar para o homem. Seus olhos ficam sérios e afiados.

— Perdão, querida... — Edward se desculpa imediatamente, ficando mais contido.

Charlie olha de um para o outro.

— O que foi isso?

— Ah, a Max não gosta que o velhote fique xingando. Liga não, é bem normal! — Anuk explica.

— Tá bom! — Charlie responde com um sorriso antes de experimentar o prato.

Ela arregala os olhos.

— Uau! Isso tá extremamente delicioso! Você realmente cozinha muito bem, Anuk!

Anuk ergue o queixo, claramente satisfeito.

— Eu disse pra você!

— Na próxima, quem vai cozinhar pra você sou eu, como recompensa! — Charlie diz com um sorriso gentil.

A confiança de Anuk desaparece na mesma hora.

— Q-que isso... Não precisa.

— Não, amiga. É melhor não. Você é péssima na cozinha, vai acabar matando alguém! — Max afirma sem nem olhar para a amiga.

— Ah, que isso! Uma explosão não quer dizer nada, né? — Charlie responde com a maior inocência.

Todos param para olhar para ela.

Por alguns segundos, ninguém diz nada.

Então todos começam a gargalhar, incluindo a própria Charlie e até mesmo Lile.

Anuk observa os quatro rindo juntos.

“Eu quero manter isso. Impedir esses sorrisos de sumirem, manter essa alegria e felicidade pra todos eles. Por isso, não importa o que aconteça, eu não vou deixar nada acontecer com quem eu amo. Vou ficar cada vez mais forte pra proteger não só quem eu amo, mas o mundo inteiro!”

Anuk permanece em silêncio, satisfeito ao ver todos se divertindo e brincando juntos. Ele sabe que a jornada será difícil, mas também sabe exatamente o que quer.

Aquilo era exatamente como Sebastian queria que o mundo fosse.

E agora Anuk tinha o poder para tentar tornar aquilo real.

Ele iria até o fim, não importando o que pudesse acontecer com sua própria vida.

Porque ele iria mudar o mundo.

Fim da leitura

Capítulo 11 concluído

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