Fragmentos do MultiversoVolume 1 – Capítulo 13 – Capítulo 13: Especial
Capítulo 13“Alunos especiais... Todos eles têm algo incomum que chama a atenção do público. Qualquer pessoa pode se tornar um, porém, poucos conseguem. Poucas pessoas são verdadeiramente especiais. Anuk, Kaguya, Hana e Nirak... Todos eles têm uma habilidade única, um traço forte que chama a atenção das pessoas. Mas, em um mundo com essas figuras, onde tem espaço para mim?”
Aki refletia enquanto desenhava sentado na arquibancada da quadra.
— Vai, meninos! — Nirak dizia, torcendo de uma forma calma e elegante.
— ANUK! — Charlie e Max gritavam na torcida.
— A probabilidade deles perderem é baixa! — Kaguya afirmou.
Enquanto isso, Anuk e Bruno estavam no meio da quadra, disputando uma partida de basquete. Bruno conseguiu driblar um dos defensores e se preparou para passar a bola para Anuk.
— É TUA, ANUK! — Bruno gritou, arremessando a bola para o alto.
Anuk saltou, controlando sua força para não demonstrar suas habilidades sobre-humanas. Pegou a bola no ar e, no mesmo movimento, desceu enterrando-a na cesta.
— VIVA! — As meninas comemoraram na arquibancada.
— É isso aí, cara! — Bruno disse, comemorando com Anuk e abraçando o garoto. — Sabia que tu ia ser ótimo nesse jogo, maninho.
— Valeu! Você também joga muito, Bruno. Tô me divertindo mais do que nunca! — Anuk respondeu, ajeitando o cabelo molhado enquanto sorria.
Max e Charlie ficaram um pouco coradas ao ver o garoto ajeitando o cabelo.
— Bruno, faz uma cesta para mim? — Nirak pediu com um sorriso sedutor.
— Claro... Espera, isso claramente é um dos seus movimentos de controle, né, Nirak? Você tá tentando me manipular?
— Jamais, fofinho! — Nirak respondeu, mantendo o sorriso e o olhar sedutor.
— E-então, beleza! — Bruno respondeu, dando pequenos pulinhos.
— Idiota! — Kaguya disse, lançando um olhar de julgamento para Bruno.
— Ah, eu acho fofo! — Nirak respondeu para a amiga com um sorriso no rosto.
Kaguya rapidamente revirou os olhos, julgando Nirak.
“Eles são fenômenos absurdos... E pessoas como eu? Que não têm nada de especial? O que tem para mim nesse mundo? Talvez viver nas sombras deles.”
Aki refletiu enquanto terminava seu desenho.
— Uau, que desenho bonito! — Charlie comentou, ajeitando o cabelo atrás da orelha enquanto se aproximava do garoto para olhar o desenho.
— A-AH... C-Charlie... O-obrigado... — Aki mal conseguia formular uma frase decente sem gaguejar perto da menina. No fim, apenas balançou a cabeça afirmativamente para que ela entendesse o agradecimento.
Charlie apenas devolveu seu sorriso gentil e voltou a prestar atenção na partida.
“Ela é tão linda, tão perfeita... Seu sorriso ilumina meus dias. Ela é tão maravilhosa... Eu queria tanto dizer para ela o que sinto, mas não sou capaz nem de conversar com ela por alguns segundos. Só fui capaz de chegar tão próximo dela por causa do Anuk...”
Aki pensou, deprimido, enquanto pegava novamente seu caderno de desenhos e começava a desenhar, mantendo Charlie em sua mente.
“Ahhh... Ela parece uma princesa... Parando para pensar agora, o que eu tô fazendo nesse grupo?”
Aki encarou os outros membros do grupo.
“Eu sou completamente um desfoque entre eles. Max é quase uma aluna especial, Charlie disputa com a Hana para ser representante de classe, Bruno é um dos melhores atletas que temos desde o fundamental e também é extremamente popular... Sem contar Anuk, Kaguya e Nirak.”
Aki virou o rosto, voltando sua atenção para a partida de basquete e observando Anuk e Bruno jogarem.
“Como você faz isso, Anuk? Como você juntou todas essas pessoas incríveis em um único lugar e ainda me colocou nesse meio? Eu sempre soube que ficaria sozinho no fim, mas agora olha onde eu estou...”
Enquanto refletia, Aki foi se isolando do mundo. Era como se não conseguisse mais ouvir nada ao seu redor, como se tivesse sido transportado para outro lugar, onde estava completamente sozinho, apenas com seus pensamentos.
— Aki, Aki, AKI! — Max gritou.
— Hã? A-ah... O-oi, Max... — Aki respondeu assustado, virando-se para a garota.
— Você ouviu o que eu disse? — Max perguntou, confusa ao ver o garoto parecendo estar em outro mundo.
Aki percebeu que todos do grupo estavam olhando para ele.
— A-ah... Não, sinto muito... — respondeu, deprimido.
— Quem você acha que venceria entre Anuk e Bruno? — Max repetiu a pergunta.
— Hã...? Por que essa pergunta do nada?
— A gente só tá imaginando uma hipótese, não é nada demais. Eu e a Charlie dissemos que é o Anuk, enquanto Kaguya e Nirak disseram que é o Bruno. Aí a gente precisa de um desempate.
— Ah... Bem... Acho que o Anuk...
— Sério? Por quê? — Kaguya perguntou ao garoto.
— Bem... Quando eu olho para o Anuk... — Aki encarou Anuk na quadra. — Sinto que ele poderia fazer qualquer coisa, como se o impossível não existisse para ele. Então, não importa quantas vezes ele caísse, eu acho que ele se levantaria até ganhar.
Todos os outros adolescentes encararam Aki em silêncio. Ele começou a ficar desesperado e envergonhado, mas, antes que pudesse falar alguma coisa...
— É uma descrição bem precisa. Não vou mentir, ele me passa essa sensação mesmo! — Nirak exclamou, aceitando a derrota.
— Viu só? Eu disseeee! — Max respondeu, com um tom de arrogância e soberba.
Todos voltaram a discutir, enquanto Aki novamente se afastava mentalmente dos outros e se isolava dos amigos.
“Será que eu deveria estar aqui mesmo?”
Aki encarou seu caderno, onde havia um desenho inacabado de Charlie.
Depois da partida, todo o grupo começou a se dirigir para o refeitório.
— Ah... Anuk, eu vou pegar algo na biblioteca — Aki disse, olhando para o amigo.
— Sem problemas. A gente vai estar te esperando aqui, Aki! — Anuk respondeu com um sorriso para o garoto.
“Ele realmente não se incomoda com a minha presença? Nenhum deles? Será que eu não sou um fardo para eles?”
Aki seguiu pelo caminho até a biblioteca ainda deprimido. Porém, o trajeto não foi tão simples. No caminho, acabou vendo um valentão batendo em uma pessoa menor.
— Vamos! Pode passar todo o seu dinheiro!
— M-mas isso é para o meu lanche...
— Quer que eu bata mais em você? Eu sou Rank C e você é apenas um Rank E. Sabe o que vão fazer se eu te bater? Nada, porque ninguém liga para você! — o valentão afirmou.
Aki sentiu um enorme aperto no peito. Sem pensar duas vezes, começou a correr para longe daquela briga, com a respiração pesada e descompassada.
“Não, não... Eu não sou um ninguém. Eu importo, né?”
Aki continuou correndo até chegar a um lugar mais afastado. Encostou-se em uma parede e tentou recuperar o fôlego, mas sua respiração continuava acelerada, como se não conseguisse desacelerar.
“Eu queria ajudar aquele garoto... Mas... mas eu sou fraco. Eu sou muito fraco. Aquele valentão tem razão. Eu sou um ninguém e esse mundo é dos fortes. Eu não tenho lugar aqui. Há poucos dias eu estava no lugar daquele garoto... Por que agora seria diferente?”
Aki escorregou pela parede até se sentar no chão, encolhendo-se em posição fetal enquanto chorava.
— Ei, merdinha!
Uma voz o fez levantar o rosto. Ainda com lágrimas nos olhos, Aki olhou desesperado na direção da ameaça e sentiu o coração disparar ao reconhecer quem estava ali.
— Olha só o que o vento trouxe!
Era Denis. O garoto se aproximava, preparando-se para uma luta.
— D-Denis... M-me deixa em paz! — Aki tentou dizer, enquanto se afastava do valentão, andando de costas junto à parede.
— Te deixar em paz? Tem noção do vexame que eu passei por sua causa? Eu vou devolver cada humilhação na mesma moeda! — Denis disse, aproximando-se de forma violenta.
“N-não tem como eu correr. Denis é muito mais rápido do que eu, muito mais forte... E não tem como eu pedir ajuda. Ninguém vai vir me ajudar... Eu só posso aceitar meu destino.”
Aki tentou correr, movido pelo medo, mas não conseguiu. Denis agarrou o garoto pela gola da camisa e o levantou.
— Agora você vai me pagar, seu viado! — Denis disse, preparando-se para atacar.
— SOCORRO! — Aki gritou.
“Ah, é... Eu sou um ninguém e ninguém se importa com alguém como eu. Por que eu estou gritando? É só um esforço inútil. Tudo que eu faço é inútil. Eu sou um inútil...”
Aki fechou os olhos, chorando, e simplesmente aceitou o impacto.
Porém...
— Que legal, te achei!
Um som de soco, seguido por uma voz, chegou aos ouvidos de Aki.
O garoto caiu no chão e, quando conseguiu perceber o que havia acontecido, viu que Bruno acabara de acertar um soco cruzado de direita no rosto de Denis.
— B-Bruno? — Aki disse, amedrontado.
— E aí, maninho! Achei que você tava demorando demais, então decidi vir atrás de você. E olha só, tive a sorte grande, porque cheguei a tempo! — Bruno respondeu com um sorriso no rosto.
— B-BRUNO, SEU MERDA! TÁ FAZENDO O QUÊ? — Denis perguntou, completamente alterado.
— Fazendo o quê? Ora, não é óbvio? Além de proteger um amigo, estou dando uma surra em um babaca! Dessa vez, o Anuk não vai ter o prazer de ser o herói. Depois eu me desculpo com ele! — Bruno explicou com um sorriso.
— A-amigo? — Aki perguntou, surpreso.
— Desde quando você é amigo de um merda como esse? — Denis perguntou, completamente irritado.
Bruno olhou para Denis. O sorriso desapareceu de seu rosto.
— Denis... Levanta a guarda.
Sem tempo para reagir, Denis recebeu outro golpe de Bruno no rosto. E mais um. E mais outro.
— Espero que você limpe a sua boca antes de falar de um amigo meu de novo. Porque o único merda aqui, Denis, é você! — Bruno disse, com um olhar centrado e feroz.
Aki apenas observava a luta. Bruno sempre foi um dos mais fortes da escola, mas costumava andar com o grupo dos valentões. Ninguém nunca o tinha visto incomodando alguém mais fraco que ele, porém ninguém sabia exatamente por que Bruno andava com os atletas. Talvez por status. Talvez porque fosse isso que a sociedade esperava dele.
Mas havia uma coisa que todos sabiam:
Bruno odiava injustiças.
— Eu vou te matar, seu verme! Sabe quem eu sou? — Denis perguntou a Bruno, tomado pela ira.
— Sei! O cãozinho de estimação da Hana! Sabe, acho que o Anuk bateu pouco em você! — Bruno respondeu, sem demonstrar nenhum medo das ameaças do garoto. Para ele, aquilo não passava de ameaças vazias. — Tô cansado de pessoas como você fazendo o que querem! Se heróis podem existir, então eu serei um herói como ele!
“Ah, é... Outra coisa que todos sabem sobre o Bruno: ele ama heróis. Provavelmente, quando viu o Anuk e soube de tudo o que ele fez, deve ter virado um grande fã dele.”
Aki pensou enquanto assistia à luta se desenrolar. Não havia muita novidade: Denis não tinha nenhuma chance. Logo, caiu no chão, completamente ferido.
— E-espera, Bruno... Vamos conversar... — Denis rastejou pelo chão, implorando para Bruno parar.
— Eu vou dizer só uma vez. — Bruno pegou Denis pela gola. — Se você tocar no Aki ou em qualquer outro de novo e eu souber, não vai restar nada de você! Eu vou deixar você passar dessa vez porque é o que um herói faria, mas não haverá outra vez.
Denis balançou a cabeça, aceitando os termos de Bruno, completamente assustado. Em seguida, saiu correndo.
— Acho que isso vai ser o suficiente para deixar ele longe de você, maninho! — Bruno disse, olhando para Aki e estendendo a mão para ajudá-lo a levantar.
Aki aceitou a ajuda do amigo, mas não olhou para seu rosto. Permaneceu de cabeça baixa, ainda tremendo.
— Tá tudo bem, maninho? — Bruno perguntou, preocupado.
— Você... Por que você veio? — Aki sussurrou.
— Q-que? — Bruno perguntou, surpreso e espantado com o que ouviu.
— Você me ouviu. Por que você veio?
Aki apertou o punho com força, cravando as unhas na própria mão até machucar a palma.
— Anuk mandou, né? Alguém como você não lembraria de alguém como eu se não fosse por ele!
Bruno ouviu aquelas palavras e sua expressão mudou. Ficou mais séria, mas permaneceu em silêncio.
— Eu sou um inútil. Eu sou um ninguém. Então por que, Bruno? Por que você tá aqui? Eu não tenho lugar nesse mundo. Eu não deveria ser lembrado por ninguém. O Anuk é um idiota se acha que pertencemos ao mesmo mundo e podemos conviver juntos. Não podemos! Ele é forte, ele é especial e eu não sou... Ele deveria me esquecer... — Aki disse, enquanto não conseguia conter as lágrimas.
Bruno continuou olhando para ele.
— Acabou?
— S-sim... — Aki respondeu, deprimido.
Cortando o ar em uma velocidade inesperada, a mão de Bruno atingiu o rosto de Aki, fazendo-o voar para longe.
— P-por que... você me bateu? — Aki perguntou, levando a mão ao rosto, completamente surpreso.
— Porque você tava falando muita merda! Eu esperei você terminar, porque você precisava desabafar. Mas entenda uma coisa, maninho: eu não fiz nada porque o Anuk mandou. E, mesmo que ele tivesse dito alguma coisa, se eu não concordasse, eu não faria! Ninguém está falando com você por pena ou só porque você é amigo do Anuk, mas porque também gostam de você. Então pare de se diminuir! — Bruno explicou, em um tom sério.
Aki ficou em silêncio. Aquilo parecia ter doído mais do que o tapa que acabara de receber.
— Você não precisa ser igual a mim ou ao Anuk. Você não precisa ser especial. Você só precisa ser você mesmo e vai encontrar o seu lugar. As pessoas vão gostar de você. As pessoas não gostam do Anuk só porque ele é um herói, mas porque ele é ele! Você não precisa fazer algo para as pessoas gostarem de você. Você só precisa ser o Aki!
Cada palavra de Bruno invadia a mente do garoto, como se fossem socos derrubando uma grande muralha.
— Querer aprovação é a maior merda que existe, porque você só vai atrair pessoas falsas por causa de um talento seu. E, vai por mim, eu entendo bem sobre isso! E outra coisa: se você viver pensando que não pertence a algum lugar, nunca vai pertencer mesmo. Você sempre vai se afastar dos seus amigos por achar que eles não querem você lá, sendo que ninguém disse isso. Só você pensa assim.
— Em outras palavras, você mesmo está se sabotando. Você mesmo está se afastando das pessoas. Pare com isso, maninho! Você é melhor do que isso e precisa pensar que sim, você é capaz. Que sim, você pertence. Porque todos nós gostamos do Aki, não porque ele é superinteligente ou um superdesenhista, mas sim porque ele é o Aki! — Bruno finalizou.
— E-espera... Você sabe que eu desenho? — Aki perguntou, surpreso.
— Charlie falou que você desenhava bem e, como ela é minha amiga, eu acreditei nela. Simples assim. E, te conhecendo, não duvido que seja verdade. — Bruno explicou. — Pare de se jogar para baixo. Essa merda de "lugar no mundo" não existe. Todos têm um lugar no mundo se você se permitir estar lá. E ninguém merece isso mais do que você, maninho. Pois, apesar de tudo, você é sim especial, do seu jeito!
Ao ouvir as palavras de Bruno, as muralhas na cabeça de Aki começaram a desmoronar. O garoto começou a chorar sem parar. Aquelas palavras eram fortes demais; seu coração não sabia como lidar com aquilo.
Ele havia vivido sempre na sombra, sempre se sentindo inferior, sem amigos de verdade, sem nada que considerasse especial. Apenas ele e a solidão.
Porém...
Dessa vez era diferente.
Mesmo que não quisesse aceitar, no fundo ele sempre soube. Anuk era seu amigo de verdade e ele já não estava sozinho naquela escuridão. Todo o bullying que sofreu, todo o sofrimento que enfrentou, estava mais distante do que imaginava. O único que continuava prendendo Aki naquele lugar era ele mesmo, porque era ele quem acreditava que não merecia ser feliz e que tudo terminaria como sempre.
Com ele sozinho.
Mas a verdade que ele negava estava bem diante de seus olhos. Sempre esteve.
Ele não estava mais sozinho.
Tinha valor para alguém e pertencia a algum lugar. Suas inseguranças o afastavam cada vez mais da realidade, mas, finalmente, mesmo que só um pouco, Aki conseguiu abrir os olhos.
Bruno e Aki retornaram para o meio dos outros amigos, com Bruno carregando o garoto e apoiando-o sobre seu ombro.
— AKI! — Charlie gritou, e todos correram na direção dos dois.
— Tá tudo bem? Você tava chorando? — Max perguntou, verificando o garoto em busca de machucados.
— Se machucou? Seus sentidos mentais ainda funcionam direito, né? — Kaguya questionou.
Anuk e Nirak encararam Bruno com olhares completamente sérios.
— O que aconteceu? — Nirak perguntou.
— Denis. Ele atacou o Aki! — Bruno explicou.
Anuk ficou em silêncio e começou a caminhar em direção à saída da escola. Porém, antes que pudesse se afastar, Aki segurou o amigo pela camisa.
— T-tá tudo bem, Anuk... — Aki disse, ainda com lágrimas no rosto.
— Tem certeza? — Anuk perguntou, com seu tom de voz bem mais sério que o comum.
— A gente esmaga ele pra você, Aki. Não precisa se preocupar com as consequências! — Nirak comentou, com uma expressão muito mais aterrorizante, como se ela realmente fosse um demônio.
— T-tenho, gente... O Bruno já cuidou dele! — Aki explicou.
Depois de ouvir a explicação, Anuk e Nirak relaxaram. A tensão e a raiva em seus corpos foram desaparecendo aos poucos.
— Valeu, Bruno. — Anuk agradeceu ao amigo com um sorriso.
— Que isso, irmão! Tudo por um amigo! — Bruno respondeu com um grande sorriso orgulhoso.
— A-Anuk... Eu quero falar com você — Aki disse, se ajeitando de pé e ficando frente a frente com o amigo.
— O que foi? — Anuk perguntou.
— Obrigado!
Aki não esboçava um sorriso, mas sua expressão estava feliz.
— P-pelo quê? Eu, tipo... não fiz literalmente nada dessa vez! — Anuk afirmou.
— Por me ajudar, por ser meu amigo e por... — Aki encarou todos os outros antes de terminar. Depois, olhou para Bruno, que sorriu e acenou positivamente com a cabeça. — E por me mostrar que eu posso pertencer a algum lugar. Só porque você realmente gostou de mim do jeito que eu sou e quis verdadeiramente ser meu amigo.
Anuk ouviu aquelas palavras e ficou sem reação. Principalmente porque não entendia o motivo de tudo aquilo que o amigo estava dizendo. Porém, abriu um grande sorriso.
— Que isso! Não foi nada. Eu não podia deixar uma pessoa incrível como você se afogar na tristeza e na solidão, né? E outra, você está aqui não é por mim, mas porque você merece. Coisas boas acontecem com pessoas boas. E, além de ser bom, você também é forte. Por isso, continue sempre melhorando, tá?
Aki ouviu aquelas palavras junto daquele sorriso bobo do amigo e começou a gargalhar.
— Você realmente é um idiota! Só você pra pensar algo assim! — o garoto disse com um grande sorriso.
Todos os outros começaram a rir e concordar com Aki sobre Anuk ser um idiota, incluindo o próprio Anuk.
“Não sei se vou conseguir superar completamente minha insegurança, mas sei que não posso ficar me afastando dos meus amigos por conta disso. Se eu não me permitir ser feliz, nunca vou ser. E, mesmo que eu venha a cair, sei que posso contar com eles para me ajudar a levantar. Pois foi como o Bruno disse: eu não preciso ser especial que nem eles. Só preciso ser eu mesmo.”
Aki refletiu consigo mesmo, genuinamente feliz e contente.
— E aí, vamos pedir o que para comer no refeitório? — Charlie perguntou aos amigos.
— Que tal batata frita? — Aki sugeriu.
— Tá aí, boa pedida! — Charlie respondeu, sorrindo para o menino.
O coração do garoto novamente disparou e ele congelou. Por sorte, Bruno agiu rapidamente, segurando-o e colocando-o sobre os ombros.
— Ok, batatas fritas em homenagem ao meu amigão aqui! E quero três vivas para ele, pessoal! — Bruno disse com um grande sorriso.
— Isso não é meio bobeira? — Kaguya perguntou.
— Eu acho fofo! — Nirak respondeu.
Novamente, Kaguya olhou para Nirak com um olhar de julgamento, enquanto a menina apenas mantinha um sorriso suspeito no rosto.
— No três, hein... Um, dois, três! Hip, hip, hurra! — Bruno gritou com uma voz forte e vencedora.
— HIP, HIP, HURRA! — Todos acompanharam juntos, em alto e bom som.
E seguiram andando em direção ao refeitório, rindo juntos como um verdadeiro grupo.
“É... Tem certas coisas que não podemos resolver logo de cara” — Aki pensou enquanto terminava o desenho de Charlie e encarava a menina com os olhos bobos e perdidos. — “Mas é bom ter amigos para ajudar.”
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