Fragmentos do MultiversoVolume 1 – Capítulo 11 – Capítulo 11: Jantar
Capítulo 11“Você precisa me deixar pra morrer se quiser salvar eles... Sinceramente, eu vou ter pesadelos à noite se deixar ela continuar pensando assim.”
Anuk reflete enquanto encara os olhos de Lile. Por alguns segundos, nenhum dos dois diz nada. O silêncio entre eles parece pesar cada vez mais, mas Anuk finalmente toma sua decisão.
— Não me interessa o que pode acontecer comigo. Eu não vou deixar você pra morrer! — responde com convicção, mantendo o olhar sério.
Pela primeira vez, Lile demonstra uma reação verdadeira. Aquela casca fria que parecia protegê-la começa a rachar diante das palavras de Anuk. Seus olhos se arregalam e, por um instante, sua expressão perde completamente a indiferença.
— Q-que?
— Pois é, Lile. Nada feito! Então pode começar parando de pensar assim. Eu não vou deixar você, não importa quem seja o Dragão. Eu vou dar um jeito de proteger você, a Max e todos os outros aqui!
— VOCÊ É IDIOTA? VOCÊ NÃO PODE LUTAR COM ELE! — Lile grita de repente, assustando a si mesma. Imediatamente, leva a mão até a boca, como se tentasse impedir que outra explosão daquele tipo escapasse.
Anuk observa a garota por alguns segundos antes de responder.
— Olha, você não é apenas uma carcaça vazia. Desculpa, Lile, mas eu não posso aceitar isso. Eu não vou deixar alguém morrer!
— Anuk, você não pode salvar todo mundo! — Lile afirma, ainda tentando convencê-lo a mudar de ideia.
— Isso não me impede de tentar! — Anuk responde sem nenhuma hesitação.
Lile congela.
Ela abre a boca, mas nenhuma palavra sai. Pela primeira vez, não encontra uma resposta para Anuk.
— Eu me recuso a te abandonar. O que você está me pedindo é um absurdo.
— O que você está fazendo é que é um absurdo! — Lile retruca. — Você tá querendo arriscar sua vida e a de quem você ama de novo por uma desconhecida. Eu não tenho importância, Rose. Nem pra você e nem pra ninguém aqui!
— Chega!
Anuk corta qualquer possível continuação de Lile e se levanta da cadeira de forma brusca. O movimento faz a cadeira arrastar no chão, e sua expressão, antes séria, agora demonstra claramente sua irritação.
— Me irrita você pensar isso de você mesma e achar que eu poderia simplesmente deixar alguém que precisa de ajuda pra lá! Eu vou ajudar você, goste você ou não. E é melhor começar a mudar essa sua ideia, porque você está errada! Você tem, sim, importância!
— M-mas, Anuk...
— Eu disse chega. Essa discussão acabou. Vai pro seu quarto!
Lile encara Anuk por alguns segundos, claramente contrariada. No fim, apenas se levanta da cadeira com a cara emburrada e sobe as escadas sem dizer mais nada.
Anuk espera até ela desaparecer antes de voltar a se sentar. Solta o ar lentamente e passa as mãos pelo rosto, tentando recuperar a calma.
“Todo o medo que eu tava sentindo agora virou raiva. Que garota cabeça-dura... Como ela acha normal falar pra eu deixar ela morrer e estar tão tranquila com a própria morte? Que desgraça, Lile! Não importa o que aconteça, mesmo que meu medo não passe, eu não vou abandonar ela!”
Anuk suspira, apoiando os cotovelos na mesa e mantendo as mãos juntas sobre a cabeça.
“Verdade, eu tenho que ligar pro Aki. Tudo isso acabou me fazendo esquecer que Anuk Rose ainda tem uma vida social.”
Ele pega o celular e procura o contato do amigo. Faz dois dias que eles não se falam, e Anuk só percebe isso agora.
— Aki, mano! Fala aí!
— Ah... oi, Anuk... — Aki responde com uma voz deprimida.
O sorriso de Anuk desaparece aos poucos.
— Tá tudo bem?
— Tá... tá sim...
A resposta vem rápida demais, acompanhada de uma hesitação que deixa Anuk desconfiado.
— Aki, somos amigos. Se tiver acontecendo alguma coisa, você deveria me contar! — Anuk diz de maneira séria.
— Ah... é só... eu tô surpreso que você ainda lembra da minha existência...
— Quê? Por que disso, Aki? — Anuk pergunta, confuso.
— Ah, sabe... você tá famoso agora e eu sou um ninguém. Não vai demorar muito pra você se afastar...
Anuk fica em silêncio por alguns segundos, incrédulo com o que acabou de ouvir.
— VOCÊ FICOU MALUCO, SEU IDIOTA?!
— AÍ! Meu ouvido!
— Escuta aqui, seu maluco! Eu não vou me afastar de você. Não tenho motivos pra isso! Somos amigos, você pode contar comigo pra tudo, e não é fama que vai mudar isso. Pare de pensar assim! Você é meu amigo, alguém importante pra mim! — Anuk explica, irritado.
Do outro lado da ligação, Aki permanece em silêncio por alguns segundos.
— S-sério?
— Sim, Aki. Eu tô falando muito sério.
— D-desculpa, cara... É que eu tô acostumado com as pessoas me deixando de lado. E você sumiu por dois dias... Achei que ia acontecer de novo... — Aki responde com uma voz arrependida.
Anuk respira fundo antes de responder, dessa vez com um tom mais tranquilo.
— Tá tudo bem, cara. Pode confiar em mim. Eu não vou te abandonar ou me afastar!
— T-tá legal... E como você tá?
— Com a vida a milhão. Foi por isso que eu não liguei antes!
— Eu percebi através da internet.
— É... As coisas se espalham muito rápido. — Anuk responde com certa irritação.
— Imagino. Mas e aí, vai vir amanhã?
— Droga... Eu quase esqueci que amanhã tem aula! Sim, eu vou. Prometi pra Max que iria, não posso deixar ela na mão! — Anuk explica.
— Então... nos vemos amanhã?
— Sim. Até amanhã, parceiro!
Anuk desliga o telefone e, logo em seguida, bate a testa contra a mesa.
“Cara, por que todo mundo tá falando de abandono de repente? E ainda tem aula amanhã... Meu Deus, tem como ficar pio... Quer saber? Eu nem vou pensar nessa possibilidade, porque vai que acontece mesmo.”
Anuk levanta a cabeça e olha na direção da escada que leva ao segundo andar.
“Não se preocupe, Lile. Vou dar um jeito de tirar você dessa, custe o que custar! Mas agora...”
Ele se levanta.
— Lile!
Anuk sobe as escadas até chegar ao quarto da garota e bate na porta.
— O que você quer? — Lile responde em um tom mais frio que o normal.
— O que você quer pro jantar?
Por alguns segundos, Anuk não ouve nada. Então a porta se abre, revelando Lile encarando-o diretamente.
— Você sabe cozinhar?
Anuk leva a mão ao peito, ofendido.
— Cara, eu achei que esse capítulo já tinha passado... Sim, eu sei cozinhar!
— Bem... não importa. Tanto faz, eu acho...
— Tanto faz não! Não tem algo que você goste?
Lile o encara, aparentemente sem entender a pergunta.
— Por que você quer saber?
— Porque eu quero fazer pra você!
A expressão da garota muda levemente. Seus olhos se desviam por um instante.
— Ninguém nunca quis fazer minha comida favorita...
Anuk fica em silêncio por alguns segundos.
— Sério, garota... De onde você saiu?
Lile pensa por um momento.
— Macarrão!
Ela fecha a porta imediatamente.
Anuk permanece parado diante dela, encarando a madeira.
“Que educada, hein... Bem, pelo menos ela disse o prato, né? Não que ela tenha se aprofundado, mas... Eu dou meu jeito.”
Anuk começa a descer as escadas enquanto pensa no tipo de macarrão que deveria fazer. Então se lembra de que provavelmente teria que cozinhar para três pessoas.
“Se a Max souber, com certeza vai querer comer... Acho que ao molho branco, com pedaços de bacon e mais alguma coisa pra acompanhar... Picanha? Eu vou ter dinheiro pra isso? Jesus, proteja minha carteira.”
— Acho que vou tomar um banho e ir comprar os ingredientes...
Depois de alguns minutos, Anuk já está arrumado. Pega sua jaqueta e sai em direção ao mercado.
— Cara... Acho que não vou ter dinheiro pra isso tudo...
Já no mercado, Anuk observa o valor das compras e começa a abrir a carteira, contando suas moedinhas.
— Deu cento e cinquenta. — A caixa informa.
Anuk arregala os olhos.
— Vish, moça... Eu não vou ter dinheiro pra isso.
“Jurava que a carne tava mais barata...”
— Espera um instante... Você é o garoto que salvou as pessoas do incêndio e do acidente de carro?
Anuk olha para a mulher, receoso.
— Ah... Sim?
— Poderia mostrar o seu aplicativo da AGF?
— Tá... bom?
Ele pega o celular e abre o aplicativo, entregando-o para a atendente.
— Anuk Rose... Uau! É você mesmo. Aqui você tem créditos especiais que pode usar pra pagar essa compra.
Anuk fica completamente imóvel. Pisca algumas vezes, olhando para a mulher como se tivesse acabado de ouvir a coisa mais absurda do mundo.
— C-como é?
— Pelos atos que você fez, você ganhou algumas recompensas, e isso pode ser usado como dinheiro mesmo fora da escola! — a mulher explica.
Anuk olha novamente para o celular.
— Essa escola não cansa de me surpreender... Ok, então passa nesses créditos.
— Ah, não precisa. Vou fazer por conta da casa! — a mulher responde com um sorriso.
Anuk fica ainda mais confuso.
— P-perdão... Oi?
— Só quero uma foto com você. Tem algum problema?
Anuk para por um instante.
Imediatamente, uma imagem de Max transformada em um demônio parte para cima dele, pronta para matar o pobre garoto.
— P-pra quê, moça, se me permite perguntar? — Anuk pergunta, puxando um pouco a gola da blusa e engolindo em seco.
— Ah, é que meu filho gosta muito de você. Então eu queria inspirar ele a entrar na AGF igual a você.
Anuk arregala os olhos.
— Espera... Sério?
— Sim. Algumas pessoas estão te chamando de herói da vida real. Dois acidentes e você estava lá. Além disso, você ser um estudante da AGF aumenta ainda mais a sua popularidade. Agora meu filho é tipo um grande fã seu, e eu disse que ele poderia ser igual a você se conseguisse entrar na AGF.
Anuk fica completamente surpreso com a informação.
A AGF estava aumentando sua popularidade muito mais do que ele imaginava. Ele sabia que todos os estudantes de lá eram importantes, mas não fazia ideia de que isso chegava a esse nível. E seus atos heroicos só estavam potencializando ainda mais essa imagem.
— Claro, moça. Eu tiro foto contigo sem problemas! — responde com um sorriso gentil.
Os dois tiram a foto e Anuk sai do mercado vitorioso, pelo menos em teoria, sem precisar pagar pelos ingredientes.
“Eu acho que vou ter que tomar mais cuidado com o que eu faço. Até onde minha popularidade pode ir? Isso é estranho... Muito estranho.”
Enquanto caminhava pela rua, Anuk escuta uma voz familiar que o faz parar.
— NUK!
— Hm? Ah, Emma!
Ele olha para a pequena menina do balão, que vem correndo em sua direção. Assim que ela chega, Anuk se abaixa e dá um grande abraço nela.
— Como você tá, lindona?
— Eu tô supiiii bem! — Emma responde, alegre e energética como sempre.
Os pais dela chegam logo depois. O pai de Emma abre os braços e abraça os dois de uma vez.
— ANUK, MEU GAROTÃOOO!
— Olá... O senhor... tá... nos esmagando... — Anuk diz com dificuldade para respirar.
— Querido, o que já falamos sobre esmagar as crianças? — a mãe de Emma pergunta enquanto afasta o marido.
— Desculpa! Eu fico tão empolgado quando vejo ele. Esse garoto é puro orgulho! — o pai de Emma diz, com os olhos lacrimejando de emoção.
— Perdoe meu marido bobão, Anuk. Como você está? — a mãe de Emma pergunta, ignorando completamente o marido.
— Eu estou muito bem! E vocês?
— Estamos bem também! — responde a mãe de Emma, com um sorriso gentil.
— NUK AGORA É SUPIII FAMOSO, NÉ?! — Emma diz, esticando os braços como se estivesse tentando mostrar o tamanho da fama de Anuk.
Anuk encara a menina sem reação.
— Até vocês ficaram sabendo?
— Sim! Não tem como não saber sobre o grande herói aluno da AGF!
Anuk ri sem graça, sentindo o rosto esquentar.
— Aliás, Anuk... E a moto? — o pai de Emma pergunta.
— Moto?
Anuk fica confuso por um instante. Então seus olhos se arregalam.
— Espera... MEU DEUS, A MOTO! EU ESQUECI!
— Espero que ela tenha sido útil ao nosso grande herói! — o pai de Emma ri, claramente feliz.
Anuk dá uma risada sem graça, tentando evitar explicar que havia deixado a moto escondida em um esconderijo de uma gangue.
— Bem, precisamos ir. Anuk, foi bom reencontrar você! — a mãe de Emma diz.
— O prazer foi meu!
— Tchau, Nuk! Vamos brincar depois! — Emma se despede com um grande sorriso.
— Pode deixar, Emma!
“Que bom que ela tá bem e eles tão felizes. Fico feliz por poder ter ajudado eles naquele dia.”
Anuk continua caminhando pela rua, perdido em seus pensamentos.
“Mudar o mundo, hein... Talvez a Lile não queira falar sobre o passado ou sobre o que passou. Talvez ela tenha sofrido muito, assim como eu... Não importa o que aconteça, eu sei o que eu quero. Criar um mundo seguro, onde Lile e Emma possam viver felizes. E não me importa se eu tiver que enfrentar um dragão. Eu não vou mudar de ideia. Eu vou proteger elas e todas as pessoas, custe o que custar! Independentemente do medo ou da incerteza, eu farei isso!”
O garoto segue andando com um sorriso determinado no rosto. Ele finalmente sabe o que quer e não pretende voltar atrás.
“Mas agora, minha principal batalha é contra o maldito molho branco!”
Quando chega à cafeteria, Anuk encontra Max, Charlie e Edward sentados no salão principal.
— C-Charlie? — Anuk diz, surpreso.
— Oi, Anuk! — Charlie responde com seu tom doce e gentil de sempre. — Como tá?
— E-eu tô bem, mas o que você tá fazendo aqui?
— Ah, a Max me chamou!
Anuk olha imediatamente para Max.
— M-Max? P-Por quê?
— Ah, a Charlie disse que queria te ver cozinhando e a Lile disse que você ia cozinhar! — Max explica.
Anuk fecha os olhos por um instante.
— Aquela fedelha...
Ele força um sorriso, mas seus olhos tremem de irritação, como se estivesse tentando impedir a própria cabeça de explodir.
— Tá tudo bem, Anuk? — Charlie pergunta.
— T-tá sim... Eu só não sabia que tu ia vir. Se soubesse, tinha comprado mais ingredientes... — Anuk responde, desanimado.
— Ah, eu fiz compras, moleque. Pode usar o que eu comprei! — Edward afirma.
Anuk olha para ele, surpreso e desconfiado.
— Você? Deixando eu usar as coisas da loja? Vai me cobrar quanto por isso?
— Nada! Agora vá antes que eu mude de ideia!
— Não precisa falar duas vezes!
Anuk sai correndo imediatamente para a cozinha.
Enquanto isso, Lile começa a descer as escadas ao perceber a movimentação no salão principal.
— Ele vai mesmo cozinhar? — questiona, sentando-se ao lado de Max.
— Sim. Esse é um dos pontos que eu mais preciso elogiar nele. Ele é muito bom cozinhando! — Max explica.
— Hm...
Lile fica encarando Anuk através da cozinha.
Max observa a garota por alguns segundos e então sorri de canto.
— Você parece empolgada.
— Deve ser impressão sua... — Lile responde, mantendo a frieza.
— Sabe, eu também já usei uma máscara pra esconder meus sentimentos. Então eu sei quando alguém tá mentindo pra mim e pra si mesma.
Lile fica em silêncio e desvia o olhar, evitando contato visual com Max.
— Você deveria relaxar. Aquele idiota se importa com você e não vai parar tão cedo. Além disso, se ele gosta de alguém, automaticamente eu também me importo com a pessoa!
Max coloca a mão sobre a cabeça de Lile e começa a bagunçar seus cabelos.
— P-para! Você tá bagunçando meu cabelo! — Lile reclama, com o rosto levemente avermelhado.
Max abre um sorriso orgulhoso.
— Mas e aí, será que vai demorar muito? — Charlie pergunta.
— Normalmente demora um pouco, mas não adianta falar nada com ele durante esse tempo. Ele entra num tipo de concentração total e é difícil fazê-lo responder! — Max explica.
— Eu tô ficando realmente ansiosa com você elogiando tanto assim ele!
— Vou fazer o quê? Tenho que reconhecer quando ele faz algo decente!
Os minutos passam. As amigas ficam conversando sobre a aula, Lile continua lendo seu livro e Edward permanece concentrado em seu jornal. Aos poucos, a fumaça começa a invadir o salão principal, trazendo consigo o cheiro delicioso da carne, do bacon e do molho do macarrão.
O aroma se espalha pelo ambiente, deixando todos cada vez mais famintos, até que finalmente...
— Tá pronto!
Anuk sai da cozinha segurando o prato, usando seu uniforme de cozinheiro.
— Macarrão ao molho branco com carne cortada em corte de churrasco, bacon e salsinha!
— Finalmente, idiota! — Max diz, ajeitando-se na cadeira e mantendo seu ar de superioridade, embora esteja claramente tão empolgada quanto os outros.
— Foi mal. É difícil achar onde o velho esconde as coisas!
— Ei, moleque! Mais respeito! — Edward reclama, fechando o jornal.
— Não é culpa minha que tu vive escondendo tudo! — Anuk responde, debochando.
O garoto coloca a tigela sobre a mesa para que todos possam se servir. Eles não perdem tempo e começam imediatamente, enquanto Anuk vai se trocar para poder sentar junto com os outros.
— Quero o prato limpo, hein, Lile! — Anuk diz, sorrindo para a garota.
Lile fica encarando o macarrão em silêncio. Por alguns segundos, parece hesitar. Então pega o garfo e dá a primeira garfada.
Ela mastiga lentamente, saboreando a comida. Depois de engolir, permanece imóvel, olhando para o prato.
— E aí, Lile? — Charlie pergunta.
— Pode falar, garota. Tá horrível, né? — Edward provoca, brincando.
Max permanece em silêncio, olhando para Lile com uma expressão tranquila, como se já soubesse qual seria a resposta.
— I-isso...
Lile baixa um pouco os olhos.
— Isso tá... isso tá incrível!
Um pequeno sorriso aparece em seu rosto, quase tímido, enquanto uma lágrima escapa de um dos seus olhos.
Anuk observa a cena com um sorriso orgulhoso. Ele não precisa dizer nada. Só de ver aquela pequena reação já é suficiente para saber que conseguiu.
Max também deixa escapar um sorriso.
Lile então começa a comer sem hesitação, e os outros acompanham.
— Cacete, o moleque acertou mesmo! Isso tá bom demais! HAHAHA! — Edward diz com um enorme sorriso no rosto.
Max vira lentamente o olhar para o homem. Seus olhos ficam sérios e afiados.
— Perdão, querida... — Edward se desculpa imediatamente, ficando mais contido.
Charlie olha de um para o outro.
— O que foi isso?
— Ah, a Max não gosta que o velhote fique xingando. Liga não, é bem normal! — Anuk explica.
— Tá bom! — Charlie responde com um sorriso antes de experimentar o prato.
Ela arregala os olhos.
— Uau! Isso tá extremamente delicioso! Você realmente cozinha muito bem, Anuk!
Anuk ergue o queixo, claramente satisfeito.
— Eu disse pra você!
— Na próxima, quem vai cozinhar pra você sou eu, como recompensa! — Charlie diz com um sorriso gentil.
A confiança de Anuk desaparece na mesma hora.
— Q-que isso... Não precisa.
— Não, amiga. É melhor não. Você é péssima na cozinha, vai acabar matando alguém! — Max afirma sem nem olhar para a amiga.
— Ah, que isso! Uma explosão não quer dizer nada, né? — Charlie responde com a maior inocência.
Todos param para olhar para ela.
Por alguns segundos, ninguém diz nada.
Então todos começam a gargalhar, incluindo a própria Charlie e até mesmo Lile.
Anuk observa os quatro rindo juntos.
“Eu quero manter isso. Impedir esses sorrisos de sumirem, manter essa alegria e felicidade pra todos eles. Por isso, não importa o que aconteça, eu não vou deixar nada acontecer com quem eu amo. Vou ficar cada vez mais forte pra proteger não só quem eu amo, mas o mundo inteiro!”
Anuk permanece em silêncio, satisfeito ao ver todos se divertindo e brincando juntos. Ele sabe que a jornada será difícil, mas também sabe exatamente o que quer.
Aquilo era exatamente como Sebastian queria que o mundo fosse.
E agora Anuk tinha o poder para tentar tornar aquilo real.
Ele iria até o fim, não importando o que pudesse acontecer com sua própria vida.
Porque ele iria mudar o mundo.
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